Um mea culpa, é pedir demais?

Por Francesco Colafemmina | Tradução: Fratres in Unum.com

Eu não sou ninguém para fazer qualquer tipo de exigência, menos ainda ao Santo Padre. No entanto, depois de ler o livro de Gianluigi Nuzzi, ou melhor, as cartas publicadas no livro comentado por Nuzzi, uma dúvida me atormenta: não seria o caso de a Santa Sé, ao invés de se esconder atrás de silêncios e desmentidos, ao invés de ameaçar com o espectro de denúncias e condenações, nos dever um pedido de desculpas? Sim, um sincero pedido de desculpas dirigido a todos nós fiéis, vítimas de um poder eclesiástico mal administrado, inexoravelmente corroído pela extrema frequentação do mundo, à espera de um rinnovamento que não pode não começar pela conscientização acerca dos erros.

Discute-se desordenadamente acerca da identidade do larápio dos documentos da Santa Sé. Criam-se comissões ad hoc, enquanto se deveria compreender a motivação do larápio e de seus cúmplices. Muito rapidamente se diz: “Isso é a luta pelo Conclave”. Mas esta é uma banalização de algo mais complexo. A publicação desses documentos, a própria seleção que se fez deles nos mostram uma pretensão diferente: não há interesse em favorecer uma facção em detrimento de outra, mas de descrever o que no Vaticano parece faltar faz tempo, ou seja, o sentido de justiça, o respeito pelas capacidades individuais, o repúdio ao dinheiro, a coerência entre palavras e atos. Estes devem ter sido os sentimentos que moveram o leaker [1] a divulgar esses fragmentos da vida cotidiana nos sagrados palácios. E é impressionante não tanto o conteúdo de tais fragmentos, mas que estes, mesmo tendo sido visualizados pelo Santo Padre, não levaram a qualquer mudança de curso em direção àqueles valores cristãos mencionados acima.

Parece, assim, desmoronar a imagem do Papa isolado e apagado, trancado em seu cubículo a estudar teologia e nada preocupado com o que acontece ao seu redor. Desmorona a imagem do Papa desinformado ou influenciado em demasia por seus assistentes (Bertone em primeiro lugar). O Papa, ao contrário, parece saber de tudo. Está informado, por exemplo, das traições de Bertone, mesmo continuando a lhe renovar a confiança, ao invés de livrar-se dele uma vez por todas. Lemos, entre todas as demais, esta nota confidencial enviada a Mons. Georg [2] por um prelado cujo nome permanece ignoto:

Reverendo monsenhor, eu quis escrever a nota em anexo para que pudesse ser útil à função de pastor da Igreja universal própria do papa. Eu rezei. E refleti. Perguntei-me se não seria um ato de insubordinação para com meus superiores e se constituiria uma violação do segredo de ofício. Acabei por me responder que as situações problemáticas são muitas e de notável gravidade, especialmente porque teriam efeitos devastadores no futuro e, portanto, os efeitos não se veem agora e parece que tudo vai bem. Os superiores diretos, interpelados mais de uma vez, não entendem oportuno intervir por agora e argumentam que nosso contato seria a Secretaria de Estado, quando, em muitos casos, o problema é precisamente ela. A consciência me pede de apresentar essas coisas ao Santo Padre, até porque, relatando a ele, não haveria violação do segredo pontifício. Ninguém leu estas notas. O único que está a par deste envio é o sacerdote que lhas entregou e que lhe dirá quem as escreveu. Se achar necessário, poderei assiná-las e, eventualmente, dizer verbalmente à pessoa que me será indicada. Rezemos pelo senhor e pelo Santo Padre.

Violação sistemática do direito nos níveis mais altos da Cúria Romana. Em numerosas circunstâncias, o direito é violado em vários níveis. O fato de que não se trata de erros ocasionais, mas de uma prática sistemática, é confirmado pelo número de casos, por seu tendencial aumento, bem como pela justificação teórica de tais comportamentos. Perigo ulterior: tal prática é tão difundida e utilizada com tamanha leviandade que parece indicar uma falta de conscientização acerca dos danos que certas decisões poderão produzir (subestimativa do risco).

