Editorial de Rorate-Caeli: Assis Ignorado.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com

Aparentemente é verdade: como um comentarista notou em seu próprio país, excluindo alguns diários italianos (e RAI, a rede estatal italiana, que ajudou a transmiti-lo), o encontro de Assis gerou apenas notas genéricas pelas agências de notícias reproduzidas por jornais nacionais ou locais. Na maioria das fontes principais, ele foi ignorado.

Tal fato deveria ser visto:

(1)   Como algo bom, e talvez resultado de um bem sucedido esforço de minimizar a importância do evento? ou

(2)   Como algo não especificamente bom, no sentido de que ele nutre a atual noção de que o Papado (e tudo o que ele representa) está progressivamente se tornando irrelevante (como na repetida idéia de que o Vaticano agora se sente tão sem importância como a República de Veneza antes de sua queda perante as tropas napoleônicas)?

Independente do que foi dito ou feito ontem em Assis, eventos como esse ocorrido lá tendem a ser retratados ou vistos no mundo secularizado como uma confirmação do que eles vêem como irrelevância ou ostentação vazia da fé em geral – para muitos homens e mulheres, uma assembléia de líderes religiosos pode parecer mais despropositadamente patética ou causadora de pena do que inspiradora ou escandalosa. Talvez tenha chegado a hora da hierarquia eclesiástica deixar para trás algumas noções frívolas da segunda metade do século XX, inclusive a de promoção de um “movimento pela paz” amorfo.

[Imagem: Ludovico Manin, último Doge da Sereníssima República de Veneza.]

9 Comentários to “Editorial de Rorate-Caeli: Assis Ignorado.”

  1. Acredito mais na segunda hipótese. A mídia pouco se importa se o ato do papa é ou não favorável à doutrina de sempre. A mídia não se importa com a fé e sim com a pessoa do papa. Por isso não acredito que ela tenha boicotado Assis III por questões doutrinais e sim por enxergar neste ato papal algo sem relevância.

  2. Quem dera Assis fosse igual aos deuses pagãos do romance As Brumas de Avalon, que entraram em extinção a partir do momento em que foram ignorados pela população despaganizada.

    (Eu não li o livro, mas vi isso num filme… Os deuses pagãos dependiam do culto dos homens para existir, quando eram esquecidos, perdiam também a existência).

  3. Creio que faz sentido o que o Petrus disse. Conversando com não católicos, estes se importam mais com os pronunciamentos no campo moral (pílula, preservativos, aborto e etc). Para estes a Igreja parou no tempo porque não “permite” o que o mundo quer. A mídia não vai se escandalizar com o Assis simplesmente porque as mentes já estão embotadas de doutrinação modernista.

  4. O errado hoje é certo, é por isso que n teve ibope.

  5. A mídia não está nem aí para a doutrina da Igreja, muito menos para o Papa…
    Respeito o Papa e quem sou eu para julgar suas intenções?
    Mas, como alguém que raciocina, um pouquinho, não posso deixar de ver a contradição
    entre a Dominus Iesus e essa ação dele…
    Um sacerdote pagão, cantando um hino a uma deusa pagã, um ídolo, dentro de uma Igreja Católica, na presença do Papa, é coisa que não dá para entender meeeesmo…
    Depois vão nos dizer que isso não é sincretismo? Que isso não é indiferentismo ou irenismo? Que isso não é paganismo bravo??? Por favorrrrrrrr….Não somo burrosssssss…Não somos imbecis……
    Por que os mártires dos primeiros séculos derramaram seu sangue?
    Não foi, justamente, por não colocarem o Cristianismo no panteão das religiões pagãs que havia no Império Romano?
    Quando João Paulo II promoveu o Assis I, uns protestantes recusaram o convite dizendo que não podiam participar de um ato onde pessoas que não acreditavam em Cristo iam pedir a paz a deuses falsos…Que vergonha…Os protestantes dando lição ao Papa…
    De boas intenções o inferno está cheio…
    Bento XVI quer uma hermenêutica da continuidade, uma restauração da Liturgia, uma leitura do Vat II em continuidade com o Magistério anterior ao mesmo, ok. Em seguida, participa de um bacanal religioso desses?
    Quem pode criticar um Marcelo Barros ou uma Yone Buchoooo, um Balduíno ou um Casaldáliga, um D. Zumbi ou D. Mauro Moreli, um Bofento ou Libânio, ou tantos e tantos outros quando promoverem encontros e mais encontros macumbíferos, sincretistas e pagãos aqui no Brasil?
    É esse o ecumenismo, o diálogo religioso queridos pelo Vat II?
    Francamente…Menos…Querer tapar o sol com a peneira, porque é o Papa, não…nunca…
    Ele pede que rezemos para que ele não tenha medo dos lobos, mas, tem hora que ele mesmo dá as mãos e ouvidos aos lobos que infestam a Cúria Romana…
    Com essa atitude de Assis ele deu 1000 passos atrás na obra de restauração que diz está querendo fazer…
    Agüentemos as cloacas das cebs que farão suas orgias litúrgicas e doutrinárias baseadas na atitude do Papa…
    Rezemos pelo nosso Papa, rezemos por nós para que não desanimemos diante de tamanha confusão e balbúrdia na Igreja, começando por Roma…
    Alguém sabe dizer se algum Bispo ou padre, que não seja da FSSPX, teve a coragem de mostrar a contradição desse tipo de encontro de Assis?
    Se for preciso que a FSSPX se cale em questões como essas, fundamentais da fé católica, para haver algum tipo de acordo com Roma, que ela fique sem acordo…

