Um conselho sacerdotal aos lefebvristas.

Tenho acompanhado com vivo interesse e com minhas pobres orações as notícias relativas aos contatos mantidos pelo superior geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X com as autoridades romanas bem como as suas repercussões através da internet e da imprensa em geral.

Para o bem da Igreja e da referida Fraternidade, desejaria externar minha preocupação em torno do assunto e emitir um juízo.

Em primeiro lugar, o que me chama atenção é o clima de desconfiança dos lefebvristas (na verdade, católicos romanos sem nenhum rótulo) em relação ao seu próprio prelado, D. Bernard Fellay. Começam a minar-lhe a autoridade levantando suspeitas e juízos temerários através de vários sites e blogs, só pelo fato de ele dialogar com a cúria romana. É um absurdo. Isso talvez se deva à situação canônica anômala da Fraternidade. Acostumados a julgar e criticar livremente o Papa, agora se põem a censurar publicamente o próprio superior.

Tal comportamento constitui um pecado contra o quarto mandamento e é uma impiedade. Além do mais, causa um grande prejuízo ao bem comum da Igreja.

Em segundo lugar, o que me causa espécie é a facilidade e precipitação com que formulam suas sentenças de mérito da questão, com a pretensão de decidir o que é o melhor para a Igreja no momento.

Em terceiro lugar, desejaria recordar um princípio de ética social: a autoridade é um ente moral e, para o seu exercício em prol do bem comum, necessita da colaboração e compreensão dos súditos. Sem essa colaboração, a autoridade só se mantém mediante o emprego da força e até mesmo, às vezes, da violência, ou se extingue dando lugar à anarquia.

De modo que, se os lefebvristas não quiserem o caos em seu próprio ambiente, mas, ao contrário, quiserem efetivamente o bem da Igreja, corrijam seu comportamento escandaloso e sustentem a autoridade.

Finalmente, deixo o meu conselho. Rezem por D. Fellay e pelo Papa. Confiem em seu prelado, como a pessoa posta pela Providência Divina para o governo da Fraternidade com todas graças de estado. E, seja qual for a decisão tomada por D. Fellay, submetam-se. Se houver um acordo, rendam graças a Deus e redobrem o seu voto de trabalhar para a glória de Deus, exaltação da santa Igreja e salvação das almas. Recordem-se então, com gratidão, do que disse D. Lefebvre logo após as consagrações episcopais de Ecône: “Dentro de alguns anos Roma nos procurará, e tudo voltará ao normal.” Se não houver acordo, carreguem a cruz com a consciência de viver tempos anormais na vida da Igreja e nunca se alegrem de viver à margem da estrutura jurídica da Igreja.

Um padre diocesano

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37 Comentários to “Um conselho sacerdotal aos lefebvristas.”

  1. Se houver acordo (e para a glória de Deus, oremos para que ele aconteça), este não será a conclusão, mas o início de uma nova fase e de novos e maiores desafios (ad intra), em nome da unidade da Igreja. Mais que nunca o Papa e Dom Fellay precisarão do apoio de todos os homens de boa vontade para o restabelecimento da ordem (com “o” minúsculo mesmo) na nossa Igreja.

  2. Se o Papa regularizar a situação jurídica da FSSPX, todos nós esperamos que isso aconteça, ele deverá escrever uma carta aos bispos para explicar o porquê, assim como ele fez com o Summorum Pontificum, só que dessa vez a decisão da Santa Sé tocará em um ponto que pode incomodar muitos, a autoridade do Concílio Vaticano II e a sua relação com os documentos magisteriais anteriores, que o contradizem. Então, “o bicho vai pegar”.

  3. Gostaria de subscrever na integra o comentário do Pe. Francisco Ferreira e juntar-me às suas orações. Que o Senhor abençoe o Santo Padre, a FSSPX, o seu Superior, D. Fellay e todos os que dela fazem parte.

  4. Muito oportuno. Todos devem ser pedra e vidraça ao mesmo tempo.

  5. Salve Maria,

    Parbáns “padre diocesano”, um excelente texto.

    Que Deus nos mantenha cada vez mais unidos à FSSPX e a Dom Fellay. Temos convicção, a decisão que a FSSPX tomará, será sábia e prudente, e de onde vem esta certeza: de toda a vida pública de Dom Fellay e de seus religiosos.

    Sr. “padre diocesano”, seu texto é breve, mas providencial para muitos, inclusive para mim.

    Peço a meus irmãos da FSSPX e Comunidades amigas que não nos deixemos levar por certas notícias da imprensa, mas só recebamos as informações e orientações de nossos superiores. Nós sabemos que quem manda na imprensa, na maioria das vezes nos odeiam.

    Rezemos por Dom Fellay e pelo Papa Bento XVI. Que a decisão que ambos tomarão seja a melhor para a Igreja.

    São Pio X, rogai por nós.
    São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, …

  6. O autor, Padre diocesano, está coberto de razão. Mas, ele não pode se esquecer que mais importante do que a obediência irrestrita às autoridades está a salvaguarda da Fé. Na minha insignificante opinião, Dom Fellay tem se portado com prudência durante o debate ao não aceitar acordos que representem verdadeiras concessões pela FSSPX (i.e., abdicar de tudo o que ela tem ensinado segundo o ânimo do Grande Monsenhor Marcel Lefebvre), a fraternidade não pode e não deve conceder nada em matéria de Fé. Quisera eu estar certo de que nos bastidores dos debates, S. S. Papa Bento XVI esteja convencido de que o Concílio Vaticano II foi a grande e maior tragédia nesses 2000 anos de história da Igreja, ainda que não seja a causa primeira; e de que também o Missal de 1969, representou uma grande ruptura com a doutrina litúrgica de desde sempre. Fora as eventuais tendências sedevacantistas existentes no seios da FSSPX, qualquer crítica e censura de membros da Fraternidade aos superiores, que visem a manutenção da Fé Católica, aversão ao Concílio e à Missa Nova e à tentativa de se fazer um acordo desastroso como foi feito pela FSSP e os Padres de Campos-RJ são legítimas e válidas.
    Padre diocesano, Vossa Reverendíssima tem toda razão: curvemo-nos às autoridades legitimamente instituídas, mas nos curvemos primeiro à Fé e as autoridades, se estas estão de acordo com aquilo que sempre foi ensinado.

  7. Graças ao Bom Deus, um padre católico…

  8. Gostei muito do apelo do padre dioceseno, muito sensato e lúcido.

    De fato, em meio a essa terrível crise a regularização canônica da FSSPX trará um bem enorme às almas, especialmente aquelas que não teriam coragem de se aproximar de seus padres, ler seus livros ou sequer cogitar visitar seus locais de missa.

    Creio que o estado de necessidade justifica toda essa resistência, mas não se pode ser feliz a vida toda estando à margem da estrutura jurídica, como o padre falou. É uma questão de mortificação e entrega à Deus, mas nem Dom Lefebvre parecia estar pulando de alegria nessa situação. Era uma cruz em favor da Igreja e das almas.

    Penso contudo, que alguns críticos da regularização se esquecem que a situação atual da FSSPX é muito diferente daquela de 20 anos atrás. Hoje são mais de 500 padres, inúmeras capelas espalhadas no mundo todo, centros de missa, seminários de grande porte nos EUA, Alemanha, Argentina e etc. Com todo esse arsenal estarão em melhores condições que todos os demais institutos tradicionais. Infelizmente aqui no Brasil são poucos locais e pode-se super que enfrentarão a cara feia dos bispos, que, naturalmente não vão querer tê-los por perto. Mas esse é o preço a se pagar.

    Também para os fiéis da Adm. Apostólica que hoje criticam a ‘falta de obediência’ da FSSPX vale refrescar a memória de que o acordo de Campos ocorreu quando já havia as capelas paralelas. Caso a obediência à Dom Navarro fosse imediata, quem sabe teriam uma única capelinha “benevolamente” concedida em toda a cidade de Campos para a celebração da missa no rito antigo.

    Então, estrategicamente, temos que reconhecer que esse tempo fora da estrutura canônica foi útil no sentido de preparar as casas de formação, capelas e etc., que com a regularização poderão ser encampadas sem maiores problema.

