Íntegra da entrevista de Mons. Guido Pozzo.

Apresentamos a íntegra da entrevista concedida por Mons. Guido Pozzo, secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, à Nouvelles de France.

Tradução de Christiano Oliveira

Fonte: Foco Católico

Monsenhor, qual é a finalidade do Motu Próprio Summorum Pontificum?

O Motu próprio Summorum Pontificum pretende oferecer a todos os fiéis católicos a liturgia romana no usus antiquior, considerando-a como um tesouro precioso a ser conservado. Com este objetivo, ele pretende garantir e assegurar a todos aqueles que pedem o uso da forma extraordinária assim, favorecer a unidade e a reconciliação dentro da Igreja.

Por que este sucesso da missa de São Pio V entre os jovens católicos?

Penso que o recolhimento interior, o sentido da missa como sacrifício é particularmente valorizado pela forma extraordinária. É o que explica, em parte o aumento do número de fiéis que a requerem.

A carta do Papa que acompanhou o Motu proprio indica que havia um aumento do número de fiéis requerendo o uso da forma extraordinária. Qual é a razão segundo o senhor?

A carta que acompanhou o MP apresenta as razões e as explicações que esclarecem as finalidades e o sentido do MP. É fundamental sublinhar que as duas formas do único rito romano se enriquessem mutuamente e devem, então, serem consideradas como complementares. O reestabelecimento do usus antiquior do missal romano com seu quadro normativo próprio é devido ao aumento dos requerimentos vindos dos fiéis que desejavam poder participar da celebração da Santa Missa na forma extraordinária. Trata-se, em essência, de respeitar e valorizar um interesse particular de certo número de fiéis pela Tradição e pela riqueza do patrimônio litúrgico colocado em evidência pelo rito romano antigo. È interessante que esta sensibilidade esteja presente também nas gerações mais jovens, quer dizer, entre pessoas que não foram formadas previamente à este gênero de liturgia.

Dizemos que os movimentos tradicionais suscitam mais vocações que fora deles. É verdade? Se sim, por que?

Nos Institutos que dependem da Comissão Pontificial Ecclesia Dei e que seguem as formas litúrgicas e disciplinares da Tradição, existe um aumento de vocações sacerdotais e de vocações à vida religiosa. Creio, no entanto, que uma retomada das vocações sacerdotais também pode ser constatada nos Seminários. Sobretudo onde oferecemos uma formação e uma educação ao ministério sacerdotal e à uma vida espiritual séria e rigorosa, sem as reduzir pela secularização, que, infelizmente, penetrou na mentalidade e nas formas de vida de certos cléricos e mesmo nos seminários. Isto constitui, penso eu, a causa principal da crise das vocações ao sacerdócio, crise mais qualitativa do que quantitativa. Apresentar a figura do padre em sua profunda identidade, como ministro do sagrado, quer dizer, como alter Christus, como guia espiritual do povo de Deus, como aquele que celebra o sacrifício da Santa Missa e perdoa os pecados no sacramento da confissão, agindo in persona Christi capitis, esta é a condição essencial para a implementação de uma pastoral vocacional que seja frutuosa e permita a retomada das vocações ao sacerdócio ministerial.

O senhor sabe se o Papa está satisfeito com a aplicação do MP?

A comissão pontifícia Ecclesia Dei mantém o Santo Padre informado sobre a evolução da aplicação do MP e sobre o crescimento da sua recepção, apesar das dificuldades de aplicação que constatamos aqui ou lá.

Quais são concretamente as dificuldades de aplicação que os senhores encontram?

Existe resistência por parte de certos bispos e membros do clero que não se deixam tão acessível a missa tridentina.

A instrução Universæ Ecclesiæ parece favorecer ainda mais a celebração da forma extraordinária. É o caso?

A instrução tem por objetivo ajudar a aplicação de maneira cada vez mais eficaz e correta as diretivas do MP. Ela oferece certas precisões normativas e certas clarificações de aspectos importantes para a implementação na prática.

Temos a impressão que é principalmente na França que as reações são mais epidérmicas sobre este assunto. Qual é a razão segundo o senhor?