   Nível principal.

    – Violação substancial de normas fundamentais da Constituição Apostólica Pastor Bonus.

    – Vulnus [3] jurídico grave em nível metodológico, concretizado através da modificação e ab-rogação “de fato” de normas da Pastor Bonus pela emanação de normas de nível inferior. Exemplo: através da emanação ou da modificação de regulamentos e estatutos contradizem-se normas da PB.

    Nível secundário e derivado. Tal prática levanta sérios questionamentos e dá lugar a algumas controvérsias.

    – O pontífice está a par e é expressamente informado, nestes casos, que se está realizando uma “exceção” à norma de nível superior? Isto é deliberadamente silenciado?

    – Proceder ignorando sistematicamente as normas superiores não produz uma progressiva deslegitimação delas?

    – Nota-se uma desmoralização dos colaboradores nos níveis mais altos e dos funcionários honestos e afeiçoados à Igreja e a sua missão: assistir ao instaurar-se de tal prática, que tende a se consolidar, induz a pensar que o pontífice não está a par disto (conhecendo a Pessoa e seu ensinamento, não se pode pensar que esteja informado). Tal evidência gera uma sensação de impotência em muitos, de conivência obrigada em outro, e talvez induza alguns a uma cumplicidade para fins pessoais (carreiras, enriquecimento oculto e indevido, legitimação de desperdícios etc.).

    – Notam-se muitos danos generalizados quanto à escolha dos dirigentes e consulentes. Perguntamo-nos quais seriam os critérios de muitas escolhas. A escolha de pessoas que não possuem competências adequadas comporta, além de tudo, graves consequências, até no âmbito financeiro e patrimonial.

    – Instauração de práticas que tendem a desnaturar a função de coordenação própria da Secretaria de Estado, fazendo com que pareça (e opere) como em altera voluntas em relação àquela do pontífice, nem sempre agindo em clara consonância como seria esperado na aplicação das indicações que o Santo Padre dá em nível de magistério e pastoral.

    – Usurpação de funções e violações de várias competências. Notam-se ingerências e pressões indevidas, realizadas a fim de obter decisões contra a legítima vontade do dicastério (aquisições a preços superfaturados, nomeações em violação à devida prática de ouvir antes o chefe do dicastério, usurpação do direito de nomeação etc.). (Extraído de Gianluigi Nuzzi, Sua Santidade. As cartas secretas de Bento XVI, Chiarelettere, 2012, pp.178-180).

Oras, essas notas não são uma novidades para quem está familiarizado com a prática do Secretário de Estado, desde a nomeação de Palombella [4] como diretor da [Capela] Sistina até a não-proclamação do Santo Cura d’Ars como patrono de todos os sacerdotes do mundo, ou à nomeação do novo presidente do PIMS [5] – para ficarmos aos negócios eclesiasticamente mais relevantes e menos interessantes do ponto de vista econômico e político. Confirmam a inadequação do Secretário de Estado. Confirmam o seu atuar ao máximo por si mesmo e bem pouco pelo bem da Igreja, o que se percebe, aliás, também das novas revelações sobre o caso Boffo [6]. E é precisamente o ex-diretor do Avvenire a identificar, na estratégia dirigida a difamá-lo e afastá-lo da CEI [7], a tentativa – para Boffo, não está bem claro ao próprio “instrumento” da difamação, ou seja, o diretor do OR [8] – de se ter na Itália um jornal dos Bispos menos intervencionista, menos interessados em política, nos casos de bioética etc., mas confinado à sua dimensão curial, ou melhor, paroquial. Para benefício de quem?

No entanto, o Secretário de Estado continua em seu posto, apesar de sua ação ser conhecida, bem conhecida do Santo Padre.

