Monsenhor Guido Pozzo: “Há certas objeções da Fraternidade São Pio X que fazem sentido”.

Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com: De uma abrangente entrevista concedida pelo Secretário da Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei”, Monsenhor Guido Pozzo, a Nouvelles de France. [Crédito: leitor.]

A Fraternidade São Pio X reconhece este missal [de Paulo VI] como válido e lícito?

Essa pergunta deve ser feita à Fraternidade.

O Santo Padre deseja que a Fraternidade São Pio X se reconcilie com Roma?

Certamente. A carta de levantamento das excomunhões dos quatro bispos sagrados ilegitimamente pelo Arcebispo Lefebvre é a expressão do desejo do Santo Padre de favorecer a reconciliação da Fraternidade São Pio X com a Santa Sé.

O conteúdo das discussões que ocorrem entre Roma e a Fraternidade São Pio X é secreto, mas que pontos eles tocam e de que modo progridem?

O ponto essencial é de natureza doutrinal. A fim de alcançar uma reconciliação verdadeira, é necessário superar certos problemas doutrinais que estão na base da atual fratura. Nas conversações em andamento, há um confronto de argumentos entre os peritos escolhidos pela Fraternidade São Pio X e os escolhidos pela Congregação para a Doutrina da Fé. Ao fim, são redigidos sumários conclusivos das posições de ambas as partes. Os temas sob discussão são conhecidos: primado e colegialidade episcopal; relações entre a Igreja Católica e confissões cristãs não católicas; liberdade religiosa; a Missa de Paulo VI. Ao fim das conversações, os resultados serão submetidos aos respectivos níveis com autoridade para uma avaliação geral.

Não parece concebível a possibilidade de colocar em dúvida o Concílio Vaticano II. Portanto, até onde essas discussões podem conduzir? A um melhor entendimento dele?

Elas dizem respeito a um esclarecimento de pontos que detalham o exato significado dos ensinamentos do Concílio. É o que o Santo Padre começou a fazer em 22 de dezembro de 2005, ao interpretar o Concílio dentro de uma hermenêutica da renovação na continuidade. No entanto, há certas objeções da Fraternidade São Pio X que fazem sentido, porque tem havido uma interpretação de ruptura. O objetivo é mostrar que é necessário interpretar o Concílio na continuidade da Tradição da Igreja.

O Cardeal Ratzinger esteve à frente dessas discussões por aproximadamente 20 anos. Ele ainda segue o desenvolvimento agora enquanto Papa?

Primeiro, há o papel do secretário, que é o de organizar e tomar conta do bom andamento das discussões. A avaliação desse esforço é de responsabilidade do Santo Padre, que segue as discussões, com o Cardeal Levada, é informado sobre elas e dá sua opinião. O mesmo vale para todos os pontos com que a Congregação lida.

29 Responses to “Monsenhor Guido Pozzo: “Há certas objeções da Fraternidade São Pio X que fazem sentido”.”

  1. “O objetivo é mostrar que é necessário interpretar o Concílio na continuidade da Tradição da Igreja.”

    Peraí, quando o monsenhor diz isso, ele quer dizer que o objetivo é mostrar pra quem? Para o mundo? Se ele quis dizer que Roma quer mostrar algo para a FSSPX quanto á continuidade, isto não cabe!

    Se esta frase cabe entre as partes das conversações (Roma e FSSPX), só se for no sentido FSSPX —> Roma.

    A FSSPX sabe muito bem que o Concílio deve ser interpretado na continuidade da Tradição, e é o que ela faz: Coloca-se contra o Concílio justamente porque a Tradição ensina outra coisa. Se alguém não quis interpretar algo na “continuidade da Tradição” foi o próprio Concílio.

    A FSSPX assim como qualquer outro católico que de fato entende basicamente a crise quer a continuidade da Tradição. Justamente por querê-la é que não tem como querer o Concílio.

    Esta frase foi muito bem montada para confundir…

  2. Olhem que interessante, com isso inaugura-se o relativismo até na hora de falar da própria crise! rs

    Hermenêutica da continuidade: Pode se aplicar à FSSPX, pois com esta frase o Monsenhor Pozzo obriga a aplicação. A FSSPX acredita na continuidade da Tradição por isso rechaça o Concilio. Já Roma por achar que o Concilio é uma continuação da Tradição, acha que esta não foi rompida.

