Apelo ao Santo Padre.

Encontro de Assis - 27 de Outubro de 1986

Encontro de Assis - 27 de Outubro de 1986

Santo Padre Bento XVI,

Somos alguns católicos  extremamente gratos pela obra feita por Vossa Santidade como pastor da Igreja Universal nos últimos anos, reconhecidos pela sua grande valorização da razão humana, pela concessão do Motu Proprio Summorum Pontificum, por seu fecundo relacionamento com os anglicanos que retornam à unidade, e por muito mais ainda.

Nós tomamos a coragem de escrever-lhe depois de ouvir, no próprio dia do massacre de cristãos coptas no Egito, sobre a intenção de reunir em Assis, para o mês de outubro, um encontro inter-religioso de grande porte, 25 anos depois de “Assis 1986.”

Todos nós lembramos daquele evento de tantos anos atrás.

Um evento midiático como poucos, que, independentemente das intenções e declarações daquele que o convocou, teve um inegável efeito contrário, aumentando, no interior mesmo do mundo católico, a indiferentismo e o relativismo religioso.

Foi a partir desse evento que cresceu, junto ao povo cristão, a idéia de que o ensino secular da Igreja “una, santa, católica e apostólica”, sobre a unicidade do Salvador, deveria ser de alguma forma, arquivado.

Todos nos lembramos dos representantes de todas as religiões em uma igreja católica, a Igreja de Santa Maria degli Angeli, alinhados com um ramo de oliveira na mão: como que a significar que a paz não passa por Cristo, mas igualmente por todos os fundadores de um credo, qualquer que seja este (Maomé, Buda, Confúcio, Kali, Cristo …)

Lembramo-nos da oração dos muçulmanos em Assis, isto é, na cidade de um santo que tinha feito da conversão dos islâmicos um dos seus objetivos.

Recordamos a oração dos animistas, sua invocação dos espíritos elementares, e daquela de outros credos ou de representantes de religiões atéias como o jainismo.

Aquele rezar “juntos”, fosse qual fosse a sua finalidade, querendo-se ou não, teve o efeito de fazer crer a muitos que todos rezamos “ao mesmo Deus”, apenas com nomes diferentes.

Em vez disso, a Sagrada Escritura é clara: “Não terás outros deuses diante de mim” (1º. mandamento), “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida: ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14, 6).

Aqueles que escrevem certamente não recusam o diálogo, com qualquer pessoa, independente da religião que tenha.

Nós vivemos no mundo, e todos os dias nós conversamos, discutimos, amamos, mesmo aqueles que não são cristãos, porque ateus, céticos, ou de outras religiões. Mas isso não nos impede de acreditar que o próprio Deus tenha vindo sobre a terra, e tenha morrido para ensinar, de fato, o Caminho, a Verdade, e não apenas um dos muitos e possíveis caminhos e verdades. Cristo é, para nós cristãos, o Salvador, o Único Salvador do mundo.

Lembramos com tristeza, portanto, retornando a este evento de 25 anos atrás, os frangos abatidos no altar de Santa Clara, segundo rituais tribais e da redoma com uma estátua de Buda colocada sobre o altar da igreja de São Pedro, sobre as relíquias do mártir Vitorino, morto, 400 anos depois de Cristo, para testemunhar a sua fé.

Recordamos os padres católicos que se submeteram a ritos iniciáticos de outras religiões: uma cena horrível, pois, se é um “disparate” batizar na fé católica um adulto que não acredita nela, mais ainda é absurdo o fato de que um padre católico se submeta a um rito ao qual não reconhece nenhuma validade ou utilidade. Fazendo isso se acaba, de fato,  passando uma única idéia: que os ritos, todos, não são nada além de vazios gestos humanos. Que todas as concepções do divino se equivalem. Que todas as morais, que emanam de todas as religiões, são intercambiáveis.

Eis aí o “espírito de Assis”, sobre o qual a mídia e os setores mais relativistas da Igreja trabalharam longamente, lançando a confusão. Parecia alheio ao Evangelho e à Igreja de Cristo, que nunca, em dois mil anos, tinha escolhido fazer o mesmo. Gostaríamos de transcrever aqui essas observações irônicas de um jornalista francês: “Na presença de tantas religiões, se acreditará mais facilmente ou que todas elas são válidas ou que são todas indiferentes, vendo assim tantos deuses, se perguntará se todos não são equivalentes ou se há apenas um verdadeiro. O “parisiense zombeteiro”  (cético e ateu, n.d.r.) imitará aquele colecionador cético, cujo amigo tinha acabado de derrubar um ídolo de uma mesa:. ‘Ah desgraçado, talvez seja esse o verdadeiro Deus ” .

Nós encontramos consolo, então, em nossas perplexidades, em muitíssimas declarações dos papas, que tinham sempre condenado tais “diálogos”.

Um congresso de todas as religiões já tinha sido organizado, de fato, em Chicago, em 1893, e em Paris, em 1900. Mas o Papa Leão XIII interveio para proibir qualquer participação católica.

A mesma atitude tomou Pio XI, o papa que condenou o ateísmo comunista e o nazista, mas lamentou ao mesmo tempo a tentativa de unir os homens em nome de um vago e indistinto senso religioso, sem Cristo.

