O Papa na Missa de Abertura do Ano da Fé: retornar aos textos do Concílio para encontrar o seu verdadeiro espírito.

Agora, porém, temos de voltar para aquele que convocou o Concílio Vaticano II e que o inaugurou: o Bem-Aventurado João XXIII. No Discurso de Abertura, ele apresentou a finalidade principal do Concílio usando estas palavras: «O que mais importa ao Concílio Ecumênico é o seguinte: que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz. (…) Por isso, o objetivo principal deste Concílio não é a discussão sobre este ou aquele tema doutrinal… Para isso, não havia necessidade de um Concílio… É necessário que esta doutrina certa e imutável, que deve ser fielmente respeitada, seja aprofundada e apresentada de forma a responder às exigências do nosso tempo» (AAS 54 [1962], 790791-792). Até aqui, a citação do Papa João XIII, na inauguração do Concílio.

À luz destas palavras, entende-se aquilo que eu mesmo pude então experimentar: durante o Concílio havia uma tensão emocionante, em relação à tarefa comum de fazer resplandecer a verdade e a beleza da fé no hoje do nosso tempo, sem sacrificá-la frente às exigências do presente, nem mantê-la presa ao passado: na fé ecoa o eterno presente de Deus, que transcende o tempo, mas que só pode ser acolhida no nosso hoje, que não torna a repetir-se. Por isso, julgo que a coisa mais importante, especialmente numa ocasião tão significativa como a presente, seja reavivar em toda a Igreja aquela tensão positiva, aquele desejo ardente de anunciar novamente Cristo ao homem contemporâneo. Mas para que este impulso interior à nova evangelização não seja só um ideal e não peque de confusão, é necessário que ele se apóie sobre uma base de concreta e precisa, e esta base são os documentos do Concílio Vaticano II, nos quais este impulso encontrou a sua expressão. É por isso que repetidamente tenho insistido na necessidade de retornar, por assim dizer, à «letra» do Concílio – ou seja, aos seus textos – para encontrar o seu verdadeiro espírito; e tenho repetido que neles se encontra a verdadeira herança do Concílio Vaticano II. A referência aos documentos protege dos extremos tanto de nostalgias anacrônicas como de avanços excessivos, permitindo captar a novidade na continuidade. O Concílio não excogitou nada de novo em matéria de fé, nem quis substituir aquilo que existia antes. Pelo contrário, preocupou-se em fazer com que a mesma fé continue a ser vivida no presente, continue a ser uma fé viva em um mundo em mudança.

Se nos colocarmos em sintonia com a orientação autêntica que o Bem-Aventurado João XXIII queria dar ao Vaticano II, poderemos atualizá-la ao longo deste Ano da Fé, no único caminho da Igreja que quer aprofundar continuamente a «bagagem» da fé que Cristo lhe confiou. Os Padres conciliares queriam voltar a apresentar a fé de uma forma eficaz, e se quiseram abrir-se com confiança ao diálogo com o mundo moderno foi justamente porque eles estavam seguros da sua fé, da rocha firme em que se apoiavam. Contudo, nos anos seguintes, muitos acolheram acriticamente a mentalidade dominante, questionando os próprios fundamentos do depositum fidei a qual infelizmente já não consideravam como própria diante daquilo que tinham por verdade.

Se a Igreja hoje propõe um novo Ano da Fé e a nova evangelização, não é para prestar honras a uma efeméride, mas porque é necessário, ainda mais do que há 50 anos! E a resposta que se deve dar a esta necessidade é a mesma desejada pelos Papas e Padres conciliares e que está contida nos seus documentos. Até mesmo a iniciativa de criar um Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização – ao qual agradeço o empenho especial para o Ano da Fé – enquadra-se nessa perspectiva. Nos últimos decênios tem-se visto o avanço de uma “desertificação” espiritual. Qual fosse o valor de uma vida, de um mundo sem Deus, no tempo do Concílio já se podia perceber a partir de algumas páginas trágicas da história, mas agora, infelizmente, o vemos ao nosso redor todos os dias. É o vazio que se espalhou. No entanto, é precisamente a partir da experiência deste deserto, deste vazio, que podemos redescobrir a alegria de crer, a sua importância vital para nós homens e mulheres. No deserto é possível redescobrir o valor daquilo que é essencial para a vida; assim sendo, no mundo de hoje, há inúmeros sinais da sede de Deus, do sentido último da vida, ainda que muitas vezes expressos implícita ou negativamente.

Da homilia do Santo Padre, o Papa Bento XVI, na Santa Missa de abertura do Ano da Fé – 11 de outubro de 2012.

28 Comentários to “O Papa na Missa de Abertura do Ano da Fé: retornar aos textos do Concílio para encontrar o seu verdadeiro espírito.”

  1. “O Concílio não excogitou nada de novo em matéria de fé, nem quis substituir aquilo que existia antes. Pelo contrário, preocupou-se em fazer com que a mesma fé continue a ser vivida no presente, continue a ser uma fé viva em um mundo em mudança.”
    Então, a letra do CVII deve ser interpretada de modo a não alterar nada do que a Igreja sempre ensinou?

