Não às coroinhas – a decisão da catedral de Phoenix abre um debate em toda a Igreja.

Por Religión en Libertad

Tradução e créditos: OBLATVS

Parecia uma decisão local, mas até um cardeal toma partido sobre a permissão de 1994 que admite as meninas ao serviço do altar.

Na semana passada o reitor da Catedral de São Simão e São Judas em Phoenix (Arizona, Estados Unidos), Pe. John Lankeit, anunciou que não mais permitiria que as meninas atuassem como “coroinhas”.

Adoração Eucarística com o Papa Bento XVI no Hyde Park, Londres. "É muito louvável que se conserve o benemérito costume de que crianças ou jovens, denominados normalmente assistentes (coroinhas)... A esta classe de serviço ao altar podem ser admitidas meninas e mulheres, de acordo com o critérios do Bispo diocesano e observando as normas estabelecidas (Instrução Redemptionis Sacramentum, 47).

Adoração Eucarística com o Papa Bento XVI no Hyde Park, Londres. "É muito louvável que se conserve o benemérito costume de que crianças ou jovens, denominados normalmente assistentes (coroinhas)... A esta classe de serviço ao altar podem ser admitidas meninas e mulheres, de acordo com o critérios do Bispo diocesano e observando as normas estabelecidas (Instrução Redemptionis Sacramentum, 47).

Não é uma decisão pioneira, pois uma medida semelhante já havia sido tomada em dioceses americanas como as de Lincoln (Nebraska) e Ann Harbor [Lansing] (Michigan), mas desta vez a repercussão da notícia foi se estendendo até adquirir primeiro ressonância nacional, e depois mundial.

E não por seu alcance, muito limitado, pois nem sequer toda a diocese de Phoenix a fez sua, apesar da importância do templo catedralício. E ainda, vários párocos se apressaram em declarar que não iriam seguir este exemplo. O que deu lugar a polêmica em outros lugares é a razão aduzida por Lankeit, que tem sim valor universal e provocou um debate fora das fronteiras de sua paróquia.

Prejudica as vocações?

Segundo a nota publicada pelo reitor, e que se acha no site da diocese, trata-se de animar os meninos e meninas a servir a Deus de forma diferenciada e complementar, eles como coroinhas, elas como sacristãs, porque diversas experiências levam a concluir que o acesso das meninas à condição de coroinhas está diminuindo as vocações sacerdotais… e também as vocações religiosas femininas.

De fato, e é o exemplo seguido por Lankeit, as duas dioceses que o precederam experimentaram um incremento de vocações de ambos os tipos depois de proibir “as” coroinhas.

Por quê? Segundo o reitor da Catedral de Phoenix, a condição de coroinha tem sido tradicionalmente uma sementeira de sacerdotes, e inclusive antes da existência dos seminários, tal como os conhecemos hoje, em alguns casos era o caminho ordinário para a primeira formação dos presbíteros. Entre 80% e 95% dos sacerdotes foram coroinhas alguma vez durante sua infância.

Ser coroinha não é um direito.

Mas ao converter-se numa função que meninos e meninas indistintamente podem desempenhar, sua vinculação com a vocação sacerdotal, exclusivamente masculina, se atenua fortemente.

“Posso entender que as pessoas se irritem se enfocam a questão do ponto de vista emocional, porque a convertem numa questão de direitos, e parece que se está negando direitos a alguém”, antecipa-se Lankeit à crítica. “Mas”, continua, “nem eu como católico tinha direito ao sacerdócio, nem tampouco o tinha quando era seminarista, pois estava provando minha vocação e era à Igreja a quem competia discerni-la”. Com maior razão não se pode falar de um direito a ser coroinha… ou “uma” coroinha.

A presença de mulheres no serviço do altar começou a introduzir-se nos Estados Unidos em meados dos anos oitenta como abuso. A Igreja não aceitou tal introdução oficialmente até 1994 ao afrontar a questão tão logo ela atravessou o Atlântico, recorda William Oddie, influente colunista do Catholic Herald britânico. Paulo VI e João Paulo II eram contrários a esta prática, mas em meados dos anos noventa a Igreja Católica sofria uma campanha midiática muito forte pela negação do sacerdócio feminino, e cedeu neste ponto como exceção, ainda que mantivesse que a norma era animar os meninos a assumir esta função.

A opinião do influente Vingt-Trois.

