O que pedimos a Deus quando rezamos pela unidade dos cristãos?

Assembléia Geral da CNBB em Aparecida.

Assembléia Geral da CNBB em Aparecida.

Para alguns católicos incautos, a chamada Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que se celebra anualmente entre o domingo da Ascensão e o do Pentecostes, tem por finalidade rezar para que todos reconheçam a verdade ensinada pela Igreja Católica e retornem à Comunhão com o Papa. São os otimistas de sempre, incapazes de perceber o óbvio diante de si: pois estes encontros não visam a conversão de ninguém, antes, pretendem colocar no mesmo pé de igualdade todas as igrejas e relativizar a adesão total ao dogma cristão, especialmente sobre a Eucaristia, o Sacerdócio, o Papado, a Virgem Maria, etc.

Até quando estes adoradores do Vaticano II vão defender este ecumenismo doentio que acaba por destruir os fundamentos do Catolicismo em nome duma unidade quimérica em torno da “caridade”, entendida de forma desvinculada da verdade? Vivem numa utopia que minimiza todos os pontos doutrinários e morais, olhando avidamente para o que une, tal como se alguém defendesse uma nota falsa de dinheiro, dizendo que devemos olhar para as semelhanças com uma nota autêntica (sic!). Este ecumenismo responde a uma visão autenticamente protestante, já que para o Protestantismo, a Igreja de Cristo é essencialmente invisível e está presente onde se prega o Evangelho e se celebram os sacramentos (cf. Lutero). Sendo assim, todos os que se dizem cristãos já pertencem por direito e de fato à Igreja de Cristo, diferentemente da visão católica que supõe a comunhão de fé, de sacramentos e de submissão hierárquica numa unidade visível.

A única unidade que eles desejam ao estilo tradicional, i.e., com submissão total ao Papa e adesão a toda a doutrina que se ensina hoje, é para a Fraternidade São Pio X e não para os protestantes. Poderíamos nos perguntar: por que tanta vontade de submeter a FSSPX aos princípios do ecumenismo, da liberdade religiosa e da adesão ao Vaticano II e ao Novus Ordo, enquanto que para com as outras religiões se oferece sempre misericórdia e compreensão?

Alguém já acenou um dia: “Se eu for a um culto protestante, ou chamar um pastor para pregar na minha paróquia, na Igreja me chamarão de ecumênico e me parabenizarão; se me encontrar com muçulmanos, chamar-me-ão de aberto ao diálogo inter-religioso; se eu for a uma cerimônia numa Loja Maçônica, dirão que tenho o espírito aberto ao diálogo com o mundo; mas, se pelo contrário for amigo de um padre da Fraternidade São Pio X, se me aproximar duma de suas capelas ou seminário, imediatamente gritarão: excomungados, cismáticos, rebeldes… Por que uma reação tão contraditória?” Se alguém puder decifrar este enigma que no-lo conte.

Vide alguns exemplos tirados das últimas semanas:

No Rio de Janeiro:

“Muitas igrejas que não compartilham desse sentimento ecumênico pensam que é todos os cristãos estarem debaixo da mesma instituição, isso não é possível. A unidade acontece justamente dentro da diversidade de dons que existe. Essas diferenças são o que as enriquecem. Juntos, como igrejas unidas, podemos construir um novo tempo para nossa sociedade, por isso somos chamados discípulos e discípulas do Senhor, no batismo.” Leia o restante dessa matéria aqui.

Em Recife:

 “Unir-se em torno do ensinamento dos apóstolos chama as Igrejas a se constituírem como Igrejas pascais, abertas à missão e capazes de dialogar com o mundo atual. A comunhão fraterna e a repartição do pão recordam que a vocação da Igreja cristã é ser profecia de um mundo novo e de partilha’, enfatizou dom Fernando [arcebispo de Olinda e Recife]. Em seguida, o pastor Milton reforçou a unidade proposta por Jesus. “Meu sentimento é que como povo de Deus somos um. Somos parte do corpo de Cristo, que nos faz um. Nós somos irmãos.”

 “Os discursos sobre o desenvolvimento escondem o que está acontecendo. Há pessoas de todos os lugares trabalhando em condições questionáveis e longe da família. Além do desenvolvimento de redes de prostituição infanto-juvenil e tráfico de drogas nos canteiros de trabalho. Eu acredito muito numa coisa: o único caminho que leva à unidade é o serviço à vida, aos mais necessitados”.

Leia o restante dessa matéria aqui.

* * *

Assim, por exemplo, muitíssimos destes negam a necessidade da Igreja de Cristo ser visível e perceptível, pelo menos na medida em que deva aparecer como um corpo único de fiéis, concordes em uma só e mesma doutrina, sob um só magistério e um só regime. Mas, pelo contrário, julgam que a Igreja perceptível e visível é uma Federação de várias comunidades cristãs, embora aderentes, cada uma delas, a doutrinas opostas entre si.”

“Assim, de que vale excogitar no espírito uma certa Federação cristã, na qual ao ingressar ou então quando se tratar do objeto da fé, cada qual retenha a sua maneira de pensar e de sentir, embora ela seja repugnante às opiniões dos outros?

