O ecumenismo segundo o Cardeal Kurt Koch.

Um segundo aspecto é a grande mudança que está criando raízes no pensamento da comunidade reformada: eles não vêem como fim do movimento ecumênico a unidade visível na fé, nos sacramentos e no ministério, mas reclamam a permanência de uma pluralidade de Igrejas que se reconheçam umas às outras, cuja totalidade produziria, finalmente, a Igreja de Cristo. Algo como uma espécie de lar adotivo, de onde de tempos em tempos sai um convite aos vizinhos para alguma festividade. Essa posição não agrada católicos e ortodoxos. Este não é o único e indiviso Corpo de Cristo, não corresponde à oração de Jesus para que todos os discípulos sejam um, como são o Pai, o Filho e Espírito Santo.

[…]

A Igreja de Jesus Cristo não é uma idéia abstrata, que ainda não existe, mas está na Igreja Católica, entendida enquanto sujeito histórico. E isso não implica dizer, de modo algum, que os católicos são cristãos melhores do que outros, mas apenas que na Igreja Católica existem os meios de salvação. É um fato objetivo. Assim, quando ouço dizer que há fiéis protestantes que desejam se tornar católicos, digo-lhes: “Vocês não devem deixar nada, mas sim receber algo a mais”, isto é, os meios de salvação presentes da Igreja Católica. Que não são um mérito da Igreja, mas um dom do Senhor. Com isso, já está implício que também em outras Comunidades eclesiais existem meios de salvação.

[…]

Os cristãos acreditam na universalidade da salvação em Jesus Cristo, por outro lado se diz que uma missão para com os judeus é absolutamente impossível. Como podem essas duas afirmações não ser  incompatíveis? Eis também o motivo por que a nova oração da Sexta-feira Santa tem levantado tantas discussões. Gostaria de compreender melhor o que significa para um judeu a fé cristã e as relações entre judeus e cristãos. O diálogo do Papa Bento XVI com o rabino Neusner, no primeiro livro Jesus de Nazaré, é importante para mim, é exatamente o diálogo teológico que imagino. E sobre a missão sistemática em direção aos judeus… a Igreja não a procura. Mas nós cristãos confessamos a fé em Jesus e a colocamos gratis perante à liberdade do outro.

Da entrevista concedida pelo Presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, Dom Kurt Cardeal Koch, à revista 30Giorni – março de 2011.

18 Comentários to “O ecumenismo segundo o Cardeal Kurt Koch.”

  1. EXTRA ECCLESIAM NULLA SALUS

  2. “”Vocês não devem deixar nada, mas sim receber algo a mais”, isto é, os meios de salvação presentes da Igreja Católica.”

    Isso pra mim é enfeitar o ecumenismo atual, sem parecer “entreguista” demais.

    Se fosse pra ser correto, diria: os meios de salvação presentes apenas na Igreja Católica

  3. O primeiro parágrafo está ótimo, ainda que tenhamos que considerar que as tais comunidades reforamadas pensam assim porque essa é a mentalidade que lhes é passada pelos católicos encarregados das atividades ecumnênicas.

    Já o segundo parágrafo complica. ““Vocês não devem deixar nada, mas sim receber algo a mais”, isto é, os meios de salvação presentes da Igreja Católica. Que não são um mérito da Igreja, mas um dom do Senhor. Com isso, já está implício que também em outras Comunidades eclesiais existem meios de salvação.”

    Ora bolas, dizer que eles não precisam largar nada, que só precisam acrescentar alguns ingredientes dá margem à confusão. Isso precisaria ser bem explicado. E o que segue depois leva a crer que a tradicional expressão “falsas religiões” seria incorreta. Ao invés deveríamos dizer “religiões incompletas”.

  4. Tolos são esses que lutam pelo ecumenismo. Sempre foi e será uma utopia pensar que os filhos de Lutero tem interesse em retornar para a Igreja. Quanta ilusão meu Deus e até quando irão insistir neste ecumenismo de mão única.

  5. Pelo menos é melhor que o cardeal Kasper

  6. P.s: Sou um miserável leigo que pouco, mesmo nada, sabe da santa fé Católica.Se cometi algum erro na seguinte colocação, peço-lhes que me corrijam o mais rapidamente possível.Desde já renuncio a todo erro por mim proferido e submeto-me a pregação e verdade da única Igreja verdadeira, da única Igreja de Cristo: Católica, Apostólica, Romana.