Escreveu aquele Papa em sua “Mortalium Animos” (Epifania de 1928), exatamente a respeito dos congressos ecumênicos: Pois, tendo como certo que rarissimamente se encontram homens privados de todo sentimento religioso, por isto, parece, passaram a ter a esperança de que, sem dificuldade, ocorrerá que os povos, embora cada um sustente sentença diferente sobre as coisas divinas, concordarão fraternalmente na profissão de algumas doutrinas como que em um fundamento comum da vida espiritual. Por isto costumam realizar por si mesmos convenções, assembléias e pregações, com não medíocre frequência de ouvintes e para elas convocam, para debates, promiscuamente, a todos: pagãos de todas as espécies, fiéis de Cristo, os que infelizmente se afastaram de Cristo e os que obstinada e pertinazmente contradizem à sua natureza divina e à sua missão. Sem dúvida, estes esforços não podem, de nenhum modo, ser aprovados pelos católicos, pois eles se fundamentam na falsa opinião dos que julgam que quaisquer religiões são, mais ou menos, boas e louváveis, pois, embora não de uma única maneira, elas alargam e significam de modo igual aquele sentido ingênito e nativo em nós, pelo qual somos levados para Deus e reconhecemos obsequiosamente o seu império.  Erram e estão enganados, portanto, os que possuem esta opinião: pervertendo o conceito da verdadeira religião, eles repudiam-na e gradualmente inclinam-se para o chamado Naturalismo e para o Ateísmo…”[tradução portuguesa vaticana]

Em retrospectiva, podemos dizer que o Papa Pio XI estava certo, ainda que fosse  apenas ao nível de mero acaso. Qual foi, de fato, o efeito de “Assis 1986″, apesar das corretas declarações do próprio Papa João Paulo II, destinadas a impedir tal interpretação?

Qual é a mensagem que lançaram na ocasião os próprios organizadores, a mídia, e até mesmo não poucos eclesiásticos modernistas, ansiosos por derrubarem a Tradição da Igreja?

Aquilo que se passou, junto a muitíssimos cristãos, através de imagens, que são sempre mais evocativas, e através dos jornais e da televisão, é muito claro: o relativismo religioso, que é depois o equivalente do ateísmo.

Se todos rezam “juntos”, muitos já concluíram, então todas as religiões são “iguais”: mas se assim for, isso significa que nenhuma delas é verdadeira.

Naquela época, Vossa Santidade era Cardeal e Prefeito da Congregação da Fé, junto com o Cardeal Giacomo Biffi, e com muitos outros, foi um dos que manifestou sérias perplexidades. Por esta razão, nos anos sucessivos, nunca mais participou da repetição proposta anualmente pela Comunidade de Santo Egídio.

De fato, como escreveu Vossa Santidade em “Fé, Verdade e Tolerância: o Cristianismo e as religiões do mundo” (Cantagalli, 2005), criticando exatamente o  ecumenismo indiferentista, para o católico, “deve estar muito claro que não existem ‘as religiões’ em geral , que não existe uma idéia comum de Deus e uma fé comum nEle, que a diferença não afeta apenas o âmbito das imagens e formas conceituais mutáveis, mas as próprias escolhas últimas. “

Vossa Santidade concorda perfeitamente, portanto, com Leão XIII e Pio XI sobre o perigo de contribuir, através de gestos como o de “Assis 1986”, com o sincretismo e a indiferentismo religioso.

Risco destacado até mesmo pelos Padres Conciliares do Vaticano II, que na Unitatis Redintegratio, a propósito, se falhavam em relação ao ecumenismo com outras religiões, com os outros “cristãos”, porém, convidavam à prudência: “No entanto, a comunicação nas coisas sagradas, não deve ser considerada como um meio a ser usado indiscriminadamente para a restauração da unidade dos cristãos…”. Vossa Santidade tem ensinado, nos últimos anos, nem sempre compreendido até mesmo pelos católicos, que o diálogo ocorre e  pode acontecer não entre diferentes teologias, mas entre as diferentes culturas, e não entre as religiões, mas entre os homens, à luz daquilo que nos distingue de tudo: a razão humana.

Sem recriar o antigo Panteão pagão, sem que a integridade da Fé venha a ser posta em causa pelo amor ao compromisso teológico, sem que a Revelação, que não é propriedade nossa, venha a ser alterada pelos homens e pelos teólogos, decididos a conciliar o inconciliável, sem que Cristo  “sinal de contradição”, venha a ser posto sobre o mesmo plano de Buda ou Confúcio que, entre outras coisas,  nunca disseram ser Deus…

Por esta razão, estamos aqui para expor a nossa preocupação.

Tememos que tudo que Vossa Santidade disser, a televisão, os jornais e muitos católicos interpretarão à luz do passado e do indiferentismo imperante; que não importa o que Vossa Santidade afirmar, o evento vai ser lido como uma continuação da manipulação da figura de Francisco, transformado pelos ecumenistas modernos, em um irenista e em um sincretista sem fé. Isso já está acontecendo …

Temos medo de que não importa o que Vossa Santidade disser esclarecer, os simples fiéis, tal como somos nós também, em todo o mundo, não verão (e não lhes será mostrado, por exemplo, na TV) nada além de um fato: o Vigário de Cristo não falando, debatendo, dialogando com representantes de outras religiões, mas orando com eles. Como se a forma e o objetivo da oração fossem indiferentes.

