A resistência: martírio de São John Fisher e de São Thomas More.

S. Tomas More

Por Bruno Luís Santana

Restava fazer que o povo aceitasse essa substituição de poder. Ordenou-se que todo o clero pregasse durante vários domingos seguidos sobre a supremacia real. Consciente da importância adquirida pela imprensa como meio de propaganda, Henrique VIII multiplicou os livros e brochuras. Houve para todos os gostos: desde uma edição mutilada do Defensor Pacis, de Marsílio de Pádua, e uma adaptação do Diálogo entre um clérigo e um cavaleiro – velha máquina de guerra francesa que datava das lutas de Filipe o Belo contra o papa Bonifácio VIII -, até compilações de documentos coligidos por John Foxe e tratados de Gasrdiner e de Sampson. Cada uma dessas publicações proclamava que se devia obediência ao rei em todos os domínios, e uma dessas apologias chegou a citar como exemplo o cesaropapismo de Bizâncio!

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Toda essa propaganda, no entanto, demorou a produzir os seus frutos. Notava-se o descontentamento popular por muitos sinais. Quando Catarina de Aragão aparecia em público, aclamavam-na. Nunca se falara tão bem do Papa como agora que, ao fazê-lo, se atiravam pedras contra o rei. Profetizava-se que Ana acabaria por ser queimada viva. Predizia-se também uma próxima intervenção do “bom imperador Carlos V”, que viria restabelecer nos seus direitos “as fiéis esposas” (Carlos V, imperador do Sacro Império Romano-germânico, era sobrinho da rainha Catarina). Não havia, porém, uma oposição organizada: na sua grande maioria, o clero avaliava mal o significado das atitudes que lhe pediam e, impressionado pelo prestígio monárquico, submetia-se; e foram poucos os ingleses que se recusaram a prestar o juramento de fidelidade às novas leis do Estado. Mas mesmo essas oposições isoladas incomodavam Henrique VIII e sua alma danada, Cromwell, e os dois decidiram atacar.

Orações pela canonização dos então beatos Morus e Fisher.

Orações pela canonização dos então beatos Morus e Fisher.

Começou então aquilo que Green, o grande historiador do povo britânico, chamou “o terror inglês, comparável apenas à ditadura de Robespierre”. Durante dez anos, o cadafalso e a forca, permanentemente armados, tornar-se-iam meios de governar. Nenhuma classe social seria poupada. As primeiras vítimas foram escolhidas entre os frades, que no conjunto, mostravam mais firmeza que os padres seculares. À cabeça, uma estranha vidente, a “Santa Filha de Kent”, Elisabeth Barton, a quem se atribuíam dons de taumaturga e de profetisa e que fora visitada pelas mais altas personagens, entre as quais Wolsey (clérigo corrupto que outrora tentou contemporizar a crise entre Henrique VIII e a Santa Sé, e terminou em desagraça, tendo a sorte de infartar antes de chegar a Londres, o que o poupou da forca), Fisher e More: acusada de ter invectivado “o rei impudico” e de ter anunciado a sua próxima queda, foi presa, exposta no pelourinho e depois executada, juntamente com os seus pretensos cúmplices, todos clérigos.

A seguir, foi a vez dos franciscanos de estrita observância. O seu mais célebre pregador, William Peto, “novo Miquéias”, ousou condenar “o casamento ilegítimo” na presença do próprio rei; ameaçado de ser cosido num saco e lançado ao Tamisa, replicou: “Ao céu se chega tanto por água como por terra”. As sete casas da Ordem foram fechadas e os seus religiosos dispersos ou condenados ao exílio; cerca de cinqüenta morreram na prisão.

Mais terríveis ainda foram os maus-tratos infligidos aos cartuxos. Quando se impôs o Ato de Supremacia, os monges recusaram-se categoricamente a prestar juramento e uma repressão atroz caiu sobre eles: três dos seus priores foram presos e conduzidos a Londres, amarrados sobre grades de madeira arrastadas por cavalos; depois, os carrascos estenderam-nos sobre cepos, arrancaram-lhes o coração e as entranhas e em seguida mergulharam-lhes a cabeça e os membros em alcatrão para que, tomando consistência, os seus pobres restos fossem expostos na Torre ou às portas da cidade (Aos três cartuxos juntaram um padre da Ordem fundada por Santa Brígida e o velho e venerável Padre Hale). Outros cartuxos, mais felizes, foram simplesmente enforcados ou decapitados, e muitos morreram de frio e de fome na prisão. Assim o novo chefe da Igreja inglesa implantava no seu reino a lei de Cristo…

