Fellay em breve com o Papa.

Por Romano Libero – Golias | Tradução: Fratres in Unum.com

O calor intenso tão surpreendente quanto devastador deste verão poderia nos fazer esquecer o que se prepara por detrás dos cerrados muros dos sagrados palácios. Com efeito, há várias semanas, a hipótese de uma reconciliação com os antigos lefebvristas, reunidos ao redor da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, conduzida pelo bispo Bernard Fellay, seu superior, parece, apesar do ponto delicadíssimo e altamente explosivo do encontro de Assis convocado para este outono por Bento XVI, ser novamente levantado.

Acabamos de tomar conhecimento de uma notícia muito importante. Em 14 de setembro próximo, Dom Bernard Fellay irá, de fato, a Roma. Deveria, em particular, se realizar o balanço das negociações doutrinais conjuntas do ano passado, cuja conclusão seria favorável a uma reconciliação, tendo por base uma leitura minimalista do Vaticano II. Ao longo dos intercâmbios, os dois lados (Roma e integristas) estariam de acordo sobre uma vontade de consenso substancial quanto aos critérios de ortodoxia doutrinal, ao mesmo tempo, colocando entre parênteses, de certa forma, os elementos delituosos do Vaticano [II], que dependem de uma justa interpretação e não constituiriam, de maneira alguma, objetos obrigatórios de uma adesão. Em contrapartida a esta relativização pelo Vaticano da importância do último Concílio, o lado integrista adotaria uma atitude mais positiva para com este último. A Comissão “Ecclesia Dei” — presidida oficialmente pelo Cardeal americano William Levada, mas, na realidade, conduzida pelo Secretário, Mons. Guido Pozzo, um ratzingeriano convicto — trabalha há anos aplanando os caminhos da reconciliação.

Além deste aspecto propriamente doutrinal, coloca-se, naturalmente, a questão de saber qual forma concreta poderia revestir o reconhecimento dos integristas. Fala-se cada vez mais de uma prelazia pessoal, muito semelhante ao estatuto do Opus Dei, ou então de um Ordinariato semelhante ao concedido aos anglicanos reintegrados, o que daria uma autonomia completa ou quase aos integristas aderidos e, sobretudo, lhes permitiria escapar dos bispos locais. Uma perspectiva que, evidentemente, não encanta muito a estes últimos. Algo que se pode facilmente compreender.

Num futuro próximo, o Vaticano deveria apresentar a Dom Fellay diferentes protocolos de entendimentos que traçariam um horizonte aberto de consensos sobre o fundo, preconizando uma espécie de releitura do Vaticano II em conformidade com a tradição. Noutros termos, uma espécie de revisão do Vaticano II que limaria as arestas menos apreciadas pelos integristas.

No entanto, o desenlace deste encontro de cúpula entre Bento XVI e Dom Bernard Fellay, que será marcado certamente pela cortesia, poderia também ser um certo impasse. De fato, o efeito integrista deve contar com a sua própria ala direita, pouco disposta ao menor dos compromissos, nem mesmo o de demonstrar uma humildade que se imporia. Pelo contrário, estes radicais do integrismo lançam a contraproposta e não digeriram — é um eufemismo — a reunião de Assis que ocorrerá em outubro próximo. E Dom Bernard Fellay teme o descrédito em seu próprio campo, caso desse a impressão de ter se esmagado diante de Roma, de ter liquidado a defesa da fé e da tradição. E de ter suscitado, além disso, uma divisão no seio de seu próprio campo. Em outros termos, sua margem de manobra será estreita em 14 de setembro.

5 Comentários to “Fellay em breve com o Papa.”

  1. Qual é a diferença entre prelazia pessoal,e Ordinariato? os dois nao estão apenas submisso ao Papa? seja qual for a forma juridica torço para a comunhao!

  2. Se o acordo vier, o que será da Tradição? O que será da Igreja e de quem tem reservas com o atual estado das coisas? Queria fazer um comentário inteligente mas não tenho capacidade. Minha alma treme porque em tudo sou grato à FSSPX por me darem a Santa Missa. Não quero ver a Fraternidade como mais um mero carisma na Igreja, como uma opção a mais entre carismáticos, neocatecumenato etc. A Fraternidade não é a Igreja, mas ela é essencial para a Igreja.

  3. Pela formação doutrinal, pela fidelidade a Verdade, continuará lutando, bravamente, mas em plena comunhão visível. Assim como um filho que, apesar dos desvios do pai, não rompe com ele (porque não deixa de ser filho e sua submissão devida ao pai que o gerou não resulta, por si mesma, na adesão aos erros do pai), a FSSPX será uma boa prole, unida ao seu soberano pai, repetindo o que ele ensina de verdade e repelindo – com respeito e caridade – o que não está de acordo com a Fé. Todo católico por sua Fé deve estar unido e submetido ao Papa. Visivelmente! Pois enquanto somos membros e o Papa a cabeça visível, estamos unidos a ele! A não ser que se julgue, segundo o juízo sedevacantista, que o Papa não é mais a cabeça da Igreja. Assim estaríamos por meio século sem cabeça, o que é por demais imperfeito e danoso para a Igreja e para as almas.

    Longe de nós esse presunção dos orgulhos e temerários sedevacantistas tupiniquins.

  4. EDUARDO GREGORIANO fique despreocupado, a FSSPX luta a 40 anos em defesa da Tradição e nã oserá por um canto de sereia que abandonará a luta, Dom Fellay é muito sereno e como bom Bispo católico certamente receberá do Divino Espírito Santo as luzes necessárias para não dar passos errados.

    Só quero recordar-lhe o seguinte: A FSSPX dispõe de quatro Bispos e Dom Fellay já avisou:

    “Mesma necessidade, mesma solução”: Sobre consagrar novos bispos numa nova “operação sobrevivência”, afirma que se as mesmas circunstâncias e necessidades se realizassem novamente e não existissem outras possibilidades, sim. Mas não crê que estas circunstâncias estejam já presentes.
    Entrevista de D. Fellay ao seminário Americano St. Thomas Aquinas em 5 de abril, Domingo de Ramos.

    Ou seja, se os modernistas estiverem jogando com intenção de fazer o mesmo que com o IBP, AAPSJMV, FSSP e outras eles quebrarão a cara, pois a FSSPX pode Sagrar novos Bispos e dar continuidade a obra de restauração da Igreja e do Reinado de Nosso Senhor, até que Ele mesmo se apiede de nós e se digne abreviar essa crise horrorosa.

  5. Espero que se resolva a contento.
    Só vai incomodar os liberais e os sedevacantes ( assumidos ou ocultos).
    E vai sobrar radical também.