E muitos, erroneamente, pensarão que a Igreja agora capitulou e reconheceu, em consonância com a mentalidade da Nova Era, que rezar a Cristo, Alá, Buda, ou Manitou seja a mesma coisa. Que a poligamia islâmica e animista, as castas hindus ou o espírito politeísta animista…  podem estar juntos com a monogamia cristã, com a lei do amor e do perdão e com o Deus Uno e Trino.

Mas como ainda Vossa Santidade  escreveu no livro citado: “Com a indiferenciação das religiões e com a idéia de que todas elas são, sim, distinguíveis, mas no fundo iguais, não se avança.”  Santo Padre, nós pensamos que com uma nova “Assis 1986” nenhum cristão das terras do Oriente será salvo: nem na China comunista nem na Coréia do Norte, nem no Paquistão ou no Iraque … tantos fiéis, ao contrário, não entenderão porque, justamente naqueles países, há ainda hoje aqueles que morrem mártires por não renegarem  seu encontro não com uma religião, mas com Cristo. Como foram mortos os próprios apóstolos.

Diante da perseguição, existem vias políticas, diplomáticas, diálogos pessoais e de Estado: que todos eles continuem, da melhor forma possível. Com Sua bondade e Seu desejo de paz para todos os homens.

Mas sem que seja possível para aqueles que querem confundir as águas e relançar o relativismo religioso, antecâmara de todo relativismo, terem uma oportunidade, ainda que midiática, tão apetitosa como a “reedição” de “Assis 1986″.

Com devoção filial

Francesco Agnoli, Lorenzo Bertocchi,

Roberto de Mattei, Corrado Gnerre,

Alessandro Gnocchi, Camillo Langone,

Mario Palmaro, Luisella Scrosati,

Katharina Stolz

(Il Foglio del 11/01/2011)

Fonte: Pe. Marcelo Tenório

26 Comentários to “Apelo ao Santo Padre.”

  1. A carta é de grande lucidez. Não podemos pensar que toda religião salva; que toda religião “é boa” ou que mostra o caminho a Deus. Apenas uma mostra o Verdadeiro Caminho, e é de suma importância que afirmemos isto. Afinal, para isto houve a Revelação.

  2. Senhor Ferreti por favor organize algo da mesma natureza para que possamos manifestar o Santo Padre o mesmo que esses irmãos estão fazendo. Será um ato de fé e caridade para com o catolicismo.
    Por favor faça! Obrigado.

  3. Faço votos de que esta tão premente carta chegue às mãos de Sua Santidade, para Seu conhecimento e leitura.

    E, com profunda devoção à Cátedra de Pedro e à Augusta Pessoa de S. S. Bento XVI, uno-me aos signatários desta tão respeitosa quanto dolorosa missiva.

    Imploro ao Coração Imaculado de Maria que apresse Seu triunfo prometido em Fátima aos três pastorinhos, para a Glória de Deus, exaltação da Santa Madre Igreja e Salvação de muitas almas na fé e na obediência a Nosso Senhor Jesus Cristo, porque”não há outro nome dado aos homens pelo qual possamos ser salvos a não ser o nome de Jesus” (At 4,12).

    In Iesu et Maria,
    Pe. Anderson

  4. Salve Maria.

    Fez-se o primeiro encontro em 1986 e veio o atentado as Torres Gemeas em 2001,o mundo entra na era do terrorismo, não houve paz.
    Fez-se o segundo encontro em 2002 e continua o massacre dos cristãos na Ásia, Oriente Médio e expandindo pela África e, Deus nos livre, talvez expanda-se pela America Latina.
    O que resultará desse terceiro encontro senão um castigo maior enviado por Deus!
    Está mais que provado que o diálogo com essa gente fanática e programada para matar cristãos não funciona.
    O certo era que o Papa organizasse uma cruzada para impedir o massacre de cristãos nessas regiões.Porém os países,principalmente europeus, estão descritianizando-se e não haveria interesse em tal coisa como antigamente.
    Resta então ao Papa a única coisa possível a se fazer para obter a paz no mundo: a consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria Santíssima junto com todos os bispos do mundo que forem possíveis!
    Noto que o encontro está marcado para outubro,mês da ultima aparição da Virgem aos pastorinhos.
    Parece até uma ofensa a Santa Virgem a menos que o Papa,penso eu,irá fazer algo contrário do que foi feito nos dois encontros anteriores porque não é possível que um cardeal com idéias contrárias a esses encontros mude-as depois que vira Papa.
    Rezemos pelo Papa.

