O Professor Ratzinger? Bom demais.

Em um primeiro exame, tende a promover a todos, mesmo aqueles grupos e movimentos que logo lhe trarão grandes desilusões. Três casos de estudo: os neocatecumenais, os monges de Vallechiara e os Arautos do Evangelho.

por Sandro Magister – Tradução: Fratres in Unum.com

ROMA, 26 de agosto de 2011 – Como lhes é tradicional, os neocatecumenais participaram em grande número da Jornada Mundial da Juventude, em Madri. E acrescentaram ali o seu “day after”, esta também uma segunda tradição.

Na tarde de segunda-feira, 22 de agosto, eles se reuniram na centralizada Plaza de Cibeles, para celebrar o rito do “chamado” ao sacerdócio ou à vida religiosa, com seu fundador Francisco José Gómez Argüello, apelidado Kiko, atuando como âncora, rodeado pelo arcebispo de Madri, Antonoi María Rouco Varela, e por dezenas de outros bispos de todo o mundo [ndr: entre eles, o bispo da Administração Apostólica São João Maria Vianney, Dom Fernando Arêas Rifan]

A praça estava repleta de neocatecumenais de diversas nações, 180 mil ao todo, dos quais 50 mil eram italianos e 40 mil espanhóis.

Exatamente 750 chegaram de somente duas paróquias de Roma, a cidade em que o Caminho Neocatecumenal está mais presente.

O “chamado” teve uma resposta massiva. Cerca de 9 mil jovens de ambos os sexos se deslocaram da praça para o palco, para receber dos bispos a benção sobre suas escolhas vocacionais.

Ao inflamar a multidão, Kiko não deixou – como faz com freqüência — de se vangloriar do apoio do então professor de teologia Joseph Ratzinger ao estabelecimento do Caminho Neocatecumenal na Alemanha, em 1974.

Naquele ano, Stefano Gannarini e outros discípulos italianos de Ratzinger em Ratisbona, informaram-lhe que tinham ingressado no Caminho Neocatecumenal, em Roma, e que ficaram entusiasmados.

Seu entusiasmo contagiou o professor Ratzinger, que quis encontrar em sua casa, para jantar, Kiko e a outra fundadora do Caminho, a ex-freira Carmen Hernández.

O encontro se estendeu até o dia seguinte, por vontade de Ratzinger, então bispo auxiliar de Munique.

E pouco mais tarde, Ratzinger escreveu a dois de seus amigos sacerdotes da diocese de Munique, recomendando-lhes calorosamente que desenvolvessem o Caminho em suas paróquias. O que realmente ocorreu.

Como toda vez que conta este episódio, também em Madri, Kiko releu enfaticamente algumas frases dessas duas cartas de Ratzinger.

O que não muda o fato de que o Caminho tenha criado, posteriormente, momentos difíceis ao próprio Ratzinger, convertido em prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e, por último, em Papa.

Os textos do catecismo escrito por Kiko e Carmen para a formação dos membros do Caminho – até agora mantidos em segredo – demandaram efetivamente treze anos de revisões e correções pela Congregação para a Doutrina da Fé, antes de serem aprovados em 2010.

E também a forma com que os neocatecumenais celebram a Missa e os outros sacramentos foram objeto de reclamações e correções insistentes, que nem sempre chegaram a bom porto, por parte das autoridades vaticanas.

Se em 1974 o então jovem professor Ratzinger tivesse tido conhecimento dos defeitos do Caminho nas esferas da doutrina e da liturgia, seu entusiasmo teria dado lugar a uma maior cautela.

E este não é o único caso em que Ratzinger pecou por um excessivo otimismo inicial ao julgar os novos movimentos religiosos que depois lhe deram motivos de preocupação.

*

Um destes casos remete à Família Monástica Fraternidade de Jesus, estabelecida nos anos 80 em uma zona rural não distante de Castel Gandolfo, com várias dezenas de monges e monjas.

O fundador, o padre Tarcisio Benvenuti, deu o nome alusivo de Vallechiara a seu novo mosteiro e atraiu rapidamente as visitas e a simpatia de ilustres eclesiásticos, desde o arcebispo de Viena, Christoph Schönborn, até o arcebispo de Canterbury e primaz da Igreja anglicana, Rowan Williams.

Também o príncipe Carlos da Inglaterra, em 2002, visitou o mosteiro e as atividades da fazenda. E também o então Cardeal Ratzinger.

