Comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé sobre a 8ª Assembléia dos Representantes Católicos Chineses.

Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé
(tradução de Leonardo Meira – equipe CN Notícias)

Comunicado sobre 8ª Assembleia dos Representantes Católicos Chineses
(Pequim, 7-9/12/2010)


1. Com profunda dor a Santa Sé deplora que, nos dias 7 a 9 de dezembro corrente, tenha acontecido em Pequim a Oitava Assembleia dos Representantes Católicos Chineses. Essa foi imposta a numerosos Bispos, Sacerdotes, Religiosos e Fiéis leigos. A modalidade da sua convocação e seu desenvolvimento manifesta uma abordagem repressiva com relação ao exercício da liberdade religiosa, que se desejava já estar superada na China moderna. A persistente vontade de controlar a esfera mais íntima dos cidadãos, ou seja, a sua consciência, e de ingerir-se na vida interna da Igreja católica, não é motivo de honra para a China; antes, parece sinal de temor e debilidade, mais que de força; de uma intransigente intolerância, mais que de abertura à liberdade e ao respeito efetivo da dignidade humana, bem como de uma correta distinção entre a esfera civil e aquela religiosa.

2. Diversas vezes a Santa Sé fez conhecer, primeiramente aos pastores, mas também a todos os Fiéis, também publicamente, que não deviam participar do evento. Todo aquele que esteve presente sabe em que medida é responsável diante de Deus e da Igreja. Os Bispos, em particular, e os Sacerdotes seriam também confrontados com as expectativas das respectivas comunidades, que olham para o seu Pastor e têm o direito de receber dele a guia e a segurança na fé e na vida moral.

3. Sabe-se, entretanto, que muitos Bispos e Sacerdotes foram forçados a participar da Assembleia. A Santa Sé denuncia esta grave violação dos seus direitos humanos, em particular da sua liberdade de religião e de consciência. Além disso, a Santa Sé expressa a sua estima mais profunda a quantos, de diversos modos, têm testemunhado a fé com coragem e convida os outros a rezar, a fazer penitência e, com obras, reafirmar a própria vontade de seguir Cristo com amor, em plena comunhão com a Igreja universal.

4. Àqueles que trazem no coração espanto e profundo sofrimento, perguntando-se como seja possível que o próprio Bispo ou os seus Sacerdotes tenham participado da Assembleia, a Santa Sé pede que permaneçam firmes e pacientes na fé; convida a tomar parte nas pressões enfrentadas por muitos dos seus Pastores e a orar por eles; exorta a continuar corajosamente a apoiá-los em face das injustas imposições que encontram no exercício do seu ministério.

5. Durante a Assembleia foram, entre outros, designados os responsáveis da assim chamada Conferência Episcopal e da Associação Patriótica Católica Chinesas. Com relação a esses dois organismos, assim como à mesma Assembleia, permanece válido o que o Santo Padre Bento XVI escreveu na Carta de 2007 à Igreja na China (cfr. nn. 7 e 8).

Em particular, o atual Colégio dos Bispos Católicos da China não é reconhecido como Conferência Episcopal pela Sé Apostólica: dele não fazem parte dele os Bispos “clandestinos”, isto é, não reconhecidos pelo Governo, que estão em comunhão com o Papa; inclui Prelados, que ainda são ilegítimos, e rege-se por Estatutos que contêm elementos não conciliáveis com a doutrina católica. É profundamente deplorável que tenha sido designado para presidi-lo um Bispo não legítimo.

Enfim, no que concerne à declarada finalidade de aplicar os princípios de independência e autonomia, autogestão e administração democrática da Igreja, é recordado que esses são inconciliáveis com a doutrina católica, que, desde os antigos Símbolos de fé professa a Igreja “una, santa, católica e apostólica”. É, portanto, infeliz também a designação de um Prelado legítimo para presidir a Associação Patriótica Católica Chinesa.

