A nova tradução inglesa do Missal Romano, um problema de consciência… para os modernistas!

(IHU) Um grande grupo de sacerdotes católicos na Irlanda disse que está consultando sobre a possibilidade de boicotar o novo Missal Romano. O Pe. Sean McDonagh, da Associação de Padres Católicos – ACP, afirmou que o grupo está pensando em tomar a medida após o anúncio desta semana do primaz da Irlanda, cardeal Seán Brady, de que a Igreja na Irlanda introduziria a nova tradução no primeiro domingo do Advento.

A reportagem é de Sarah McDonald, publicada na revista The Tablet, 11-03-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Referindo-se à decisão tomada por alguns padres da Austrália e dos Estados Unidos de boicotar o novo Missal, o Pe. McDonagh disse que, se alguns membros da Igreja foram autorizados a usar o “Missal de Pio V”, porque não podiam, em consciência, usar o novus ordo, então ele não vê por que Roma não poderia autorizar outras pessoas que dizem que não podem, “em consciência, usar este novo [Missal] por razões teológicas”.

Ele acrescentou: “Vou ir a um lar de idosos em que todos têm mais de 80 anos de idade e, quando eu disser: ‘O Senhor esteja convosco’, vou ter que dizer-lhes: ‘Não, agora a resposta é: E com teu espírito’ [ao invés de ‘Ele está no meio de nós’]? São pessoas que mal são capazes de responder ao que está acontecendo ao seu redor. Essas são situações pastorais, e, infelizmente, os bispos, muitas vezes, não as levam a sério, porque nunca as vivenciaram”.

No mês passado, a ACP reuniu os bispos irlandeses e pediu a “suspensão da implementação [do Missal] para que os sacerdotes e as pessoas possam ser devidamente consultados”. Um membro da hierarquia prometeu uma resposta oficial a esse pedido. No entanto, o cardeal Brady fez o anúncio da introdução da nova tradução na última segunda-feira, no lançamento dos planos para o 50º Congresso Eucarístico Internacional, em Dublin, que deverá ocorrer em junho de 2012.

Há especulações de que o Papa Bento XVI poderá visitar a Irlanda para essa celebração, embora o arcebispo Diarmuid Martin, de Dublin, minimizou qualquer indicação a uma visita papal. “Não existe nenhum projeto em vista para uma visita do Papa neste momento”, disse. “O Papa foi convidado, mas o [seu] programa ainda não foi decidido”.

Ele acrescentou: “O Papa está claramente comprometido com o caminho de renovação que está sendo tomado pela Igreja da Irlanda para resolver os problemas do passado. Se ele vier para a Irlanda, será nesse contexto de renovação”.

O Pe. McDonagh criticou a decisão do Congresso Eucarístico Internacional de cobrar uma taxa de inscrição de 80 euros [180 reais] aos participantes, o que, segundo ele, “certifica que aqueles que não podem pagar não vão entrar”. No entanto, a coordenadora-geral do congresso, Anne Griffin, disse que a taxa equivalente quando o evento foi realizado no Quebec era de 240 euros [550 reais]. Ela acrescentou que os organizadores “realmente tentaram manter muito baixo esse custo. Não queremos que a taxa seja proibitiva para qualquer um”.

O Congresso Eucarístico será realizado entre os 10 e 17 junho de 2012, em Dublin, e espera atrair 80 mil pessoas.

10 Comentários to “A nova tradução inglesa do Missal Romano, um problema de consciência… para os modernistas!”

  1. É a casa da mãe Joana. Como a unidade está acima da Verdade, então é melhor que os heréticos continuem ensinando as heresias, pois é melhor hereges em PLENA COMUNHÃO do que fora dela.

    Decididamente, hoje na Igreja manda quem FALA MAIS GROSSO.
    Se Roma oferece um bispo e o episcopado chia, vence o episcopado. Se um bispo oferece a catedral para anglicanos, vencemos por gritar mais alto.

    É o império da democracia. Diante de um papa pusilânime, que torce as mãos para agradar gregos e troianos, então as facções reinam, governam, porque na lei natural, sempre há uma abelha rainha, um macho-alfa, um chefe, um líder.

    Concordo que deve-se agir sempre com prudência, porque qualquer pequeno gesto impensado que se faz hoje pode repercutir por muitos anos, e pode crescer de forma inacreditável. Quem diria que uma incorreta tradução feita a poucas décadas virasse um símbolo de padres amotinados agora?

