Por Vini Ganimara
Meu colega Christophe Saint-Placide tomou-se de raiva (veja aqui) sobre uma determinada opinião teológica que pode descarrilhar o processo de reconhecimento da FSSPX. Este ponto de vista argumenta que a doutrina do Magistério não infalível, que se costuma dizer “autêntico”, tambem é indiscutível no que diz respeito ao fundo da questão, porque é necessariamente conforme com o magistério anterior.
Essa opinião, que abafaria toda liberdade intelectual teológica, se é que os teólogos hoje estão, um pouco, preocupados do que se diz em Roma, foi defendida com a maior seriedade em um artigo no L’Osservatore Romano, de 1.º de dezembro, pelo não menos sério Mons. Fernando Ocáriz . Com um pequeno motivo ulterior: que esta opinião teológica serve subrepticiamente de chave doutrinária para ler o Preâmbulo apresentado em 14 de setembro a Dom Fellay pelo Cardeal Levada.
Em resumo, segundo a opinião de Mons. Ocáriz, o Decreto sobre o Ecumenismo, não infalível, seria necessariamente conforme a encíclica Mortalium Animos, mesmo que ele pareça dizer o contrário.
Eu gostaria de lembrar a Mons. Ocáriz o famoso “caso dos Ritos chineses”, que opôs, de um lado, os jesuítas, e do outro, as Missões Estrangeiras de Paris – MPE, no século XVII e XVIII. Os “fundamentalistas” do tempo (dominicanos e MEP) queixaram-se de que os jesuítas permitiam, em particular a seus convertidos chineses, manter seus ritos de veneração dos seus ancestrais e de Confúcio. Os jesuítas “progressistas” (sendo o mais famoso o Pe. Mateus Ricci) eram favoráveis à permissão dos ritos chineses. Os “fundamentalistas”, contra.
Em 1645, o Papa Inocêncio X condena o “ecumenismo”, avant la lettre, e declara as cerimônias (dos ritos chineses) supersticiosas e idólatras.
Em 1656, o Papa Alexandre VII, em certo ponto predecessor do Vaticano II, afirma que eles podem praticá-los e considera-os como costumes civis inofensivos.
Em 1669, o Papa Clemente IX condena o Concílio Vaticano II (desculpe, digo os ritos chineses!). Isto foi confirmado por Clemente XI (1704).
Mas Bento XIII reabilita os ritos chineses (1721). O que Bento XIV revoga (1742).
Para terminar, em 1939, a discussão depois de longo tempo foi extinta, e a diplomacia vaticana pediu ao governo de Manchukuo para assegurar o caráter civil do ritos, o que obsequisamente foi feito pelo governo e que permitirá o relaxamento da proibição.
Daí a minha pergunta a Mons. Ocáriz: o que era infalível: a condenação de 1645 (e aquelas que a confirmaram), ou a permissão de 1656 (e aquelas que se seguiram)? Eu aposto que Mons. Fernando Ocáriz responderá que a permissão estava em perfeita continuidade com a condenação. Farsante, diria Bernanos!
Fonte: Tradinews – nosso agradecimento a um caro amigo pela tradução cedida a Fratres in Unum.







"... muitos dos que se dizem católicos ajudam os «revolucionários» . São esses, sempre «moderados», que estimam a «tranquilidade pública» como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mau humor para os que gritam «Viva a Religião!» e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são «exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja» ".
Que tenho eu, Senhor Jesus, que não me tenhais dado?… Que sei eu que Vós não me tenhais ensinado?… Que valho eu se não estou ao vosso lado? Que mereço eu, se a Vós não estou unido?… Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido. Pois me criastes sem que o merecesse… E me redimistes sem que Vo-lo pedisse… Muito fizestes ao me criar, muito em me redimir, e não sereis menos generoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramastes e a acerba morte que padecestes não foram pelos anjos que Vos louvam, senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço… - Padre Mateo Crawley-Boevey