Cardeal Danneels: Vaticano II rompeu com o passado.

Por The Tablet | Tradução: Fratres in Unum.com – A Igreja libertou-se de seu passado negativo e de “rejeição ao mundo” após o Concílio Vaticano II, afirmou um veterano Cardeal.

Em discursos proferidos na última semana na catedral de Clifton, em Bristol, e na Catedral de St. George, em Southwark, no sul de Londres, o Cardeal Godfried Danneels declarou que o Vaticano II representou uma “descontinuidade com o pensamento passado” comparável àquela do Concílio de Nicéia, em 325, quando o credo niceno foi formulado.

As suas observações, no entanto, parecem entrar em conflito com a análise do Papa Bento XVI de que o Concílio deveria ser compreendido como uma reforma dentro da continuidade. O Papa também critocou a “hermenênutica da descontinuidade” enquanto análise do Vaticano II.

O cardeal belga discursou dentro de uma série de conferências em ambas as dioceses por ocasião do início do Ano da Fé. Danneels, que esteve presente como perito no Concílio Vaticano II em 1962, disse aos ouvintes que o concílio demonstrou que as tradições e práticas da Igreja “não precisam, necessariamente, permanecer eternamente daquela forma [imutável]”.

30 Comentários to “Cardeal Danneels: Vaticano II rompeu com o passado.”

  1. é o que eu sempre disse… existe agora duas igrejas… só uma é verdadeira,qual será a verdadeira? a criada a poucos anos ou a que tem 2.000 anos? façam suas apostas!

  2. Esse Cardel é um BRINCALHÃO!!!

  3. Pois é…

    Se fosse alguém da Fraternidade a dizer tal coisa, logo alguém apareceria para afirmar que os díscipulos de Lefebvre não entenderam o Concílio, que têm uma visão distorcida da Tradição, que não entendem nada da natureza do Magistério da Igreja, e que, por tudo isto e por outras coisas mais, estão, e sempre estarão, em descomunhão com o Papa.

    Mas, se um cardeal Daneels o disser… Bem, aí é diferente. Afinal, ele é um católico liberal e julgá-lo (e condená-lo) por suas próprias palavras é coisa de gente fundamentalista, e, diga ele o que disser, jamais será excomungado ou excluído da “plena comunhão” com o Papa.

    Dois pesos e duas medidas…

  4. E agora católicos? E agora vocês que nos chamam de tudo quanto é nome? Como fica ao lerem um Cardeal falando exatamente o que Dom Marcel Lefebvre falou?

  5. Dois Bispos sentam-se no Tribunal:

    Arcebispo Lefebvre: – O Concílio Vaticano II rompeu com o passado!
    Juiz: – culpado!

    Cardeal Daneels: – O Concílio Vaticano II rompeu com o passado!
    Juiz: – inocente!

  6. Eduardo Gregoriano, vão apelar para doença da moda: bipolaridade!

  7. Eduardo Gregoriano,
    Muito boa postagem.
    Até hoje essa injustiça permanece: dois pesos e duas medidas.
    Os bispos que dizem que estão em comunhão com o Papa (vide o destrambelhado D. Roberto Ferreria)
    podem até reinterpretar os dogmas.
    Aos demais … o rigor do CDC

  8. Com um Cardeal assim , Belzebu pode continuar de férias, ele pode ficar bem tranquilo , na Igreja há gente demais trabalhando por ele.

    Este Cardeal acaba de mandar o Papa às favas, pois, disse tudo ao contrário de recente declaração papal.

    – Quem precisa de um Cardeal assim?

    – Belzebu, é claro, pois a coisa fica bem mais fácil, é só deixar rolar…

    Todos sabemos que o que ele disse é verdadeiro em seu aspecto mais nocivo, auto-demolição da Igreja, só que este Cardeal diz isto, com júbilo, grande satisfação, como se fosse a coisa mais positiva que poderia ter acontecido na Igreja.

    O Papa vacilante tenta ligar o presente ao passado mas seus porta-vozes dizem exatamente o contrário.

    Quem consegue entender?

    Precisamos continuar rezando muito pelo Papa, penitência também é bom.

