Sua Missa Tradicional está com uma cara estranha? Entenda o porquê.

Em resposta a alguns e-mails expressando receios quanto a variações litúrgicas estranhas ocorridas mais recentemente em Missas no Rito Tradicional, presenteamos nossos leitores com o magnífico esclarecimento do padre Dufour.

Algumas notas sobre o rito de 1965 ou “A primeira etapa da Reforma Litúrgica”

Por Padre S. Dufour, Fraternidade São Pedro

Fonte: Salve Regina – Tradução: Fratres in Unum.com

O anúncio feito pelo Cardeal Castrillon Hoyos (por ocasião da audiência concedida à associação Una Voce, na segunda-feira, 4 de setembro de 2000 [1], e reiterado em uma entrevista publicada na revista mensal La Nef sobre a possibilidade de um ordenamento do missal de 1962 em direção às rubricas de 1965, relançou o debate a respeito desse rito [3].

Debater ou simplesmente se deter sobre o rito de 1965, que não teve mais que uma breve existência (1965-1967: data da passagem a uma liturgia integralmente vernácula), não deve ser algo reservado apenas aos especialistas da história da liturgia.

Pelo contrário, esse assunto diz respeito a todo católico preocupado com a integridade de fé, “sem a qual é impossível agradar a Deus” [4], e que se indaga sobre a liturgia, na medida em esta traz conseqüências para aquela, em virtude do princípio da “lex orandi, lex credendi” [5].

Há já alguns anos que vários padres “Ecclesia Dei” começaram a preparar, por iniciativa própria [6], a “reforma da reforma” e, de fato, anteciparam-se ao utilizar, assim como ao promover, o rito de 1965.

Para eles, o rito de Paulo VI e rito Romano Tradicional não podem coexistir eternamente na Igreja Latina e é necessário encontrar uma solução. Pensam que o rito de 1965 é uma boa conciliação entre os dois: a primeira parte da missa é, grosso modo, a do rito de Paulo VI; o Ofertório e o Cânon são os do rito Romano tradicional. Por conseguinte, o essencial parece ficar a salvo.

Contudo, veremos que esse rito não pode ser uma solução aceitável porque, pelo espírito que o sustenta, também presente na origem dos gestos litúrgicos que impõe, não pode ser mais que uma etapa, mais ou menos longa, em direção à missa nova.

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33 Comentários to “Sua Missa Tradicional está com uma cara estranha? Entenda o porquê.”

  1. Gostei, sempre tive curiosidade de saber quais alterações haviam sido efetuadas na liturgia da missa de 1962.Sabia por alto que haviam suprimido o salmo 42 e que podia ser celebrada parte em vernáculo,mas agora foi tudo muito preciso.Ótimo trabalho e ainda por um padre da FSSP? pensei que eles não pudessem discordar mais de Roma.

  2. Há outro texto de um padre da FSSP que merecia ser traduzido. Trata das diferenças entre ser conservador e verdadeiramente tradicional.

  3. vejam como o arqueologismo condenado por Pio XII aparece para enfraquecer o dogma na instituição da oração universal.

    Já a Mediator Dei, em 1947, teve que condenar opiniões erroneas sobre o “sacerdócio” comum dos leigos.

    Aí veio o Vaticano II para confundir essa noção e passar dela uma noção erronea.

    Então instituem esse costume, que veio para enfraquecer a Fé e não fortalecê-la.

    Mas para os deformadores o que importa é que pensavam que isso era costumes nas missas dos primeiros tempos.

    Então por que tb não aboliram as basílicas e as igrejas, mandando celebrar as missas em casas de família ?

  4. Ferretti,

    As observações do Pe. Dufour me parecem bem fundadas e dignas de consideração. Penso, todavia, que o Missal de 1965 seja um bom começo de “reforma da reforma”; na verdade, um retorno à primeira reforma empreendida.

