
Entendo oportuno chamar a atenção para um problema que está se tornando extremamente importante: o problema do hábito eclesiástico. […] De fato, estamos testemunhando a maior decadência do hábito eclesiástico. […] O hábito condiciona fortemente e, às vezes, até forja a psicologia de quem o veste. O traje [eclesiástico], de fato, é um compromisso quando de sua tomada, em sua conservação e em sua substituição. É a primeira coisa que se vê, a última que se depõe. Ele lembra o compromisso, a pertença, o decoro, o vínculo, o espírito de conjunto, a dignidade! Isto o faz de forma contínua. Cria, portanto, limites à ação; evoca constantemente esses limites; aciona a barreira do pudor, do bom nome, do próprio dever, da repercussão pública, das consequências das interpretações maldosas. […]
O hábito não faz o monge por inteiro, mas certamente o faz em uma notável parte; em sua maior parte, conforme cresce a sua fraqueza de temperamento. […] Por esta razão, a questão de um uniforme se agiganta no campo eclesiástico e requer a atenção de todos os que querem salvar as vocações e ter perseverança nos deveres, disciplina, piedade e santidade que aceitaram! […]
Acontece que, em algumas cidades da Itália (não citaremos nomes, obviamente, mas estamos completamente certos do que dizemos), por causa da ausência do recato imposto pelo “sagrado uniforme”, chega-se a entretenimentos ainda proibidos pelo Código de Direito Canônico [de 1917]: boates, casas de má reputação e pior. Estamos a par das prisões de seminaristas feitas em cinemas infames e em outros locais menos recomendáveis. Tudo por causa do hábito traído! […] O balanço que se faz. Aqui está:
– descrédito;
– desconfiança;
– insinuações fáceis e, às vezes, graves;
– padres que, começando pelo hábito e pelo desmantelamento da primeira humilde defesa, acabam onde acabam…
– crises sacerdotais, totalmente culpáveis aos responsáveis, porque começadas com a recusa das cautelas necessárias, exigidas pelo Direito Canônico e pelo Conselho dos Bispos…, com resultados ruinosos e insensatos…
– seminários que se esvaziam e não resistem, enquanto no mundo, tanto na Europa como na América, os seminários estão cheios, quando ordenados de acordo com a sua verdadeira origem, com hábito eclesiástico rigoroso, na verdadeira obediência ao Decreto conciliar Optatam totius;
– almas que se arrastam pela vida sem ter mais nenhuma capacidade de decisão, após a contaminação delas com o mundo.
[…] Eu creio que, em nosso tempo, justamente por suas características, possa ser difícil existir o espírito eclesiástico sem existir o desejo e o respeito pelo hábito eclesiástico.
[…] Aqui não estamos falando apenas de “hábito eclesiástico”, mas de batina. E tenhamos a coragem de encarar os fatos, sem medo algum do que pode ser dito. […]
Alguns, para boicotar o uso da batina, ou para se justificar por ter cedido à moda atual contrária à batina, afirmam: “de qualquer maneira, a batina é um hábito litúrgico”, pretendendo, assim, esgotar o eventual uso da batina apenas na liturgia. Isto é claramente falso e capciosamente hipócrita! […] Francamente, é claro que o clergyman […] não é a solução mais desejada. Quem não ama a sua batina será capaz de continuar a amar o seu serviço a Deus? O próximo não substitui a Deus! Não é um soldado quem não ama a sua farda. […] A direção a ser tomada é:
– que, mesmo que a lei permita o clergyman, este não representa, no meio de nosso povo, a solução ideal;
– que quem entende possuir o integral espírito eclesiástico deve amar a sua batina; […]
– que a defesa da batina é a defesa da vocação e das vocações.
Meu dever como pastor me obriga a olhar muito longe. Tive que constatar que a introdução do clergyman, além da lei e das depravações do hábito eclesiástico, são a causa, provavelmente a primeira, do grave declínio da disciplina eclesiástica na Itália. Quem ama o sacerdócio, não brinque com o seu uniforme!
[Excerto: Card. Giuseppe Siri, A Te sacerdote, vol. II, Frigento: Casa Mariana, 1987, pp. 67-73].
Fonte: Cordialiter | Tradução: Giulia d’Amore
Se um sacerdote não consegue ser fiel no pouco, isto é, no simples modo de vestir, como pretende ser fiel no muito?
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Imaginem o médico sem jaleco, o policial sem farda, a Marinha, o Exército e Aeronáutica sem fardamentos..etc.etc.
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Além de terem vergonha de se identificar como sacerdote de Deus, também querem se igualar ao povo.
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“Quem não ama a sua batina será capaz de continuar a amar o seu serviço a Deus? O próximo não substitui a Deus! Não é um soldado quem não ama a sua farda. ”
Tudo o que o Cardeal Giuseppe Siri escreveu é genuinamente católico, esse artigo deveria ser colado nos seminários brasileiros contaminados pela teologia de libertação.
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Isso na Itália, porque no Brasil, se o padre usar a batina e defender seu uso, passa a ser em certos lugares hostilizado, não basta querer, tem que lutar, um exemplo foi o que aconteceu com o pe. Paulo Ricardo quando falou dos padres tomados pelo espírito mundano e que não usam a batina, lembram?: https://fratresinunum.com/2012/03/06/padres-do-regional-oeste-ii-da-cnbb-se-levantam-contra-padre-paulo-ricardo/
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Existem argumentos até científicos em favor do uso da batina: http://www.gazetadopovo.com.br/blog/tubodeensaio/?id=1233069&tit=padre-use-batina:-a-ciencia-recomenda
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Que coincidência maravilhosa encontrar hoje esse texto sobre a batina aqui, pois hoje mais cedo eu estava lendo uma das histórias da vida de São Francisco (Os Fioretti) e era sobre um frade que não queria usar o hábito.