    Mas Nosso Senhor não se preocupava com quantidades. Quando ele pregava a Doutrina e escandalizava os fariseus, os apóstolos, ao se aproximar para pedir explicações, eram poderosamente intimados a tomar posição. “E vós? Não queres ir embora também?”.
    Se esses padres entendem o que é a doutrina católica, e persistem na resistência CONTRA A DOUTRINA, tem mais é que ser expurgados da Igreja, ao invés de tratamentos com luvas de pelica. Não há unidade, eles mesmos já se puseram para fora.

  2. Caro Bruno,
    creio que os maus bispos e padres não são expurgados porque eles tem mais poder sobre a massa católica do que os bons e, expurgando-os ,o numero de católicos de boas ou más intenções que os seguiriam seria muito elevado, o que aumentaria exponencialmente a apostasia na Igreja.Do contrário,preferem excomungar os bons como Dom Lefebvre e Dom Mayer que tem poucos seguidores e o dano é menor em termos de fiéis.
    É o Mistério da Iniquidade.
    Mas,concordo com voce,é melhor ter 10 católicos fiéis servindo verdadeiramente a Deus do que um bilhão dentro da igreja servindo ao demonio!
    O próprio papa disse uma vez(não me recordo agora onde li) que preferiria ter poucos fiéis verdadeiros na Igreja do que muitos falsos católicos. Talvez o papa até queira fazer isso,mas lhe falte coragem ou a pressão dos maus sobre ele é maior que nossas pobres orações para ele…lembre-se que a liberação da Missa Tridentina por ele veio as custas de milhões de terços ou rosários rezados!

  3. Não vejo outra solução senão a retomada do juramento anti-modernista. As razões teológicas heréticas ou, no mínimo, inconsistentes, não são argumento razoável. Houve tempo de preparação, e a Igreja costumeiramente aplica a introdução de novos textos gradativamente, mais pelo convencimento que por uma imposição legal. O fato é que as edições antigas vão se esgotar, os volumes terão suas páginas corrompidas e quem for sendo ordenado vai aplicar as mudanças, até que os “conservadores” que não aceitam a nova versão estejam na cova.
    Enquanto isso, no Brasil, entra ano e sai ano e nada de nova tradução. “Pro multis, et cum spiritu tuo, resurrectionem confitemur donec venias, verbum domini/laus tibi Christi” (Evangelho), dentre tantos outros textos precisam encontrar no Brasil verbetes de melhor significação.

  4. Desculpem-me os erros de digitação em Domini e Christe.

  5. A Igreja Católica é uma panela de pressão: Há vários grupos batendo-se contra o lacre para esquentar seu núcleo. Bento XVI quer evitar a explosão a todo custo.
    Lembremos que estes padres são provavelmente os mesmos que eram ativos pedófilos no clero irlandês.

  6. Particularmente eu penso que esta polêmica em torno do popularmente chamado Novo Missal, é desenecessária pois é desproporcional a nossa realidade pastoral no Brasil, pelo menos em geral. O ,chamado Novo Missal, não elimina o outro; isto significa que o bom senso e o discernimento sobre a necessidade e a realidade pastoral devem ser critérios mínimos para a utilização de um ou outro rito. Se ambos são válidos, devem ser aplicados de acordo com a realidade e se a necessidade exigir. O problema é que por uma questão muitas vezes mais ideológica que religiosa, uma ou outra tendência na Igreja que impor um rito aos fiéis, contrariando a realidade e a prática pastoral, muito mais para satisfazer suas próprias fantasias ou vaidades pessoais (camufladas de religiosas) do que para fazer valer a edificação da fé do povo e da Igreja, fortalecimento da comunhão e da unidade, e a glorificação de Deus. Sinto claramente em muitos debates em torno desta questão um desvio de foco que compromete uma autêntica, serena e justa reflexão sobre a aplicação do Missal.Onde não existe a prática de celebrar a “missa tridentina” ela não deve ser introduzida, a não ser que seja solicitada por um número razoável de fiéis que se identificam e justificam rezar melhor com este rito. Assim também vale para o outro rito, no momento mais aplicado no Brasil. A atitude do papa em relação ao “novo missal” não diz respeito propriamente a uma questão no e para o Brasil, mas para responder a questões, dificuldades neste âmbito, por exemplo na Europa. Agora, lógico, que vindo do papa, no contexto e da forma que foi realizada, tem caráter Universal. Mas não diz respeito propriamente, nem especificamente a uma problemática da Igreja no Brasil.A questão aqui é que, o que não era problema, poderá passar a ser; é diferente. A questão aqui está seguindo o caminho inverso da Europa. Se o papa não tivesse tomado tal atitude, aqui no Brasil não entraria com relevãncia na pauta esta questão.

