Um chamado à obediência do Papa aos dissidentes austríacos.

«Quereis viver mais intimamente unidos a Cristo e configurar-vos com Ele, renunciando a vós mesmos e permanecendo fiéis aos compromissos que, por amor de Cristo e da sua Igreja, aceitastes alegremente no dia da vossa Ordenação Sacerdotal?» Tal é a pergunta que, depois desta homilia, será dirigida singularmente a cada um de vós e a mim mesmo. Nela, são pedidas sobretudo duas coisas: uma união íntima, mais ainda, uma configuração a Cristo e, condição necessária para isso mesmo, uma superação de nós mesmos, uma renúncia àquilo que é exclusivamente nosso, à tão falada auto-realização. É-nos pedido que não reivindique a minha vida para mim mesmo, mas a coloque à disposição de outrem: de Cristo. Que não pergunte: Que ganho eu com isso? Mas sim: Que posso eu doar a Ele e, por Ele, aos outros? Ou mais concretamente ainda: Como se deve realizar esta configuração a Cristo, que não domina mas serve, não toma mas dá. Como se deve realizar na situação tantas vezes dramática da Igreja de hoje? Recentemente, num país europeu, um grupo de sacerdotes publicou um apelo à desobediência, referindo ao mesmo tempo também exemplos concretos de como exprimir esta desobediência, que deveria ignorar até mesmo decisões definitivas do Magistério, como, por exemplo, na questão relativa à Ordenação das mulheres, a propósito da qual o beato Papa João Paulo II declarou de maneira irrevogável que a Igreja não recebeu, da parte do Senhor, qualquer autorização para o fazer. Será a desobediência um caminho para renovar a Igreja? Queremos dar crédito aos autores deste apelo quando dizem que é a solicitude pela Igreja que os move, quando afirmam estar convencidos de que se deve enfrentar a lentidão das Instituições com meios drásticos para abrir novos caminhos, para colocar a Igreja à altura dos tempos de hoje. Mas será verdadeiramente um caminho a desobediência? Nela pode-se intuir algo daquela configuração a Cristo que é o pressuposto para toda a verdadeira renovação, ou, pelo contrário, não é apenas um impulso desesperado de fazer qualquer coisa, de transformar a Igreja segundo os nossos desejos e as nossas ideias?

[…]

Deixemo-nos interpelar por mais uma questão: Não será que, com tais considerações, o que na realidade se defende é o imobilismo, a rigidez da tradição? Não! Quem observa a história do período pós-conciliar pode reconhecer a dinâmica da verdadeira renovação, que frequentemente assumiu formas inesperadas em movimentos cheios de vida e que tornam quase palpável a vivacidade inexaurível da santa Igreja, a presença e a acção eficaz do Espírito Santo. E se olharmos para as pessoas de quem dimanaram, e dimanam, estes rios pujantes de vida, vemos também que, para uma nova fecundidade, se requer o transbordar da alegria da fé, a radicalidade da obediência, a dinâmica da esperança e a força do amor.

[…]

A última palavra-chave, a que ainda queria aludir, designa-se zelo das almas (animarum zelus). É uma expressão fora de moda, que hoje já quase não se usa. Nalguns ambientes, o termo «alma» é até considerado como palavra proibida, porque – diz-se – exprimiria um dualismo entre corpo e alma, cometendo o erro de dividir o homem. […] As pessoas não devem jamais ter a sensação de que o nosso horário de trabalho cumprimo-lo conscienciosamente, mas antes e depois pertencemo-nos apenas a nós mesmos. Um sacerdote nunca se pertence a si mesmo. As pessoas devem notar o nosso zelo, através do qual testemunhamos de modo credível o Evangelho de Jesus Cristo. Peçamos ao Senhor que nos encha com a alegria da sua mensagem, a fim de podermos servir, com jubiloso zelo, a sua verdade e o seu amor. Amen.

Da homilia do Santo Padre, o Papa Bento XVI, por ocasião da Santa Missa Crismal celebrada em 05 de abril de 2012.

23 Comentários to “Um chamado à obediência do Papa aos dissidentes austríacos.”

  1. Deo Gratias! Ainda bem que Bento XVI se manifestou publicamente sobre este grande problema, condenando o movimento com suas sábias palavras. Espero que a Congregação Para a Doutrina da Fé emita um juízo definitivo sobre esta desobediência doutrinal. Interessante notar que Bento XVI, na homilia, exorta a não olharmos apenas para a crise, mas também para os movimentos fiéis que surgiram. Não sei qual é a realidade que o Papa fala, mas aqui no Brasil eu diria que são os novos institutos, que não são ordens religiosas, a arca de Maria, o instituto Hesed, a toca de Assis, entre outros. Se bem que são institutos fundados frutos mais da tradição da Igreja do que do Concílio.