E de que modo pedirmos que participem de um só e mesmo Conselho homens que se distanciam por sentenças contrárias como, por exemplo, os que afirmam e os que negam ser a sagrada Tradição uma fonte genuína da Revelação Divina?

Como os que adoram a Cristo realmente presente na Santíssima Eucaristia, por aquela admirável conversão do pão e do vinho que se chama transubstanciação e os que afirmam que, somente pela fé ou por sinal e em virtude do Sacramento, aí está presente o Corpo de Cristo?

Como os que reconhecem nela a natureza do Sacrifício e a do Sacramento e os que dizem que ela não é senão a memória ou comemoração da Ceia do Senhor?

Como os que crêem ser bom e útil invocar súplice os Santos que reinam junto de Cristo – Maria, Mãe de Deus, em primeiro lugar – e tributar veneração às suas imagens e os que contestam que não pode ser admitido semelhante culto, por ser contrário à honra de Jesus Cristo, “único mediador de Deus e dos homens”? (1 Tim. 2,5)”

Carta Encíclica Mortalium Animus de Sua Santidade, o Papa Pio XI.

10 Comentários to “O que pedimos a Deus quando rezamos pela unidade dos cristãos?”

  1. Dom Feranando Saborido é m triste exemplo do qur temos como Bispos catolicos no brasil: tudoe que é experiencia libertaria ele faz na diocese: grito dos excluídos, seminarista estudando na universidade católica (que de católica não tem nada), vivr de conversas com o ex-padre Reginaldo veloso (excomungado) por Dom José, em função das posturas anticatoilcas.. enfim está destruindo a obra de seriedade que Dom José Cardoso construiu.

  2. “Estamos en medio de la semana de oración para la unión de Cristianos. Es una devoción que tiene su origen en 1899, cuando un ministro anglicano, Lewis Thomas Wattson, se convirtió a la fe católica. Había visto tanta división entre los Protestantes, y notó que la Iglesia católica ha sido siempre igual en enseñar las mismas verdades a través de los siglos. Muy valiente, intentó a predicar en los templos anglicanos que ellos tenían que regresar a la Iglesia católica, pero le persiguieron y no le permitieron predicar así. Fue recibido en la Iglesia católica, y San Pio X, fundó su comunidad. El inició una octava de oración para la conversión de todos los protestantes a la Iglesia Católica, (hoy de hecho rezamos por los anglicanos), y el Papa Benedicto XV extendió esta devoción a la Iglesia Universal. La Octava se llama la Octava de la Cátedra de Unidad, ya que comienza el 18 de enero, la fiesta de la Cátedra de San Pedro, y termina el 25 con la conversión de San Pablo.

    Es muy importante recordar este titulo de la Octava, que señala para nosotros qué es el objeto de un verdadero ecumenismo, a saber- unión con y sumisión a el sucesor de San Pedro, el vicario de Cristo, el Papa. Y la Iglesia ha condenado infaliblemente muchas veces un indiferentismo, o pan-cristianismo, que busca una unión entre todos los cristianos, como si una unidad perfecta no existiera ya en la Iglesia católica que Cristo fundó.”

    (Do sermão do Pe. Andrrew Romanoski, FSSP, sobre o Ecumenismo). Quem quiser, mando o sermão inteiro. Só pedir pelo meu email: fidelis1917@gmail.com.

  3. Sr. Fidélis, só faltou o senhor provar que a semana para a oração pela unidade dos cristãos promovidas hoje pela CNBB (tão incensada por certos bispos que andam até com o broche dela na lapela) e também pelo Conselho Para a Unidade dos Cristãos é a mesma aprovada não só por São Pio X, mas também por Leão XIII. O rótulo é o mesmo, mas… e o conteúdo?

  4. Olha o que disse o Papa PIO XI:

    A Igreja Católica não pode participar de semelhantes reuniões

    Assim sendo, é manifestamente claro que a Santa Sé, não pode, de modo algum, participar de suas assembléias e que, aos católicos, de nenhum modo é lícito aprovar ou contribuir para estas iniciativas: se o fizerem concederão autoridade a uma falsa religião cristã, sobremaneira alheia à única Igreja de Cristo

    Portanto, dado que o Corpo Místico de Cristo, isto é, a Igreja, é um só (1 Cor. 12,12), compacto e conexo (Ef. 4,15), à semelhança do seu corpo físico, seria inépcia e estultície afirmar alguém que ele pode constar de membros desunidos e separados: quem pois não estiver unido com ele, não é membro seu, nem está unido à cabeça, Cristo (Cfr. Ef. 5,30; 1,22).

    União Irracional

    Assim, de que vale excogitar no espírito uma certa Federação cristã, na qual ao ingressar ou então quando se tratar do objeto da fé, cada qual retenha a sua maneira de pensar e de sentir, embora ela seja repugnante às opiniões dos outros?

    E de que modo pedirmos que participem de um só e mesmo Conselho homens que se distanciam por sentenças contrárias como, por exemplo, os que afirmam e os que negam ser a sagrada Tradição uma fonte genuína da Revelação Divina?