    Hermenêutica da ruptura: Pode-se aplicar à FSSPX, pois diz que ocorreu uma ruptura na Tradição com o Concílio. Aplica-se em última análise à Roma que, ao dizer que a Tradição continua no Concílio, rompe com a própria Tradição…

    Que confusão!

  3. Vladimir, mas a FSSPX se localiza na hermenêutica da ruptura, de forma geral, como os modernistas. Todos aqueles que creem que depois do Concílio Pastoral há uma “Nova Igreja”, com “neo-Papas”, etc.

    Os católicos são os que defendem a hermenêutica da continuidade, que a única hermenêutica possível para qualquer Concílio (de Trento, Vaticano I, Calcedônia, etc.) e qualquer ato do Magistério.

    Os vétero-católicos no seu tempo também não quiseram — citando São Vicente de Lérins — aderir ao Vaticano I e à infabilidade papal, que consideravam contrária à Tradição. Como eles não aceitavam a infabilidade papal, diziam que a proclamação desse dogma era como coisa inóqua, já que a proclamação de dogmas não seria infalível por de acordo com a Tradição não haver infabilidade papal… Também tinham um bispo à sua frente, e um bispo que era reconhecido por ser um grande teólogo (diferente de Mons. Lefebvre, que foi um grande missionário, mas nunca teve fama de grande teólogo — pelo menos não antes do último Concílio).

    O fato é que só conhecemos a Tradição e as Escrituras por meio do Magistério.

    Cite-se que nenhum grande teólogo de antes do Concílio apoiou Mons. Lefebvre em sua interpretação de ruptura. Mesmo quando Mons. Lefebvre não estava sequer suspenso de ordens, nenhum dos grandes teólogos romanos o apoiou em suas críticas. Nem Royo Marín, nem qualquer outro grande dominicano. O único de mais fama que o acompanhou foi o Pe. Guerard de Lauriers, que depois elaborou o sedeprivacionismo (e também se fez sagrar bispo) — aliás respondendo a apelo de Mons. Lefebvre, que em entrevista afirmou que não tinha resposta para o parodoxo entre a infabilidade da Igreja e o que Mons. Lefebvre considerava a “Roma que caiu na apostasia”. Mons. Lefebvre nesta entrevista afirma que os teólogos vindouros é que teriam que estudar essa questão, pois ele mesmo não tinha resposta…

    O sedeprivacionismo — a “resposta” do Pe. Lauriers — foi um furacão em Ecône, arrastando vários para o sedevacantismo e para o próprio sedeprivacionismo. O Pe. Laguérie, em depoimento ao Forum Catholique, diz que nenhum teólogo da FSSPX tinha reposta para conter a onda sedevacantista.

    Conste que o discípulo mais brilhante do Pe. Lauriers, e maior teólogo de Ecône à época (no juízo do Pe. Laguérie), o Pe. Bernard Lucien, acompanhou seu mestre no sedeprivacionismo até o fim da década de 80 ou início de 90, quando voltou para a Igreja, convencido da verdade católica e da reta interpretação do Concílio (compreende-se que, na grande crise, muitos se desnorteassem, mas chega uma hora em que é preciso voltar para casa). Tem vários livros publicados, entre os quais “Les degrés du Magistère de l’Église”, publicado em 2007 por La Nef.

  4. A decisão por uma hermenêutica de continuidade é “diplomática”. Precisar os pontos discordantes localizando-os explicitamente no texto é fundamental para a revisão que Paulo VI não quis (embora ele tenha pensado melhor depois). Mas o melhor mesmo – minha mera opinião pessoal – é ater-se ao Magistério extraordinário, deixando que o término do contexto histórico do Vaticano II leve à retomada da terminologia e da ritualidade tradicionais. O que tem sido mantido pela FSSPX chegará a passos bem mais lentos a outros ambientes. Plenitude da perfeição só no céu!
    Tem novo artigo em meu blog, sobre renúncia de si no dia de folga dos sacerdotes. Costumo reeditar meus artigos no mês da publicação, mas o essencial está lá.

