“Dizemos não”.

Comecemos com a primeira parte, a renúncia. São três, e tomo primeiramente a segunda: “Renunciais às seduções do mal para que o pecado não vos escravize?”. O que são essas seduções do mal? Na Igreja antiga, e ainda por séculos, aqui existia a expressão: “Renunciais à pompa do diabo?”, e hoje sabemos qual era a intenção desta expressão “pompa do diabo”. A pompa do diabo era, sobretudo, os grandes espetáculos sangrentos, nos quais a crueldade tornava-se diversão, nos quais matar homens tornava-se uma coisa espetacular: espetáculo, a vida e a morte de um homem. Estes espetáculos cruéis, esta diversão do Mal é a “pompa do diabo”, onde aparece com aparente beleza, mas na realidade, aparece com toda sua crueldade.

Mas, além deste sentido imediato da palavra “pompa do diabo”, queria se falar de um tipo de cultura, de um way of life, de um modo de viver, no qual não conta a verdade, mas a aparência, não se busca a verdade, mas o efeito, a sensação, e, sob o pretexto da verdade, na realidade, se destroem homens, quer-se destruir e criar somente a si mesmos como vencedores.

Então, esta renúncia era muito real: era a renúncia a um tipo de cultura que é uma anti-cultura, contra Cristo e contra Deus. Dizia-se contra uma cultura que, no Evangelho de São João, é chamada “kosmos houtos”, “este mundo”.  Com “este mundo”, naturalmente, João e Jesus não falam da Criação de Deus, do homem como tal, mas falam de certa criatura que é dominante e se impõe como se fosse ‘este’ o mundo, e como se fosse este o modo de viver que se impõe.

Deixo, agora, cada um de vocês a refletir sobre esta “pompa do diabo”, sobre esta cultura a qual dissemos “não”. Ser batizados significa justamente, basicamente, um emancipar-se, um libertar-se desta cultura. Conhecemos também hoje um tipo de cultura no qual não conta a verdade; também se aparentemente se quer mostrar toda a verdade, conta somente a sensação e o espírito de calúnia e destruição. Uma cultura que não busca o bem, na qual o moralismo é, na realidade, uma máscara para confundir, criar confusão e destruição. Contra esta cultura, na qual a mentira se apresenta na veste da verdade e da informação, contra esta cultura que busca somente o bem-estar material e nega a Deus, dizemos “não”.

Do discurso do Santo Padre, o Papa Bento XVI, na abertura da conferência pastoral eclesial da Diocese de Roma – 11/06/2012.

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14 Responses to ““Dizemos não”.”

  1. Alguém teria alguma dúvida que Pedro falou pela boca do Santo Padre ?
    Longa vida ao Papa!

  2. Louvado seja Deus pelo Papa Bento XVI!

    Esse Papa é um Papa corajoso e que diz a verdade sem medo de desagradar o mundo! GRANDE PAPA!

    Meus irmãos, se me permitem dizer algo pessoal, posso lhes dizer que sei por experiência própria o quanto opressiva é essa anti-cultura da qual fala o Papa.

    Durante anos eu levei uma vida muito austera por ideais cristãos. De certa forma, eu levava uma vida de monge, embora não fosse um. Agora por algumas necessidades financeiras eu tenho levado uma vida menos monástica, se posso me expressar assim. E o que eu percebo é que as pessoas, sobretudo as mulheres, são extremamente apegadas às aparências. E muitas vezes as pessoas são extremamente crueis com as outras sem motivo algum ou por motivos pequenos e insignificantes. É claro que há também pessoas boas e de bom coração, mas essa pessoas são poucas e raras

    É necessário urgentemente mudar a sociedade, é necessário que os cristãos sejam sal e luz do mundo como disse Jesus Cristo, no Evangelho de hoje, se não não serviremos para nada.

    Penso que o mundo precisa novamente de novos são franciscos, de pessoas que abraçem a pobreza, a castidade e a obediência no meio do mundo, não como os monges isolados do mundo, mas no meio do mundo para escandalizar os ricos, os cultos e os poderosos, para mostrarem para o mundo que o que vale é a bondade e o perdão que se traz no coração. Tudo mais nada vale e um dia vai passar. Deus vai querer ver só a bondade e o perdão que trazemos no coração. Nem as boas obras valem alguma coisa se não forem feita com bondade e misericórdia.

