Desmitificando o Concílio: enfrentar a realidade para acordar a Bela Adormecida. Franciscanos da Imaculada promovem livro sobre Vaticano II.

Na Idade da confusão [1], um livro que esclarece

Por Cristina Siccardi – Approfondimenti di “Fides Catholica”

Tradução: Giulia D’Amore, a quem agradecemos a gentileza.

A primeira apresentação do livro de Gnocchi-Palmaro [2], A Bela Adormecida. Porque depois do Vaticano II a Igreja entrou em crise. Porque despertará (Ed. Vallecchi), despertou um vivíssimo interesse entre as pessoas reunidas sábado, 15 de outubro, na maravilhosa e antiga Igreja de Todos os Santos dos Franciscanos da Imaculada, de Florença, onde foi celebrada, antes da conferência, a Santa Missa no rito tridentino oficiada pelo Pe. Serafino Lanzetta [Franciscano da Imaculada].

Estavam presentes, à mesa dos palestrantes, o próprio Pe. Lanzetta, o Prof. Pucci Cipriani, o Prof. Mario Palmaro e o Dr. Paolo Deotto, diretor de Riscossa Cristiana [3]. Este encontro foi melhor resposta para o artigo que Alberto Melloni [4] havia escrito no ‘Corriere fiorentino’ [5] um dia antes; jornal que dedicou, no dia da reunião, uma página inteira ao evento. O expoente da Escola de Bologna [6], que fez do Concílio Vaticano II um mito intocável, usou em seu artigo tons insolentes e rudes contra quem sustenta que a Igreja sofreu um trauma com seu XXI Concílio. A medicina nos ensina que dos traumas se consegue muitas vezes sarar somente descobrindo as causas que os geraram… Tampar o sol com a peneira [7] ou repetir enfurecidamente que o Concílio não é o problema, mas que, quando muito, os problemas surgiram porque as diretrizes conciliares não foram executadas suficientemente (os progressistas) ou porque houve más interpretações deles (os neoconservadores) não é certamente um bom serviço à Igreja.

Melloni considera os católicos que amam toda a Igreja, portanto sua Tradição, como nostálgicos que ‘comovem’. Tem dó deles e deles se compadece como se se tratasse de frustrados que esperam uma revanche: “esperam uma desforra ao invés de compreender a sua posição por aquilo que é: um movimento que chama tradição e hábitos de sua própria juventude”; e, no entanto, a Igreja de Todos os Santos estava cheia de jovens e de estudantes, assim como esses mesmos jovens se interessam pela Tradição da Igreja através das ideias que livremente circulam na Internet. Não se trata absolutamente de nostálgicos. As estatísticas, por outro lado, falam por si. Melloni não sabe que nestas reuniões e nas missas tridentinas os mais velhos são sempre o percentual menor. Na realidade, todos estes católicos querem entender o que realmente aconteceu naquele Concílio Vaticano II que tantos problemas tem criado.