  9. Deixo o comentário do Superior do Distrito Italiano, a Carta enviada ao IBP pela Comissão Ecclesia Dei, para que se tenha uma visão maior do problema.

    A visita canônica ao instituto do Bom Pastor: um monito

    Nestes ultimos dias apareceu na internet o relatório da visita canônica da comissão Ecclesia Dei ao Instituto do Bom Pastor. Está comunidade composta inicialmente de ex-membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, foi reconhecida por Roma com o privilégio de celebrar exclusivamente a Missa tradicional e de poder fazer “uma critica séria e construtiva” ao Concílio Vaticano II.

    As notas que fazem seguir, a visita canônica, mostram claramente como a vontade da comissão Ecclesia Dei seja de reconduzir o Bom Pastor a aceitação, ao menos em linha de princípio, da liturgia moderna, no espírito do Motu Proprio Summorum Pontificum. Do mesmo modo se insta a reconhecer a validade do ensinamento do Catecismo da Igreja católica que sintetiza, com doutrina tradicional, as novidades do Concílio Vaticano II, em oposição ao magistério perene da Igreja. Nenhuma vontade então de um retorno a tradição mas pressões progressivas para amalgamar os “dissidentes” e reconduzi-los ao interior da “Igreja conciliar” e das suas doutrinas que devem ser ensinadas no seminário do instituto.

    O problema de consciência que se coloca para todos os católicos, maiormente para um sacerdote e para uma comunidade religiosa, é renunciar a opor-se ao novo rito, e isto não por um apego nostálgico a liturgia tradicional, mas porque, como o recordava o Cardeal Ottaviani, “se afasta de forma impressionante da teologia católica da Missa como foi definida pelo Concílio de Trento” [1]. Inaceitável do ponto de vista da fé são também as novas doutrinas como aquela sobre o valor salvífico de todas as religiões; sobre o ecumenismo e a não perfeita identidade entre a Igreja de Cristo e a Igreja Católica; sobre a liberdade religiosa; sobre a colegialidade episcopal etc.

    Uma pública e corajosa oposição a estes erros, sem ambiguidade e malgrado qualquer perseguição, sobre a ser um dever, é também indispensável para o bem da Igreja como é assim que se poderá contribuir a fazê-la sair da terrível crise que sofre hoje.

    don Pierpaolo Maria Petrucci
    Superior do Distrito Italiano da FSSPX

    [1] Carta que acompanha o Breve exame critico do Novus ordo Missae

    Fonte: http://www.sanpiox.it/public/index.php?option=com_content&view=article&id=619:la-visita-canonica-allistituto-del-buon-pastore-un-monito

  10. Rogério, vai devagar com o andor pois o santo é de barro!

    Que eu saiba Nosso Senhor não mandou obedecer somente se os pastores forem bons. Ele mandou obedecer e ponto final. “Os escribas e fariseus estão sentados na cátedra de Moisés. Portanto, fazei e observai tudo quanto vos disserem. Mas não imiteis as suas ações, pois dizem, mas não fazem.”

    É um exercício de confiança em Deus. E que eu saiba o Papa não é um apóstata para justificar a desobediência a ele. Muitos bispos diocesanos são e isso justificaria a desobediência a eles, mas não ao Santo Padre.

    Se a Fraternidade não acatar a ordem do Santo Padre, isso caracterizaria uma apostasia da parte deles – a não ser que os verdadeiros culpados pelo desacordo sejam no fundo os lobos infiltrados na cúria e nos dicastérios (é possível), e nesse caso esperemos uma providência firme do Santo Padre em comunicar-se diretamente a Dom Fellay. Como não tempos competência para julgar se é isso ou aquilo, cabe-nos apenas acatar o conselho do rev.do padre diocesano.

  11. O principal problema para a tradição caso se confirme o acordo, é que ela será apenas um carisma a mais na Igreja. Quando na verdade ela é fonte de revelação e deveria ao invés de ser uma opção, ser regra para toda a Igreja. Neste sentido, teríamos uma analogia ao slogan de Camile Cavour na época do ressurgimento italiano, ou seja, se por um lado ele propagandeava o “livre Estado na livre Igreja”, com a consumação do acordo, teríamos a “livre Tradição na livre Igreja”, que se ajuntaria ao protestantismo da rcc, ao judaísmo do Caminho Neocatecumenal, ao marxismo da Teologia da Libertação, etc. No fim das contas a simples existência dos grupos mencionados na Igreja Católica, deixa entender que a Igreja é uma soma de carismas dos quais, os únicos propriamentes católicos, seriam o dos Institutos Ecclesia Dei e da FSSPX. Por esse motivo, Mons. Lefebvre dizia que um acordo com Roma, seria possível somente se está fizesse uma profissão de fé restaurando os documentos dos Papas conciliares, que a doutrina conciliar contradiz. Aceitar um acordo sem ter isso por base, é aceitar em linha de princípio o indefinido conceito de tradição, que passou a vigorar a partir do Concílio. Não se pode esperar que a FSSPX faça o que só Roma pode fazer.

    Enquanto o Papa defender a liberdade religiosa, a colegialidade e o ecumenismo conforme o CVII, e não esclarecer o conceito de tradição do concílio, a desobediência a ele se justifica. O problema do conceito de Tradição, ficou bem claro com o debate que se deu na internet, depois do texto de Mons. Ocariz: pedem nos para interpretar o Concílio a luz da tradição, então dentro deste pedido, a tradição é um patrimônio da Igreja, um dado transmitido a qual todos os católicos tem acesso. Mas se chegamos aos pontos de contradição entre o Concílio e a tradição, dirão que não levamos em conta o caráter suficientemente vivo da tradição. No entanto, não explicam porque todos os outros pontos da tradição que não contradizem o Concílio, permanecem vivos e os pontos da tradição que o contradizem, estão mortos e o que vale, é o que foi definido pelo magistério conciliar. Neste sentido, a tradição passa de um patrimônio da Igreja, a uma propriedade absoluta do magistério, onde ela e o magistério formam uma só coisa e o magistério deixa de ser o que é, e se torna uma fonte de revelação.

    A questão do episcopado, coloca em cheque toda teoria de um retorno a tradição pelo magistério atual, pois não saem Bispos dos Institutos Ecclesia Dei. Muito pelo contrário, como vimos na carta de Mons. Pozzo ao IBP, a Cúria Romana aprova o estado atual de coisas, uma vez que demonstra o desejo de enquadrar o IBP no esquema da “Igreja Conciliar” (como dizia o Cardeal Benelli). Além disso, quem realmente precisa de um instituto Ecclesia Dei são os Neocatecumenais, os carismáticos, os focolares, o movimento comunhão e libertação e a maioria dos novos movimentos, que ao invés de serem controlados, como o são os institutos tradicionalistas, são aprovados muitas vezes com louvor e tem total liberdade para atuar na Igreja.

    Fiquem com Deus.

  12. O principal problema para a tradição caso se confirme o acordo, é que ela será apenas um carisma a mais na Igreja.

    Pois é,seguidamente penso nisso.É como se fosse um caminhão de melancias.Todos dentro da Igreja,e no andar da carruagem todos se ajeitam dentro dela,cada um a seu modo.

    Fiquem com Deus.

    Flavio.

  13. Enquanto o Papa defender a liberdade religiosa, a colegialidade e o ecumenismo conforme o CVII, e não esclarecer o conceito de tradição do concílio, a desobediência a ele se justifica.

    De forma alguma, isso sim é nova doutrina! Só justificaria se esses pontos fizessem do Papa um apóstata, caso em que ele não seria Papa…

    Ressalva: a autoridade do Papa não é absoluta. Por exemplo: ele não pode (e com efeito nenhuma outra autoridade eclesiástica pode) obrigar nenhum padre latino, em virtude da bula Quo Primum Tempore, a utilizar os ritos novos. E se ele tentar? Daí desobedecemos. Foi o que aconteceu no passado. Está acontecendo hoje? Com a Fraternidade não, ao menos aparentemente, então não justificaria a desobediência. Está acontecendo com o IBP, portanto eles podem desobedecer (e que desobedeçam!). E se eles forem estigmatizados por causa disso? Ora, isso não é novidade nenhuma, se já aconteceu no passado com Dom Lefebvre e nós conseguimos sobreviver então pode acontecer de novo hoje!