  9. Acho que o Cardeal Danneels foi sincero e honesto no que afirmou.

  10. Entendi: ele é da direita, mas é da esquerda; gosta da Igreja Tradicional e da Teologia da Libertação também, ambas são ótimas. Igualzinho às seitas evangélicas…
    Pertenceria àqueles que julgam poder a Igreja relaxar um pouco mais com relação ao 2º matrimonio, por ex., nova chance, quem sabe dessa vez acertariam…
    Comporta-se como os que concorrem na Igreja a ganharem o Guiness Book do relativismo…

  11. Christiano

    Também acho que ele foi sincero, e mais, foi coerente. Coerente com o que el pensa sobre a Igreja, ou melhor, sobre esta seita que tomou a Santa Igreja e que nos faz reféns. Foi sincero com seu próprio erro, foi honesto ao dizer publicamente “sou um lobo de mitra!”.

  12. Eduardo,

    Não li toda a fala do cardeal, mas o resumo aqui apresentado não autoriza a sua leitura como a única possível, pois o cardeal fala em rompimento com formas e não doutrina.

    Além disso, se esse cardeal disse o mesmo que Lefebvre, então, você tem de admitir a frase inteira e afirmar que Lefbvre disse que “que o Vaticano II representou uma “descontinuidade com o pensamento passado” comparável àquela do Concílio de Nicéia, em 325, quando o credo niceno foi formulado.”

    Lefebvre achava isso de Nicéia?

  13. Não entendo toda essa discussão! O que o Cardeal está dizendo é que as “tradições” (com “t” minúsculo) podem ser mudadas. Ele não está falando da Tradição. Então, o que há de errado com isso? Alinha-se perfeitamente com a hermenêutica da continuidade do Papa Bento XVI.

  14. Comentário do Eduardo Gregoriano:

    “Dois Bispos sentam-se no Tribunal:

    Arcebispo Lefebvre: – O Concílio Vaticano II rompeu com o passado!
    Juiz: – culpado!

    Cardeal Daneels: – O Concílio Vaticano II rompeu com o passado!
    Juiz: – inocente!”

    Esse comentário expressa de maneira exata uma realidade para mim incomprensível, sendo, inclusive causa de minhas angústias… Por quê esse tipo de injustiça acontece dentro da Igreja de Cristo? Por quê existe essa política de “dois pesos e duas medidas”?

    As vezes gostaria que fosse possível fazer como certa criança brasileira fez – lembro ter visto em notícia publicada aqui no Fratres – onde, livrando-se dos seguranças e demais obstáculos sem que ninguem percebesse sua façanha, chegou diante do Santo Padre.
    Gostaria de fazer como essa criança…
    Neste momento lhe perguntaria: Beatíssimo Padre, POR QUE???
    Por que preâmbulos para uns e direção de congregações para outros?
    Uns, embora creiam no que sempre fora crido pela Igreja, não neguem dogma algum nem tampouco defendam heresias, são considerados “fora” da “comunhão” por suas posições “rebeldes”.
    Outros, embora promovam rebeldia e patrocinem verdadeiras rebeliões, neguem dogmas abertamente e defendam posições consideradas heréticas pela própria Igreja, como “punição” são elevados à púrpura ou à chefia de alguma congregação romana…

    Por que Santo Padre? Vossa Santidade o faz conscientemente, é levado a fazê-lo ou sequer sabe o que se passa?
    Gostaria de compreender…
    POR QUE?
    Por que?

  15. Lembram-se do julgamento do mordomo do Papa? No post da notícia, perguntaram o que a FSSPX tinha a ver com a notícia. Lembram-se?
    Outra pergunta: O Concílio de Nicéia foi uma ruptura com o passado da Igreja? Essa afirmação procede? Ou é “coisa” de modernista mesmo?