  2. Deus seja louvado e abençoe o Santo Padre!

  3. Se os padres da Áustria e do mundo todo (inclusive o Bispo de São Carlos) desprezam a Doutrina da Igreja, vocês acham que a homilia do Santo Padre irá demove-los da sua posição herética e cismática. Depois, ainda querem impor o CVII para a FSSPX ser regularizada canonicamente (lembrando que ela não está fora da Igreja), enquanto os filhos de satanás andam a solta pelo mundo para perdição das almas. Que inversão de valores.

  4. É hora dos Sacerdotes obedientes fazerem sua parte de apoio ao Santo Padre e à santa Igreja, de forma pública e suscinta. Porque não fazem da mesma forma que fizeram estes rebeldes, e, públicamente, manifestem a renovação dos votos feitos no dia de suas ordenações, e a intenção de vivê-los com honestidade e amor verdadeiros? Isso certamente encheria de segurança os incautos, e daria esperança aos fiéis que vivem rezando pelo Clero, em especial pelo santo Padre, o Papa.

    Salve Maria!

    Cleber Lourenço

  5. Ah sim, nessas postagens os “plenas” comentam!

    Mas vejamos: – em não se tratando da FSSPX o Santo Padre fala: “Recentemente, num país europeu, um grupo de sacerdotes publicou um apelo à desobediência”. Ora, nós que acompanhamos as notícias, sabemos que ele se refere, indiretamente, ao clero austríaco, mas os que não acompanham, nem sabem do que se refere, afinal, “é num certo país europeu” [sic].

    Daí, os “plenas” se enchem de coragem e dizem “Viva o Papa!”, “viram, ele falou”, etc, etc, etc. Falou, como sempre, ao bom estilo conciliar, falou sem dar nome os bois uma vez que ele é o dono dos bois, ou ao menos deveria ser, não é mesmo Cardeal Bartolucci?

    Mas, fosse o mesmo fosse dirigido para a FSSPX, seria assim: “Recentemente, em Ecône, um grupo de sacerdotes da FSSPX, publicou um apelo à desobediência”.

    Non possamus, Santo Padre! Por mais que o ame, Non possamus!

  6. E que dia vai ser oficializada a excomunhão deles? Não pq essa conversa de obediência n passa de palavras bonitas. Kasper disse que Jesus n ressucitou e continuou muito tempo no Vaticano. O cardeal da Áustria que esqueci o nome (pra variar) fez e faz tanta bobagens….

  7. Ah, e isso se deu numa homilia – que não tem valor jurídico canônico! – e não numa exigência de assinatura de um preâmbulo doutrinal ou moral, com prazo certo de ultimatum, para “não produzir uma ruptura dolorosa na Igreja”.

    Nem tirando leite de pedra, não é Pedro?

  8. Cleber Lourenço, o que diz impossível. Esses sacerdotes n foram formados para edificar a Igreja, mas para destruí-la. Quem tem que investir nos seminários para ter retorno daqui uns 10 anos é o papa. O que o papa faz pelos seminários do mundo??

  9. É urgente um chamado ao Papa para que ele obedeça ao Magistério perene da Igreja.
    Só assim poderá ele em boa consciência exigir que todos os padres, bispos e fiéis católicos lhe obedeçam plenamente.
    Por exemplo, como pode o Santo Padre pretender que lhe obedeçam quando ensina uma nova doutrina sobre o judaísmo talmúdico que contradiz tudo aquilo que ensinaram os padres da Igreja e foi doutrina constante do Magistério até que o liberalismo maçônico dominasse a Igreja por ocasião do Vaticano II?
    Sim, Santo Padre, queremos obedecer-lhe. Mas primeiro dê-nos o bom exemplo.
    João

  10. Eduardo Gregoriano,

    entendo e concordo com o que você disse. Apesar dessa desproporção (injusta, a meu ver) no tratamento dispensado à FSSPX e aos modernistas, cismáticos e hereges em geral, acho que a situação está tão feia que cada palavrinha (por mais vaga e indireta) dita contra estes deve ser comemorada, e muito. Rezemos pelo Papa e pela conversão do clero.

