FSSPX e Santa Sé: e agora?

Por Alessandro Gnocchi e Mario Palmaro, Il Foglio, 27 de janeiro de 2012

Fonte: Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com

O acordo será feito ou não? O diálogo entre a Santa Sé e a Fraternidade de São Pio X [FSSPX / SSPX], fundada pelo Monsenhor Marcel Lefebvre, entrou em uma fase decisiva. O resultado deste diálogo é, acima de tudo, a grande preocupação do Papa Bento XVI, que o encorajou e nutriu pessoalmente; ele também é uma grande preocupação de todos os padres, religiosos e fiéis leigos que estão com a Fraternidade; ele é uma grande preocupação para grande parte do mundo católico que não faz parte da FSSPX, mas que está ao lado da Tradição. Por motivos diferentes, o catolicismo progressista e o mundo secular estão observando (a situação) com grande atenção e algum nervosismo.

Em outras palavras: a partida que está sendo disputada é importante e difícil, porém, um acordo não é impossível. Grande parte da resistência poderá desaparecer se considerarmos que ao discutir as questões canônicas, esta ocorre através de meios diplomáticos, também porque a resolução canônica da Fraternidade está em jogo. Neste caso estamos nos movendo em terreno misto onde é fundamental distinguir os níveis, o processo, que, objetivamente, nem sempre é fácil.

O caso prossegue em terreno instável. Se você puder compreender a desorientação de Roma com relação às hesitações da FSSPX, você também tem que compreender a perplexidade da Fraternidade quando ela reclama que Roma lhes pede algo que não foi pedido a ninguém, para que eles ostentem aquela categoria capciosa chamada “plena comunhão”.

Nesse ponto, nenhum dos dois lados pode esperar que o outro pague um preço impagável: por um lado, Roma não pode pedir que a Fraternidade São Pio X renegue a sua identidade; por outro, os lefebvristas não podem esperar que Roma perca o prestígio, com uma rendição incondicional e uma volta à forma no atual mundo católico como num conto de fadas, que objetivamente, é um acúmulo de muitas coisas contrastantes.

O sucesso das conversações exige uma conscientização que saiba como manter a fé e o realismo juntos. Por um lado, a visão sobrenatural: a crença de que a Igreja está em Roma (ela está em qualquer caso) apesar do fato de que ela está passando uma das mais graves crises em sua história; por outro lado, o caminho estreito do realismo, que objetiva dar à Fraternidade São Pio X a possibilidade de “ter a experiência da Tradição” de acordo com a fórmula que foi cunhada pelo próprio Mons. Marcel Lefebvre.

Mesmo que pareça fora de proporção, grande parte da responsabilidade reside com os sucessores de Lefebvre. Na história da Igreja a figura do anão que carrega o gigante em seus ombros é recorrente. É uma tarefa que, além do rigor moral e doutrinal, exige humildade e caridade, e o entendimento de que Roma é auxiliada pela permanência com Roma. Porém, a medida que o tempo passa, há um risco maior de pensar que existe somente uma alternativa entre dois (caminhos); a sirene que não convida a nenhuma resolução porque as condições na Igreja são muito sérias; e a sirene que convida à resolução sem discussão porque no final ‘tudo está bem’. No sentido mais profundo, nenhum dos caminhos se encaixa bem com uma instituição como a Fraternidade São Pio X, que nasceu em conseqüência da crise inquestionável que atingiu a Igreja após o Concílio Vaticano II.

Além das duas alternativas mencionadas acima, existe uma terceira alternativa e neste caso, ela é mais ou menos assim: a questão precisa ser resolvida tão logo possível precisamente porque a situação é grave, para o bem de toda a Igreja.