Nem vou comentar, então, a questão das doações e dos rodopios dos cheques natalinos, entre os quais aquele de 10.000 euros de Bruno Vespa [9], o qual, em troca, pede a Mons. Georg esclarecimento acerca de um possível encontro com o Papa. Eu duvido que um Messori [10] para entrevistar o Papa precise incluir em seu cartão de Natal um generoso cheque… Mas o que dizer das doações de dezenas de milhares de euros que vêm dos bancos? Não seria mais apropriado, especialmente em tempos de crise, receber doações, pelo menos por parte dos bancos – responsáveis pela crise – apenas bens in natura: contêineres de medicamentos, de roupas, rações de alimentos e de água para os que têm fome e sede? Seria, talvez, mais discreto. Mas, deixemos pra lá…

Chego, então, a um documento que me impressionou particularmente por sua atualidade. Refiro-me ao comunicado divulgado pela Santa Sé em fevereiro de 2009, após a controvérsia sobre a entrevista roubada a Mons. Williamson. No rascunho do comunicado, o Santo Padre corrige, de próprio punho, a seguinte frase:

“Para um futuro reconhecimento da Fraternidade São Pio X, o Santo Padre não cogita desconsiderar uma condição indispensável”.

 com isso:

“Para um futuro reconhecimento da Fraternidade São Pio X, é condição indispensável o pleno reconhecimento do Concílio Vaticano II e do Magistério dos Papas João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e do próprio Bento XVI”.

À luz da evolução das relações entre a Santa Sé e a FSSPX, me parece útil enfatizar tal correção, que explica perfeitamente por que, de repente, se decidiu submeter a um procedimento distinto os três Bispos da Fraternidade, autores de uma carta na qual se questiona a abordagem subjetivista do pensamento beneditiano.

Em suma, o livro de Nuzzi não deve impressionar mais do que isso, é verdade, no entanto nos oferece alguns ponto de reflexão. Antes de tudo, sobre a degradação daquele lugar a partir do qual a Igreja exercita a sua missão no mundo. E, partindo da conscientização de tal evidência, creio que, hoje, a Santa Sé não deveria lançar ameaças e estabelecer novas comissões para descobrir quem divulgou tais documentos. Ao contrário, deveria agradecer ao Senhor se estes documentos emergiram de alguma forma, porque não são reconstruções fantasiosas ou tentativas covardes de denegrir a Santa Romana Igreja, mas uma amostra muitas vezes triste e sombria do que acontece dentro dos muros leoninos. Já desde alguns anos, eu percebia, passando por Roma, a existência de uma parte boa de pessoas que trabalham no Vaticano, cansadas do excessivo clericalismo, da ganância, da hipocrisia, do carreirismo, do favoritismo legalizado reinantes dentro daqueles muros. E há tempo me falavam – a mim que valho tanto quanto o dois de espadas – da existência de documentos inconvenientes, documentos que contam os episódios mais impensados. Queriam torná-los conhecidos, não certamente para desencadear guerras santas entre alianças cardinalícias, mas para despertar uma Igreja esclerosada pelo sono da indiferença, pela garantia da impunidade, pelo culto do clericalismo autorreferencial. E, para isso, mais do que acusações e investigações, bastaria, em minha humílima opinião, um mea culpa, um mea culpa não proclamado talvez diante da mídia, mas vivenciado através de uma ação de governo, em todos os níveis, mais decidida e coerente com o Evangelho.


* * *

[1] Em Inglês: uma pessoa ou coisa que vaza; especificamente, uma pessoa que divulga segredos ou informações privadas.

[2] Monsenhor Georg Gänswein, sacerdote alemão e secretário pessoal do Papa Bento XVI. É conhecido pelos italianos como Padre Georg ou Bel Giorgio (Belo Jorge).