  2. Então, a letra do CVII deve ser interpretada de modo a não alterar nada do que a Igreja sempre ensinou?

    Parece bricadeira mas é o óbvio. O grande problema do Vaticano II é que tudo que lá foi decidido não foi executado, fez-se tudo na mais avassaladora anarquia. Hoje já quase nada sobra, a Igreja está morrendo de inanição, há cinquenta anos não se alimenta das Verdades reveladas por Nosso Senhor.

    O Papa fala e ninguém o ouve, desses Bispos da foto quantos prestaram atenção nele? Tudo vai continuar como está, o Papa vacila e não toma atitudes enérgicas, a coisa está bastante solta…

    Precisamos de um novo Pentecostes, rezemos.

  3. “Mas para que este impulso interior à nova evangelização não seja só um ideal e não peque de confusão, é necessário que ele se apóie sobre uma base de concreta e precisa, e esta base são os documentos do Concílio Vaticano II, nos quais este impulso encontrou a sua expressão.”

    É aquela história: DOBRAR A DOSE DO REMÉDIO ERRADO PARA VER SE DÁ CERTO.

  4. O grande problema do Vaticano II é que tudo que lá foi decidido não foi executado
    Mentira! Basta ler os documentos!!! Está tudo muito claro lá.

  5. Então, a letra do CVII deve ser interpretada de modo a não alterar nada do que a Igreja sempre ensinou?
    Bruno, o CVII foi um plano comuna maçom para esvaziar a Fé de dentro pra fora da Igreja. Toda e qualquer afirmação em favor do CVII, venha de que quem vier, é continuação do plano de esvaziar a Fé. A coisa é clara, é impossível afirmar que o CVII seja Católico. Mas, n foi o comuna mor que disse que: uma mentira exaustivamente repetida acaba virando verdade? É isso que querem fazer com o CVII.

  6. Amigos (as),

    Me expliquem como se eu tivesse seis anos: A Igreja não pode se contradizer na sua doutrina, certo? Ok, mas, um Papa pode contradizer outro em suas opiniões ou análises? Um Papa pode negar ou contradizer partes de um Concílio? Até onde vai a autoridade de um Papa nesses pontos?

    Pergunto isso porque o texto do Vaticano II é fraco, ambíguo , contraditório( palavras do Pe. Paulo Ricardo, um neo-conservador!!) e que por isso precisa de uma interpretação “Católica, ortodoxa”. Assim, vai Papa, vem Papa e eles não só reafirmam o Concílio como uma “exelente primavera”, “um sonho de verão”, “um sopro do Espírito pra os tempos modernos da Igreja “( Palavras minhas), mas dizemque devemos levá-lo ainda mais à termo e afirmam que o erro foi de interpretação e nenhum deles fala com um realismo e uma dose certa de pessimismo. Estou errado?

    Com essa visão do Papa, acabou-se qualquer possibilidade de acordo da FSSPX e a Igreja.

  7. …não é para prestar honras a uma efeméride, mas porque é necessário, ainda mais do que há 50 anos!

    Mas Jesus disse-lhe: Deixa que os mortos enterrem seus mortos; tu, porém, vai e anuncia o Reino de Deus. (São Lucas 9,60)

  8. Calma, gente! O Pedro é ele! Não somos nós! A Igreja está fundamentada nele! O que o Papa falou é coerentíssimo! Vamos perceber mais profundamente o que esse homem está fazendo de forma admirável e constante: uma “revolução” cultural ao contrário. Ele está destruindo os fundamentos podres que se levantaram após o concílio e que dão embasamento para o “deserto” que vemos hoje, e colocando no seu lugar o VERDADEIRO alicerce. De fato, ele está sendo o Pedro sobre o qual a Igreja se edifica. Agradeçamos ao Todo-Poderoso por este Papa. E outra coisa: existe sim um movimento intenso de renovação na continuidade. Isso que o Papa pede o Espírito tem provocado na Igreja. Talvez nós não tenhamos notícia dessas coisas, porque não vemos o orbe espiritual. Mas, sem ansiedades. A barca é de Pedro. Contentemo-nos em ser seus tripulantes agradecidos.

  9. Por isso, o objetivo principal deste Concílio não é a discussão sobre este ou aquele tema doutrinal… Para isso, não havia necessidade de um Concílio…

    Mas um concílio só serve para isso,para discutir questões doutrinais,não existe um concílio que seja só pastoral e não dogmático…o contrário disso,é não ser concílio!

  10. O Syllabus condena a afirmação : “O Pontífice Romano pode e deve conciliar-se e transigir com o progresso, com o Liberalismo e com a Civilização moderna (erro 80).”

    Mas o Vaticano II diz: “As alegrias e as esperanças do homem de hoje… são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo… Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao género humano e à sua história. (Gaudium et Spes)”

    PIo IX condena a afirmação que “no culto de qualquer religião podem os homens achar o caminho da salvação eterna e alcançar a mesma eterna salvação.” (erro 16 do Syllabus)

    Mas o Vaticano II declara: ” Por isso, as Igrejas (19) e Comunidades separadas, embora creiamos que tenham defeitos, de forma alguma estão despojadas de sentido e de significação no mistério da salvação. Pois o Espírito de Cristo não recusa servir-se delas como de meios de salvação cuja virtude deriva da própria plenitude de graça e verdade confiada à Igreja católica. ” (Declaração Unitatis Redintegratio)

    Pergunta-se: Esta é a “base concreta e precisa” com a qual a Igreja pretende apresentar a fé cristã ao mundo de hoje? Ou será que o Syllabus não passa de uma “nostalgia anacrônica” revogada?

