Tradileaks: as condições da FSSPX a Roma.

Fratres in Unum.com | Novo vazamento de informações na Fraternidade São Pio X. Mas, primeiramente, precisamos ressaltar a linha editorial adotada por este blog em relação inicialmente ao Vatileaks e agora ao Tradileaks:

O vazamento de dados confidenciais é um expediente odioso e subversivo, uma afronta ao quarto mandamento no que diz respeito aos deveres para com os superiores e um ato que atinge diretamente a ordem e a estabilidade das instituições, bem como o direito de cada um à privacidade. Igualmente odioso e de cumplicidade criminosa, é tornar-se porta-voz e ferramenta nas mãos dos que promovem estes atos.

Este blog tem procurado, em primeiro momento, não publicar documentos desta natureza, objetivando, evidentemente, não colaborar ainda mais para a sua disseminação. Por isso, nossos leitores não viram, nem verão, certos tipos de documentos (por exemplo, a carta escrita por Dom Fellay a Dom Williamson em outubro do ano passado) no Fratres in Unum.

No entanto, quando os fatos já estão consumados e nosso silêncio não tem nenhuma eficácia na limitação dos danos causados, então, só nos resta cumprir o papel ao qual nos propomos: informar aos nossos leitores. Esta é, diga-se de passagem, a conduta de qualquer meio de comunicação sério.

* * *

Circula na web uma carta assinada pelo Padre Christian Thouvenot, Secretário Geral, dirigida anteontem, 18, aos superiores de distritos, seminários e casas autônomas da Fraternidade São Pio X, em apresentação à declaração do Capítulo Geral, concluído no último dia 14. Nela, Padre Thouvenot relata que “em 9 de maio, [Dom Fellay] esteve em Roma, juntamente com o Primeiro Assistente [Padre Niklaus Pfluger], para pedir insistemente a Monsenhor Pozzo a garantia de poder continuar a denunciar os erros e os escândalos, caso a Santa Sé erija a Fraternidade canonicamente em Prelazia. A discussão fracassou, particularmente, sobre o reconhecimento da licitude do novo rito, ou seja, sobre a bondade dessa lei litúrgica e, por conseguinte, a legitimidade de celebrar segundo o rito de Paulo VI”.

A carta trata também da reunião cardinalícia de 16 de maio, que fez alterações ao texto do “preâmbulo Fellay”, supostamente aprovado de antemão pelo próprio Papa: “O exame do texto apresentado por Dom Fellay por uma assembléia de cardeais levou a substanciais pedidos de alterações (“além da questão litúrgica, o reconhecimento do Concílio Vaticano II e do magistério posterior para assim compreender a continuidade com o magistério anterior, a exclusão de nossa referência ao juramento anti-modernista e a introdução de referências ao novo Catecismo, etc.). Estes pedidos foram entregues ao nosso Superior Geral na quarta-feira, 13 de junho. Imediatamente, Dom Fellay respondeu que não poderia assinar tal declaração. Estamos, então, de volta ao ponto de partida”.

O Secretário Geral da Fraternidade declara ainda que o Capítulo Geral definiu os pré-requisitos para uma eventual regularização canônica:

Seriam condições sine qua non para um entendimento aliberdade para guardar, transmitir e ensinar a sã doutrina do Magistério constante da Igreja e da Verdade imutável da Tradição divina; a liberdade para defender, corrigir, repreender, mesmo publicamente, os fautores de erros ou inovações do modernismo, do liberalismo, do Concílio Vaticano II e suas consequências”. E mais: “usar exclusivamente a liturgia de 1962. Manter a prática sacramental que temos atualmente (incluindo: ordens, confirmação, casamento)”. A última condição essencial seria a “garantia de ao menos um bispo”.

Haveria ainda “condições desejáveis”. A Fraternidade gostaria de ter seus “tribunais eclesiásticos próprios em primeira instância”, assim como “isenção das casas da Fraternidade Sacerdotal São Pio X em relação aos bispos diocesanos” e uma “Comissão Pontíficia em Roma para a Tradição em dependência [direta] do Papa, com maioria dos membros e presidência para a Tradição”, pedido este já realizado pelo próprio Dom Marcel Lefebvre em 1987.

E conclui o Padre Thouvenot, com  algumas considerações acrescentadas a pedido de Dom Fellay: “A Casa Geral está bem ciente dos problemas e inquietações — muitas vezes exageradas, que puderam ser causadas por algumas ambigüidades, ambigüidades que Roma esclareceu apenas recentemente, especialmente com a resposta da Congregação para a Doutrina da Fé em 13 de junho. Dom Fellay é, de toda forma, grato a Roma por finalmente ter esclarecido verdadeiramente a sua posição, o que permite agora lidar com os problemas mais facilmente. Que doravante nossas forças se unam, e que se pare de julgar temerariamente o próximo, assim como de se insultar uns aos outros impunemente.

11 comentários sobre “Tradileaks: as condições da FSSPX a Roma.

  1. Roma está tomada! Já que este ato odioso e criminoso veio ao público, resta-me dizer: – Mãe, segurai o braço pesado de Vosso Filho por mais tempo, para que mais almas possam ser salvas!

