Na Amazônia, a serviço do homem.

A agência Adista apresenta o incrível testemunho cristão do Missionário da Consolata, Padre Sabatini, que dedicou sua vida às populações indígenas e que agora conta sua experiência em um ensaio.

Por Luca Rolandi – Vatican Insider | Tradução: Fratres in Unum.com

Indígenas Ianomâmi

Aos 90 anos de idade, o missionário da Consolata Silvano Sabatini, que se dedicou durante 40 anos aos indígenas da Amazônia brasileira, tem muito o que contar: sobre sua «vida “rebelde” no fio da navalha», sobre o seu valente, estimulante, subversivo  «estar com o Outro», sobre o sentido da Missão, com todas as suas tensões, contradições e complexidades (em um momento em que a reconsideração da atividade missionária da Igreja parece muito urgente e atual).

Tudo isso no livro-testemunho “O sacerdote antropólogo. Entre os indígenas da Amazônia” (Ediesse, Roma 2011), escrito com a colaboração da antropóloga Silva Zaccaria, comprometida há anos com sua pesquisa de campo entre os indígenas da Amazônia brasileira.

A jornalista Claudia Fanti conta alguns episódios e cita as palavras do superior geral dos Missionários da Consolata, Stefano Camerlengo, «conjuga e harmoniza os dois espaços de investigação, imprescindíveis e inseparáveis, que sempre devem ser a referência de todos os missionários: o homem e Deus», para poder «encontrar a Deus». Um livro que, como indica a introdução de Antonio Colajanni, professor de Antropologia da Universidade La Sapienza, de Roma, conta a vida de um missionário «que se põe à prova, que se transforma com a experiência do contato intercultural, que tem coragem, tenacidade e força para lutar pelo que considera justo».

No livro, fala-se muito do «desastre cultural» provocado pela orientação assimilacionista dos missionários pouco iluminados, que complicou muito a ação dos grupos dos missionários de Catrimani (no meio da floresta tropical brasileira), que se fundamenta na elaboração de um «projeto político-teológico de emancipação», mediante a defesa da “maloca”, a casa comum, «como lugar histórico-social, mas também mítico-teológico da realidade indígena», a total aceitação do mito e de seu valor objetivo, ao que Sabatini se uniu com toda a sua fé e sua inteligência humana.

Um projeto que tem uma visão radical da evangelização que se expressa de forma única: « Não batizamos nenhum ianomâmi — declara Sabatini — porque estávamos convencidos de que não tinha sentido batizar uma pessoa fora da comunidade e que é a cultura que deve ser evangelizada:  o homem tem direito a ter sua cultura e deve encontrar nela a forma de se expressar de maneira cristã. Batizar fora da comunidade significaria criar no batismo uma dupla personalidade». Motivo pelo qual, conta Zaccaria, «Sabatini respondia àquele monsenhor ansioso em saber quantos ianomâmis ele havia batizado: graças ao bom Deus, nenhum».

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28 Responses to “Na Amazônia, a serviço do homem.”

  1. A Igreja levará pelo menos outros 40 anos para desfazer o desastre infame deixado por este herege disfarçado de padre. O fato dele escrever sobre este crime em tom de vanglória é a prova cabal do estado de coisas em que se encontra o ambiente missionários por estas bandas.

  2. Somente para aumentar as esperanças no meio dessa desgraça toda,

    Recomendo o filme “A Missão”.

    Apesar dos miseráveis links sugeridos na barra lateral, o filme pode ser visto na integra e em português aqui:

    Para quem não tiver tempo, a cena final em 1:50:00, já diz tudo.

  3. Quantas almas poderiam ter sido salvas…

  4. “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”
    São Mateus 28,19

    So tenho uma palavra para o que o Sr. Sabatini fez: Apostasia.

    Meu Deus! Meu Deus! Até quando?

  5. O filme a MIssão é excelente.Bem recomendado, Roberto.
    Cristo disse: Batizai a todos. Não sabia que havia excessão. Quer dizer que Pe. Anchieta, estava agindo errado.Essa é demais.

  6. Senhor, dai-nos padres missionário como o Beato José de Anchieta

  7. É Religião do homem o que ele prega! Não vem de Deus! E ainda se vangloria em fazer todas estas aberrações!

    Quando leio notícias assim, fico enormemente impressionado com a responsabilidade deste elemento perante Deus! No Juízo Pessoal e no Juízo Universal (quando a História for julgada) ele será duramente cobrado por Nosso Senhor por deixar de batizar, deixar de pregar a Boa Nova para, em detrimento dela, praticar todos os absurdos que li no artigo!

