Corpus Christi – Tesouro de exemplos.

O Castigo não se fez esperar

Em 1931, na festa de Corpus Christi, o bispo de Nantes (França), por causa do mau tempo, suspendeu a procissão do SS. Sacramento. No dia seguinte os jornais socialistas e maçônicos de Nantes zombavam da decisão do prelado. “Que faz o vosso Deus? (escrevia um dêles em tom de desprêzo). Nós nos rimos dêle. Para o próximo domingo, 7 de junho, organizamos uma excursão a Saint-Nazaire pelo vapor ‘Saint Philibert’. Vereis como tudo correrá bem, apesar de que todos os excursionistas perderão a missa para tomar o cruzeiro”.

Chegou o domingo 7 de junho. Eram 600 os passageiros que bem cedo embarcaram no vapor. O “Saint Philibert” desceu bem o Loire, chegou a Saint-Nazaire e depois saiu do estuário e entrou no Atlântico para um breve giro ao largo. De repente, formou-se um denso nevoeiro; não se via nem se ouvia nada a dez metros de distância. Não demorou muito a catástrofe: um choque tremendo com um poderoso transatlântico, que partia pelo meio o pequeno vapor francês. Após dois minutos de gritos de terror, um silêncio de morte. O “Saint Philibert” submergia no oceano para sempre. 499 excursionistas desapareceram nas ondas; quatro enlouqueceram ; os outros foram salvos com dificuldade por outro vapor; o capitão, desesperado, deixou-se afundar com seu navio. Assim respondia Deus à provocação dos míseros homenzinhos da seita.

* * *

Queria pô-las como flores

Em 1873 um homem de Wisembach, povoado dos Voges, amontoava imundícies num depósito. Aos que lhe perguntavam para que serviria aquilo, respondia:

– Este lixo eu o porei como flôres nas ruas por onde há de passara procissão de Corpo de Deus. Três dias depois foi atacado de apoplexia, morrendo sem recobrar os sentidos e sendo enterrado no próprio dia de Corpus Christi.

* * *

Bravos cruzadinhos

Um missionário do longínquo Oriente, vendo um jovenzinho muito recolhido e devoto diante do altar do Santíssimo, perguntou:

– José, que faz ai tanto tempo e que é que diz a Jesus?

– Nada, Padre, pois não sei ler nos livros. Somente exponho minha alma ao Sol.

* * *

Aos seus mais pequenos Cruzadinhos, perguntou um tal Vigário:

– Quantas vêzes se deve comungar?

– Muitas vêzes, Padre.

– Bem; e quem sabe me dizer por quê?

– Eu, Padre, eu sei. Jesus tomou o pão para mostrar que o devemos comer todos os dias; porque, se tivesse tomado a sobremesa, diríamos que só se devia comungar nos dias de festa.

* * *

Um menino distribui a Comunhão

Na guerra de 1914, que durou quatro anos, os exércitos italiano e alemão pelejavam perto da povoação de Torcegno, no vale de Brenta. À meia-noite, entraram os alemães para ocupar a igreja e a tôrre e levaram consigo prisioneiros os sacerdotes que havia, sem dar-lhes tempo de retirar o Santíssimo da igreja.

De manhã, antes da aurora, o povo recebeu ordem de evacuar o povoado, pois ia dar-se ali a batalha. Eram os habitantes cristãos fervorosos que amavam muito suas roças, suas casas e mais ainda sua igreja. Mas não havia remédio; era preciso fügir.

Salvemos ao menos o Santíssimo, disseram todos; mas como, se não havia padres? Lembraram-se de escolher o menino mais inocente e angélico para abrir o sacrário e dar a comunhão a todos os presentes, consumindo-se assim tôdas as hóstias. Ao sair o sol, todo o povo estava na igreja, as velas acesas, no altar e o menino revestido de alvas veites. Sobe o mesmo com grande reverência os degraus do altar,  estende o corporal, abre a portinha, toma o cibório douraclo e, tendo todos rezado o “Eu pecador”, desce até à grade e vai dando as hóstias até esvaziar o cibório.