    Os pecados dos altos prelados da Igreja já clamam aos Céus! Sendo eu pecador tão mais odioso, não quero mais pecar, porque não desejo que meus pecados aumentem o clamor aos Céus. Que Deus tenha misericórdia de nós. Amém.

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  2. As condições são extremamente tímidas para quem tem a Verdade contra a mentira mesmo na modalidade de ambiguidade e para quem defende o Direito Divino ante a usurpação do homem no lugar de Deus e perante a Sua Esposa. Teriam de exigir não um bispo, mas um cardeal automático como era o de Milão e ainda com poder de veto no conclave como o tinha o imperador da Áustria, o qual nos deu São Pio X. Os filhos da luz são mesmo menos espertos. Vejam como Dom Muller escarnece da fraternidade, fazendo exigências abusivas e até debochadas, porém, a fraternidade vai lá pedir menos do que já tem. É incrível! Coitado de Nosso Senhor! A fraternidade tem de confiar que uma dezena com Deus e por Deus vale mais do que um exército inimigo de milhões ou do que o inferno inteiro no lado contrário.

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  3. Enquanto o “preâmbulo doutrinal” era ambíguo, todos defendiam que o Papa havia permitido a FSSPX de rejeitar o Concílio, mas quando ele se tornou claro e que reivindicava um assentimento de fé ao Concílio Pastoral, agora todos culpam seus subordinados ou que esses influenciaram uma mudança no Santo Padre. Mas a grande questão é justamente:

    A qual propósito serve todas essas ambiguidades?

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  4. Se as condições “sine qua non” e as “desejáveis” fossem todas concedidas, aí seria caso para se reconsiderar verdadeiramente a situação. Eu disse reconsiderar, ou seja, pesar mais uma vez os prós e os contras.
    Mas do jeito que está escrito, eu não vejo como os cardeais aprovarem

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  5. Tem gente aqui que acha que a FSSPX tem o direito divino de mandar na Igreja. Alguns precism voltar as lições de catecismo, e relembrr que o único que governa a Igreja é o Papa em conjunto com seu episcopado. Trocaram a FSSPX ple Igreja: que pena!!!

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  6. As exigências conditio sine qua non são bastante razoáveis. Basicamente correspondem a tudo que a FSSPX tem defendido publicamente. Vejam que a própria Fraternidade opera um recuo semântico, preferindo a expressão “fatores de erro ou inovações” do modernismo, do Concílio e etc. Do ponto de vista estritamente lógico, a indicação de um condicionamento ao objeto da crítica que a FSSPX pleiteia, faz-nos pressupor que há “fatores de acerto”, com os quais o modernismo, o Concílio e tudo quanto podem ser “doutrinariamente domados”. Ou seja, a FSSPX quer liberdade para criticar, conforme a sua proposta, os fatores de erro, sem que isto implique em deslegitimar o Concílio como um ato herético ou coisa que o valha. Fatores estes que podem ser perfeitamente traduzidos por “espírito do Concílio”, que levou as últimas consequências o modernismo despudorado, que pisoteia na Doutrina da Igreja, inclusive – eis a triste ironia – do próprio CVII. Cada vez me convenço mais de que os membros da FSSPX vão defender a natureza pastoral do CVII, ainda mais se assinarem algum preâmbulo doutrinal nos próximos meses, com a qual, inclusive, eu concordo. De qualquer forma, isto denota uma sutil aproximação da FSSPX à hermenêutica da continuidade de Bento XVI. Algo que pode indicar uma continuação nas discussões entre Roma e Êcone, para horror da súcia modernista, que já comemorava um virtual fracasso.

    Agora, as condições “desejáveis”, veja bem… Claramente extrapolam o bom senso, pois dariam um estatuto de privilégios a FSSPX de que nenhuma ordem dentro da Igreja. Nem a Obra tem tamanhas regalias. Certamente não devem ter agradado nos corredores do Vaticano.

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  7. Precisamos estar sempre convicto. Que a Fraternidade São Pio X. Nunca quiz; e nunca vai querer mandar na Igreja. Ela segue a Sua doutrina infalível, a qual nunca pode errar. Quando alguém quer formar uma igreja paralela à católica. Logo devemos riscar do nosso “vocabulário”.
    Quando alguém, deixar de obedecer os seus legítimos pastores, para seguir o seu próprio parecer. Este não é mais católico.
    Mas é bom lembrar, que a obediência, é uma virtude moral. Ela pode cair no excesso. Quando o filho, desobedece o pai, todos nós deveríamos reprovar tal atitude. Mas, quando o mesmo, não obedece por tratar de um pecado. Sua atitude é louvável. Quando uma pessoa, não obedece uma autoridade eclesiástica, por não estar conforme a doutrina de sempre. Todos nós, deveríamos louva-lo por tal atitude exemplar.
    Qualquer novidade, que estar em contradição, com a doutrina de sempre, não só podemos, mas também devemos rejeita-la. Caso contrário, cometeremos um pecado de omissão.
    Joelson Ribeiro Ramos.

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