A pergunta que não quer calar.

De Rorate-Caeli:

Além de suas numerosas belas e profundas palavras, além de seus gestos simbólicos que escandalizaram a muitos, além de atos que afetaram a própria vida da Igreja e ainda criarão enormes problemas no futuro (como a permissão para “acolitas”, considerada por um Cardeal um dos pontos mais altos de seu Pontificado), um ato (ou melhor, uma omissão) ainda permanece: por que ele não agiu segundo o conselho expresso de seus Cardeais no Santo Ofício a respeito dos amplos direitos juridícos da Missa Tradicional? Este não é um assunto sobre o qual se possa dizer — como se faz acerca de muitos outros — que ele muito provavelmente desconhecia, que outros poderiam não lhe ter dado ciência a respeito. Eles discutiram o problema a seu pedido e, em  1982 (1982!), deixaram claro o que somente seria tornado público no motu proprio Summorum Pontificum, em 2007. Ele sabia; ele estava ciente; ele permaneceu calado.

Tanta dor, tantas lágrimas, tantos morreram esperando por isso, tantos podem ter se perdido para sempre esperando o que ele sabia ser legítimo, correto e justo. Tantos problemas causados, tanta injustiça, tanta perseguição, de um modo que lança novas luzes aos acontecimentos dramáticos de 1988 — que levaram à Ecclesia Dei Adflicta, um documento mais focado no sentimento de alguns fiéis do que no direito legítimo de padres e leigos.

Obrigado, Senhor, por, através de Paulo VI nos ter dado o Cardeal Ratzinger e, por João Paulo II, nos ter dado Bento XVI. Benedicite, omnia opera Domini, Domino!

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2 Comentários to “A pergunta que não quer calar.”

  1. Meu Deus, tantos estão sofrendo! Aqui na minha cidade,as missas são conduzidas,comentadas,pelos fiéis.
    Não se pode usar véu, que o padre acha um escândalo! A Hóstia Sagrada, ou voçê recebe na mão, ou não recebe. Quando, tudo isto irá mudar, Senhor? Tenha misericórdia de nós, que recorremos a Vós! amém

  2. Na verdade a comparação entre o processo de Pio XII e o de JPII, são inevitáveis e desta comparação surge a pergunta capital:

    Por que o processo de Pio XII foi parado pelas falsas razões históricas apresentadas pelos judeus, e o processo de JPII chegou a seu termo, apesar das graves razões teológicas apresentadas, pelos tradicionalistas?

    Quando os judeus conseguem parar o processo de beatificação de um Papa, que foi infinitamente superior a JPII, e as razões teológicas dos tradicionalistas não são ouvidas, fica claro que não importa mais a visão beatífica católica, mas sim a visão beatífica humanista conciliar. A forma como foram conduzidos ambos os processos, oferecem uma ocasião oportuna para se refletir a respeito da real orientação que impera na Cúria Romana…