Nesse esforço, a Fraternidade São Pio X não pode ser deixada só com uma tamanha responsabilidade. O Papa Bento XVI é o avalista disso. Não se pode negar que esse Papa marcou o seu pontificado ao devolver a honra da Missa Gregoriana, revogando as excomunhões dos bispos da Fraternidade e iniciando as discussões doutrinais sobre questões polêmicas. Essas são todas as condições solicitadas pelos herdeiros de Mons. Lefebvre. Esse fato não pode ser ignorado pela FSSPX nem pelos negociadores que representam Roma. Os últimos estão muitíssimo cientes de que há mais catolicismo na comunidade lefebvrista (embora eles estejam em situação canônica irregular) do que em muitas comunidades regulares dentro do mundo católico. Chegou a hora de acabar com esse paradoxo, através de uma ação de boa vontade acompanhada de senso comum, de ambos os lados.

[Tradução para o inglês: Colaboradora Francesca Romana. Gnocchi e Palmaro, autores católicos tradicionais, escreveram “Report on Tradition – In conversation with the successor of Monsignor Lefebvre“]

15 Comentários to “FSSPX e Santa Sé: e agora?”

  1. Caros senhores, o Papa não devolveu a honra do Rito Tradicional, antes ele o minimizou à Missa de Paulo VI, dizendo que um é ordinário (de Paulo VI) e o outro é (extraordinário) quando, quem conhece, sabe tratar-se de duas teologias diferentes. Ora, uma vez a Missa Tradicional sendo perfeita teologicamente, a Missa Nova tem todos os erros advindos dos protestantes que participaram de sua composição: por tanto não sendo católica, apesar de válida quando cumpre com os três critérios para a validez, que são Intenção, Fórmula e Matéria. O problema é que hore os padres aprendem teologia protestante e tem pensamento protestante, onde o padre é alguém pouco superior e que preside a celebração da assembléia e narra as palavras de Nosso Senhor na Santa Ceia. No Rito Tradicional, os senhores sabem, o padre ordena que o pão torne-se o Corpo de Nosso Senhor e o vinho torne-se Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.
    Se o tão falado acordo não ocorrer (e é óbvio que não ocorrerá), com certeza é porque os padres da Fraternida Sacerdotal São Pio X tem consciência, melhor do que qualquer um, do abismo que existe entre uma teologia e outra.

  2. A grande dúvida – que gera muito receio nos que pertencem a FSSPX – é saber se, quando houver o reconhecimento canônico da fraternidade, será a Tradição que migrará aos poucos para Roma, ou será o modernismo que lentamente irá contaminar os alicerces da fraternidade.

    Se a FSSPX conseguisse operar como o Opus Dei (falando em termos de estrutura, somente) talvez em alguns anos conseguisse ter bispos e cardeais em Roma. Isso seria um ganho muito positivo para a situação atual. Contando com a boa vontade de um Papa como Bento XVI, poderiam inclusive ocupar posições chave para a solução da crise atual.

    Mas entendo a preocupação da Fraternidade com a outra possibilidade. E também imagino que seria possível ela ser canonicamente reconhecida e continuar a ser rejeitada e combatida. O que tornaria muito difícil a colocação de um prelado no Vaticano.

  3. Artigo sóbrio!

    Trechos que considero mais relevantes:

    […] <b)nenhum dos dois lados pode esperar que o outro pague um preço impagável: por um lado, Roma não pode pedir que a Fraternidade São Pio X renegue a sua identidade; por outro, os lefebvristas não podem esperar que Roma perca o prestígio, com uma rendição incondicional e uma volta à forma no atual mundo católico como num conto de fadas, que objetivamente, é um acúmulo de muitas coisas contrastantes.

    O sucesso das conversações exige uma conscientização que saiba como manter a fé e o realismo juntos.

    Não se pode negar que esse Papa marcou o seu pontificado ao devolver a honra da Missa Gregoriana, revogando as excomunhões dos bispos da Fraternidade e iniciando as discussões doutrinais sobre questões polêmicas.

    […]há mais catolicismo na comunidade lefebvrista (embora eles estejam em situação canônica irregular) do que em muitas comunidades regulares dentro do mundo católico.