Mas, internacionalizando o debate, Oddie acrescenta mais uma opinião: a do hoje cardeal de Paris, André Vingt-Trois. Deu-a privadamente ao mesmo Oddie no final dos anos noventa, quando Dom Vingt-Trois era arcebispo de Tours. Durante um jantar comentaram o fato de que, na maioria das paróquias de Paris, não somente as leituras eram feitas majoritariamente por mulheres, como também eram as meninas que quase exclusivamente serviam ao altar.

“O arcebispo Vingt-Trois disse que talvez o sacerdote não tivesse escolhido que todos os seus coroinhas fossem meninas. ‘Quando chegam as meninas’, disse, ‘os meninos desaparecem’. E foi muito categórico ao afirmar que, ainda que houvesse outras causas, um dos fatores que contribuíam para a redução das vocações era este”.

Um testemunho de uma década, e do influente presidente da conferência episcopal francesa, parece pois corroborar os argumentos do reitor Lankeit em Phoenix, onde o debate, agora internacionalizado, continua.

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12 Comentários to “Não às coroinhas – a decisão da catedral de Phoenix abre um debate em toda a Igreja.”

  1. Belo exemplo. Atente-se para as justificativas plausibilíssimas.

  2. Prezado Ferreti, gostaria de indicar aqui no Fratres o mesmo blog que eu indiquei no Oblatvs. O nome do blog é The Liguori Society! É um blog dedicado a suscitar vocações sacerdotais através do serviço dos coroinhas, MENINOS COROINHAS apenas, diga-se de passagem! Um artigo interessante para conhecer esse blog é este:

    “Boys Will Be Altar Boys”
    “When boys and girls are mixed on the altar, the boys tend to be less participative. They defer to the girls…”

    http://liguorisociety.blogspot.com/2010/02/boys-will-be-altar-boys.html

  3. O enfoque do Pe. John Lankeit está correto. A palavra da moda é “direito”. Hoje em dia todos querem ter direitos, até quando não há, ou não se trata de. As mulheres devem redescobrir o seu lugar no silêncio, atrás da transparência do véu, na invisibilidade. São as mãos que embelezam os altares, com seus bordados e os arranjos florais, mas são apenas isso, e não devem almejar mais. Não lhes corresponde.

    Percebo que até no âmbito da Tradição, mesmo envergando saias que cobrem os tornozelos, há moças e mulheres que ainda são independentes e modernas, ainda exigem direitos, ainda são “donas de seus narizes”, ainda não retornaram ao lar, do qual deve cuidar em primeiro lugar. Eu já li criticas a Mons. Williamson, para quem as mulheres nem deveriam fazer faculdade… E eram críticas de vozes femininas (ou feministas?). O homem velho infelizmente ainda não morreu. E se não o deixarmos morrer, o novo não pode vir!

    Eu jamais pensei, desejei ou sequer sonhei que minha filha fosse “coroinha”. Nem eu mesma quis sê-lo. Eu via minha mãe costurando as vestes litúrgicas de meu irmão, “chefe” dos coroinhas em nossa pequena cidade: com adornos dourados, no linho alvo, e pensava: um dia eu também farei isto! Pensava na costura, nesta inata habilidade feminina com as mãos, para louvar Nosso Senhor, mesmo do interior de nossa igreja doméstica, a família! Mas nunca, nem nos meus sonhos mais loucos, pensei em trajar uma veste dessas, ou de “padre”…

    Que ambição incompreensível de algumas mulheres em almejar o que não lhe corresponde! E por que? Há tanto para fazer em nosso pequeno mundo!!! E o pior é que, já esquecidas do que lhe competia (costura, bordado, tricô, crochê, cuidado da casa, das crianças…), se aventuram em um mundo que as enfeia: ainda não me acostumei a mulheres fumando e bebendo em público. Curiosamente, uma conhecida adventista dizia que se não é certo criança beber bebida alcoólica, porque isto muda quando ela completa os dezoito anos? O que muda no corpo de um jovem ou uma jovem dos 17 anos, onze meses e vinte e nove dias aos 18? Não sou tão drástica assim e aprecio um vinho de boa safra, comedidamente e no aconchego de meu lar, mas moça com copo de cerveja na mão me lembra uma cena de botequim!