Ratzinger se entusiasmou tanto que em 8 de março de 2004 escreveu de próprio punho ao abade Benvenuti uma longa carta, cheia de elogios e encorajamento, ainda reproduzida no sítio da web da comunidade:

> “Stimato e caro padre Abate…”

Naquele mesmo ano, inclusive amadureceu no Vaticano o propósito de confiar à Família Monástica Fraternidade de Jesus o cuidado da basílica romana de São Paulo Fora dos Muros, no lugar dos monges beneditinos que residiam ali há muitos séculos, pouco numerosos e envelhecidos:

> Turnover a San Paolo fuori le Mura: arrivano i nuovi monaci contadini (3.9.2004)

Mas este foi o início do fim para o Padre Benvenuti e os seus. Os beneditinos, os verdadeiros, se levantaram contra eles, que consideravam falsos imitadores. E começaram a trazer à luz as numerosas e graves falhas da comunidade. Em 2007, já como Papa, Ratzinger enviou um abade beneditino para efetuar uma visitação apostólica, que produziu resultados desastrosos.

A comunidade foi colocada sob supervisão. O fundador e o co-fundador, os padres Benvenutti e Zeno Sartori, foram primeiramente transferidos aos mosteiros beneditinos de Praglia e Novalesa, e depois exilados em um santuário situado nas montanhas da Áustria, em St. Corona AM Wechsel, na arquidiocese de Viena.

Em 12 de abril de 2010, veio o golpe final. A congregação vaticana para a Vida Religiosa, presidida pelo Cardeal Franc Rodé, redigiu o decreto de supressão da Família Monástica Fraternidade de Jesus, decreto aprovado em forma específica por Bento XVI em 22 de abril seguinte.

*

Outro caso digno de estudo: os Arautos do Evangelho. São o único movimento católico de formação recente citados nominalmente por Bento XVI no último livro-entrevista “Luz do mundo”.

E citou para elogiá-lo: são “jovens cheios de entusiasmo por terem reconhecido em Cristo o Filho de Deus e por anunciá-lo ao mundo”; são a prova que também no Brasil – onde nasceram – “se assiste a grandes renascimentos católicos”.

A partir do Brasil, os Arautos do Evangelho se difundiram em dezenas de países. Em Roma estão a cargo da igreja de São Bento em Piscinula. São leigos e leigas consagradas, com alguns sacerdotes. Vivem em comunidade e vestem um uniforme quase militar de aspecto neo-medieval (ver foto).

Obtiveram o reconhecimento da Santa Sé em 2001. Mas seu fundador, Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, provém de uma estirpe anterior e famosa, a do movimento Tradição, Família e Propriedade, conduzido por Plínio Corrêa de Oliveira (1908-1985), de quem foi o colaborador e o intérprete mais próximo. Monsenhor Scognamiglio Clá Dias escreveu uma tese de doutorado sobre o pensamento e a vida de Corrêa de Oliveira.

Assim como a Tradição, Família e Propriedade, os Arautos do Evangelho são um movimento católico marcadamente tradicionalista e conservador, no extremo oposto das correntes católicas latino-americanas que se nutrem da Teologia da Libertação.

O conflito entre estas duas tendências teve recentemente por palco o vicariato apostólico de San Miguel de Sucumbíos, um posto avançado de missão na área amazônica do Equador, na fronteira com a Colômbia.

Até pouco tempo, este vicariato era dirigido por um bispo carmelita, Gonzalo Marañón López, simpatizante da teologia da libertação, e, conseqüentemente, das comunidades de base, da leitura popular da Bíblia e da criatividade litúrgica.

A Congregação para a Evangelização dos Povos, presidida pelo Cardeal Ivan Dias, não estava contente. E em 2007 enviou o arcebispo brasileiro de Petrópolis, Filippo Santoro, para realizar uma visitação apostólica.

No outono de 2010 seguiu a substituição do bispo Marañón López pelo sacerdote argentino Rafael Ibarguren Schindler, da Sociedade Clerical “Virgo Flos Carmeli”, o ramo sacerdotal dos Arautos do Evangelho.

O Cardeal Dias confiou oficialmente ao padre Ibarguren e aos Arautos do Evangelho a tarefa de reorganizar o vicariato “de modo diferente” com relação à organização anterior, rechaçada por “não estar sempre conforme a exigência pastoral da Igreja”.