  6. Já tenho por base outra teoria.
    O Papa João Paulo II era midiático, carismático, popular (alguns diriam populista…); flanava com facilidade por entre setores esquerdistas e centristas, neo-conservadores e fidelistas. Com isso agradava a todos com a sua postura tolerante, benevolente, dialogal, simpática, espontânea, ampla, emblemática, empática; com isso era aclamado como a nova face da Igreja, isto é, não mais impositiva, arrogando-se como dona e senhora da verdade, mas disposta a abrir mão de tudo em prol da “união” num princípio tão comum quanto genérico e inócuo – que é a face da modernidade.
    A figura da Bento XVI inspira aquele mofino e vetusto senso de eternidade, permanência, rigor, justiça e verdade (mesmo com os seus altos e baixos…) que, aos olhos do Mundo, é uma afronta à sua liberdade!
    Daí, creio eu, o evento de Assis III tenha malogrado, pois o Século não tolera arroubos de conservadorismo, mas uma submissão completa ao espírito mundano.
    A imprensa não divulga e os crentes não aderem pois acham que Bento XVI é tradicionalista demais, defensor da Igreja demais, combatente pela Doutrina demais, vingador da perenidade demais…
    Creio que, pela visão moderna, Bento XVI não se enquadra como promotor da tão propalada “unidade do gênero humano”. Daí as atitudes dele não serem tão louvadas e apoiadas como de seu egrégio predecessor…

  7. Sinceramente, acho que essa foi a última edição desse encontro religioso. Toda a frieza de todas partes envolvidas, desde os preparativos até a repercussão na mídia indicaram que o ecumenismo já esgotou suas capacidades midiáticas que sempre o sustentaram. O mundo do século XXI já não se comove com essas encenações por uma suposta paz que nunca vem. A Igreja, por um dever de fidelidade para consigo mesmo, deve constranger todos os esforços ecumênicos que não redundem no único objetivo válido do diálogo inter-religioso: a conversão dos hereges, dos infiéis e dos pagãos.

    A Igreja precisa ser um báculo de coerência e certeza em um mundo devassado pela desagregação e perversão. O farol da humanidade em meio a escuridão da vida mundana, luz que nos guia quando as trevas parecem nos cegar. E, francamente, em nada contribui para esse sagrado magistério toda a noção de ecumenismo que se desenvolveu.nos últimos 30 anos.

  8. A Igreja Católica está perdendo o seu espaço na mídia e na credibilidade. A Igreja só vira notícia se houver algum escândalo. Houve tempo em que a palavra da Igreja tinha peso moral e doutrinal. Com o advento do Vaticano II a Igreja foi se deslustrando, se desgastando no conceito mundial. Com atos como os Encontros de Assis, as coisas pioram. Não estive lá, mas tenho certeza que muitas coisas descabidas aconteceram ali.