    É possível uma explicação que mantenha a fala do citado Cardeal dentro da pregação tradicional da Igreja? Tentarei algo, ainda sem ler a fala supracitada por completo,na íntegra, reduzindo-me a ler o que foi mostrado aqui no blog.

    O único caminho de se chegar a Nosso Senhor é por meio de sua Igreja, Una ,Santa,Católica e Apostólica.Contudo, a graça de Deus não se limita, não se prende.Houveram Santos que se santificaram sem os sacramentos.O que quero dizer com isso ? Vejamos.

    Não podemos equiparar o Beato Newman a todo e qualquer protestante.Ele, depois de um tempo de reflexão e busca da verdade, considerável tempo, conclui que a Igreja Romana é a única verdadeira, e então, a partir desse momento, seria um pecado mortal não submeter-se qual filho e discípulo da mesma e única Igreja. Infelizmente, contudo, nem todos os protestantes tiveram ou têm, não coloco aqui os que por malícia permanecem no erro, mas, digo, nem todos puderam, a partir de sua história e contexto, enxergar claramente que a Igreja de Cristo é a Igreja Romana, e enxergar claramente o que de fato é a Igreja Romana.

    O que dizer de um jovem que cresceu num ambiente claramente anti-católico, formado e doutrinado em escolas, na família e em igrejolas que em uníssono afirmam ser a Igreja Romana a Babilônia, a prostituta, a corrompida, a responsável por inúmeros males, a avarenta, a opressora? Lembremos, como diria Fulton J. Sheen, muitos não odeiam o catolicismo, apesar de pensarem isso, mas um falso catolicismo.

    Sim, completo, mesmo amam o catolicismo, quando pela reta razão, pela graça, concebem um “modelo de Igreja”, que no final das contas só a Igreja Romana o é e o pode ser.

    É o que ocorre com esse jovem, que por tal ignorância, renuncia à participação e plena comunhão com a Igreja de Cristo .

    “A Igreja de Jesus Cristo não é uma idéia abstrata, que ainda não existe, mas está na Igreja Católica, entendida enquanto sujeito histórico.”
    ( Fala do Cardeal Kurt)

    Ele então morre, e os meios de chegar a fé, de mesmo romper com sua família, contexto social, talvez uma história, são escassos…Será que ele está fadado à condenação ? Será que podemos afirmar que será julgado com o mesmo rigor que Newman? É claro que não.Sabemos todos disso.Se há uma possibilidade de salvação, mesmo sem um vínculo institucional com a Igreja Romana, há meios de se salvar por “outros caminhos”-Todas as aspas do mundo aqui coloco-, que não o tradicional.Como assim?
    Há como que misteriosos caminhos pelos quais Deus, por meio do Cristo, e este por meio de sua única Igreja, estende suas graças àqueles que não estão no seu redil.Mas, sempre, por Cristo, pela Igreja.São salvos pelos meios presentes na Igreja unicamente, mas que não se resumem, não se prendem à atuação visível, institucional, mesmo sacramental, para se efetivarem na vida dessas ovelhas.Assim, outras comunidades “teriam” meios de salvação sim.Mas tão somente, se por misteriosa participação e irradiação colherem os frutos produzidos pela única videira verdadeira e única unida a Cristo,a Igreja Romana.Eles então passariam a participar plena e formalmente , quando aderirem publica, formal,explicitamente à Igreja.Participarão do que já antes misteriosamente participavam pela graça do bom Deus e pela sua infinita misericórdia.

    Assim entendo os dizeres que se seguem de sua Emma. e Revma. Cardeal Dom Kurt Koch :

    “E isso não implica dizer, de modo algum, que os católicos são cristãos melhores do que outros, mas apenas que na Igreja Católica existem os meios de salvação. É um fato objetivo. Assim, quando ouço dizer que há fiéis protestantes que desejam se tornar católicos, digo-lhes: “Vocês não devem deixar nada, mas sim receber algo a mais”, isto é, os meios de salvação presentes da Igreja Católica. Que não são um mérito da Igreja, mas um dom do Senhor. Com isso, já está implício que também em outras Comunidades eclesiais existem meios de salvação.”