  11. Mais blá, blá, blá homilético e pseudo-diplomático! Quando serão dados nomes aos bois e, melhor ainda, punições?
    Ah sim! Os plenas em seu catolicismo cor de rosa irão dizer: – Excomunhões não tem lugar na Igreja de nossos tempos! O negócio mais acertado é o diálogo e o perdão!
    Por isso que essa maldita lepra se espalha mundo afora e tanta gente boa é perseguida pela sua fidelidade à Tradição e que bispos como o infeliz lá de São Carlos podem mandar e desmandar à vontade! A frouxidão impera em Roma…sorrindo, sempre sorrindo.

  12. Sra. Ana Maria,

    Nosso Senhor não desistiu de Pedro, quando este O negou por três vezes. Também eu, e todos os católicos, creio, não devem desistir do santo Padre pelo motivo do mesmo não ter ou não poder exercer seu cargo com o pulso firme que deveria e que queremos. Não, não desisto!

    Forças, santo Padre!

    Viva a Santa Igreja!

    Viva Cristo Rei!

    Cleber Lourenço

  13. Mas uma solução drástica é também complicada, ela é mais correta, estes clérigos estão obviamente fora da comunhão com a Igreja. Acredito que se eles não responderem o chamado, em breve será necessária a declaração da excomunhão. Entretanto, o Papa não possui hoje uma ordem religiosa numerosa, piedosa e obediente para promover uma reforma nas dioceses, assumir as paróquias, afastar os padres e tomar as rédeas dos seminários. O Santo Padre está sozinho, ele sabe que a FSSPX é frutuosa e cheia de vocações, porque o esplendor da Igreja verdadeiramente vivido pela Fraternidade atrai muitas almas. É chegada a hora de uma verdadeira renovação e ela precisa começar também nos nossos corações! Conversi ad Dominum! Voltemos para o Senhor!

  14. Interessante. Essa homilia serve tanto para os padres modernistas/progressistas/liberais,etc
    como também para certos “tradicionais” que teimam em fingir que obedecem ao Papa.

    Quase-cismáticos existem em todos os grupos.

    Como dia 15 está chegando, espero que D. Fellay e a totalidade da FSSPX volte à plena
    obediência… ao PAPA.

    Seguramente a Áustria e outros países, serão um campo vasto para ela atuar.
    Com aval do Papa, e principalmente, EM PLENA COMUNHÃO COM ELE.

  15. O discurso do Santo Padre é um Não aos progressistas e outro não aos tradicionalistas. Bento XVI tenta depois de 50 anos conciliar o magistério pre-conciliar com as disposições pastorais, doutrinais e litúrgicas do Concilio Vaticano II e pós conciliar. A questão reside se isso é possível ou não. Para os tradicionalistas não é, para os progressistas tão pouco. Ou seja ambos concordam que houve um ruptura. Bento XVI tenta provar o contrário que existe uma continuidade e para provar isso precisará fazer uma hermenêutica, a qual após 50 anos não se fez. Se não se fez uma hermenêutica de como viver e entender a Igreja e a fé desde os fins dos anos 50 ao meu ver é mais prudente recorrer a tradição até que o magistério esclarece de como devemos compreender o Concílio e prove que há continuidade. Não basta dizer que há continuidade em discursos ou homilias é necessário documentos com autoridade do magistério infalível para iluminar as almas dos fieis que estão com boa disposição de compreender o que é necessário acreditar, porque hoje em dia como é sabido nem os Bispos mais sabe o que é preciso acreditar para ser católico e se sabe…….

    Rezemos pelo Santo Padre.
    Rezemos pelo “Ano de Fé” e que ele consiga demonstrar o que muitos, como eu, não consegue enxergar; a continuidade entre Tradição e Magistério Vivo.

  16. Li apenas o início.
    Sábias palavras do Santo Padre:
    “É-nos pedido que não reivindique a minha vida para mim mesmo, mas a coloque à disposição de outrem: de Cristo. Que não pergunte: Que ganho eu com isso? Mas sim: Que posso eu doar a Ele e, por Ele, aos outros? Ou mais concretamente ainda: Como se deve realizar esta configuração a Cristo, que não domina mas serve, não toma mas dá.”
    A verdadeira Missa reflete essa doutrina: “Non nobis, Domine, non nobis, sed Nomini Tuo da
    Gloriam”

  17. Missa Tridentina em Brasília,

    Eu penso ser completamente o contrário, quem não desistiu de Nosso Senhor foi o Apóstolo São Pedro que chorou amargamente, enquanto que Judas sim desistiu dele e foi se enforcar. Esses Bispos apóstatas a muito desistiram da religião católica e como diz Nossa Senhora ” arrastam a muito em seus erros para o inferno” . Eles devem ser sim denunciados ! São apóstatas e odeiam a Igreja Católica. Odeiam o passado glorioso da Igreja . Odeiam a Idade Média.
    Eu concordo com a Ana Maria e vejo que esses bispos apóstatas querem é justamente isso descristianizar as pessoas e destruir todo rastro de catolicismo genuíno .