  4. Eu acredito sim que a Fraternidade possa voltar à comunhão plena, o próprio Papa sabe que há mais catolicismo lá do que em muitas outras comunidades, institutos etc., como bem exposto na reportagem. Todos sabem o que irá acontecer com a volta à comunhão plena, os progressistas vão tentar blindar e isolar as ações da Fraternidade. Imaginem a Fraternidade reconhecida e uma visita
    Papal com a celebração de uma Missa Solene no Rito Romano Tradicional? lol

  5. “O sucesso das conversações exige uma conscientização que saiba como manter a fé e o realismo juntos.”
    .
    Mas a integridade e a pureza da Fé são inegociáveis. Ou não mais?
    Que “conscientização” é essa, à qual estaria subordinado o “sucesso das conversações”?
    “Realismo”, “realismo”, quantas traições à Fé e à salvação das almas foram cometidos em teu nome?
    As sereias estão cantando. Que Dom Fellay fique atento.

  6. “Perigosíssimos” amigos deste nosso FRATRES;
    Creio que seria um Milagre, caso o Papa Bento aprovasse a FSSPX, contrariando as “lineamentas conciliares”.
    A Fraternidade teve início no começo da crise, logo após o “mega evento conciliar”, a maior crise pela qual a Igreja passou.
    A grande impossibilidade, ao que tudo indica, é que muitos cardeais e membros da cúria não querem nem imaginar essa possibilidade de “plena comunhão”!
    Ademais, para a Fraternidade seria muito perigoso confiar nessa gente.
    Por quê? Voce deve estar se perguntando…
    Bem, para essa gente, ainda que percebam que esta desgraça conciliar implodiu a Igreja, não admitiriam isso, nunca! Crêem que tudo vai muito bem, e que os problemas, bem, são apenas questões de “interpretação” do concílio. Que essa desgraça de CVII foi “um mega evento”…
    Quanto à estrutura da Opus Dei (sempre no feminino pois se trata de “Obra de Deus” em latim!), nada teve de algo parecido com a Fraternidade, uma vez que, ainda que mal vistos e mal interpretados, a “Obra” fundada por Josemaría Escrivá, sempre foi caracterizada pelas ideias “modernas / atualizadas” (senão modernistas), e sua estrutura fundamental está bem ao gosto conciliar.
    Lembrem-se que J. Escrivá de Balaguer y Albás, foi membro da “reforma do Código de Direito Canônico”!
    Além de tudo isso, quem ofereceu a superestrutura de “Prelatura Pessoal” à Obra, foi o Papa João Paulo II, o mesmo que beatificou e depois canonizou J. Escrivá…
    “Grande amigo da Obra”! Comodiziam membros desta na “canonização” de seu fundador, “El Padre”.
    É do conhecimento de todos a proximidade do Arcebispo Karol Wojtyla com a “Obra”, tendo sido seu grande divulgador e protetor na Polônia, enfrentanto o Cardeal Wizinski, que via a “obra” como algo modernista e perigosa à Fe…
    Wojtyla, antes do conclave que o elegeria, esteve na Basílica de Santo Eugênio a rezar sobre a tumba de J. Escrivá.
    Portanto, vê-se realidades completamente distintas da “Obra” de J. Escrivá e da Obra de D. Marcel Lefébvre.
    Nenhum arcebispo conciliar fora em Ecône rezar na tumba de D. Lefébvre, muito menos sentem simpatia pela luta deste Novo Atanásio em favor da Fé de sempre.
    Como podemos afirmar isso?
    Mas haverá a “Reforma da Reforma”!
    É?
    E você acredita?
    Veja, a realidade, nua e crua não apresenta isso…
    Simples, basta ver a “aprovação” das cerimônias heréticas do “Caminho Neocatecumenal”… Quem discorda, ou está cego, ou finge de cego, ou pior, finge-se de morto!
    Ou então as missa show, por esse mundo a fora…
    Ou então, a nomeação de Cardeais evidentemente maçons, para postos chave, na Cúria, como é o caso de alguns que bem o sabemos…