    Recomendo a leitura do livro “As Grandes Heresias”, de Hilaire Belloc. Você verá que sempre houve subgrupos apostáticos (aparentemente) dentro da Igreja. Isso não é novidade. Eventualmente eles são eliminados, mas isso leva tempo, e os fiéis triunfam. O que é novidade é que os subgrupos fiéis estivessem justificadamente fora. Isso sim é absurdo, e caracteriza pecado mortal se for por própria culpa, como eu disse acima (claro que se for culpa dos conspiradores, então não caracteriza).

  14. Em outras palavras: sempre deve haver obediência às autoridades eclesiásticas legítimas, isto é, não apostáticas. Claro que um “bispo” comunista ninguém deve obedecer, trata-se de um farsante! Mas a obediência às autoridades nunca deve ser absoluta, porque a autoridade de nenhuma delas é absoluta. Ninguém pode ordenar que se peque por exemplo. E ninguém pode ordenar algo contra uma autoridade superior (por exemplo, o Papa contra um Papa anterior, pois um Papa seguinte sempre está sujeito aos papas anteriores, por isso não pode mandar contra a Quo Primum).

    Já dizia Santo Agostinho que muitos que aparentam estar na Igreja na verdade não estão. Nem por isso nos separamos do tronco por causa dos galhos secos. O Papa Bento XVI com certeza não é um farsante, então obedecemos.

    “Ah, mas as autoridades estão sendo coniventes!”

    Ora, cada um com seus pecados! O catecismo ordena que façamos sempre o melhor julgamento possível sobre outrem. As autoridades que forem apóstatas deixam de ser autoridades, pois se separaram do tronco, as outras, ainda que sejam galhos secos, continuam ligados e, por ordem do próprio Cristo devem ser obedecidas: “Os escribas e fariseus estão sentados na cátedra de Moisés. Portanto, fazei e observai tudo quanto vos disserem. Mas não imiteis as suas ações, pois dizem, mas não fazem.”

    Não fui eu quem mandei, foi Nosso Senhor. Não há argumento contra isto.

    As coisas mudaram de ontem para hoje. Ontem nos mandavam coisas absurdas, não obedecemos. Hoje não mandam mais, então obedecemos. E se amanhã mandarem? Amanhã é amanhã, hoje é hoje!

  15. Prezados,

    Este sensato conselho sacerdotal pode ser extrapolado aos grupos e individuos leigos ao longo de todo o espectro de católicos de linhagem dita “tradicionalistas” com relação não apenas a esta questão sensível entre a FSSPX e o Vaticano, como também em relação à Igreja Católica Apostólica Romana como todo, na pessoa do Sumo Pontífice e Seus os bispos. No extremo deste espectro, há aqueles que acabam por se precipitar no sedevacantismo – ou num tipo de eclesiovacantismo – publicamente declarado ou, se não o são publicamente, o são de fato, pela forma como vivem a fé católica.

    VJMJ
    Zé Carlos

  16. A. Carlos, repito o que eu disse: enquanto o Papa ensinar a liberdade religiosa, a colegialidade o ecumenismo e o conceito de tradição conciliar, a desobediência a ele se justifica, por um motivo bem simples: a obediência não é um bem em si, ela só é um bem quando a autoridade está atrelada ao bem primordial. Sendo as doutrinas conciliares erros, elas não possuem nenhuma força de obrigar, isto é o que ensina São Roberto Berlarmino:

    São Roberto Belarmino

    “Tal como é lícito resistir ao Pontífice que agride o corpo, também é lícito resistir ao que agride as almas ou perturbe a ordem civil, ou, acima de tudo, que tente destruir a Igreja. Digo que é lícito resistir-lhe não fazendo o que ele ordena e evitando que a sua vontade seja executada; contudo, não é lícito julgá-lo, puni-lo ou depô-lo, dado que tais actos são próprios de um superior” (De Romano Pontifice, lib. 2, chap. 29, Opera omnia, Paris: Pedone Lauriel, 1871, vol. 1, p. 418).

    Vários santos e doutores da Igreja, conforme pode se ler no artigo: Dever de obedecer – dever de desobedecer: http://www.spessantotomas.com/2012/04/dever-de-obedecer-dever-de-desobedecer.html.

    Fique com Deus.