Mas à sua chegada, os recém-chegados encontraram imediatamente a áspera oposição dos dirigentes por eles substituídos.

Seguiram-se meses de confusões verbais e às vezes também físicas, com protestos, apelos, passeatas e petições. Também a Conferência Episcopal do Equador se dividiu entre favoráveis e contrários. Intervieram na briga, contra os Arautos do Evangelho, inclusive expoentes do governo. Para mediar, teve de intervir o núncio apostólico, Dom Giacomo Guido Ottonello, respaldado na Secretaria de Estado vaticana por Monsenhor Angelo Accattino.

Hoje a confusão ainda não parece aplacada. Como outros movimentos católicos marcados por este mesmo perfil, os Arautos do Evangelho tendem, em todas as partes, a dividir. Há quem os admire e apóie irrestritamente, e quem, pelo contrário, não os suporte.

O mesmo ocorre com os neocatecumenais. Têm fervorsos admiradores entre os cardeais e bispos, mas também muitos opositores e críticos. Os bispos do Japão, por exemplo, recentemente romperam em bloco com eles. E o mesmo ocorreu há poucos dias no Nepal.

Os amplos elogios iniciais de Ratzinger nem sempre encontram confirmação nos fatos.

27 Comentários to “O Professor Ratzinger? Bom demais.”

  1. O problema é que estes movimentos querem estar acima da Igreja e cada um se achando com um espiritualidade maior do que própria instituição. A pergunta clássica é: Vc pertence a algum movimento? e eu sempre respondo: sou simplesmente católico apostólico romano, engatinhando em cristianismo.

  2. Eu se fosse o papa suprimia-os todos, a esses movimentos pseudo-católicos que só têm aumentado a confusão e desorientação na Igreja.

  3. “Como outros movimentos católicos marcados por este mesmo perfil, os Arautos do Evangelho tendem, em todas as partes, a dividir. Há quem os admire e apóie irrestritamente, e quem, pelo contrário, não os suporte.”
    Bem, eu participo das missas celebradas pelos Arautos. Dá gosto de assisti-las, pelo cuidado com a liturgia,os cantos em latim, a obediência ao que o Papa ensina . Basta dizer que comungo de joelhos e na boca, tenho a possibilidade de me confessar semanalmente, porque sempre há um ou dois padres disponíveis para confissão… E não é só isso, eles estimulam os fiéis, em suas homilias a sempre se confessarem…
    Não conheço o Monsenhor Clá, mas na minha humilde opinião, eles tentam seguir o que a Igreja ensina e acho que só o tempo poderá esclarecer tantas dúvidas e confusões sobre esta obra.
    Abs a todos,

  4. Marisa, sou da mesma opinião que você. Todas as Missas que assisto com os Arautos existe o mesmo zelo litúrgico, o respeito pela liturgia e Tradição, os cantos gregorianos, comunhão na boca, confissões durante as missas, e por ai vai. Se muitos setores estão contra eles, é porque ainda estão “amarrados” à Teologia da Libertação, essa maldita heresia ainda presente em muitas paróquias. Em minha cidade, posso dizer certamente que são exemplares, obedientes ao Santo Padre e nutrem um profundo amor à Virgem Maria.

  5. Não conheço o Monsenhor Clá, mas na minha humilde opinião, eles tentam seguir o que a Igreja ensina e acho que só o tempo poderá esclarecer tantas dúvidas e confusões sobre esta obra.

    Vc deveria usar sua humildade para conhecer a biografia do Monsehor Clá, onde ele omite parte de sua vida. A partir daí, já é pra desconfiar.

    Abs a vc também.

  6. Antes de suprimir os Arautos, que suprimam a Teologia da Libertação…
    Não sou adepto dos Arautos e nem os conheço direito, mas tem uma boa formação.
    Em recente visita ao nordeste brasileiro verifiquei o quanto a TL tem desconfigurado a cristandade por ali.
    Melhor uma diocese com Arautos do Evangelho do que com TL.

  7. Bom, registro aqui meu apoio aos Arautos. Como bem disse a Marisa eles estão na linha da Igreja – nem atrás, nem a frente. Isso é raro nos dias de hoje.

