Entrevista de Dom Bernard Fellay. Discussões teológicas, Motu Proprio e Assis III.

Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade São Pio X, concedeu uma entrevista ao Distrito Norte Americano. Abaixo segue nossa tradução da primeira parte [via versão espanhola]:

Os membros da comissão da FSSPX nas discussões teológicas: Dom Galarreta, os padres Gleize, de Jorna e de la Rocque na sacada do Santo Ofício, em Roma.

Os membros da comissão da FSSPX nas discussões teológicas: Dom Galarreta, os padres Gleize, de Jorna e de la Rocque na sacada do Santo Ofício, em Roma.

1. Monsenhor, o senhor tomou a decisão de levar adiante conversações doutrinais com Roma. Poderia nos recordar qual é o objetivo?

É preciso distinguir o fim que Roma persegue do nosso. Roma indicou que existiam problemas doutrinais com a Fraternidade e que os mesmos deviam se esclarecer antes de um reconhecimento canônico — problemas que, tratando-se da aceitação do Concílio, obviamente procederiam de nossa parte. Para nós, no entanto, trata-se de outra coisa: queremos expôr a Roma o que a Igreja sempre ensinou, e, com isso, apontar as contradições existentes entre este ensinamento multisecular e o que acontece depois do Concílio. De nossa parte, esse é o único objetivo que perseguimos.

2.  Que natureza tem estas conversações: negociações, discussões ou exposição da doutrina?

Não se pode falar de negociações. De modo algum se trata disso. Trata-se, por um lado, de uma exposição da doutrina, e, de outro, de uma discussão, já que estamos efetivamente diante de um interlocutor romano, com o qual discutimos sobre os textos e sobre a maneira de interpretá-los. Mas não se pode falar de negociações, nem de procura por um compromisso, porque é uma questão de fé.

3.  O senhor poderia nos recordar qual é o método de trabalho utilizado? Quais são os temas que já foram abordados?

O método é escrito: são redigidos textos sobre os quais depois se baseará o colóquio teológico seguinte. Já se tocaram em vários temas, mas por ora deixo está questão aberta. Posso dizer simplesmente que estamos chegando ao fim, porque já repassamos os principais temas resultantes do Concílio.

4.  Poderia nos descrever os interlocutores romanos?

São experts, isto é, professores de teologia, que ao mesmo tempo atuam como consultores da Congregação para a Doutrina da Fé. Pode-se dizer que são “profissionais” da teologia. Um, suíço, o Padre Morerod, é reitor do Angelicum; outro, jesuíta, maior que o anterior, é o Padre Becker; um membro do Opus Dei, na pessoa de seu Vigário Geral, Monsenhor Ocariz Braña; depois, Monsenhor Ladaria Ferrer, secretário da Congregação para a Doutrina da Fé; e, por fim, o moderador, que é o Secretário da Comissão Ecclesia Dei, Monsenhor Pozzo.

5. Há uma evolução no pensamento de nossos interlocutores depois de nossas exposições?

Não creio que se possa dizer isso.

Dom Galarreta, no sermão das ordenações em La Reja de dezembro de 2009, dizia que Roma havia aceitado que o magistério anterior ao Vaticano II fosse tomado como “único critério comum e plausível” para estas conversações. Existe esperança de que nossos interlocutores revisem o Vaticano II ou é algo impossível para eles? O Vaticano II é realmente um obstáculo insuperável?

Creio que o assunto deve ser proposto de outra maneira. Considerando as distinções feitas pelo Papa Bento XVI em seu discurso de dezembro de 2005, observa-se claramente que está vedado fazer determinada interpretação do Concílio. Portanto, sem falar abertamente de uma revisão do Concílio, percebe-se — apesar de tudo — certa intenção de revisar a maneira de apresentar o Concílio. A distinção pode parecer um pouco sutil, mas nela se apoiam precisamente os que não quere tocar o Concílio, e, contudo, admitem que, em razão de um certo número de ambiguidades, ultrapassou-se os limites, sendo necessário voltar a recordar que estão proibidos. Se o Vaticano II é realmente um obstáculo insuperável? Para nós, em todo caso, sim, ele o é.