    Não se trataria, neste caso, de um terceiro Rito, trazendo ainda mais confusão. Tratar-se-ia de uma substituição, do Rito de 1970 pelo de 1965. Não vejo como não reconhecer a evidente superioridade do último.

    Penso também que, a distinção clara entre o bispo e o simples sacerdote, evidenciada nas rubricas do Missal Tridentino e atenuada nas do Missal de 1965, não seria um impedimento inegociável. Não me lembro de ter sido usada como justificativa para a não-aceitação do Missal de Paulo VI – corrija-me se me equivoco – pelos mais destacados opositores da reforma.

    Nem todas os dogmas estão presentes da mesma forma e com o mesmo grau de clareza nos Ritos litúrgicos; o que não significa dizer que possam ser desconsiderados. A diferença entre os bispos e os simples sacerdotes se manifestam em tantas outras formas e momentos da Sagrada Liturgia. Se foi atenuada em certos aspectos pelas rubricas de 1965, não o foi para confundir bispos com padres, e vice-e-versa.

    Também não vejo como sustentar que foram os reformadores que inventaram uma “partição” da Missa em duas. Na verdade, os reformadores sempre me pareceram mais interessados em equiparar a parte Sacrifical à catequética. É da Tradição a divisão da Missa em “dos Catecúmenos” e “dos Fiéis”. Não vejo porque a primeira não possa ser voltada à congregação.

    Agradecido sempre pelo seu excelente blog,

    Pe. Clécio

  5. Rev. Padre Clécio, seus argumentos talvez tivessem maior validade se o caminho que se desse fosse o contrário: do missal de 1970 para o de 1962, passando então pelo de 1965 como um intermediário.

    Todavia, não se vê em lugar algum nenhum padre que reze o Novus Ordo fazendo esse itinerário. Muito pelo contrário, pouquíssimos se lembram sequer da existência do missal de 1965. Esse assunto só é tocado pelos chamados “tradicionalistas” mais avançadinhos, que querem encontrar um meio termo entre seus gostos pessoais e as exigências que sofrem dos bispos para serem bem aceitos.

    Portanto, penso que devemos ver com distinção os dois casos: o do padre que, ao caminhar para a missa tradicional, passa pelo missal de 1965, algo absolutamente raro, pois quem conhece os dois missais, vai direto para o de 1962. E, por outro lado, o daqueles que têm o missal de 1962 como seu próprio rito, tem os documentos atuais do magistério autorizando a usar apenas o missal de 1962, mas ficam de tempos em tempos procurando adaptá-lo, aproximá-lo da missa corrente que se vê nas paróquias. O próprio magistério papal ignorou o missal de 1965-1967, desde os indultos de 84 e 88, até o motu proprio recente, demonstrando que ninguém entende o missal de 1965 como algo diferente de um missal de transição, fadado a ser um missal “tampão” num período em que ninguém dava bola para o que qualquer missal dizia.

    Sobre a distinção entre o presbiterato e o episcopado, é evidente que, embora não seja um obscurecimento que afronte diretamente a fé, questiono: é possível se aceitar uma involução de algo que estava tão claramente aperfeiçoado pelos séculos da tradição eclesiástica? Não cremos que a liturgia progride na compreensão e expressão dos mistérios, mas que todo regresso é danoso e que para isso existiram as reformas? Se São Pio V ou outros santos reformadores se refugiassem no “está bom desse jeito mesmo”, onde estaríamos hoje?

    Tudo passa por um único princípio, e eu, como seu leitor, sei que é um princípio que lhe é muito caro: a liturgia enquanto dom, como nos disse o Santo Padre nesses dias, e não como algo algo livre ao dispor dos estudiosos. A liturgia como algo que se desenvolve organicamente, com o prudente juízo da Igreja, visando uma melhor expressão do que ocorre no altar. A própria Sacrosanctum Concilium diz: “Finalmente, não se introduzam inovações, a não ser que uma utilidade autêntica e certa da Igreja o exija, e com a preocupação de que as novas formas como que surjam a partir das já existentes”. Que utilidade autêntica pode haver numa atenuação de algo outrora tão claramente significado pelos ritos?