    Penso que ele poderia ter sido mais claro, direto, não ambíguo- como os documentos do C.V. II são ambíguos muitas vezes- para se prevenir de más interpretações e dar-nos a segurança que necessitamos e esperamos de um príncipe da Igreja.Rezemos para que suas intenções sejam sempre as de permanecer em total submissão e adesão a perene doutrina da Santa Igreja, sem modernismo, sem entreguismo, sem falso ecumenismo.

  7. Acredito que sua Eminência, o Cardeal Kurt Koch quis dizer que os protestantes têm fé na unicidade da salvação de Jesus Cristo, mas que ao se tornarem católicos, esclarecerão essa fé!

    Seria uma analogia ao que são Paulo fala dos judeus, eles possuem zelo por Deus, mas não é um zelo esclarecido.

    Ressalte-se que o protestantismo é completamente diferente do paganismo, embora ambos não sejam caminho de salvação.

  8. Thiago e o Cardeal

    Qual o protestante que quer ser tornar católico? Acorda rapaz!!

  9. Droga! “Pedro, tu és pedra, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.”
    Quem disse isto? A respeito de qual Igreja? Então está claro: Só existe uma Igreja
    que salva. É a Igreja Católica Apostólica Romana, fundada por São Pedro e seu sepulcro está
    lá, no Vaticano, como prova. E quanto a esse ecumenismo de uma via só,prestemos atenção,
    enquanto houver Maria nossos “irmãos separados” nos renegarão.

  10. Os protestantes vão se sentir em casa: raras são as igrejas e capelas que têm imagens, cruz, católicos e padres!

  11. Existem várias conversões de protestantes ao catolicismo!

  12. Thiago,

    PELO ECUMENISMO?

  13. Toda construção redacional que, so ser lida, gera aquele ponto de interrogação em nossas cabeças, não ajuda em nada para ajudar a extirpar a ignorância religiosa de hoje. E não é preciso ser douto, teólogo, especialista, Padre, Bispo, Cardeal ou mesmo Papa para afirmar isso. Basta apenas um pouco de bom senso.

  14. Não será pelo ecumenismo que os protestantes e pagãos voltarão para a unica Igreja de Cristo. As outras religiões, como sabemos, são idolátricas. As outras “igrejas” são falsas e combatem a verdadeira Igreja. É óbvio isto, só não veêm os ecumênicos e a atual hierarquia formada pelo Vaticano II.
    Pela TV Canção Nova, dia 15 de maio de 2011, foi transmitida a Missa Maronita da Catebral de Nossa Senhora do Líbano de São Paulo. Convidados, na primeira fila, três representantes da religião islâmica. O Bispo Maronita Dom Edgard Madi na homilia, quando se pronunciou em português, afirmou que a religião islâmica foi criada por Deus, e que na nova pintura da Catedral uma mesquita estava sendo pintada, pois eles também fazem parte do Líbano… Aí chamou um representante muçulmano, que pregou em arábe em plena homilia… Na benção final. chamou o Bispo Melquita Dom Fares, um sacerdote ortodoxo e os três representantes islâmicos e todos fizeram discurso na língua deles. No fim, todos deram a benção final ( os muçulmanos ficaram de mãos cruzadas neste momento). Vi ainda Dom Fares botar a mão na testa abençoando um dos muçulmanos… e foi aquela beijaria entre eles…
    Alguém ainda pode, de livre vontade, aderir a esta igreja conciliar?

  15. Sim, a conversão dos anglicanos, mesmo que tenha sido corroborada pelos escândalos do ordenamento de mulheres e dos casamentos de homossexuais, foi um resultado de diálogo entre a Igreja e os protestantes anglicanos, esse diálogo continua até hoje com os que ainda são anglicanos.

  16. Bem, pelo “ecumenismo” eu não sei se há muitos frutos, mas há sim os ‘católicos de alma’ que estiveram em estado de ignorância invencível.
    Mas, mais do que o “ecumenismo” o que sempre converteu e a muitos foi a intransigência da Igreja, sempre firme e reta em seu falar e agir.
    E, mais recentemente, nosso Santo Padre, como que ao jogar uma bóia para salvar muitos que estão num mar revolto, deu aos anglicanos a ‘possibilidade’ – que eles sempre tiveram, mas que, agora, torna-se como um convite pessoal e explícito do Santo Padre e da Igreja de Cristo – de retornarem à sua verdadeira Mãe que os quer como filhos amáveis.

