Vaticano, o hábito faz o monge.

Uma circular interna assinada pelo Cardeal Bertone convida a todos os eclesiásticos que trabalham na Santa Sé a usar a batina preta ou o “clergyman”.

Por Andrea Tornielli | Tradução: Fratres in Unum.com

Outubro de 2010: Dom Moacir Grechi, bispo emérito de Porto Velho, se apresenta à paisana em visita 'Ad Limina'.

Outubro de 2010: Dom Moacir Grechi, bispo emérito de Porto Velho, se apresenta à paisana em visita ‘Ad Limina’.

O hábito deve fazer o monge, ao menos no Vaticano. No último dia 15 de outubro, o Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado, assinou uma circular enviada a todos os entes da cúria romana para enfatizar que os sacerdotes e religiosos devem se apresentar ao trabalho com a vestimenta adequada, isto é, o “clergyman” ou a batina preta. Nas ocasiões oficiais, sobretudo na presença do Papa, os monsenhores já não poderão deixar no armário as vestes de botões vermelhos e a faixa violeta.

Um chamado ao respeito às normas canônicas que representa um sinal preciso, que seguramente terá eco inclusive fora das fronteiras do menos estado do mundo: de fato, no Vaticano são raríssimos os religiosos que não se vestem como tal. E é provável que este chamado a uma apresentação fiel e impecável, formalmente, seja interpretado como um exemplo aos que vêm de fora do Vaticano, isto é, para os bispos ou sacerdotes de passagem por Roma. Uma forma de “dizer à sogra que entenda a nora”, como se diz em italiano.

O Código de Direito Canônico estabelece que “os clérigos devem portar um hábito eclesiástico digno”, segundo as normas emanadas pelas diferentes conferências episcopais. A Conferência da Itália, por exemplo, estabelece que “o clero, em público, deve usar a batina ou o ‘clergyman'”, isto é, o traje negro ou cinza com o colarinho branco. O nome em inglês revela a sua origem protestante, mas passou a fazer parte do vestuário dos eclesiásticos católicos, mesmo que no início tenha sido uma concessão aos que tinham de viajar.

A Congregação vaticana para o Clero explicava, em 1994, os motivos sociológicos do hábito dos sacerdotes: “Em uma sociedade secularizada e tendente ao materialismo”, é “particularmente necessário que o presbítero — homem de Deus, dispensador de seus mistérios — seja reconhecível aos olhos da comunidade”.

A circular de Bertone pede aos monsenhores que usem o hábito de botões vermelhos nos atos “em que esteja presente o Santo Padre”, assim como nas demais ocasiões oficiais. Um convite que também se estende aos bispos que assistem a uma audiência com o Papa, que, a partir de agora, deverão seguir rigorosamente a etiqueta.

O uso de vestes civis para o clero esteve relacionado, no passado, a situações particulares, como no caso da Turquia, durante os anos oitenta, ou do México, até há pouco tempo, onde os bispos estavam acostumados a sair de casa vestidos como empresários. Este costume foi se estendendo pouco a pouco pela Europa: não devemos esquecer as famosas imagens do jovem teólogo Joseph Ratzinger de palitó e gravata escura durante os anos do Concílio. Há anos, sobretudo entre os jovens sacerdotes, registra-se uma contracorrente. Uma mudança “clerical” que agora está formalizada em uma circular do Secretário de Estado.

11 Comentários to “Vaticano, o hábito faz o monge.”

  1. Aleluia, porque essa circular não é válida para o mundo inteiro, pois deveria ser assim aqui no brasil também. Não concordo com os Sacerdotes andar sem batina ou sem o clergyman… o Sacerdote tem que ser diferenciado no meio do povo. Hj em dia não se sabe o que é um padre, ta cheio de playboy por ai dando sopa pra mulherada. Perderam se o respeito pelo sacerdote, pq nao ha difernça mais entre um padre e um homem comum. Vamos rezar pra essa circular valer no mundo inteiro. Santa Mães Maria, Togai pos nós.

  2. A batina é insubstituível, mas, como exceção, a Santa Sede deveria optar não pelo clergyman, mas pelo colarinho romano, preto, seguindo à risca a cor dos botões segundo cada hierarquia.

  3. Alguem poderia dizer o que a CNBB estabeleceu a respito do uso do hábito eclesiástico aqui no Brasil?

  4. Os padres são ou não obrigados a usar um hábito eclesiástico: http://youtu.be/YtyTnICXDuM

  5. Por que não se impõe em todo o mundo? E por que usar o clergyman, vestimenta protestante?

  6. Nesse mundo cada vez mais ateu, falta pouco para os padres serem obrigados a não usarem traje eclesiástico para protegerem sua integridade física.

  7. Eu acho que deveria se manter a tradição das vestimentas dos padres, bispos, etcc. pelo menos nos locais em que teriam que representar a igreja. No Brasil, o calor dificulta este uso, pois seria necessária roupa preta e manga longa. O dia inteiro, este uso seria muito sacrificante, mas que faria a diferença, isto faria.

  8. Aleluia! essa circular tem que ser válida para o mundo inteiro! O Sacerdote tem que ser reconhecido no meio do povo! Quem não se quer mostrar como tal não pode ser Padre! Um padre não é um homem qualquer; é um homem especial, um homem de Deus; e assim se deve apresentar.

  9. Caríssimos, concordo plenamente. Pode ser uma forma de “bater na canga, pro burro entender.” conforme diz o ditado. Desculpem pelas palavras, o ditado é assim mesmo e não é para ofender ninguém. Mas a melhor forma de ensinar sempre foi o “exemplo” e se o Vaticano for exemplo, quem não se orgulhará de dizer, em minha paróquia fazemos tal qual em Roma.
    Deo gràtias.

  10. Junior Castro

    O Rvmo. Pe. Paulo Ricardo respondeu essas dúvidas, e ao que nos parece, a CNBB deixou muito a desejar com sua pronunciação.

  11. Não estou dizendo que eram bons Padres, porém não lembro nenhuma vez de ouvir o Padre Cícero nem o Padre Ibiapina reclamando porque usavam batina no sertão……………