São John FischerEpisódios tão chocantes impressionaram profundamente os espíritos ingleses. No entanto, estava reservada a duas altas figuras do humanismo a missão de emocionar a opinião pública de toda a Europa pelo seu sacrifício e heroísmo. John Fisher (1459-1535) era, sem dúvida alguma, o mais notável representante dessa pequeníssima elite episcopal inglesa que desejava a reforma interna da Igreja e, sem a esperar de fora, punha em prática os seus princípios. “O seu palácio episcopal de Rochester”, dizia-se na altura, “assemelha-se, pelas regras que observa, a um mosteiro, e pela ciência a uma Universidade”. Humanista requintado, restaurador dos estudos em Cambridge, apaixonado pelo grego, que aprendera aos quarenta e sete anos, possuía também um temperamento invulgar, de uma nobreza e gravidade agradavelmente matizadas pelo bom humor. Confessor da rainha, tomou imediatamente o partido de Catarina contra Ana Bolena, que o detestava.

Preso pela primeira vez em 1530, por ter desaprovado as leis sobre os benefícios eclesiásticos, e pela segunda vez em 1533, por ter criticado publicamente o divórcio, gozava contudo de tal prestígio que hesitavam em fazê-lo desaparecer. O Ato de Supremacia foi a sua perda. Lançado pela terceira vez na prisão e privado – embora octogenário – de qualquer conforto, resistiu a tudo e recusou-se a jurar o documento. Talvez Henrique VIII tivesse desistido de matá-lo se o papa Paulo III não o tivesse feito cardeal, quer porque ignorasse a violenta oposição entre ele e o rei, quer porque assim esperasse salvá-lo. Imediatamente o déspota entrou em fúria: “Não terá cabeça onde pôr o chapéu!”, zombou. Entregue a um tribunal especial, Fisher foi condenado à morte por alta traição, depois de um desses simulacros de processo que Macaulay viria a definir como “assassinatos precedidos de algumas palhaçadas”. Até o fim, a atitude do ancião foi a de um mártir dos tempos antigos, vestindo-se para o suplício como para um dia de núpcias e brincando com o seu criado, que estava aterrorizado. As suas últimas palavras foram o versículo do salmo: In te Domine speravi, e ele mesmo se adiantou a colocar a cabeça sobre o cepo. Correu por Londres o rumor de que Ana Bolena pedira que lhe trouxessem a cabeça ensangüentada do santo bispo e que, mal a viu, a esbofeteou.

Este suplício foi perpetrado em 22 de junho de 1535. Duas semanas depois, outra glória da Inglaterra subia os degraus do cadafalso: Thomas More (1478-1535). Por uma rara e providencial coincidência, era a véspera da festa da Trasladação das relíquias de São Thomas Becket, londrino como ele, como ele antigo chanceler do reino, e como ele martirizado pela liberdade da Igreja e pelo primado da Sé Apostólica. More fora nomeado chanceler ao fim de uma carreira brilhante, devida unicamente aos seus méritos. Sucessivamente advogado, deputado na Câmara dos Comuns e subprefeito de Londres, tinha conquistado quase a contragosto a estima do rei, que ele sabia volúvel e pronto a desdizer-se. Considerava as honras como deveres e os cargos mais pesados como verdadeiras alegrias em Deus. Posto à frente da justiça do seu país em 1529 – uma promoção inaudita para um leigo e um plebeu -, não alimentava ilusões sobre a solidez da sua posição. “Se a minha cabeça valesse para o rei uma praça fortificada na França”, dizia ele ao genro que o felicitava, “não permaneceria muito tempo sobre os meus ombros”. Conhecia bem o seu senhor e descobriu imediatamente no “grande assunto do Rei” – no “King’s great matter” – o drama que se preparava.

nb_pinacoteca_holbein_sir_thomas_more_1527_new_yorkEra um homem distinto, um dos santos mais simples e mais humanos que se conhece. Não se notava nele nenhuma arrogância, frieza ou rabugice, mas a alegre serenidade e a transparência dessas almas que, tendo resolutamente optado pelo céu, podem oferecer à terra uma paz inesgotável. Tal como o vemos nos magníficos retratos que dele fez Holbein – o dos Uffizi, em Florença, é o mais belo – e tal como o descreveram os seus amigos, tinha um rosto sorridente, olhos joviais de um cinzento azulado e lábios sempre prontos para a réplica vivaz. “É um homem capaz de fazer-me dançar na corda bamba”, dizia dele o seu amigo Erasmo de Roterdam. Ao mesmo tempo, tinha o espírito muito bem apetrechado e a inteligência muito bem formada; estava a par de todas as pesquisas da sua época e era um apaixonado pelas idéias novas – numa palavra, um humanista completo. O amor às letras levara-o a fazer da sua casa uma espécie de pequena academia platônica, onde os filhos, as filhas, os genros e os amigos rivalizavam em conhecimentos de uma cintilante erudição. E, em apoio desse edifício perfeito, possuía também as mais sólidas bases de caráter e uma firmeza sempre igual perante as tentações do sucesso e as provações. A grandeza da sua morte, preparara-a ele ao longo de toda a vida, através da meditação e do silêncio. “O homem é um prisioneiro, um condenado à morte em expectativa”, dizia prazerosamente, mas dizia-o com o sorriso de quem se alimenta da fé. Assim era esse santo, um santo a quem se ama e com quem desejaríamos parecer-nos.