  11. Ele está destruindo os fundamentos podres que se levantaram após o concílio
    Podre é a letra do CVII. Basta ler para saber”

    A barca n é de Pedro!! Pedro APENAS comanda. Se Pedro leva a barca para o outro lado, temos o direito de abir a boca e falar. Jamais serei uma tripulante agradecida se Pedro n me confirma na Fé.

  12. O problema de alguns aqui é trocaram o Papa que é o cabeça da Igreja pela FSSPX. Tenho acompanhado as excelentes matériase comentários publicados no Fratres e tenho a impressão que poucos que postam nesse blog já tiveram a oportunidade de ler e estudar os textos autênticos do Concílio Vaticano II. Suponho que a maioria tenha lido apenas as críticas ao Vaticano II feitas pela FSSPX e por outros grupos radicais. Sugiro àqueles que nunca leram os documentos que deixem o preconceito de lado e os leiam. Tenho certeza que aqueles que o fizerem deixarão de enxergar no Concílio o monstro pintado por D. Lefebvre e seus seguidores. O Concílio Vaticano II segue a mesma linha dos anteriores e apresenta a mesma fé católica e apostólica em toda sua ortodoxia. A doutrina católica é imutável em seus pontos dogmáticos. Os Papas assistidos pelo Espírito Santo possuem plenos poderes para alterar tudo aquilo que não é dogmático. Assim , quem conhece a história da Igreja verificará que diferentes Papas, motivados pelas circunstâncias, tempos históricos e locais, tiveram opiniões diferentes sobre temas não dogmáticos. Assim sendo, temas como a Liberdade religiosa, o ecumenismo, a colegialidade e a liturgia nunca foram fixos e o magistério dos Papas a respeito desses temas sempre variou no decorrer da história eclesiastíca. A Igreja é a mesma, entretanto o magistério é variavél em seus aspectos não dogmáticos. O Syllabus e as encíclicas não são documentos dogmáticos, assim como a maior parte dos assuntos neles tratados . Esses documentos integram o magistério ordinário e variavél da Igreja, os quais se encontram ligados diretamente aos Papas que inspirados pelo Espírito Santo (que sopra onde quer e como quer) governa a Igreja da melhor forma de acordo com os tempos e circunstâncias.

  13. As divergências e incoerências do Concílio Vaticano II estão aí pra qualquer um que não seja cego ver… só não enxerga quem tem muita má fé ou sei lá , o diabo cegou.

    Ou então é como a ANa Maria disse acima.. ”
    Mas, n foi o comuna mor que disse que: uma mentira exaustivamente repetida acaba virando verdade? É isso que querem fazer com o CVII. ..

    já faz 50 anos e não consigo sinceramente engolir as contradições desse concílio que trouxe sim a fumaça de satanás pra dentro da Igreja como afirmou o Papa Paulo VI .

    Isso é fato . .

  14. Cleir:
    Logo mais abaixo, no mesma Unitatis Redintegratio 3:
    “Porque só pela Igreja católica de Cristo, que é o meio geral de salvação, pode ser atingida toda a plenitude dos meios salutares. Cremos também que o Senhor confiou todos os bens da nova Aliança ao único colégio apostólico, a cuja testa está Pedro, com o fim de constituir na terra um só corpo de Cristo.”

    E depois, na Dominus Iesus 16:
    “Com a expressão « subsistit in », [LG 8] o Concílio Vaticano II quis harmonizar duas afirmações doutrinais: por um lado, a de que a Igreja de Cristo, não obstante as divisões dos cristãos, continua a existir plenamente só na Igreja Católica e, por outro, a de que « existem numerosos elementos de santificação e de verdade fora da sua composição »,isto é, nas Igrejas e Comunidades eclesiais que ainda não vivem em plena comunhão com a Igreja Católica. Acerca destas, porém, deve afirmar-se que « o seu valor deriva da mesma plenitude da graça e da verdade que foi confiada à Igreja Católica”.

    E eis a mesma citação no § 17:
    “Por isso, as próprias Igrejas e Comunidades separadas, embora pensemos que têm faltas, não se pode dizer que não tenham peso no mistério da salvação ou sejam vazias de significado, já que o Espírito Se não recusa a servir-Se delas como de instrumentos de salvação, cujo valor deriva da mesma plenitude da graça e da verdade que foi confiada à Igreja Católica”

    Seria só inclinação da simpatia ou poderíamos afirmar a literalidade, no texto, da doutrina continuada? Estou fazendo uma pergunta sincera. Ao contrário, seria má vontade, ou teríamos que ver literalmente a ruptura da tradição da Igreja? A gente vive seliconando partes, para defender interesses….