    Como os que adoram a Cristo realmente presente na Santíssima Eucaristia, por aquela admirável conversão do pão e do vinho que se chama transubstanciação e os que afirmam que, somente pela fé ou por sinal e em virtude do Sacramento, aí está presente o Corpo de Cristo?

    Como os que reconhecem nela a natureza do Sacrifício e a do Sacramento e os que dizem que ela não é senão a memória ou comemoração da Ceia do Senhor?

    Como os que crêem ser bom e útil invocar súplice os Santos que reinam junto de Cristo – Maria, Mãe de Deus, em primeiro lugar – e tributar veneração às suas imagens e os que contestam que não pode ser admitido semelhante culto, por ser contrário à honra de Jesus Cristo, “único mediador de Deus e dos homens”? (1 Tim. 2,5).

    http://www.vatican.va/holy_father/pius_xi/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_19280106_mortalium-animos_po.html

  5. Uma sugestão minha: A CNBB poderia convidar o P. Romanoski, FSSP, para pregar como pregou (conforme o trecho postado pelo sr. Fidelis Antonio), na Semana da Unidade dos Cristãos do ano que vem.

  6. Ora essas declarações presentes no site da arquidiocese do RJ deixam claro que o evento ecumênico foi pautado por relativismo eclesiológico.

    “Unir-se em torno do ensinamento dos apóstolos chama as Igrejas a se constituírem como Igrejas pascais, abertas à missão e capazes de dialogar com o mundo atual.”

    Jesus mandou os apóstolos dialogarem com o mundo ou ensinarem aos povos? Um certo diálogo é até possível desde que seja pautado pela verdade , mas não é esse o que se propõe : o que é proposto é sempre uma simpatia pelo mundo, uma adoção dos anseios do tempo. A Igreja e o espírito do mundo são duas realidades opostas.

    “A comunhão fraterna e a repartição do pão recordam que a vocação da Igreja cristã é ser profecia de um mundo novo e de partilha’, enfatizou dom Fernando ”

    Profecia de um mundo novo para esses hereges é socialismo.Falam de repartição do pão mas não da presença real de Cristo na eucaristia , reduzem tudo a uma ceia que não é nem mesmo a de Lutero mas a ceia socialista igualitária.

    O são ecumenismo ( o retorno dos hereges a unidade da Igreja Católica ) só existe na UT Unum Sint , ou seja é um ecumenismo de papel; na prática vigora o mais amplo relativismo.

  7. “O são ecumenismo ( o retorno dos hereges a unidade da Igreja Católica ) só existe na UT Unum Sint , ou seja é um ecumenismo de papel; na prática vigora o mais amplo relativismo.”
    CONCORDO PLENAMENTE COM VC, CARO IRMÃO….
    É o que fizeram tambem, e fazem, com o Concílio Vaticano II que dizem amar e seguir…
    Bando de hipócritas….

  8. Lembremos que a frase citada do evento do Rio foi dita por um “bispo” anglicano, e não pelos católicos,,,

  9. Muito providencial o assunto, logo em uma semana que fomos ” brindados” aqui em BH, que é o antro da TL, por uma palestra em que a palestrante, desdenhava abertamente o Concílio de Trento para deleite de alguns, palestra esta voltada para catequistas, onde entre outras coisas, ela afirmava que nós não deveríamos perder tempo falando do Antigo Testamento com as crianças, ou adultos, pois temos que falar sempre de Jesus. Belas palavras, não fosse esculpidas em cima de gnosticismo puro. A manobra de hoje é bem suscinta; deixando de falar no Antigo Testamento, logo, não falaremos mais do plano de salvação de Deus para o mundo, deixando de falar do AT, logo não saberemos mais o que é sacrifício, e não sabendo mais o que ´SACRIFICIO”, não será dificil para que os protestantes consigam seu intento; transformar o Sacrificio Perfeito de Jesus em mero simbolismo, em banquete, e assim se cumprirá o que está escrito em Isaías 24, ” romperam com a aliança eterna” , ” os homens cometeram uma traição”. Já não podemos mais usar palavras e termos católicos dentro da própria Igreja, como “Primeira Comunhão”, “confissão” , “catequese”
    “transubstanciação”, dizem que são termos ultrapassados, mas suspeito que como as outras coisas das quais a Igreja teve que abrir mão de sua identidade, estas ” proibições” sejam apenas para não ofendermos nossos irmãos protestantes, no mais limpo exemplo de ecumenismo. Já podemos dizer que estamos sofrendo ‘bulling cristão”

  10. Ao ler o relato da Mônica fica evidente que a Igreja de BH é qualquer coisa menos Católica – é uma Igreja separada , cismática , herética.

    E Giovanni embora a frase tenha sido dita por um anglicano por que foi colocada no site da Arquidiocese do RJ ?
    Estranho não ?
    Diálogo ecumêncio sério deveria ser pautado não por esses encontros amigáveis mas por disputas teológicas como era feito na idade média.Esses encontros não levarão a nada- ninguém ali está procurando a verdade mas apenas uma unidade – falsa – aparente em cima de alguns valores comuns.Enquanto isso as seitas crescem a custa da Igreja Católica.