Pode ser muito cedo para fazer uma avaliação suficientemente completa das reações à Instrução, e isto vale não só para a França. Mas me parece que pensando na situação da Igreja na França, tem que se levar em conta o fato de que existe uma tendência a polarizar e radicalizar os julgamentos e as convicções na matéria. Isto não favorece uma boa compreensão e uma recepção autêntica do documento. É preciso ultrapassar uma visão principalmente emotiva e sentimental. Trata-se – e é um dever – de recuperar o princípio da unidade da liturgia, que justifica precisamente a existência de duas formas, todas as duas legitimas, que não devem nunca ser vistas em oposição ou em alternativa. A forma extraordinária não é um retorno ao passado, e não deve ser compreendida como um questionamento da reforma litúrgica querida pelo Vaticano II. Assim também, a forma ordinária não é uma ruptura com o passado, mas seu desenvolvimento ao menos em certos aspectos.

Solicitude dos Soberanos Pontífices e Igreja universal são os respectivos títulos do MP e de sua instrução. Isto quer dizer que o objetivo é uma reconciliação com os “tradicionalistas”?

A instrução, como eu disse no início, pretende favorecer a unidade e a reconciliação dentro da Igreja. O termo “tradicionalista” é com freqüência uma formula genérica utilizada para definir coisas muito diferentes. Se, por “tradicionalistas”, entendemos os católicos que repropõem com força a integridade do patrimônio doutrinal, litúrgico e cultural da fé e da tradição católica, é claro que eles acharão conforto e apoio na instrução. O termo “tradicionalista” pode também ser entendido diferentemente e designar aquele que faz um uso ideológico da Tradição, para opor a Igreja antes do CVII e a Igreja do Vaticano II, que teria se distanciado da Tradição. Esta opinião é uma maneira deformada de compreender a fidelidade à Tradição, porque o CVII faz, ele também, parte da Tradição. Os desvios doutrinais e as deformações litúrgicas que foram produzidas depois do fim do CVII não tem nenhum fundamento objetivo nos documentos conciliares entendidos no conjunto da doutrina católica. As frases ou expressões dos textos conciliares não podem e não devem ser isoladas ou arrancadas, por assim dizer, do contexto global da doutrina católica. Infelizmente, esses desvios doutrinais e esses abusos na aplicação concreta da reforma litúrgica constituem o pretexto desse “tradicionalismo ideológico” que faz recusar o Concílio. Um tal pretexto se apóia sobre um preconceito sem fundamento. É claro que hoje não é suficiente  repetir o dado conciliar, mas é necessário ao mesmo tempo refutar e recusar os desvios e as interpretações errôneas que pretendem ter fundamento no ensino conciliar. Isto vale também para a liturgia. Esta é a dificuldade com a qual nos deparamos hoje.

“Os fiéis que requerem a celebração da forma extraordinária não devem nunca ajudar ou pertencer à grupos que neguem a validade ou a legitimidade da Santa missa ou dos sacramentos celebrados segundo a forma ordinária, ou que se opõem ao Pontífice romano como pastor supremo da Igreja universal” (instrução Universæ Ecclesiæ, §19). Esta observação visa a Fraternidade São Pio X?

Formas complementares? Papa Bento XVI na Áustria: comunhão na mão e paramentos extravagantes.

Formas complementares? Papa Bento XVI na Áustria: comunhão na mão e paramentos extravagantes.

O artigo da instrução à que você se refere concerne certos grupos de fiéis que consideram ou postulam uma antítese entre o missal de 1962 e aquele de Paulo VI, e que pensam que o rito promulgado por Paulo VI para a celebração do Sacrifício da Santa Missa é prejudicial aos fiéis. Quero precisar que é preciso distinguir o rito e a missa como tal, celebrado conforme as normas, e uma certa compreensão e aplicação da reforma litúrgica caracterizada pela ambigüidade, deformações doutrinais, abusos e banalizações, fenômenos infelizmente bastante difundidos que levaram o cardeal J. Ratzinger a falar sem hesitar em uma das suas publicações do “colapso da liturgia”. Seria injusto e falso atribuir ao missal reformado a causa de um tal colapso. Ao mesmo tempo, é preciso acolher o ensinamento e a disciplina que o papa Bento XVI nos deu na carta apostólica “Summorum Pontificum” para restaurar a forma extraordinária do rito romano antigo e seguir a maneira exemplar com a qual o Santo Padre celebra a Santa Missa na forma ordinária na São Pedro, em suas visitas pastorais e em suas viagens apostólicas.

Hoje ainda, o senhor pensa que o ensino do Concílio não é corretamente aplicado?