Ninguém, desprovido de má-fé, pode afirmar que a Igreja tenha se beneficiado das decisões pastorais do Concílio Vaticano II. Ninguém pode dizer que tenham aumentado as vocações, que tenha aumentado o zelo, que tenham se ampliado a Fé, a Esperança e a Caridade, que haja uma boa preparação catequética nas crianças e adolescentes, que a prática religiosa tenha aumentado, que as famílias tenham sido beneficiadas, que as leis dos Países ocidentais sejam respeitosas em relação à vida humana desde a sua concepção, que a evangelização, ordenada por Jesus Cristo aos seus Apóstolos, tenha assimilado linfa nova e vital… Nada disso. Então, realmente, como disse Ralph McInerny [8], no Vaticano II algo deu errado, mas não deu errado porque, como argumentou o estudioso americano, os documentos não foram acolhidos corretamente e sua interpretação foi falsificada, mas porque o Concílio, seguindo a cultura da época, quis se desfazer, disse o padre Serafino Lanzetta, do princípio da Cruz e do sacrifício, sustentando uma tese heterodoxa “em nome da pastoralidade. Isso originou a ambiguidade, e, portanto, o Concílio se submeteu, por sua própria natureza, a múltiplas interpretações. Muitos, como resulta da análise de Melloni, pensaram que a doutrina deva adaptar-se aos tempos e não vice-versa. Hans Küng [9] sustenta, em seu livro ‘Salvemos a Igreja’, que a Igreja está em crise não for falta de Fé e de correta pregação, mas deriva de um problema de caráter político dentro da Cúria romana, portanto da teologia romana, da teologia metafísica. Küng, como Alberigo e Melloni, argumenta que o Vaticano II queria recuperar a Igreja do primeiro milênio, considerando-o um período ideal porque a Igreja era unida e compacta: Ocidente e Oriente juntos, sem cismas, sem Protestantismo. Mas como é possível, na Igreja, não considerar o segundo milênio? Benvinda seja, então, a análise divulgadora de Gnocchi e Palmaro, que esclarece muitos pontos, gerando, no entanto, em alguns, turbamento, irritação, nervosismo”, e, sem argumentações sérias, procuram desacreditar com irreverência aqueles que consideram ‘inimigos’.

Pe. Lanzetta, que aprecia neste livro o agradabilíssimo italiano, lembrou, como bem enfatizaram Gnocchi e Palmaro em seu livro, a formidável incidência da mídia sobre o mito do Vaticano II, e isto deriva de uma filosofia de matriz kantiana: a coisa existe se aparece. O ‘Avvenire d’Italia’ [10], no período do Concílio, registrava a crônica das assembleias conciliares: as realidades sagradas eram colocadas em praça pública, em uma espécie de mentalidade ‘democrática’ que satisfazia as necessidades liberais da cultura da época. E tais crônicas relatavam tudo o que parecia ‘novo’ e ‘revolucionário’, e não a essência da Fé. Emblemático resulta o fato de que o arcebispo brasileiro Helder Pessoa Câmara [11] (conhecido como Dom Helder, 1909-1999) preferisse realizar coletivas de imprensa a falar no Concílio, pois o reputava, justamente, mais eficaz, uma vez que os Padres Conciliares se deixavam influenciar por tudo que aparecia nos meios de comunicação de massa, mais do que por aquilo que haviam ouvido nas Sessões.

O livro de Gnocchi e Palmaro”, afirmou Pe. Lanzetta, “não é uma inquisição, um processo a Galileu [12], mas simplesmente uma análise dos fatos; é tomar consciência de um problema real. Ocorre tomar consciência de que o Concílio não é o todo, não é o divisor de águas. A Fé católica não se origina em um Concílio”. A Fé não depende da adesão ao Concílio Vaticano II, porque este não é um dogma de Fé. A Bela Adormecida ajuda a perceber um problema que não pode mais ser negligenciado.

Paolo Deotto, então, declarou que ficou satisfeito de ler o livro de Gnocchi-Palmaro, porque há muito tempo recebe, em um ritmo insistente, correspondência dos leitores de Riscossa Cristiana, na qual se percebe o desejo de compreender as questões controversas do Concílio e “o desejo de ter uma Igreja próxima e respeitada”, que não se confunde com as outras realidades terrenas de consistência líquida ou gasosa. O fiel da primeira hora conciliar restava assombrado diante dos novos eventos eclesiásticos: padres trabalhadores, padres sindicalistas, padres sociólogos, padres politiqueiros, padres guerrilheiros… quando pelo contrário, ontem como hoje, precisamos de sacerdotes que sejam sacerdotes, “necessitamos deles”, afirmou Deotto, “como do ar que respiramos”.