  6. Porque as missas não são sempre assim como no video? Cristo e seu Sacrificio no centro da celebração.Que maravilha!Vou á missa toda a semana e nunca tinha assistido uma missa tridentina.O que fiz foi colocar este video da missa tridentina na integra nos meus favoritos para assistir regularmente,pois aqui em Porto Alegre não existe.

    Como puderam trocaram o canto gregoriano pelas músicas que se ouve hoje nas Igrejas?Isso pra mim é inexplicável.

    Agradeço o Ricardo pelos links que colocou no tópico sobre os Arautos.Valeu,Ricardo!

    fiquem com Deus.

    Flavio DG

  7. Paulo A.

    Entendo sua perspectiva e, veja, não advogo o uso do Missal de 1965, nem para os que usam o de 1962, nem para os que usam o de 1970.

    Referi-me ao de 1965 como uma primeira etapa de Reforma da Reforma, ou retorno, se preferir. Penso que, no momento atual, nenhum sacerdote deve usar o Missal de 1965; seria inclusive ilícito, a meu ver.

    No que diz respeito à questão de distinção entre bispos e padres, reafirmo que a atenuação se deu num aspecto, mas se manteve em tantos outros. E haveria justificativa para tanto? Houve, de fato, uma involução?

    Não vejo como involução, nem como evolução. Abriu-se mão de uma distinção neste aspecto para dar à parte catequética uma orientação mais adequada.

    Pe. Clécio

  8. Existe uma coletânea de documentos sobre a reforma liturgica, estão dispostos em um livro no site português de liturgia, mas nominalmente os principais são: “sacrossanctum Concilium”, Sacram Liturgiam (25/01/1964), Fórmula para a distribuição da sagrada Comunhão (25/04/1964), Instrução (primeira) Inter Oecumenici (26/09/1964), Carta sobre o incremento da reforma litúrgica (30/06/1965), Carta Encíclica Mysterium fidei (03/09/1965), Carta sobre alguns problemas da reforma litúrgica (25/01/1966), Preliminares da oração universal ou dos fiéis(17/04/1966), Indulgentiarum doctrina (01/01/1967), Musicam sacram (05/03/1967), Tres abhinc annos (04/05/1967), Instrução Eucharisticum mysterium (25/05/1967), Sacrum diaconatus Ordinem (18/06/1967), Carta sobre alguns problemas da reforma litúrgica (21/06/1967), Carta sobre a catequese Orações eucarísticas (02/06/1968), Constituição Apostólica Pontificalis Romani (18/06/1968), Instrução sobre a tradução dos textos litúrgicos (25/01/1969), Motu proprio Mysterii paschalis celebrationem (14/02/1969), Normas gerais sobre o ano litúrgico e o Calendário (21/03/1969), Constituição Apostólica Missale Romanum (03/04/1969), Instrução geral do Missal Romano (06/04/1969),

  9. Caro Ferreti ou algum comentarista sabe precisar quando esse artigo foi publicado??

    • Luciano Padrão, imagino que por volta de 2001 e 2002, deduzindo pela citação da entrevista do Cardeal Castrillon em 2000. Era um período crítico para a própria FSSP, que sofrera uma intervenção deste mesmo cardeal, tendo seu superior destituído e nomeado outro mais “aberto”…

  10. Penso que a conclusão é uma sábia orientação:
    “Ademais, no período de crise que atravessa a Igreja, é importante não alterar em nada a liturgia. O Papa São Pio V o havia compreendido bem quando codificou o Rito Romano, que a petrificava, certamente, mas sobretudo a protegia da heterodoxia. Deveremos esperar tempos melhores antes de aceitar quaisquer mudanças, que não virão de outro lugar senão da autoridade: Roma”
    Infelizmente, alguns engraçadinhos tem se metido a alterar o o sacrossanto rito impropriamente dito de São Pio V. Quem mora em Campos sabe do que eu estou falando … E para defender suas posições estapafúrdias invocam a obediência em tudo. Pobre gente !!!