    É impossível ser Católico e crer que essas “celebrações” tanto conciliares Montini/Bugnini e/ou Neocatecumenais tenham algo a ver com o Sacrifício de Cristo, nosso Senhor!
    Outro problema: a futura nomeação de Bispos para a Fraternidade.
    Quem irá decidir? A cúria romana, com os Bertone da vida?
    Ou ainda pior: eles reconheceriam a Fraternidade, dar-lhe-iam a mesma estrutura da Opus… Depois, ofereceriam vários campos de trbalho, creio que um dos mais importantes seria justamente o fornecimento de padres, já que a igreja conciliar não os tem.
    Muito bem, alguns anos depois, e nem imaginem uns 10 (dez) anos, creio que em menos tempo, essa gente diria à Fraternidade: “Muito bem, vocês realmente trabalham muito, são muito dedicados, mas necessitamos que agora vocês admitam que o Concílio Vaticano II foi um grande marco na Igreja… O Santo Padre gostaria que os senhores passassem a admiti-lo e estudá-lo, e não mais criticá-lo!”
    Alguém, em sã consciência apensa que isso seria impossível, que isso seria ficção científica, ou melhor, “ficção teológica”?
    Basta se lembrar da aprovação das cerimônias neocatecumenais, das missas show, dos bispos de mitras penosas, da mais clara desobediência ao Papa…
    Ou alguém vai afirmar que isso não acontece?
    Creio ser muita ingenuidade crer que essa gente faria alguma proposta que “resguardasse a Tradição”!
    Essa turma aí quer na verdade que a Tradição suma, desapareça! Querem fazer com a FSSPX o que fizeram com os Institutos Ecclesia Dei… Simplesmente os sufocaram…
    Assim como a “Administração Apostólica S. João Maria Vianney”, o que é especificamente essa “Administração”? Quais seriam suas funções? O que ela faz? O que ela pode fazer?
    A bem da verdade, a única coisa que o bispo dessa “Administração” faz é se reunir com seus “irmãos no episcopado”, os mesmos conciliaristas que ele tanto criticara no passado, e até “concelebrar”…
    É isso que queremos para a Fé que tanto amamos?
    Meus “Perigosíssimos” amigos, a proposta que essa gente faz `Fraternidade é muito semelhante àquela feita pelo rei Henrique VIII, de Inglaterra, aos Bispos ingleses.
    Ofereceu-lhes mundos e fundos, prometeu-lhes não se afastar da doutrina, apenas “fazia alguns ajustes”, e a seu modo (herético) “aggiornava” a Igreja na Inglaterra… Àqueles que lhe seguiram, cumulou-lhes de títulos, pompas e glórias neste mundo… Aos que rejeitaram sua proposta, bem São João Fisher é o exemplo mais claro… Literalmente, perderam a cabeça…
    Creio que devemos, neste momento nos espelhar em Santo Thomas Morus.
    Um grande filósofo e humanista, amigo de Erasmo e crítico de Lutero e Calvino.
    Amigo e fiel servidor do rei, do qual fora professor e Chanceler.
    Porém, foi fiel à sua consciência Católica, tal qual Santo Atanásio e mais próximo de nós, Mons. Lefébvre.
    Não cedeu! Não vendeu a sua Alma!
    Creio que não devemos esmorecer.
    Não é por qualquer “favor”, por um belo discurso, ou por uma linda e suculenta oferta que devemos entregar o maior tesouro que temos: A nossa Santa Fé, herdada dos Apóstolos!
    Ah, para que não nos esqueçamos: Isaac, filho de Abraão, teve dois filhos, Esaú e Jacób. Esaú “vendeu / trocou” a Bênção por um prato de lentilhas…
    Será que devemos “vender / trocar” a Fé, pela qual tantos e tantos derramaram seu sangue, deram suas vidas, por uma “plena comunhão”???
    Amigos, o pai dessa gente, há muitos milênios atrás, ofereceu a um jovem casal a “sabedoria”, um “fruto, da árvore do bem e do mal…
    Reflitamos, pensemos e mais: rezemos muito, muito mais!
    Santos John Fischer e Thomas Morus, intercedam por nós!
    Roguem pela Santa Igreja, a Igreja pela qual deram suas Vidas!