  5. Como interpretar o ecumenismo com a Tradição, se o ecumenismo nunca fez parte sequer da vida da Igreja, antes ao contrário, tendo seu principio nas seitas protestantes? Como pode existir interpretação na continuidade se o próprio ecumenismo é ruptura?

    Como interpretar esse texto da Gaudium et spes no seu n° 24 que diz “E por isso, o amor de Deus e do próximo é o primeiro e maior de todos os mandamentos”, em conformidade com o evangelho que o amor de Deus é o primeiro e o maior mandamento, ficando logo abaixo o amor ao próximo.

    Por isso eu afirmo com D. Antônio de Castro Mayer, que quem aprova integralmente o CV II, apenas por esse fato, desliga-se da verdadeira Igreja.

    Aonde já se viu?! Só mesmo num texto ambíguo, confuso, que o amor de Deus e do próximo são equiparados.

  6. É preciso fazer um malabarismo impossível para interpretar a letra do Concílio em conformidade com a tradição. Ora, Monsenhor Brunero Gherardini, em sua famosa obra Concílio Vaticano II, un discorso da fare, afirma que existe erros modernistas nos textos do Concílio. Portanto, a questão não é meramente desvio na interpretação, mas desvio no próprio ensino.

    Robson,

  7. Qual a diferença entre Sedevacantismo e Sedeprivacionaismo?

    Oficialmente ( no sentido mais claro da palavra), a Igreja já se manifestou sobre essas posturas teológicas?

  8. Repito um questionamento que sempre aparece: Por que a afirmação “O CVII contém erros gravíssimos e é uma ruptura com a Tradição” se opõe a infabilidade papal, se nem João XXIII, nem Paulo VI tornaram dogmáticos os documentos do CVII? Em algum momento foi usada a Autoridade Infalível para documentos, definindo dogmas ou anátemas, no CVII? Não consigo entender que pessoas de boa fé argumentem dessa forma, até comparando Mons. Lefebvre ao Cisma de Utrech.
    E, afirmar que “teólogos não apoiaram Mons. Lefebvre”, para mim, é uma afirmação muito grave. Parece que quer se reduzir o Coetus, formado durante o CVII, às ideias de uma só pessoa. É acreditar que a verdade se dá por maioria. É como uma “verdade democrática”. Aprendi, com Ário e Atanásio, ambos bispos, que mesmo que multidões assumam algo errado como correto, nem por isso deixará de ser errado…

  9. Fidelis Antonio,

    Não me parece que haja um continuidade pura e simples tal como o senhor deixa transparecer em seu comentário. Existe sim o que se chama de uma hermeneutica da reforma. Nem a total descontinuidade como pregam os modernistas mais radicais; nem uma continuidade pura e simples como sustentam alguns neoconservadores (como se o CVII tivesse simplesmente repetido o magistério anterior, usando apenas outro método de ensinar.)

    Recomendo a leitura do artigo do Pe. Martin Rhonheimer, da Opus Dei (portanto neoconsevador), onde ele sustenta que “la categoría hermenéutica para entender el Concilio Vaticano II no es únicamente la “continuidad”, sino la “reforma”. La reforma comprende ambos aspectos: elementos de continuidad y de discontinuidad.” (“Nova et Vetera”, 85, 4, 2010, pp. 341-363. http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1347672?sp=y ). Este parecer é o mesmo do Encontro ocorrido em 2010 entre ex-alunos de Ratzinger (http://www.zenit.org/article-25842?l=portuguese).

    Após a análise do tema sobre a liberdade religiosa, o referido autor chega a seguinte (e honesta) conclusão: “no se puede evitar una conclusión: esta doctrina concreta del Concilio Vaticano II es lo que Pío IX condenó en la Encíclica “Quanta cura”.”