  11. Aqui e acolá, eu vejo pessoas defendendo na Internet um “enriquecimento dos dois ritos”, o novo rito e o antigo, como houvesse uma autorização oficial por parte da Santa Sé para fazê-lo.

    Todavia, as cartas vindas de Roma pela Ecclesia Dei, respondendo leitores com duvidas sobre o Motu Proprio, diz claramente que ninguém pode realizar novidades no rito de 1962. Quer dizer, indiretamente condena qualquer mistura nos dois ritos.

    Assim quem faz isso, seja quem for, no mínimo, é um imprudente.

    Mas há casos estranhos das missas do Summorum Pontificum em alguns lugares do Brasil. Embora Dom Antanasio e Dom Pozzo falem sobre esse “enriquecimento” no missal de 1962, não se pode fazer nada agora sobre experiências no missal de 1962. E nem seria conveniente experiência porque ela é má em si.

    Inserir-se no trabalho do Padre Dufour indiretamente que o maior responsável por tudo isso é essa mentalidade liberal. Ela que levou essa confusão na Missa Nova que é o mesmo espírito do missal de 1965, o Padre Dufour não deixa duvida sobre isso.

    Tomara Deus que as coisas melhorem longo em Roma para o bem da Igreja…

  12. Como é que podem contrariar São Pio V? O problema na Igreja é a fé na evolução. Revolução é muito próxima de evolução, é como uma evolução multiplicada ou potencializada. Digo isso porque a cada dia que passa para mim fica mais evidente que o Concílio Vaticano II foi a assimilação da revolução marxista na Igreja. Lógico, com discurso religioso, pretensamente católico, querendo emprestar logicidade à ambiguidade ou à incoerência, misturando fontes não harmonizadas, até porque diversas do Margistério incontroverso. Nada mais que uma revolução com o linguajar de sempre na Igreja, mas não com a Doutrina de sempre. Há gente confundindo discurso e expressão tornada corriqueira com Doutrina de sempre ou continuidade da Doutrina. Parece-me que o CVII não passa do agasalho da revolução no ambiente eclesial com uma linguagem eclesial. E a reforma litúrgica foi apenas um paralelo que se fortaleceu para se tornar um desdobramento. Eu fico bobo com a cara-de-pau de se desautorizar um gigante como São Pio V sem se usar óleo de peroba, nem nada. Para ficar com São Pio V, sempre estou disposto a não conhecer esta geração, a virar a cara e dizer como Jesus: “não vos conheço”!

  13. Ferretti, meu nome é Walter Cintra, sou católico e jornalista, gostaria de poder escrever para o Fratres, moro em Brasilia, DF e tenho combatido a modernidade que tomou conta aqui da cidade. Por favor se possivel meu e-mail para contato é walterlima1012@gmail.com me sentiria honrrado em poder fazer parte desse exercito que busca salvar a santa igreja dos falsos catolicos…

    Um grande abraço

  14. Ferretti, valeu a pena esperar, o texto é muito esclarecedor, em minhas pesquisas na internet não havia encontrado nada a respeito de forma tão clara. Obrigado

  15. Amigos,

    Essa discussão não terá sentido nenhum se não soubermos qual é a opinião daqueles que realmente querem, e podem(importante frisar), fazer a “reforma da reforma”.

    O que nós preferimos ou não, achamos ou não achamos, não vem ao caso.

  16. Não entendi essa do Pe. Clécio. Ele não vê porque “a Missa dos Catecúmenos não possa ser rezada com o padre voltado para o povo”. Na Missa dos Catecúmenos também existem orações, que são dirigidas Deus. Se o Pe. pode, por exemplo, rezar a Coleta voltado para o povo, por que não a secreta e a post-communio? E se puder rezar a secreta e a post-communio de costas para Deus, por que não as orações do Ofertório e do Canon?