  15. Certos textos do Concílio contradizem e/ou relativizam o ensino CONSTANTE da Igreja em matéria de colegialidade, ecumenismo e liberdade religiosa, e Bento XVI, sem corrigi-los, insiste em reduzir tudo a mera falta de entendimento. Cleir, sua pequena coletânea acima exemplifica um pequeno exemplo de como, colocando em duas colunas a Doutrina que sempre foi ensinada e a doutrina conciliar, as duas se contradizem.
    A realidade está posta de maneira solar, e querem nos convencer de que não estamos vendo o que está à nossa vista.
    Francisco de Melo e Silva – que postou acima – é um destes. Ele já esteve aqui antes, e defendeu teses exatamente previstas e condenadas pela Pascendi. Mas como ele só crê no que a situação estabelece, então certamente já relativizou a Pascendi, assim como relativizaria todos os textos do Vaticano II, caso algum novo papa ensinasse uma doutrina nova acerca deles.
    O Concílio Vaticano II não foi o nascedouro do modernismo. A Igreja não estava bem e só virou uma bagunça por causa do Concílio, ninguém aqui é ignorante para achar que o Concílio é a causa de tudo. O Vaticano II foi o MEIO, foi o instrumento utilizado para dar voz aos modernistas infiltrados, que naqueles tempos já eram muitíssimos, e estavam diluídos pela hierarquia e pelas dioceses mundo afora. Quando há 100 anos São Pio X condenou o Modernismo, isso não significa que o modernismo nasceu naquele momento; significa que há 100 anos o modernismo foi mensurado POR ALTO, foi detectado em determinados ambientes, e foi constatada a sua adesão em vários níveis. São Pio X constatou um fato e o condenou.
    Ou será que acham que foi assim “oi, sou o modernismo, acabei de nascer e fui condenado pela Igreja. FIM”?
    A maçonaria há muuuito tempo antes já havia cantado a pedra… Já havia prometido que destruiria a Igreja através da infiltração de seus pares.

    Conta-se que, uma vez o papa São Pio X recebeu em audiência um bispo francês que se dirigiu a Roma especialmente para denunciar um irmão de episcopado por ter descoberto que o mesmo era maçom.
    São Pio X, longe de se espantar, disse ao bispo. “Meu filho, não só este bispo, mas fulano, sicrano, beltrano, etc etc”, e foi dizendo vários nomes de prelados maçons, para escândalo do bispo fiel.
    O bispo então disse: “Mas santidade, e o senhor não fará nada contra eles?”
    Ao que respondeu o papa: “Meu senhor, estes bispos se tornaram para mim inimigos de meu conhecimento. Melhor que eu conheça meus inimigos, pois se eu os destituir, a maçonaria depois colocará maçons que eu desconheço”
    Ou seja: meus amigos eu os quero próximos. Meus inimigos eu os quero ainda mais próximos…

  16. Não sei de Sua Santidade e dos exmos. Bispos, mas cada vez que retorno aos textos do Concílio, encontro um verdadeiro desdizer, com textos que dizem e não dizem, afirmam e não afirmam, e um verdadeiro desânimo em consumir essa literatura tão subjetiva. Em qualquer bula papal oitocentista, pau é pau, pedra é pedra. Nos textos pós-Concílio, o pau pode ser pedra, a pedra pode ser pau, e deve haver amor, respeito e fraternidade entre os dois elementos!

  17. O Pe. Hunwicke ( http://liturgicalnotes.blogspot.com.br/2012/10/tutissimus-index-1-eodem-sensu-eademque.html ), referindo-se a outra alocução de Bento XV que traz a mesma citação de JXXIII, observou que na edição inglesa do Compêndio do CVII, falta a qualificadora “certa e imutável” (tradução meia-boda do latim “eodem tamen sensu eademque sententia”). Tive a pachorra de verificar nos AAS e na edição brasileira (de 1968) do Compêndio. Em latim, está lá. Em português, como em inglês, sumiu.
    Pelo visto o Santo Padre vai ter que mandar preparar outra edição típica do CVII, com traduções novas; o que já era difícil de ler de maneira ortodoxa, sabemos agora, foi traduzido faltando pedaços.

  18. ” Se o Demônio aparecesse como realamente é, os homens fugiriam escapando de suas garras”. Da mesma forma, as heresias de hoje se caracterizam pela sua “ambiguidade”. Aliás, o próprio Nosso Senhor, ao falar do lobo que se tranvesti de pastor, já anuncia a maneira de se enganar as ovelhas. No texto que trata dos sinais do fim dos tempos, ressalta sobre os que se diriam vir em nome dEle, fazendo prodígios e milagres como Ele. Que poderiam até enganar os escolidos. Portanto, não cabe ambiguidade em Deus. Não se pode servir a 2 senhores. É impossivel durante a Santa Missa, que cristão e não cristãos prestem culto ao Verdadeiro Deus. Recordo de um episódio curioso, que ao final da Santa Missa( ordinária), um pastor protestante (evangelico) foi convidado para que junto com o padre (presidente da celebração), desse a benção final. Imagine a cena como foi. Realmente Nosso Senhor nao veio causar mais divisão, mas a unidade na verdade. Realmente precisamos de um novo Pentecostes, pois São Pedro, mesmo depois da Vinda do Paráclito foi advertido pelo outrora perseguidor e hieraquicamente subordinado a ele, o Apóstolo Paulo. Teve a humildade de rever seus erros. Quantas almas que estão perdendo a Fé, devido a essa ambiguidade religiosa? O morno, causa vômito, diz o Senhor.

  19. Gaudium et Spes diz: 52 ….. Os cientistas, particularmente os especialistas nas ciências biológicas, médicas, sociais e psicológicas, podem prestar um grande serviço para bem do matrimónio e da família se, juntando os seus esforços, procurarem esclarecer mais profundamente as condições que favorecem a honesta regulação da procriação humana.