6. Não é esse o caminho que a Igreja deve seguir no contexto de um grande e nobre país, que suscita atenção na opinião pública mundial pelas significativas metas alcançadas em tantas áreas, mas no qual é ainda difícil implementar os exigentes requisitos de uma verdadeira liberdade religiosa, que, na sua Constituição, professa respeitar. Além disso, a Assembleia tornou ainda mais difícil o caminho de reconciliação entre os Católicos das “comunidades clandestinas” e aqueles das “comunidades oficiais”, provocando uma ferida profunda não somente à Igreja na China, mas também à Igreja universal.

7. A Santa Sé lamenta-se profundamente pelo fato de que a celebração da mencionada Assembleia, bem como a recente ordenação episcopal sem o indispensável mandato pontifício, tenham danificado unilateralmente o diálogo e o clima de confiança, surgido nos relacionamentos com o Governo da República Popular Chinesa. A Santa Sé, enquanto reafirma a sua vontade de dialogar honestamente, sente o dever de precisar que atos inaceitáveis e hostis como aqueles há pouco mencionados provocam nos fiéis, dentro e fora da China, uma grave perda daquele confiança que é necessária para superar as dificuldades e construir uma relação correta com a Igreja, em benefício do bem comum.

8. À luz do que aconteceu, permanece urgente o convite que o Santo Padre dirigiu a todos os Católicos do mundo, em 1º de dezembro corrente, a rezar pela Igreja na China, que está vivendo momentos particularmente difíceis.

17 de dezembro de 2010

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8 Comentários to “Comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé sobre a 8ª Assembléia dos Representantes Católicos Chineses.”

  1. Claro que a China cometeu um crime contra a Igreja; mas enquanto o Papa não defender seus mártires com a Doutrina do Reinado Social de Nosso Senhor e sim com Liberalismo, só vai atrair mais castigos sobre todos nós, como fazem os maus pais de família.

    Saudades de Pio IX que disse que seria iníquo um católico defender sua liberdade apelando para o Liberalismo e a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Temos que apelar para os direitos de Deus, custe o que custar, como fizeram os cristãos em Roma pagã nos primeiros séculos católicos.

  2. Acordo com o regime comunista – Para a Igreja, esperança ou autodemolição ?

  3. Vejam só, enquanto o Regnum Christi está ocupadíssimo com sua perpetuação, enquanto o Opus Dei está preocupadíssimo com nada, a Igreja é aviltada e perseguida na China, no Brasil (lembram do PT ameaçando o bispo de Guarulhos?), na Venezuela…

    Onde estão os católicos nesses momentos?

  4. Onde estão os Arautos do Evangelho na China?

  5. Esses acontecimentos apenas recorda ao mundo que o governo atual da China continua sendo uma ditadura deplorável e um regime detestável.

    Sugiro que, em vez de hipócritas vozes que mais dividem os católicos como os que acima comentaram, boicote-se os produtos chineses,

  6. Sugiro que se boicotem produtos chineses E que se acabe com a hipocrisia de se dizer que está tudo bem enquanto bispos são perseguidos no Brasil e na China, atacando-se os reais problemas, entre eles a infiltração de hereges sectários que fundam “movimentos” cujo único intuito é desviar fiéis e garantir prestígio e poder pessoais. Esse “ecumenismo” pastoral permitiu os escândalos da Legião de Cristo, do neo-catecumenato, entre tantos outros. E qual foi o bem que esses grupos fizeram às almas no Brasil? Onde estão seus frutos quando a Igreja é perseguida nos países em que eles atuam?
    Porque, volto a escrever, no caso da perseguição a D. Luiz Gonzaga Bergonzini não vi nenhum integrante desses “movimentos” colocar-se contra o PT, um partido de inimigos da Igreja. Ou não seremos todos cobrados por NSJC sobre esse episódio? Boicotem-se produtos chineses, boicotem-se empresas chinesas (todas estatais), mas boicotem-se também os Judas Iscariotes.

  7. A FSSPX atende, ou ao menos já atendeu, “clandestinamente” localidades na China. Deus proteja os corajosos sacerdotes que o fazem e converta os que a dividem com seu modernismo e seus erros pós-conciliares.

  8. Errata:” os que dividem com…etc etc”