Cf.
http://contoselendasmedievais.blogspot.com.br/2012/05/o-jovem-frade-que-abominava-tunica.html
De fato, o religioso ou sacerdote que não quer usar a batina ou o hábito não é inspirado por Deus.
Por falar em sacerdotes, sem querer abusar desse espaço, gostaria de recomendar a leitura de um antigo livro muito bom sobre o sacerdote no mundo. Eu tenho publicado alguns excertos desse livro.
Cf.
http://alexbenedictus-et-patensis.blogspot.com.br/2012/04/excertos-o-sacerdote-no-mundo-por-josef.html
“Já há tempos que se abriu entre a Igreja e o mundo um abismo que aumenta cada vez mais.” p.61
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Tenho 6 anos de ministério e 3 da decisão de usar diariamente a batina. Não foi fácil, inclusive por ser o único do clero diocesano; mas não me arrependi. O povo, na maior parte, aprova e elogia; os padres ja se acostumaram e eu mesmo tive que repensar por onde ando e o que convém, graças a ela. Concordo com tudo o que o Cardeal falou.
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Eu já ouvi a opinião absurda, atribuída a um certo bispo, que eu conhecia, segunda a qual os seminarista não deveriam usar batina para não se ensoberbecerem e se acharem “os tais”, como se fosse padres! Agora eu não sei se esse bispo a quem atribuíam essa opinião realmente acreditava nisso ou fazia isso porque era um inimigo da Igreja. É um pensamento tão cheio de erros, esse que cito, que é difícil criticá-lo em poucas palavras. Ora, desde quando um padre deve se “orgulhar” de ser padre?! O padre deve ser humilde, como Cristo; o que não significa ser medroso ou covarde.
A batina, tanto para o padre como para o seminarista, deve significar penitência, humildade, abnegação e não orgulho e vaidade.
Infelizmente, alguns padres bem intencionados foram educados na mentalidade errada de não usar batina, como se isso fosse sinal de humildade, … Faço essa observação porque nem todos os padres que não usam batina o fazem por desprezo às coisas sagradas ou a Deus, mas por uma falha (grave por sina) que tiveram em sua formação sacerdotal. Mas não estou querendo com isso justificar o desuso da batina e hábito obviamente.
Deve haver algum jeito de ensinar esses padres bem intencionadas mas que não usam batina a passar a usá-la.
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Até os líderes da religiões pagãs se vestem diferente. Por que o padre não quer ser identificado?
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Parabêns,Pe Francisco.Continue,firme e forte.Que o sr seja um exemplo para os sacerdotes e uma luz para os fiéis que cruzarem seu caminho,sabendo que ali se encontra um sacerdote da Santa Igreja em quem podem buscar auxilio para a salvação de suas almas.
Fiquem com Deus.
Flavio.
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Reverendíssimo Padre Francisco Ferreira sua benção !!
Que alegria senti lendo isso:
“tive que repensar por onde ando e o que convém, graças a ela.”
Isso é absolutamente verdadeiro pois a santa Igreja Católica é uma mãe sábia em formar seus filhos na santidade, pois é o Espírito Santo que a inspira. Todos os grandes santos pregaram o uso do hábito e isso vale também para a batina, que representa a morte do corpo para o mundo a penitência e a mortificação.
Que benção é ver um sacerdote que ama a sua batina e a honra.
Não tenha dúvida que seu exemplo dará bons frutos em sua paróquia.
Fique com Deus
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Bonito testemunho, padre. Que Deus te abençoe pela coragem e pelo zelo apostólico.
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Muito bem, Pe Francisco.
A batina ajuda a se santificar. Inclusive existe a tal cerimônia da entrega da batina, feita pelo próprio Bispo, que logo em seguida desautoriza a usá-la.
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“Perigosíssimo” FRATER, Pe. Francisco;
Creio que o Senhor deva enfrentar uma grande dificuldade e o descaso e deboche de seus “irmãos” no presbiterato.
Peço ao Bom Deus que lhe conceda forças e virtude para que o Senhor possa continuar dando provas de Fidelidade ao Bom Deus!
Às vezes leio os comentários que o Senhor coloca aqui neste nosso FRATRES, sendo que, em muitos deles, discordo totalmente.
Porém, percebo que o Senhor está a Serviço da Fé, coisa dificílima de se perceber em membros do clero conciliarista.
Minha esposa ficou realmente comovida com este seu comentário! Ela insistiu que eu lhe escrevesse, em nosso nome e de nossos filhos, saudando sua firmeza e seu Santo Propósito de ser Fiel à Fé da Igreja!
Destarte, gostaria de me recomendar às suas orações, bem como minha família e também dizer-lhe que o Senhor pode contar com as orações deste pobre e miserável pecador!
Seja sempre Fiel, caríssimo!
Ainda que todos possam estar contra o Senhor, saiba que Deus está ao seu lado e, com certeza, todos aqueles que são Fiéis ao Bom e Misericordioso Coração de Jesus!
Estejamos firmes e prontos!
A grande e definitiva batalha se avizinha!
Contemos uns com os outros!
Guardemos a Fé!
Fujamos do modernismo, a pior de todas as heresias!
Viva Cristo Rei!
Com carinho e admiração, respeitosamente:
Felipe e Helena Leão e filhos.
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