Os profetas e a religião do bom-mocismo de Dom Fernando Saburido.

Memória de profetas no mês vocacional

Por Dom Antonio Fernando Saburido, arcebispo de Olinda e Recife

Cúria Recifense: Dom Fernando Saburido, acompanhado de vários clérigos, no grito dos excluídos de 2010.

Cúria Recifense: Dom Fernando Saburido, acompanhado de vários clérigos, no grito dos excluídos de 2010.

Nesta época em que a palavra é tão frequentemente banalizada e o anúncio da verdade pode ser confundido com publicidade, é cada dia mais importante que o povo de Deus conte com o testemunho de pessoas consagradas que realmente praticam aquilo que falam e são para todos referências de fé e amor fraterno. Neste mês de agosto, nós brasileiros, recordamos dois pastores que marcaram muito a caminhada de nossa Igreja nos últimos séculos e foram verdadeiros profetas do amor evangélico. Dom Helder Pessoa Camara, arcebispo de Olinda e Recife e dom Luciano Mendes de Almeida, arcebispo de Mariana (MG) e ex-presidente da CNBB. Ambos partiram para a casa do Pai no dia 27 de agosto. O primeiro em 1999 e o segundo em 2006.

A missão de uma pessoa religiosa é ser testemunha da presença divina no mundo e atuar para que a sociedade se transforme de acordo com o projeto divino que é de paz e justiça para todos. Quando por vários motivos, quem crê em Deus está sentindo dificuldade de ser para a humanidade sinal de esperança, é bom recordar como esta profecia foi forte em homens como dom Helder e dom Luciano, que, cada qual em sua área de atuação e do seu modo, conduziram a Igreja do Brasil pelo caminho da profecia.

Para crentes e não crentes é urgente recordar alguns elementos da profecia que, de uma forma ou de outra, estes dois profetas nos deixaram:

1º – Qualquer ser humano só pode ser verdadeiramente feliz no dia em que o mundo for um só e justo para todos.

Durante toda a sua vida, dom Helder viveu e lutou por isso. Dom Luciano foi o grande promotor da Pastoral do Menor e com o apoio de dom Paulo Evaristo, cardeal Arns, animou em São Paulo um vicariato especial para os sofredores de rua.

2 – O apelo a nos constituirmos como “minorias abraâmicas”
Dom Helder chamava minorias abraâmicas os grupos pequenos que se reúnem e atuam no mundo como fecundos fermentos de uma humanidade nova.

3 – O compromisso com a Paz e a Não violência
A transformação do mundo começa pelo nosso compromisso com a Paz e através de um método de vida que elimine qualquer violência que existe em nossa forma de ser e de agir.

É preciso que, ao celebrar, neste mês vocacional, a memória destes profetas, nos sintamos convocados/as de novo para este mutirão de esperança e solidariedade tão urgente no mundo. Em 1994, dom Helder mandava esta mensagem ao movimento italiano Mani Tesi (Mãos Estendidas): “Não estamos sós. Por isso, não aceito nunca a resignação nem o desespero. Um dia, a fome será vencida e haverá paz para todos. A última palavra neste mundo não pode ser a morte, mas a vida! Nunca pode ser o ódio, mas o amor! Precisamos fazer com que não haja mais desespero e sim esperança. Nunca mais vençam as mãos enrijecidas contra o outro e sim o que o movimento de vocês valoriza: Mãos estendidas! Unidas na solidariedade e no amor para com todos”. Em 1988, ao tomar posse na Arquidiocese de Mariana (MG), dom Luciano afirmava: “Não vim para ser servido, mas para servir. Jesus serviu a vida inteira e eu venho para servir, em nome de Jesus, e com as suas predileções, a criança, o pobre, o doente, o abandonado, o aflito, para que tenham vida em nome de Jesus. ‘Como Maria’ – Ela é modelo deste serviço, modelo de uma fé inabalável, de uma confiança que modelou toda a nossa confiança sob a ação do Espírito”.

Dom Antônio Fernando Saburido, OSB
Arcebispo de Olinda e Recife

* * *

Dom Fernando Saburido é figura bem conhecida por nossos leitores: notado por sua “opção preferencial” pelos excluídos [alguns deles excluídos também da Igreja, conhecidos como — profetas do bom-mocismo, segurem-se em suas cadeiras — excomungados. Para darmos um exemplo desta opção, a Unicap – Universidade Católica de Pernambuco, faculdade sob sua jurisdição, abrigará, ainda neste mês, um simpósio de direito LGBT] e também por suas ambígüas, para sermos generosos, declarações sobre o “caso Recife”, que envolveu o aborto e a corajosa tomada de posição de Dom José Sobrinho, posteriormente “esclarecidas”. Tudo isso em pouco mais de dois anos em Recife. É profecia demais para um bispo só! Livrai-nos, Senhor, dos falsos profetas!