    Gostaria de saber do Pe. qual é a lógica que está por trás desse raciocínio de não ver problema em rezar orações da Missa dos Catecúmenos “versum populum”, mas ver problema em rezar orações da Missa dos Fiéis da mesma maneira.

    Entendo que, nesse caso, ou se vê problema em tudo ou não se vê em nada.

  17. Acho que é melhor manter como está: as duas formas do rito romano coexistindo na Igreja, já que ninguém está disposto a abrir mão de nada. Eu prefiro o rito ordinário rezado em latim do que o rito extraordinário que, na minha opinião, tem muitas partes rezadas em voz submissa, muitas orações secretas.

  18. Fernando,

    Eu jamais disse que a secreta, a post-communio e mesmo o Cânon NÃO POSSAM ser rezados versus populum. Aliás, é a orientação “ordinária” das missas que eu celebro.

    Também não disse que o introito, o Glória ou a coleta DEVAM ser rezados versus populum.

    Rezar uma oração nesta orientação, não faz desta oração um discurso dirigido ao povo, ainda que o padre “acidentalmente” esteja voltado para ele. Como dizer “Dominus Vobiscum” no prefácio, por exemplo, versus Deum, não significa que o padre esteja dirigindo-se a Deus.

    O que quis enfatizar é que, de fato, há uma distinção entre as duas partes da Missa, e não foram os reformadores que a inventaram. E as duas partes PODEM, como deixam claro as rubricas de 1962, ter orientações distintas sem romper com a unidade da Missa. O que se fez em 1965, em relação a esta questão, foi estender ao simples sacerdote o que se aplicava somente ao bispo em certas missas.

    A Missa de 1965 tem , a meu ver, muitas qualidades. Eu ficaria com ela, se me fosse permitido!

    Mas, como disse um comentariasta acima, não seremos nós a determinar como e quando se dará a tal Reforma da Reforma; aqui apenas manifestamos preferências que deverão, a seu tempo, submeter-se ao que decidir o Supremo Legislador.

    Pe. Clécio

  19. Leonardo Marques, qual o site que contem esses documentos?

  20. Prezados amigos,
    Aqui em Natal participei ativamente do grupo que organizou a celebração da Santa Missa todos os domingos com o nosso amado Rito de S.Pio V…logo nos primeiros meses, no entanto, começaram a surgir as dificuldades com o padre, que insistia em mesclar elementos do rito novo, tais como uma aspersão em vernáculo substituindo as preces ao pé do altar. Após alguns atritos, preferí me afastar, à espera de tempos melhores. Agora, segundo soube, ele já introduziu a “oração dos fiéis”, substituiu as veneráveis orações do ofertório pelas do rito novo e toda a missa é acompanhada por uma jovem tocando violão. é preciso urgentemente que seja publicado o documento da Comissão Ecclesia Dei tão esperado, regulamentando diversos aspectos da celebração, para que o

  21. Este missal de 1965 parece uma enorme coincidência com o que fez Lutero. Vejam aqui http://www.fsspx.com.br/exe2/?p=66 e os fins a que se propoem aqui http://www.fsspx.com.br/exe2/?p=63 .