A sua religião harmonizava-se perfeitamente com a nobreza do seu caráter: tolerante para com os homens, isenta de dogmatismos, mas firme nos princípios. O humanismo cristão – na linha de Marsílio Ficino, de Pico della Mirândola, de Guilherme Budé e de Erasmo – Ao menos nele encontrou o mérito supremo de tudo fazer por amor a Deus e à Igreja Católica. Para ele, a natureza humana, a respeito da qual não tinha ilusões, não era irremediavelmente maculada e perversa; desde que se deixasse penetrar pela seiva da graça, podia abrir-se tanto para a razão como para a caridade fraterna. O seu livro Utopia, que fora publicado em 1516 e rapidamente se tornara célebre (mas repleto de erros fatais), expusera amavelmente essa doutrina, evocando a vida de uma terra imaginária, onde o rei seria eleito, todos os bens postos em comum, o clero designado pelos fiéis e o Evangelho seria a lei (ou seja: uma verdadeira utopia sem base na realidade…).

Poderemos dizer que essa doutrina, de cujas amáveis páginas está ausente o dogmatismo, roça pelo reformismo luterano? Talvez, e a princípio More – como Erasmo de Roterdam e como o cavaleiro humanista Von Hutten, amigo de ambos – acompanhou com certo prazer divertido a agitação produzida em Wittenberg. Mas muito em breve os exageros do antigo agostiniano Lutero o chocaram. Em 1529, condenou esses exageros no seu Diálogo sobre as heresias, uma pequena obra-prima cheia de verve, e depois, na Súplica das Almas, denunciou como falsa a concepção luterana dos votos monásticos e das indulgências. Sustentou também uma viva polêmica com o protestantizante Tyndale, mostrando que o pretenso recurso à doutrina primitiva não passava de um sofisma e que a Tradição era simplesmente a adaptação de uma mensagem única e fundamental às formas cambiantes das sociedades.

Era evidente que um homem dessa natureza não estava talhado para entrar no jogo do rei e aceitar as razões inteiramente pessoais que Henrique VIII tinha para desobedecer às leis da Igreja. Fazendo-o chanceler, não teria o soberano pensado em confiscar-lhe a autoridade intelectual? Se foi assim, cometeu um erro! No entanto, ao contrário de Fisher, More não se pronunciou imediatamente. Enquanto a sua consciência não esteve em causa, guardou silêncio, desaprovando particularmente o divórcio, mas sem querer dar a menor impressão de trair o seu rei e de incitar o povo à revolta. Quando se impôs fazer a escolha, quando o “Ato de Sucessão”, transformado em lei de Estado, obrigou todas as altas personagens a tornar-se cúmplices do casamento ilegítimo, Thomas More afastou-se silenciosamente: invocando como pretexto a sua pouca saúde, abandonou a Chancelaria e preferiu retirar-se para a calma da sua casa em Chelsea.

Infelizmente, os seus inimigos do clã de Ana Bolena estavam de olho nele. Intimado a jurar o Ato, tentou esquivar-se sem alarde, mas os arqueiros do rei vieram prendê-lo em 17 de Abril de 1534 e levaram-no para a Torre. Viveu na prisão durante catorze meses, com uma serenidade e uma nobreza de que nos dão provas as suas cartas e últimos escritos. Meditou a Paixão do Senhor e redigiu um tratado sobre a Maneira de suportar a adversidade. À mulher e à filha, que lhe perguntavam por que não imitava tantos homens excelentes e se submetia ao rei, voltando a desfrutar da sua amada biblioteca, respondia, apontando para as paredes da sua masmorra: “Esta casa não estará também perto do céu?” Foram-lhe confiscados os bens, e a esposa teve de vender os seus vestidos para enfrentar os gastos domésticos. De que raro discernimento não precisou esse homem para defender, praticamente só – contra o rei, contra o Parlamento, contra a maioria do clero e contra a sua própria família -, não o pequeno soberano italiano de Roma, mas o próprio princípio do primado de Pedro e da unidade da Igreja! Quando chegou a hora de escolher, nenhuma hesitação perturbou a sua alma. Em vão o próprio Cromwell foi visitá-lo à prisão, convidando-o a submeter-se e jurar o Ato de Supremacia. No dia 1º de julho de 1535, naquela mesma sala de Westminster Hall onde tantas vezes administrara a justiça, foi condenado à morte.