Purificou logo o vaso sagrado com todo cuidado, juntou as mãos e desceu os degraus do altar como um anjo. Levando Jesus no coração, todo o povo se apressou a fugir para os montes. Corriam lágrimas dos olhos de muitos, é verdade, mas a alma estava confortada com o manjar divino.

Ao pequeno “diácono” enviou o Santo Padre Bento XV sua bênção e suas felicitações.

* * *

A força para o Sacrifício

Em 1901, começou na França o fechamento de todos os conventos e a expulsão dos religiosos. Foi nesse ano que se deu, em Reims, o câso  seguinte contado pelo Cardeal Langenieux, arcebispo daquela cidade.

Havia em Peims, entre outros, um hospital que abrigava somente os doentes atacados de doenças contagiosas, que não encontravam alhures nenhum enfermeiro que quisesse cuidar dêles. Em tais hospitais somente as Irmãs de caridade costumam tratar dos doentes e era essa a razão por que ainda não haviam expulsado as religiosas daquela casa.

Um dia, porém, chegou ao hospital um grupo de conselheiros municipais (vereadores), dizendo à Superiora que precisavam visitar tôdas as salas e quartos do estabelecimento, porque tinham de enviar um relatório ao Govêrno. A Superiora conduziu atenciosamente aquêles senhores à primeira sala, em que se achavam doentes cujos rostos estavam devorados pelo cancro.

Os conselheiros fizeram uma visita apressada, deixando perceber em suas fisionomias quanto lhes repugnava demorar-se ali. Passaram logo à segunda sala; mas ai encontraram doentes atacados de doenças piores, vendo-se obrigados a puxar logo seus lenços, pois não podiam suportar o mau cheiro. A passos rápidos percorreram as outras salas e, ao deixarem o hospital, aquêles homens estavam pálidos e visivelmente comovidos. Um dêles, ao despedir-se, perguntou à Irmã que os acompanhara:

– Quantos anos taz que a Sra. trabalha aqui?

– Senhor, já faz quarenta anos.

– Quarenta anos ! exclamou outro cheio de pasmo. De onde hauris tanta coragem?

– Da santa comunhão que recebo diariamente, respondeu a Superiora E eu lhes digo, senhores, que n o dia em que o Santíssimo Sacramento cessar de estar aqui, ninguém mais terá fôrça de ficar nesta casa.

* * *

O menino que foi enforcado três vezes

Estamos na Palestina, pâtria de Jesus, onde se disse a primeira Missa e os Apóstolos fizeram sua primeira comunhão… E que é hoje a Palestina? Terra de desolação, de maometanos, cismáticos, judeus e poucos católicos.

Um menino cismático de oito anos começou a sentir-se atraído à religião dos católicos, a seus tantos e festas que lhe contavam seus companheiros. Um dia quis ir ver. Com muito segrêdo, por temor dos pais, assistiu à missa numa capela. Ficou encantado. Depois da missa continuou ali com as crianças do catecismo. Terminada a cerimônia, o Padre, que não o conhecia, aproximou-se dele para saudá-lo carinhosamente.

O coração estava ganho, e o menino, às escondidas, continuou a ouvir a missa todos os domingos. Um dia, porém, o pai o descobriu e perguntou-lhe:

– Você estêve com os malditos católicos?

– Sim, papai.

– Eu não lho proibira?

– Sim, senhor.

– Jura-me que não voltarâ lâ?

– Não posso, pois em meu coração sou católico.

– Então você não jura?

– Não, senhor.

– Enforcá-lo-ei…

– O senhor pode enforcar-me.

Passou o bârbaro uma corda a uma viga do teto e o laço ao pescoço do filho e puxou-o para cima. Quando os pézinhos do menino deixaram  de mover-se, o pai o desceu, soltou o laço e, vendo que ainda estava vivo, disse:

– Agora você me promete de não ir ter com aquêles malditos…

– Não, papai, não posso.

Segunda e terceira vez repetiu o pai o cruel suplício, mas não conseguiu mudar o propósito do menino. Disfarçando, então, a sua cólera, tentou o bárbaro pai outros meios.

