A renúncia do Cardeal Husar.

O Santo Padre aceitou, hoje, a renúncia do arcebispo maior de Kyiv-Halyč (da Igreja Greco-Católica Ucraniana), o senhor Cardeal Lubomyr Husar, por motivos de saúde. O purpurado foi sagrado bispo em 1977, em Castel Gandolfo (!!), sem mandato apostólico e em explícita oposição à vontade de Paulo VI, pelo Cardeal Arcebispo Josyf Slipyj.

Tempos de ecumenismo: Tal ato causou furor em Roma, mas, apesar do decreto do Santo Ofício, sob Pio XII, de 1951, excomungando ipso facto quem conferisse ou recebesse o episcopado sem mandato apostólico,  e procurando promover o “ut unum sint” com as Igrejas orientais, não houve declaração de excomunhão. Em 1996, Husar foi reconhecido e posteriormente nomeado Arcebispo e Cardeal.

Outro lado da moeda: Em 1988, um dia após a sagração episcopal conferida por Dom Marcel Lefebvre, acompanhado por Dom Antônio de Castro Mayer, a Congregação para os Bispos, na pessoa do Cardeal Bernardin Gantin, seu prefeito, procurando solucionar logo o problema dos “subversivos” que se entrincheiravam contra o ecumenismo, não perdeu tempo e declarou a excomunhão dos bispos envolvidos.

Curioso!…

15 Comentários to “A renúncia do Cardeal Husar.”

  1. muito interessante
    alias,a lguem sabe quem sera o novo arcebispo mor?

  2. Curioso e revoltante, e infelizmente virão as “tropas de choque da web” revestirem de “ares bondosos” e repleto de “ut unum sint”, esse ato tão contraditório. Veremos inúmeros “mas”, “todavia”, “contudo”, “portanto”, “vendo sob este aspecto” podemos concluir que o caso dele – com todos os malabarismos retóricos possíveis – foi diferente de Dom Marcel e qualquer católico que recorra à FSSPX como único “oásis de paz” no meio da “primavera conciliar”.

    Não gosto de incitar o debate, mas eu gostaria que uma só pessoa, uma só, refutasse o que está escrito no “Reno se Lança no Tibre” de Pe. Wiltgen e “A Reforma da Liturgia Romana” de Mons. Gamber.

    Não há um só site, blog, fórum, onde não exista os malabarismos de palavras para justificar tudo que pelos fatos, é injustificável ao menos no usar um peso para Dom Marcel, Dom Antônio, Dom Fellay etc, e outro peso para quem quer que fosse mais chegado ao “ut unum sint” ou para quem recebeu imunidade jurídico canônica: ortodoxos, protestantes, anglicanos e suas ramificações dentro da Igreja, como a RCC e o Neocatecumenato. O resto recebeu o rigor da lei: os tradicionalistas. Os ímpios são “irmãos separados”, os tradicionalistas são “inimigos infiltrados”. Cortem-lhes a cabeça!

  3. Na verdade, dom Lubomir Cardeal Husar não é Patriarca, mas Arcebispo-Mor da Igreja Greco-Católica Ucraniana. “Patriarca” é o título máximo para um prelado oriental. O Patriarca, por exemplo, tem o direito de nomear os bispos de seu rito (assim funcionam as Igrejas melquita, maronita, siríaca, etc), e os bispos ucranianos católicos por não terem patriarca têm seus bispos nomeados pela Santa Sé Romana. A sagração de dom Husar (bem como as dos bispos da FSSPX) teve tremendos e semelhantes motivos. Paulo VI não queria a ordenação de um bispo ucraniano para não se indispor com a URSS, com a qual se entretinha na “Ostpolitik” enquanto os gulags exterminavam seres humanos a todo vapor. Por isso cogita-se que a sagração de dom Husar fora uma “decisão patriarcal”, já que dom Josyf Slipyi era considerado patriarca por seu clero, e dom Miroslav Ivan Lubachvisky comemorou-o como patriarca em seus funerais. É um anseio antigo do clero ucraíno-católico para que o Papa eleve o Arcebispado de Kiev-Halic à condição de Patriarcado, visto que a Igreja Ucraniana Católica já se espalha pelos cinco continentes. João Paulo II esteve prestes a fazer isto, mas preferiu atender ao apelo do “irmão” separado Bartolomeu I, Patriarca de Constantinopla, pois os ucranianos “ortodoxos” e Constantinopla não podia dartambém ansiavam por um Patriarca e a Igreja de Moscou não queria perder seu mando na Ucrânia. Favorecer quem está fora em detrimento de quem está dentro virou palavra de ordem no Vaticano, de tempos pra cá.

    • Caro Pedro, obrigado pela correção. Ele de fato é apenas Arcebispo-maior. Veja que interessante:

      Even as its diaspora grew and the leaders of the persecuted fold were arrested before being scattered in exile, the Vatican has maintained a half-century reluctance to accord the patriarchal dignity to the head of the Ukrainian church, inventing the designation of major-archbishop in 1963 after Paul VI was petitioned to elevate the fold’s then-head, Cardinal Joseph Slipyj, to the full status of an Eastern chief. While John Paul II naturally enjoyed a particular bond with the faithful just across the border from his Polish homeland, even he declined the step. And given Benedict’s priority on improving relations with Orthodoxy’s most hard-line branch, not only would the question seem even less likely to be broached in the current pontificate (at least, barring a sudden, epic detente with Moscow), but a realm of thought on this front has seen the reigning Pope as having given more emphasis to external relations than that of the churches within his own care.