No conjunto, infelizmente sim. Existem situações complexas nas quais constatamos que o ensino do Concílio ainda não é compreendido. Praticamos ainda uma hermenêutica da descontinuidade com a Tradição.

Bento XVI parece muito atento à liturgia durante o seu pontificado. Isto procede?

Está absolutamente correto, mas a precisão que eu dei dizia respeito sobretudo aos grupos que pensam que existe uma oposição entre os dois missais.

A Fraternidade São Pio X reconhece esse missal como válido e lícito?

É preciso perguntar à própria Fraternidade São Pio X.

O Santo Padre deseja que a FSSPX se reconcilie com Roma?

Certamente. A carta de levantamento das excomunhões dos quatro bispos consagrados ilegitimamente por Mons. Lefebvre é a expressão do desejo do Santo Padre de favorecer a reconciliação da FSSPX com a Santa Sé.

O conteúdo das discussões que têm lugar entre Roma e a FSSPX é secreto, mas sobre quais questões e de que maneira estão se desenrolando?

O nó essencial é de caráter doutrinal. Para chegar à uma verdadeira reconciliação, é preciso ultrapassar certos problemas doutrinais que estão na base da cisão atual. Nos colóquios em curso, temos a confrontação dos argumentos entre os experts escolhidos pela FSSPX e os experts escolhidos pela Congregação para a Doutrina da Fé. No fim, redigimos sínteses conclusivas que resumem as posições expressas pelas duas partes. Os temas discutidos são conhecidos: o primado e a colegialidade episcopal; a relação entre a Igreja Católica e as confissões cristãs não católicas; a liberdade religiosa; o missal de Paulo VI. Ao termo dos colóquios, submeteremos os resultados das discussões às respectivas instâncias autorizadas para uma avaliação do conjunto.

Não parece concebível que possa haver um questionamento do CVII. Então sobre o que podem ser essas discussões? Sobre uma melhor compreensão dele?

Trata-se da clarificação de pontos para precisar o significado exato do ensinamento do Concílio. É o que o Santo Padre começou a fazer em 22 de dezembro de 2005 compreendendo o Concílio em uma hermenêutica de renovação na continuidade. Entretanto, existem certas objeções da FSSPX que fazem sentido, pois tem havido uma interpretação de ruptura. O objetivo é mostrar que é preciso interpretar o Concílio na continuidade da Tradição da Igreja.

O Cardeal Ratzinger era responsável por estas discussões há 20 anos. Ele ainda segue a evolução delas agora que ele é Papa?

Tem-se primeiro o papel do secretário que é o de organizar e velar pelo bom desenrolar das discussões. A avaliação destas cabe ao Santo Padre que segue as discussões, junto com o cardeal Levada, é informado, e dá a sua opinião. Ele faz o mesmo, aliás, sobre todos os pontos que pode tratar a Congregação.

25 Comentários to “Íntegra da entrevista de Mons. Guido Pozzo.”

  1. Mons. Pozzo, sereno, claro, direto. Espetacular!

    Apenas aponto um erro de tradução, que peço corrijam: Em “Je crois pourtant qu’une reprise des vocations sacerdotales est aussi constatée dans les Séminaires”, “pourtant” foi traduzido como “portanto”, quando em francês significa “no entanto”, “contudo”. Com essa correção a frase fica muito mais clara.

  2. “…porque o CVII faz, ele também, parte da Tradição.”

    A materialidade do Concílio faz parte da História da Igreja, mas sua essência talvez precise de melhores detalhamentos, o que talvez os grandes teólogos estejam fazendo nos colóquios entre a SSPX e Roma.

    Mas essa frase me deixou um tanto quanto interrogativo…

    Até que ponto o CVII faz parte da Tradição? Ou quem pontos o CVII faz parte da Tradição??

  3. Exatamente é esse o pensamento que deve ser seguido, o de Bento XVI, deve-se aplicar a hermenêutica da continuidade com a Tradição da Igreja!

  4. Monsenhor Pozzo disse: “O artigo da instrução à que você se refere concerne certos grupos de fiéis que consideram ou postulam uma antítese entre o missal de 1962 e aquele de Paulo VI, e que pensam que o rito promulgado por Paulo VI para a celebração do Sacrifício da Santa Missa é prejudicial aos fiéis.”

    Pergunto: Então o rito de Paulo VI não é prejudicial? Ele favorece a Fé Católica? Onde?