    É importante sublinhar que o magistério da Quanta Cura, é extraordinário, portanto infalível, conforme o parecer do teologo Cardeal Billot, S.J. Isso deixa a situação bastante complexa, já que temos um concilio que defendeu algo contrário ao Magistério anterior. Daí, pode-se propor a seguinte pergunta: qual dos dois é uma autêntica interpretação da Tradição: a Quanta Cura ou a Dignitatis Humanae do Concilio Vaticano II? O Pe. Cuzio Nitoglia, FSSPX, forneceu recentemente uma excelente relação de fontes, desde a Patrística até Pio XII, contrárias a liberdade religiosa tal qual promulgada pelo Concilio e sustetanta pelos Papas conciliares. Ela pode ser encontrada aqui: http://www.doncurzionitoglia.com/liberta_religiosa_e_tradizione.htm

    Faço ainda um acréscimo em relação ao artigo do teologo em destaque: ele foi escrito para uma revista que é dirigida pelo teologo Pe. Charles Morerod, reitor do Angelicum e um dos relacionados para os debates entre FSSPX e Roma.

    Saudações em Cristo Nosso Senhor!

  10. Não basta afirmar a continuidade doutrinária do CVII. Cumpre demonstrá-la por meio de fatos.
    Por enquanto os fatos demonstram que o CVII desagua no mar poluído da prostiutição de Assis.
    Pe. João Batista Costa

  11. Caro Robson, quanto a Mons. Guerardini, ele também não é infalível… A verdade é que Dom Basile, do Barroux, responde à sua posição. Dizer que o Vaticano II não exige assentimento porque não é dogmático seria o mesmo que dizer que não se deve obediência ao Magistério Ordinário… E o Vaticano II é Magistério Ordinário Universal.

    Caro Galvão, além do dito acima, seja citado que o Coetus era formado por muitos Padres. A grande maioria deles — entre os quais o Cardeal Ottaviani — não deixou a Igreja por causa da crise. Esses são verdadeiros exemplos, menos chamativos, mas mais fiéis.

    Caro Renato, de fato o Pe. Rhonheimer é do Opus Dei, mas ele não é teólogo oficial do Opus Dei. Diga-se que, sobre a liberdade religiosa e os Estados, o Pe. Rhonheimer discorda do próprio Vigário Geral da Obra, Mons. Fernando Ocáriz — que defende a continuidade. Dom Basile também responde as posições rupturistas de Rhonheimer. Você me recomenda leitura de artigo de Rhonheimer; eu não recomendo esse tipo de leitura para ninguém. ;-)

    Saudações em Cristo Rei!

  12. Desculpe-me, Padre João Batista, mas é quem impugna o Sagrado Concílio Vaticano II que deve provar muito bem provado que ele contraria realmente, sem possibilidade nenhuma de interpretação favorável, a Tradição. E não conseguirão fazer isso, como os protestantes não conseguem fazer isso com Trento, nem os vétero-católicos com o Vaticano I, nem os jansenistas, nem os feeneyistas, nem os cismáticos russos com o Filioque.

  13. “…de fato o Pe. Rhonheimer é do Opus Dei, mas ele não é teólogo oficial do Opus Dei. Diga-se que, sobre a liberdade religiosa e os Estados, o Pe. Rhonheimer discorda do próprio Vigário Geral da Obra, Mons. Fernando Ocáriz — que defende a continuidade. Dom Basile também responde as posições rupturistas de Rhonheimer.”

    Então. Pelo menos 1 sacerdote sincero dentro da obra há.

  14. PS. E peço humildemente vossa bênção sacerdotal, Pe. João Batista. Saudações!

  15. O Quadrado não cabe no Redondo e vice-versa.

  16. Caro Fidelis,

    O senhor quer identificar onde estão localizadas algumas coisas. Como eu disse, até a noção do que é ruptura e continuidade está confusa. O que você diz sobre a FSSPX pode ser verdade, assim como seu oposto.

    Depois do Vaticano II há várias Novas Igrejas, perto da minha casa mesmo várias abriram e se acham Igrejas. Por quê? Não pode ter nascido uma ou várias novas Igrejas? O que quero dizer com esta minha ironia é que a FSSPX ou muitas outras pessoas podem dizer que há uma Nova Igreja, e isso não tira o título de CATÓLICO de ninguém, de forma alguma, impossível, pois em nenhum momento estas pessoas ou instituições dizem ou disseram que a Igreja Católica deixou de existir para dar lugar a uma ou várias novas Igrejas. A interpretação do senhor parece ter sido muito abrangente.