    • Felipe caríssimo, só a título de curiosidade: que eu saiba, o Cardeal Silvio Oddi rezou diante do túmulo de Dom Lefebvre, inclusive tendo agradecido o finado Arcebispo. Este cardeal foi quem disse, a respeito do terceiro segredo de Fátima: “Não tem nada a ver com Gorbachev. A Santíssima Virgem estava a avisar-nos contra a apostasia na Igreja”.

      Já o Cardeal Thiandoum, filho espiritual e sucessor de Dom Lefebvre em Dakar, passou alguns dias em Ecône enquanto o Arcebispo ainda era vivo… Mas não sei ao certo se visitou posteriormente o túmulo de Dom Lefebvre.

      Talvez algum amigo possa confirmar estas informações.

  7. Caro Felipe Leão, permita-me repetir parte de seu comentário:
    “Ademais, para a Fraternidade seria muito perigoso confiar nessa gente [muitos cardeais e membros da cúria ].
    Por quê? Voce deve estar se perguntando”…
    .
    Bem, amigo, penso que parte da resposta possa estar aqui:
    http://secretummeummihi.blogspot.com/2012/01/fiuv-afirma-revision-del-missale.html

  8. Felipe Leão, parabéns pela clareza de pensamento. Mas também, citar São Thomas Morus só poderia conduzir a identificar nele o mesmo equilíbrio, a sabedoria em estabelecer a ordem das importâncias. Afinal de contas, foi São Thomas Morus quem disse (em palavras minhas, mas neste sentido): “sou o fiel súdito de sua majestade. Mas de Deus primeiro”. But God’s fhirst.

    Não podemos nos entender, se não falamos a mesma língua.
    Como será um acordo quando um diz “doutrina” e o outro responde “provisão canônica”?
    Sempre relembrando: a intransigência da FSSPX não é feitiche, não é gosto em parecer uma seita, não é pelo simples prazer de contrariar.

    O motu-proprio Summorum Pontificum, a revogação da inexistente excomunhão seriam FAVORES se a FSSPX devesse algo, fosse culpada de alguma coisa.
    Sem desdenhar destes atos corajosos da Santa Sé, estes atos foram antes de tudo gestos de JUSTIÇA. Eles tinham obrigação de tornar público que a Bula Quo Primum Tempore não foi ilegalmente suprimida. E assim como eles agora mostram a catolicidade da FSSPX ao reconhecer como católico um arquimandrita cismático, também não fizeram mais do que a obrigação em retirar rótulos caluniosos que manchavam homens de conduta irrepreensível como Monsenhor Lefevbre e os bispos da FSSPX.

    Ou por acaso injuriar uma pessoa e depois voltar atrás transforma o ofendido em devedor? Se for assim, o pecado será o melhor negócio do planeta, basta renegá-lo depois e o ofendido vira refém…

    O panorama é sombrio, Bento XVI aponta o novo arcebispo (e futuro cardeal) de Veneza entre os conservadores de Siri, e depois faz cardeal um modernista da linha de D. Avis. Ninguém é cego, ninguém é maluco. Assis III veio, a beatificação de João Paulo II, o neocatecumenato, tudo está aí. É sempre assim, depois, para não desnivelar demais, faz algum agrado para a direita, e com isso este pontificado híbrido se arrasta.

  9. Confiemos em Monsenhor Fellay, saibamos ser uma tripulação disciplinada, ainda que as ordens nos contrariem (tanto no sentido da regularização canônica quanto no sentido do repúdio).

  10. Senhor Ferretti, está no livro O Derradeiro Combate do Demônio as palavras do Cardeal Oddi exatamente como senhor postou. A saber: página 29.