  5. Esse homem tem que ser elevado ao episcopado urgentemente!
    As respostas são diretas e sem nenhum rodeio.

  6. De quando é essa Missa na Áustria? :S Demorei pra identificar que era o Santo Padre.

  7. Rodrigo,

    Pergunto: Então o rito de Paulo VI não é prejudicial? Ele favorece a Fé Católica? Onde?
    Essa sua pergunta em epígrafe, deve ser endereçada ao THIAGO, que quer agradar a gregos e a troianos.

  8. Leonardo, essa missa na Austria tem alguns anos. Vale lembrar que, se não me falha a memória, segundo outras fontes, o Santo Padre teria ficado bastante irritado na época e acelerou as mudanças no seu cerimoniário (passando a, inclusive, distribuir a comunhão na boca e de joelhos). Aproveito para me desculpar pela tradução apressada, a fiz a pedido de um amigo hoje de madrugada, não sabia que acabaria publicada rs.

  9. Bem, ele não respondeu tão objetivamente quando perguntado se o trecho da instrução Universæ Ecclesiæ, §19 visava ou não a FSSPX.
    Bem, eu não sou a FSSPX, mas digo que visa. Se a FSSPX é do mesmo parecer do que está mencionado no estudo de Ottaviani e Bacci, então isso a atinge sim.
    Ela não diz que a Missa é inválida em si mesma, mas jamais aceitará a Missa Nova. Não da forma como está.
    E nem eu.
    Vamos ver se aparece alguma luz depois desses colóquios. Essa tese do papa, ainda que menos revolucionária, ao meu ver ainda é muito romântica, porque cada vez mais pessoas se conscientizam que o Vaticano II não foi apenas um concílio mal-interpretado, mas foi a coroação de um plano revolucionário que já vinha se arrastando por décadas, a ponto de, por dois momentos, dois papas diferentes (Pio XI e Pio XII) se recusarem a convocar o concílio para não dar vez nem voz aos modernistas.
    Ora, não temos que aceitar nenhuma revolução. Nem mesmo oferecida a conta gotas… Que se acertem os ponteiros com a história e com a doutrina da Igreja primeiro. A questão da missa nova não pode ser resolvida antes disso.

  10. SE O NOVUS ORDO É UM DESENVOLVIMENTO DO ANTIGO EM CERTOS APSCTOS COMO DIZ MONSENHOR POZZO POR QUE ENTÃO MANTER A MISSA TRIDENTINA ?
    PARA MIM FICA CLARO QUE A MISSA TRIDENTINA É VISTA APENAS COMO UMA OPÇÃO A MAIS NO CARDÁPIO RELIGIOSO.FICA CLARO TAMBÉM QUE EMBORA SE DEFENDA A SACRALIDADE LITURGICA COM PLAVRAS OS GESTOS MOSTRAM O CONTRÁRIO – O PAPA VAI A ÁUSTRIA USA PARAMENTOS RIDÍCULOS E DEPOIS CONDENA OS ABUSOS LITÚRGICOS ? QUANTA CONTRADIÇÃO ENTRE O FALAR E O AGIR!

  11. Como vocês vêem o que diz o Pe Paulo Ricardo,que o que vemos por ai não é a missa sendo realizada segundo o CVII.Que a missa segundo o VCII é belissima,com trechos em latim,etc….. e com isso deixando claro que o problema está em não por em prática o que foi estabelecido no CVII referente a missa,e que esse disvirtuamento que vemos seria mesmo uma desobediência ao CVII.

    Naquela linha de que o problema não é o CVII,mas a interpretação errada que fazem dele para por em prática coisas que o CVII não chancelou.

    Fiquem com Deus.

    Flavio.

  12. CARO RAFAEL,
    Tenho de levantar-me de pronto contra isso!
    Havia eu lastimado a foto dos paramentos na Áustria, mas tenho de, notoriamente, repudiar seu comentário, ademais sem nexo algum: haja visto que Sua Santidade confia aos seus cerimoniários o governo da sacristia. E veja-se bem como ele tem agido, sim, cambaleante, mas, onde estão as nossas orações para que ele não fuja diante dos lobos?
    Além do mais, esse cerimoniário da foto, por graça e bondade de Deus, intercessão de Nossa Senhora e intervenção daquele que é Vigário de Cristo nesta terra, foi substituído pelo nosso mui caro Mons. Guido Marini, veja como a mudança de um nome, nem de um sobrenome, muda totalmente: não temos um novo Enrico Dante, não, temos um que sabe manejar as coisas – e não que eu me atreva a criticar Mons. Enrico Dante, aliás, a quem muito admiro com uma quase dulia, por assim dizer, tanto ele como Mons. Perosi e Mons. Bartolucci – nos tempos hodiernos: tempos de Paulo VI, ao menos para “tridentinizar” a Santa Missa, encaminhando os fieis àquilo que a Santa Missa de Sempre nos dá!