A comunicação da época se apropriou da temática religiosa: o Concílio Vaticano II era uma grande novidade, e jornais e TV colocaram sob os holofotes uma Igreja que, através de alguns teólogos e alguns pastores, queria emancipar-se e estar nos salões [13] da sociedade. “A Igreja queria manter-se atualizada com os tempos”; sem antagonizar ninguém, quis agradar a todos para ser amiga de todos, não olhando mais para erros e heresias, mas apenas para as coisas que unem e não dividem, “bem distante de um santo Atanásio que permaneceu firme na Fé Católica e no Deus encarnado com todas as consequências que este Credo comporta”.

A intervenção do Prof. Palmaro foi, então, cheia de significado. Ele lembrou, antes de tudo, de ter nascido em 1968, e daqueles anos lembra, em particular, uma palavra que era sempre pronunciada e praticada: ‘debate’, continuamente invocado e reclamado. Desde então, se fazem debates sobre tudo e todos. “Todavia, hoje, há quem não queira mais os debates, embora os tenha apoiado muito. Daqui nasce a intolerância, a qual esconde uma grande fraqueza: não enfrentar a realidade. Eis, então, a idade do paradoxo: onde eu e Gnocchi pudemos expressar o nosso pensamento católico? Em jornais seculares e, em particular, no ‘Il Foglio’ [14], de Giuliano Ferrara. Aqui pudemos dar espaço a uma hermenêutica de fatos católicos. Estamos dentro do que, muito provavelmente, os historiadores do futuro definirão a ‘Idade da confusão’.

Nos acusam de fazer recair todas as culpas sobre o Vaticano II, e que procuramos todas as causas dos males neste particular Concílio. Não é verdade, porque dizemos que muitos problemas doutrinais precederam o Vaticano II, como bem destaca o Prof. Roberto de Mattei [15]. De fato, aos meus alunos faço ler a encíclica de São Pio X, a Pascendi Dominici Gregis [16], onde são evidenciados e condenados os erros dos modernistas. Esta tem um caráter de definição e jurídico, e há nela uma metafísica sólida, onde a teologia é acompanhada por um pragmatismo são, que não deixa espaço à imaginação ou às fantasias utópicas.

O católico é chamado a reagir: não pode salvaguardar o que a Igreja sempre renegou. No entanto, Melloni e alguns conservadores não querem que se fale. A acusação deles é forte, usam as armas da excomunhão, ou nos consideram pobres marinheiros que discutem em uma taberna. Outro paradoxo: não podemos mais dizer a alguém que é um herético, mas, contra os católicos que instauram um ‘debate’ sério, então se diz que eles são heréticos…”. Estamos diante do paradoxo de Epiménides [17], que afirmou: ‘Todos os cretenses são mentirosos’. Mas os cretenses eram muitos, supondo que todos fossem mentirosos: como Epiménides era um cretense, então Epiménides era um mentiroso. Sua afirmação era então verdadeira, mas isto é impossível porque um mentiroso não diz a verdade. Portanto, Epiménides é um mentiroso, e sua afirmação não é verdadeira. Negar uma asserção universal como ‘Todos os cretenses são mentirosos’ equivale a dizer que há pelo menos um cretense que diz a verdade. Da mesma forma, esses escritores e estudiosos católico têm que viver, portanto, o paradoxo de Epiménides.

Palmaro ressaltou, em fim, a importância da mudança da linguagem ocorrida durante o Concílio, e os documentos da Sessão estão embebidos de novas caracterizações linguísticas. Três foram as colunas da comunicação católica:

1. A língua latina. Esta deu uniformidade à linguagem e ao sentido das palavras. Tudo era definido em latim para evitar ambiguidades de expressão, oferecendo uma solidez sã ao longo do tempo.

2. A linguagem apologética. O latim não era compreendido por todos, por isso devia haver a transferência da comunicação por um clero preparado ao povo dos fiéis: narravam-se as vidas dos santos com os livros e com as homilias, defendiam-se as razões da Igreja, e nos sermões não se usavam as citações de um Rahner [18], mas de São Jerônimo, de São Francisco… Em suma, alimentava-se a Fé.