  22. Porque acho que o CVII foi uma verdadeira revolução: porque um rei foi deposto, ainda que não exatamente ele, mas o regime monárquico que o definia como rei, conforme estabelecido por Nosso Senhor no Primado de Pedro. O papa continuou papa, mas deixou de ser rei. Não se depõe um rei sem revolução. Dirão que o colegiado já vinha sendo discutido antes, mas foi o CVII que golpeou a monarquia papal. Desde então o papa perdeu o poder de decidir, de ordenar, de reunir e de afastar. Perdeu o reflexo da hierarquia de Cristo como praticada no Céu. Foi uma revolução. Nos moldes eclesiais, com circusntâncias eclesiais, com discurso ambientado, mas sem atendimento dos pressupostos procedimentais, até porque nunca previstos em detalhes para se chegar a tanto, pois em desconformidade com o estabelecido pelo Rei dos reis. Apenas com isso o CVII faz a hierarquia se insurgir contra Nosso Senhor e, de resto, toda a orbe, ainda que sem consciência acerca da ilegitimidade que acompanha. Nada disso não poderia prosperar mesmo. Está em constante inconveniência com toda a ordem espiritual do universo. Somente recairá na apostasia e na desolação da abominação. Foi permitido para o reinado do filho da perdição. Para o papa suspender tal mal, só anulando o CVII, pois não há como adequá-lo, nem corrigi-lo, para recuperar sua monarquia sem deixar sombra de dúvidas. Aí, ou será o papa de Fátima, a ser assassinado, ou lhe será imposto o ostracismo junto com o restante da Igreja fiel ao Primado de Pedro, à Doutrina de sempre, ao Magistério, à Sagrada Tradição e, em última e mais ampla ordem, a Nosso Senhor Jesus Cristo que vem. Acredito que a consciência a respeito está quase totalmente madura a ponto da solução não dever passar do próximo pontificado, pois o que vemos até lá não passa do receio ou do medo de São Pedro de ir a Jerusalém ou, de outra feita, de voltar a Roma, para morrer na Cruz com Seu Senhor.

  23. E São Pedro já tinha recebido o Primado, ainda que em potência, quando refutou a ida à Jerusalém, ao que Cristo o chamou de Satanás. Veja que não houve para São Pedro anulação de sua fraqueza. A Igreja não sucumbe ante o inferno pela fraqueza de um papa. O que anulou a fraqueza de São Pedro foi sua humilhação e sua contrição para se render ao Amor de Cristo, para Lhe ser fiel até a Sua Cruz, identificando-se totalmente a Ele, enquanto Cristo Se humilhou para ser escravo dos homens. É a Cruz de Cristo que nos dá a identidade última e definitiva com Jesus. A Eucaristia deve nos levar à Cruz, “para vivermos dEle, por Ele e para Ele, como Ele viveu do Pai e pelo Pai” (Jo, 6). Se Sua Paixão no Corpo não nos atraísse à tal identidade, bastaríamos viver do Espírito ou que o Espírito nos desse sozinho a Vida e Cristo teria Se encarnado deixando certa inconsequência em relação à Sua identidade com os homens. Porém, como é a fé que agrada a Deus que, de Sua parte, diz: “hei de salvá-lo porque confiou em Mim”, Deus espera que, com a confiança segura de Cristo, caminhemos para Jerusalém sem hesitar, para que tenhamos toda identidade com Cristo, a ponto de prosseguir com Sua Missão até Sua Cruz, na qual, certamente, já gozaremos de todas as Suas consolações.

  24. Muito oportuna a colocação do sr. Sérgio. As mudanças, mesmo que mínimas, representam um novo conceito e, como dizia Dom Antônio acompanhando S. Tomas, só compensaria no caso de uma excelência superior tão grande que compensasse também o mal que há em toda mudança (1. 2. q. 97, a. 2).

    Cramer também introduziu pequenas alterações no Ordo anglicano para que os fiéis não percebessem. Os fiéis ao chegarem à Igreja tomavam conta de pequenos detalhes que seriam modificados. E sempre num intruito “catequético”. Eram letras de músicas, algumas orações inseridas, etc. Tempos depois, àquelas modificações inseriam-se outras. Uma procissão de dons, um paramento retirado, um “retorno” de algum costume, etc. Daí, a mudança estava concretizada. Tudo na mais santa paz.

    Como bem disse o P. Dufour, em tempos de crise nada mais sensato do que não mudar nada. A mania da “unificação” só pode chegar a uma perda de identidade.

    Na minha opinião, acompanhando o P. Clécio, o Ordo de 1965 está abrogado. Para os que seguem o Ordo desde Paulo VI (1969) com as alterações até João Paulo II (2000) não há necessidade de usá-lo. Quanto aos “indultos” até o Summorum Pontificum menciona-se os livros ATÉ 1962 (João XXIII).