    De fato, se há uma “continuidade” entre um rito e outro, entre uma Igreja e outra, é muito tênue, mas ubi Petrus ibi Ecclesia…

    Infelizmente eu tenho de conviver com a Missa Nova, ao menos onde vou é rezada com uma certa prudência romana, por assim dizer, embora não seja um exemplo: lacrimável é esta nossa Diocese.
    Espero que Deus Nosso Senhor, de nós, logo, tenha pena.

    Ao Flavio,
    Sim, há uma sacralidade na Missa Nova quando bem rezada, por assim dizer, mas o problema, per si, não é esse, mas sim um problema doutrinal: compare, por exemplo, as orações preparatórias ao pé do Altar, o Offertorium, dentre tantas outras: enfim, compare uma Missa com a outra e verá que lutamos não por saudosismo e por “paninho”, por enfeite, como pensam alguns, senão pela Santa Missa Santificante. Tudo o que vemos de belo na Missa Nova e que faz sentido veio senão da Santa Missa de sempre.
    Não que eu me atreva em revogar esta: a Nova, longe disso, mas, por Ottavianni e Bacci não podemos viver no consentimento de que a Missa Nova não é protestantizante: pode não ser tão, quando em latim, um dos elementos que ainda a liga com a Santa Missa de São Pio V; todavia, no vernáculo e em especial, no Brasil, onde mais do que protestantizante, faz perder a Fé, por conta da forte influência da teologia da libertação, que só escraviza e em nada liberta este povo sedento de verdade que neste deserto que é o nosso país, já vê tantas e tantas miragens.

    FSSPX…
    A quem muito admiro e dou meu apoio pelo testemunho de D. Lefebvre e de D. Fellay, em consonância com D. Antônio C. Mayer de quem, muitos na FSSPX, no que tange à Doutrina que defendeu junto a D. Lefebvre, se afastaram, tomando um radicalismo infundado e, às vezes, sedevacantista…
    O documento, acredito, tem um pingo sobre a FSSPX, não per si, mas pelos casos sobreditos.
    Mas até D. Fellay apreciou o documento de um lado. Estamos indo, por uma estrada meio tortuosa – não obstante, com a Graça de Cristo Jesus Senhor e Deus Nosso -, mas certeira, no fim das contas.

    Quanto ao Thiago e a crítica à sua pessoa, acredito que hajam pontos que são de bom uso no Concílio Vaticano II, embora não o aceite, por assim dizer, na sua atualidade e totalidade, precisamos de um esclarecimento; que ele seja, sim, corrigido, e com urgência, e que a luz e o calor da Tradição possam iluminar e queimar o lodo que se entranhou no Concílio. Espero que se dê para se salvar uma boa parcela de coisas boas deste Concílio.

    Mas eu tenho sempre um quê de maçonaria da parte dos cardeais e da parte dos papas desse concílio…
    Sempre tem esse cheiro: por inúmeros, e inúmeros mesmo, fatores.

    Roguemos a Nossa Senhora da Boa Viagem que nos guie à Glória da Santa Igreja em Cristo Jesus Senhor e Deus Nosso.
    Nossa Senhora do Carmo, ora pro nobis.
    Assim, in Cordis Iesu et Mariae, semper,
    escrevo como Higor Ribeiro da Costa, P.

  13. A Questão dos paramentos usados pelo Papa já foi acima explicada! Mais respeito pelo Sumo Pontífice, por favor!

  14. Existe resistência por parte de certos bispos e membros do clero que não se deixam tão acessível a missa tridentina.
    É que n ensinam no seminário sobre a Missa Tridentina. Fico indignada com esse povo! Se o CVII é a continuidade da Tradição, pq teve tanta mudança e NENHUM papa fez nada?
    Foi concedido mais acesso aos carismáticos, e outros movimentos ( n é à toa que movimento dá enjoo) e para Missa restrições. Precisamos de um papa que faça acontecer e que dê menos entrevistas e escreva menos livros – ou nenhum, já que a opinião privada dele pode ser diferente da sua posição de papa.

