Odes modernas: O Templo. Antero de Quental.

Recebemos do amigo Rodrigo Ruiz:

Envio-lhe, em anexo, uma poesia de Antero de Quental (recebi-a esta manhã de um amigo, Armando Braio Ara) na qual o poeta português (que se suicidou em 1891) faz um sinistro prenúncio da Missa Nova. A poesia em questão foi publicada na obra Odes Modernas, em 1861. Leia, caro Ferretti e veja o quanto ela é assustadoramente verdadeira acerca de tudo o que vemos hoje.

I

O Povo há de inda um dia entrar dentro do Templo

E há de essa rude mão erguer-se sobre o altar

E há de dar de piedade um grande e novo exemplo,

E, ao pulpito subindo, o mundo missionar

Heis de essa voz solemne ouvir — na nave augusta

O canto pouplar ao longe soará,

E a pedra, carcomida às mãos do tempo e adusta

Anciosa palpitando, o hymno escutará!

O Povo há de fazer-se, então, bispo e levita;

E será missa nova a missa que disser:

E há de achar ao sermão por thema o que medita

Hoje confuso e está na mente a revolver.

Então, por essa imensa abobada soando,

Há de correr o som de um orgão colossal;

E uma outra cruz no altar, outro esplendor lançando

Há de radiar luz nova às letras do missal.

Dia sancto há de ser esse de festa extranho!

Com a calosa mão o Povo toma a cruz

Amostra-a à multidão e — Christo na montanha —

Missiona… e a fronte, emtanto, inunda-se de luz!

Então o seu olhar será como o espelho

Doce, que o filho tem no olhar de sua mãe

E, tendo numa mão erguido o Evangelho,

Com a outra aponta ao longe, o vago espaço, o além…

II

Ninguem o dia sabe certo: emtanto, vemos

Pelos signaes do céo que a aurora perto está…

Pelas constelações é que esse espaço lemos…

A estrella do pastor desmaia… Ei-lo vem já!

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Sabeis que missa nova é que diz o povo?

E o orgão colossal que, em breve, vae soar?

Qual é o novo altar e o Evangelho novo?

E o thema do sermão que às gentes vae prégar?

O Evangelho novo é a biblia da Egualdade:

Justiça, é esse o thema immenso do sermão:

A missa nova, essa é a missa da Liberdade:

E o orgão a acompanhar… a voz da Revolução!

8 Comentários to “Odes modernas: O Templo. Antero de Quental.”

  1. De tremer…
    e entristecer.

    Além de poeta,
    foi profeta.
    só não sei se com esses versos,
    ele festeja ou lamenta.

  2. Assustadoramente “profético”! Embora conheça quase tida a obra, não conhecia – mea culpa, como português – esta Ode de Antero de Quental.

    Profecia ou rumores (ainda) escondidos?

  3. Eu já conhecia este poema – Estava no artigo “A religião do Concílio Vaticano II”, do Prof. Orlando Fedeli

    @Lúcio Clayton: Antero de Quental era maçom e anticatólico. Ele está claramente festejando a previsão – Pois ele só disse o que estava há muito planejado por “eles”.

  4. Caro Ferretti, muito obrigado pela publicação! Deus lhe pague!

  5. muito obrigado pela explicação Mateus.

  6. Mais terrível que ver a “profecia” é constatar o seu cumprimento nos dias hodiernos…

    Olha aí, as profecias maçônicas se cumprindo: essa supracitada já sabemos que é fato.

    Resta-nos saber se aquela do dia 13 de maio de 1917, às portas do Vaticano – no dia em que Nossa Senhora apareceu a primeira vez em Fátima e que S. S. Pio XII, à época, Padre Eugenio Pacelli, era sagrado Bispo -, acerca de um futuro (àquela época) Papa que chamar-se-ía Paulo é verdade.

    Vale lembrar que o único papa chamado Paulo, prenunciado pelos maçons, defronte à Basílica de São Pedro, foi afastado pelo então Papa, Pio XII, de junto da Cúria, Sagrado Bispo – como Pastor e Baluarte da Fé da Santa Igreja – no dia em que Nossa Senhora apareceu em Fátima pela primeira vez…

    Teria o primeiro alguma relação com o Terceiro Segredo de Fátima que até hoje é escondido em sua completude e que este último fez de tudo para que não se cumprisse?

  7. Que acerto, impressionante, é o plano da Maçonaria se tornando concreto. ou melhor, já se concretizou.