Então, já sem o receio de parecer rebelde, sem ter de tomar mais nenhuma cautela, Thomas More levantou-se, muito calmo, e perante esse tribunal de lacaios e covardes disse o motivo por que aceitava a morte: “Visto que estou condenado – e que Deus sabe de que maneira! -, quero falar livremente da vossa lei, para alívio da minha consciência. Estudei a questão durante sete anos. Em parte alguma, em doutor nenhum aprovado pela Igreja, pude ler que um príncipe secular tenha o direito de ser Chefe da Igreja”. “E daí!?”, exclamou o novo chanceler, Andley. “Quereis que vos consideremos mais sábio e de melhor consciência que todos os bispos e nobres do reino?” “Mylord, por um bispo da vossa opinião, tenho eu uma centena de bispos da minha, e pelo vosso Parlamento – Deus sabe de que espécie! -, tenho eu todos os concílios gerais desde há mil anos; por um reino, tenho a França e todos os reinos da cristandade”. “A vossa malícia é agora evidente”, interrompeu Norfolk (do clã da Bolena). “O que digo é necessário à consciência e à satisfação da minha alma. Apelo para o juízo de Deus, que perscruta o coração dos homens. A Igreja é uma e indivisível, e vós não tendes autoridade alguma para fazer uma lei que quebre a unidade cristã”. A essas palavras, somente o carrasco podia responder. Passaram-lhe o assunto para as mãos. Mostrando-se benevolente, Henrique VIII comutou em decapitação a pena de forca e esquartejamento, reservada aos traidores, que o tribunal lhe impusera. E a cabeça do “melhor de todos os ingleses”, como o qualificou o cardeal Reginald Pole, rolou sobre o cepo.

As reações a esse assassinato jurídico foram extremamente vivas em toda a Europa. Três semanas depois do martírio, circulava por toda a parte uma das últimas cartas do santo, traduzida para o francês, o latim, o espanhol, o alemão e o holandês. O papa falou em depor Henrique VIII, mas nem Francisco I de França nem Carlos V se dispuseram a comprar uma briga de tal calibre. O cardeal Pole, amigo de Fisher e de More, e como eles adversário do cisma, refugiado na Itália, tentou inutilmente provocar uma intervenção. O déspota vingou-se mandando para o cadafalso o seu irmão Montague, os tios e até a própria mãe, a condessa de Salisbury. De nada adiantavam os protestos contra o autocrata. Aos reis estrangeiros, Henrique VIII limitou-se a responder que castigara uns traidores, e, para provar o seu zelo religioso, mandou queimar catorze anabatistas.

No entanto, que pensaria ele no seu íntimo? Stapleton conta que, ao ter conhecimento da execução de More, no meio de uma partida de dados, o rei se levantou, muito pálido, tomado de um ridículo remorso. Lançou um olhar sinistro em direção a Ana Bolena e, sem propósito, exclamou: “Sois vós a responsável!” E o sangue do novo João Batista viria a cair sobre a cabeça dessa Herodíases: um ano mais tarde, dia por dia, também ela seria executada.

(John Fisher e Thomas More foram canonizados em 1935, bem como cerca de cinqüenta mártires, vítimas de Henrique VIII)

ROPS, Daniel. A Igreja da Renascença e da Reforma (I) A reforma protestante. Ed. Quadrante, São Paulo, 1996. Pgs 447 a 452 (com adaptações)

8 Comentários to “A resistência: martírio de São John Fisher e de São Thomas More.”

  1. Eis a o que os protestantes fizeram contra a Igreja de Cristo e seus fiéis. É preciso divulgar isso a todos os fiéis.

  2. Que belo texto!
    Obrigada por postá-lo! Talvez tempos assim estejam se aproximando de nós novamente…

    Santos mártires ingleses,
    rogai por nós.