    Qual Concílio da Igreja ensinou isso antes do CVII? NENHUM!

    O CVII cita mesmo coisas da Fé Católica, mas em inúmeros parágrafos ele apresenta uma NOVA fé. A fé no homem. Já dizia a Bíblia: maldito homem que confia em outro homem… e mais: Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.

    O problema de alguns aqui no Fratres é que vivem de suposição, imaginação e piada!

  20. “Contudo, nos anos seguintes, muitos acolheram acriticamente a mentalidade dominante, questionando os próprios fundamentos do depositum fidei a qual infelizmente já não consideravam como própria diante daquilo que tinham por verdade”.

    Então, foi mais ou menos como o próprio Concílio foi feito:

    “Uma falsa definição traz a desordem. Consideremos agora a ausência de definição. Muitas vezes procuramos e pedimos a definição de “Colegialidade”. Nunca chegamos a um acordo. Muitas vezes pedimos que nos definissem “Ecumenismo”. Eles nos respondiam a mesma coisa pela boca dos Secretários das Comissões. “Nós não fazemos um Concílio Dogmático, nem procuramos definições filosóficas. É um Concílio Pastoral que se dirige ao mundo inteiro. Seria portanto inútil dar aqui definições que não seriam compreendidas”.

    ““Era insensato — continua Dom Lefèbvre — reunirem-se os bispos sem conseguir sequer definir os termos das questões debatidas” (Págs. 154, 156).

    Mais adiante, na página 158 lemos: “Há um outro assunto que também deveria ter sido definido de maneira muito exata: as Assembléias ou Conferências Episcopais. (grifo do autor). O que é uma Assembléia Episcopal? Que representa ela? Quais são seus poderes? Qual é o objetivo de uma Conferência Episcopal? Nunca pôde alguém defini-la. O próprio Papa disse que veríamos na continuação, ou veríamos depois, na prática, como se poderiam definir e delimitar as atribuições das Conferências. E assim lançaram-se todos na prática sem saber o que era uma Conferência Episcopal, aonde chegaríamos sem sabermos para onde nos dirigíamos. Isto foi de uma gravidade extrema. Evidentemente, essas Assembléias Episcopais, quanto mais crescer sua importância e seus poderes, e seus direitos, mais esmagarão os bispos. Assim, o episcopado que é o arcabouço verdadeiro da Igreja de Nosso Senhor desaparece com o crescimento dessas Conferências””. Um testemunho precioso – Dom Marcel Lefebvre

    Lembro ainda que, muito se fala do Concílio e do pós-Concílio, mas do pré-concílio, onde teólogos já negavam os fundamentos da fé e falavam mesmo em “Abater os bastiões da Igreja”, foram condenados por Pio XII e posteriormente elevados a Cardeais, isto não teve nenhuma influência sobre o Concílio?

    Quando a insistência na letra do Concílio, a exegese espiritual, era uma doutrina onde os crentes receberiam uma iluminação direta do Espírito Santo, para entender os textos sacros, e me parece que é isso que se espera na insistente defesa e sugestão dos textos conciliares. O fracasso dos 500 anos de protestantismo, não foi suficiente para o seu autor, ninguém mais ninguém menos que o principal alvo da Humani Generis: Henrici De Lubac.

  21. Complementando o comentário:

    O texto “Um testemunho precioso” foi escrito por Gustavo Corção, e esta disponível na Permanência: http://permanencia.org.br/drupal/node/318

    Ainda sobre o acolhimento acrítico da mentalidade dominante, o que se pode dizer quando os ex-alunos do Papa saem do encontro, e dizem que “Ninguém possuí a fórmula do ecumenismo”? Como pode se fazer algo para o qual não se possuí definição ? O problema é o conceito de tradição, ou seja, o ecumenismo é uma experiência que ainda carece de experiência….

    Abaixo segue o texto em italiano, publicado em Vatican Insider…

    http://vaticaninsider.lastampa.it/homepage/vaticano/dettaglio-articolo/articolo/17853/

    Nessuno possiede la formula dell’ecumenismo

    CASTEL GANDOLFO
    Concluso l’incontro degli ex allievi di Ratzinger sui temi del dialogo tra i fratelli cristiani. Sull’Osservatore Romano un intervento sull’Osservatore Romano

    REDAZIONE
    ROMA

    È la visione profetica dell’ecumenismo quella che più è rimasta impressa nella mente degli ex allievi di Benedetto XVI – riuniti nel cosiddetto Ratzinger Schuelerkreis – a conclusione del tradizionale seminario estivo nel Centro Mariapoli di Castel Gandolfo, dopo aver partecipato ieri mattina alla messa presieduta dal Pontefice.

    Lo spiega all’Osservatore Romano il vescovo Barthelemy Adoukonou, segretario del Pontificio Consiglio della Cultura, facendo un primo bilancio delle giornate di studio e di riflessione alle quali ha preso parte.

    Il presule sottolinea innanzi tutto che nell’omelia, pronunciata a braccio, il Papa è andato al fulcro principale di quanto discusso durante l’incontro e ha lanciato una sorta di grido di allarme.

