O nevoeiro de Dom Müller.

Se, baseado na Teologia Dogmática do Arcebispo Ludwig Gerhard Müller, você quiser descobrir o que é a Santa Missa, o resultado fará sua cabeça pegar fogo. O Arcebispo Ludwig Gerhard Müller — o polêmico prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé – se expressou várias vezes sobre o caráter sacrifical da Missa.

Dom Gerhard Müller, novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Dom Gerhard Müller, novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

 Kreuz.net | Tradução: Fratres in Unum.comPorém,  “que as suas declarações sobre o caráter sacrifical da missa estejam em harmonia com o ensinamento da Igreja, pode-se dizer, no mínimo, que isso é questionável “. O sitio ‘pius.info’ [portal da FSSPX na Alemanha] ilustrou isso no dia 10 de agosto.

Onde fica o Sacrifício?

Dom Müller trata dessa questão em seu livro incoerente “Katholische Dogmatik: für Studium und Praxis der Theologie” [“Dogma católico: para o estudo e prática da teologia”] entre as páginas 706 e 709.

Ele aborda de maneira muito próxima as teorias do Padre Odo Casel († 1948) que foram rejeitadas pelo Papa Pio XII. († 1958). De maneira grandiloquente ele escreve:

“Na Eucaristia o sacrifício da Cruz se torna presente, tanto em sua singularidade histórica como em sua validade atual e não mais passível de ser revogada (unindo as dimensões do passado, presente e futuro).

Uma vez que o sujeito real da Eucaristia é o mesmo sujeito do sacrifício na Cruz, Jesus se traz à memória, no ato simbólico estabelecido por Ele, de sua própria comunidade e comunica a sua presença. A Eucaristia não é uma comemoração subjetiva dos discípulos, na qual eles se recordam de Jesus.

Em vez disso, a Eucaristia é uma memória real objetivamente: Jesus, trazido à mente, se faz presente na palavra e na celebração da ceia. Assim, ele deixa os discípulos tomarem parte na entrega de Si mesmo ao Pai no Espírito Santo e na koinonia / comunhão (intermediada pelo Espírito) com o Pai […] “

Em última análise, apenas uma ceia

O portal de internet ‘pius.info’ faz a seguinte crítica:

De acordo com Mons. Müller, “a Eucaristia parece ser efetivamente uma ceia, na qual um sacrifício é meditado.” E: “Não existe algo como um ato sacrifical, um novo sacrifício de Jesus Cristo.”

Para o “pius.info”, este é o “reverso da doutrina católica, segundo a qual a Missa é primeiramente um sacrifício, seguida por e ligada a um banquete – a Sagrada Comunhão”.

O discurso pomposo do Arcebispo Müller sobre o ‘memorial real objetivamente” remete ao Padre Casel. Ele queria – de acordo com o sítio ‘pius.info’ – provavelmente escapar da condenação de Trento de que a Missa não é uma “simples memória”.

Presente em vez de tornar presente

Dom Müller escreve ainda: “A Eucaristia nada mais é do que o Sacrifício da Cruz no modo de sua presença sacramental”. Mas ele obscurece imediatamente essa afirmação. Porque: Jesus “através dos dons eucarísticos para sua Igreja, como o Filho do Pai encarnado, crucificado e ressuscitado em espírito […] e, assim, faz da Igreja o que ela é, o Corpo de Cristo”.

Ele não conhece a Tradição

Em seu livro “A Missa – fonte de vida cristã”, Dom Müller menciona admitidamente a opinião de que o caráter sacrifical da Missa consiste no oferecimento separado do corpo e do sangue de Cristo.

Ele rejeita essa afirmação como uma mera concepção de teólogos individuais. Este é, na realidade, o ensinamento de Pio XII.

É significativo o fato de ele não dizer uma palavra sequer sobre a Encíclica “Mediator Dei”.

Uma enorme selva de blá-blá-blá

Dom Müller coloca a sua própria teoria similar a essa na página 125:

“Portanto, vemos o sinal sacramental do sacrifício de Cristo e a Igreja na representação e comemoração da proclamação dos atos salvíficos de Deus (anamnesis). Conforme o mandado de Jesus Cristo, isso se realiza no uso das palavras da Última Ceia, quando nós, nas palavras sobre os dons (Oração Eucarística) efetivamente entramos em diálogo de amor entre o Pai e o Filho no Espírito e recebemos o alimento Eucarístico, o amor de Deus por nós, e podemos, com seu poder, responder ao Deus amoroso. A Missa é um sacrifício na palavra de Cristo, que é a Palavra de Deus para nós, e aceita a nossa resposta a Deus enquanto ele vincula de maneira inseparável palavra e resposta em sua pessoa”.