  3. Cum Petrus et sub Petrus!

    Com dignidade, sobriedade, serenidade e humildade acima de tudo.
    .
    A alma dos Santos não são almas de “vaticanistas de botequim”, de “barraqueiras de feira”, de conversas tolas e sem uma real e nobre intenção. Só há “lavagem” e desonestidade.
    Do que vale argumentos rasteiros com acesso somente ao “fígado” ou ao “estômago”, em relação aos que vão direto ao cérebro e ao coração.
    Ao núcleo da Alma…

    Da-lhe homens de plena comunhão com a Santa Igreja!
    Aqui lutamos sob o julgo dos que nos acusam de tudo, é “bala” que vem de dentro e de fora da igreja…sob o julgo de tantas mazelas e desgraças que temos e vivemos, enxugar o rosto santo de Nosso Senhor, como fora a vera ícone, da feliz Verônica.

    Deus é testemunha, e fazendo o plágio, “do que prescuta o coração dos homens”.

    Nosso sacrifício não será em vão. Assim será lembrando no dia de nosso julgamento.
    Que como todos, também temerei por tantos erros e pecados em minha vida.
    Mas nossa cruz, nossa esperança!

    Sancte Thomas Mourus et Sancte Iohannes Fischer, orare pro nobis!
    Ad Majorem Dei Gloriam!

    Salve Maria!
    E.M. RVGarcia

  4. Só uma dúvida…

    O texto é do Bruno, que usou o Rops como fonte; É do Rops, adaptado pelo Bruno; ou é do Rops, enviado pelo Bruno?

    A mim, pelo menos, não me ficou claro…

    De qualquer forma, excelente o texto!

  5. que falta faz a Igreja pessoas com essa fé.

  6. O texto é do Bruno ou do Daniel Rops?

  7. O texto é do Daniel-Rops, adaptado por mim.
    Por exemplo,na linha 13 o acréscimo entre parêntesis é meu, pois o texto original não frisa que o “Bom imperador Carlos” como era chamado o Imperador, pelo simples fato deste ter tido o potencial de deter Henrique VIII (assim imaginavam os ingleses descontentes com o repudio à rainha Catarina) era sobrinho de Catarina de Aragão, que por sua vez era filha dos “reis católicos” de Espanha.
    Também, na linha 34, eu acrescentei dados sobre o cardeal Wolsey, porque ele foi apenas citado nesse trecho do livro, e achei por bem ajudar a instruir os leitores, visto que Wolsey havia sido cardeal-chanceler da Inglaterra, antes de Thomas Morus, e ao contrário do santo, preocupava-se sobretudo em agradar o rei. Não era um homem de origem ilustre, mas conseguiu reunir a maior fortuna da Inglaterra, naquela época, fora que passou a ser o segundo em poder – abaixo apenas do rei – e tinha a seu serviço centenas de empregados domésticos. Depois que caiu em desgraça, acusado de corrupção, (Henrique VIII dizia que ele desejava manobrar para ser eleito o próximo papa e mandar nele!), e de ter ludibriado o rei, protelando o divórcio, Wolsey morreu antes de ir à torre, e suas últimas palavras teriam sido: “Se eu tivesse servido a Deus como servi o rei, Ele não teria me abandonado na velhice!”.
    Na linha 125, quando Rops fala no livro de Thomas Morus, Utopia, o faz sem nenhuma ressalva.
    Ora, a Utopia é igualitária. A Utopia é um desejo de viver fora do mundo verdadeiro, do mundo real. Esse mundo perfeito e imaginário de Morus, enquanto lido apenas a nível de informação, ainda consegue “descer goela abaixo”. Mas o perigo neste caso reside na mente de todos os que pretendem transformar essa ou qualquer outra utopia em REALIDADE. Um mundo igualitário não é exatamente a utopia do marxismo? Thomas Morus não poderia ser reivindicado como inspirador de um mundo onde as desigualdades colocadas por Deus nas criaturas seriam odiadas como um mal em si mesmo? Ora, como católicos, sabemos muitíssimo bem que as desigualdades são boas e desejadas, desde que se mantenham de acordo com a natureza, desde que se mantenham como degraus… Pode parecer atrevimento de minha parte, mas se Daniel-Rops era acusado de filo-modernismo, e se ele limita-se apenas a elogiar a Utopia sem maiores explicações, eu, pelo RASO conhecimento que tenho no assunto, me senti obrigado a colocar essas ressalvas, porque se não as pusesse, ao meu ver, estaria propagando veneno aos leitores.
    E tenho que concordar: o texto é muito bonito. Mas Daniel-Rops é um autor que se lê com prazer, mas é muito sutil nesses detalhes…

  8. Mártires da fé e da verdade ,são um dos maiores exemplos de amor a cristo e sua igreja ,que todos nós católicos possamos se inspirar nesses dois grandes santos. são Tomas More e são John Fischer ,rogai por nós !!!