[3] Vulnus é um termo que, em latim, significa ferida, e do qual deriva o termo vulnerabilidade: vulnerável é tudo o que está exposto à possibilidade de ser ferido, violado, lesionado, golpeado, espancado, ofendido, cortado, danificado etc. Desse modo, vulnus parece remeter tanto à ação de ferir (a causa, o golpe infligido por quem tem o poder e a possibilidade de ofender), quanto ao estado do sujeito que a sofre (o efeito, a violação do corpo, da alma, dos afetos etc., uma vez que o significado se estende também aos aspectos psicológicos e emocionais).

[4] Refere-se a Dom Massimo Palombella, SDB, um sacerdote salesiano, músico, compositor e maestro que foi nomeado, em 16 de outubro de 2010, diretor do Coro da Capela Musical Pontifícia Sistina.

[5] O Pontifício Instituto de Música Sacra é um órgão da Cúria Romana, uma instituição acadêmica e científica localizada em Roma e ligada à Santa Sé. Desde 1995, o presidente é Valentino Miserachs Grau, que também é professor ordinário de Alta Composição, com anexa docência de Direção Polifônica e de Leitura da Partitura, no PIMS.

[6] Dino Boffo é um jornalista italiano, diretor do jornal Avvenire de 1994 a 2009, atualmente diretor de rede da TV2000 (da Conferência Episcopal Italiana). Em 2009, Boffo esteve envolvido em acusações de caráter sexual, que depois teriam sido desmentidas, inclusive em juízo.

[7] Conferência Episcopal Italiana.

[8] Osservatore Romano, o periódico semioficial da Santa Sé.

[9] Bruno Paolo Vespa é um jornalista, apresentador de televisão e escritor italiano. Desde 1996, comanda o programa Porta a Porta, da RAI. Teria enviado um cheque do banco Unicredit Banca di Roma de n. 3581597098-01 de 10.000 Euros. Vide.

[10] Vittorio Messori (1941), jornalista e escritor italiano que era ateu e se converteu ao catolicismo em 1964. Escreveu vários e polêmicos livros, entre os quais Ipotesi su Gesù (Hipótese sobre Jesus), uma pesquisa sobre as origens do Cristianismo, que foi publicada em 1976 (até 2007, o livro havia vendido um milhão e meio de cópias na Itália), e Rapporto sulla fede (Relatório sobre a Fé), pois, percebendo as mudanças trazidas à Igreja pelo Concílio Vaticano II, mudanças profundas e doutrinárias, entrevistou pela primeira vez na história o Prefeito do ex-Santo Ofício, o Cardeal Ratzinger.

20 Comentários to “Um mea culpa, é pedir demais?”

  1. Triste e desalentadora situação.

  2. A Cúria Romana está cada vez mais podre. Sim, ainda há gente decente lá dentro, mas se são a maioria, eu não sei mais. Membros da Cúria já são servos de satanás, inimigos de Cristo, detratores da Igreja e do Papado. Esta é, irmãos e irmãs, a nova “igreja”; esta prostituta que fizeram sentar-se no Trono de Cristo Rei, porque sim, é verdade, destronaram o Senhor do Universo!

  3. Triste ler isso,dói na alma.Quando precisamos de homens que sejam santos na hierarquia da Igreja,em li dar com as coisas de Deus, vemos isso.Complicado!

    Fiquem com Deus.

    Flavio.

  4. Caríssimos,

    Todas estas coisas e, muito mais, que agora tornaram-se públicas e que, ocorrem há anos, dão uma dimensão exata da raiz de toda a problemática que envolve a Roma Modernista.
    «Hoje, o inimigo da Igreja não está mais no exterior da Igreja, está no interior». ( Papa São Pio X)
    Estes fatos fazem com que se torne mais claro o caminho a ser tomado pela FSSPX e todos os fiés da Tradição dispersos pelo mundo inteiro.
    Não quero, com isso, promover o ilógoco sedevacantismo, mas sim, preservar o Precioso Depósito transmitido pelos nossos primeiros Padres através da Tradição.
    É humanamente impossível reverter esta situação.
    Rezemos, rezemos, rezemos…

    OMNIA INSTAURARE IN CHRISTO

  5. A Igreja é formada e dignificada por seus santos e mártires, que imitam à perfeição o Nosso Senhor. A política do Vaticano nunca foi, nem nunca será, imune às intrigas, aos jogos políticos e ao carreirismo. Rezemos e lutemos para que a próxima geração de administradores seja melhor que esta.