Neste caso, segundo o sítio  ‘pius.info’, a Missa parece ser essencialmente uma refeição, durante a qual o sacrifício de Cristo é concebido e se torna presente por causa da presença de Cristo e da proclamação de sua morte. Na página 196, ele escreve que a “realização do sacrifício na Cruz […] através da Palavra ocorre de uma maneira especial na Oração Eucarística”.

Uma outra estrutura

O portal ‘pius.info’ resume as diferenças entre a Missa Católica e a Eucaristia dos modernistas.  Na Missa, há a seguinte estrutura:  Oblatio (apresentação) – immolatio (imolação sacramental) – consummatio (comunhão).

Na celebração da Eucaristia [ndr: como os modernistas preferem chamar], a seguinte estrutura é revelada: “Benção do alimento” – “Ação de graças comemorativa” – “partilhar e comer o pão.”

Clareza consoladora

Comparado ao nevoeiro teológico disseminado pelo Arcebispo, as palavras do Papa Pio XII na encíclica “Mediator Dei” são de uma consoladora clareza:

“É preciso enfatizar cada vez mais que o sacrifício eucarístico é, segundo a sua própria natureza, a imolação incruenta da Vítima divina, que é manifesta de uma maneira mística através da separação das espécies sagradas e por sua oblação ao Pai eterno.”

15 Comentários to “O nevoeiro de Dom Müller.”

  1. Gente, eu não canso de me chocar com D. Muller. Alguém me explica por que o papa Bento fez isso?

  2. CDF – Congregação para Demolição da Fé

  3. Que tiro no pé a eleição deste bispo para prefeito da CDF! O pior é que futuramente ele será criado cardeal e também poderá ser papável! Deus nos guarde dos maus pastores, nos dê sacerdotes conforme o seu coração! Regina apostolorum, ora pro nobis.

  4. Quanta dificuldade para dizer o que os simples e humildes de coração sempre souberam. O orgulho faz as pessoas quererem explicar o Mistério, se embananam e acabam falando o que não deviam.

    – Dom Muller, o senhor tem FÉ ou precisa da Ciência para enter o Mistério da Santa Missa?

    – Quanta confusão, voltas, volteios, remendos. Basta crer em Jesus, seu Bispo.

  5. Vão mexer nos dogmas. E pra quem tem razoável memória, muitos da hierarquia ja defendem coisas contrárias as verdades de Fé faz tempo. As forças estão se movimentando. O que diz a profecia de La Salette?? Mas isso n pode ser dito, pq certos Catóilicos n suportam ouvir: http://aparicaodelasalette.blogspot.com.br/2009/02/uma-pergunta-sobre-frase-roma-perdera.html

    Em Fátima Nossa Senhora NÃO citou Missa, mas rosário e jejum. Enfim, tem tb na Bíblia muitas coisas. Mas quem lê Bíblia hoje em dia?? O negócio minha gente é ir curtir uma night para desencalhar.

  6. Perguntar não ofende. Será que Deus deixaria SUA IGREJA consagrar aquilo que não existe por mais de 2 mil anos?

  7. Gente, eu não canso de me chocar com D. Muller. Alguém me explica por que o papa Bento fez isso?

    Vinicius,

    Alguém comentou aqui uma vez: – O Santo Padre faz isso porque ele é coerente! Ele quer guiar uma carruagem com dois cavalos que se rechaçam mutuamente. Um cavalo é a Tradição, outro é o progressismo. Quando um cavalo avança mais que o outro, ele puxa a rédea, quando o outro avança, faz o mesmo, com isso, ele tenta agradar a todos. Hora ele martela a Tradição, outrora martela o progressismo.

    Quanto a nós, agora, querer ver isso é outro história! Ou, ver isso e querer assumir que viu, é outra história! Coragem, Pedro precisa de nós!

  8. É mais fácil entender alemão do que o “pensamento” dele.
    Esse estilo me fez lembrar o nosso meloso padre ao referir-se à Eucaristia.

  9. E porque o progressismo deveria fazer parte do cenário?????????????????

  10. Ainda bem que ele está plena comunhão.

  11. “Alguém comentou aqui uma vez: – O Santo Padre faz isso porque ele é coerente! Ele quer guiar uma carruagem com dois cavalos que se rechaçam mutuamente. Um cavalo é a Tradição, outro é o progressismo.”