3. A linguagem jurídica. Os conceitos eram expressos em modo de definição.

Tais cânones, no Concílio Vaticano II não os encontramos mais. De fato, explicou Palmaro, os esquemas conciliares preparados pela Cúria de Roma que contemplavam ainda estas três colunas foram descartados.

Muitos aspectos, então, presentes nos documentos conciliares são a esta altura antiquados e ultrapassados; por exemplo, a relação entre o homem e o ambiente ou o homem e a técnica, ambos caracterizados pelo irracional otimismo dos anos Sessenta. Portanto, estamos diante de outro paradoxo: há muito mais novidade em levantar tais questões do que em quem, pelo contrário, está ancorado ao ‘moderno’ de então. Portanto, enfrentar essas temáticas resulta um drama psicológico para aquela geração que cresceu no mito do Concílio. Estamos diante de um novo Muro de Berlim que cairá, inexoravelmente, como acontece com as ideologias. A Igreja não nasceu de novo com uma fictícia e almejada pentecostes, porque a Igreja teve e tem uma única Pentecostes, não decidida pelos homens. Então, devemos nos armar de santa paciência. Os tempos da Igreja são longos: levou quase 50 anos para levantar questões como as de hoje, e o encantamento da Bela Adormecida será quebrado também graças a obras como a de Gnocchi e Palmaro, que, como muitos outros católicos que amam a Igreja, se colocam interrogações lícitas para as quais desejam ter respostas não vagas, ambíguas, ou fugazes, mas resolutivas, e operam com o espírito de quem não quer servir-se da Igreja, mas deseja servi-la.

Cristina Siccardi


[1] NdTª.: No original: Evo confusionale.

[2] NdTª.: Alessandro Gnocchi e Mario Palmaro.

[3] NdTª.: Riscossa Cristiana (Revanche Cristã): site católico de atualidades e cultura.

[4] NdTª.: Alberto Melloni é um histórico italiano, dedicando-se à História da Igreja, em particular ao Concilio Vaticano II.

[5] NdTª.: Corriere Fiorentino (Correio de Florença): jornal italiano online de crônica local, da cidade de Florença. Pertence ao célebre Corriere della Sera (Correio da Tarde), fundado em 1876.

[6] NdTª.: A chamada Escola de Bologna ‘congrega’ os defensores da Hermenêutica da Ruptura: Giuseppe Alberigo, Giuseppe Ruggieri, Maria Teresa Fattori, Alberto Melloni, David Berger, John O’Malley, Gilles Routhier e Cristoph Theobald, entre os principais expoentes.

[7] NdTª.: Foderarsi gli occhi: expressão que – originada da frase: ‘É inutile foderarsi gli occhi con la pancetta’, ou seja: ‘é inútil forrar os olhos com o bacon’ – quer dizer: fazer de conta que não é verdade. O nosso ‘tampar o sol com a peneira’.

[8] NdTª.: Ralph M. McInerny. What Went Wrong with Vatican II?: The Catholic Crisis Explained (Vaticano II. O que deu errado?: A Crise Católica Explicada).

[9] NdTª.: Hans Küng. é um teólogo suíço, filósofo, professor de teologia, escritor e sacerdote católico romano. No final da década de 1960, Küng iniciou uma reflexão rejeitando o dogma da Infalibilidade Papal, publicada no livro ‘Infallible? An Inquiry’ (‘Infalibilidade? Um inquérito’), em 18 de janeiro de 1970. Em consequência disso, em 18 de dezembro de 1979, foi revogada a sua licença pela Igreja Católica Apostólica Romana de oficialmente ensinar teologia em nome dela, mas permaneceu como sacerdote e professor em Tübingen até a sua aposentadoria em 1996. Küng defende o fim da obrigatoriedade do celibato clerical, maior participação laica e feminina na Igreja Católica, retorno da teologia baseada na mensagem da Bíblia.