  8. Sandro Magister falou dos Arautos de forma superficial, porque certamente ele não viu os vários vídeos do youtube em que Monsenhor Clá Dias fanatiza os arautos com doutrinas Idolátricas.

    Provavelmente os que comentaram aqui apoiando os arautos desconhecem tais vídeos. Assim como o próprio Magister.

    Já diziam os antigos: “Nem tudo o que reluz é ouro, nem tudo o que balança, cai”.

    E finalmente: os piores inimigos não são os declarados, mas os ocultos…

  9. As pessoas precisam começar a se tocar que esses institutos não são fins, são apenas meios. O fim é sempre a Igreja, e o fim último evidentemente é Deus. Eu conheço muitos membros dos arautos que são fieis à Igreja e não são adoradores de PCO. Não é porque sua liderança tem problemas que é justo condenar todo e cada membro seu. Seria como condenar todo e cada membro da Fraternidade São Pio X só porque a sua liderança é maurrasianista, ou condenar todos da Adm. Apostólica SJMV só porque seu bispo aprova a missa nova. Ou pior, condenar todo e cada brasileiro só porque seu presidente é uma terrorista comunista…

  10. Os Movimentos movimentaram tanto a Igreja que causaram um terremoto nela…

  11. Todos os dias eu suplico a Ssma. Virgem que alcance ao Santo Padre uma Fé firmíssima e uma grande santidade de vida, bem como as luzes do Divino Espírito Santo, afim de que ele possa tomar sempre as decisões e posições de acordo com a vontade de Deus.

  12. Pax et Bonum,

    Caros, aqui em minha cidade tive a oportunidade de conhecer alguns membros dos Arautos, e não consegui ver nada de errado com eles, o mesmo não posso dizer dos Eocatecumenato que em uma cidade do interior proximo a minha cidade andam fazendo besteira como comungar sentados.
    Mas ainda sobre os arautos é bom ouvir o audio que esta aqui mesmo no Fratres
    https://fratresinunum.com/2011/05/29/mons-joao-cla-quem-nao-se-juntar-com-o-sr-dr-plinio-vai-espalhar-se-eu-ja-nao-vivo-e-o-sr-dr-plinio-que-vive-em-mim-eu-sou-um-escravo-do-sr-dr-plinio/

  13. Bom, com relacao aos arautos eu prefiro crer no que nos deixou escrito o saudoso Prof. Orlando. E mais: nunca ouvi dizer de um fundador de congregacao ser corrupto isso porqe quando a arvore e boa produz bons frutos como afirmou o Filho de Deus… Esse argumento qe o fundador pode ser corrupto mas os filhos sao bons nao passa de argumentos pos vaticano II para justificar erros e escandalos desses neo-fundadores.

  14. É… o foco do texto n é olhar pros clacla, o foco é o erro de precipitação do então cardeal, hoje papa. Ele teria a obrigação de praticar eutanásia nessas cobras.

    ******** O tal bispo Brasileiro é uma vergonha!

  15. Alguem conhece a tal cartilha secreta do Neocatecumenato?
    Caso sim, seria boa matéria para por em debate…alfredo.

  16. Assim que a poeira baixar a máscara de João Clá também cairá e com ele cairão também muitos de seus filhos. Nosso Senhor tenha piedade da Santa Igreja que é tão mal servida por lobos vestidos em pele de cordeiro como são os Arautos na pessoa de seu fundador e dos que o acobertam.

  17. Faço uma pergunta aos que conhecem mais do que eu a história da Santa Igreja Católica.Essa coisa de movimentos é uma fato recente na Igreja? Começou exatamente quando,pós CVII?

    Não consigo entender isso,parece uma inquietude das pessoas,uma sede por novidades,como se a Santa Igreja Católica não bastasse.Como se ser católico apostólico romano fosse pouco,e precisassem pertencer a algum movimento,grupo,etc….

    Fiquem com Deus.

    Flavio.

  18. o problema é ser catolico de verdade. se fossem de mentira seriam aceitos.