7. Por que é tão difícil a eles admitir uma contradição entre o Vaticano II e o magistério anterior?

A resposta é bastante simples. A partir do momento em que se admite o princípio conforme o qual a Igreja não pode mudar, se se quer fazer aceitar o Vaticano II, é preciso afirmar que o Vaticano II não mudou nada. Eis aí o porque de não admitirem contradições entre o Vaticano II e o magistério anterior, Todavia, entram em apuros quando têm de explicar a natureza da mudança que realmente se produziu.

8. Além do testemunho da fé, é importante e vantajoso que a Fraternidade vá a Roma? É perigoso? O senhor acredita que isso possa se prolongar no tempo?

É muito importante que a Fraternidade ofereça este testemunho; essa é, inclusive, a razão destas discussões doutrinais. Trata-se verdadeiramente de fazer ressoar a fé católica em Roma e inclusive tentar — por que não? — que ressoe forte por toda a Igreja. Há um perigo: o de alimentar ilusões. Vê-se que alguns fiéis criaram ilusões, mas os últimos acontecimentos se encarregaram de dissipá-las. Penso no anúncio da beatificação de João Paulo II e do novo Assis, na linha das reuniões inter-religiosas de 1986 e 2002.

9. O Papa segue de perto estas discussões? Fez algum comentário sobre elas?

Creio que sim, mas sem estar a par dos pormenores. Se comentou algo sobre elas? Por ocasião de uma reunião com seus colaboradores, neste verão, em Castelgandolfo, disse que estava satisfeito com elas. É tudo.

10. Pode-se dizer que o Santo Padre, que há mais de 25 anos teve que tratar com a Fraternidade, hoje em dia está melhor disposto para com ela do que no passado?

Não estou seguro disso. Sim e não. Penso que, como Papa, ele tem a responsabilidade por toda a Igreja, a preocupação por sua unidade, teme que se produza um cisma. Foi ele mesmo quem disse que esses eram os motivos que o moviam a agir. Agora ele é a cabeça visível da Igreja; está aí talvez a explicação por atuar dessa maneira. Isso significa que manifesta maior compreensão para com a Fraternidade? Penso que há certa simpatia, mas com limites.

11. Em síntese, o que o senhor diria hoje sobre estas discussões?

Que se fosse necessário voltar a fazê-las, nós as faríamos. É muito importante, é capital. Se esperamos corrigir um movimento de idéias, estas discussões não podem ser evitadas.

12. Há algum tempo se escutam algumas vozes de eclesiásticos — Mons. Gherardini, Mons. Schneider — que, inclusive em Roma, difundem verdadeiras críticas aos textos do Vaticano II e não só à sua interpretação. É possível esperar que este movimento aumente e entre no Vaticano?

Não digo que se possa esperar, mas que se deve esperar. Verdadeiramente, é necessário esperar que estas críticas iniciais — chamemo-las de objetivas, serenas — se ampliam. Até agora sempre se considerou o Vaticano II como um tabú, o que torna quase impossível curar esta enfermidade que é a crise da Igreja. É necessário pode falar dos problemas e ir ao fundo das coisas; do contrário, nunca se poderá administrar o remédio.

13. A Fraternidade pode desempenhar um papel importante nesta tomada de consciência? De que modo? Qual é o papel dos fiéis a esse respeito?

Da parte da Fraternidade, sim, podemos desempenhar um papel, justamente apresentando o que a Igreja sempre ensinou e lançando objeções às novidades conciliares. O papel dos fiéis reside em dar a prova nos fatos, já que eles são a prova de que hoje a Tradição pode ser vivida. O que a Igreja sempre ensinou — a disciplina tradicional — não é somente atual: pode ser verdadeiramente vivida ainda hoje em dia.

14. Excelência, o senhor pensa que o Motu Proprio, apesar de suas deficiências, é um passo em favor da restauração da Tradição?

É um passo capital, essencial — se poderia dizer — ainda que até agora praticamente não tenha tido efeito, ou pouco, já que existe uma oposição massiva da parte dos bispos. No âmbito jurídico, o fato de ter reconhecido que a antiga lei — isto é, a lei da missa tradicional — nunca havia sido abrogada, é um passo capital para voltar a conceder à Tradição o lugar que lhe é devido.

15. Concretamente, o senhor viu pelo mundo mudanças importantes da parte dos bispos a respeito da missa tradicional desde o Motu Proprio?

