Estupidez ou irreverência?
Falsificam imagem na Basílica de Flores

No último dia 1º de maio à tarde, a Basílica San José de Flores (Buenos Aires, Argentina) vestiu seus melhores trajes para receber o Núncio de sua Santidade, o qual, logo após celebrar solenemente a Festa da Divina Misericórdia, benzeu uma imagem do Beato Papa João Paulo II entronizada na ocasião. Talvez Mons. Adriano Bernardini não soubesse que lhe “venderam” gato por lebre. Passemos ao assunto.
Inteirado através de um comentário publicado no Panorama Católico Internacional, sobre a possibilidade de que a imagem de referência tivesse sido o resultado da decapitação de uma antiga escultura de São Pio X, sobre a qual se havia colocado a cabeça de João Paulo II, dirigi-me à Basílica para observá-la atentamente tratando de desmentir ou confirmar o fato.
Ao vê-la, fica óbvio que não é uma imagem nova, disso não há a menor dúvida; inclusive ele tem uns ganchos de suporte antigos com os quais foi levada em procissão.
Trata-se da escultura antiga de um papa beato ou santo, que foi repintada, prova disso são algumas falhas que permitem ver a pintura original.
Porém, não lhe tiraram a cabeça, como sugeria o comentário: acrescentaram-lhe material, de modo a deformar os traços originais para que se parecesse o novo beato. Ou seja, colocaram uma máscara à imagem original de São Pio X (já verão que se trata dele), para que o Núncio de sua Santidade (suponho que não o saiba) e todos os desprevenidos fiéis de Flores acreditassem que se tratava do Beato João Paulo II.
Porém, que provas o senhor tem, vamos ver?
Em primeiro lugar, qualquer pessoa que tenha visto fotos de São Pio X poderá perceber, através da “máscara de João Paulo II”, a postura e algo mais que nos remetem ao santo que morreu combatendo o Modernismo hoje revivido. O aprendiz de escultor não pôde anular completamente o escultor italiano (porque se continuarem lendo saberão de onde provém).
Em segundo lugar, há vários detalhes que identificam ao personagem “retratado” originalmente. O solidéu usado por São Pio X era maior que os que atualmente se utilizam. A orelha deste Santo tinha um traço peculiar “de líneas agudas”, tal como se vê nesta estátua; ao contrário, a de João Paulo II era arredondada. A famosa Cruz peitoral de esmeraldas de São Pio X havia sido representada nesta imagem seccionando tanto o travessão vertical como o horizontal, embora a gema central hoje em dia tenha outra cor. Os dedos da mão direita na posição usada anteriormente para benzer. A âncora do escudo papal do Santo na estola da imagem.
Por último, mais para além desses detalhes, me dei conta de um ponto de minha observação que já conhecia esta estátua. Claro! A antiga imagem de São Pio X que mascararam para dar à luz esta nova de João Paulo II é a que trouxe desde Roma aquele casal dessa paróquia que assistiu a sua canonização em 1954. Foi a que o pároco deles colocou no Altar do Calvário (à direita do Altar principal), substituindo uma imagem do menino Jesus (que o mostra sentado entre os doutores do templo), e com a qual nos havíamos acostumado a ver ao passar até a Capela de São José.
A mesma que o pároco anterior, padre Martín Bustamante, devolvendo o Menino Jesus ao seu lugar original, destinou a presidir o salão de catequese que leva o nome do último papa santo, de onde também foi vista por incontáveis pessoas.
E, logicamente, é a mesma que desde aquele lugar o padre Gabriel Marronetti tomou para fazer… como se pode qualificar ou mascarar uma estátua benta de um santo, que se expôs em um dos altares mais importantes da basílica durante anos e, em seguida, chamar o Núncio de sua Santidade para fazê-la benzer novamente, diante dos fiéis, mas, agora sob outro nome? Não é isso uma zombaria aos paroquianos, a São Pio X, ao beato João Paulo II e ao Papa gloriosamente reinante?
Ninguém vai fazer nada para reparar a ofensa? É de se supor que não, porque tampouco ninguém reparou a enorme injuria inferida a São José neste mesmo templo, como já publicamos AQUÍ.
P/d: Padre Marronetti, da próxima vez procure uma pessoa conhecedora do oficio. Ou seja, como disse o padre Castellani, se vai “pecar”, peque bem; porque o artesão que o senhor escolheu só fez uma porcaria digna de um pintor de pincel grosso.
















"... muitos dos que se dizem católicos ajudam os «revolucionários» . São esses, sempre «moderados», que estimam a «tranquilidade pública» como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mau humor para os que gritam «Viva a Religião!» e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são «exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja» ".
Que tenho eu, Senhor Jesus, que não me tenhais dado?… Que sei eu que Vós não me tenhais ensinado?… Que valho eu se não estou ao vosso lado? Que mereço eu, se a Vós não estou unido?… Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido. Pois me criastes sem que o merecesse… E me redimistes sem que Vo-lo pedisse… Muito fizestes ao me criar, muito em me redimir, e não sereis menos generoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramastes e a acerba morte que padecestes não foram pelos anjos que Vos louvam, senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço… - Padre Mateo Crawley-Boevey