  5. To achando que JPII vai ser canonizado em outubro para coroar o povo sacerdotal.

  6. Trecho do Prefácio do livro A INTELIGÊNCIA EM PERIGO DE MORTE de Marcel de Corte.
    […] Estas [idéias sobrenaturais naturalizadas] tendem a tornar-se oficiais no clero católico universal sob a égide do Papa atual, cuja filosofia, subjacente à teologia, está fundamentada sobre a primazia do indivíduo camuflado em “pessoa”, indo de encontro às tradições agostinianas e tomistas da Igreja tradicional. João Paulo II é certamente um padre piedoso, mas sua piedade é antes de tudo um “sentimento individual” que corre forte risco de fazer uma metamorfose no ensinamento do Evangelho se não for alimentada de realismo filosófico e teológico, como mostram o exemplo do CV-II, a introdução massiva da missa nova no catolicismo e a atenuação (ou desaparecimento) das diferenças abissais que separam o rito caólico do “ritual” protestante.
    […] Ainda uma vez, a informação deformante, a negação do sobrenatural, o pseudo-criativismo humano, humano demais, o clericalismo malsão, triunfaram sem que tenha havido uma luta oficial por parte do papado para impedir o desastre.
    Como um S. Pio X nos faz falta para revigorar a Igreja Católica e reestabelecê-la sobre as bases sólidas da Tradição! O exemplo da reunião ecumênica de Assis, provocada por João Paulo II, o comprova. Representantes qualificados de diversas religiões cristãos e pagãs se reuniram para dizer – o que sempre se soube – que a crença em Deus é um fenômeno normal da vida da humanidade e que é necessário restaurá-lo. Tal “concílio” esvazia, evidentemente, a Religião Católica do caráter sobrenatural revelado exclusivamente a Ela.A informação que esta “sínodo” difunde é, com certeza, a de colocar entre parênteses o fato histórico de que a Igreja Católica é a única que possui a verdade divina. Ele informa e deforma ao mesmo tempo, com toda a autoridade que ainda resta aos papas atuais desde Paulo VI.
    Repitamos incansavelmente: devemos resistir e manter em nós a natureza humana integral que possuímos e o Sobrenatural que n os foi revelado.
    Rezamos incansavelmente.

  7. Também assim embaixo.
    Beatíssimo Papa, como um filho que suplica ao pai, não promova esses encontro!!

  8. A hierarquia segue acreditando que os católicos são cegos. Lembrem-se de como Santo Tomás de Aquino disse que uma “democracia” se transforma numa “demagogia”. E o colegiado não é uma “democracia”? São Francisco derrubou a abóbada de sua Catedral. Por um milagre os escombros não cairam sobre o Altar e seu túmulo, logo abaixo. Eu vi as imagens com os restauradores ainda dentro da Catedral (Duomo), quando a abóbada cedeu e matou alguns deles. No hora senti como se São Francisco tivesse se remexido debaixo do Altar para mostrar sua revolta por não honrarmos a Cristo como é devido. Creio que São Francisco não quer uma Assis que não reverencie apenas a Cristo e, por conta disso, negaria à humanidade até a devoção a si mesmo.

  9. Esses encontros ecumênicos só promovem a humilhação da Única Igreja revelada por NOsso Senhor Jesus Cristo : a Igreja Católica Apostólica Romana!

  10. Este apelo não vai servir de nada. Irá para o lixo como milhões de apelos feitos pelos católicos tradicionais. É como sussurar no meio da multidão. È como a ovelha pedir ao lobo para não ser comido. Bento XVI quer agradar a todos. Com a Missa de São Pio V, quis agradar a nós. Agora chegou a vez de agradar as falsas religiões e os ecumênicos. Bobos são aqueles que acreditam que o Papa está do nosso lado….

  11. Declarações deste tipo já foram antes escritas por 2 bispos heróicos e nada demoveu os próceres da Igreja Conciliar…

  12. “Bento XVI ensinando as falsas religiões a rezar a seus falsos deuses – escândalo sem medida, mas COM PRECEDENTES…”

  13. Concordo com Luis Martins.

    Bento XVI nos enganou, e nós nos deixamos nos enganar, vamos admitir. Ele liberou a Missa de Sempre para poder dar um “cala boca” e um “chega pra lá” nos católicos de sempre.

    As conversações entre a FSSPX e a Santa Sé de nada está adiantando. Que a FSSPX pare com essas conversações. Fazer um acordo com essa Roma apostata só vai prejudica-los.

  14. Observa-se que as pessoas que escreveram essa carta ao Papa Bento preocupam-se com as consequencias do Encontro de Assis mas todo católico que se diz católico deve saber que o Romano Pontífice é inteligentíssimo e sabe muito bem o que está fazendo. Devemos sempre rezar por ele e apoiá-lo mesmo que não se compreenda. Nunca devemos temer e lembrar que o sucessor de Pedro é Pédra e sobre ela está a igreja de Cristo e as portas do inferno não prevalecerão nunca contra ela. Ele tem as chaves do Reino dos céus. Sejamos humildes e reconheçamos alegremente que nosso Papa é o único líder mundial capaz de reunir pessoas absolutamente diferentes todos com o mesmo objetivo: A PAZ.
    Sinceras saudações,

    Maria Carolina Gomes Vieira

  15. E as comunidades Ecclesia Dei, vão continuar em silêncio ?

    Estão apoiando o evento ?

  16. Dois dos signatários editaram um livro d eentrevistas com Dom Fellay sobre a FSSPX

    “Tradizione – il vero volto” Ed.Sugarco

    Em português seria ” Tradição – o verdadeiro rosto”.

    Existe em italiano e é vendido pelo Priorado italiano da FSSPX

  17. Nem com mais de 18 milhões de rosários rezados pela consagração da Rússia, Bento XVI realizou a sua consagração para atender ao pedido de Nossa Senhora. Agora anuncia-se novamente a repetição do encontro maçônico em Assis. A consagração da Rússia, é um sim a Nossa Senhora e o encontro de Assis, um sim ao mundo.

    Parece me que seria oportuno lançar uma Cruzada do Rosário. Pedindo novamente a consagração da Rússia e a não realização deste encontro. É um absurdo realizar o encontro de Assis e não realizar a consagração da Rússia e alguém precisa dizer isto ao Santo Padre.