    Le parole di Benedetto XVI sono state chiare quando ha detto che non abbiamo più il coraggio di credere o parlare di verità. Agli occhi di molti, affermare di avere la verità equivale a essere intolleranti.

    In effetti il Pontefice ha sottolineato – precisa il vescovo africano – che nessuno può dire di possedere la verità, perchè essa è un dono di Dio e pertanto siamo noi che apparteniamo a essa e non noi ad averla.

    D’altronde – sottolinea monsignor Adoukonou – anche nelle discussioni è stato più volte notato che il nostro tempo è intollerante.

    Quanto al tema dell’ecumenismo, a cui è stato dedicato quest’anno l’incontro degli ex allievi di Joseph Ratzinger, esso implica una lettura del peccato e della rottura dell’unità: tutti siamo colpevoli – afferma il segretario del Pontificio Consiglio della Cultura riassumendo il senso della discussione – e pertanto dobbiamo tornare a confessare i nostri peccati per lasciare che la verità di Dio continui la sua opera di redenzione del mondo.

    Questa premessa – sottolinea il presule – “porta a concludere che fare teologia in ambito ecumenico non è un affare per pochi intellettuali, ma è un fatto che comprende e riguarda tutta la cristianità. Significa pentirsi insieme per ricominciare a credere in Dio. Grazie al suo amore, possiamo insieme riconoscere il nostro peccato e celebrare la purificazione della memoria”.

  22. Para o sr. Francisco de Mello, tudo que não é dogma está ao livre-arbítrio dos Pontífices, que podem mexer e remexer, promulgar e abrogar, ensinar e contradizer o quanto quiserem, pois eles são Soberanos — soberania entendida como absolutismo, o Papa quase como um déspota religioso, algo totalmente alheio à Fé Católica: o Papa, também ele, está sujeito ao Depósito da Fé, e não é dele mais que um guardião, e não dono.

    Pois bem, ensinou o Papa Pio XII, na encíclica Humani Generis, contra os neomodernistas que relativizavam tudo que não era dogma (e com os quais faz coro hoje o sr. Francisco Mello):

    “Nem se deve crer que os ensinamentos das encíclicas não exijam, por si, assentimento, sob alegação de que os sumos pontífices não exercem nelas o supremo poder de seu magistério. Entretanto, tais ensinamentos provêm do magistério ordinário, para o qual valem também aquelas palavras: “Quem vos ouve a mim ouve” (Lc 10, 16)”;

    Entendeu, sr. Francisco? Inclusive para o magistério ordinário dos Pontífices dos séculos XVIII ou XIX acerca da liberdade religiosa, ecumenismo, etc, TAMBÉM VALE A MÁXIMA “QUEM VOS OUVE A MIM OUVE”. E não consta que Jesus Cristo tenha mudado de idéia, nem no século I, nem no XVIII, muito menos em 1962…

    Padre Francisco Ferreira: a questão não é a do CVII ter textos bons e verdadeiros; o problema é a falta de coesão de todo o Concílio. A própria Dignitatis Humanae, que promulga a liberdade religiosa e o direito de todo fiel de crer e não crer, professando em público sua crença/descrença, afirma que a religião católica é a verdadeira.

    São Pio X dizia que a verdadeira dificuldade em relação ao modernismo é justamente a de dizer algo em um parágrafo e afirmar o contrário, ou ao menos relativizar o que foi afirmado, logo depois. É o desdém do princípio da não contradição.

  23. Destaco algumas passagens ditas pelo Santo Padre em outro discurso:” Poucas vezes na história”, disse o papa, “foi possível, como então, quase tocar concretamente a universalidade da Igreja, em um momento da grande realização da sua missão de levar o Evangelho até os confins da terra em todos os tempos”. Por causa do grande acúmulo de esperança que difundiu, o concílio foi um “evento de luz que irradia até hoje”.

    Fica impossível admitir que de fato o CV II seja um evento de luz dados os seus frutos ainda que se diga que foi um erro do interpretação o que ocorreu por que então não aconteceu o mesmo com Trento , Vaticano I , etc ? Dizer que poucas vezes na istória , pelo amor de Deus ? O CVII é então o ápice da istória da Igreja ???? É preciso rir para não derramar-se em lágrimas.

    “Quando o concílio foi convocado pelo beato papa João XXIII, em 1959, três anos antes da abertura dos trabalhos, não havia na Igreja “nenhum erro particular de fé a ser corrigido ou condenado, nem questões específicas de doutrina ou de disciplina a ser esclarecidas”. Grande, portanto, foi a surpresa dos cardeais diante do anúncio do papa João XXIII.”

    Não existia erro de fé nem de doutrina ? Isso é mentira deslavada e o modernismo , a nova teologia , o método critico na exegese , as ideias do Pe Teilard ? Bento XVI está de brincadeira ?

    Dizer que a Igreja deveria se desprender do passado , que a definição de Pio XII sobre a relação Igreja e estado jpá não estava mais a altura daquele tempo é afirmativa próxima do erro do evolucionismo da fé.