    Depois fica esse povo com gritinhos de viva papa, viva beato, viva sei lá mais o quê e depois vem com perguntas acéfalas: até quando? ATÉ QUANDO O CVII FOR TIDO POR SAGRADO, ele é uma carta branca que tem que ser rasgada.

  15. A Missa Nova DO MISSAL já é problemática em si mesma, em que pese o uso do latim, do gregoriano, posição ad orientem, proibição de meninas-acólitos, ministros da Eucaristia, cânon romano, etc.
    Quando o ex prefeito do Santo Ofício – o CARDEAL OTTAVIANI e o cardeal Bacci – fizeram um exame crítico da Missa Nova, não usaram a Missa Afro, nem as missas carismáticas, e muito menos as missas das CEBs; eles analisaram a Missa tal como estava prevista no missal, com essas belezuras todas que o padre Paulo Ricardo, os demais neo-conservadores, a ala ratzingeriana da cúria e o próprio papa tanto dizem.
    Só não enfatizam muito O QUE é tão bom, tão elevado e tão digno de enriquecer o missal de 1962. Só dizem que existe tal coisa… Talvez, afinal não há mal absoluto mesmo…

  16. ‟Seria injusto e falso atribuir ao missal reformado a causa de um tal colapso.″……….
    …..
    …..
    ….
    …………definitivamente……………………………………………não…..
    .
    .
    .
    Mons Gherardini tem razão: o tempo da simples declamação deve chegar ao fim.

    Até agora não vi uma só pessoa que demostre que o Mistério Pascal é um invenção da FSSPX….aguardo

  17. Começando do último comentário que vi: (junho 9, 2011 às 11:04 pm) Pe. Alejandro Rivero.
    Gostei da colocação: isto é para os que vão contra a FSSPX!
    Ela defende, sim, a Tradição, coisa que é difícil. Fácil é defender a Santa Missa, mas só a Lex Orandi, e a Lex Credenti, a Sã Doutrina, onde fica?
    ‟Seria injusto e falso atribuir ao missal reformado a causa de um tal colapso.″? Definitivamente não, Lex Orandi, Lex Credenti, recordo-me do prof. Orlando Fedeli, quando mencionava – mas, claro, ele sempre deixou claro que era sua própria opinião, coisa que não pregava, apenas que eu vi certa vez -, a Missa Nova de Paulo VI, lembrava da profecia de Daniel sobre o Sacrifício. Tenho de concordar com aquilo que vemos hoje, gostaria que o Pe. Alejandro Rivero pudesse falar com mais profundidade acerca disto: ele é Padre e tem autoridade para falar.
    O Mistério Pascal, se for invenção, só pode ter sido de Deus Senhor Nosso para nos salvar, coisa que a FSSPX, junto com toda Igreja Católica Apostólica Romana, fora da qual não há salvação, e da qual muitos tem saído mesmo estando “dentro” dela…

    Concordo com o Thiago, aqui às vezes tem um cheiro sedevacantista e cismático, às vezes até herético, por parte de alguns, não nenhum em particular, mas certos dizeres n’alguns comentários.

    Ao Bruno L. Santana, em consonância com sua pessoa, como disse: LEX ORANDI LEX CREDENTI. O problema na Igreja é pela Missa Nova, não per si (em relação à sua validade, coisa que às vezes também me pergunto) , mas por tudo o que não está contido nela: Doutrina Infalível que a Santa Madre Igreja sempre ensinou e professou.

    À Ana Maria Nunes, discordo e concordo…
    “É que n ensinam no seminário sobre a Missa Tridentina. Fico indignada com esse povo! ”
    Nem me fale, sei bem o que é a resistência, não só nos seminários, mas também nas paróquias: enfim, filhos do Bispo, os padres, não é?

    “Precisamos de um papa que faça acontecer e que dê menos entrevistas e escreva menos livros – ou nenhum, já que a opinião privada dele pode ser diferente da sua posição de papa.
    Depois fica esse povo com gritinhos de viva papa, viva beato, viva sei lá mais o quê e depois vem com perguntas acéfalas: até quando? ATÉ QUANDO O CVII FOR TIDO POR SAGRADO, ele é uma carta branca que tem que ser rasgada.”
    Ok! Até a parte da divergência entre opinião e o que ele precisa professar, dado o seu Múnus, tudo bem.
    Sobre o Vaticano II, e não que eu o defenda, em hipótese alguma, mas… vamos com calma… Aguardemos, Sua Santidade está procedendo, lentamente, mas está procedendo, veja o que S. E. R. D. Fellay disse, leva-se tempo.
    Quanto ao povo, é o mais prejudicado, por falta de catequese.