25 Comentários to “Os profetas e a religião do bom-mocismo de Dom Fernando Saburido.”

  1. Outro profeta de Dom Saburido:

  2. 1º – Qualquer ser humano só pode ser verdadeiramente feliz no dia em que o mundo for um só e justo para todos.

    Eu pensei que ser verdadeiramente feliz é estar com Cristo. É… já não se faz mais pastores como antigamente.

  3. “…quando o sal não salga mais, …..para que serve?”

    É uma vergonha……bem….o que Nosso Senhor disse se realiza.

    Dentre todo o “mal” que estes clérigos traidores da Santa Igreja realizam, uma coisa fica clara: “NINGUÉM CONSEGUIRÁ DESTRUIR A iGREJA de CRISTO”………nem eles!

    Os inimigos da Igreja imaginaram que se tivessem traidores que lutassem de “dentro” da Igreja, iria mais fácilmente destruí-la……estão tentando, e com isto fica mais evidente ainda a INDESTRUBILIDADE da Igreja de Cristo!

  4. Em tempo: Este Arcebispo marqueteiro deu uso de ordem a um sacerdote homoafetivo, depois de vinte anos de suspensão dada pelo seu antecessor. De vez em quando ele celebra na mesma paróquia em que deu o escândalo.PASMEM!

  5. Isso deve ser a reforma da reforma de Bento XVI… Onde há arquidioceses progressistas ele põe conservadores (quando PERMITEM), e onde há arquidioceses conservadoras (leia-se Recife com D. Sobrinho) ele entrega aos progressistas. Desta forma, garante que sempre existirão os mesmos elementos de 50 anos atrás…
    E tem quem fale em renovação do episcopado por Bento XVI… Aham… Quando ele realmente fechar as portas para a ascenção dos progressistas radicais, aí talvez eu comece a acreditar… Por hora ele está fazendo apenas misturas. As dioceses sem elementos clericais que ao menos alinhassem com o papa, após sua vacância, deveriam ficar vacantes, ou governadas indefinidamente por vigários apostólicos ou coisas do gênero. Mas o sacerdócio e a hierarquia precisam ser negados aos progressistas imediatamente, ou a Igreja sangrará ainda mais…

  6. Amigos,

    Sou de Recife e aqui os Católicos consciêntes do que seja ser Católico, já não mais se espantam com as visões TL do nosso Arcebispo.Ele é adepto dessa mentalidade há anos.Não acho que ele vá mudar.Observa-se pela escrita, uma visão de mundo e de Igreja muito particular nos adeptos dessa heresia:

    – Uma espécie de sonho de fraternidade Universal, independente de religiões, por isso TODOS são ecumênicos;
    – Uma visão de “profetismo” que enaltece somente o lado “social”, e esquece que São João Batista (dentre os nascidos de muher, o maior) foi morto por denúnciar um mal moral – pessoal, diga-se de passagem – , do Rei Herodes;
    – Um visão de mundo “justo, único, pacifico e ideal” que se mostra flagrantemente utópico e fantasioso! Algo que qualquer pessoa honesta que conheça o Evangelho observa-se nitidamente que Nosso Senhor NUNCA prometeu o Reino para aqui na Terra!;
    – Falar do “projeto Divino” ( Proposta de Jesus, é o que eles dize também) como não a Salvação primeiramente, a assepção intelectual, moral, etc de TODA a verdade Revelada por Nosso Senhor e sim a “justiça, a Paz social, etc”.Deus é uma espécie de Metalurgico;
    – Um modo de pensar que poderiamos pensar que qualquer membro de ONG, doutrinas avessas ao Cristianismo, etc também possam defender.Quem não quer um “mundo sem Fome e em Paz”? Lindo não?

    Amigos, pensem comigo: se a vontade ultima de Deus, como nos ensina a Santa Igreja, é a nossa Salvação e o Reino do Céus ( Lá em cima mesmo!) então, aqueles que de fato lutam pelo “reino aqui na terra”, deve-se perguntar se guardam a fé Católica.Na boa, é duro perguntar Isso, mas é necessário.

    Em Cristo,

  7. Amigos,

    Ler essa frase aqui vinda de um Arcebispo, é profundamente triste:

    “1º – Qualquer ser humano só pode ser verdadeiramente feliz no dia em que o mundo for um só e justo para todos.”