    O senhor diz que a herm. da continuidade é a que todo católico deve usar, e o senhor cita “Trento, Vaticano I, Calcedônia, e etc “. É essencial saber o que o senhor inclui neste “etc”, pois se o senhor não considera o Vaticano II um concílio legítimo, certamente ele não está incluído em seu “etc” e então concordo com o senhor.

    Se não houve grandes teólogos que apoiaram Dom Lefebvre, isso se deu porque o que D Lefebvre propôs não fazia muito sentido, certo?

    Se não faz sentido, estes mesmo teólogos que não apoiaram certamente tinham argumentos para isso, certo?

    Se tinha argumentos para isso, onde estão?

    Comparar qualquer confusão de qualquer outro momento da História com a atual não me parece cabível. A Igreja é testemunha viva do desastre, os fieis pelo mundo inteiro são testemunhas vivas da confusão. Não estamos falando sobre um dogma que confunde as pessoas, não estamos falando de uma heresia mesmo que gravíssima como a de Ário, estamos falando de uma inversão da Tradição nunca antes vista.

    Na minha esdrúxula opinião, de quem não sabe nem por onde começar a estudar teologia, as coisas mais graves do Concílio não foram as que ele disse e sim o que nele deixou-se de dizer. Já ouviu falar que, às vezes, a falta de evidência é a maior evidência que se pode ter? Pois bem, O silêncio em relação ao comunismo é, ao meu ver, a maior atrocidade que se poderia fazer. É como um pai que vê um filho cego tomando um líquido de uma garrafa com uma caveira na frente achando que é água, e calar-se, esperando que o filho beba. E agora, eu pergunto, a Igreja Católica seria capaz de deixar de dar um alerta destes a seus filhos? De forma alguma…e pergunto novamente: Quem se calou? A Igreja? O concílio? Um concílio da Igreja?

    E somente um alerta final, inclusive, pode até ignorar tudo que escrevi até aqui, pois a seguir é o que mais vale à pena independente de visões da crise: O senhor disse “os católicos são os que”, excluindo quem pensa diferente…para se dizer ou se insinuar que alguém não é católico, são necessárias certezas que nem a FSSPX, nem os católicos da “ruptura” e talvez nem os sedevacantistas dão ou transparecem.

    Não insinue e não diga “Não é católico!”, se não se pode ter certeza que a pessoa realmente quer deixar de ser católica. Presumir a pertinácia é algo muito, muito, muito arriscado…

    No fundo, quero apenas dizer que um católico pode errar ou estar errando sem deixar de ser católico. (E não, não sou sedevacantista…mas sem ironias agora, acho que o senhor é e não nos deixou claro)

    Um grande abraço, que a Virgem Maria nos guie,

    Vladimir Sesar

  17. Fidélis, os tradicionalistas há 50 anos impugnam “muito bem provado”, extensivamente, detalhadamente, em inúmeras obras, a ruptura do CVII com o magistério anterior. Caberia agora à autoridade competente (é o que pede Mons. Gherardini após expor sua opinião) fechar a questão, com a autoridade que ela hesita em utilizar.

    O que temos de mais importante até o momento é a resposta da Congregação para a Doutrina da Fé às dubias de Dom Lefebvre sobre a liberdade religiosa; resposta, aliás, muito mais próxima da tese do Padre Rhonheimeir, cujo artigo você desaconselha leitura, do que das propugnadas por Dom Basile…

    É simples: que o Papa utilize de sua autoridade e feche a questão de uma vez por todas, com todas as formas peculiares a um ato ex-cathedra que não deixe margem para a mínima dúvida.

    Assim se evitaria aos defensores do CVII refutar tão rápida e simploriamente uma obra como a de Mons. Gherardini com um simples “ele não é infalível”. De que adianta “provar muito bem provado” se a parte contrária no debate se limita a argumentar que Gherardini “não é infalível”…? E Dom Basile por acaso o é?

  18. Prezados padres Marcelo Garbet e João Batista,

    PAZ E BEM

    Se houvesse um o pronunciamento EX- CATEDRA de Bento XVI sobre os pontos polêmicos do concílio, resolveria toda essa celeuma ?

  19. FIDÉLIS,

    A diferença entre este concílo e os anteriores são os frutos. Acorda rapaz.!!!