    Abraço

  17. “Perigosíssimos” FRATRES;
    Senhor Padre Diocesano:
    Agradeço, uma vez que sou Católico, e por conseguinte, Tradicionalista (uma vez que como Católico, guardo a Fé Tradicional da Igreja, advinda dos Santos Apóstolos), aos comentários do Sr., “Padre Diocesano”.
    Porém, apesar de entender o posicionamento dele(já que é um padre conciliar) e, evidentemente, de outros comentadores deste nosso FRATRES, discordo completamente.
    Primeiramente me apresento: chamo-me Felipe, tenho 36 anos, casado, pai de quatro filhos, médico neurologista.
    Conheci a Mons. Lefebvre pessoalmente, tendo sido crismado por Ele.
    Posso com tranquilidade dizer que meu pai teve uma relação de amizade com Ele, indo várias vezes a Econe, bem como tivemos a feliz oportunidade de encontrar-nos com nosso amado Arcebispo por diversas vezes em França.
    Sabemos da crise na igreja conciliar e qual era o posicionamento de Mons. Lefebvre, o Novo Atanásio.
    Conhecemos a igreja conciliar e seus frutos.
    Esta igreja, à qual o “Padre Diocesano” está vinculado.
    A mesma igreja que se distanciou muito do ensino dos Apóstolos, com seu ecumenismo, sua colegialidade, sua liberade religiosa seu “aggiornamento”… Enfim, a igreja conciliar que vive o lema da Revolução de 1789: Liberdade: “lierbade religiosa”, Fraternidade: “colegialidade episcopal” e Fraternidade:”todos somos ‘irmãos’ – até mesmo os ateus(comunistas) e os que têm ódio à Fé, os maçons)
    Este nunca foi o ensinamento da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.
    Porém é o ensino da igreja conciliar, defendendo tudo aquilo que os hereges, em todos os tempos afirmaram.
    Caso o nobre autor não tenha uma ideia clara sobre isso, convido-o a relembra Assis I, II, III e ao infinito, onde o próprio Papa colocou-se no mesmo nível dos membros das falsas religiões, pecando contra o primeiro mandamento da Lei de Deus.
    Ademais, diante de todos os escândalos e apostasias que ocorrem nessa igreja conciliar, em sua pútrida e fétida “primaver conciliar”, e ninguém, nem o Papa, nenhum Cardeal, nenhum Bispo nada faz para Defender a Fé, ao contrário, fingem-se de “surdos” (agora creio que já se fingem de mortos – diante de tamanhos escândalos e apostasias), nenhuma providência é tomada… Apenas palavras, palavras, pelavras…
    Lindos discursos que “adormecem” a consciência.
    Nenhuma atitude é tomada em Defesa de nossa Santa Fé.
    E que isso fique bem claro, a Fé que recebemos dos Apóstolos.
    Ao observar o que ocorre com as chamadas “Comunidades Ecclesia Dei”, entre elas o IBP, é fácil verificar qual é a atitude da Roma Modernista.
    Precisam de mais sacerdotes, precisam de números, precisam de gente séria, uma vez que eles mesmos não são sérios…
    Discorda?
    Lembra-se de Arapiraca?
    Do bispo da mitra penosa?
    Dos novos “ensinamentos” sobre Fé e Moral?
    Da inexistência do inferno?
    Da total desobediência na igreja da Áustria?
    Do Cardeal da igreja conciliar membro das “loggia”?
    Da defesa dos “direitos GAY”?
    Das “missas inculturadas”?
    Da CNB do B?
    Dos testemunhos dos grandes liturgos e dos amáveis e receptivos membros da “cão ferrância episcupal”?
    Há alguma seriedade nisso?
    Uma vez que eles estão “preocupados com o decréscimo do número de Católicos”, querem trazer para junto de si, aqueles que são sérios, bem formados e que tenham o mínimo de Fé, coisa que parece quase extinta na igreja conciliar.
    Conheço a Capela do Priorado da FSSPX em S. Paulo, onde quando estou na capital paulista, dirijo-me para receber a graça da Santa Missa.
    Este é meu contato com a Fraternidade.
    Não faço parte – “oficialmente” – de seus fiéis, ainda que esteja vinculado espiritual e afetivamente a Ela, mas como vivo distante e, com a Graça de Deus, tenho um santo Sacerdote que celebra quinzenalmente na capela de minha propriedade (vivo em uma fazenda), desconheço os Padres da Fraternidade, apenas os “conhecendo” das Missas no Priorado.
    Destarte, não posso falar “em nome da Fraternidade”.
    Porém, creio que o que nós, que guardamos a Fé queremos é a continuidade e a preservação daquilo que temos como o mais Sagrado e o mais importante para nós: Salvar nossas Almas!
    Não tive a felicidade de provir de uma família tradicionalmente Católica, como a maioria dos comentadores deste nosso Blog.
    Sou descendente de judeus, que sempre detestaram a Fé Católica e tiveram Cristo como um falso profeta.
    Recebemos a Fé através de meu avô, que foi convertido graças a um santo Frade Franciscano, que nos arrancou os véus da escuridão e nos mostrou a Luz de Cristo.
    Assim, o tesouro que tenho e que passo aos meus filhos é a Fé Católica.
    Creio que o diálogo com Roma é proveitoso, porém, é inútil, uma vez que é um diálogo de surdos, como disse o próprio Mons. Lefebvre.
    Nós, que guardamos a Fé, não podemos admitir um “Acordo” com todo o erro do maldito concílio.
    Caso o fizéssemos, tranar-nos-íamos como os “bons católicos ingleses” que se submeteram à fé do Rei, porque seus “bons bispos” assim o fizeram, esperando um dia, que tudo voltasse ao normal.
    Não.
    Tal qual àqueles Católico ingleses, os “refratários” (S. John Fischer) que preferiram morrer a deixar sua Santa Fé, digo igualmente a eles: Não!
    Sigo o Exemplo de Saint Thomas Morus: Primeiro a Deus, depois aos Homens! Não devemos nos deixar seduzir por fábulas nem por promessas, e muito menos fazer “teatrinhos” para com Deus.
    Devemos ser quentes ou frios. Morno será vomitado!
    Sou Católico.
    Quardo minha Fé, tal como ensinou o Apóstolo das Gentes, o Grande Príncipe dos Apóstolos, S. Paulo.
    Ainda que permaneça “excomungado”, nunca, jamais, me curvaria a outro Deus, senão a Nosso Senhor Jesus Cristo.
    Creio que por ser proveniente de uma Fé de Conversão, e ter a Fé como algo muito precioso, não consigo compreender a facilidade com a qual tantos acreditam que o tal “Acordo” seria algo bom.
    Nosso Sacerdote, minha família e eu cremos ser totalmente errônea tal concepção.
    Tenho notícias da velha Europa que dois Bispos sagrados por Mons. Lefebrve não estão de acordo com esse “Acordo”, visto que têm o mínimo de percepção e muita ponderação, ademais, guardam a Fé e são fiéis ao legado de Mons. Lefebvre.
    Rezamos pelo Santo Padre o Papa.
    Temos muito carinho por ele, ademais, somos extremamente gratos por ele ter “permitido” que nas igrejas conciliares se oferecesse a Santa Missa. Uso aqui o verbo “permitir”, apenas como uma forma de expressão, visto que na Bula Quo Primum Tempore, de São Pio V, esta Missa jamais poderá ser derrogada e tampouco nenhum Sacerdote poderá receber alguma punição por estar a celebrá-la, visto que ELA, esta MISSA é o único culto agradável a Deus!
    Portanto, aos conciliaristas e neoconservadores, o tal Summorum foi uma “Bênção”, já que eles tiveram a grata oportunidade de se sentirem Católicos, uma vez que a missa bastarda de Montini/Bugnini é na verdade um culto protestante.
    Senhor “Padre Diocesano”, lembro ao Sr. uma pequenina coisa que se aprende no Catecismo: “não devemos obedecer a uma ordem injusta”.
    Assim, se mesmo que seu pai lhe mande matar um inocente, creio que o Sr. não o faria, não é?
    E quanto a “matar a alma”? O que o Senhor me diz?
    Devo obedecer?
    Por tudo isso, mostro minha total discordância do texto do Padre Diocesano, tentando fundamentar, ainda que não de maneira teologicamente perfeita, visto que não fiz Teologia, aquilo que creio ser o maior Tesouro que se pode ter: a Fé CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA.
    Enfim, para terminar, uso da resposta do próprio Mons. Marcel Lefebvre esclarecendo sobre o motivo de seu distanciamento com Roma:

    “Não temos a mesma maneira de conceber a reconciliação. O Cardeal Ratzinger a vê no sentido de nos reduzir, de levar-nos ao Vaticano II. Nós a vemos como um retorno de Roma à Tradição. Não nos entendemos. É um diálogo de surdos.

    Não posso falar muito do futuro, já que o meu está atrás de mim. Porém, se vivo um pouco ainda e supondo que daqui a determinado tempo Roma nos chame, que queira voltar a ver-nos, retomar o diálogo, nesse momento seria eu quem imporia condições. Já não aceitarei estar na situação em que nos encontramos durante os colóquios. Isso terminou.

    Eu apresentaria a questão no plano doutrinal: Estais de acordo com as grandes encíclicas de todos os papas que vos precederam? Estais de acordo com a Quanta Cura de Pio IX, com a Immortale Dei e a Libertas de Leão XIII, com a Pascendi de Pio X, com a Quas Primas de Pio XI, com a Humani Generis de Pio XII? Estais em plena comunhão com estes papas e com suas afirmações? Aceitais ainda o juramento antimodernista? Sois a favor do reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo?

    Se não aceitais a doutrina de seus antecessores, é inútil falarmos. Enquanto não tiverdes aceitado reformar o Concílio considerando a doutrina destes papas que vos precederam, não há diálogo possível. É inútil.

    As posições ficariam, assim, mais claras.

    Não é algo pequeno o que nos opõe. Não basta que nos seja dito: podem rezar a missa antiga, mas é necessário aceitar isto. Não, não é somente isso o que nos opõe, é a doutrina. Está claro.”

    Da Entrevista concedida a Fideliter Nº 66, novembro-dezembro de 1988.

    A todos os FRATRES, um fial de semana cheio de Paz, Saúde e Bênçãos de Deus!

  18. Quem precisa ler esse artigo não sou eu, é você mesmo. Os santos, doutores e teólogos estão só repetindo o que eu disse antes: não devemos obedecer somente naquilo que é mau.

    E ainda que um santo doutor tivesse escrito em contrário, a autoridade de Nosso Senhor é maior: “Portanto, fazei e observai tudo quanto vos disserem.” Contra isso não há argumento. É como dizer que Nossa Senhora não foi concebida sem pecado só porque o disse Santo Tomás! Absurdo! Santo Tomás não goza de infalibilidade, já Nosso Senhor e o Sumo Pontífice – enquanto ele não for apóstata – sim!

  19. Felipe, desculpe, mas não vi o padre defender nenhum “acordo”, com ou sem o comprometimento da fé. Ele pediu apenas que a autoridade da FSSPX seja preservada, que se dê um voto de confiança e que se reze muito por ela. Dom Lefebvre, que vc conhece bem, foi também aquele que expulsou seminaristas e padres que queriam subverter a ordem e desmoralizar a autoridade constituída.

    Com estima,

  20. A. Carlos, o Santo não é de barro é de gelatina, tanto é que você acaba de dar um tiro no próprio pé. A sua citação Bíblia apenas confirma minhas palavras: Fazer tudo o que eles mandam, mas não imitá-los, ou seja existem restrições. Ademais, o que você fará, quando o seu pároco mandar-te frequentar uma Missa-afro? O que você sugere ao fiel diante de um Bispo que mande-o invadir terra? O que deve fazer o fiel diante do Padre que nega a presença real de Cristo no Pão e no Vinho depois das palavras da consagração? O que devo fazer diante do Padre que ensina que não se deve atacar as outras religiões, porque elas também levam a Deus?
    Gostaria muito da sua resposta.