Não. Aqui e ali alguns obedecem o Papa, mas são raros.

16. E os sacerdotes?

Sim, vejo grande interesse da parte deles, mas muitos são perseguidos. É necessário ter uma coragem extraordinária para tentar simplesmente aplicar o Motu Proprio, tal como foi publicado. Sim, há padres, cada vez mais, sobretudo nas gerações jovens, que se interessam pela missa tradicional. É muito consolador!

17. Existem comunidades que decidiram adotar a liturgia antiga?

Talvez haja várias, mas há uma que conhecemos, na Itália, os Franciscanos da Imaculada, que decidiu restaurar a liturgia antiga. O ramo feminino já o fez. Quanto ao ramo dos sacerdotes, que exerce apostolado nas dioceses, nem sempre é fácil.

18. O que aconselha aos fiéis que, desde o Motu Proprio e graças a ele, têm a missa tradicional mais perto de seus lares do que indo a uma capela da Fraternidade Sacerdotal São Pio X?

O que lhes aconselho é pedir conselho antes aos padres da Fraternidade, não ir de olhos fechados a qualquer missa tradicional que se celebra próximo de suas casa. A missa é um tesouro, mas há também uma maneira de rezá-la, e tudo o que a acompanha, o sermão, o catecismo, o modo de administrar os sacramentos… Nem toda missa tradicional está necessariamente acompanhada das condições devidas para que produza todos os seus frutos e para que proteja as almas dos perigos da crise. Assim, pois, aconselhem-se antes com os padres da Fraternidade.

19. A liturgia não é o centro da crise da Igreja. O senhor acredita que a restauração da liturgia é sempre o princípio de um regresso à integridade da fé?

A missa tradicional tem um poder de graça absolutamente extraordinário. É possível vê-lo na prática apostólica, vê-lo sobretudo nos sacerdotes que voltam a ela, ela é verdadeiramente o antídoto para a crise. É realmente muito poderosa, em todo nível, tanto no âmbito da graça como no da fé. Penso que se fosse concedida uma verdadeira liberdade à missa antiga, a Igreja poderia sair rapidamente desta crise, mas isso ainda levará anos!

20. Há muito tempo o Papa fala da “reforma da reforma”. O senhor acredita que ele aspire conciliar a liturgia antiga com a doutrina do Vaticano II em uma reforma que seria um meio termo?

Veja, por ora não sabemos de nada! Sabemos que ele quer esta reforma, mas que amplitude terá? Ao fim eventualmente se misturará tudo, a “forma ordinária” e a “forma extraordinária”? Não é isso que encontramos no Motu Proprio, que pede que se distinguam bem as duas “formas”, sem misturá-las — o que é muito sábio. É necessário esperar e ver o que acontece. No momento, fiquemos com o que dizem as autoridades romanas.

21. O Santo Padre anunciou a próxima reunião de Assis. O senhor respondeu no sermão dado em San Nicolás, em 9 de janeiro passado, fazendo sua a posição que Dom Lefebvre manifestou por ocasião da primeira reunião, há vinte e cinco anos. O senhor pensa em intervir diretamente junto ao Santo Padre?

Se for a ocasião e se puder dar algum fruto, por que não?

22. É tão grave convocar as outras religiões para trabalhar pela paz?

Sob um aspecto — e apenas sob este aspecto — não. Convocar as outras religiões para trabalhar pela paz — uma paz civil — não tem problema; mas neste caso não é no âmbito da religião, mas no âmbito civil. Não se trata de um ato de religião, mas simplesmente de um ato de uma entidade religiosa que trabalha civilmente em favor da paz. Aí o objetivo não é sequer a paz religiosa, mas a paz civil entre os homens. Entretanto, é um absurdo pedir que se realizem atos religiosos por ocasião desta reunião, já que entre as religiões existe uma divergência radical. Neste contexto, é difícil entender o que significa aspirar a paz, quando não se está de acordo sobre a natureza de Deus, sobre o significado que se atribui à divindade. É possível se questionar verdadeiramente como se poderia chegar a qualquer resultado sério.

23. É possível pensar que o Santo Padre não entende o ecumenismo da mesma maneira que João Paulo II? Não se trata de uma diferença de grau no mesmo erro?