    Mas, isso não é via de regra, ao contrário, é excessão…
    É necessário fazer “sim, sim, não, não”.

    Sua Eminência Reverendíssima está indo bem, acredito, embora em alguns pontos precise ser mais direto.

    Quanto a:
    “Vocês não devem deixar nada, mas sim receber algo a mais”, isto é, os meios de salvação presentes da Igreja Católica. Que não são um mérito da Igreja, mas um dom do Senhor. Com isso, já está implício que também em outras Comunidades eclesiais existem meios de salvação.”
    Que digo eu?
    Bem, esse ‘receber algo a mais’ deve valer apenas aos “católicos de alma” que, sedentos, buscam a Igreja, que dará a completude: a Verdade: a Sã Doutrina: Nosso Senhor. Estes querem a Deus pelo bem e pela moral, mas não conhecem a Verdade em sua completude, ainda estão com um véu, já translúcido, mas que não permite enxergar com clareza.
    Já com os meios de salvação em outras ‘comunidades eclesiais’, o caso é o mesmo dos católicos de alma, então, penso eu que “entenda-se” que ‘comunidades eclesiais’ é o “corpo místico”, por assim dizer – e prudência no que vou dizer -, dos “católicos de alma” que, estão, ‘unidos’ com a Igreja pela prática das virtudes, mas não estão ‘completos’.
    Triste foi que ele não se expressou com exemplar clareza, não obstante, já é um começo, e pode falar-se até de um bom começo.

    Precisamos ser claros, como lâmpadas, afinal “não se deve por a candeia debaixo do alqueire”, já dizia Nosso Senhor.

    Refugium peccatorum, ora por nobis.
    Santo Agostinho e Santa Mônica, orate pro nobis.

  17. Caro Thiago,

    Você está bem enganado. O processo que culminou na conversão em massa de hereges anglicanos em católicos não foi fruto do tão falado e dogmatizado ecumenismo do Vaticano II. Não se iluda. Os frutos do Vaticano II são esses, imundos, vergonhosos e bem distintos daquele comtemplado pela Anglicanorum Coetibus:

    http://www.zenit.org/article-28096?l=portuguese

    Abraço,

    Antonio

  18. Para complementar a informação que dei acima, divulgo dois vídeos. Estes vídeos são do Programa “Memórias do Líbano” que passa na TV Canção Nova e produzido pelos Maronitas. Temos no primerio vídeo a parte inicial da Missa Maronita do dia 15 de maio e a homilia, mas eles não incluíram o discurso do muçulmano e a benção final.
    No primeiro vídeo:
    http://www.youtube.com/user/Maronita1#p/u/8/cC2tWHG7rvw
    Vemos o início da Missa (bastante desfigurada – lembremo-nos que a presença maléfica da Canção Nova com os Maronitas de SP já dura cinco anos). Encontramos Gabriel Chalita à direita do vídeo, primeira fila.
    7:57 até 8:50 = Dom Edgard mostra a mesquita muçulmana pintada na parede da Catedral.
    9:19 até 10:21 = Mostra a presença dos representantes muçulmanos na primeira fila. Dom Edgard Madi, Bispo Católico Maronita, declara: “Deus criou o Líbano (…) e dentro do Líbano temos as fração religiosa representante … Por isso quisemos que esteja aqui (aponta para a parede da Catedral) a Igreja e a mesquita, os cristãos e os muçulmanos, os ortodoxos, os melquitas, os maronitas, todas as religiões bem representada dentro da Catedral de Nossa Senhora do Líbano. Para mostrar a união do Líbano. Líbano é uno. É Deus que criou todas as religiões. Religiões do céu. Que todos tão trabalhando para a paz no Líbano e no mundo inteiro”
    No segundo vídeo:
    http://www.youtube.com/user/Maronita1#p/u/9/vhffDqOkJoM
    02:10 até 02:32 = Fala Frei Siluano – Maronita: “O Líbano sabe que tem muitas religiões, então se tem uma pessoa que pode unir toda essa diferença que é uma riqueza no Líbano é a Nossa Senhora do Líbano, por que só a mãe que sabe juntar, só a mãe sabe reunir.”.