  18. HIGOR , QUANTO AO PAPA CONFIAR O GOVERNO DA SACRISTIA A OUTREM NÃO LHE IMPEDE DE REJEITAR CATEGORICAMENTE UM PARAMENTO MESMO QUE SEJA APRESENTADO PELO MELHOR E MAIS ZELOSO SACRISTÃO DO MUNDO.O PAPA É SUMO PONTÍFICE NÃO ESTÁ OBRIGADO A SE SUBMETER A UM CERIMONIÁRIO.APELAR PARA ESSA DE QUE – HA O PAPA NÃO SABIA !!!! NÃO ME CONVENCE E HÁ MUITOS QUE TAMBÉM NÃO.ESSE ARGUMENTO DE QUE O PAPA NÃO SABIA , DE QUE A SANTA SÉ NÃO SABE , DE QUE O BISPO NÃO SABE , NÃO É CONVINCENTE- SE NÃO SABEM DEVERIAM SABER POIS É OBRIGAÇÃO DELES ; E SE SABEM POR QUE NÃO AGEM ?

    AO THIAGO : PEÇA ANTES MAIS RESPEITO COM A SAGRADA LITURGIA , OU SERÁ QUE O SANTO PADRE NÃO ESTÁ OBRIGADO A ISSO ? NÃO HOUVE NENHUMA FALTA DE RESPEITO COM O PAPA APENAS FIZ UMA CONSTATAÇÃO : CONTRA FATOS NÃO HÁ ARGUMENTOS.

  19. APESAR DA DESTRUIÇÃO OPERADA NA IGREJA NOS ÚLTIMOS 40 ANOS DEUS ESTÁ NO COMANDO : TUDO QUE VEM ACONTECENDO É PRA CUMPRIR A PROFECIA DE SÃO APULO SOBRE O MISTÉRIO DA INIQUIDADE E A MANIFESTAÇÃO DO ANTICRISTO.SÃO GREGÓRIO MAGNO COMENTANDO A PROFECIA DE JESUS COM RELAÇÃO AO ESCURECIMENTO DA LUA NO TEMPO FINAL , FALA QUE ISSO SE REFERE A IGREJA QUE REFLETE E LUZ DE CRISTO – NO TEMPO DO FIM ELA FICARÁ COMO QUE MORTA ; ESTE TEMPO CHEGOU !

  20. Rafael, sua resposta me soou engraçada, e não ironicamente, mas sinceramente: pois foi uma das coisas que eu mais pensei: imagina Sua Santidade rejeitando categoricamente paramentar-se àquela maneira e mandando trazer direto de Roma todas as Vestes e Insígnias “Pontifico-Papais”. Soa engraçado, engraçadamente engraçado: eu imaginei o Papa tento quase um “escândalo” ao ver aquilo. hehehe
    Sim, eu concordo nesse aspecto sim, pode ter sido um erro, pode ter sido um “jogo de cintura”, o que não deixa de ser, por assim dizer, um erro…
    Bom, quanto à Santa Sé saber ou não saber e o Papa saber ou não saber, acho que isso acontecia – com mais veemência, pois hoje acontece sim, com muito menor frequência, mas acontece – no Pontificado de João Paulo II com a Secretaria de Estado regida por Sodano, mas Sua Santidade não saber das coisas? Haha! Contem-me outra aqueles que dizem isso – e nisto concordo com você, Rafael -, Sua Santidade desde que era Prefeito do Santo Ofício sabe de cada detalhe que chegava ao Vaticano, acredito que, como Papa, a situação não tenha mudado muito.
    Se ele não age: eu tenho uma pequena explicação (não é abrangente, mas é certo): cisma!
    Se o Vigário de Cristo faz alguma coisa contra esse episcopado colegialista, haverão muitos cismas: como dizia João Paulo II: há um cisma silencioso na Igreja.
    Sim, você pode e tem até o direito de me contestar, mas, veja, será que Sua Santidade não está fazendo o máximo possível para unir a Igreja e, quem sabe em breve, fazê-la “voltar” à Tradição: é um passo difícil tanto de ser dado como de ser pensado e planejado e temos de levar isso em consideração.