  19. Peço venia aos leitores e ao próprio Ferreti para reproduzir as críticas do Pe. Zoffoli ao “Caminho”:

    Las herejías del Camino Neocatecumenal Padre Enrico Zoffoli
    El P. Zoffoli, teólogo italiano pasionista estudió durante varios años los documentos oficiales del Camino y presentó sus conclusiones a varios obispos, cardenales e incluso al Papa, recibiendo como respuesta “silencio, desconfianza y hostilidad”. Publicamos aquí la parte doctrinal de su libro “Catequesis neocatecumenal y ortodoxia del Papa”, que esperamos podrá esclarecer mucho a los católicos
    ORDEN SAGRADO, SACERDOCIO, JERARQUÍA.
    a) La verdadera Iglesia de Jesucristo sería solamente la de los tres primeros siglos, después de los cuales -de Constantino en adelante-, institucionalizándose, se habría corrompido, hasta que después de 1600 años habría reaparecido con el Concilio Vaticano II. Por tanto, durante un largo periodo, Jesús no habría cumplido su promesa de permanecer junto a su Iglesia todos los días, hasta el fin de los tiempos, y por consiguiente asistirla contra los poderes de las tinieblas (Mt. 28,20; 16,18).
    b) De aquí se deduce que veinte Concilios ecuménicos, desde el de Nicea (325) hasta el Vaticano I (1870), no habrían enseñado nada definitivamente verdadero e indiscutible; la gloriosa multitud de todos los Padres de la Iglesia, desde principios del siglo IV en adelante, seguidos por los mayores teólogos de la Edad Media y los innumerables santos formados en su escuela, no serían dignos de estudio ni de admiración por haber sido reconocidos y aprobados por el Magisterio de una Iglesia lánguida, corrompida, infiel al mensaje de su Fundador. Su traición vendría dada por la historia, espíritu, definiciones dogmáticas y reformas promovidas por el Concilio de Trento.
    c) La Iglesia no habría sido fundada por Jesucristo como su único rebaño: “La misión de la Iglesia no es hacer que todos entren para formar parte de ella jurídicamente…”. Ella no sería por tanto “la única tabla de salvación que todos deben alcanzar para salvarse”. No se le puede atribuir una estructura jurídica como componente necesario de su naturaleza: su índole sería esencialmente carismática.
    d) Todo esto es lógico si, como se sustenta: 1. El “sacrificio” es un residuo del culto pagano, “en la Eucaristía no hay ninguna ofrenda”, La Misa no es un “sacrificio”. 2. En la Iglesia no hay un sacerdocio ministerial esencialmente superior al común de todos los bautizados; luego no tiene sentido la Orden sagrada que le confiere, distinguiendo al clero del laicado. 3. Mas, si no hay una jerarquía, nadie en la Iglesia posee y puede ejercer el triple poderde gobierno, santificación y magisterio, por lo que en ella no hay ni superiores ni súbditos: la igualdad seria universal y total, porque es sociedad esencialmente democrática, como la civil, en la que el pueblo es soberano. Así pues: * si en la Iglesia no hay ningún poder de jurisdicción, su gobierno es ilegítimo, sus leyes no son obligatorias, e injustificadas son sus sanciones…, * si en la Iglesia no hay un divino poder de santificación, vanos son todos los actos de culto, sin eficacia ninguna las funciones del sacerdocio, inútiles los sacramentos, y por fin nula su función en la sociedad civil…; * si en la Iglesia no hay ningún poder de Magisterio (sobre todo infalible), es completamente arbitrario definir de modo absolutamente cierto e irrevocable verdades de fe y normas de vida moral. Así que lo que se enseña en ella es solamente opinable y siempre discutible y en consecuencia: – el Cristianismo no sería una religión divinamente inspirada, – estaría entre las demás religiones, más o menos dignas de respeto, nada más, – injustificado sería el rigor con el cual la Iglesia definió y rechazó como heréticas todas la doctrinas incompatibles con su fe…, alegando y reivindicando una dignidad y una misión superiores a las de la sociedad civil…
    e) Estas son las consecuencias que se derivan del repudio de las Ordenes sagradas, del Sacerdocio Ministerial, del Sacrificio. Ahora bien, negado el Orden sagrado, el rechazo de la estructura jerárquica de la Iglesia incluye diáconos, presbíteros, obispos y especialmente el Papa, reducidos a su simple condición de comunes “ciudadanos”, sin ninguna autoridad, lugar ni privilegio…, e intrusos culpables por haber pretendido, durante milenios, una fe y un respeto que no merecían, los seglares tendrían toda la razón para rebelarse contra la Iglesia…