  20. Concordo com Pe. Masi. Falar-se em hermenêutica da continuidade é mera diplomacia. O fato é que mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra, o CVII será revisto. Algumas afirmações serão interpretadas ( ou mesmo alteradas) para expressar o contrário do que expressam. Agora, reconheça-se, também, que a diplomacia retarda e impede a revisão pontual e incisiva do CVII.

  21. Sr. Fidelis Antônio,

    O assentimento dos fiéis se deve no mesmo grau de autoridade exercida no Concílio. Primeiro: não se diz que não se deve obediência ao Magitério Ordinário simplesmente por que não foi dogmático. isso é conclusão sua. O que se diz, e com argumentos sólidos, é que, no caso de um Magistério não infalivel, havendo erros contra a fé (o que é possível), os fiéis não estão obrigados, devido ao grau de autoridade aplicada, a abraçarem esses erros. Outra questão é sobre o silêncio em face dos erros, isto é, se os fiéis podem ou não romper com o silêncio, denunciando os erros de um Magistério não infalivel para salvaguardar a Fé, sem a qual é impossivel agradar a Deus.

    E quem responde com magistral erudição essa questão é o Padre Àlvaro Calderón, em sua obra “A Candeia debaixo do Alqueire”.

    Porventura, você leu essa obra?

    Robson

  22. Prezados amigos

    Não entrem na estratégia do seu Fidelis. Ele não refuta Dom Pozzo. Apenas expõe SUA opinião. Daí os oponentes passam a responde-lo passando ele a conduzir o debate. A tática é velha.

    – Seu Fidelis, refute Dom Pozzo, que, aliás, é da Cúria Romana.

    Quanto ao termo Igreja conciliar, foi cunhado, talvez num ato falho, pelo Cardeal Benelli, estreito colaborador do Papa Paulo VI. Suas vertentes (nova Igreja, Igreja nova) são posteriores.

    Seu Fidelis insinua que a posição de Dom Lefebvre não tem consistência teológica por ele ter sido apenas um grande missionário (isso é pouco?). Recentemente li em algum lugar que três grandes Papas não representavam nenhuma erudição nas suas formações, mas foram os que maior bem fizeram à Igreja: S. Gregorio Magno, monge beneditino; S. Pio V, pregador dominicano; e S. Pio X, vigário de aldeia.

  23. Caríssimo Fidelis Antonio,

    Impressionante ! Parabéns !

    Abraços,
    lucas

    Beato João Paulo II, rogai por nós !

  24. “Dizer que o Vaticano II não exige assentimento porque não é dogmático seria o mesmo que dizer que não se deve obediência ao Magistério Ordinário… E o Vaticano II é Magistério Ordinário Universal.”

    Falácia essa mil vezes refutadas. Ninguém diz que o magistério ordinário não se deve assentimento. O que se diz é que sendo ele falível, portanto passível de erro, todas as vezes que o erro ocorre, deve-se, ao menos, suspender o assentimento até que se fique claramente demonstrado que ele está em conformidade com a Tradição ou com as sagradas escrituras, o que sempre os sumo pontífices fizeram. Eles sempre tiveram o cuidado de demonstrar que o que eles ensinavam estavam em conformidade com o que os seus predecessores haviam ensinado. Exceto o CVII. Esse sim não foi bem aceito na Igreja e deve, os responsáveis por defendê-lo demonstrar que ele está em conformidade com a biblia e o magistério anterior.

    Aonde se encontra na Tradição que maometanos e cristãos adoram ao mesmo Deus?
    Aonde se acha que a Igreja é sacramento e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano?
    Aonde se encontra no evangelho que bastaria apenas uma vida reta, sem no entanto o conhecimento de Deus, para a salvação, como afirma a LG?

    “Nem a divina Providência nega os auxílios necessários à salvação àqueles que, sem culpa, não chegaram ainda ao conhecimento explícito de Deus e se esforçam, não sem o auxílio da graça, por levar uma vida recta”

    Aonde no Magistério anterior ao CVII se afirma que a Igreja venera as sagradas escrituras como venera o próprio corpo do Senhor? Como afirma a DV…

  25. Sagrado CVII pode ser desmacarado até por leigo! Basta ler o blogue Pacientes na Tribulação.

  26. Recordando…

    O Papa Bento XVI contrariou o Decreto Ad gentes, documento do Vaticano II que afirma existir sementes do Verbo nas relgiões pagãs. Segundo o Papa, as sementes do Verbo encontram-se na filosofia grega e não nos cultos dos pagãos.