  11. Dá-lhe plena comunhão… com o erro?

  12. Estimado Ferretti;
    Obrigado pela notícia, não o sabia!
    Fico feliz em sabê-lo!
    Que Deus inspire muitos Bispos visitar o Grande Seminário de Ecône, centro de excelência na Formação Sacerdotal Católica.
    Pena que em nosso Brasil as casas de deformação se tornem a cada ano piores e, mais eficientes em deformação religiosa, moral e cultural!
    Omnia malum, Libera nos Domine!
    Que o Coração de Jesus tenha Misericórdia de nós, e nos envie Santos Bispos que possam restaurar a Legítima Formação Católica, instituindo Seminários, tais como Ecône e La Reja!
    Caso recebamos a Graça de Vocações Sacerdotais em nossa Família, teremos a alegria de enviar nossos filhos ao Grande Seminário de Ecône!
    Agradecido e contando com suas orações;

    Felipe

  13. Caro JB.;
    Li o que sugeriu, muito obrigado pela dica, valiosíssima, por sinal!
    Valeu!
    Porém, uma vez mais, torno a refletir e questionar o que realmente essa gente quer com a FSSPX…
    Particularmente, creio que não passa de uma tentativa de lançar cizânia dentro da Fraternidade, destruindo assim a Grande Obra de Mons. Lefébvre.
    Discutíamos em um grupo de amigos essa “aproximação” e seus perigos para a Tradição.
    Concluímos que diante dos fatos apresentados pela igreja conciliar, tais como a “aprovação das celebrações neocatecumenais”, nomeação de maçons para postos de importância no Vaticano e aqui no Brasil o “sufoco” à “Administração Apostólica”, com seu bispo “concelebrando” missa Montini/Bugnini, a participação desse bispo nas “importantíssimas reuniões” e “sacrossantas assembleias da CNB do B”, bem como os grupos acordistas Ecclesia Dei, que não conseguem expandir seu trabalho…
    Creio, caríssimo JB., que essas atitudes demonstram como é a ação dessa gente.
    Continuo concordando com a posição de Mons. Lefébvre, se essa gente desejar realmente ser Católica, bem, que eles se comprometam em restaurar a Catolicidade na igreja conciliar!
    Cabe a nós ajudá-los nessa tarefa, porém, a iniciativa deve ser deles…
    Entretanto, eles pensam que estão corretos. Que toda essa crise, a qual sem precedentes na História da Igreja, semelhante em desgraças apenas ao arianismo (contra o qual lutou Santo Atanásio) seria apenas a “má interpretação do concílio”…
    Essa gente acredita e ensina que essa desgraça conciliar foi “um mega evento” (bispo Oppermann), resistindo a enxergar os frutos podres que essa árvore envenenada produz!
    Afinal, quem está em apostasia com a Verdade e a Fé de sempre ?
    Quem está se apartando de toda a Verdade definida pela Igreja ao longo de quase dois milênios?
    Quem está se mostrando totalmente contrária aos ensinamentos dos Papas Leão XIII, São Pio X e Pio XII?
    Quem se distanciou da Herança Católica, assumindo a bastarda teologia protestante?
    Creio que não fomos nós, que Guardamos nossa Santa Fé!
    Tal qual na Velha Inglaterra, nós mantivemos a Fé, ainda que oculta em nossas casas e capelas privadas (bem parecido com a Inglaterra dos tempos de Henrique e Isabel I: “nas residências de campo das famílias tradicionais inglesas e de alguns burgueses convertidos” e mais atualimente, em nossas fazendas, sítios, chácaras) ou mesmo em residências nas cidades, tal como em meus tempos de acadêmico e depois de residente em São Paulo, SP, onde rezávamos e tínhamos a Santa Missa num apartamento de um professor amigo, que fez de um dos quartos de seu apartamento “uma linda e simples capela para se guardar a Fé”!
    JB., literalmente, até hoje guardamos a Fé!
    Creio que eles, caso pudessem, não só nos excomungariam, como também nos aniquilariam…
    Assim foi nos tempos da “Reforma Inglesa”, assim segue nos tempos da “Reforma Conciliar”…
    Tentam, em vão nos sufocar…
    Só peço aos Céus força para enfrentar os inimigos de Deus e de nossa Santa Fé!
    Lembre-se caro JB., seremos perseguidos, porém, sairemos vitoriosos, porque Cristo Reinará!
    Viva Cristo Rei!