    Pobre dos Santos então! Que pena eu tenho de São Paulo, São Pedro, os Apóstolos, Sta. Teresinha do Menino Jesus, São João Bosco, etc…alguém deveria ter dito para todos esses Santos e Santas que eles eram infelizes, triste e a alegria não era verdadeira porque o mundo onde eles morava, “não era justo para todos!”

    Que Pena eu tenho dos Santos!!!

  8. Existirão católicos que percebem que devolver, à mesma paróquia,um “padre”afastado por homosssexualimo, implica,necessariamente, numa imagem de aprovação implícita ou,ao menos, de “isto não é muito importante”?
    Se exisem, quantos são?
    Ninguem é obrigado a ser católico.
    Mas,dizendo-se tal,pressupõe-se que aceita o Credo.
    Caso existam católicos nesta paróquia,que está faltando para que,pacificamente, mas muito alto e claramente,se reunam na porta do Templo,para repetirem consginas a favor do Amor, da Vida, da Liberdade,contra a devassidão, a perversão, o sexismo egoista e doentio, o assassinato de crian;cas inocentese indefesas, até conseguirem um Bom Pastor( se houver em disponibilidade na praça…)?
    Quem não é por mim, é CONTRA mim, quem não ajunta comigo,ESPALHA, disse certo Carpinteiro fundamentalista, que não se preocupava nem com IBOPE nem com PIB.

  9. Esse bispo parece fazer parte daquele um terço de estrelas varidas pela cauda do dragão em direção a terra que persegue a Mulher vestida de Sol.

  10. Osires,

    O termo homoafetivo é conveniente apenas para a militância gay. Nós, que lutamos do outro lado, não devemos abandonar o termo correto e preciso que sempre foi usado: homossexual.

    Afetividade por pessoas do mesmo sexo é muito diferente de homossexualismo. Eu posso ter afeto por meu pai, irmãos, amigos e nem por isso sou homossexual.

    A palavra homofóbico entra no mesmo pacote também!

    Um abraço!

    Salve Maria!

  11. É muito muito triste!

    Eu achava que Dom Saburido faria diferente, mas não por esse caminho torto.

    Uma coisa é a pastoralidade. Outra é ser conivente com o demônio.

  12. Vejam a história da prostituta que procurou Dom Helder:

  13. Numa possível perseguição religiosa, Dom Saburido e toda esta corriola que participou dessa bobagem chamada Grito dos Excluídos, seriam capazes da dar a vida para testemunhar sua fé? Ou seria o famoso “salvem-se quem puder”?
    Com a palavra o Senhor Arcebispo de Olinda e Recife.

  14. O Dito Arcebispo Católico de Olinda e Recife o senhor Dom Fernando Saburido já deveria ter sido demitido pelo Papa, pois suas atitudes não são de um católico, mas sim de um relativista!
    Acredito que não participou do “grito dos excluídos” esse ano devido a pressão que nós fizemos: quando digo nós me refiro aos filhos de Dom José Cardoso Sobrinho que realmente amava a Igreja e construiu uma obra de fé católica, apesar dos demônios que o rodeavam e fizeram tanto estrago na vida da Arquidiocese.
    Existia um movimento velado na época do grande Dom José Cardoso que procurava sempre denegri-lo, típico dos santinhos de esquerda que Dom Fernando defende.
    Haverá uma caminhada pela vida nesses dias na Arquidiocese e os seus assessores querem digamos:”ampliar o foco” no que seja a defesa da vida…
    Quase um novo grito dos excluídos reformado…
    Enfim: voltamos ao tempo de Dom Helder Câmara: as vocações definham, já mandou fechar o seminário novamente (que foi reaberto por Dom José Cardoso).
    Só que ele e esquece que Dom Vital nos protege!

  15. Não esperem nada desse pessoal da TL.
    Eles JAMAIS mudam de opinião. Nasceram (de)formados desde o Seminário, continuarão
    a desfiar as infinitas baboseiras de sempre.

    A única esperança é o Sr. Tempo.
    Para Recife faltam 11 anos…. Paciência e Oração !

  16. Esse Arcebispo é uma vergonha!!! Sou Pernambucano e natural desta Arquidiocese, o conheço pessoalmente e ele é da mesma linha de D. Hélder (comunista, TL e afim). Dos lobros matreiros disfarçados de pastores, LIBERA NOS DOMINE!!!

  17. Não conhecia este video postado pelo Gederson. Imaginei que vinha coisa por ai,mas não imaginei que ouviria tal maluquice.Que loucura,onde vamos parar?