[10] NdTª.: Avvenire d’Italia (Porvir da Itália): foi o primeiro jornal diário nacional de inspiração católica que apareceu no Reino da Itália. Foi publicado de 1896 a 1968. Em 1961, o novo diretor, Raniero La Valle, lhe deu uma direção progressista, contra a Igreja Tradicional. No plano internacional, tornou-se um jornal pacifista e antiamericano. La Valle era ligado ao card. Giacomo Lercaro, de Bologna. O jornal pertencia à Santa Sé, à Democrazia Cristiana (partido italiano de centro) e a algumas dioceses da Toscana e de Emília-Romanha. Foi fechado por questões econômicas, não doutrinárias.

[11] NdTª.: Helder Pessoa Câmara, OFS. Foi um bispo católico, arcebispo emérito de Olinda e Recife. Foi um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e defensor dos direitos humanos durante o regime militar brasileiro. A Permanência faz uma boa e substancial biografia de dom Helder.

[12] NdTª.: Sic. Esta colocação é estranha, tendo em vista que a ‘perseguição a Galileu’ é um mito.

[13] NdTª.: no original ‘salotti buoni’. Ou seja os salões da burguesia. Que todos, afinal, querem frequentar. Até os comunistas.

[14] NdTª.: Il Foglio Quotidiano (conhecido como Il Foglio) é um jornal diário italiano de difusão nacional fundando em 1996 por Giuliano Ferrara. Este, em 2007, fez uma campanha por uma moratória contra o aborto, porque “Os mais de um bilhão de abortos praticados desde que as leis permitem a famosa interrupção voluntária da gravidez diz respeito a pessoas legalmente inocentes, criadas e destruídas pelo mero poder do desejo, desejo de não tê-los e de odiar-se até o ponto de amputar-se do amor. É o escândalo supremo do nosso tempo, é uma ferida catastrófica que lacera em profundidade as fibras e o possível encanto da sociedade moderna. É, além de tudo, em muitas partes do mundo onde o aborto é seletivo por sexo, e torna-se seletivo por perfil genético, uma obra de arte ideológica de racismo em marcha com a força da eugenética. Alegremo-nos, portanto, para o alto os corações, e depois de termos promovido a Pequena Moratória, promovamos a Grande Moratória do massacre dos inocentes. Aceitam-se zombarias, porque as boas consciências sabem usar a arma do sarcasmo melhor que as más, mas também a adesão a um apelo que fala por si, iluministicamente, com a evidência absoluta e verídica dos fatos de experiência e de razão”. (Giuliano Ferrara, Il Foglio, 19 dezembro de 2007).

[15] NdTª.: Roberto de Mattei. autor e historiados católico italiano, escreveu o ‘Il Concilio Vaticano II. Una storia mai scritta’ (‘Concílio Vaticano II. Uma história nunca escrita’), que ganhou a indicação a dois prêmios: ‘Pen Club Italiano’ e ‘XLIV Premio Acqui Storia’, sendo que ganhou este último.

[16] NdTª.: Pascendi Dominici Gregis. É uma encíclica papal promulgada pelo Papa Pio X em setembro de 1907. Seu subtítulo diz: Carta Encíclica do Papa Pio X sobre os erros do modernismo. O documento, assim, condena o modernismo católico, considerado uma “síntese de todas as heresias”, com sua junção de evolucionismo, relativismo, cripto-marxismo, cientificismo e psicologismo. Como consequência da Encíclica, o papa formulou o ‘juramento antimodernista’, obrigatório para todos os padres, bispos e catequistas e que foi abolido em 1967, pelo Papa Paulo VI. Este fato levou os católicos tradicionalistas a acusarem que o outrora combatido modernismo tornou-se na doutrina subjacente da ‘nova Igreja’. Um dos mais influentes filósofos modernistas foi Teilhard de Chardin, que pretendia reunir catolicismo com darwinismo e marxismo. Os católicos tradicionais veem este documento como evidência de que a Igreja Católica e os papas anteriores ao Concílio Vaticano II já estavam atentos para a infiltração de inimigos da Tradição no seio da instituição. Muitos tradicionalistas consideram o Papa Paulo VI um modernista, como o norte-americano Rama Coomaraswamy, em ‘Ensaios sobre a Destruição da Tradição Cristã’ (São Paulo, 1990).