  24. Caro Marcelo G.

    Você caiu numa contradição gigantesca. Quem não obedece as palavras do Papa Pio XIi ? Eu ou você? Você, pois Pio XII como bom católico faz referência ao magistério vivo da Igreja que encontra expressão no magistério ensinado pelo Papa do momento presente. Você segue o magistério da FSSPX ( que nem magistério possui). Aí está o seu erro e o da FSSPX: escolhem dentre os mais de 200 Papas o magistério daqueles que lhe interesam de acordo com suas convicções (geralmente Pio IX e Pio CX) ,e depois dizem que esse é o pensamento da Igreja de sempre. Por que vc e a FSSPX não aceitam o magistério após o Concílio Vaticano II? Todo católico seja ele leigo, religiosos ou membro do clero está obrigado a se sujeitar e obedecer ao magistério do Papa. Mas de qual Papa se tivemos mais de 200? A resposta é muito simples e clara: a do Papa atual., Por que? É uma questão de fé: como somos católicos de verdade, a tradição da Igreja nos ensina que o Papa atual foi escolhido por Deus para governar a igreja e para isso ele gopza e é assistido pelo Espírito Santo para ensinar.
    Por isso a atitude da FSSPX é tão contraditória e tão próxima do Protestantismo. A FSSPX~rejeita o magistério pós Vaticano II. Quem é a FSSPX para fazer isso? Ninguém. Em que ela se baseia? No princípio da Livre escolha protestante , que a torna apta para escolher qual magistério papal deve seguir de acordo com suas convições pessoais, isso tudo justificado pela sua própria concepção daquilo que ela mesma julga ser a tradição, esquecendo-se completamente do que a Igreja diz através do Papa. Lamento informar , mas isso não é ser católico. Ser católico é saber que temos um Papa na terra escolhido diretamente por Deus que conta com o seu auxílio para governar a Igreja e por isso, devemos -lhe obediência e submissão irrestrita, com uma única exceção: o católico não está obrigado a obedecer o Papa apenas quando esse ensina algo contrário aos dogmas da Fé e da moral católicas, ou seja, algo que contradiga as verdades imutáveis ( dogmáticas) da Fé católica . Assim nos ensina a verdadeira Tradição.

  25. Marcelo,
    Como você fala eu entendo e concordo. A Igreja tem direito e obrigação de garantir que todo o corpo do seu ensinamento seja um. Então talvez o Papa pudesse pegar essas partes de difícil coesão ou de possiveis interpretações errôneas e dar uma arrumada, esclarecendo-lhes e garantindo-lhes a literal continuidade do ensinamento.
    Uma coisa eu também concordo com “Pedro Pelogia”: a Igreja precisa ser mais pontual em seus escritos, direta no assunto, preto no branco… Eu tenho percebido isso nas homilias do Papa e tenho procurado fazer o mesmo nas minhas.

  26. Padre Francisco de Mello, acabei de ler sua resposta ao meu comentário. Posso lhe responder com segurança que o problema dos textos do CVII não são os trechos “ortodoxos”,como estes que o senhor citou, mas os trechos AMBÍGUOS (REPITO: AMBÍGUOS) que desdizem aquilo que foi dito há uma página atrás. Penso ser muita ingenuidade da parte de um conciliarista ignorar que nos documentos do CVII foram usadas as mesmas táticas dos modernistas do tempo de São Pio X. Ora, é mais que sabido que a tática modernista é introduzir sentenças ambíguas misturadas no meio de um texto quase (eu disse quase) ortodoxo.
    De fato, sempre que eu debato com conciliaristas, ninguém se atreve a entrar nesta questão: A AMBIGUIDADE dos textos. Qualquer conciliarista que se presta a defender o CVII vai logo apontando os trechos “ortodoxos” dos documentos. Considero isto uma falta de honestidade intelectual, pois não ataca a raiz do problema.
    Um exemplo disto e constata nesta passagem da Unitatis Redintegratio. Ora, se as falsas religiões podem ser “meios de salvação” (ainda que sob dependência da Igreja Católica) o problema de fundo permanece, qual seja: O RELATIVISMO RELIGIOSO pelo qual se cre que eu possa seguir qualquer religião indiscriminadamente, uma vez que qualquer uma delas me conduziria à salvação. E dizer que a Igreja Católica é a única que teria a “plenitude” dos meios desalvação em nada contribui para a conversão de um apóstata. Isto porque o liberalismo moderno assume a máxima de Maquiavel que diz que “os fins justificam os meios”. Portanto, se posso atingir o fim ( a salvação) por um meio imperfeito, não haveria necessidade nem obrigação moral de se adotar o meio mais perfeito. E tudo isto contradiz a Doutrina Cristã.
    Veja, padre, que não estou “selecionando” nada. Somente me coloco no lugar do apóstata ou herege para raciocinar em cima do que o CVII. Se eu fosse um protestante ou ateu, jamais me animaria a me converter a Igreja Católica com sentenças formuladas assim nesta perspectiva liberal e naturalista.

  27. Estimado Pe. Francisco, é justamente isso o que se espera da Igreja. Que esclareça os pontos difíceis e conflitantes do Vaticano II, preservando o caráter orgânico do Magistério e assegurando a própria credibilidade da Igreja docente. Afirmar gratuitamente que, por exemplo, a tese de tolerância religiosa consolidada por Pio XII não é mais adequada à nossa época, sem explanar as razões de tal afirmação, é algo concebível apenas em um sistema totalitarista, em que o déspota fala e os súditos acatam de maneira servil. Esta não é a Igreja de Cristo, ainda mais em uma época em que se enfatiza a colegialidade episcopal e a “emancipação” dos leigos.