    Logo me veio à mente a passagem da mulher adúltera,para quem Cristo,depois de acolher,disse: VAI,E NÃO PEQUES MAIS! Mas para esse pessoal do video pecado é uma coisa fora de moda.

    Fiquem com Deus.

    Flavio.

  18. Consegui comprar um livro “antigo” num “sebo” e o título é: “Auto Demolição da Igreja Católica No Brasil” e tem como subtítulo: “A besta do apocalipse no pátio do vaticano” – Holanda – Este livro conta como o comuna dom Hélder Câmara se tornou “gente” e traindo seus superiores chegou onde chegou.. A “coisa” é feia! (Não estou aqui falando da estética de dom Hélder até porque não é necessário) Não posso dizer que pelo fato de ele ser falecido não possa mais fazer mau a Igreja como o fez quando era vivo. Ele se foi mas pelo o artigo, e comentários dos senhores que acabo de ler, noto que ele se foi sim, mas a “semente” do mau plantada por ele “vingou”, cresceu e deu “frutos”. O “fruto” é podre porem, aí está.
    Para o bem da Fé, seria bom que os “faxineiros” do Vaticano fizessem aqui uma boa “faxina” e retirassem essas “melancias” “mangas” e “goiabas” bichadas produzidas no “pomar” de Hélder Câmara. Vade retro satana!

  19. Sim. isso é realmente é uma Vergonha. É por isso que vivo dizendo aqui em Recife; Dom José Cardoso,O.Carm é meu eterno Arcebispo.
    A Universidade Católica de CATÓLICA só tem o nome.

  20. Ouvi rumores de Olinda e Recife de que Dom Fernando está muito mal-assessorado, sobretudo por um padre que recentemente recebeu o título de monsenhor do Santo Padre, que tem um passado não muito límpido (tendo peregrinado quando seminarista, por motivos suspeitos, entre várias dioceses e institutos para poder ser ordenado), sendo recebido pela benevolência duvidosa de Dom Hélder.

    Pior: esse monsenhor (que está na foto postada), que era um dos responsáveis pela coordenação de denúncias infundadas contra Dom José Cardoso perante o Vaticano na época em que este estava à frente da Arquidiocese, não esconde as suas intenções de se tornar bispo!

  21. osires por favor nos diga quem é, ou onde está este padre homoafetivo para que possamos não ir a essa paróquia.

  22. Realmente um absurdo.

  23. Caro, Manoel Carlos

    No jornal da diocese consta o que vc deseja encontrar.

  24. Deus lo Vult!
    Dignare me laudare Te, Virgo Sacrata – da mihi virtutem contra hostes tuos!
    Universidade Católica recebe simpósio de “Direito Homoafetivo”
    Sunday, September 11, 2011 20:39 | Armazenado em Ética & Moral, Muralhas Doutrinárias

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    Esta semana, nos dias 16 e 17, a Universidade Católica de Pernambuco – Unicap – vai sediar o I Simpósio Pernambucano de Direito Homoafetivo. Causa espécie que um evento desta natureza – de iniciativa “do Diretório Acadêmico Fernando Santa Cruz da Faculdade de Direito da Unicap e do Movimento Gay Leões do Norte” – seja realizado em uma Universidade Católica, cujos princípios são (ou, pelo menos, deveriam ser…) um reflexo fiel da Doutrina Católica, segundo a qual os atos homossexuais são intrinsecamente desordenados e não podem, em caso algum, ser aprovados.

    Mas o que causa ainda mais estranheza é encontrar, entre os participantes do referido evento, o “Prof. Pe. Luís Corrêa – PUC/RJ; Fundador do Grupo Diversidade Católica”. Talvez nem todos conheçam o reverendíssimo sacerdote. O grupo “Diversidade Católica” apresenta-se como “um grupo de leigos católicos que compreende ser possível viver duas identidades aparentemente antagônicas: ser católico e ser gay, numa ampla acepção deste termo, incluindo toda diversidade sexual (LGBT)”. Enganar-se-ia quem imaginasse encontrar neste grupo um chamado à castidade para aquelas pessoas que padecem de tendências homossexuais. Na verdade, este site propaga uma moral frontalmente contrária à Moral Católica, relativizando de uma maneira criminosa o ensinamento constante do Magistério da Igreja e usurpando indevidamente o nome de “Católico” como um engodo para atrair os incautos.