  21. Carlos, você disse que não devemos obediência ao Papa, apenas no caso de apostasia do Papa. Isso não é o que ensinam nem os teólogos e nem os santos, visto que, um Papa apostata, seria um Papa herege, que os santos e os mais eminentes doutores trataram apenas como uma hipótese teológica. O ensinamento de São Roberto Belarmino e todos os outros Santos não são para o caso de um Papa apóstata. Ademais o problema que coloquei versa sobre o conceito de tradição, que é essencial e não acidental, para a subsistência da Igreja. Um mau conceito de tradição é um mau que afeta praticamente tudo na Igreja, razão pela qual coexistem na Igreja conciliar a RCC, os focolares, o Caminho Neocatecumenal, o movimento comunhão e libertação, a teologia da libertação e os institutos Ecclesia Dei que são propriamente católicos.

    Bento XVI diz que o problema do Concílio, é apenas um problema hermenêutico. Mas se admitirmos que o problema dele é apenas hermenêutico, então, temos que admitir que 2500 bispos foram a Roma, apenas para assinar os textos do Concílio. Quero dizer através disto: aonde foi parar o ensinamento oral que os Bispos aprenderam no Concílio?

    Mons. Gherardini explica no livro “Concílio Vaticano II, o discurso que falta”, que a Dei Verbum, fez uma “reductio ad unum” das fontes da revelação, que convergem para a Sola Scriptura. Explica o último teólogo da escola romana, que nesta visão a própria tradição oral estaria contida nas escrituras. De onde se pode fazer uma perfeita analogia no caso do Concílio: uma vez admitido que o problema do Concílio é só um problema de hermenêutica, se buscará nos textos do Concílio, aquilo que os Padres conciliares aprenderam e ficou acordado por via oral. Bom, no protestantismo a 500 anos se busca o ensino oral de Nosso Senhor e dos Apóstolos, através da Sola Scriptura. Curiosamente também acreditam que Nosso Senhor e os Apóstolos foram reunidos por Deus, apenas para nos dar uma Bíblia. O problema não para na “reductio ad unum” a Sola Scriptura, afirma-se isso para introduzir o método histórico-crítico, conforme nos diz Mons. Francesco Spadafora no livro “O triunfo do modernismo na exegese católica”, citando o parecer do então Cardeal Ratzinger (Bento XVI), leia-se:

    “En materias de fe y costumbres que atañen a la edificación de la doctrina cristiana, ha de tenerse por verdadero sentido de la Sagrada Escritura aquel que sostuvo y sostiene la Santa Madre Iglesia, a quien toca juzgar del verdadero sentido e interpretación de las Escrituras; y, por tanto, a nadie es lícito interpretar la misma Escritura Sagrada contra este sentido ni tampoco contra el sentir unánime de los Padres.

    prosigue:
    Pero este criterio teológico del método está en oposición incontestable con la orientación
    metodológica de fondo de la exégesis moderna; mejor dicho, es precisamente eso lo que la exégesis [moderna] trata de eliminar a toda costa. Esta concepción moderna puede describirse de la siguiente manera: o bien la interpretación es crítica, o bien se remite a la autoridad [ = al Magisterio de la Iglesia], pues las dos cosas no son posibles simultáneamente. Hacer una lectura «crítica» de la Biblia significa omitir el recurso a una autoridad en su interpretación. Cierto es que no debe excluirse totalmente la «tradición» como medio de comprensión; pero ella cuenta solamente en la medida en que sus motivaciones resistan a los métodos «críticos» [si no, es la Tradición la que debe ceder frente a la «crítica fantasista»]. En ningún caso la «tradición» puede ser criterio de interpretación. Considerada en su conjunto, la interpretación tradicional aparece como precientífica e ingenua; sólo la interpretación histórico-crítica parece capaz de desvelar
    verdaderamente el texto.

    y continua:

    Desde tal punto de partida, el cometido asignado por el Concilio a la exégesis —a saber, ser crítica y dogmática a la vez [pero ésta, como veremos, es sólo la tesis del Instituto Bíblico]— aparece como contradictorio en sí misma, porque estas dos exigencias son inconciliables para el pensamiento teológico moderno. Personalmente estoy convencido de que una lectura atenta de la Dei Verbum permitiría hallar los elementos necesarios para hacer una síntesis entre el método histórico [Formgeschichte y Redaktiongeschichte] y la hermenéutica «teológica». Sin embargo, su acuerdo no es inmediatamente evidente. Por eso, la recepción postconciliar de la Constitución [recepción que es obra de los Jesuítas] dejó caer prácticamente la parte teológica de la misma Constitución como una concesión al pasado, comprendiendo el texto únicamente como una aprobación oficial e incondicional del método histórico-crítico. El hecho es que de esta manera, después del Concilio, desaparecieron prácticamente las diferencias confesionales entre las exégesis católica y protestante. Se puede atribuir este hecho a una cierta recepción unilateral del Concilio. Pero el aspecto negativo de este proceso es que a partir de ahora, incluso en el ámbito católico, la separación entre exégesis y dogma es total”.El triunfo del modernismo sobre la exegesis catolica – entre [] observações de Mons. Spadafora

    Aqui está um parecer do próprio Cardeal Ratzinger (hoje Bento XVI), sobre uma claríssima ruptura ocorrida com a tradição. Em se tratando do Concílio e de sua interpretação, não podemos recorrer a autoridade. Isto se dá primeiramente porque ele não possuí cânones e anátemas, e depois porque pelo menos eu não vi nenhum Bispo defendendo a verdadeira interpretação do Concílio. Tivemos um debate sobre o “Subsistit in” entre Leonardo Boff e Dom Estevão Bettencourt. Na época vários Bispos que participaram do Concílio, estavam vivos. Então seria normal que algum dissesse: olha, eu participei do Concílio e o “subsistit in” quis dizer isso, isso e isso, ponto final. Não, nenhum disse nada, o problema só veio a ser tratado pela Congregação para a doutrina da fé, que em determinado ponto problemático da interpretação, disse que não se resolvia do ponto de vista lógico. Mesmo se o problema do “subsistit in” tivesse sido resolvido, permaneceria o problema da afirmação de que os protestantes estão na Igreja pelo batismo (ainda que de modo imperfeito). Então, neste caso, os gnósticos, os sabelianos, os arianos, os nestorianos, os judaizantes, etc, também estavam na Igreja, e aquilo que os Padres da Igreja fizeram, não foi um bem mas um mal….

    Então, voltando a questão, como o problema do Concílio, pode ser apenas um problema hermenêutico? Como fazer uma síntese entre o método histórico-critico que descarta o recurso a autoridade e o método tradicional que pressupõe o recurso a autoridade dos Pais da Igreja?

  22. Errado em absoluto: os fiéis não são obrigados à obediência cega! Se assim, fosse, hoje todos seríamos arianos, visto que grande parte dos bispos chegaram a aderir a essa heresia, mas graças à fidelidade dos fiéis a heresia foi vencida! Os bispos, o papa são os homens, portanto podem errar e é obrigação dos fiéis estarem atentos, ainda mais nesses tempos que a heresia do modernismo entrou até na medula da igreja…

  23. “Se alguém vos ensinar um Evangelho diferente do que eu vos ensinei, ainda que seja um anjo de Deus, que seja anáthema”, disse o Apóstolo! Com essa autoridade, podemos dizer com serenidade que qualquer bispo que seja ou o ainda que seja o papa, ensinarem um Evangelho diferente, como o do tipo modernista, maçônico, ecumenista irenista, que seja anáthema! Á verdade é clara, sem burlas!