  6. Eu não compreendi direito a questão da carta sobre a FSSPX! Alguém poderia me explicar ….

  7. O autor dessa carta deveria ler qualquer dos volumes do “História da Igreja”, de Daniel-Rops. Duvido que ele consiga apontar um único papado (ao menos do período medieval para frente) que tais situações não ocorressem no entorno papal. Ou é ignorância histórica ou falso moralismo com intenções escusas o que move esse autor (e também quem se presta a divulgá-la).

  8. Quanta ingenuidade da parte do autor deste artigo em achar que Gianluigi Nazzi escreveu este livro com boas intenções.

  9. Wagner, os problemas na Igreja em períodos históricos passados tornam os problemas de hoje mais ou menos graves? Fazem com que eles possam ser relevados completamente, com um simples “ah, sempre foi assim mesmo!” ???

    Com todo respeito: você cogita a possibilidade de haver intenções escusas no autor e no Fratres, que divulgou o artigo. E em você, que veio comentá-lo? O que faz num meio tão cheio de más intenções? Acho melhor ir comentar no blog do Felipe Aquino ou do Chalita…

  10. Sandro, eu diria que é ao contrário: só poderíamos tomar esse caminho que você insinua se promovêssemos o sedevacantismo – que, ao contrário do que você diz, não é ilógico. Antes de mais nada digo que não sou sedevacantista e não pretendo convencer ninguém a ser, mas verdade seja dita, não podemos chamá-los de ilógicos ou cismáticos porque é um direito dos fiéis reconhecido por vários especialistas o de suspeitar da pessoa do Papa, embora só quem possa julgar se ele é o Papa ou não seja uma autoridade igual ou superior, isto é, outro papa, portanto só fica justificado chamar de ilógico quem se presta a fazer esse julgamento e afirmar categoricamente “ele não é/foi papa”, mas não quem afirma “eu suspeito dele como papa”. Daí justificar-se-ia a desobediência absoluta.

    Mas se não temos suspeita alguma, então o caminho por você insinuado fica injustificado, pois diz o Catecismo Romano, “daqui que se infere que só três classes de homens são excluídos da comunhão com a Igreja. Em primeiro lugar os infiéis; em segundo, os hereges e cismáticos; por último, os excomungados. […] Quanto aos demais, não há dúvida que continuam ainda no grêmio da Igreja, apesar de maus e perversos. Sejam os fiéis bem instruídos neste ponto, para que tenham a firme convicção de que os prelados da Igreja continuam no grêmio da mesma, não obstante qualquer deslize moral; e que nem por isso lhes fica diminuída a jurisdição eclesiástica.

    Então, se não se suspeita que o papa é um herege ou excomungado, e portanto um farsante, então se obedece. Lembrando o que eu já disse em outras ocasiões, antes que você diga que eu estou pregando obediência cega, que a obediência obviamente é só naquilo que não é pecado – e claro que não há nenhum pecado no acordo. Agora, observe bem que, seguindo a linha do catecismo e sabendo que o comunismo excomunga automaticamente, gente como os bispos brasileiros da TL perderam toda a autoridade pois foram automaticamente excomungados – e está na cara que são farsantes. Por isso sou contra qualquer obediência a eles, mas não ao Papa Bento XVI. Não consigo vê-lo como um farsante.

  11. Wagner
    Típica atitude neo-conservadora.
    Mentir e omitir para que “ninguém saiba da podridão” e “se escandalize”
    Legionários de Cristo que o digam…

  12. Caríssimo Wagner,

    Talvez este seja o momento de fazer conhecer à todo o Orbi e, principalmente, à cada fiél Católico, esta imperiosidade vil que, de acordo com você e, Daniel-Rops é claro, sempre nortearam o entorno papal.
    Vivemos um momento ímpar na história da Igreja, produzido por pessoas que, como você, se sustentam nos erros que outros cometeram.
    Isto sim trata-se de ignorância histórica e falso moralismo.