    Eis, abaixo, uma pequena coletânea dos ensinamentos nada ortodoxos e nem um pouco católicos do padre Luís Corrêa, em textos escritos pelo próprio e disponíveis na internet para qualquer um:

    No judaísmo antigo, acreditava-se que o homem e a mulher foram criados um para o outro, para se unirem e procriarem. O homoerotismo era considerado uma abominação. Israel deveria se distinguir das outras nações de várias maneiras, inclusive pela proibição do homoerotismo. A Igreja herdou esta visão antropológica com sua interdição. No século 19, porém, surgiu o conceito de ‘homossexualidade’, que permite pensar esta realidade de outra maneira. A atração pelo mesmo sexo pode ser entendida como um dado da natureza (in A Igreja e as uniões homossexuais).
    Em diversas comunidades e ambientes católicos, é crescente a tolerância de padres e religiosos para com fiéis que não seguem à risca a moral sexual oficial da Igreja. Esta tolerância inclui os fiéis homossexuais que possuem companheiros. Há no catolicismo uma forte tendência de adaptação à sociedade contemporânea, sobretudo no nível das bases (in Homossexualidade e Igreja Católica – conflito e direitos em longa duração).
    Na verdade, nós estamos vivendo uma mudança de paradigma antropológico. Havia uma heterossexualidade universal, ou heteronormatividade, uma suposição de que todo ser humano é feito para o sexo oposto, de que só com alguém de outro sexo se pode constituir uma união sadia, base de uma família respeitável. A homossexualidade foi considerada doença até o início dos anos 1990. Isto ainda está arraigado na sociedade e nas estruturas mentais, que incidem na religião. A Igreja tem dois mil anos, e o peso da tradição é muito forte (in A Igreja e os homossexuais: entrevista com Luís Corrêa Lima).
    Na Bíblia, há uma cosmologia na qual o mundo foi criado em seis dias e a Terra surgiu antes do Sol e das estrelas. Há uma antropologia na qual o homem vem do barro e a mulher vem da costela do homem. E nessa antropologia também se proibia a união entre dois homens e entre duas mulheres. Não se deve seguir tudo ao pé da letra, como se hoje fosse necessário entender assim (in A homossexualidade não é pecado).
    O estigma de infâmia e de doença ligado à homossexualidade precisa ser vencido. A aceitação da condição de seus filhos torna a vida de ambos muito melhor e mais feliz (in Carta aos pais dos homossexuais).
    Mesmo na Espanha, quando o papa afirmou o valor central da família “fundada sobre o matrimônio indissolúvel do homem e da mulher”, alguns entenderam como uma condenação do casamento gay. Ora, exaltar a união heterossexual não significa exortar uma pessoa homossexual a se casar com alguém de outro sexo (…) Tudo isto não significa que a moral da Igreja mudou, mas que há uma nova impostação, um outro tipo de convivência com a sociedade secular (in O ranço moralista).
    Gays e lésbicas podem encontrar na vertente secular dos direitos humanos um alicerce de ampliação de sua cidadania. Na vertente religiosa dos mesmos direitos, encontram resistências, sem dúvida. Mas também podem encontrar aliados em um cristianismo includente, onde a homoafetividade é vista como parte do desígnio divino, manifesto na criação e bem compreendido pela reta razão (in Homossexualidade, Lei Natural e Cidadania).
    Et cetera. Quem tiver estômago, pode navegar pelo referido site para encontrar, em cada página, omissões imperdoáveis sobre aspectos importantíssimos da Moral Católica – quando não a sua negação explícita (veja-se, à guisa de exemplo, a resposta a esta pergunta sobre se o “católico gay” que mantenha um relacionamento está em pecado). O Grupo Diversidade Católica, portanto, não é católico, a despeito do nome que ostente. O pe. Luís Corrêa não defende a reta moral católica, a despeito de ser sacerdote católico. É então um escândalo que um evento desses se realize sob as asas dos Jesuítas de Recife, na Universidade Católica de Pernambuco.

    Uma última informação é talvez digna de nota: os seminaristas da Arquidiocese estudam na Universidade Católica. É uma vergonha que a congregação religiosa fundada por Santo Inácio permita na instituição que dirige (e onde estudam os futuros sacerdotes da Arquidiocese de Olinda e Recife!) esta provocativa realização de um simpósio onde a lei de Deus vai ser abertamente contradita, e onde dar-se-ão ares de santidade e de retidão moral ao pecado que brada aos Céus vingança – defendido publicamente inclusive por um padre católico. É uma infâmia que os jesuítas dêem guarida a um simpósio que pretende legitimar a violação do Sexto Mandamento da Lei de Deus.

    * * *