    Francisco de Mello e Silva: o senhor é um verdadeiro fanfarrão. Primeiro, porque é um obcecado pela FSSPX. O assunto agora é a FSSPX? Nem vou contar quantas vezes você a citou em seu comentário. Simplesmente ridículo, mostrando que você é outro influenciado ou mesmo alienado por um bispo sem prestígio (com todos, inclusive os “plena comunhão”) do norte-fluminense, outro que não tira a FSSPX da boca… Sr. Francisco, isso só mostra o seu desespero, sua vontade infatil de ganhar a discussão “no grito”, desqualificando os oponentes.

    Por isso, não vou adotar o seu método e ficar atacando o seu “bispo-magistério-vivo” sem credibilidade (ele, que se gaba de ser o único bispo tradicional em comunhão com Roma, e que nunca é chamado para os eventos importantes dos tradicionalistas em Roma. Vide a recém anunciada conferência sobre liturgia que ocorrerá em Roma em 2013).

    Vamos aos argumentos, dos quais você foge:

    É o senhor quem não obedece as palavras de Pio XII. É o senhor que aqui mesmo defendeu que os assuntos polêmicos do Concílio não foram definidos ex cathedra pelos Papas anteriores, por isso poderiam ser mudados ao bel prazer dos Papas posteriores.

    A sua noção de Magistério não é Católica. No máximo, é uma noção totalmente liberal em que o que vale é a tese do partido dominante. Se amanhã vier outro, mude-se à vontade.

    O magistério vivo da Igreja é orgânico e não admite mudanças ao livre-arbítrio pelos encarregados do munus docenti; por isso o Vaticano II não é livre para mudar o que bem entende e passar por cima do Magistério pontíficio anterior. Pois, como disse Pio XII, quem ouviu o magistério de Pio IX ou de Pio CX, que você cita — seja lá quem for este Papa saído da sua imaginação — OUVIU A VOZ DE JESUS CRISTO. E Jesus Cristo não mudou de idéia sobre a liberdade religiosa, o ecumenismo, a colegialidade.
    O que os fiéis católicos fazem — e não só a sua amada FSSPX — é desconhecer esta voz que ensina novidades. Afinal, nós conhecemos a voz do pastor. Aliás, posição adotada por muitos em “plena comunhão”, inclusive um certo Dom Antonio de Castro Mayer, tão esquecido no norte-fluminense que nem aparece mais em vídeos comemorativos.

    Por isso, quem escolhe 5 Papas pós-conciliares, contra todos os outros, criando uma oposição entre eles e os Papas pré-conciliares é VOCÊ, que admite que os primeiros são totalmente livres para fazer o que bem entender, sem se ater ao que disseram os últimos.

    Aliás, Bento XVI disse que a missa tradicional nunca foi abrogada e que todos os que quisessem rezá-la eram livres para tal. Paulo VI disse que a missa nova veio para substituir a antiga e que esta última não estava à disposição de quem a preferisse (Consistório de 24 de maio de 1976). Ambos são pós-conciliares e ambos caminharam em direções contrárias. Com qual você fica? Ah, sim, com o vivo, ou seja, com Bento XVI. Sorte que o seu bispo sem credibilidade não pensavam assim na décade 70, caso contrário teria largado de vez a missa tradicional para ficar com o magistério vivo de Paulo VI.

    E quando Bento XVI morrer? No período de sede vacante, os Católicos poderão sair por aí fazendo todas as estripulias, comentendo os maiores desvarios, pois só haverá então Magistério “Morto”, esperando que um novo Papa seja eleito para dizer o que mudou (ou não) em relação ao passado?
    Eu escolho todos os Papas, no Magistério Vivo orgânico da Igreja, que não pode se contradizer e nem ensinar hoje o que foi condenado ontem. Assim, dos Papas pós-conciliares, suspendo meu assentimento àqueles ensinamentos conflitantes (e só a estes) até que a própria Igreja esclareça com AUTORIDADE o assunto (coisa que não foi feita até agora, apesar da grande eloquencia e autoridade emanada pelo sr… Francisco).

    Da sua parte, sr. Francisco, resta ser uma cana agitada pelos ventos. Você, sr. Francisco, é SIMPLESMENTE UM MODERNISTA desorientado e retardatário, que aceita hoje o que os progressistas já aceitaram há 50 anos.

  28. Marcelo G., vc n contou as citações, mas eu contei. Vejamos:

    1º comentário:
    O problema de alguns aqui é trocaram o Papa que é o cabeça da Igreja pela FSSPX.
    Suponho que a maioria tenha lido apenas as críticas ao Vaticano II feitas pela FSSPX
    Tenho certeza que aqueles que o fizerem deixarão de enxergar no Concílio o monstro pintado por D. Lefebvre e seus seguidores.

    2º comentário:
    Você segue o magistério da FSSPX ( que nem magistério possui). Aí está o seu erro e o da FSSPX:
    Por que vc e a FSSPX não aceitam o magistério após o Concílio Vaticano II?
    Por isso a atitude da FSSPX é tão contraditória e tão próxima do Protestantismo.
    FSSPX~rejeita o magistério pós Vaticano II.
    Quem é a FSSPX para fazer isso?