    OMNIA INSTAURARE IN CHRISTO

  13. Caríssimo A. Carlos,

    Em primeiro lugar, gostaria de dizer-lhe que, o caminho que insinuo é o caminho percorrido por toda a FSSPX desde sua fundação por Monsenhor Lefebvre, considera-los sedevacantistas é um direito seu e de qualquer um.
    Em segundo lugar, desconfiar do Papa é um direito não só dos fiés mas, de qualquer pessoa em sã conciência neste planeta, e nem é preciso ser especialista para perceber isso.
    Em terceiro lugar, quando digo sedevacantismo, me refiro àqueles que, de acordo com você, afirmam categoricamente “ele não é/foi papa”, o que, de acordo com você mesmo, justifica-se ilógico.
    Em quarto lugar, não insinuo em meu comentário, ao menos para um bom entendedor, uma desobediência absoluta ao Papa supostamente subentendida.
    E por último, recomendo à você a leitura, coerente, do Artigo do jornal Sim Sim Não Não, Janeiro de 1993, O Dever de Resistir, talvez com isso possa entender e, tratar com um pouco mais de propriedade assuntos tão complexos.
    Estarei rezando por você.

    OMNIA INSTAURARE IN CHRISTO

  14. “Perigosíssimos” FRATRES;
    Esta é a “cúria espúria”, onde o dinheiro é quem realmente manda. Ele é o senhor deste mundo.
    Mundo ao qual a igreja conciliar “se arreganhou”…
    Abriu-se tanto que ficou mundana, tal qual qualquer governo do mundo.
    O FRATER Eduardo chamou a cúria espúria de prostituta.
    Óhhhhhhh
    Não concordo. É muito pior que prostituta…
    Afinal, as prostitutas precederão a muitos no Reino dos Céus…
    “Perigosíssimo” Eduardo, esta tal “cúria” é muito pior que prostituta!
    Se bem que isso não é, nem nunca foi novidade.
    E o pior, não está descrita em nenhuma visão (“histórica”?!?) adocicada ou heróica de Rops, cuja obra foi reeditada no Brasil pela Ed. Quadrante, diga-se Opus Dei. (Kkkkkk)
    Não, não foi o sr. Rops quem nos disse o que ocorre dentro dessa cúria espúria.
    Mas sim o Santo Profeta Jeremias, basta ler e meditar Jeremias, Cap. 8 e o Cap. 23, daí perceberão que há muitos milênios Nosso Senhor já havia alertado sobre os “desvios” de Jerusalém… Não nos esqueçamos que a Igreja é a Nova Jerusalém!!!
    Creio que isso será muito, muito, muito desagradável aos “neo-con”.
    O FRATER Sandro demonstra a preocupação que todos nós, fiéis da Tradição, ou melhor, nós que conservamos a Fé Católica, temos em relação ao “Acordo” com a Roma Modernista.
    Basta que nos lembremos que o deus dessa gente é o dinheiro, e seu messias é o poder.
    Não pensarão duas vezes em esmagar e calar qualquer movimentação de questionamento ao “seu deus”… Cuidado, Mons Fellay!
    E, será que o Papa não sabia de nada?
    Hummm… Mistéééééériooooooooooooo…
    É, “Perigosíssimos” FRATRES, a situação está muito mal.
    Quando não são os bispos, com suas mitras penosas, com suas diarreias mentais, especialmente após ingerir umas “marditas”, demonstrando a “sobriedade” de muitos membros da cão ferrância episcaopau, agora os ecândalos chegam até o Trono de Pedro…
    É preocupante e muito triste.
    Lembra-me a capa do livro de Átila Guimarães: “En las aguas turbias del Concilio Vaticano II”, onde a Basílica de S. Pedro parece estar submergindo no escuro mar…
    A diferença é que neste caso, infelizmente real, desculpem-me os “neo-con”, o mar é de lama fétida.
    Hummm que mau cheiro!!!
    Vou parando por aqui, afinal, depois vão me chamar de “psicótico”, fanático e que “escrevo longos post”. Ademais, Melhor ficar em minha falta de cultura religiosa, diante de toda essa lama…
    Melhor que ficar como está a igreja conciliar: entalada na lama…
    Melhor ficar de longe, deixando essa gente se encalhar na lama mundana.
    Caso essa gente modernista, depois de tantos escândalos, de tanta apostasia queiram “voltar a ser Católicos”, eles que renunciem ao modernismo, que busquem a Fé dos Apóstolos.
    Creio que um “acordo” ou “reconhecimento” da parte dessa gente aí seria o mesmo que convidar para um mergulho no mar… No “caliente” mar de lama, no qual eles estão atoladinhos…
    Aí aquela “perguntinha” incômoda:
    É COM ESSA GENTE QUE MONS. FELLAY QUER SE UNIR?
    Hummm…
    O cheiro não é nada bom…
    Ah, outra perguntinha:
    ALÉM DO “PEDIDO DE PERDÃO”, A TODA IGREJA (E COMO ESSA GENTE GOSTA: À HUMANIDADE), ELES TERÃO QUE ASSINAR ALGUM “PREÂMBULO”?
    Quem viver verá..
    Vou terminando por aqui, senão, além de “escrever longos post’s”, posso até ser comparado com o “magistério oficial”, credo!
    Não quero, afinal, essa gente é muito fedida…

