Uma Igreja no Exílio: Há trinta anos, em Campos (I).

Hoje, no trigésimo aniversário da ascenção de Dom Carlos Alberto Etchandy Gimeno Navarro à Sé de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, iniciamos uma série de artigos sobre os eventos ocorridos nessa diocese do Norte Fluminense envolvendo o novo bispo e os “Padres tradicionalistas de Campos”, encabeçados pelo bispo emérito, Dom Antônio de Castro Mayer.

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Ao fundo, o então Núncio Apostólico, Dom Carlos Furno; à frente (à esquerda na foto), Dom Carlos Navarro.

Ao fundo, o então Núncio Apostólico, Dom Carlos Furno; à frente (à esquerda na foto), Dom Carlos Navarro.

arlos Alberto Etchandy Gimeno Navarro se tornou o novo bispo de Campos em 15 de novembro de 1981. Ele servira por muitos anos como bispo auxiliar do Cardeal Eugênio de Araujo Sales, do Rio de Janeiro, que não era amigo da tradição. Restam poucas dúvidas de que Dom Navarro recebeu uma missão junto com sua nomeação. Esta missão foi projetada como parte de um estratagema Roma-Rio para libertar o Brasil (e o mundo naquele momento) de uma vez por todas da última diocese onde a Fé Católica tradicional sobrevivia com toda sua “velha Igreja”, formas e idéias pré-conciliares. Aquela “antiga Fé com seus velhos modos” manteve sua influência na sé episcopal da diocese, em todas as suas  cidades e em todas as capelinhas que salpicavam a zona rural. A diocese de Campos permaneceu como uma viva, pulsante e brilhante reprovação à nova Igreja. Quase todas as paróquias por toda a diocese haviam conservado a Missa Tridentina por quase doze anos, enquanto o resto do Brasil, o resto da América Latina e o resto do mundo adotavam a nova forma litúrgica e, no curso daqueles mesmos doze anos, passavam muito além daquela nova forma de Missa para um mundinho católico de missas onde todo padre modernista poderia adotar sua própria forma de liturgia.

[…]

Aos olhos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e, agora, também aos olhos de Roma, essa situação havia se tornado insustentável e não podia mais ser tolerada. As células cancerígenas atacam as células saudáveis, e não vice-versa. A principal fonte de saúde no organismo de Campos sempre fora Dom Antônio de Castro Mayer. Agora ele estava sendo removido. A suposição do acordo Rio-Roma era que, sem o seu bispo à frente, os fiéis da diocese rapidamente sucumbiriam aos modos da nova Igreja. Os bispos do Brasil e a hierarquia em Roma pareciam não ter idéia do efeito que um bom bispo-mestre católico poderia causar ao longo de trinta e três anos [de episcopado em Campos]. Não entendiam que os fiéis estavam imunizados.

The Mouth of the Lion: Bishop Antonio de Castro Mayer and the last Catholic Diocese. Dr. David Allen White, Angelus Press, 1993 – pág. 121-123 | Tradução: Fratres in Unum.com

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3 Comentários to “Uma Igreja no Exílio: Há trinta anos, em Campos (I).”

  1. Dom Navarro já foi prestar contas a Deus do mal que fez à diocese de Campos.

  2. Os “Padres de Campos”, hoje Administração Apostólica São João Maria Vianey não são mais os mesmos da época do exilio. Basta confrontar suas posições de ontem http://www.youtube.com/watch?v=Z2_kPqeSYoA com as de hoje http://www.youtube.com/watch?v=cOfr2-q6ARc. Agora aceitam o que atacavam antes. Oremus pro Pontifice nostro Benedicto.

  3. O que fez os padres de Camos não estarem em “plena comunhão” com Roma? Quem criou o cisma de Campos?