    Quanto ao Thiago: sim, concordo com o Rafael sob o seguinte aspecto: não é bom, nem conveniente, fazer concessões, dizia Mons. Jaelson de uma santa – da qual, o nome, não me recordo – que dizia que de concessão em concessão se destrói a Igreja…

  21. Ao Ferreti : Não tinha visto o primeiro aviso por isso postei de novo em maiúscula, desculpe!

    Ao Higor : Não era certamente preciso trazer de Roma paramentos substitutos;bastava pedir uma casula mais digna.Se há um cisma na Igreja então que ele se torne público.Se a Santa Sé prefere não agir para não concretizar o Cisma presta um desserviço a salvação das almas pois assim sendo o povo fica sob a tutela de Bispos e Padres cismáticos – permitir que os fiéis sejam guiados por prelados cismáticos é jogá-los no inferno.Ora é papel da Igreja alertar os fiéis quanto aos lobos que ameaçam a salvação do rebanho.
    Que pastores são esses que deixam o rebanho do Senhor nas mãos dos lobos ?
    Eu não creio em Cisma – o que há é bem pior : heresia ou quiça apostasia ; no mínimo heresia generalizada.
    O que tem sido feito não é um retorno a tradição : a entrevista de Monsenhor Pozzo deixa isso claro – o que querem é apenas uma síntese entre passado e presente , não há uma rejeição categórica destes ultimos 40 anos , não veem os graves problemas da missa nova ( que embora não seja herética é reducionista não expressando de modo claro os mistérios da fé ) da pastoral nova , do diálogo com o mundo, etc.Tudo foi só um erro de interpretação; ora me pergunto : por que houve tal erro senão por que durante estes ultimos anos o Magistério se negou a definir doutrina, preferindo o caminho do diálogo em vez do exercício inequívoco de seu poder docente? E se há problemas de interpretação por que o Papa não dogmatiza de uma vez uma interpretação do Concílio ? Se o poblema é de interpretação então que se dê a interpretação definitiva ; no entanto parece que o atual magistério não quer nada definitivo- busca-se antes a síntese de posições contrarias , a conciliação ….uma ´sintese feita nesses moldes vai produzir uma antítese e ai se buscará uma nova síntese , em suma aplicam – não sei se consciente ou não – um esquema dialético a doutrina e liturgia: tudo deve sempre evoluir para novas formas de realização do cristianismo na história.Essa mentalidade rompe com uma certeza católica – a imutabilidade da fé.

  22. Rafael, espero que não me tenha interpretado errado: não foi a sua colocação que me pareceu engraçada, é que eu sempre imagino Sua Santidade fazendo queixa a um cerimoniário seu dos paramentos. hehehee

    Bom, a questão do cisma, tanto como eu dissera como você agora, de maneira bem urgente e atual, é mui delicada e, além do mais, você encontrou uma palavra que eu não via a um certo tempo e que já houvera quase esquecido por não muito ver, mas que, tem um sabor peculiar, terrível, e que é, de fato, entranhada na nossa Igreja após o Concílio Vaticano II ter introduzido a fumaça de Satanás dentro do Templo de Deus: apostasia.
    Tenho de, infelizmente, concordar com você. Não porque é “você”, porque você, como vejo, é católico. Graças a Deus! Mas é pelo fato de não querer que as coisas não estivessem no patamar em que estão.
    Bom, minha resposta: esperemos em Deus…
    E não falo isso com tom amigável e consolador, mas com tom desolado e desconsolado, de quem, por assim dizer, já perdeu as esperanças, em tudo, menos em Deus, em Sua amada Igreja e no Espírito Santo que a assiste.
    Esperemos em Deus… E rezemos por Sua Santidade, e pela Igreja.

    V/.Veni, Sancte Spiritus,
    R/. Reple tuorum corda fidelium, et tui amoris in eis ignem accende.
    V./ Emitte Spiritum tuum et creabuntur;
    R./ Et renovabis faciem terrae.

    Oremus

    Deus, qui corda fidelium Sancti Spiritus illustratione docuisti, da nobis in eodem Spiritu recta sapere, et de eius semper consolatione gaudere. Per Christum Dominus nostrum. Amen.

    E continuemos vigilantes: combatentes e orantes.
    Eis que Ele Está conosco “até o fim dos tempos”.