[17] NdTª.: Trata-se do ‘Paradoxo do Mentiroso’.

[18] NdTª.: Karl Rahner foi um sacerdote católico jesuíta de origem germânica e um dos mais influentes teólogos do século XX. Participou – a pedido de Papa João XXIII – como teólogo consultor do Concílio Vaticano II. Entrou na Comissão teológica e se tornou um personagem chave do Concílio, promovendo a “nova visão de uma ‘Igreja de todo o mundo’, não mais ‘fechada em trincheira’, mas ativa e positivamente aberta ao diálogo com as outras confissões cristãs e com as grandes religiões do mundo; Rahner contribuiu a transportar a teologia católica para o fim da neoescolástica, com a valorização do laicato na Igreja e com a concessão, aos bispos de todo o mundo, de uma maior liberdade de iniciativa dentro da própria Igreja”. [La fatica di credere (A fadiga de crer). 1986.] Criou a revista Concilium.

22 Comentários to “Desmitificando o Concílio: enfrentar a realidade para acordar a Bela Adormecida. Franciscanos da Imaculada promovem livro sobre Vaticano II.”

  1. Yves Chiron, “expoente da Escola de Bologna”? Houve certamente um engano.

  2. Às vezes eu penso que, um dos motivos para o Bom Deus ter permitido o Concílio Vaticano II, foi justamente o maldito liberalismo que tomava conta do clero já nos tempos de São Pio X.

    Fico imaginando se ele [o Concílio] não tivesse ocorrido. Hoje teríamos uma grande quantidade de sacerdotes sem Fé celebrando no Rito Tridentino, e jamais saberíamos a quantidade de Missas inválidas que ocorreriam no silêncio do Cânon. Do jeito que as coisas estão, pelo menos temos uma salvaguarda: a Missa de Sempre é um atestado de Fé e da real intenção do padre em realizar a consagração. Sabemos que nenhum Sacerdote sem Fé iria celebrar a Missa Tridentina hoje.

    Vale o mesmo para os fieis.

  3. É acalentador ler um texto deste, principalmente, porque amanhã (20/10/2011) serei obrigado a assistir a um culto protestante por ocasião do encerramento de um curso que estou fazendo no meu trabalho.
    Abaixo o Vaticano II!!!!!!!!!!!!!!! Fora com esses malditos modernistas!!!!!!!!!!!!!!!!

  4. Giulia:
    Excelente artigo e enriquecedoras notas. Obrigado por traduzi-lo e dispnibilizá-lo para todos aqui.

  5. Israel TL,

    Achei meio confuso seu raciocínio. Porém, acrescento que a maior quantidade de missas inválidas e sacrílegas na história da Igreja, se celebra hoje, com aval deste concílio.

  6. É, se a coisa se resolver de 50 em 50 anos, então é melhor a gente começar já a escrever em papel e deixar na net nossas impressões dos fatos, pq muitos nós estaremos pra lá de Bagdá kkkk

  7. Que pena que eu não sei falar italiano e que esses livros não beiram o Brasil

  8. Caro Osires Costa

    Concordo plenamente com você. A confusão do meu pensamento é devido a minha falta de capacidade para escrever, e peço perdão pela minha falta de clareza.

    O seu comentário é muito pertinente ao que quis dizer. O fato das missas hoje serem sacrílegas é a falta de Fé dos sacerdotes. Se não há intenção de fazer o que a Igreja sempre fez, não há sacrifício, certo?

