Bento XVI decepciona os protestantes em Erfurt.

Nada de “histórico” no encontro do Papa com a Igreja protestante, segundo o pastor lausanês de Berlim, Claude Vallotton.

Por Michel Verrier, Tribune de Genève | Tradução: Fratres in Unum.com

No mosteiro dos Agostinianos de Erfurt, lá onde Martinho Lutero era ainda um católico, antes de sua excomunhão, Bento XVI rendeu certamente uma homenagem apoiada sobre o vínculo do reformador a Deus, “que foi a paixão profunda e o centro de sua vida”.

O Papa celebrava ontem a missa diante do presidente da igreja protestante, Nikolaus Schneider, e de Katrin Göring Eckhardt, presidente do sínodo protestante – e presidente do Parlamento alemão pelo Partido Verde. Mas fechou logo de cara a porta a qualquer ilusão.

“Nas vésperas da vinda do Papa, falou-se diversas vezes de um dom ecumênico do hóspede que se esperava desta visita. quero dizer que isto constitui um equívoco político da fé e do ecumenismo”.

Foi um balde de água fria para os protestantes. Mas nada que surprenda o pastor da comunidade protestante de língua francesa de Berlim, o lausanês Claude Vallotton. Ele não esperava “nada de histórico” da visita do Papa ao mosteiro de Lutero. “Certamente, é muito bom ir encontrar os descendentes da Reforma em Erfurt. Isso soa bem com os meios de comunicação, o cosmético do mundo atual.”

Mas, “o acontecimento histórico seria o pleno reconhecimento das Igrejas protestantes e da Santa Ceia protestante, o pleno reconhecimento dos pastores protestantes como verdadeiros pastores”. Seria “dizer que as pessoas divorciadas podem se recasar na Igreja”.

“Mas isso está longe de acontecer. Ou então seria necessário um papa carismático, uma espécie de novo concílio”.

Em Erfurt, Christoph Matschie, teológo, social-democrata e o vice-ministro presidente da Turíngia, manifestava também a sua decepção: “Após trinta anos de debates teológicos, muitas pessoas esperavam propostas claras do Papa sobre o caminho do futuro das Igrejas, esperavam por sua convergência.”

“Nós realmente fomos ouvidos”, abrandava o presidente Nikolaus Schneider ao sair do encontro com Bento XVI, antes de acrescentar, “mas os nossos corações queimam por mais”.

“O ecumenismo está em retrocesso, lamenta Claude Vallotton. Não há reconhecimento mútuo. Progredimos sobre certas coisas, sobre os casamentos ditos mistos, por exemplo, e isso é bom. Mas você sabe, as pessoas já estão muito mais adiante”.

Bento XVI permaneceu insensível aos anseios mais urgentes dos protestantes, de que ele tratasse do levantamento da excomunhão de Lutero ou da eucaristia comum. Um gesto que pesará muito no balanço de sua viagem à sua pátria.

21 Comentários to “Bento XVI decepciona os protestantes em Erfurt.”

  1. Para quê os protestantes tanto querem o levantamento da excomunhão de Lutero? Por acaso voltariam à Igreja Católica após este ato? Por acaso deixariam de serem protestantes?

  2. ”Bento XVI permaneceu insensível aos anseios mais urgentes dos protestantes ”

    Graças a Deus…

  3. “Após trinta anos de debates teológicos, muitas pessoas esperavam propostas claras do Papa sobre o caminho do futuro das Igrejas, esperavam por sua convergência.”

    Ou seja, após 30 anos ninguém de Roma avisou para esses hereges que o suposto objetivo do ecumenismo seria suas conversões para única e verdadeira igreja. Se eles não tinham esse conhecimento, com certeza não seria por culpa própria…

    Sabe o que é triste disso tudo? Bento XVI não consegue agradar a ninguém. Nem aos hereges, nem aos modernistas – que o consideram muito conservador – , nem aos tradicionalistas, por motivos óbvios, elogiar o herege apóstata e reunir falsas religiões em Assis… Só mesmo os neo-conservadores que mudam de direção a cada nova direção dos ventos conciliares e que por uma obediência baseada em falsos conceitos, aceitam tudo de Roma como inspirado pelo ES.

    Eu tenho enorme simpatia pelo Papa Bento XVI. Ele tem o coração tradicional, como eu acredito ter lido uma vez tal declaração de dom Fellay. São suas ideias o problema.

    Vivemos uma fase onde se faz tudo o que sempre se fez com o JP II, mas numa menor escala ao meu ver, tentando colocar um pouco do espírito verdadeiramente católico na nova orientação apostata do CV II. É inegável que muita coisa tenha mudado, sem realmente ter mudado.