    Agora, penso que não há de ter apenas um LEGISLADOR, mas, sim, um DOUTRINADOR. Explico: Se toda a questão da Missa se refere à doutrina nada mais correto do que haver uma definição doutrinária. Dom Antônio de Castro Mayer, antes da entrada em vigor do NOM, escreveu uma Carta Pastoral sobre o Santo Sacrifício da Missa e os dogmas que nela se deve professar. Não menciona em nenhum momento o Ordo prestes a entrar em vigor. Qual o resultado disso? Sua Excelência rechaçou qualquer catequese ou doutrina que se afastasse daqueles princípios de Fé. E ponto final.

  25. Rev. P. Clécio, caro Antonio, Salve Maria!

    Procurei pesquisar a respeito, mas não encontrei nada que fechasse a questão. Houve uma edição típica dos missais de 1965 e 1967?

    Pois o que temos de amplo acesso são as respectivas instruções da Congregação dos Ritos autorizando estas adaptações; mas não se encontra nada a respeito de uma possível edição típica. Vi em alguns sites que houve edições das conferências episcopais, mas nada sobre uma da Santa Sé. Não existindo, de fato, uma edição típica, é inapropriado até falar de abrogação, pois, juridicamente, ditos “missais” são meras adaptações introduzidas ao missal de 1962 e sequer existiram enquanto um corpo de orações aprovados pela autoridade suprema da Igreja. Serviram, a seu tempo, aos objetivos de transição entre o missal antigo e o novo. Isso enfatizaria ainda mais a proibição de usá-los atualmente e esclareceria o motivo de todos os documentos sobre a missa antiga (indultos de 84 e 88, MP de 2007) contemplarem o missal de 1962.

  26. Caro Celso Farias,

    Que tristeza… isso que você contou sobre essas alterações feitas por esse padre progressista na santa missa de sempre.O vírus da revolução acabou com todo sentido de ordem e obediência às rubricas.É isso que dá celebrar missa de sempre, com os amores do novus ordo.A porta está aberta para começarem a destruição da Missa Católica.

    Eu fico preocupado geralmente quando padres formados nos seminários do vaticano II, resolvem celebrar missa católica.Já vem carregados de vícios e manias inovadoras da outra. Salvo algumas excessões honrosas.

  27. Prezado Celso Farias e demais leitores,
    Não criem expectativas quanto a Comissão Ecclesia Dei.

  28. Sandro, Rodrigo e John, particularmente, corrigiram-me através de Santo Tomás de Aquino que disse que São Pedro ainda não era papa quando foi declarado seu Primado, pois, as chaves do Céu ainda lhe seriam dadas, ou seja, Jesus determinou no modo futuro, quando Ele já tivesse ressuscitado. Está certo. Outra lição de Santo Tomás. A vida de São pedro tomada como um todo deixa claro que sua identidade com Cristo alcançou seu ápice no dia em que quis ser crucificado de cabeça para baixo, por se declarar indigno de uma maior identificação com Seu Salvador, alí, naquele momento, São Pedro repetiu o Cristo. Agora, nessa crise toda, para o seu desembaraço, é esperar confiante de que haverá um papa que aceitará o mesmo.

  29. Oliveira,

    Disse bem.

    Att,

    Antonio

  30. O senhor está certo, senhor Antônio Tavares, ao colocar o exemplo zeloso e sábio de Dom Mayer em bons tempos como pastor em Campos.

    Não há melhor catequese sobre a Missa que o rito de São Pio V. Esse mesmo papa, com sua Bula Quo Primum Tempore, demonstra isso claramente.

    Fico por aqui.

  31. Paulo A.

    Creio que o sr.esteja correto. Também desconheço uma edição típica latina daquele Missal. Mas ainda escreverei sobre ele no OBLATVS.

    Pe. Clécio