  18. Cleber Lourenço, se eu tivesse desistido da Sucessão Apostólica, eu n frequentaria a Missa do Motu Próprio em Jacareí, aqui é ponto final e espero ter sanado alguma dúvida sobre uma possível desistência minha de ligação com a Igreja.

    Um papa tem que confirmar na Fé o rebanho, isto n é gosto meu, é obrigação dele.
    N tem esse papo de plena que tem ser como ‘alguns querem’ não senhor!
    Tem que ser como sempre foi.

    O pq n é? Pq o papa até comprometido com o que ele foi perito, o pulso é o mesmo. Pulso aberto ao mundo. Se n leu leia, se leu, releia O Reno se Lança No Tibre.

    Quanto aos sacerdotes, há provas que a maçonaria e comunas tomaram conta dos seminários, quem sai do seminário? Deixa de ilusão.
    O que vemos é isso aí: padre fashion; padre desequilibrado usa batina hoje e ruge forte e amanhã é gatinho miando de camiseta de jeans. Padre mandando os jovens pra night para arrumar alguém; padre representando os bispos em lojas maçônicas; padres sendo mortos no Natal com os fiéis pelos hereges mulçumanos e o Vaticano lançando nota de pesar e dor.

    N aceito a nova igreja, n a reconheço nas encíclicas e na leitura da vida dos santos.

    Quero a minha Igreja de volta!

    Tenho voz, força e vontade de gritar viva o papa, mas n tenho motivos lógicos para isso. To no aguardo!

  19. Renato Capello,

    Também amo o Papa!
    Também rezo pelo Papa!
    Também odeio quem odeia o Papa!

    Também sei que qualquer “palavrinha” [sic!] em tempos como estes, são de grande valor. O que não aceito é um peso e uma medida para a FSSPX e outro peso com outra medida para os demais.

    Se fosse eu a governar a Santa Igreja eu certamente seria um desastre, mas na qualidade de ovelha à procura da sombra onde repousa o Bom Pastor, pergunto: – cadê essa sombra? Tenho sede Pai, tenho fome. Sede e fome espiritual. Socorra-me Senhor, sou peregrino!

  20. Humanamente falando, a situação do clero (a sua decadência tremenda) é impossível de ser corrigida a curto prazo.

    O Santo Padre, o Papa Bento XVI, não tem como corrigir sozinho com suas próprias forças males de dimensões tão grandes – cosmicas!

    Mas ele tem feito todo o possível! Certamente Deus não deixará de cumprir a sua promesa: as portas do inferno não prevalecerão (contra a Igreja!)

    E não digo isso como forma de mininizar ou abrandar a culpa de tantos sacerdotes maus!

    O Santo Padre tem insistentemente mostrado as características dos bons sacerdotes, bem como tem mostrado o que se deve evitar; como nestas seguintes palavras:

    “As pessoas não devem jamais ter a sensação de que o nosso horário de trabalho cumprimo-lo conscienciosamente, mas antes e depois pertencemo-nos apenas a nós mesmos. Um sacerdote nunca se pertence a si mesmo.”

    Ao meu ver, isso é uma referência a mentalidade segundo a qual o sacerdote tem o seu horário de trabalho a cumprir. Depois disso, não tem mais obrigação nenhuma para com os fiéis! Isso é só uma das coisas a ser corrigida, mas se for corrigida já é uma grande coisa, pois um sacerdote que age como se fosse um funcionário é um sacerdote “desfigurado”.

    A esse respeito, são bastante interessantes estas citações do livro “O Sacerdote no Mundo”:

    “ ‘Pfaffe’ é o mercenário da religião,ao passo que o sacerdote é o tipo de ser humano elevado e purificado pelo exercício do seu ministério. O termo ‘Pfaffe’ satiriza a atividade sacerdotal encarada como negócio;” p.18

    Pfaffe é o sacerdote mercenário.

    “Não pode ser bom sacerdote quem não for verdadeiramente espiritual. Não há por isso nada de mais repugnante do que um sacerdote tíbio e sem vida interior. O seu ministério contradiz a sua vida, a sua vida opõe-se ao seu trabalho, fazendo-o perder o seu significado e reduzindo-o a uma simples mentira.” p.18-19.