  16. Seria bom o Papa promover mais o conhecimento da hermenêutica da continuidade. Como já afirmei outras vezes, exige um esforço para entender. Na formação sacerdotal poderia constar em alguma disciplina pelo menos um crédito dessa hermenêutica para que se faça a leitura que o Papa deseja do Vaticano II e documentos posteriores.
    Quanto ao julgamento proposto pelo Eduardo Gregoriano, faltou a afirmação final de cada réu: “não podemos segui-lo” e “devemos segui-lo”, respectivamente. O julgamento não acontece por causa da afirmação da descontinuidade ou continuidade, mas pelo assentimento ao Concílio.
    Com o que afirmei no parágrafo acima não estou me manifestando em nenhum sentido sobre a obrigatoriedade ou não do Vaticano II, mas esclarecendo que as afirmações não são as mesmas e que o juízo não se dá pela hermenêutica adotada. Na visão do Papa, ainda que não advirta o Cardeal, ambos estão condenados, pois a hermenêutica de ambos é a mesma: a da descontinuidade. Creio que o Papa não queira que se siga o Vaticano II – mesmo que muitas vezes pareça “pisar na bola”, como em Assis ou na escolha do atual Prefeito da CDF – se a hermenêutica for a da ruptura e descontinuidade. Mas o Papa sabe melhor do que eu o que deve fazer! Pode parecer ingênuo, mas confio no Papa.

  17. Parafraseando:
    “Pode parecer ingênuo, mas confio em”… Deus.
    Pedro José.

  18. Libertar-se de seu passado “negativo” é o fato de no passado ter-se olhado apenas os aspectos negativos do paganismo, das religiões e das ideologias. O Vaticano II pretende olhar os aspectos positivos das religiões e das ideologias, como disse o Papa por ocasião da abertura do Ano da Fé. Não acredito que o Cardeal esteja discordando do Papa, mas em todo o caso o Dom da Infalibilidade foi prometido ao Papa, e não aos Cardeais, e a última palavra é a do Papa, e não a dos Cardeais. O dever e o direito de confirmar na Fé cabe ao Papa, e não aos Cardeais. Se o Papa ensina a Hermenêutica da Continuidade, é com o Papa que devemos ficar. O Dom da Infalibilidade é uma Prerrogativa do Papa e não dos Cardeais e nem dos Bispos. Uma questão que se impõe é a seguinte: seria o Magistério do Papa sempre Infalível? Poderia o Papa fazer uso de seu Magistério Extraordinário para impor à Fé de toda a Igreja aquilo que ele ensina Ordinariamente, em casos que seu magistério seja contestado?

  19. Revdo. Padre Marcelo Masi, não me parece ingênuo, antes demonstra uma santa humildade. Sempre me pareceu muito orgulhosa a atitude de quem confia mais em si mesmo do que no Papa.

  20. Minha internet está off, estou escrevendo agora do meu galaxy com teclado virtual, o que é muito difícil. Assim que meu sinal de internet voltar eu responderei as perguntas que me fizeram, embora não tenham, alguns, a mesma presteza comigo.

    E Pe. Marcelo, quem dera tivêssemos metade de sua elegância!

  21. Pe. Marcelo Gabert Masi, sua bênção!
    O senhor disse: Seria bom o Papa promover mais o conhecimento da hermenêutica da continuidade.

    Na formação sacerdotal poderia constar em alguma disciplina pelo menos um crédito dessa hermenêutica para que se faça a leitura que o Papa deseja do Vaticano II e documentos posteriores.

    Na visão do Papa, ainda que não advirta o Cardeal, ambos estão condenados, pois a hermenêutica de ambos é a mesma: a da descontinuidade.

    Creio que o Papa não queira que se siga o Vaticano II

    *******Padre, pra quê colocar seminarista pra estudar o que o papa n quer se segue? Estranhíssimo isso.

  22. “… Vaticano II representou uma “descontinuidade com o pensamento passado” comparável àquela do Concílio de Nicéia, em 325, quando o credo niceno foi formulado.” Essa frase desqualifica de vez esse Cardeal pois quer confirmar a teoria herética de que a Igreja foi adicionando “revelações” ao longo do tempo. O Concílio de Nicéia só confirmou a doutrina revelada contra o Arianismo.

  23. “A Igreja libertou-se de seu passado negativo”. Vejam até que ponto chega o cinismo e a dissimulação do alto clero. O que dizer da falência moral e de fé em países como Bélgica e Holanda?

  24. Qual o país mesmo deste Cardeal? Ahh sim, a Bélgica. Ainda existe Igreja lá? Soube que já foi um país católico. Lendo isso entendemos melhor o porquê.

  25. Romper com o passado qualquer dogma formal faz.

    Dogma da Imaculada Conceição rompeu com a tradição dos dominicanos, e mostrou o erro de S. Tomás de Aquino na Suma Teológica. Houve rompimento? Houve.