    Imagine então se não houvesse a missa nova: como distinguir os padres modernistas daqueles que permanecem fieis à Santa Tradição?

    E mais: como ter certeza de que o sacerdote realmente faria a consagração, seguindo fielmente a fórmula do missal, se o cânon tradicional é rezado em silêncio?

    Há muitos séculos, o Bom Deus já avisava à Santa Catarina de Sena* que alguns sacerdotes não faziam a consagração, calando-se nesse momento, por estarem em pecado mortal e recusarem a confissão, mas temerem agravar seu estado celebrando indignamente. E isso no século XIV! Imagine hoje, com a crise de Fé que assola o clero e o povo?

    Então, meu raciocínio é o seguinte: quando encontro um sacerdote que celebra devotamente a Missa Tridentina, isso para mim é um atestado de que ele permanece fiel a Santa Igreja Católica. Dos que celebram apenas o novo rito, não há como ter certeza da intenção, apesar de, pelo menos, ouvirmos a fórmula da consagração nas missas.

    Não é um elogio à missa nova. É apenas a suposição de um entre tantos motivos que o Bom Deus poderia ter para permitir que a Liturgia fosse tão empobrecida. Além, é claro, de castigo por nossas infidelidades.

    Que Nossa Senhora do Rosário o abençoe, Osires, e abençoe também o Ferretti e os demais leitores do Fratres!

    E me perdoe se escrevi bobagens, pois minhas intenções são boas. Tenho um grande defeito que é falar (e escrever) demais às vezes, como já devem ter percebido.

    Em Cristo,

    Israel Ternus Lamb

    *Conversa da Santa com Deus, no livro “O Diálogo”

  9. Também não consegui acompanhar o raciocínio de Israel TL. As coisas estão como estão por causa do Concílio, não independente dele. Assim, o senhor acaba inocentando essa mostruosidade…

    Pedro, obrigada pelas notas. O artigo é de Cristina Siccardi rsrsrs
    E… non nobis! Não sou daqueles que fariam uma noite de autógrafos por uma obra que não é minha. Bom, posso fazer uma noite de autógrafos… das notas! kkk

    Renato, obrigada. Minha pesquisa sobre o tema “Escola de Bolonha” limitou-se ao wikipedia… donde…

  10. Diante de tudo isso cada vez mais me direciono com fátima, pois como diz as profecias o embate será inevitável, não importando o quanto demore . Lembre-se dos sonhos de Dom Bosco sobre as duas colunas e procissão que retorna a roma até lá muito há que se fazer.

  11. “Ninguém, desprovido de má-fé, pode afirmar que a Igreja tenha se beneficiado das decisões pastorais do Concílio Vaticano II. Ninguém pode dizer que tenham aumentado as vocações, que tenha aumentado o zelo, que tenham se ampliado a Fé, a Esperança e a Caridade, que haja uma boa preparação catequética nas crianças e adolescentes, que a prática religiosa tenha aumentado, que as famílias tenham sido beneficiadas, que as leis dos Países ocidentais sejam respeitosas em relação à vida humana desde a sua concepção, que a evangelização, ordenada por Jesus Cristo aos seus Apóstolos, tenha assimilado linfa nova e vital…”

    Já nos ensinara Nosso Senhor: “Pelos frutos conhecereis a árvore…”

  12. Israel, você tem a parte do texto que Nosso Senhor diz à Santa Catarina de Sena sobre esses fatos praticados pelos sacerdotes? Achei interessante …

  13. Prezado Israel,

    Sua análise me parece bem pertinente. A Misericórdia Divina se manifesta mesmo em tempos de castigo pela nossa iniquidade e da situação triste da crise na Igreja aprouve à Providência distinguir marcos de segurança aos fiéis.

  14. A propósito, demos Graças a Deus e esperemos… ainda que de 50 em 50 anos tudo haverá de se encaminhar para maior Honra e Glória de Deus.