  15. Lendos os comentários, parece até que esse tipo de coisa só começou a ocorrer nos últimos 50 anos…. Desde seus primeiros Bispos (escolhidos por Nosso Senhor) a Igreja sofre com a infidelidade humana. Ao longo dos séculos, acumulam-se casos escandolosos envolvendo os Papas. Sabem qual é a diferença real entre os séculos precedentes e o nosso tempo? Resposta: INTERNET. Se antes essas informações dificelmente chegariam ao grande público, hoje isso se espalha numa velocidade vertiginosa! E aí muitos acham que só agora acontecem……

  16. caros amigos aos poucos se prepara a sucessão de Bento XVI istó para mim esta claro.
    como sabemos a eleição de Joseph Ratzinger ao papado em 2005 desagradou a maioria do clero dos fiéis e da elite política e midiatica modernista.
    Tentão forçar a renuncia de Bento XVI de qualquer maneira.Para apoiarem um cardeal X que considerem o melhor futuro Pontifice.
    Quem sera o Cardeal X, eis a questão.
    Bertone? acho dificíl mas não impossivel,as alianças do conclave são imprevisiveis!
    Scola? È possivel é um nome midiatico dentro da itália.
    Ravasi ? É um clérigo moderno embora não ocupe um cargo de muita importancia no vaticano,mas isso possa ser sua vantagem.
    Ou sera outro cardeal menos conhecido? Marc Oulet e Leonardo Sandri fazem pouco barulho mas estão na disputa.
    Até o cardeal Dolan de Nova York é citado! Não subestimem os americanos!
    E a saude de Bento XVI? ,vem sido mantida em segredo. Mas até quando?
    Quem como eu conhece um pouquinho de História eclesiastica já sabe o que significa essas denuncias suspeitas e acusações nem sempre provaveis mas reais em grande parte dos casos.

  17. Sandro,

    o caminho que insinuo é o caminho percorrido por toda a FSSPX desde sua fundação por Monsenhor Lefebvre

    Não senhor. O que você insinuou é a desobediência injustificada, muito diferente do que a Fraternidade sempre fez ou sempre quis fazer.

    considera-los sedevacantistas é um direito seu e de qualquer um.

    Mas eles não são, pelo menos aparentemente, então é tolice fazê-lo.

    desconfiar do Papa é um direito não só dos fiés mas, de qualquer pessoa em sã conciência neste planeta, e nem é preciso ser especialista para perceber isso.