    Se ele não se arrepeder e tentar reparar o mal que foi feito, irá para um lugar infinitamente mais quente que a Floresta Amazônica e não será dos índios a companhia que vai ter…

    Pessoas como o Sr. Sabatini já estão na contramão da História! Seus discursos são senis e os valores que ele tanto preza passam, não são eternos! O Triunfo do Imaculado Coração de Maria se aproxima! Aguardemos!

  8. Caríssimos,

    Em parte este é um efeito da teologia de Karl Rahner. O Padre Júlio Meinvielle denunciou isto, citando a obra dele “Mission et grâce”, onde diz:

    “In “Mision et Grâce”10, Karl Rahner, S. J., escreve:

    “Devemos hoje reconhecer por força, que é impossível adotar pura e simplesmente o ponto de partida de São Paulo. Vai desde que São Paulo representa para o cristianismo fiel uma norma absoluta. Mas não é possível aos cristãos, no século da história da Igreja no qual vivemos, em referimento a salvação dos não cristãos, participar das idéias pessimistas que São Paulo podia ter na ótica religiosa do seu tempo, bem como a dos cristãos do século XVIII. No pensamento de São Paulo os homens que não eram batizados, estavam perdidos. É verdadeiro que São Paulo não enunciou nenhum dogma sobre este ponto. Na prática era, todavia, para ele uma evidência”.

    “Não é possível a nós cristãos em pleno século XX subscrever inteiramente está prospectiva e está forma de agir. Nem sequer temos o direito. Um missionário hoje não pode já, como o era um São Francisco Savério, ser animado desta convicção: “Se vou aos japoneses, se ensino a eles e a eles prego o cristianismo, serão salvos, irão para o céu. Se permaneço na Europa, serão perdidos, como foram perdidos os seus genitores por não terem escutado falar de Cristo e por terem morrido sem o batismo”.

    “A nossa consciência de cristãos de hoje é diversa. É difícil pensar que os homens que não ouviram falar de Cristo devem perder-se para sempre. Não podemos apoiarmos sobre dogma para fazer nosso um tal modo de ver as coisas. Sabemos hoje que existe um cristianismo invisível, no qual se encontra realmente, sobre o efeito do agir de Deus, a justificação da graça santificante”.

    Um trecho do comentário do Padre Júlio Meinvielle:

    “Um permanece admirado ou chocado pela lógica que demonstra o Padre Karl Rahner, S.J porque se “o cristianismo invisível” – do qual estamos certos da existência pela “nossa consciência religiosa de cristãos de hoje” – nos leva a nos distanciarmos de São Paulo – que “representa para o cristianismo fiel uma norma absoluta” – a boa lógica deveria levar, ao invés, a corrigir este cristianismo invisível. Sobretudo o argumento central para acreditar na salvação dos infiéis que não se opõem com sua culpa a recepção da graça justificante, que dá o mesmo Apóstolo quando na 1 Carta a Timóteo diz: “…Nosso Salvador, o que quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade”…” A pregação missionária da Igreja desencorajada em Karl Rahner – Padre Júlio Meinvielle – http://tradizionalistacattolico.blogspot.com/2011/11/padre-julio-meinvielle-la-predica.html

  9. Um homem de 90 anos, que não pegou apenas o restinho do Pré-Concílio, mas que passou boa parte de sua vida no Pré-Concílio… cada vez mais fico convencido de que a mais recente geração de padre tem sido a mais bem disposta para tentar reconstruir a destruição feita na Igreja.

  10. Demônio travestido de padre!

  11. Mas que raio de evangelização é essa sem batismo? A frase final é uma blasfêmia.

  12. Ninguém dá o que não tem.
    Esse padre está atolado até o gargalo na “teologia” da libertação, e esta por sua vez, tem suas raízes mais profundas no marxismo ateu, logo, ele não poderia passar a fé, que há muito ele perdeu, para ninguém…
    “um missionário «que se põe à prova, que se transforma com a experiência do contato intercultural, que tem coragem, tenacidade e força para lutar pelo que considera justo»….
    Exatamente… que se transforma, ou melhor, se paganiza, e tem a coragem e força para lutar pelo que ele…ele…considera justo…O que a Igreja pensa ou prega, não interessa para essa raça em extinção, mas, que, como falou um comentário acima, ainda demorará uns 40 anos, ou mais, para que se torne uma chaga do passado. Por hora, ainda teremos que ler e ver os desastres que pululam nas Congreações e Ordens que foram, que foram… sementeiras de vocações, hoje, são velhos casarões de senhores e senhoras, empresários e empresárias, que não perdem o salão de beleza semanal e as praias ensoloradas de verão, e a novela das 9 da globinhoooo….rssssss, é os que chamam “igreja” encarnada, pé no chão, latino americana, só se esquecem de assumir o principal título dessa “igreja”: igreja luciferiana…

    São Francisco Xavier, rogai por nós!

