O Papa e o poder simbólico da Tiara.

A coroa papal desenvolveu uma longa e interessante história de si mesma ao longo da história de Igreja. Bento XVI não a usa mais, embora recentemente ela lhe tenha sido presenteada por um grupo de católicos romanos e cristãos ortodoxos orientais.

Andrea Tornielli  – Vatican Insider | Tradução: Fratres in Unum.com

Não é por falta de Tiara: O executivo alemão Dieter Philippi presenteou o Papa com uma tiara durante a audiência geral da última quarta-feira. Philipp coleciona chapéus eclesiásticos. Ele mandou fazer a tiara em Sofia, capital da Bulgária, por um estúdio dirigido por ortodoxos. Foto: Osservatore Romano.

Não é por falta de Tiara: O executivo alemão Dieter Philippi presenteou o Papa com uma tiara durante uma audiência geral. Philipp coleciona chapéus eclesiásticos. Ele mandou fazer a tiara em Sofia, capital da Bulgária, por um estúdio dirigido por ortodoxos. Foto: Osservatore Romano.

Cidade do Vaticano – Embora a tiara presenteada ao Papa fosse uma das coroas pontifícias mais clássicas e tradicionais, Bento XVI, contudo, esquivou-se de usá-la. Se ela fosse um sombreiro, um chapéu alpino ou o chapéu tradicional de alguma tribo exótica, ele a teria usado qualquer dia. Mas o Papa Ratzinger olhou atentamente para a tiara que lhe foi presenteada durante a audiência papal das quartas-feiras na Praça de São Pedro por um grupo de cristãos católicos e ortodoxos. A tiara, que foi fabricada na capital búlgara de Sofia por cristãos ortodoxos do estúdio Liturgix, lhe foi ofertada por Dieter Filippi, um empresário alemão profundamente devotado ao Papa.

A tiara papal, também conhecida por “Triregnum”, é uma coroa em formato cônico, muito semelhante à coroa litúrgica que ainda é usada pelos bispos nas Igrejas ortodoxas orientais. Ela era usada por pontífices em ocasiões solenes até 1963, ou seja, antes da coroação de Paulo VI. Depois da coroação, Paulo VI decidiu vender a coroa a fim de doar os recursos aos pobres. A partir desse momento, o Papa começou a usar sempre a mitra Episcopal como chapéu durante as liturgias. Ela também é chamada de triregnum por causa das três fileiras em formato de coroa, simbolizando o poder do pontífice. A finalidade de seu formato era tornar visível a superioridade do Papa sobre os soberanos. A tiara é encimada por um pequeno globo com uma cruz.

Embora seu uso litúrgico tenha cessado e Bento XVI a tenha eliminado de seu brasão pessoal, substituindo-a pela mitra (embora esta tenha três níveis), a tiara e as chaves cruzadas continuam sendo o brasão da cidade do Vaticano. Ela começou a ser usada entre os séculos IX e X. À medida que o poder temporal foi aumentando, a tiara foi se tornando mais e mais elaborada, embelezada com jóias. Uma segunda coroa foi acrescentada por Bonifácio VIII (em 1298 ou 1301), enquanto uma terceira coroa foi acrescentada por Bento XII em 1342: após a tentativa em vão do papa na época de transferir a Sé Pontifícia de Avignon de volta para Roma, esta foi a maneira de enfatizar a soberania universal da Igreja.

Algumas tiaras estão conservadas no Vaticano hoje em dia, algumas das quais são incrivelmente valiosas. Entretanto, entre estas existe também a tiara de papel maché com a qual Pio VII havia sido coroado em sua eleição em 1800 durante o Conclave que ocorreu em Veneza, enquanto Roma estava sendo ocupada pelas tropas de Napoleão. Esta tiara, com o seu peculiar formato de míssil, formato de cone do nariz, usada por Paulo VI no dia de sua coroação, é a última tiara presenteada pelos milaneses.

Simpatia: Em 2005, após falar com bombeiros em audiência pública, Bento XVI vestiu um capacete; em 2010, ao receber o bispo de Bispo de São Gabriel da Cachoeira, vestiu um colar indígena.

Simpatia: Em 2005, após falar com bombeiros em audiência pública, Bento XVI vestiu um capacete; em 2010, ao receber o bispo de São Gabriel da Cachoeira, vestiu um colar indígena.

Na Constituição Apostólica Romano Pontifici eligendo (1975), o Papa Montini deixou em aberto a possibilidade para a repetição da cerimônia de coroação. O seu sucessor, o dócil João Paulo I, não ligou muito para o assunto, muito menos João Paulo II – que na Constituição Universi Dominici gregis (1996) substituiu a cerimônia de coroação pela Missa para a Inauguração do Pontificado – e Bento XVI.

Entretanto, poucos estão cientes de que o Papa Wojtyla também foi presenteado com uma tiara pessoal, que ele nunca usou. Ela tem um estilo medieval e lhe foi dada pelos católicos húngaros. Agora, Bento XVI também tem a sua própria coroa pessoal, que lhe foi apresentada em nome da unidade dos cristãos. Uma coisa é certa: este símbolo de poder e supremacia papal não será ostentado em público.

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10 Comentários to “O Papa e o poder simbólico da Tiara.”

  1. É uma pena!

  2. Não usar a coroa pontifícia pode significar duas coisas : ou que não se quer mais frisar a soberania universal do Papa para facilitar o diálogo com o mundo ou que está soberania já não seja mais reconhecida …creio que o gesto de não usar a tiara se deve ao primeiro caso e isso é grave !
    Essa mania de reduzir o poder da Igreja para agradar o mundo , para não chocar os não católicos é absurdo!

  3. Se a Tiara significava apenas o poder temporal dos papas, de fato, não faz mais sentido usá-la porque o papa não tem poder temporal nenhum que ultrapasse o Estado do Vaticano – não seria sinal da “superioridade do Papa sobre os soberanos.” A não ser que se fale de um poder espiritual ou haja significado espiritual. Talvez Bento XVI a pudesse usar para mostrar a continuidade da Tradição (como resgatou o uso da férula).

  4. Ledo engano quem acredita que não há poder no Papado… não fosse ele instituido divinamente!
    O Papa é o personalidade mais temida e respeitado do mundo, combatem-no, mas não diretamente (ainda não). Aqueles que o fazem são chinfrins e ninguém lhes dá atenção. Cada palavra, cada gesto e cada viagem de SS são minuciosamente acompanhados e antecipadamente combatido. Se o Papa usar qualquer das Tiaras será um alvoroço geral… até posso antever. Por fim… ele lidera mais de um bilhão de pessoas…. que lider político pode afirmar coisa semelhante!!??

  5. Tinha que se fazer uma campanha pelo uso…

  6. Sei lá, viu! É muito otimismo ainda dizer somos um bilhão, se fizer pente fino: rá, só por Deus!

  7. O que falta ao Papa e aos clérigos é, serem mais Homens e não “Politicamente corretos” e sim “Teologicamente correto”. Agradam aos homens e desagradar a Deus.

  8. Tinha que se fazer uma campanha para mudar a formação do papa para o tomismo, porque não adianta ele desfilar de tiara e ter pensamento hegeliano..

  9. Acho uma ostentação.Não resolve nada.João XXIII usou e Paulo VI também e deu no que deu.

  10. Bruno, um senhor da idade do papa n tem mudança assim fácil, n! É mais fácil conseguir o twitter de Deus!