    Então… Quem está certo: O Papa ou o Concílio?

    Robson.

  27. Aonde se encontra no evangelho que bastaria apenas uma vida reta, sem no entanto o conhecimento de Deus, para a salvação, como afirma a LG?

    Permitam-me, Pedro e demais leitores, tentar contribuir humildemente ao debate comentando brevemente a respeito deste ponto.

    Esta é uma posição aceita pela Fraternidade São Pio X. Dom Marcel Lefebvre deixou bem claro em sua “Carta Aberta aos Católicos Perplexos”, no capítulo 10:

    Tal é a doutrina da Igreja, que reconhece também o batismo de desejo implícito. Ele consiste no ato de fazer a vontade de Deus. Deus conhece todas as almas e sabe, por conseqüência que nos meios protestantes, muçulmanos, budistas e em toda a humanidade, existem almas de boa vontade. Elas recebem a graça do batismo sem o saberem, mas duma maneira efetiva. Por aí mesmo elas se unem à Igreja.

    Mas o erro consiste em pensar que elas se salvam por meio de sua religião. Elas se salvam em sua religião, mas não por meio dela. Não há salvação por meio do Islão ou pelo xintoísmo. Não há Igreja budista no céu, nem Igreja protestante. São coisas que podem parecer duras de ouvir, mas esta é a verdade. Não fui eu quem fundou a Igreja, foi Nosso Senhor, o Filho de Deus. Nós, sacerdotes, somos obrigados a dizer a verdade.

    Isso significa que de fato eles aceitaram a justificativa teológica de todos os erros modernistas do Concílio Vaticano II, inclusive a Missa Nova. Nunca existiu essa noção de salvação implícita, o Catecismo de São Pio X afirma claramente que é necessário haver no mínimo o desejo de ser batizado, ainda que implícito, o que implica em conhecer a Igreja, ou ao menos o Evangelho, e querer fazer parte dela. O que Dom Lefebvre chamou de “doutrina da Igreja” é uma invenção modernista, o bom arcebispo infelizmente enganou-se.

    Portanto, como você disse, realmente não basta somente uma vida reta. Mas a questão que eu quero levantar é a seguinte: a Fraternidade São Pio X não acredita nisso, e portanto ela não é capaz de defender a Tradição mais do que a Fraternidade São Pedro, ou o Instituto do Bom Pastor. Não importa o quanto eles se critiquem uns aos outros, todos possuem erros básicos que necessitam ser corrigidos.

    Não entrarei na questão do missal utilizado por todos esses institutos (o de 1962) por não ser pertinente ao assunto, mas esse é outro ponto que os impede de efetivamente defender a Tradição, pois esse missal é uma versão transitória pré-Novus Ordo já com reformas de Dom Bugnini.

  28. Desculpem-me por não citar adequadamente, não ficou claro na minha mensagem o que é citação de Dom Lefebvre. O seguinte foi retirado da carta mencionada:

    “Tal é a doutrina da Igreja, que reconhece também o batismo de desejo implícito. Ele consiste no ato de fazer a vontade de Deus. Deus conhece todas as almas e sabe, por conseqüência que nos meios protestantes, muçulmanos, budistas e em toda a humanidade, existem almas de boa vontade. Elas recebem a graça do batismo sem o saberem, mas duma maneira efetiva. Por aí mesmo elas se unem à Igreja.

    Mas o erro consiste em pensar que elas se salvam por meio de sua religião. Elas se salvam em sua religião, mas não por meio dela. Não há salvação por meio do Islão ou pelo xintoísmo. Não há Igreja budista no céu, nem Igreja protestante. São coisas que podem parecer duras de ouvir, mas esta é a verdade. Não fui eu quem fundou a Igreja, foi Nosso Senhor, o Filho de Deus. Nós, sacerdotes, somos obrigados a dizer a verdade.”

    Isto é, o terceiro e quarto parágrafos da minha mensagem são o que eu quis citar de Dom Lefebvre para suportar minha tese. O resto fui eu que escrevi mesmo.

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