Sancte Augustine, ora pro nobis!

Oração de Santo Agostinho

Vós sois, ó Jesus, o Cristo, meu Pai santo, meu Deus misericordioso, meu Rei infinitamente grande; sois meu bom pastor, meu único mestre, meu auxílio cheio de bondade, meu bem-amado de uma beleza maravilhosa, meu pão vivo, meu sacerdote eterno, meu guia para a pátria, minha verdadeira luz, minha santa doçura, meu reto caminho, sapiência minha preclara, minha pura simplicidade, minha paz e concórdia; sois, enfim, toda a minha salvaguarda, minha herança preciosa, minha eterna salvação.

Ó Jesus Cristo, amável, Senhor, por que, em toda minha vida, amei, por que desejei outra coisa senão Vós? Onde estava eu quando não pensava em Vós? Ah! que, pelo menos, a partir deste momento, meu coração só deseje a Vós e por Vós se abrase, Senhor Jesus! Desejos de minha alma, correi, que já bastante tardastes; ó, apressai-vos para o fim a que aspirais; procurai em verdade Aquele que procurais.

Ó Jesus, anátema seja quem não Vos ama. Aquele que não Vos ama seja repleto de amarguras. Ó doce Jesus, sede o amor, as delícias, a admiração de todo coração dignamente consagrado à vossa glória.

Deus de meu coração e minha partilha, Jesus Cristo, que em Vós meu coração desfaleça, e sede Vós mesmo a minha vida.

Acenda-se em minha alma a brasa ardente de vosso amor e se converta num incêndio todo divino, a arder para sempre no altar de meu coração; que inflame o íntimo de meu ser, e abrase o âmago de minha alma; para que no dia de minha morte eu apareça diante de Vós inteiramente consumido em vosso amor. Assim Seja.

Publicado originalmente na festa de Santo Agostinho de 2010.

Tags:

4 Comentários to “Sancte Augustine, ora pro nobis!”

  1. Essa era a oração de Santo Agostinho…. e a do clero, hoje, qual é?

  2. Ó Jesus, anátema seja quem não Vos ama. Aquele que não Vos ama seja repleto de amarguras.

    Que isso Santo Agostinho? Que coisa feia! Que coisa mais anti-ecumênica! Que pensa que é para dizer que a humanidade deve amar somente a Cristo? Não leu a Nostra Aetate não? Ah, vá beijar o Alcorão para ver se aprende a ser mais amável com os irmãos separados na fé! Vou falar pro Vaticano te convidar para Assis IV e “orar em união” com aqueles que não amam Jesus! Temos que compreender aqueles que não amam a Cristo, eles têm direito de escolher qualquer religião, pois o que importa é fazer bem e amar uns aos outros.

    Sabe Santo Agostinho, suas palavras são muito agressivas, são cheias de rancor! O senhor não tem amor pelas pessoas, afinal, nunca ouviu falar das “sementes do Verbo” não? O senhor tem que amar mais as diferenças, nem todos são iguais e Deus ama todos indistintamente. Temos que ver o que há de bom em todas as religiões e andarmos juntos pela paz no mundo.

    Decepcionante sua atitude Santo Agostinho!

  3. Estava escutando uma homilia sobre Santo Agostinho, pela internet, e o padre lembrava estas palavras do santo:

    “Tinha-vos pedido a castidade, nestes termos: ‘Dai-me a castidade e a continência; mas não já. Temia que me ouvísseis logo e me curásseis imediatamente da doença da concupiscência que antes preferia suportar que extinguir.” Confissões, capítuloVIII, 7.

    Depois o padre fez uma comparação entre Santo Agostinho e a geração de hoje, que podemos chamar de uma geração perdida, uma comparação entre o mundo da época de Santo Agostinho e o mundo de hoje. Quantas semelhanças! Apesar de ter levado uma vida de tantos pecados, ele se tornou um grande santo pela graça de Deus. Por isso ele é chamado de Doutor da Graça, porque através de sua própria experiência ele, ele pode saber que é só pela graça de Deus que o pecador (todos nós pobres filhos de Eva) podemos atingir a santidade, nunca pelos nossos próprios esforços; pois eles são fracos demais para uma obra tão ingente, tão gigantesca. (A conclusão são palavras minhas).

    Quantas mentes brilhantes poderiam servir a Deus através de sua conversão também no mundo de hoje.

  4. Alguns trechos das Confissões de Santo Agostinho que mostra a sua luta para vencer a concupiscência ou a luxúria.

    “Mas todas ‘as lamentações que rugiam do fundo do meu coração’ iam ter aos vossos ouvidos; diante de Vós estava o meu desejo, mas a luz dos Vossos olhos não estava em mim.’ (Sl 37, 9-11).” VII, 8 p.150

    “Em seguida aconselhado a voltar a mim mesmo, recolhi-me ao coração, conduzido por Vós. Pude fazê-lo, porque Vos tornastes meu auxílio.” VII, 10 p.153

    “Quem conhece a Verdade, conhece a Luz Imutável, e quem a conhece, conhece a Eternidade. O amor conhece-a!” VII, 10 p.134

    “Deslumbrastes a fraqueza da minha íris, brilhando com veemência sobre mim. Tremi com amor e horror.” VII, 10 p.154

    “Era arrebatado para Vós pela Vossa Beleza, e logo arrancado de Vós, pelo meu peso, para me despenhar, gemendo, sobre as ínfimas criaturas. Este peso eram os hábitos da luxúria.” VII, 17 p.158

    “O verdadeiro caminho, que é o Salvador, encantava-me, mas ainda me repugnava enveredar por seus estreitos desfiladeiros.” VIII, 1 p.165

    “Narrei-lhe os labirintos do meu erro.” VIII, p.167

    “Tinha-vos pedido a castidade, nestes termos: ‘Dai-me a castidade e a continência; mas não já. Temia que me ouvísseis logo e me curásseis imediatamente da doença da concupiscência que antes preferia suportar que extinguir.” VIII, 7 p.179

    “Dizia dentro de mim: ‘Vai ser agora, agora mesmo.’ E pelas palavras caminhava para a decisão final. Estava a ponto de a cumprir, e não a cumpria. Já não recaía nas antigas paixões, mas estava próximo delas e respirava-as.” VIII, 11 p.184

    “Retinham-me preso bagatelas de bagatelas, vaidades de vaidades, (…).” VIII, 11 p.184

    “Então, não poderás fazer o que estes e estas fizeram? É porventura por si mesmos que estes podem fazer? Não é por virtude de seu Deus e Senhor? Foi o Senhor Deus quem me entregou a eles. Por que te apóias em ti, ficando assim instável? Lança-te n’Ele e não cairás. Lança-te confiadamente e Ele recebendo-te curar-te-á.” (sobre a castidade) VIII, 11 p.185

    Confissões de Santo Agostinho

    Editora Vozes

    Tradução de J. Oliveira Santos e A. Ambrosio de Pina, Petrópolis, 1992

    http://alexbenedictus-et-patensis.blogspot.com.br/2011/11/excertos-das-confissoes-de-santo.html