Tomando em seus braços o corpo extenuado do pobrezinho, disse:

– Mas, meu filho, você não me ama?

– Amo-o, papai.

– Como é, pois, que não quer me obedecer?

– É que eu amo a minha alma mais do que a meu pai.

O menino, pouco a pouco, recobrou as fôrças e logo se fêz batizar, tornando-se católico. Seu pai e sua mãe morreram de tifo no ano seguinte e não muito depois teve o pequenino mártir a morte de um santo.

* * *

Vinham nadando

Conta um missionário que, quando chegava a alguma ilha da Oceânia, para anunciar a sua presença levantava um mastro bem grande. Os negros acudiam de tôda a parte e vinham até de muito longe. Um domingo, pela manhã, viu chegar uma turma de negros que vinham nadando de outra ilha, para terem o consôlo de ouvir a santa Missa.

* * *

Domingos Sávio ajuda à Missa

Êste angélico jovem, aos cinco anos de idade, já sabia ajudar à missa e fazia-o com grandes demonstrações de amor a Jesus. Como era muito pequeno, o pâdre mesmo tinha de mudar o missal. Mas era tão grande o seu desejo de servir ao altar, que muitas vêzes chegava à igreja quando esta ainda estava fechada,e ali permanecia esperando e rezando. Numa fria manhã de janeiro de 1847, ali o encontraram tiritando de frio, e coberto de neve que caía copiosamente.

Do livro Tesouro de exemplos – Padre Francisco Alves, C. SS.R. Editora Vozes Volume I Edição II 1958.

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10 Comentários to “Corpus Christi – Tesouro de exemplos.”

  1. Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

    Curioso…

    Hoje chove em minha cidade e dificilmente teremos a procissão do Santíssimo.

    Mas também, não se vê qualquer fervor pelo Santíssimo Sacramento do Altar em Missa nenhuma, onde praticamente todos comungam da Hóstia Santa como que comendo um biscoito.

    A queda no fervor eucarístico entre os católicos é tão grande que duvido que, se houver alguma edição atualizada do livro “Tesouros de Exemplos”, nela se encontrará algum fato extraordinário ocorrido nestes últimos 50 anos de “primavera da fé”.

    Abraços.

  2. Que maravilha!

  3. Bem que a Ed. Vozes poderia reeditar este livro.
    Os católicos, antecipadamente, agradecem.

  4. Que maravilha! Se não a Vozes, outra editora precisava reeditar esse livro.

  5. Estou morando no interior, distante do mosteiro onde assisto a Santa Missa de Sempre.
    Hoje tentei seguir a procissão da matriz paroquial, que fica a metros de minha casa.
    Foi para mim uma procissão penitencial.
    O tempo estava nublado. A procissão, mediocremente – que digo? – malfeita, desorganizada.
    Fizeram somente horas antes os tapetes. E em alguns lugares foram literalmente tapetes que puseram no chão, faixas com alguns dizeres, algumas imagens, e só.
    A julgar pela feição das pessoas, visto que não tenho binóculo para sondar almas, as faces demonstravam 0% devoção, tudo não passou de uma caminhada, não haviam altares na rua, em nenhum momento em toda a procissão eu ouvi sequer uma única vez a pequena jaculatória “graças e louvores se dêem a todo o momento, ao SSmo e digníssimo Sacramento”.
    Desde a igreja eu podia ouvir da minha casa o som dos instrumentos: baterias, violões e coisas do gênero.
    Vi sairem das laterais da matriz mulheres com batas, mulheres com a fita do apostolado da oração, mulheres ministras da eucaristia (como dizer essa palavra, aliás, pensar nisso me causa náuseas…) fazendo 90% de tudo.
    Só não levaram o pálio e o Santíssimo. De resto, fizeram tudo. Não havia sequer um acólito, nem mesmo feminino, só pessoas fantasiadas. Mulheres fantasiadas. raras vestidas adequadamente.
    Os hinos? Nenhum.
    Só músicas moderninhas, da moda, só. Somente só. Não me perguntem, mas de todas essas porcarias, só reconheci uma do showman-padre Marcelo Rossi.
    Não era uma procissão, era uma caminhada exótica.
    Mesmo assim fui.
    Depois me apressei e fui na frente para a igreja, para a bênção do Santíssimo.
    A Igreja tinha dezenas de pessoas. Conversavam como se fosse uma grande praça.
    Perto de mim tinham umas mulheres conversando tão à vontade, que dei um olhar seco, já estava para explodir.
    Mas como toooodos estavam conversando naturalmente, e eu não vi uma alma sequer rezando, então fui pro fundo. De repente tocou um violão acoplado em um amplificador. Então eu percebi que era realmente a hora de ir embora.