Não, eu creio que ele entende da mesma maneira. De fato, ele disse “não podemos rezar juntos”. Mas é necessário ver o que ele quer dizer com isso. Em 2003, ele deu uma explicação no livro “Fé, verdade, tolerância, Cristandade e as religiões do mundo” (Friburgo, 2003). No meu modo de ver, quer “enredar o enredo” (1). Tenta justificar Assis. Pode-se questionar o que ocorrerá em outubro próximo.

24. Alguns intelectuais italianos manifestaram sua inquietação pelas conseqüências de tal reunião. O senhor conhece alguma outra reação no seio da Igreja?

Tem razão. Vemos alguma outra reação no seio da Igreja? Nos meios oficiais não. Entre nós, sim, evidentemente.

25. Há alguma reação das congregações da Ecclesia Dei?

Nenhuma, que eu saiba.

26. Como o senhor explica que o Santo Padre, que denuncia o relativismo em matéria religiosa e que, inclusive, não quis ir à reunião de Assis em 1986, possa querer comemorá-la repetindo-a?

Para mim é um mistério. Não sei. Creio que talvez sofra pressões ou influências. Provavelmente esteja comovido pelos atentados anti-cristãos, pela violência anti-católica, as bombas no Egito, Iraque. Não deveria surpreneder que — quiçá este seja o motivo que o levou a realizar este novo Assis — não quero dizer que seja um ato de desespero, mas um ato realizado em meio ao desespero… Tenta fazer algo. Não me surpreenderia que fosse assim, mas não sei mais nada.

27. Existe alguma possibilidade de que o Santo Padre renuncie a este ato inter-religioso?

Não se sabe muito bem como será organizado. Teremos que ver. Supunho que tentarão fazer o mínimo, já que — reitero — para o Papa atual é impossível que grupos diferentes possam rezar juntos quando não reconhece o mesmo Deus; por isso alguém se perguntará uma e outra vez, o que eles poderão fazer todos juntos!

28. O que os católicos devem fazer diante do anúncio de um Assis III?

Rezar a fim de que Deus intervenha de uma maneira ou de outra para que não ocorra, e, em todo caso, começar desde já a reparar.

NOTA:
(1) Complicar algo desnecessária ou superfluamente.

12 Comentários to “Entrevista de Dom Bernard Fellay. Discussões teológicas, Motu Proprio e Assis III.”

  1. Senhores…

    A informação mais importante da entrevista:

    =========
    5. Há uma evolução no pensamento de nossos interlocutores depois de nossas exposições?

    Não creio que se possa dizer isso.

    ========

    Temos que rezar para um milagre. Quem está no Vaticano já esta comprometido com os desvios do Vaticano II…é complicadissimo.

  2. Com costumeira serenidade encara os fatos, não se nega a apreciá-los, apresenta sua posição com firmeza, sem, tergiversações, não transforma a doutrina e fé em materiais de contrabando.
    Admirável !!

  3. Mons. Fellay cada vez mais digno do cargo que ocupa!

  4. Realmente admirável como Dom Fellay não é um contrabandista da razão, fala sem meandros, sem curvas de raciocínio. Concordem ou não com o que ele fala, é de fato um orador exemplar.

    Agora, que existe “um monte everest” inteiro entre Roma e a FSSPX, isso existe. Concordo: só um milagre, só uma intervenção direta do Espírito Santo. E mais, há muito mais nestas conversações que ignoramos e jamais saberemos. Ruim? Não ao meu ver!

  5. E tem blogueiro dito tradicionalista por aí “sugerindo” que a FSSPX se tornou sedevacantista, contraditória, cismática ou qualquer outra coisa que a desclassifique. O curioso é que tais blogueiros sempre tem uma interpretação particular dos fatos na manga, é como aqueles llusionistas que conseguem chamar a atenção da platéia para suas mãos enquanto o coelho é colocado ocultamente na cartola pela a assistente de palco.

    Como bons mágicos, preferem sua platéia do que a verdade, preferem bajular grupos Ecclesia Dei que são tão mágicos quanto eles. Ás vezes, até substituem habilmente a função de palhaços. Tempos difíceis esses!