  13. Para Deus não existe o impossível, mas eu pessoalmente sou meio cético quanto a conversão de nonagenários. O Bispo Clemente Isnard que o diga, onde quer que esteja…

    Um padre que não batiza é um sal sem sabor, que só serve para ser pisado pelos homens. O que lhe adiantou passar quase um século na Amazônia? Seria melhor, principalmente para os indígenas, que este padre jamais estivesse lá.

    E seria melhor para o padre Sabatini se ele jamais tivesse existido.

  14. Se não me engano foi S.Pio X que disse que os maiores inimigos da Santa Igreja sãos os que estão dentro dela.O missinário da noticia é a prova que S.Pio X tinha razão.

    Fiquem com Deus.

    Flavio.

  15. Demoníaco! (2)

  16. Este post é completamente antagonico ao anterior (sobre a evangelização através da Liturgia). Provenientes de membros da mesma Igreja?. Não, claro que não. Um deles, certamente, é fruto da anti-Igreja, conforme discorreu com clareza Sua Excia Dom Antônio de Castro Mayer a partir de um falso conceito do aggiornamento (atualização) proposto pelo Concílio (pastoral) do Vaticano II.

    PS.: Os textos apresentados pelo Gederson do teólogo (?!) Rahner (guru dos bispos do Reno no referido Concílio pastoral) deixa clara a ruptura entre esta igreja com a verdadeira Igreja de Cristo.

  17. Já pensou a que pé estaríamos hoje se na época da colonização tivéssemos padres com essa visão satanicamente ignorante? Como diz o papa bento XVI “…com esse analfabetismo não podemos crescer, a unidade não pode crescer. Por isso devemos nós mesmos apropriar-nos novamente desse conteúdo como riqueza da unidade, e não como um pacote de dogmas e de mandamentos, mas como uma realidade única que se revela na sua profundidade e beleza.”

  18. Esta reportagem levou-me a considerar o problema da falta de intenção de fazer o que sempre fez a Igreja na administração do sacramento do batismo. Acredito que, mesmo que o batismo fosse efetuado, haveria uma forte probabilidade de que tal fosse inválido, dado que, para os padres ligados a TL, o batismo nada mais é do que uma inserção na comunidade cristã.

    Aqui em minha cidade, no ano retrasado, ouvi uma conferência para padres em que o palestrante defendia a ideia de que a recepção da graça na confecção do batismo deveria ser abolida como uma concepção ultrapassada. A ideia motriz do sacramento citado seria a inserção na comunidade cristã.

    Não é a toa que se diz no final do texto : « Não batizamos nenhum ianomâmi — declara Sabatini — porque estávamos convencidos de que não tinha sentido batizar uma pessoa fora da comunidade e que é a cultura que deve ser evangelizada: o homem tem direito a ter sua cultura e deve encontrar nela a forma de se expressar de maneira cristã. Batizar fora da comunidade significaria criar no batismo uma dupla personalidade».

  19. Eu acho que a esperança é a última que morre.

    Algum dia desses ele se perde na mata, é encontrado por uma tribo de canibais esfomeados.
    Já que ele não batiza mesmo, a abstinência não deve ser conhecida naquelas selvas.
    Carne um pouco dura, concordo, mas com bom cozimento sai um bom caldo.

  20. O estrago de um padre destes não se limita a perder as almas dos que poderiam ter sido batizados e não foram: vai além, porque propaga a todos os que com ele tem contato a idéia de que isso é a religião católica. É esta a associação de catolicismo que os indígenas agora têm.

  21. Algo errado. Segundo li, chegou no Brasil, antes do CV-II !!!

    Devia continuar na Itália, fazendo polenta.
    Não bastassem os daqui, temos os importados, que vieram destilar
    o marxismo-modernismo entre nós.

  22. Pessoal, olhe o respeito com aqueles que estão em “plena comunhão”.

  23. Santo Deus ! Que tipo de missão é esse que consiste em manter os índios no mesmo estado em que se encontravam ? E eles se dizem missionários? Que absurdo!!!

  24. E dá-lhe “plena comunhão”.
    O Prof. Felipe Aquino, da Canção Nova, dizia, em seu programa de TV, que, na sua condição de católico, tinha como critério proibir somente aquilo que a Igreja proíbe, e afirmar somente aquilo que a Igreja afirma. Quem dera se fosse assim na prática e em toda a Igreja (inclusive na RCC).

  25. Se é pra ir pro meio da selva e não batizar ninguém, antes não tivesse ido e desocupasse a moita.

  26. E esse “feito” ainda é exaltado??? Isso merecia um pronunciamento oficial da hierarquia da Igreja. Um sacerdote ir em missão e dizer que “graças a Deus” não batizou ninguém está correto? Então não estou entendendo mais nada do que seja a missão de evangelizar.

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