  24. Gostaria que o Fratres publicasse ao menos nos comentários:

    Sobre as relações com Roma – por Arsenius
    Arsenius

    CONSIDERANDO

    1º) Que Dom Lefebvre se opôs a Dom Gérard quando este tencionava fazer um acordo com as autoridades modernistas de Roma. Acordo este a respeito do qual Dom Gérard dizia que Roma dava tudo e não pedia nada;
    2º) Que o mesmo Dom Lefebvre após as sagrações disse que, a partir daquele momento, ele só assinaria um acordo com Roma, se as autoridades romanas subscrevessem diversos documentos da Igreja que condenam os erros atuais;
    3º) Que ainda Dom Lefebvre se arrependeu de haver assinado um protocolo de pré-acordo com o Vaticano em vista de obter a permissão para sagrar bispos, pois chegou à conclusão de que as intenções das autoridades romanas não eram boas;
    4º) Que novamente Dom Lefebvre disse a Bento XVI, na época ainda Cardeal, que eles não podiam se entender e que nós, os tradicionalistas, procuramos cristianizar o mundo e ele, o Cardeal, e os demais progressistas procuram descristianizar o mundo;
    5º) Que a Fraternidade São Pedro, que tinha de Roma a faculdade de rezar exclusivamente a Missa tradicional, foi obrigada posteriormente a aceitar que seus membros pudessem rezar também a Nova Missa;
    6º) Que Dom Lefebvre disse não convir colocarmo-nos sob a autoridade de alguém que não professa a Fé em sua integridade;
    7º) Que em tempo de guerra preocupar-se em seguir as leis positivas[1] pode constituir-se numa imprudência, a qual pode equivaler em certos casos ao suicídio;
    8º) Que a experiência mostra que pouquíssimos são os que voltam atrás quando as autoridades romanas não cumprem com suas promessas (como foi o caso da Fraternidade São Pedro);
    9º) Que o estado de “reconciliação” com Roma causa um efeito de não considerar mais as autoridades romanas (progressistas) como inimigas a quem se deve combater;
    10º) Que Dom Lefebvre disse serem os progressistas comparáveis a uma doença contagiosa, dos quais, portanto, devemos nos afastar, para não acontecer de nos contagiarmos;
    11º) Que em todas as partes do orbe os fiéis estão em “estado de necessidade”, o qual lhes dá direito a um sacerdote de doutrina integralmente católica assim como a terem os Sacramentos e a Missa tradicionais. E que os sacerdotes têm o dever de caridade de ir atender a esses fiéis, mesmo sem permissão do Bispo do lugar.

    JULGAMOS

    1º) Que, se Dom Lefebvre estivesse vivo, ele se negaria a fazer qualquer acordo com as autoridades romanas, por mais que elas nos oferecessem, e mesmo que não nos pedissem nada em troca, se essas mesmas autoridades não condenassem os erros modernos que se insinuam no seio da Igreja, condenados pelos Papas anteriores;
    2º) Que hoje ainda Dom Lefebvre não conseguiria entender-se com Bento XVI, visto que este ainda tem os mesmos pensamentos que quando Cardeal;
    3º) Que não podemos confiar nas promessas feitas por homens que desfazem as garantias para a Tradição, garantias essas que eles mesmos deram anteriormente;
    4º) Que, assim como Dom Lefebvre o julgou, não devemos colocarmo-nos debaixo da obediência de alguém que não professa a Fé em sua integridade;
    5º) Que na terrível guerra em que nos encontramos (entre a Santa Igreja e o modernismo; entre a verdade e o erro; entre a luz e as trevas) procurar a regularização de nossa situação é uma imprudência e um suicídio: é entregarmo-nos ao inimigo;
    6º) Que seria de certo modo tentar a Deus colocarmo-nos em uma situação que provavelmente: a) nos conduzirá a cedermos em pontos importantes quando as autoridades romanas progressistas exigirem isso de nós; b) nos fará deixarmos de tratar com certas autoridades como inimigos a serem combatidos; c) fará que nos deixemos “contaminar” com o progressismo;
    7º) Que seria um erro restringirmos nosso campo de ação aos lugares que nos designassem as autoridades romanas ou permitissem os Bispos diocesanos e não irmos atender aos fiéis que nos chamam, pelo fato de aí não termos permissão oficial de exercer o ministério sacerdotal, pois isso seria desconsiderar o “estado de necessidade” geral e grave.

    NO ENTANTO

    Poderiam objetar-nos que Dom Lefebvre conhecia muito bem tudo o que dissemos e, apesar disso, em diversas ocasiões ele manifestou o desejo de que a situação da Fraternidade fosse regularizada diante das autoridades romanas.

    RESPONDEMOS

    Que ainda que isso seja verdade, no entanto, desde maio de 1988 Dom Lefebvre não mais manifestou esse desejo e, pelo contrário, a partir dessa época tomou a posição de que qualquer entendimento com as autoridades romanas deveria ser antecedido por uma profissão de Fé por parte de Roma sobre os grandes documentos antiliberais do Magistério, como, por exemplo, Pascendi, Quanta Cura, etc. E ele conservou essa nova posição até a morte.
    O motivo que o levou a essa mudança foi o fato de ele ter passado a ver claramente que a Roma neomodernista não tinha a menor intenção de proteger ou de aprovar a Tradição Católica.

    CONCLUSÃO

    União jurídica com Roma? Sim, mas na integridade da Fé católica, sem a qual ninguém pode se salvar, e na liberdade de cumprirmos nossos deveres para com Deus e o próximo.

    ________________

    [1] Por exemplo: os carros de bombeiros e as ambulâncias entram na contramão para melhor exercer sua função de salvar vidas.

    [Fonte: Mosteiro da Santa Cruz]

  25. “Perigosíssimos” FRATRES;
    Excelente artigo do FRATER Deivid Naas, sempre muito bem pautado e fundamentando seu raciocínio de forma clara e profunda.
    Realmente, contra fundamentos, não há argumentos!
    Depois deste texto, o qual sugiro que deveria estar na página principal deste nosso Blog, não acha, Ferretti?
    Caros FRATRES, não há que se falar em “Acordos”.
    E que falar do esclarecedor texto do Frater Falcometa sobre a Sagrada Escritura?
    Perfeitíssimo!
    Hoje os Católicos que vão aos templos da igreja conciliar são confundidos com a falsa interpretação luterano-calvinista.
    Daí, quando comparo esta desgraçada igreja conciliar com a “Reforma Inglesa”, tem muitos aí que ficam “nervosinhos”, ui!
    Mas, por acaso, estamos muito diferentes daqueles pobres Católicos ingleses que viram seus monstérios arderem e serem “vendidos” pelo rei herege e seus asceclas?
    Os mesmos pobres Católcios que viram a Divina Liturgia ser substituída por um culto, em seu idioma, e ver que seus bispos seguiam as “ordens” do rei herege?
    Alguns desses pobres Católicos ainda tinham a esperança que um dia tudo voltaria ao normal.
    Pouquíssimos continuaram fiéis, e pagaram com a própria vida esta fidelidade.
    Exemplos não faltam, tais como de Saint John Fischer e Saint Thomas Morus, que não venderam suas almas.
    Agora, a maioria das pessoas não percebe as “mudanças”, não lhes foi dito que a Igreja agora não é mais a Igreja dos Apóstolos, mas a desgraçada igreja conciliar.
    O resultado?
    Bem, está aí a nossos olhos: a fuga desenfreada de Católicos para outras falsas seitas.
    Como nos disse o Frater Rogério Amaral, os padres conciliaristas não deixam ninguém falar “mal” das outras religiões, porque eles são “nossos irmãos separados”!
    Na verdade, não podem falar nada deles porque esta igreja conciliar também é uma falsa religião, que usurpou o lugar da Igreja de Cristo a Igreja UNA SANTA CATÓLICA E APOSTÓLICA!
    Os pobres Católicos que ainda não perceberam esse problema estão entregues nas garras de lobos vorazes, vide o tal dom Demétrio.
    Como vimos no texto que lemos nesta manhã, sobre o bispo Demétrio, claramente a favor das “loggia”, o tal “Acordo” nos colocaria em plena comunhão com essa gente!
    Isto é ser pior que JUDAS ISCARIOTES, Apóstolo do qual estes senhores são os visíveis sucessores, uma vez que “entregam” Nosso Senhor por nada.
    Obrigado, Sr. Deivid, seu texto claramente demonstra os motivos pelos quais devemos continuar a Guardar nossa Santa Fé.
    Para terminar, relembro o episódio bíblico do Profeta Santo Elias, o qual, sozinho, desafiou, em Nome do Deus Altíssimo, os sumos sacerdotes do Templo de Deus, que tinham se convertido em seguidores de Baal.
    Tal qual no passado, uma vez que o Antigo Testamento é um prelúdio de tudo o que iria acontecer no Novo Testamento, assistimos, assustados, à Igreja de Deus que se entregou à heresia protestantre, vide o texto excelente do Frater Géderson Falcometa.
    Não podemos servir a dois senhores, pois ou amaremos a um e odiaremos ao outro. Não podemos servir a Deus e a Baal.
    Para fim de conversa, minha esposa me lembra que lá na “cão ferrância episcaopau” eles “celebraram” um “culto ecumênico”, dentro da “lindíssima” Basílica da Virgem Negra.
    Alguém duvida que este fora um culto a Baal?
    Alguém duvida da “abominação da desolação” à qual se referia o Profeta São Daniel e o próprio Divino Salvador?
    A Santíssima Virgem nos alertou em Quito, em la Salette e em Fátima.
    Não ouvir é bem diferente de não querer ouvir…
    O pior, é recusar-se a ver aquilo que explicitamente se escancara aos olhos de todos!
    Tal como sempre termina seus impecáveis comentários, Mons Williamson, suplico clemência a Deus, Nosso Senhor:
    Kyrie Eleison!
    Nossa Senhora de Salette, rogai por nós!