  6. D. Fellay, enquanto superior geral, encarna a FSSPX oficial: com muito equilíbrio, sem ilusões.

    É a FSSPX falando oficialmente. Que flanco D. Fellay abre para críticas? Ele é o superior geral, a FSSPX faz o que ele manda. Que os críticos da FSSPX tirem os olhos dos subalternos e foquem em D. Fellay: é quem decide, e o faz através de um mandato concedido pela maioria dos padres que votaram nele para superior!

  7. Sim, é preciso “apresentar o que a Igreja sempre ensinou”.Um desafio de coerência, lucidez, coragem e de amor. É só apresentando o que a Igreja sempre ensinou que o tesouro da fé católica poderá atrair novos missionários e discípulos de Jesus Cristo.

  8. Como ovelha, eu reconheço esta voz. É a voz do Pastor chamando para o redil. Dom Lefebvre sabia o que acontece quando nos afastamos da Igreja. Os Bispos da FSSPX sabem disso também.

    Especialmente, quanto aos itens 21 ao 28. Recentemente, eu entendi que não foi Deus que se ausentou dos judeus na Alemanha nazista, mas foram os judeus modernos que voluntariamente se afastaram Dele; assim como no Êxodo, 32-8. E, no geral, aquele horror todo foi possível porque muitos se afastaram Dele.

    Ecumenismo, multiculturalismo, etc. são variantes do mesmo erro, isto é, são os bezerros de ouro do século XX idolatrados no século XXI.

    Acabei de assistir este vídeo, no qual Pat Condell aponta nosso erro ao considerar as religiões apenas como diferentes, em:

    http://fiel-inimigo.blogspot.com/2011/02/verdade-criminosa.html

    O Vigário de Cristo e o Chefe do Estado do Vaticano não deve se omitir, ou pior, ser conivente promovendo encontros festeiros e indecentes, frente à gravidade dos fatos nestes dias que correm.

  9. Quanto mais entendo a situação da Igreja Católica de nosso tempo mais me assusto.
    A impressão que tenho é que tudo o que é anterior ao Concílio é tido por esses expert em teologia como nada e ultrapassado.

    E ainda eles tem a cara de pau de afirmar que não romperam com a tradição.
    Querem nos empurrar guela abaixo esse maldito ecumenismo condenado por Nossa Senhora de Fátima, não consagraram a Rússia porque esse ato é anti-ecumênico.

    Qualquer outra religião é bem vista ecumenicamente e tolerada, mas ser tradicionalista e amar a Liturgia anterior ao Concílio não! POr isso perseguem tanto os quatro Bispos da FSSPX.

    Que o Espirito Santo os ilumine!

  10. O Papa alimentou esperanças demais nos Católicos fieis a Tradição. Me parece certo pensar que seu maior objetivo é a unidade da Igreja, tanto entre progressistas e tradicionalistas, como entre católicos e as heresias protestantes. Só não convidou ainda os teólogos da libertação porque a contradição seria muito grande.

    Isso explica porque o Papa insiste em seus esforços ecumênicos, e nos dá poucas esperanças de que Assis III seja um convite à conversão dos hereges.

    Quanto ao retorno à Tradição, então, nem se fala.

    A tempestade é grande. As ondas cobrem a Barca de Pedro.

    Oremos pelo Papa e pela Santa Igreja. Não deixemos de suplicar ao Bom Deus, e pedir humildente o auxílio de sua Santa Mãe.

    “Por que este medo, gente de pouca fé? Então, levantando-se, deu ordens aos ventos e ao mar, e fez-se uma grande calmaria.” Mt 8, 26.

  11. Dom Fellay é o exemplo do verdadeiro destemor. Discreto, mas direto. Conciso e autêntico. Todas as tentativas dos inimigos de falar em “negociações” são por ele derrubadas. É um digno substituto de Dom Lefebvre, unindo bravura com prudência. A Fraternidade está no caminho seguro: não se nega a falar, nem deixa nada obscuro. Sim, sim, não, não.

  12. Já se passaram muitos anos desde o VII. Já se passaram vários Papas. Muito poucos bispos que dele participaram estarão vivos. Até fieis que o viveram intensamente.
    As discussões que se desenrolam em Roma são de crucial importãncia, não para que ganha esta ou aquela facção, mas para que, o que é extremamente importante, a Igreja volte a ser um bloco, como era antes do Concílio.
    Neste momento talvez seja o ponto principal a pedir a Deus para que o Espírito Santo ilumine as mentes das pessoas envolvidas