    Voltando ao assunto, eu tenho visto até no âmbito da Tradição esse incentivo equivocado e que traz mais prejuízos que benefícios, tanto aos meninos quanto às meninas: em um convento de minha cidade, algumas religiosas colocavam meninas sobre o altar (sim, sobre o altar) para “arrumar” as coisas no final da Missa (cheguei a fotografar pelo inusitado da cena). Talvez, as religiosas pretendiam inspirar uma vocação feminina no caminho seguido por elas, mas, pelo que o pe. Lankeit deixa bem claro, isto é um erro. Não importa quanto bem intencionadas possam estar estas almas.

    As turmas mistas, penso que são as piores. Não se deve incentivar uma convivência que pode levar a desvios morais. Menina com meninas; menino com meninos. E adultos vigiando. Quando deixaram de fazer isto, pq as crianças têm direito a crescer misturados… viram no que deu!

  4. Parabéns ao reitor.

    Quem sabe, comecem por aqui também.

  5. “Mas nem eu como católico tinha direito ao sacerdócio, nem tampouco o tinha quando era seminarista, pois estava provando minha vocação e era à Igreja a quem competia discerni-la”.

    ah se todos os bispos pensassem assim, se atinassem ao fato de que cabe a Igreja o discernimento de tantas coisas… a fé talvez estaria menos abalada.

    Hoje consegui um novO candidatO ao grupo de coroinhas da minha paróquia. 90% são meninas…

    abraços

  6. Não há o que debater, tem que proibir e acabou. Lugar de mulher na Missa é no banco mantendo os filhos de boca fechada e quietos.

  7. A moda hoje em dia é o “direito”. É a democracia,. é a colegialidade. Essas coisas vieram na aba do Vaticano II. O governo da Igreja é do tipo monarquia. O chefe visível é o papa, mais ninguém. Mas com a “colegialidade” os cardeais e bispos por aí a fora se julgam no “direito” de tomar decisões e o papa fica sem autoridade de ir contra por causa dessa “colegialidade ” que está no CDC, fruto do VII. Sem discriminar as mulheres, o altar é dos homens, sempre foi. Mas hoje mulher faz celebração, freira ou leiga, aí estão. Minha esposa não gosta, e daí! É apenas uma voz.

  8. Outro problema também em as meninas servirem ao altar é que logo que elas entram na puberdade, o interesse delas muda; elas querem namorar e sair com as amigas. Em verdade, o serviço ao altar não está no âmago da alma feminina. Me perdoem se digo algo não exato. Não quero dizer que as mulheres, por serem mulheres, podem servir menos a Deus do que os homens. Não é nada disso! Apenas quero dizer que o sacerdócio, o sacramento da Ordem foi reservado por Deus aos homens e não é uma função femenina.
    Já os meninos tendem a perseveram no serviço ao altar, sobretudo se têm vocação sacerdotal. Mas a promiscuidade dos costumes hodiernos lança por terra muitas vocações sacerdotais verdadeiramente boas!

  9. Não há o que debater, tem que proibir e acabou. Lugar de mulher na Missa é no banco mantendo os filhos de boca fechada e quietos. (2)

    Muito bem, Ana. Curto e direto.

  10. Me permitam comentar o que não tem como não observar.

    As pessoas na sociedade moderna estão tão confusas em seus papeis que podemos ver que tb aqui, entre nós, há homens que se sentem meio que na obrigações de se desculpar por dizer a verdade. Como se franqueza fosse grosseria…

    Esta é outra coisa terrível da modernidade: o “direito ao melindre”. Ninguém hoje aguenta mais ouvir a verdade!!! Precisa-se de tato e muita paciência!!! E embora eu costume dizer: “por favor”, “muito obrigada” e “bom dia, como vai?”, devo confessar que esses “salamaleques” estão um pouco em falta em meu estoque. Eu sou mais do tipo: sim, sim, não, não!!!

    Por causa dos “direitos” das mulheres, teme-se que, dizendo claramente qual é o lugar da mulher, poder-se-ia, “quiçá, mesmo não querendo, pois esta não é a intenção”, ofender todo o gênero feminino: crente ou não crente!

    Não tenham medo, homens: as mulheres que sabem o seu lugar são fortes demais para se ofenderem com a verdade. As que não sabem… lencinho de dama é para isso mesmo!

  11. Esta é mais uma discussão que nasceu do CV II.

    “… quem não ajunta, separa!”.

    Se há discussão, não há consenso, logo, há separação.