    Já está péssimo. A fé católica é seguida por poucos resistentes. E depois que Bento XVI se for, aí sim, o cavalo do progressismo galopará alegremente e sem freios rumo a demolição total da fé.

    Santa Maria, Rogai por nós!

  12. O embaraço teórico de D. Muller é o atestado de sua inépcia para figura a frente de tão importante dicastério. Mas se Bento XVI assim o quis – e, falem o que quiser, mas Bento XVI é o melhor papa da Igreja desde Pio XII – deve ter lá as suas razões. Não duvido da fé do nosso papa, tampouco de sua inteligência. De qualquer modo, essas asserções de D. Muller mostram muito mais um homem decididamente desorientado quanto a tua fé – o que não deixa de ser tristemente irônico, afinal, este homem é o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé – que parece, pouco a pouco, se afastar daquele perfil de modernista herege e rançoso para um quadro de desorientação quase tão lamentável quanto.

    A clareza medianeira da Santa Missa se evidencia na centralidade do sacrifício aos pés do calvário, a renovação da união de sangue que uniu os homens a Deus. Todo o embaçamento quanto o conceito central da Santa Missa deriva de mentalidades aturdidas por excesso de erudição mal diluído pela tíbia formação clerical. Bento XVI é um homem de sapiência indiscutível, mas tem para si, antes de tudo, que é um padre da Santa Igreja. E nisto se iguala aos Santos Doutores, pois jamais pôs a vastidão do conhecimento do mundo sobre o conhecimento que se transmite pela Tradição da Santa Igreja, a expressão viva e real da presença de Deus entre os homens.

    Que D. Muller aproveite à privilegiada proximidade com o Sumo Pontífice e dela extraia lições para desenlaçar tantos desatinos e imprecisões de suas ideias. Se a fumaça de satanás entrou na Igreja, entrou pela cabeça de homens como D. Muller, que não se conformam diante da inquebrantável Tradição e buscam reinventar o que mais precisa ser preservado e amado.

  13. “Em Fátima Nossa Senhora NÃO citou Missa, mas rosário e jejum.” – Ana Maria Nunes

    Tudo dito, para um bom entendedor! Nada mais haveria a acrescentar!

  14. FRATRES
    O que esperar dessa igreja conciliar?
    Justamente a Sgda. Congregação para a Doutrina da Fé, justamente essa Congregação que deveria zelar pela integridade da Fé, é presidida por um bispo, no mínimo “dúbio” (para não ficar feio – e desagradar os “neo-con” por chmá-lo de seu nome verdadeiro: HERÉTICO)???
    Quem nomeou este senhor?
    Por acaso, este senhor “chamou a atenção” do bispo e do padre da “missa maçônica”?
    Ah, não me digam que estão “espantados”!!!
    Noooooooooossaaaaaaaa
    Essa é a igreja conciliar!
    Isso mesmo a igreja que saiu da desgraça do “concílio das maravilhas”, a mesma igreja do “sóbrio e intelectual” bispo de S. Carlos/SP, do equilibrado e educadíssimo bispo de Uberaba/MG, do ecumênico e maçônico bispo de Jales/SP, sem falar no “viajante” e desavisado bispo de Pesqueira, no bispo da mitra penosa, e claro, evidentemente, no bispo “Vera Fischer” mambembe…uiiiiii
    Essa aí é a igreja dessa gente.
    Nada que se espantar!
    A nossa Igreja é a Santa Igreja, fundada por Nosso Senhor e solidificada pelos Santos Apóstolos, que essa gente modernista/liberal/maçônica insiste em querer destruir.
    Basta que rezemos e não nos deixemos iludir nem pelas aparências, nem pelos discursos, nem por lindas imagens!
    Queremos exemplos e atitudes!
    Atitudes de Homem corajoso, de Pai responsável!
    Chega de choramingos, de resmungos e de “beicinhos”!
    Queremos atitudes de Homem de Fé!
    Está mais que na hora de dar um basta nessa gente.
    Caso contrário, o fim está próximo!
    Guardemos nossa Fé.

  15. Ainda restam dúvidas de que esse homem se encontra muito longe da fé católica ????????

    E o santo padre ainda exige que obedeçamos um herege a frente da CDF ?

    Não dá ! Católicos unamo-nos contra os inimigos de Deus que invadiram a cidade santa!