    Rezemos e sejamos vigilantes, pacientes mas não tíbios.

  15. Thiago

    Só estarei em casa amanhã, e então posto para você esta parte do livro. De qualquer forma, adianto que Deus pede às pessoas, em caso de desconfiar do sacerdote, para adorar e comungar sob condição, dizendo: “Senhor, se o sacerdote consagrou, creio que estais presente no Santíssimo Sacramento”.

    Creio que esse conselho é muito válido para os dias de hoje, para quem não tem acesso a Missa Tridentina.

  16. Diogo, com um frase, você explicou melhor do que eu em dois longos posts

  17. De nada, Giulia. Parabéns pelo trabalho de tradução e anotação!

  18. Isarel, muito obrigado, se puder postar aqui mesmo nessa notícia dos franciscanos da Imaculada!

  19. Caro Thiago, achei o texto:

    “Certos sacerdotes, como demônios encarnados, simulam a consagração do pão e do vinho; não só por temer que os castigue, mas para contornar qualquer impedimento a determinado pecado. Ao se levantarem pela manhã, manchados, após uma noite de comes e bebes, são obrigados a celebrar a missa para o povo. Mas têm consciência do próprio mal, sabem que não podem dizer a missa – não por aversão ao pecado – mas por egoísmo; temem os meus castigos. Compreendes, filha? Ao invés de se arrependerem, com o propósito de emenda, solucionam o impasse com uma consagração simulada. Cegos, eles não percebem que recorrem a um pecado e erro maiores do que o primeiro. De fato, levam o povo à idolatria, fazendo-o adorar uma partícula não consagrada pela presença do corpo e sangue do meu Filho, todo-Deus e todo-Homem, como acontece quando as partículas são realmente consagradas. Fazem o povo adorar um pedaço de pão! Percebes como é enorme tal abominação e com que paciência a tolero? Se não se corrigirem, tais sacerdotes verão transformar-se em condenação, toda a graça que receberam.

    Num caso desses, como deveriam comportar-se os fiéis para evitar a idolatria? Dizer sob condição: ‘Se este sacerdote pronunciou as palavras da consagração que devia pronunciar, creio que tu és o Cristo, Filho do Deus vivo e verdadeiro, oferecido a mim como alimento em uma chama de imenso amor e como recordação da tua paixão, quando derramaste teu sangue em sacrifício, num grande ato de amor, para lavar nossas maldades.’ Com tal atitude, a cegueira daquele ministro não produzirá a idolatria, com a adoração de uma coisa por outra; o pecado será somente do sacerdote, que faz os fiéis praticarem um ato desnecessário. Ó filha bondosa, que é que impede a terra de os devorar? Que é que detém meu poder de transformá-los em estátuas imóveis diante de todo o povo, para sua confusão? A minha misericórdia! Eu me contenho; por misericórdia, retenho a justiça. Quero vencê-los mediante o perdão. Infelizmente tais sacerdotes são demônio obstinados, não reconhecem minha bondade. O orgulho os cegou; acreditam que meus dons lhes são devidos, não compreendem que tudo recebem gratuitamente, sem nenhuma obrigação minha.”

    Sena, Santa Catarina de. O Diálogo. 11a edição. Ed. Paulus. pg.276 e 277

    Recomendo muito a leitura do livro. É muito bom, especialmente para os tempos em que vivemos.

    Que Nossa Mãe Santíssima o abençoe!

    Israel

  20. Muito obrigado Israel por digitar esta parte do livro de Santa Catarina, é realmente muito forte, acredito que Deus permitiu a recitação da oração eucarística, porque hoje seria pior!

  21. Caro Israel TL,

    Estamos no mesmo barco, ou seja, nesta luta terrível contra os inimigos da igreja. Quanto escrever bem o português, não se desculpe, pois sou péssimo. Escrevo tantas barbaridades, que tenho de entrar no frates para corrigir alguma coisa aberrante.