    Dogmas criar rompimentos e descontinuidades em algum ponto ou outro na vivência clerical. O Vaticano II iria fazer isso, como qualquer outro concílio.

    A continuidade é nos dogmas, na vivência da Fé, no crescimento de certeza de todos os preceitos da Fé. Em termos práticos, são descontinuidades SIM.

    O problema da fala do príncipe é que ele quer colocar conflito entre dogmas, concílios, etc., que absolutamente inexistem.

  26. Ana Maria,
    Desculpe-me por ter dificuldade de me expressar com clareza, fazendo inserções entre travessões ou vírgulas antes de concluir o período.
    Após o trecho entre os travessões está a parte que completa o que o Papa não quer. O Papa quer o Vaticano II lido sob uma hermenêutica da continuidade, mas não quer o que foi feito na América Latina, ou mesmo o que se percebe na Europa, por exemplo, que é uma leitura que não ajuda ao propósito oficial do Vaticano II (não posso negar os fatos tão documentados de propósitos extra-oficias, como a influência protestante e maçônica), que é a continuidade da doutrina de sempre para o ser humano contemporâneo. Como disse, não é minha intenção emitir um juízo favorável ou contrário ao seguimento desse Concílio. Reze por este padre miserável que no próximo dia primeiro completará mais um ano de serviço tão infiel a Nosso Senhor. Como não sou marxista, não penso na história como sucessão de rupturas, de modo que sei que os seminários que existem não serão todos fechados, não obstante a necessidade. O que Gramsci propõe para a esquerda e tem dado resultados que saltam aos olhos de todos poderia ser aplicado – “ipsa venena bibat” – para a transformação da sociedade. Houve um cardeal que se propôs colocar a FSSPX à frente de seu seminário. Mas é claro que enquanto isso não acontece fica bem compreensível a procura pelos seminários da própria Fraternidade.

    Eduardo Gregoriano
    Obrigado. Parabenizo-o também pela elegância que manifesta a este que mui temerosamente comentou seu comentário.

    Pedro José
    Certamente. Mas confiar no Papa não é confiar no homem, senão no Deus e homem Jesus Cristo que instituiu o papado. Claro que é uma confiança condicionada à confiança em Deus, como certamente é a confiança de todos os católicos.

  27. Israel TL, concordo!

  28. Pe. Marcelo Gabert Masi, sua bênção!
    Obrigada por me ensinar a ler depois do travessão. Tenho que prestar mais a atenção e n comentar com presa, pq coloquei a frase do senhor Incompleta.
    O que eu queria dizer para o senhor era: pra quê colocar seminarista pra estudar o que o papa quer que se segue e ele pisa na bola?
    Mas, deixa pra lá, o senhor me desculpe, vejo ruptura desde 1789 em tudo.

    Deus o guarde e conte com as minhas orações.

  29. Comentar com pressa.

  30. O RELATIVISMO NA ATUALIDADE É DE PRAXE
    Sabemos que a Igreja sofre de infiltrações de comunistas, protestantes e maçons que têem muitas afinidades entre si, desde a década de 30, ordenada pessoalmente por Stálin, relatado de imediato por 2 ex agentes Bella Dodd e Yuri Bezmenov, ao ponto de o papa Paulo Vi dizer que a fumaça de Satanás havia entrado na Igreja; há suspeitas no V II que documentos foram redigidos capciosa-propositadamente no sentido de a prejudicar. assim como movimentos religiosos disfarçados de cristãos católicos foram criados e infiltrados nesse intuito, mais explícitos a Teologia da Libertação, doutrina socializada para induzir ao comunismo e os grupos RCCs não seguidores de normas da Igreja, os grupos “auês”, das missas-shows, exorcismo etc., que são protestantes pentecostais disfarçados de católicos, e mais movimentos dissensos a partir de dentro com a intenção de a implodir.
    Imaginemos quanta ideologia niilista em forma de verdadeira doutrina da Igreja tem sido disseminada no meio do povo, tudo isso com ajuda de muitos pseudos ordenados da Igreja.
    Parece-me que há ex membros da Igreja, como os da Teologia da Libertação querendo transformar a Igreja católica em frações autônomas, como em seitas protestantes, em que cada um relativiza a fé a seu modo.