  18. O problema é que não existe somente este Papa; mas existem predecessores como Pio XI que já condenaram de forma autoritativa (Ler Enc. Mortalium Animos) esse tipo de reuniões. A Obediência cega não é católica. O que agrava a situação é o vício da maneira liberal do magistério atual, que desde a enc. Ecclesiam Suam de Paulo VI, está aberto ipso facto, ao diálogo. Não há imposição doutrinal, no máximo, disciplinar. E à ordem contra a lei de Deus, cabe resistir.

    “Havendo perigo próximo para a fé, os prelados devem ser arguidos, até mesmo publicamente, pelos súditos. Assim, São Paulo, que era súdito de São Pedro, arguiu-o publicamente, em razão de um perigo iminente de escândalo em matéria de Fé. E, como diz a Glosa de Santo Agostinho, “o próprio São Pedro deu o exemplo aos que governam, a fim de que estes afastando-se alguma vez do bom caminho, não recusassem como indigna uma correção vinda mesmo de seus súditos” (ad Gal 2, 14)” (Santo Tomás de Aquino, “Suma Theol.”, II-II, 33, 4, 2).

    “ Tanto quanto está autorizado a resistir a um Papa que comete uma agressão física, do mesmo modo é permitido resistir-lhe, se faz mal às almas ou perturba a sociedade e, com mais forte razão, se procurasse destruir a Igreja. É permitido, digo, opor-se a ele não cumprindo as suas ordens e impedindo que a sua vontade seja realizada. Não é lícito, contudo, julgá-lo, impor-lhe uma punição, nem o depor, pois estes são atos próprios a um superior” (São Roberto Bellarmino, De Romano Pontifice, livro II, capítulo 29)

    “A obediência cega não é católica; ninguém está isento da responsabilidade por ter obedecido aos homens mais que a Deus, aceitando ordens duma autoridade superior, seja ela do Papa, se se revelam contrárias à vontade de Deus tal como a Tradição no-la faz conhecer com certeza. Não se poderia considerar uma tal eventualidade, certamente, quando o Papa compromete sua infalibilidade, mas ele não o faz senão num número reduzido de casos. É um erro pensar que toda a palavra saída da boca do Papa é infalível.” (Monsenhor Marcel Lefebvre, Carta Aberta aos Católicos Perplexos, capítulo 21).

    Garanto que um dia que um Papa concordar com a contracepção ou o aborto ainda vamos ter que suportar esse sofisma de que temos que ficar passivos, porque não podemos entender as razões profundas do Papa…
    Ora, é o mesmo argumento dos ateus, que diante de um milagre evidente ficam dizendo que na verdade existiam forças naturais desconhecidas…

    Quem defende Assis está colaborando com a auto-demolição da Igreja.

  19. Um insutlo a inteligência de qualquer pessoa aceitar o erro pq vem do Papa e acatar tudo mesmo sem entender.

    A paz nunca virá por mãos humanas.

  20. Questiono:

    1) se não acreditamos mais na satisfação do Sangue de Jesus à Justiça divina e no fato anterior de que o pecado desonra a Deus ao ponto de nos roubarmos dEle, A CULPA NÃO TEM FICADO FIXADA EM NÓS, A PONTO DE MORRERMOS EM TRAGÉDIAS COMO AQUELES QUE MORRERAM ACHO QUE NUMA PONTE, NO TEMPO DE JESUS, AO QUE ELE RESPONDEU: “Se não vos converterdes, morrerão todos da mesma forma”?

    2) Quando atendemos o mundo, em nome de uma “liberdade” com deserção ao testemunho e em nome de “direitos” sem deveres, estrangulando a Justiça que mantém nossa identidade e inabalável a ordenação de tudo para Deus, em nome de uma “misericórdia” degenerativa, apenas por medo da Cruz ou por receio de rejeição, NÃO PERMITIMOS QUE AVANCE O INFERNO E COM ELE NOSSA PERSEGUIÇÃO, POIS O INFERNO SÓ AVANÇA ONDE E QUANDO NÃO HÁ CRUZ?

    É por isso que acredito que a hierarquia possa estar acelerando aquilo que ela mais teme. E, humildemente na minha medida microscópica, queria que a si mesmo se advertisse.

    De outro lado, restaria uma desconfiança de que a “diplomacia” lhe teria subido à cabeça a ponto de misturar religião com política entre Estados e até entre credos.

  21. Muito me estranha esses tais católicos que se dizem tradicionalista, e não confiam na misericórdia e providência Divina.
    O mais correcto à se fazer por enquanto e até esse encontro, é expor claramente o que a Doutrina Infalível da Igreja nos ensina, e rezar pelo Santo padre. Não é justo, e nem prudente condenar o Papa com palavras sem fundamentos, tendo em vista que essa reunião ainda não aconteceu, e ele nada disse.
    Tenham esperança, peçam à Deus essa graça; não critiquem o Papa, e aguardem os acontecimentos de Outubro. Pois, se nessa reunião ele proclamar a Doutrina infalível que nos diz que fora da Igreja não há salvação, todos vocês que se escandalizaram e caluniaram o papa de antemão, como senhores oniscientes, ficarão envergonhados por suas palavras; mas, se o papa repetir que JPII fez, nada poderemos fazer senão rezar, pedir discernimento e fortaleza ao papa; por fim, preservar a santa fé sem discussões e sem hipocrisias, pois hipócritas são os filhos do diabo.