  14. “Perigosíssimo” amigo Bruno Luís;
    Fico muito agradecido pelas suas palavras!
    Realmente, São Thomas Morus é um exemplo de equilíbrio e força!
    Quanto à Fraternidade, esta leva conforto e assistência espiritual a centenas de fiéis. A questão jurídica é importante, porém, não é essencial.
    Sabemos que estas serão superadas.
    Por falar em São Thomas Morus e na questão jurídica da “plena comunhão” e do “uso de ordens”, vou contar-lhe algo cômico, se não for realmente trágico.
    Hoje, pela manhã, conheci uma jovem senhora, muito amável, simpática e falante…
    Era uma “religiosa”, sem hábito, com calças compridas, brincos cabelos cortadaos à moda atual… Tinha uma cruz com uma letra inserida. Pensei que ela fosse membro de alguma dessas “comunidades carismáticas”. Mas não, sua “comunidade religiosa” foi fundada no séc. XIX.
    Bem, ela reparou um grande crucifixo que tenho na parede, diante de minha mesa, e disse que “apesar de uma linda escultura, estava muito sofrido, ‘trágico’ para falar a verdade”. Expliquei-lhe que era um presente de meu pai, e que mostrava o sofrimento de Cristo, nosso Senhor.
    Ela sorriu e me disse que “isso faz parte de uma outra era, de um outro tempo”, segundo a religiosa,” deveria contemplar o sofrimento do povo, como os sem-teto ou os sem-terra, que este sofrimento é que é o sofrimento de Jesus”…
    Ela só se acalmou ao perceber, junto às fotos de família e outras que tenho em meu consultório, sobre um aparador, havia uma reprodução de uma pintura… Ela viu, prestou atenção e sorriu-me alegremente…
    Ao final da consulta, ela me disse em um sorriso bem alegre:”fico feliz porque você, apesar dessa cruz tão sofrida e piegas, tem em seu consultório a foto de um dos maiores homens da história universal, um homem que questionou o poder, que trouxe luz ao mundo: Lutero!”
    Não pude deixar de rir, ainda que não devesse, mas foi hilário, cômico… acompanhei-a até a porta, como sempre faço, e ao chegar ao limiar da entrada de minha sala disse-lhe que não era quem ela pensava, mas sim um Grande Filósofo, chamado Sir Thomas Morus. (depois de “escandalizá-la com a Cruz, nunca lhe diria que esse Filósofo era um Santo, um Santo Mártir contrário à heresia!)
    Ela respondeu-me: “ainda bem! Os filósofos nos ensinam a não nos contentar com dogmas e as verdades impostas!”
    Bruno, ela e sua “comunidade religiosa” estão em “plena comunhão”!
    Penso que o Lutero, o Calvino, o CONIC entre outros também estejam…
    Sinceramente, prefiro estar em “comunhão parcial” do que “comungar” com toda essa gente! Com toda essa caterva… Só de lembrar de certos tipos…
    É cada uma que temos que ouvir no dia a dia!
    Quanto ao bispo Avis… Bem, ele gosta muito de uma sociedade secreta, foi até lá, proferiu um lindo discurso em homenagem ao Grande Oriente… Dizem as más líguas que ele faz parte desse “grupo”… Não sei, mas, nunca se sabe…
    Depois, pergunto se essa igreja conciliar é séria, e tem gente que fica me xingando…
    Bruno, um abração para você!
    Rezemos!
    Viva Cristo Rei!