    “Mas o que caracteriza o sacerdote mercenário é o fato de converter o sagrado ministério em mecanismo e rotina, numa ausência do mais elementar espírito religioso.” p.19

    “O sacerdote-funcionário já não aplica à sua conduta é à do homem o critério de Cristo, mas sim um repertório casuísta.” p.19

    P.S.:
    O Sacerdote No Mundo – Josef Selmair
    Editorial Áster Lisboa, 1960, Lisboa
    Die Priester in der Welt
    Tradução de Fernando Barros

  21. Caro Eduardo Gregoriano,

    Os dois pesos e as duas medidas, tem seu começo, já na consideração das decisões definitivas do magistério. Da mesma forma que João Paulo II se pronunciou de modo definitivo sobre a ordenação das mulheres, Pio IX se pronunciou de forma definitiva sobre a liberdade religiosa. Daí não se sabe o porque a definição de João Paulo II é definitiva, e a de Pio IX não*.

    No caso entre Bento XVI e dos Padres da Áustria, temos o oposto do caso em que Dom Lefebvre e o Cardeal Ratzinger, conversaram sobre a Quanta Cura e a Gaudium Et Spes. Agora Ratzinger como Bento XVI, defende a imutabilidade da definição de João Paulo II e os Padres da Áustria, defendem que a Igreja não está mais no tempo da Ordinatio Sacerdotalis….

    * Recordemos:

    “[A Instrução Donum Veritatis] afirma – talvez pela primeira vez de maneira tão clara – que existem decisões do magistério que podem não constituir a última palavra sobre uma matéria enquanto tal, mas um encorajamento substancial em relação ao problema, e sobretudo uma expressão de prudência pastoral, uma espécie de disposição provisória. Sua substância permanece válida, mas os detalhes sobre os quais as circunstancias dos tempos exerceram uma influência podem ter necessidade de retificações ulteriores. Sob esse aspecto, pode-se pensar tanto nas declarações dos Papas do século passado sobre a liberdade religiosa, quanto nas decisões antimodernistas do começo deste século” (L’Osservatore Romano. Edição semanal em língua francesa, 10 de julho de 1990, p.9) [1].

  22. O que se observa no santo padre o Papa é que o mesmo sempre fala da cátedra e nunca ex-cátedra … mas como se estivesse ensinando para alunos de uma universidade. Eleito ao sólio Pontifício, conservou o hábito de lecionar, tão caro aos mestres universitários. Por isso ele sempre, em seu sermões e homilias, tem alertado para alguns desvios. Mas nunca usa de sua autoridade para impor e condenar. Ele parece, sempre querer debater e ponderar, virtudes caras a um professor, mas talvez desnecessárias para quem governa a igreja. Recentemente muitos pediram um pronunciamento magisterial e solene para condenar os erros do Concílio Vaticano II. Em vão.
    A crise de autoridade encontra sua raiz nele próprio. Tem a impressão de que o bispo de Roma abdica de seu munus de ensinar com a autoridade das chaves.
    Por isso, tanto o Concílio Vaticano II, como os sermões e homilias não conseguem obrigar e terminam por gerar confusão. O Concílio, por erros, omissões e imprecisões e o Papa por não quer exercer a plenitude de sua autoridade.

  23. Certamente que a atitude ante os padres austríacos é bem diferente da que se se refere a FSSPX : aos primeiros não se faz ameaças alguma , aos segundos se ameaça com um ultimato.No entanto eu fico a pensar no terrivl drma que vive Bento XVI quanto ao governo da Igreja.Ele sabe que na Áustria Schonborn é a grande liderança eclesial e sabe que tanto lá quanto na Alemanha o progressismo tomou conta do coração dos Bispos e Padres ; ele sabe que já não governa mais a Igreja Germânica que ela se tornou na prática autônomo e que são tênues os fias que ainda a ligam a Roma …o mesmo se diga do Brasil e o mesmo se diga de vastos setores eclesias dos EUA.Efetivamente o Papa já não consegue mais governar com poder pleno e supremo – a obediência em termos tradicionais é rechaçada pela quase generalidade de fieis e prelados em nível mundial …mesmo que o Papa quisesse impor sua autoridade por meio de excomunhões , anátemas , ele não seria ouvido nem obedecido….tente um padre impor normas de costume e censurar certas opiniões e ideias contrarias a fé para ver a guerra que ele terá que fazer para governar ! Em minha diocese todas as vezes que um padre tenta fazer isso fica numa tal situação que se impossibilitado de governar , até que é transferido pelo Bispo.O mesmo fazem os Bispos.A Igreja vive em seu interior uma revolução francesa : os súditos já não querem mais obedecer ao rei , já não reconhecem mais que haja um cabeça , eles querem seguir apenas suas cabeças.E o 14 de Julho sabe-se bem quando foi.A revolução esta em pleno vapor.