    f) En resumen, los dirigentes del camino neo-catecumenal varias veces al año organizan peregrinaciones a la tumba de San Pedro, ya que así: – honran en el Apóstol al primero de los Papas de la Iglesia Primitiva, idea muy querida de los protestantes, Iglesia desaparecida con la “Paz constantiniana”, y -no se sabe cómo- resucitada con el Vaticano II, – se niegan a venerar en él al Vicario de Cristo, o sea al “Obispo de los Obispos” que tiene la plenitud del Sacerdocio Ministerial. – Luego los dirigentes del C.N. (no digo “los fieles neocatecumenales”, ignorantes y de buena fe) reconocen en Juan Pablo II no al Sumo Pontífice, Jefe visible de la Iglesia Católica, sino a una eminente personalidad del mundo civil, un poder humano de altísimo prestigio, ante quien pretenden presentarse como enviados, representantes, precursores, hijos predilectos, en cuanto que le atribuyen al Papa la misma doctrina de ellos, porque se sienten plenamente autorizados para hablar con autoridad propia y entonces no falta ya nada par sentenciar a muerte al Papado y a su Magisterio.
    Es justamente la ruina de la Iglesia Jerárquica, según un plan verdaderamente diabólico promovido hace siglos por la Masonería, empeñada en desestabilizar el Cristianismo como Religión positiva, divinamente inspirada.
    DIOS Y EL HOMBRE.
    a) El Dios de Kiko y Carmen no es el Dios bíblico, el de la tradición de los Padres y el del Magisterio, a quien se dirige esta oración: “Dios, a Quien la culpa ofende y la penitencia aplaca…”. Una ex-catecumenal de Rovigo me confirmó que: su catequista le explicó que es “soberbio” quién afirma haber ofendido a Dios pecando.
    Lo equivoco es grosero. La escuela neo-catecumenal no llegó todavía a entender que Dios -Acto Puro, Felicísimo, Impasible, puede ser ofendido realmente por la negación, por la rebeldía, por el ultraje o por la indiferencia… de la criatura que, con su actitud, falla en el deber de reconocer el absoluto dominio de Dios y su total dependencia hacia Él. El pecador turba el orden objetivo de la verdad y de la justicia, en cuanto intenta con su presunción substraerse a Dios (¡aquí tienen la ofensa hecha a Dios!), se perjudica realmente sólo a sí mismo…
    b) La teodicea Kikiania, negando el pecado como ofensa a Dios, cae en el error del viejo deísmo que separa y rechaza toda relación de Dios con el hombre y del hombre con Dios. Se trata de un Dios no solamente transcendente sino también distante que dejando al hombre libre, le consiente vivir como si Él no existiera.
    c) Si el hombre pecando no ofende a Dios, tampoco contrae con Él el deber de reparación… esto es suficiente para excluir la necesidad de algún sacrificio expiatorio. Pero aún hay más. d) El hombre -según la doctrina neocatecumenal- está constreñido a pecar, o sea, no puede dejar de hacer el mal; su naturaleza está tan dañada que no le permite hacer el bien, por lo que es inútil cualquier tipo de esfuerzo que haga para corregirse…
    e) La conversión consiste únicamente en el reconocimiento -también público- de las culpas cometidas y la confianza en el poder salvifico de Cristo resucitado…; no en el pesar de haber ofendido a Dios, con propósito de enmendarse, utilizando los mejores medios para conseguir la propia purificación.
    f) No se conoce una gracia capaz de estimular a la conversión, teniendo como fin la regeneración del pecador, haciéndolo renacer hasta transformarlo en un auténtico hijo adoptivo de Dios para llevarlo así a la intimidad con Él, que es preludio de la vida eterna.
    g) De allí se sigue que la santidad no es posible, con lo cual es incomprensible el culto a los Santos y a María Santísima.
    JESUCRISTO
    a) Jesús no operó la Redención. El Vaticano II renovó la teología a tal punto que “no se ha hablado más de la Redención…” Mas para ser esto verdad habría que tener en cuenta lo siguiente: 1º. El hombre no tenía ninguna necesidad de redención, no habiendo podido pecar (porque -como lo enseña Kiko-, “constreñido a pecar”, el pecado no es una acción libre); 2º. Cristo no tenía nada que expiar con su Sacrificio, precisamente porque el hombre no ofendió a Dios, el cual no puede por tanto exigir ninguna reparación.
    b) Él redimió al hombre, no eliminando las consecuencias del pecado, en cuanto ofensa a Dios y por tanto reconciliándole con El al merecer la gracia de la penitencia…; sino sólo liberándole de la muerte en virtud de su Resurrección, como si el único verdadero mal fuera la muerte y no el voluntario rechazo de su amor.
    c) Jesús, muriendo, no se habría ofrecido como Víctima por los pecados del mundo, para satisfacer la justicia de Dios y redimirnos de todos los males de la vida presente y futura.
    d) El catecismo neocatecumenal ignora el mérito infinito de su Ofrenda cruenta como supremo acto de amor al Padre y a los hermanos.