    Não é tão trivial assim. Alguém poderia argumentar que o sedevacantismo nunca se justifica – aliás, a coisa mais comum do mundo, em toda parte se vê esse esse tipo de argumento.

    quando digo sedevacantismo, me refiro àqueles que, de acordo com você, afirmam categoricamente “ele não é/foi papa”

    Desculpe-me pelo engano, mas você precisa ser mais específico, senão eu corro o risco de me enganar de novo. Vamos tentar sincronizar nossas definições, não é?

    não insinuo em meu comentário, ao menos para um bom entendedor, uma desobediência absoluta ao Papa supostamente subentendida.

    Claro que não, mas é preciso um critério objetivo, é preciso traçar uma linha: quando a desobediência é justificada e quando não é?

    O meu argumento é: a desobediência absoluta só é justificada no caso de suspeita da pessoa da autoridade – suspeita de que ela não pertença à Igreja por heresia ou excomunhão, e no caso do Papa (ou de um bispo que ocupa uma sé) isso é o que nós chamamos de sedevacantismo. É o caso por exemplo dos bispos excomungados (ainda que não declaradamente) da TL. Uma vez que não se suspeita da jurisdição da autoridade, a obediência é obrigatória, justificando-se a desobediência pontual somente em dois casos: quando a obediência implicaria em pecado, ou quando a ordem simplesmente não é da alçada da autoridade.

    Então por exemplo por que se justifica não acatar a Missa Nova? Porque a Quo Primum Tempore tira da alçada dos Papas posteriores a São Pio V a capacidade de revogar a Missa Tridentina, isto é, todo padre teve, tem e sempre terá o direito de usá-la e ninguém pode proibi-lo. Por que se justifica não acatar ao encontro de Assis? Porque a obediência incorreria em pecado de indiferentismo religioso (nem preciso explicar o porquê, não é?).

    Agora, nenhum argumentador contrário ao acordo até agora que eu vi justificou-se com base nesse critério. Todos os que eu vi, inclusive o artigo indicado, estão tentando justificar a desobediência ao acordo com base em critérios subjetivos, conjecturas ou suposições, mas não fundamentado neste critério objetivo que eu acabo de explicar e que está baseado no Catecismo Romano. Pretendem justificar a desobediência ao Papa por causa de seus pecados, mas isso vai contra o Catecismo Romano, ou por causa da suspeita sobre terceiros, mas terceiros não vem ao caso, a suspeita deveria ser sobre a pessoa do Papa, não sobre outrem.

    Para justificar essa desobediência, seria necessário atacar ao menos um de três pontos: suspeita sobre a pessoa do Papa, o que implicaria no sedevacantismo (e tudo bem com isso, embora eu não concorde, é um direito); o acordo é pecaminoso; o acordo não é da alçada do Papa (o único que não é discutível, pois é óbvio que é).

    >talvez com isso possa entender e, tratar com um pouco mais de propriedade assuntos tão complexos.

    Primeiro que não há necessidade de me desfazer, e segundo que o assunto realmente não é tão complexo se você tem critérios objetivos como eu citei acima. Não há necessidade de se supercomplicar o que é simples.

    Estarei rezando por você.

    Agradeço muitissimamente, necessito muito das orações de todos!

  18. Caríssimo A. Carlos,

    Não é minha intenção utilizar este espaço para debater realidades filosóficas, objetivismo e subjetivismo, tão pouco, conjecturas e suposições.
    Respeito profundamente a suas opiniões e, gostaria que fizesse o mesmo em relação às minhas, para que não se instaure neste espaço contendas como a que estamos, involuntariamente, promovendo.
    De minha parte, peço desculpas se lhe ofendi de alguma maneira.

    OMNIA INSTAURARE IN CHRISTO

  19. De fato. Desculpe-me, eu me empolguei! Você não me ofendeu de forma alguma, espero eu também não lhe ter ofendido. Peço desculpas caso seja esse o caso.