  22. Lamentável…
    Deplorável…
    Repetir a blasfêmia ocorrida em Assis com o aval do Papa? Não entendo…Ele foi contra Assis I…
    Não entende mesmo…
    Graças a Deus, D. Fellay não se cala e já lançou seu veemente protesto…
    Outros Bispos em “plena” comunhão? Nunca…Continuarão calados como cães mudos…
    Onde estão D. Rifan, o cardeal Castrillón, o cardeal Ranjith, e outros ditos da “Tradição?…
    Onde pararemos??
    A Deus pertence…
    Pedir a paz a quem?
    A Buda? A Maomé? A Lutero? A Confúncio? A Oxalá??
    Ficarão pedindo…rsssssss
    Receberão a ira divina…
    Meu Deus…
    Miserere nobis!!!

  23. Santo Padre, eu não tenho medo!
    Pe. Alfredo M. Morselli

    Foi publicado no jornal Il Foglio, em 10 de janeiro de 2011, um preocupado apelo ao Santo Padre, relativo ao próximo encontro inter-religioso que se realizará em Assis no mês de outubro deste ano. Neste apelo, os autores (Francesco Agnolo, Lorenzo Bertocchi, Roberto de Mattei, Corrado Gnerre, Alessandro Gnocchi, Camillo Langone, Mario Palmaro, Luisella Scrosati, Katharina Stolz) exprimem diversas perplexidades sobre o evento em questão, e as suas preocupações.

    Em primeiro lugar, pude constatar a serenidade e a correção formal da intervenção, assim como o respeito pelo Santo Padre manifestado na mesma. Considero positivo que o debate se desenvolva de tal maneira.

    Tenho porém, em consciência, sérias razões para dissentir das conclusões dos muito estimados autores supramencionados, e tenho motivos para avaliar muito positivamente o próximo encontro inter-religioso de Assis. Com o auxílio da Bem-Aventurada Sempre Virgem Maria, procurarei expor as razões mencionadas, não porque sejam minhas, mas porque me parecem ser as da Igreja.

    O que me leva a saudar favoravelmente o próximo encontro de Assis?

    O que me induz a considerar positivamente o evento de Assis é substancialmente uma frase de São Tomás, o qual ensina que, nos últimos tempos, o anticristo será adversário de todo homem religioso, ainda que seguidor de falsas religiões: “O anticristo se contrapõe a todas… as modalidades de compreender Deus”, mesmo no caso em que Deus “se diga segundo uma opinião qualquer [como no caso dos falsos deuses dos pagãos, de cuja divindade está escrito] todos os deuses das nações são demônios” [1]

    Estou convencido de que os motivos que levam o anticristo a se contrapor a toda religião são os mesmos que levam – obviamente em direção oposta e justa – Bento XVI a retornar, com a Igreja Católica, a Assis, nas pegadas de João Paulo II.

    E agora passo a explicar o quanto afirmo.

    A atual contingência histórica.

    Encontramo-nos em uma fase da história do mundo onde – no que tange à religiosidade do homem – nos precipitamos num abismo profundíssimo e, em certos aspectos, jamais visto.

    O antropólogo P. W. Schimidt, SDV [2], pôde provar cientificamente que no mundo não existe um povo primitivo naturalmente a-religioso e que não tenha qualquer tipo de referência a um único Deus supremo, portanto, que não seja de algum modo implicitamente monoteísta.

    Também São Paulo, no areópago, pôde louvar os Atenienses por sua religiosidade: “Atenienses, vejo que, em tudo, sois muito religiosos” [3]. Para os Apóstolos bastava anunciar aos pagãos qual é o Deus verdadeiro entre tantos falsos, e explicar aos Hebreus que o Deus verdadeiro é também Trino, e que Cristo é Deus.

    Mas, no século passado, no palco deste mundo, após longa gestação, elevou-se o ímpio grito: Deus está morto [4]. E este grito infectou milhares de pessoas, que vivem não somente no ateísmo prático, mas chegam a condenar todo fenômeno religioso.

    Um importante sintoma desta patologia social foi a publicidade pró ateísmo nos ônibus de Londres, em outubro de 2008. Cartazes colocados nas laterais dos meios de transporte continham a frase: “There’s probably no God. Now stop worrying and enjoy your life” (Provavelmente Deus não existe. Agora pare de se preocupar e aproveite sua vida) [5].

    Baseado no que foi dito, encontramo-nos diante da necessidade de mostrar – não para praticar o sincretismo, mas exatamente para colocar as condições de poder escolher a verdadeira religião – que antes de tudo é preciso ser religiosos.

    Eis o motivo pelo qual o anticristo não suportará nenhuma religião, nem mesmo as falsas, porque desejará cortar a árvore da Verdade pela raiz. A sua doutrina será: “Homens, não sejais religiosos”.

    A percepção do dever de ser religiosos, primeiro passo para a conversão do ateu.

    Agora devemos fazer simplesmente aquilo que São Paulo e Santo Irineu chamavam recapitulação. Devolver ao mundo o Cristo Cabeça ( Instaurare omnia in Christo) percorrendo ao contrário aquele que fôra o caminho da perdição. A Igreja – se me permitem um exemplo – está colocando as pedrinhas a fim de que o Pequeno Polegar possa percorrer de volta o caminho da morte percorrido até os dias de hoje.