    e) La salvación es atribuida a la Resurrección de Cristo, no a su Pasión y Muerte, que -conforme a todas las fuentes de la Revelación y a la unánime tradición del Magisterio- esla única causa meritoria de su propia Resurrección y de todos nuestros bienes espirituales y eternos.
    f) “Jesucristo no es de hecho ningún ideal de vida (…); no vino para darnos el ejemplo y enseñarnos a cumplir la ley”. Si así fuese la Iglesia docente no tendría ningún “modelo” de vida cristiana que proponer a los fieles. Su moral no diferiría de todas las otras pensadas por el hombre: agnósticas, relativistas, contradictorias. Y finalmente no pudiendo proponer la imitación de Cristo, no muestra la única “vía” que conduce a la salvación y a la santidad, por la que seremos reconocidos por el Padre para participar de su felicidad.
    LA EUCARISTÍA
    a) Negando el Sacrificio de la Cruz Kiko se niega a reconocer también el del Altar, el Sacrificio eucarístico, por lo que recrimina a quien ve en la Misa a “Alguien que se sacrifica, esto es Cristo”. En efecto, el enseña que “en la Eucaristía no hay ninguna Ofrenda”.
    b) La Misa sería “el sacramento del paso de Jesús de la muerte a su resurrección…” por tanto, “una proclamación, un anuncio de la Resurrección de Jesucristo de entre los muertos”.
    c) Siguiendo a Lutero Kiko considera la Misa solamente como un “sacrificio de alabanza, un gozo perfecto de comunicación con Dios a través de la Pascua del Señor”. Por el contrario los Papas manteniendo las trazas de la gran Tradición católica, mantienen que “el sacrificio ofrecido en la Eucaristía no es (…) un simple sacrificio de alabanza: es un sacrificio expiatorio o “propiciatorio”, como lo declaró el Concilio de Trento (DS. 1753), ya que en éste se renueva el propio sacrificio de la Cruz, en la que Cristo expió por todos y mereció el perdón de las culpas de la Humanidad” (Audiencia general, 15.5.1983).
    * * *
    a) Rechazando el sacrificio eucarístico Kiko no acepta el prodigio de latransusbstanciación, que le condiciona esencialmente…
    b) Luego no hay una verdadera, real y substancial presencia de Cristo, por la transformación del pan y del vino, después de la consagración. “La Iglesia católica se hace obsesiva en cuanto a la presencia real”. “Lo importante -subraya Kiko- no está en la presencia de Jesucristo”. “Si Jesucristo hubiese querido la Eucaristía para permanecer allí, se hubiera hecho presente en una piedra, lo que no estaría nada mal”.
    c) Por eso “estamos (los neocatecumenales) más cerca de muchos protestantes que de algunos católicos…”, o sea, de todos los verdaderos fieles al Magisterio…
    * * *
    a) No reconocida como “Sacrificio” la Misa se reduce a un banquete fraternal, lo que exige solamente una mesa y no un altar. El pan y el vino permanecen substancialmente inmutables, y se cambian en un mero símbolo de la presencia e influencia salvifica de Cristo resucitado, que “es una realidad viva que constituye la Pascua y arrastra a la Iglesia”; su presencia “es un carro de fuego que viene a arrastrarnos en dirección a la gloria”.
    b) Recusado el “sacerdocio ministerial”, es “la Iglesia entera la que proclama la Eucaristía”, esto es, que celebra el banquete. “No puede haber una Eucaristía sin asamblea. Es la asamblea entera la que celebra la fiesta de la Eucaristía, porque la Eucaristía es la exaltación de la asamblea humana en comunión…”. “Es de esta asamblea de donde brota la Eucaristía..”.
    c) Negada la transubstanciación, hay que observar lo siguiente:
    1º. Los fragmentos del “Pan consagrado” no contienen a Cristo y, sobre todo después del convite eucarístico, ya no “simbolizan” su presencia. Estos mismos cayendo de la mesa, no deben preocupar a nadie, porque “no se da importancia a las migas o cosas de este tipo”.
    2º. Negada la presencia real el culto eucarístico no tiene sentido. Por esto Kiko se lamenta de que “transformemos la Eucaristía en el divino prisionero del sagrario…”.
    3º. No tolera “exposiciones”, “procesiones”, “adoraciones”, “genuflexiones”, “devociones eucarísticas”. d) Rechaza la “reparación” por la razón expuesta anteriormente, como condena también el “sacrificio”; la reparación es excluida, sobre todo si está relacionada con el culto al Sagrado Corazón.
    e) Kiko esta convencido de que el ecumenismo promovido por el Vaticano II encaminó a la Iglesia para suprimir las divergencias que, a propósito del misterio eucarístico, separan a la Iglesia católica de las sectas protestantes: “Todos juntos nos sentaremos sobre la piedra angular, sobre la roca en la que no existen divisiones…”