    Durante a procissão eu quis muito ouvir entoarem o Tantum Ergo Sacramentum, o Lauda Sion, Pange lingua. hahaha, acho que estava fora da realidade.
    Bem
    Durante a tarde, horas depois, ouvi uma barulheira infernal, um som altíssimo, como um protesto. Fui até a janela, os hereges protestantes estavam fazendo uma marcha e gritando com furor, o que é bem próprio dos sectários: Jesus é nosso rei! Entre sons altíssimos e ensurdecedores.
    Fechei a janela.
    Acho que nasci na época errada e no lugar errado. Temo em escorrer junto com este lodaçal…

  6. São espetaculares esses exemplos. Somente uma observação, no primeiro exemplo, Saint Philibert naufragou no dia 14 de junho de 1931 e número de vítimas é na realidade 496. Se dia 07 de junho de 1931 foi domingo, então o dia 14 também caiu em um domingo, o que significa que os passageiros perderam duas missas dominicais. Vejam o link
    http://www.wrecksite.eu/wreck.aspx?31721#110900

  7. O “Saint Philibert” é o barco onde todos estamos navegando, há alguns poucos católicos conservadores dentro dele, aprisionados é claro pelo esquerdismo católico, que sabe que ele irá naufragar. Os outros passageiros de orientação centrista estão passeando nele, achando que nada acontecerá…

    Aliás hoje foi um feriado católico e as pessoas fizeram o que? Aliás nem eu sei o que, para a Igreja significa este dia porque com o igualitarismo da liturgia pós vaticano II não há diferença entre uma missa de natal, de Pascoa ou de Corpus Christi. É tudo a mesma coisa.

  8. Apesar do frio, e das chuvas que caiam aqui em SP…foram muitos fiéis que compareceram a procissão, e assistiram a Santa Missa. E durante o trajeto até a Catedral da Sé, sómente orações, e alguns cânticos se ouviam durante o percurso.

  9. Irmãos, essa questão, não digo somente litúrgica, da adoração pública de Jesus Eucarístico me fez lembrar de um vídeo que eu vi um tempo atrás na internet. Trata-se de uma exposição publica do Santíssimo Sacramento no meio de uma rua, feita de modo inesperado por um padre franciscano (talvez um frade capucnhinho pelo cor do hábito), na cidade de Preston, no oeste da Inglaterra.

    É um vídeo muito conhecido. No entanto, os que ainda não o viram, acho que vão gostar de ver. É um belíssimo testemunho de fé no Santíssimo Sacramento.

    Tradução: Vejam o que fez este padre em plena praça pública.

  10. Sobre o respeito devido ao Santíssimo Sacramento, à Eucaristia, penso que sejam oportunas estas palavras de São Paulo:

    (Os pecados de sacrilégio contra a Eucaristia são uns dos pecados mais graves que podem ser cometidos e merecedores de terríveis castigos. É melhor ficar sem comungar do que comungar sacrilegamente)

    “Examine-se, pois, a si mesmo o homem e assim coma deste pão e beba deste cálice, porque aquele que o come e bebe indignamente, come e bebe para si a condenação, não distinguindo o corpo do Senhor. É por isso que há entre vós muitos enfermos e sem forças e muitos que dorme (que morreram). Ora, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos com certeza julgados. Mas, quando nós somos julgados, somos castigados pelo Senhor, para não sermos condenados com este mundo.” 1Cor 11,28-32.