    E a primeira indicação da Igreja, no confronto com o mundo, é hoje justamente: é preciso ser religiosos.

    Da religião à fé.

    Sem fé é impossível agradar a Deus [6], escreve São Paulo. Devemos também dizer que jamais a Igreja acreditou que, em caso de ignorância invencível, para salvar-se fosse necessário professar integralmente a religião católica [7].

    Exemplar é o caso do centurião Cornélio, cujas orações – embora ele não fosse ainda cristão – foram agradáveis a Deus [8]: São Tomás diz que foram agradáveis porque ele tinha a fé implícita, a tal ponto que não se possa dizer que fosse infiel:

    “Quanto ao centurião Cornélio se deve notar que ele não era infiel: se o fosse o seu agir não teria sido aceito por Deus, ao qual ninguém pode ser agradável sem a fé. Mas ele havia uma fé implícita, ainda não iluminada pela verdade evangélica. Eis porque lhe foi enviado São Pedro, para instruí-lo plenamente na fé” [9].

    Em que consiste esta fé implícita: São Tomás não prescreveu um mínimo material (ainda que os teólogos tenham discutido bastante sobre este ponto), mas ensinou que a um mínimo material deve corresponder um máximo formal. Todo homem, para salvar-se, deve fazer tudo aquilo que pode para chegar à fé verdadeira [10].

    A dinâmica do ato de fé.

    O ato de fé é um ato humano, e portanto se pode reconhecer nele uma intenção, uma execução e uma fruição [11].

    A intenção da fé é dada pelo conhecimento e pela escolha de reportar-se ao fim (Deus), a execução é dada pelo conhecimento e pela escolha dos meios (os artigos do Credo), a fruição é dada pelo repouso das potências humanas implicadas no ato em questão no fim último (a vida sobrenatural do cristão).
    No ato de fé, portanto, a escolha do fim coincide com o primeiro ato de religião, com o qual se reconhece a necessidade de um ser supremo e da total dependência dele; a escolha dos meios consiste em tomar consciência de que os artigos do Símbolo são credíveis (necessidade da apologética e dos preambula fidei!), e que portanto é preciso crer, e assim dar à fé um objeto conforme ao verdadeiro (a assim chamada fides quae, e não somente fides qua e nem mesmo somente sentimento religioso).

    A fruição é dada por aquela experiência sobre a qual a Igreja canta nec lingua valet dicere, nec littera exprimere [12], quando “o homem se abandona todo a Deus” [13].

    Por que Assis?

    Hoje já não basta mais, como bastava até 100 anos atrás, indicar aos infiéis os meios a se escolher para crer (os artigos do Credo), mas é preciso reafirmar a todo o mundo a-religioso a necessidade de se reportar ao fim último; sem esta primeira disposição, não poderão jamais escolher os meios (a verdadeira religião).

    Pio XI na Mortalium animos dizia que não se fizessem reuniões nas quais se pudesse pensar que se honra a Deus indiferentemente com qualquer tipo de culto: e condenava “a falsa teoria que supõe boas e louváveis todas as religiões, na medida em que todas, ainda que de modo diverso, manifestam e significam igualmente aquele sentimento a todos congênito pelo qual nos sentimos levados a Deus e ao consequente reconhecimento de seu domínio”.

    Assis é uma reunião por meio da qual o Papa indica ao mundo a necessidade de ser religiosos, convida os homens a serem religiosos na medida em que lhes é dado e eles podem (supõe-se, é claro, a boa fé), sem dizer que todas as religiões são boas e louváveis. É louvável a virtude de religião praticada do melhor modo que se pode, como o centurião Cornélio, não as falsas religiões enquanto tais. E, portanto, não há contradição entre o presente e o passado.

    O escândalo.

    O escândalo (ato que favorece a queda do próximo no pecado) deve ser evitada absolutamente quando é dado objetivamente (scandalum datum et acceptum), isto é, quando se trata de um ato já desonesto, que não exaure a malícia em si mesmo, mas provoca outros pecados.

    O escândalo deve ser evitado igualmente na medida do possível, também quando é meramente recebido (mere receptum), isto é, quando não é um ato mau em si, mas pode induzir igualmente os fracos a pecar. Para ilustrar como se deve fazer de tudo para evitar este tipo de escândalo, costuma-se citar a frase de São Paulo: “Por isto, se um alimento escandaliza o meu irmão, não comerei jamais carne, para não escandalizar meu irmão” [14], ainda que comer carne sacrificada aos ídolos não seja pecado em si.

    Mas os moralistas são concordes em admitir a liceidade do escândalo mere receptum, quando o efeito positivo é superior ao negativo, e se reconhece uma certa necessidade de realizar o ato, ainda que escandaloso para os pequenos.

    Apliquemos agora a Assis estes princípios gerais.

    Verificaram-se – sobretudo em 1986 – atos não somente escandalosos, mas também repugnantes e pecaminosos, que devem ser evitados no futuro (frangos sacrificados sobre o altar de Santa Clara segundo ritos tribais e a redoma com uma estátua de Buda colocada sobre o altar da Igreja de São Pedro, etc.). Mas estes atos se realizaram de forma totalmente desvinculado do magistério e das ações do Pontífice.