  26. O “corajoso” padre diocesano não publicou seu nome. Por quê? Porque sabe que seria perseguido pelas “autoridades” da igreja conciliar. Se ele está nesta situação lastimável, por que querer ver os outros também nela?

    Sou obrigado a discordar totalmente do A. Carlos. Ler um versículo da Bíblia e interpretá-lo segundo sua própria visão é atitude protestante. As citações dos teólogos e doutores e da própria Bíblia, associadas à própria razão, provam claramente que a resistência à autoridade não se deve dar apenas no caso extremo da apostasia. Basta que nos ordenem o que é contrário à santa religião para que tenhamos a obrigação, e não somente o direito, de desobedecer.

  27. Rogério, parece que você não está discutindo comigo, mas com outra pessoa. Eu não me lembro de ter dito que se devem imitar os pecados dos outros e muito menos obedecer no mau. Quero acreditar que esse boneco-de-palha não é desonestidade intelectual, mas meramente um descuido de sua parte, por isso peço que por favor releia o que eu escrevi.

  28. Gederson, por que você mudou de assunto? Ou será que você está se dirigindo a outro Carlos e eu entendi mal?

  29. Márcio, não vejo como desfazer deste sacerdote, ironizando-o e chamando-o gratuitamente de covarde, pode não ser desrespeitoso contra ele.

    Não há nada que interpretar no versículo mencionado, ele é claríssimo. E eu repito que não disse que se deve obedecer a ordens pecaminosas, você já é o segundo a fazer esse boneco-de-palha comigo! Por quê?

    O meu ponto desde o primeiro comentário é o seguinte: não há nada de errado em obedecer o Papa quando este ordena que se regularize canonicamente com uma prelazia sem exigir que se abra mão de nenhum artigo da Fé. Conjecturar sobre o que pode dar errado é desconfiar de Deus e, como diz o sacerdote diocesano que escreveu o conselho, da competência das autoridades da Fraternidade! Se eles foram capazes de desobedecer no passado quando foi necessário, sem dúvida serão no futuro se de novo se tornar necessário. O que vocês estão querendo dizer é que se porventura a Fraternidade aceitar o disposto pelo Papa então ela merecerá o Inferno? Meu Deus, isso está errado em tantos níveis que eu, que sou admitidamente fraco de linguagem, não saberia nem sequer por onde começar a responder!

  30. Como vimos no texto que lemos nesta manhã, sobre o bispo Demétrio, claramente a favor das “loggia”, o tal “Acordo” nos colocaria em plena comunhão com essa gente!
    Isto é ser pior que JUDAS ISCARIOTES, Apóstolo do qual estes senhores são os visíveis sucessores, uma vez que “entregam” Nosso Senhor por nada.
    Obrigado, Sr. Deivid, seu texto claramente demonstra os motivos pelos quais devemos continuar a Guardar nossa Santa Fé.
    Para terminar, relembro o episódio bíblico do Profeta Santo Elias, o qual, sozinho, desafiou, em Nome do Deus Altíssimo, os sumos sacerdotes do Templo de Deus, que tinham se convertido em seguidores de Baal.

    Caro Felipe, a não ser que você acredite que o próprio Papa tornou-se um seguidor de Ba’al, caso em que ele seria um apóstata e portanto não mais Papa, nada disso se justifica. Acordo nenhum nos colocaria em plena comunhão com “dom” Demétrio, pois ele está automaticamente excomungado sem sombra de dúvida, ainda que outros façam vista grossa.

    Se o caso for de você acreditar que o Papa não é mais Papa, tudo bem. Eu não concordo, mas é um direito seu. O próprio Dom Lefebvre disse uma vez: “Je ne dis pas que le Pape n’est pas Pape, mais je ne dis pas non plus qu’on ne peut pas dire que le Pape n’est pas Pape.” Também os canonistas jesuítas Franz Wernz e Pietro Vidal escreveram: “não podem ser considerados entre os cismáticos aqueles que se recusam a obedecer o romano pontífice por considerar a sua pessoa suspeita”.

    Se for esse o caso, isso justificaria sua atitude (embora eu não concorde que Bento XVI é um farsante, mas é seu direito acreditar nisso por incrível que pareça), mas se não for então nada justificaria.

  31. A. Carlos a postagem foi para você (esqueci do A. desculpe) . Na primeira parte da resposta, coloquei o correto entendimento do ensinamento dos santos e na segunda parte, comentei aquilo que seria a “solução” para os problemas do Concílio: a hermenêutica da continuidade. Ora, a obediência se dá principalmente em vista do fim, e se Roma exige que o IBP faça a hermenêutica da continuidade, porque não exigirá no futuro, também da FSSPX?

    Complementando o comentário sobre a “solução” hermenêutica: em 1966 o Cardeal Ottaviani escreveu uma “Carta aos presidentes das Conferências Episcopais acerca de algumas sentenças e erros insurgentes sobre a interpretação dos decretos do Concílio Vaticano II”. Neste documento o Cardeal Ottaviani apresenta o diagnóstico dos problemas de interpretação e aponta as soluções para tais problemas. Ele simplesmente não foi ouvido (como já acontecera no Concílio, quando desligaram o microfone enquanto ele falava – Mons. Gherardini da um testemunho interessante disto: http://chiesaepostconcilio.blogspot.com.br/2012/04/nel-suo-articolo-di-oggi-rorate-caeli.html) . Então, isto quer dizer pura e simplesmente que, se as Conferências Episcopais tivessem colocado em prática o que dissera o ilustre Cardeal, hoje não se estaria falando em uma hermenêutica da ruptura. Só houve a tal hermenêutica, pela diminuição (ou quase desaparecimento) do recurso a autoridade na interpretação do Concílio.

  32. Senhor A. Carlos;
    Primeiramente peço-lhe desculpas por não me fazer compreendido.
    Gostaria de ter a mesma clareza nos escritos que nosso Frater Deivid Naas, porém, infelizmente não a tenho.
    Creio que o Sr. se engana no que se refere à “excomunhão” do bispo Demétrio, uma vez que ele se encontra em plena comunhão com o Romano Pontífice.
    Creio que o Senhor se refere aos textos do Grande Papa Pio XII, de saudosa memória, no qual ele excomungara todos aqueles que participassem de partidos com orientação marxista.
    Também concordo com o Sr. neste quesito, porém, ele não está excomungado, tampouco todos os outros “sucessores do ISCARIOTES” que esta noite receberam homenagens na “TV Canção Nova” pelos 50 anos do concílio Vaticano II.
    A camarilha estava toda reunida e houve até discursos de velhas raposas dizendo que “o concílio foi uma bênção… que no tempo em que eu era menino meu pai me levava à Missa e facava rezando o terço, porque ninguém participava, todo mundo assistia…” e daí para frente…
    Apesar de que possa parecer sedevacantista, não o sou, tampouco quero ser.
    Como frisei no comentário que fiz, aqui em casa rezamos pelo Santo Padre o Papa, em suas intenções.
    Pedimos também que Deus lhe envie Sua Luz a fim de que possa ver e assim guiar a Igreja rumo ao Redentor.
    O que escrevi, descrevendo a história do profeta Santo Elias é justamente essa apostasia generalizada que assistimos diariamente.
    Creio que o Senhor também deva se sentir indignado com os tais “Encontros de Assis” I, II, III e “ad infinitum”, com líderes das falsas religiões “celebrando” seus cultos nos templos Católicos da cidade de Assis.
    Nada mais que um falso culto, uma transgressão do primeiro mandamento da Lei de Deus.
    O Antigo Testamento está repleto de exemplos da Ira de Deus no que se relaciona aos falsos cultos, nos quais, inúmeras vezes o povo eleito se entregava, seguindo seus sacerdotes.
    É ao Grande Apóstolo São Paulo que recorro para lhe afirmar o problema dessas “celebrações”, tal qual ocorreu em assis e em outros lugares, as tais “celebrações ecumênicas”:

    “O que os pagãos sacrificam, oferecem aos demônios e não a Deus.” 1 Cor 10, 20

    Creio que no que se refere ao culto a Baal o Senhor entende o que quis dizer.
    Ademais, tenho ascendência hebraica e a questão da fidelidade a Deus e à Sua Promessa (realizada em plenitude em Nosso Senhor Jesus Cristo!) são parte essencial da formação de nossas consciências.
    Acredito que deva ser pela memória dos castigos que o Altíssimo impôs às infidelidades de Israel…
    A maior delas é não aceitar, até hoje, a vinda do Messias!
    Pena que a Igreja Católica não busque mais essa aceitação, a conversão, mostrar a Luz da Verdade aos filhos dos hebreus…
    Rendemos Graças a Deus, diariamente pela conversão de meus antepassados, pelo nosso Santo Batismo e pela Luz da Verdade, essa mesma que os modernistas tentam, em vão, ocultar.
    Entendo que tal qual no passado, a maioria de nossos prelados, como outrora os sacerdotes da Antiga Lei, não percebam com consciência e a certeza de que o ÚNICO culto agradável a Deus é a Santa Missa.
    Caso não fosse assim, teria sido em vão a morte de Nosso Senhor no lenho bendito da Santa Cruz.
    Prezado Sr. A. Carlos, o veneno modernista, que segundo o Papa S. Pio X é “a pior das heresias”, não se mostra, tampouco se sente quando é ingerido.
    Geralmente ele causa um entorpecimento das consciências, levando a crer que tudo que ocorre é bom, é de Deus.
    Afinal, “Deus é Dez !!!”
    Destarte, quando se percebe, o veneno já tomou conta de todo o corpo, levando o organismo à morte.
    Mons. Lefebvre, tal qual Santo Atanásio, nunca questionou se o Papa seria ou não Papa.
    O Papa é o sucessor de São Pedro.
    Cremos nisso, por isso somos Católicos.
    Porém, tal qual nos tempos de Santo Atanásio, o Papa pode sim estar como que “inebriado” pela insídia, modernista neste caso atual, estar “entorpecido com o modernismo”.
    Porém, nem por isso deixará de ser Papa, tampouco de receber nossas orações e carinho filial.
    Pelo contrário, devemos nos empenhar cada vez mais em oferecer orações e sacrifícios para que em Sua Infinita Misericórdia, Deus Nosso Senhor, possa iluminá-lo, dar-lhe forças para seguir no caminho correto e corrigir os desvios, pelos quais, infelizmente, a Igreja enveredou-se após a desgraça conciliar.
    Assim, ainda que ele não favoreça a Tradição da Igreja, e, pelo contrário, aceite e até possa se “simpatizar” com o modernismo, Bento XVI é o Papa, é o legítimo sucessor de São Pedro, tal como todos os Papas que o precederam.
    Tal como o Papa que “excomungou” Santo Atanásio e favoreceu o arianismo.
    É o Papa, ponto final.
    Agora, caso o Senhor acredite que os tais “Encontros de Assis”, as “missas inculturadas”, as “grandes celebrações do povo de Deus” (marcha dos sem-terra, dos sem-teto, dos sem-vergonha) sejam “culto agradável a Deus”… Bem, desculpe-me, mas seria o Senhor quem estaria bem desviado da Fé.
    Não sou eu quem lhe afirmo isso, mas sim o Apóstolo das Gentes, São Paulo, que diz literalmente:

    “Não vos prendais ao mesmo jugo que os infiéis. Que união pode haver entre justiça e iniquidade? Que comunidade pode haver entre a luz e as trevas? Que compatibilidade entre Cristo e Belial? Que associação entre o fiel e o infiel? Que acordo entre o Templo de Deus e os ídolos?”

    2Cor 6, 14-16
    Desculpe-me, porém, creio que dentre todos esses “eventos”, muitos deles com a presença do próprio Papa, nada mais foram que a “abominação da desolação” predita pelo santo Profeta Daniel, e pelo próprio Cristo, Nosso Senhor, vide Mt 24,15.
    Daí expressar-me quanto ao culto a Baal.
    Infelizmente, caro Sr. A. Carlos, há muitos exemplos de Papas que apoiaram o erro, digamos assim, e que, por esta razão, deixando de combatê-lo (o erro), acabaram por deixar que fosse espalhado, contaminando a toda Igreja.
    Porém, nesse momento é que Deus suscita Santos, como os Profetas de outrora, como Santo Atanásio que combatem e que despertam o sensus fidelium para guardar a Fé.
    Acredito que nestes tempos, o Santo suscitado para o combate da Fé foi Mons. Lefebvre ajudado por Dom Antônio de Castro Mayer, já que ambos resistiram e tentaram preservar a Fé Católica Apostólica Romana, tal qual herdada dos Apóstolos.
    Assim, espero que o Senhor entenda minha posição, e que perceba, apesar de não ter a clareza de outros Fratres que aqui se manifestam, também tenho a mesma Fé Católica pela qual o Senhor e todos aqui lutamos para preservar e levá-la ao maior número de pessoas possíveis, visto que esta é a nossa missão, vide Mt 28, 19.
    Espero que possa ter deixado claro minhas ideias e meu pensamento, e uma vez mais peço-lhe desculpas e me recomendo às suas orações.
    Cordialmente, Felipe Leão.

  33. Rezemos por Dom Fellay e o Papa.

  34. Prezado A. Carlos,
    Salve Maria

    Talvez você não tenha entendido o que eu disse anteriormente, aliás, tenho certeza que por descuido de sua parte e não por desonestidade intelectual.
    Aqui não está em questão a virtude do Bispo, ou mesmo do Santo Padre, mas sim a doutrina que é ensinada. Mesmo porque, a ortodoxia da doutrina não depende necessariamente da virtude pessoal do Papa. Exemplo: Os pecados pessoais de Pio XII e Pio IX não invalidam as declarações solenes e dogmáticas da Imaculada Conceição e da Assunção de Nossa Senhora.
    O Padre, o Bispo pode ser o pior pecador, mas se ele ensina o que a Santa Igreja ensinou em 2000 anos de sua história, o fiel não pode deixar de acatar seu ensinamento.
    A recíproca também é válida, o sacerdote pode ser um exemplo de virtude, mas, se ele ensina, por exemplo, as lorotas comuno-modernistas, o fiel tem o direito e o dever de desobedecê-lhe e até censurar-lhe respeitosamente.
    Portanto, o princípio de autoridade não é algo que faça as ovelhas as seguirem o Lobo sob pele de Pastor para o precipício.

  35. A. Carlos, para melhor entender minhas palavras, faço minhas as palavras do Marciano Schaeffer.

  36. Pelas reações que o “Conselho Sacerdotal aos Lefebvristas” suscitou pode-se inferir que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X está perigosamente dividida. Deus a proteja.
    Houve uma minoria que entendeu o sentido do conselho. A maior parte sapateou, esganiçou descabelada, sem entender o signficado do Conselho, revelando assim a necessidade de que a psiquiatria dê sua contribuição para sanar os malefícios do fanatismo. Pelo visto, há necessidade não só de oração, mas há também uma patologia religiosa a ser tratada. A ala radical parece disposta a “pegar em armas” contra D. Fellay e o Papa.
    Que o Imaculado Coração de Maria proteja o Papa e D. Fellay.
    Um padre diocesano