  3. Na hora em que li o título do post minha barriga gelou e pensei: “Ah Meu Deus! A FSSPX desistiu da regularização!” daí continuei a ler até a “renuncia às seduções” e pensei: “Foi regularizada!”… continuando a ler, vi que o tema passava bem longe; mas Ferretti, não vai me dizer que não houve uma intençãozinha “inocente” nesse jogo de palavras a lá moda Agostiniana?

    Em relação à mensagem propriamente dita: sim, São Pedro falou pela boca do Santo Padre; a nossa sociedade está realmente numa “cultura”, muito “underground” por sinal, contra a Verdadeira Cultura que é a de Cristo. Só adulteraria a frase a seguir: “..esta cultura, na qual a mentira se apresenta na veste da verdade e da informação…” >> “…esta cultura, na qual a mentira se apresenta na veste da verdade e do <>…”

    Que acham?

  4. Nossa, quase morri do coração quando vi a chamada da matéria no Twitter. Por um momento, pensei que fosse a resposta da Fraternidade, haha.Ufa!

  5. Tem gente que ainda afirma, sem nenhum escrúpulo, que o Papa Bento XVI estaria mergulhado no modernismo. Vai entender…

  6. Alex Antunes

    O sr observou bem, acredito que nossa sociedade é um grupo de zumbi pra lá e pra cá sem saber a finalidade da vida (Deus).

    Como bem observou, a situação das mulheres é pior, pois percebo que elas tem mais dificuldade, somado com má vontade, de entender a Sã doutrina (acho que foi por isso que a serpente tentou Eva) só aceitam o que convém e viram presas fáceis de doutrinas gnósticas sentimentalista.

    Meu ponto de vista é qua a mudança da sociedade virá pela catequese infantil, enquanto a cabeça está despoluida das ideologias mundanas, e os católicos tradicionais precisam ter mais filhos, essa geração vejo já como perdida.

  7. Durval, a observação do senhor é bastante pertinente!

    HUMANAMENTE FALANDO, a nova geração e as gerações anteriores da década de 60 à 90 é uma geração PERDIDA! Creio que dessas gerações nada de bom se possa esperar. Aí penso que entra o que o senhor disse de novas gerações criadas por casais católicos tradicionais ou tradicionalistas. Tais jovens tendo sido formados por uma mentalidade sadia e autenticamente cristã terão recebido as condições necessárias para serem sal e luz do mundo conforme o Evangelho, sem excluir a sua liberdade, é claro.

    Um tempo atrás eu partilhei aqui um vídeo de uma menina tradicionalista que entrou num convento nos EUA. Esse vídeo de certa forma exemplifica isso de que estamos falando da importância de uma formação cristã e católica a partir do lar, a partir da família.

  8. Que pena o vídeo foi removido, mas neste link se pode ver a moça de que falo antes de entrar para o Camelo. Nota-se pela sua postura e atitude a sua esmerada formação cristã e católica.

    Video – The Catekids #5: 6th and 9th Commandments

    http://airmaria.com/?sn=5&vp=22435&prefx=catk&plyrnb=1&ttl=The%20Catekids

  9. Caro Ferreti, se for oportuno gostaria de partilhar um vídeo mostra a moça de que falava e que entrou para o Camelo. O vídeo que a mostrava entrando no Carmelo foi removido. Mas neste outro, pode-se ver pela sua postura e atitude a esmerada formação cristã e católica que ela recebeu de sua família.
    Video – The Catekids #5: 6th and 9th Commandments

    http://airmaria.com/?sn=5&vp=22435&prefx=catk&plyrnb=1&ttl=The%20Catekids

    O vídeo antigo dizia em inglês

    Morgan Seifker, a excelente narradora de Catekids, entra no Carmelo de Jesus, Maria e José, em Valparaiso, Nebraska, EUA, na terça-feira da Oitava da Páscoa, 10 de Abril. Se, por um lado, temos a má notícia de que, no Carmelo, ela não poderá mais fazer o Catekids; por outro lado, temos a boa notícia de que agora a Irmã Morgan Seifker irá rezar por todos nós no Carmelo.

  10. Estou comovido com o li! Obrigado Santo Padre! Leia isso Fábio de Melo e cia. A “teologia” que vocês fazem é um escarro!

  11. Em tempo: “estou comovido COM O QUE LI!”

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