    Eliminados estes atos, é lícito dar o suposto escândalo de Assis?

    Visto que se trata, em última análise, de uma avaliação prudencial, ao fim cabe somente ao Papa decidir; o Papa é assistido pelo Espírito Santo também nas decisões práticas. É claro que não se poderá exigir uma definição para aceitar docilmente a decisão última, ou refugiar-se no aut aut “ou infalível ou livre discussão”.

    As pessoas não entendem?

    O Cristianismo é uma realidade tal onde para converter as massas é preciso converter as pessoas uma a uma, e explicar-lhes as coisas uma de cada vez.

    E como fazê-lo com a já famosa pobre freira que depois de Assis finalmente compreendeu que todas as religiões são iguais? Apressam-se a usá-la como probatio contra Assisim, mas é um pouco mais demorado – diria quase crucificante – explicar-lhe como são as coisas.

    Que fazer então? Ou não fazemos nada porque a estória seria muito longa, ou então começamos logo, porque, quanto mais cedo se começa, mais cedo se termina.

    O Céu – não porque houvesse necessidade, mas porque deseja tornar-nos de certo modo concausas da obra da Redenção – espera a nossa resposta. Que a Imaculada nos tome pela mão e nos faça chegar à escolha correta.

    Stiatico di San Giorgio di Piano, 11 de janeiro de 2011.

    Notas
    [1] “Dicitur autem Deus tripliciter. Primo naturaliter. Deut. VI, 4: audi, Israel, dominus Deus tuus, Deus unus est. Secundo opinative. Ps. XCV, 5: omnes dii gentium Daemonia. Tertio participative. Ps. LXXXI, 6: ego dixi: dii estis. Omnibus autem his se praeferet Antichristus.”; Super II Thes., cap. 2, l. 1.
    [2] 1868–1954.
    [3] At 17, 22
    [4] Assim dizia Pio XII: “no curso destes últimos séculos tentou-se a desagregação intelectual, moral e social da unidade do organismo misterioso de Cristo. Desejou-se a natureza sem a graça; a razão sem a fé; a liberdade sem a autoridade; e algumas vezes também a autoridade sem a liberdade. Este inimigo tornou-se sempre mais concreto, com uma audácia que Nos deixa estupefatos: Cristo sim, a Igreja não. Depois: Deus sim, Cristo não. E enfikm o grito ímpio: Deus está morto; ou melhor Deus jamais existiu. Eis a tentativa de edificar a estrutura do mundo sobre fundamentos que nós não hesitamos em apontar com o dedo como os principais responsáveis pela ameaça que pesa sobre a humanidade: uma economia sem Deus, um direito sem Deus, uma política sem Deus”. All’Unione Uomini di Azione Cattolica (12.10.1952).
    [5] Para ulteriores informações: http://news.bbc.co.uk/2/hi/7681914.stm.
    [6] Hb 11, 6
    [7] São Pio X, Catecismo Maior: “171 D. Mas quem se encontrasse, sem sua culpa, fora da Igreja, poderia salvar-se? R: Quem, encontrando-se sem sua culpa, ou seja, em boa fé, fora da Igreja, tivesse recebido o Batismo, ou dele tivesse o desejo ao menos implícito; buscasse ademais sinceramente a verdade e cumprisse a vontade de Deus como melhor pudesse; ainda que separado do corpo da Igreja, estaria unido à sua alma e portanto no caminho da salvação”.
    [8] At 10, 30-31: “Cornélio então responde: “Faz hoje quatro dias que eu estava a orar em minha casa, à hora nona, quando se pôs diante de mim um homem com vestes resplandescentes que disse: ‘Cornélio, a tua oração foi atendida e Deus se lembrou de tuas esmolas'”.
    [9] “De Cornelio tamen sciendum est quod infidelis non erat, alioquin eius operatio accepta non fuisset deo, cui sine fide nullus potest placere. Habebat autem fidem implicitam, nondum manifestata evangelii veritate. Unde ut eum in fide plene instrueret, mittitur ad eum Petrus”; S Th. II II q. 10 a. 4 ad 3.
    [10] “…etiam ad fidem habendam aliquis se praeparare potest per id quod in naturali ratione est; unde dicitur, quod si aliquis in barbaris natus nationibus, quod in se est faciat, deus sibi revelabit illud quod est necessarium ad salutem, vel inspirando, vel doctorem mittendo. Unde non oportet quod habitus fidei praecedat praeparationem ad gratiam gratum facientem; sed simul homo se praeparare potest ad fidem habendam, et ad alias virtutes et gratiam habendam”; In IV Sent., II, d. 28 q. 1, a. 4 ad 4.
    [11] Um magistral estudo sobre estes aspectos do ato de fé encontra-se em A. Gardeil,La credibilité et l’Apologétique, Paris 1912.
    [12] Hino litúrgico Iesu dulcis memoria.
    [13] Concílio Ecumênico Vaticano II, Const. dogm. Dei Verbum, 5; cf. também São Pio X: “A fé […] vincula todo o homem e o sujeita ao supremo Agente e Moderador”; Carta enc. Acerbo nimis, IV.
    [14] 1 Cor 8, 13.

    Fonte: Messa in latino
    Tradução: OBLATVS (http://oblatvs.blogspot.com/2011/01/um-debate-sobre-o-encontro-inter.html)