Entenda o caso Viganò.

Prelado denuncia ao Papa ‘corrupção’ na administração do Vaticano

Dom Carlo Maria Viganò.

Dom Carlo Maria Viganò.

ROMA, 25 Jan 2012 (AFP) -O arcebispo Carlo Maria Vigano, secretário-geral do Vaticano até 2011, denunciou no ano passado, em cartas enviadas ao Papa Bento XVI, a “corrupção” e a desordem observadas na administração do menor Estado do mundo, informaram nesta quarta-feira meios de comunicação italianos.

O Papa nomeou Vigano como núncio apostólico nos Estados Unidos em agosto de 2011, uma promoção interpretada como um castigo para o prelado, conhecido pelo rigor na gestão do Vaticano durante dois anos.

Os jornais Corriere della Sera e Libero publicaram nesta quarta-feira extratos das cartas ao Papa.

“Minha transferência (para os Estados Unidos) servirá para desanimar os que acreditaram que seria possível limpar o Vaticano de numerosos casos de corrupção e desvios de verba, escreveu Vigano.

Numa das cartas, deu a entender que outros cardeais “conheciam bem a situação”, reprovando seus predecessores, mas também os banqueiros italianos que fazem parte do Comitê de Finanças e Gestão, que teriam privilegiado “os próprios interesses”.

Em dezembro passado, segundo suas acusações, uma operação financeira desastrada causou uma perda de 2,5 milhões de dólares.

Vigano introduziu cortes drásticos no orçamento, como o da administração dos jardins do Vaticano e o do tradicional presépio de Natal, que em 2009 ficou em 550.000 euros, reduzidos depois para 200.000 euros.

O saneamento promovido por Vigano permitiu ao Vaticano sair de um déficit de oito milhões de euros, em 2009, a um lucro de 34,4 milhões de euros, em 2010.

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Arcebispo denuncia ao papa corrupção no Vaticano, diz imprensa italiana

Roma, 25 jan (EFE).- O atual núncio da Santa Sé nos Estados Unidos e ex-secretário-geral do Governatorato da Cidade do Vaticano – o Governo que administra o Estado -, o arcebispo Carlo Maria Vigano, denunciou em carta a Bento XVI a “corrupção e a má gestão” na administração vaticana, informou a imprensa italiana nesta quarta-feira.

Os jornais “Corriere della Sera” e “Libero Quotidiano” publicaram partes dessa carta, divulgada pelo apresentador do programa “Gli Intoccabili” (Os intocáveis), do canal de televisão privado “A7”, Gianluigi Nuzzi.

Segundo Nuzzi, citado pelo “Libero Quotidiano”, o arcebispo italiano, de 70 anos, enviou uma carta a Bento XVI em 27 de março de 2011 na qual se lamentava das “corruptelas e privilégios” que tinha visto após assumir o cargo de secretário-geral do Governatorato em julho de 2009.

Vigano teria dito que a situação que viu “causaria desconcerto em todos aqueles que acharam que seria possível sanear tantas situações de corrupção e prevaricação há muito tempo radicadas na gestão das diferentes direções da administração vaticana”.

Em outra carta, segundo o “Corriere della Sera”, Vigano escreve: “jamais teria pensado em me encontrar perante uma situação tão desastrosa, que apesar de ser inimaginável era conhecida por toda a Cúria”.

O arcebispo denunciou, de acordo com o jornal, que no Vaticano “trabalham sempre as mesmas empresas, enquanto outras ficam de fora, porque não existe transparência alguma na gestão dos contratos de construção e de engenharia”.

Ele denunciou, entre outras coisas, que a Fábrica de São Pedro, que se encarrega da manutenção dos edifícios vaticanos, apresentou uma conta “astronômica”, de 550 mil euros, pela construção do tradicional portal de Belém colocado na Praça de São Pedro em 2009.

O arcebispo afirmou também que os banqueiros que integram o chamado “Comitê de finanças e gestão” se preocupam mais com seus interesses, e em dezembro de 2009 perderam em uma operação financeira US$ 2,5 milhões.

Vigano relatou em suas mensagens ao papa que durante sua gestão conseguiu que o Vaticano passasse de 8,5 milhões de perdas em 2009 a um lucro de 34,4 milhões em 2010.

Segundo Nuzzi, com sua política de rigor o arcebispo ganhou muitos inimigos e por isso foi tirado do Governatorato e enviado como núncio (representante diplomático) aos EUA.

5 Comentários to “Entenda o caso Viganò.”

  1. O termo superávit seria mais correto do que “lucro”.

    O desvio de verbas, o superfaturamento, e o privilégio de alguns em detrimento de outros, são características típicas da democracia liberal. Apesar de também estarem presentes em outras formas de governo, vemos como se acentuaram em todos os lugares nos nossos tempos liberais e democráticos.

    Sabemos que intrigas e maquinações sempre houveram no Vaticano, mas pelo menos antigamente a Fé era mantida íntegra.

    Para mim, isso tudo é sinal de que Pedro, na prática, não reina mais sobre a cúria, o reinado se tornou apenas um título. A gestão do Vaticano está parecida com a gestão do Palácio do Planalto.

    Pobre Papa.

  2. “O arcebispo Carlo Maria Vigano, secretário-geral do Vaticano até 2011, denunciou no ano passado, EM CARTAS ENVIADAS AO PAPA BENTO XVI, a “corrupção” e a desordem observadas na administração do menor Estado do mundo, informaram nesta quarta-feira meios de comunicação italianos.”

    Ou sja:

    Bento XVI sabia do que se tratava e não tomou nenhuma providência. E ainda puniu Dom Carlo Maria Viganò.

    Só quero ver se vai aparecer algum moderninho tentando dizer que Bento XVI não sabia de nada.

  3. João Paulo I morreu do dia para anoite, “por inferto”, talvez Bento XVI tenha tido o mesmo de isso lhe ocorrer.
    Deus me perdoe por ter dito isso, mas é o que penso.

  4. Santa Catarina de Siena, então adolescente e leiga terciária dominicana, horrorizou-se ao visitar a Corte Papal no exílio de Avignon e ver por todos os lados padres contando maços de dinheiro. Recebida em audiência pelo Papa Gregório XI, gritou-lhe: “Sua corte exala o fedor do inferno!” Que odores sentiria a santa hoje?…

    Há três décadas tivemos na história policial do Vaticano os casos de Michele Sindona e do arcebispo Paul Marcinkus. Sindona era amigo de Paulo VI e foi o primeiro leigo (Sua Santidade tinha muitos amigos leigos) a presidir o Pontifício Instituto das Obras Religiosas (“Banco do Vaticano”). Sindona e Marcinkus deram ali um desfalque tão grande que quase levou o Vaticano à falência, envolvendo o pequeno Estado com a máfia italiana.

    Muito interessante a leitura do livro Nos Bastidores do Vaticano de Gordon Thomas e Max Morgan-Witts, tratando desses assuntos sem anticlericalismo.

  5. Corrupção sempre vai existir, é importante que os pequeninos não se escandalizam com isso ao ponto de perderem a Fé. O importante é saber que por debaixo dessa miséria humana existe uma realidade sobrenatural divinamente instituída. Que apesar dos pecados de seus filhos, a Santa Madre Igreja é Imaculada.