  4. A expressão “Tempos de Ecumenismo” não faz sentido. Seja qual for a crítica a Paulo VI, sua decisão nada tem que ver com ecumenismo: não é possível fazer ecumenismo com quem já é católico !!! E os greco-católicos ucranianos são… católicos!!! Sugiro que se modifique a expressão por que ela é descabida neste contexto.

    • Caro Lucas, “tempos de ecumenismo” no sentido de que esse ramo oriental está há décadas pleiteando a ereção do tal Patriarcado. O ato de Dom Josyf Slipyj de sagrar os bispos, dizem alguns, queria significar justamente isso: o Patriarca supostamente teria liberdade para tal ato, independente do mandato pontifício. Assim, excomungá-los seria atacar a concepção “sinodal” das Igrejas orientais em comunhão com Roma mas, especialmente, a idéia ortodoxa do Papa como apenas um primus inter pares que não deveria se intrometer nos assuntos particulares de cada patriarcado.

  5. A questão dos orientais em comunhão canônica ou não com a Santa Sé é muito complicada. O fato é que o certo mesmo seria os patriarcados originais (e não os grupos de fiéis que entraram parcialmente em comunhão com a Santa Sé) voltassem integralmente a comunhão visível com a Santa Sé, de forma que os mesmos aceitem a submissão ao chefe do Colégio Apostólica e da Igreja universal, o Papa do Vaticano. Seria o ideal (quase utopia) a FSSPX canonicamente eregida na Igreja Latina e os orientais também em comunhão canônica com a Santa Sé, para a Igreja ganhar força suficiente para combater os sarracenos, os TL, os RCC, os protestantes, os gnósticos, etc.

  6. Decisão ecumênica sim, que só foi tomada pra não desagradar Constantinopla e Moscou.

    Será que poderiam deixar em paz a liberdade editorial do Fratres? Tem gente demais sugerindo pauta e exigindo mudanças nos textos. O Fratres anda incomodando demais, por certo! Tem raras matérias aqui que eu não gostei, mas não vim aqui “dar lição de moral editorial”.

  7. Parece que alguns só aceitam comentários favoráveis… De qualquer forma, vou deixar o meu: não vejo nenhum problema em que um patriarca ordene seus bispos, como também não vejo nenhum problema em que os ortodoxos voltem à unidade com a Igreja Católica. Pelo contrário, pois isso foi exatamente o que Nosso Senhor quis em sua oração sacerdotal: “que todos sejam um para que o mundo creia…”
    Quanto a Dom Marcel Lefebvre, ele, sim, foi desobediente.
    Dois pesos e duas medidas?

  8. Ao procurar notícias na internet sobre o Emmo. Sr. Arcebispo-Mor dos Ucranianos, me surpreendi com esse bom site e ao mesmo tempo com um erro na notícia veiculada. Não há ecumenismo com quem já é católico. Ele é oriental, mas católico.
    O contexto histórico da ordenação do mesmo não era aquele da Suiça. Os cânones que regem as Igrejas Rituais Orientais Católicas não são os mesmos que organizam a Igreja Ritual Latina. A escolha dos bispos é bem diferente.
    Rezemos agora para o Sínodo eletivo do novo Arcebispo-Mor. No Brasil temos quatro hierarcas, um deles emérito, desta Igreja de Tradição Constantinopolitana ou Bizantina.

    • Caro Hugo, na época ainda não havia sido promulgado o Código de Cânones das Igrejas Orientais e o decreto do Santo Ofício expressamente vinculava católicos de quaisquer ritos. Quanto à questão do ecumenismo, já expliquei acima.

  9. Concordo parcialmente com a Daniela Q. Macedo.Descordo na questão que Dom Lefebvre foi desobediente, alías ele só sagrou os 4 bispos com Dom Mayer, em razão de extrema necessidade para garantir a ordenação dos padres da FSSPX que estava totalmente ameaçada> Dom Lefebvre foi sim muito OBEDIENTE a Fé e tem uma vida toda de santidade.

  10. SE n enxerga: n vejo(sic), n vejo(sic)

  11. Totalmente absurda a afirmação da Daniela de que Dom Lefebvre foi desobediente. E ainda que Dom Lefebvre tivesse agido por desobediência, ainda sim pode se falar em dois pesos e duas medidas, afinal, se as duas sagrações episcopais foram ilegais, por que então somente no caso da FSSPX houve excomunhão? A hipocrisia contida na sua afirmação é a mesma do documento que publicou a excomunhão da Fraternidade, a começar pelo seu título: “Ecclesia Dei aflicta”. Ora, a Igreja de Deus está aflita desde de que a heresia modernista foi insculpida na cabeça do clero e assentada com o maldito Concílio Vaticano II. É uma grande hipocrisia mesmo. É como disse Nosso Senhor, no relato evangelístico: “Guias de Cegos! Filtrais um mosquito e engolis um camelo” (São Mateus XXIII, 24) Filtram uma simples desobediência jurídica, e engolem não o camelo, mas o elefante das piores heresias solidificada no maldito CVII. Quantas vezes Nosso Senhor advertiu os Apóstolos do fermento dos Fariseus, e quantos, hoje, engolem o pão bolorento feito com esse fermento.