  7. ” Onde não existe a prática de celebrar a “missa tridentina” ela não deve ser introduzida ”

    Rev. Padre Ricardo, permita-me duas questões:

    1) o novo ordinário da missa foi apresentado anteriormente aos senhores bispos em 1967, no Vaticano, por ocasião de um sínodo, se não me engano. Ele foi massivamente rejeitado pelo colégio episcopal de todo o mundo. Dois anos depois, em 1969, ele foi imposto. O NOVO RITO DA MISSA DEVERIA TER SIDO IMPOSTO ONDE NÃO HAVIA A PRÁTICA DE CELEBRÁ-LO, antes, muito pelo contrário, tendo sido rechaçado pelos bispos?

    2) a Comunhão na mão também foi rejeitada pela imensa maioria dos bispos em consulta prévia realizada pela congregação responsável. Paulo VI a permitiu, mas o Código de Direito Canônico e, se não me engano, a legislação própria do Brasil, falam de se manter o costume local de administrar a Sagrada Comunhão. A COMUNHÃO NA MÃO DEVERIA TER SIDO INTRODUZIDA JUSTAMENTE ONDE NÃO HAVIA ESSE COSTUME?

  8. Para quem é da Tradição Católica, a matéria sobre o Missal de Paulo VI, tanto em sua forma liberal quanto em sua forma conservadora “chovem no molhado”.
    Sim, porque, a partir do momento em que entendemos as consequências da Missa Nova,não temos porque nos preocupar com ela. Apesar de que, a partir do momento em que um sacerdote católico reze a dita missa de acordo com a intenção de SEMPRE da Igreja, então é uma missa válida, o pão e o vinho são realmente o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor.

    Mas este rito nunca foi inspirado pelo Espírito Santo, como os demais: não passa de uma encomenda realizada por Bugnini e seus protestantes, com o intúito de destruir a Missa Verdadeira – a que foi inspirada pelo Espírito Santo, sem experiências laboratoriais.

    Para nós o interesse na questão é mais verificar a reação dos padres, e ver seu nível de ortodoxia. A Santa Sé tenta deixar o produto humano de forma mais decorosa, o clero irlandês demonstra querer a versão mais antropocêntrica… Enfim…

    Que seja então como disse o padre Marcelo: que se deixe de publicar o Novus Ordo de tradução ruim, e que as traças devorem seus exemplares. Já que é tudo ruim, que fique o menos pior…

    Por incrível que pareça, eu tomo cuidado para não cair em extremos. Me esforço para enxergar as nuances dos grupos Ecclesia Dei, e mesmo o Concílio Vaticano II, eu o aceito em tudo o que o mesmo repete a Tradição da Igreja de forma clara. Lógico, o que é ambíguo ou contraditório com o ensino de Sempre, isso eu tenho direito de não aceitar, visto o mesmo concílio ser pastoral, avesso a dogmas, e com a intenção de apenas PROPOR… E proposta supõe democracia. Aceitar ou rejeitar sem nenhum problema.

    Mas a Missa Nova… Ah, essa eu não encontro justificativas para defender. Em NADA. É um dos poucos assuntos em que eu sou totalmente radical, xiita, categórico. É realmente uma forma ordinária. Ordinária no pior sentido do termo. Não desce.

  9. É isso ai Junior.
    Também gostaria de saber do Rev. Padre Ricardo o por que da imposição do Novo Rito.

  10. Caro Bruno,
    a questão ritual é mais do que a questão da Missa Nova. É a questão de um Concílio e sua aplicação. E nesta aplicação está também a questão canônica. Daí a importância da revisão. Se bastasse celebrar a Missa de sempre…Outra questão é a formação. Dou graças por ter recebido princípios que, depois de alguns anos de ministério, encontram seu sentido. Mas veja como muitos padres de tendência conservadora advindos de seminários regidos por princípios filosóficos e teológicos equivocados encontram dificuldade. É um dano enorme. Volto ao que eu disse esses dias: não há diocese conservadora, não só no Brasil, mas no mundo. Seria lindo se todos os sacerdotes tivessem uma certa coragem que eu não tenho. Mas a realidade é outra, dura, uma morte, um “Deus, por que me abandonaste?” Estando para assumir uma paróquia no início do mês que vem no sertão bahiano, pergunto-me se deveria deixar o povo com nada ou, conforme a sua percepção que não consigo nem desejo contestar, com o menos pior que poderei oferecer. Se deixar com nada, o pior do que já está com certeza chega. Com o menos pior posso levar o excelente e correto num futuro não tão distante. Deus tenha misericórdia deste pecador.