    Induvidoso o carater modernista e herético de tal seita incrustada na Igreja Católica. Assim como os Legionários de Cristo serão apagada.
    Também não existem dúvidas de que o episcopado brasileiro se afasta da ortodoxia ao prestigiar tal movimento. São modernistas …
    E o bispo de Cedamusa contente, alegre de poder paticipar dessa seita modernista vai se afirmando como falso tradicionalista e como verdadeiro carreirista … Deplorável

  20. Só quero registrar o meu apoio aos arautos… fui!

  21. Sempre estarei ao lado de quem luta contra a TL.

    Todas os movimentos e associações tem seus problemas.
    E mais, não depositaria tanta confiança no Prof. Fedeli (que Deus o tenha), pelo
    menos nessa luta contra TFP e Arautos.

    E quanto aos movimentos, enquanto servirem a Igreja, ótimo.
    Quem sabe, no futuro, tornem-se desnecessários.

  22. Abre olho, Santidade…

  23. O professor Orlando Fedeli sempre foi contra o Caminho Neocatecumenal, criticando desvios. O mesmo a respeito dos Arautos, quanto a sua origem na TFP que sempre endeusa a figura do integralista Plinio Corrêa e de sua mulher, colocando-os a par de Nosso Senhor Jesus Cristo. Bento que se cuide, tem “Cavalo de Tróia ” dentro da Igreja.

  24. Só quero dizer que o Caminho Neocatecumenal tem salvado vidas, famílias, vocações em crise, jovens perdidos (como eu era!). Os frutos são visíveis. Enquanto vós, com todas as vossas teorias, ideias, conceitos e julgamentos só tendes criado discórdia e divisão dentro do Corpo de Cristo. E não nos esqueçamos: O Espírito sopra onde quer… O Santo Padre sabe muito bem onde tem posto seu apoio e onde tem confirmado na fé os irmãos. E como pai nos educa e corrige quando necessário. E somos gratos também por isto. No mais, Louvor e Glória a Cristo Senhor, que através de um carisma específico dentro de sua igreja me libertou de uma vida fútil, sem sentido, destinada ao nada!! Obrigado, Senhor, pois através de um vaso de barro, como Kiko, me fizestes experimentar um pouco da tua misercórdia dentro da Mãe Igreja!
    Viva Pedro!!!!!!!! Viva a Santa Igreja de sempre, que continua firme nos nossos tempos, fecundada sempre com o sopro do santo Espírito, que tudo renova e salva!!
    Pax!!

  25. Alguém expulse da Igreja esse “espírito” fecundo que sopra onde quer e tudo renova!

  26. Bem…entendo que alguns movimentos são totalmente heréticos, como o Neo-catecumenal e a RC”C”.

    Os outros precisam de alguns ajustes, e sempre vai ser assim, pois perfeição só no céu.

    As mesmas críticas levantadas aqui a movimentos que podem ajudar a Igreja, e digo aqui não só os Arautos, mas também o Opus Dei entre outros, foram críticas feitas aos monges na era patrística e às Ordens mendicantes na idade média. Basta saber um pouco de história da Igreja pra saber reconhecer isso.

    Em tempo: Não pertenço a movimento nenhum.

  27. O espírito sopra onde quer, mas na MESMA DIREÇÃO.