    Depois de uma Missa do Novus Ordo, há fieis que certamente se lembrarão se havia meninas ou não a ajudar em determinada Missa.
    Vão-se recordar que a vizinha levava vestido novo. Vão-se recordar que o filho da dona “x” foi à Missa com a namorada. Etc. Etc.

    Nas Missas de Rito Tridentino, este “problema” não se coloca.
    Como diz a Ana Maria Nunes e muito bem: ” – Não há o que debater, tem que proibir e acabou.”
    No Rito Tradicional não há mais nada para ver ou observar. Só Cristo é importante. Tudo converge para Cristo. É Ele o protagonista, Sacerdote e Vítima.
    Mais nada se deve interpor entre nós e Ele. Nada deve desviar a nossa atenção.

    Proibir as mulheres no Altar porquê (mesmo as meninas)?
    (Sou apenas um leigo e, como tal, vou emitir apenas uma opinião pessoal).

    A verdade é que (além de outros motivos), as meninas podem provocar desvios de atenção. Não digo que “provocam”, mas que “podem provocar”.
    E sendo assim, a Missa sairia “empobrecida” para essas pessoas, embora elas possam dizer que não, que está tudo bem.
    No entanto, há pessoas que se lhes perguntarmos no fim da Missa qual a Festa que se celebrou, quais as leituras e que ensinamentos levam do “sermão”, etc, normalmente essas pessoas ficam “com crise de memória”.

    E com mais esta discussão “das” coroinhas, nos vamos aproximando da mesma conclusão a que chegou Dom Marcel Lefebvre durante o CV II.

    ” – … o que está mal é todo o Concílio, infestado de Modernismo.”

    Mas se a Missa é o oferecimento dos Méritos da MESMA Paixão e Morte de Cristo a Deus Pai, em cada minuto que passa em todo o mundo, para quê criar mais intervenientes?
    Para haver Missa basta um Sacerdote (para sobrepor o Perdão ao Pecado). Um coroinha é importante para ajudar o Sacerdote. Nas Missas Solenes não há mais nada do que isto, o que se acrescenta é Nobreza à Celebração. Não é preciso mais nada. Não há mais nada a inventar.
    Talvez fosse mais importante reeditar e espalhar pelo mundo o Catecismo de S. Pio X, do que criar mais discussões dentro da Igreja. Nesse Catecismo está “toda a Verdade” para a Salvação da Alma, ÚNICO objectivo de vida que nos deve interessar.

    Na Paixão de Cristo houve um Homem que ajudou Cristo a levar a Sua Cruz, Simão de Cirene.
    Na Paixão de Cristo houve uma Mulher, Verónica (mulher corajosa), que ajudou Cristo, limpando o Seu Rosto.
    Estará errado vermos o coroinha (ou o homem), ajudando o Sacerdote, como “imagem” de Simão de Cirene?
    Estará errado vermos “a mulher”, como “imagem de Verónica? Isto é, preocupada em manter “limpo” o rosto visível da Igreja? Preocupada não só com a limpeza, mas também com os arranjos de flores, com a limpeza e manutenção dos paramentos, com os cânticos etc?

    Na verdade o lugar da mulher na Igreja é insubstituível e é de uma nobreza inquestionável.
    Igualmente é insubstituível o lugar do homem. Ajudar à Missa, transportar os andores nas procissões e de um modo geral, ajudar na Paróquia com o trabalho mais pesado.

    ” – Cada macaco no seu galho”, como diz o povo.

    Simão de Cirene e Verónica. A “Força” e o “Zelo”.
    Pouco sabemos sobre eles, mas Deus não os esqueceu e certamente os recompensou “cem por um”.
    Duas pessoas. Dois exemplos de como se pode servir o nosso Deus, Uno e Trino.
    Cada um à sua maneira serviram Nosso Senhor na Sua Paixão.
    Homem e Mulher. Dois seres, uma preocupação comum os deve animar: SERVIR Deus.

    Não é este um exemplo do que faz falta à Igreja “moderna”?
    “Força” e “Zelo” no serviço e Amor a Deus, Amor genuíno, Amor desinteressado e sem protagonismos?

  12. É isso aí. Também fui coroinha na década de 80 e não teria gostado de dividir o altar com meninas. É Clube do Bolinha mesmo, e quem não estiver satisfeito, pegue o seu banquinho e saia de fininho. (Não é uma crítica às mulheres, mas a esses modernistas e seus pitacos impertinentes).