    Continuemos firmes na luta e confiemos na posição daqueles que estão há mais tempo na lura do que nós.

  4. Ora , se querem participar da Igreja, abandonem/reneguem a heresia protestante !

    Serão bem recebidos.

  5. Meu Deus do céu, com tais atos as portas do inferno prevaleceriam sobre a Santa Igreja, o que jamais poderá ocorrer!! Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!!

  6. Deus abenções o Papa,
    que Deus o conserve!

    E para os que o criticam, acredito que ele surprenderá muitos em Assis.

    Que viva muitos anos santo Padre.

    Viva o Papa!!!!

    Doce Cristo na terra.

  7. Eles devem ter ficado muito chateados mesmo, porque o papa “”””só”””” elogiou Lutero né??? Vão precisar de anos e anos de terapia pra superar isso…

  8. Deo Gratias! E viva o Papa!

  9. Disse Nikolaus Schneider: “…os nossos corações queimam por mais”. Pois bem! Na seita em que estão queimaram mais ainda no inferno.

  10. Se Lutero for reabilitado, Lúcifer exigirá seus direitos no PROCON.

    Robson.

  11. O Papa não tinha nem que ter elogiado Lutero. Como que se elogia alguém que causou tanto mal aos cristãos?? Alguém explica isso??

  12. O coração deles queimam!?!?!? Deve ser o Fogo do Espírito Santo infundindo-lhes: “Momento de Conversão, Momento de Conversão”.

  13. “Foi um balde de água fria para os protestantes.”

    Talvez o Papa elogiou APENAS Lutero por causa de seu espírito reformador, pelo fato dele ter se empenhado antes de sofrer a pena de excomunhão em catequisar as aldeias e povoados :

    “Com efeito, os doIs catecismos de Lutero representavam ‘ um
    grande esforço de coordenação. Eram a resultante de uma evolução
    que, desde muito, se acentava dentro da’ própria Igreja
    Católica. Sem embargo de sua apostasia, Lutero foi um dos
    primeiros a compreendê-Ia, quase que por Intuição, e a dar-lhe
    adequada expressão literária. (Histórico do Catecismo Romano).

    O verdadeiro ecumenismo é empenhar esforços no sentido de trazer de volta os “separados” de volta para o redil de Pedro fora da qual não há salvação:
    Aquele que crer e for batizado será salvo , quem não crer será condenado.

  14. “Sabe o que é triste disso tudo? Bento XVI não consegue agradar a ninguém. Nem aos hereges, nem aos modernistas – que o consideram muito conservador – , nem aos tradicionalistas, por motivos óbvios, elogiar o herege apóstata e reunir falsas religiões em Assis… ”
    Também observei isto. Parece que o papa se esforça para fazer o discurso de acordo com platéia que o irá ouvir. Desta forma tanto num diz uma coisa, como diz outra contraditória em outra. É o discurso do politicamente correto. Em suas mensagens não fica clara afirmação do Senhorio e da Redenção por Cristo. Da unicidade da Igreja de Cristo. Há mais um discurso humanista e humanitário,na forma em que o mundo suporta ouvir. Rezemos muito pelo Santo padre e por nós também, para que permaneçamos firmes na fé.

  15. Assim como o filho pródigo precisou humilhar-se e pedir perdão para voltar a casa de se pai, se os protestantes querem fazer parte da Igreja, peçam perdão por seus erros, principalmente os abandonem, e reconheça a Única Igreja de Cristo, assim poderão voltar a Verdadeira Casa do Pai…

    sem aceitar…. não adianta choramingar

  16. Se Lutero for reabilitado, Lúcifer exigirá seus direitos no PROCON. (2)

  17. Deo Gratias
    PAX

  18. Por fim o Papa faz um elogio ao criador da missa nova

  19. Acho que também vou começar a falar um monte de heresias para ser elogiado pelo papa…

  20. Este ecumenismo de mão única foi forjado no Concílio Vaticano II. Dentre seus acordos com os protestantes relegou Nossa a apenas uma espécie de avó dos cristãos dedicando-lhe apenas um capítulo em uma de suas constituições. Quando o pedido era a de proclamá-La Medianeira de todas as graças. Quanto aos impecilhos relativos à distinção do sacerdócio hierárquico do comum dos fiéis; e da noção exata do Santo Sacrifício da Missa a comissão – (sob a “observação” de 6 pastores) – que criou a missa nova se incumbiu de atenuá-los.

  21. Correção: (…) relegou Nossa Senhora a apenas uma espécie de avó…