Impressões de uma primeira Missa Tradicional.

O artigo que segue foi publicado no blog do Padre Zuhlsdorf e traduzido gentilmente por Fabiano Rollim. A marcação em negrito e os comentários em vermelho são do próprio padre.

Impressão de um leitor sobre sua primeira Missa Tradicional (Pontifical!)

Um leitor enviou sua impressão sobre a primeira Santa Missa a que ele assistiu na Forma Extraordinária, e não foi apenas uma Missa Rezada:

Assisti à minha primeira Missa Tradicional em Latim na semana passada. Foi uma linda Missa Solene Pontifical celebrada pelo meu bispo. Durante e após a Missa, tive três grandes impressões:

1. Percebi o quão séria, reverente e solene foi a Missa. Durante a Missa me dei conta de que é exatamente assim que uma Missa deveria ser: séria, reverente a solene. A Missa colocou-me num estado de reflexão sobre as “Últimas Coisas”. Isso me pareceu apropriado, já que um dos propósitos do culto Católico é ajudar a sermos conduzidos ao Céu. [Exatamente, como eu disse a um grupo de jovens no Oratório de Brompton na semana passada, a Missa tem de nos ajudar a nos prepararmos para a morte.] Por comparação, vejo que a Forma Ordinária faz-nos sentir muito confortáveis, tipo “eu sou bom, você é bom” (isto é, não precisamos mudar), mais do que focar nossa atenção e fazer com que mudemos (movamo-nos) interiormente.

2. A presença de rubricas mais intrincadas fez sentido para mim. A Eucaristia é o todo e a substância de nosso culto. Então, por que isso não deveria estar refletido em tudo o que acontece durante a Missa? [Mais uma vez, BINGO!] Gestos e posturas corporais são importantes, mesmo para aqueles que não estão fazendo tais gestos. Eles nos tiram do ordinário e ajudam-nos a focar. Os americanos ficam de pé durante um juramento ou a execução do hino nacional. Levamos nossas mãos ao coração. Fazemos isso em sinal de respeito e para mostrar que o que estamos fazendo é diferente, especial. Seja o sacerdote sejam os coroinhas, seus gestos mostram para a assembleia que o que está acontecendo ali é diferente e especial se comparado ao que acontece no mundo do lado de fora.

3. Ajoelhar para receber a comunhão pareceu tão apropriado. Geralmente recebo a comunhão na boca, então isso não foi diferente, mas ajoelhar pareceu-me mais reverente. De novo, é uma postura que reflete a seriedade do que está acontecendo. Ficar de pé indica condição de igualdade. Ajoelhar é um sinal de humildade e reflete o fato de que não estamos na mesma posição dAquele a quem recebemos.

* * *

E você, caro leitor, recorda-se de suas primeiras impressões ao assistir à Santa Missa Tradicional? Deixe-as na caixa de comentários.

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22 Comentários to “Impressões de uma primeira Missa Tradicional.”

  1. Sempre senti falta da Missa Tadicional. Fui coroinha de 1960 a 1965, e quando veio, depois do Concílio, a ordem da mudança, senti como se algo fosse arrancado violentamente de dentro do coração. Nosso pároco se recusava a rezar a nova forma, por isso foi até transferido para uma outra cidade e colocado numa capelinha particular, onde rezou a Missa Tradicional até o final de sua vida. Chegando um novo Padre para dar cumprimento à ordem, os Missais e os Hinários do coral foram todos rasgados, a Igreja da minha cidade passou por reformas, onde foi demolido até o Altar-Mor. Foi difícil acostumar com a nova forma, mas como foi tudo empurrado goela abaixo, fomos aceitando aos poucos. Ainda tenho esperanças de que se volte a celebrar a Missa Tradicional, pois quem a assistiu pelo menos uma vez, já tem uma nova impressão, como o relato acima, imagina que viveu esses magnificos momentos por 15 anos de sua vida, como meu caso.

  2. Testemunho edificante. Digno de ser enviado para todos carismáticos!

  3. Foi dia 29 de janeiro deste ano, na Igreja da Conceição dos Militares, em Recife.
    O que sente um pescador ao encontrar um tesouro sob os seus pés, na areia em que ele pisou por anos..? Foi um pouco essa sensação. Encontrei um ambiente de recolhimento, muitos jovens… Prestei muita atenção pois estava ali para, alem de participar, tambem aprender a celebrar. A consciencia do mistério é cristalina; muito maior a certeza de que nao se está participando de uma obra sua, do momento, do lugar ou do tempo, mas de algo muito mais profundo, que atravessa o tempo e a história para se fazer tão presente a atuante… Depois disso comecei a celebrar em latim (rito ordinário, semanalmente no seminário) mas ja estou estudando os textos do rito extraordinario para começar a celebrá-lo (ainda que privadamente, por enquanto) nas próximas semanas.

  4. A primeira Missa que assisti foi em Fortaleza na Paróquia S. João Batista. A primeira impressão foi a melhor possível. O desejo era (ainda é) de tê-la em minha paróquia em Cedro/CE. Mas em uma Diocese prostituida pela TL e pela Maçonaria só com um grande milagre isso seria possível.

  5. A primeira Missa Tridentina que assisti foi em DVD, celebrada pela Fraternidade Sacerdotal de São Pedro pela alma de W. A. Mozart, de forma solene e cantada pela própria composição dele, “Requiem”; ao mais, no que posso dizer, a sacralidade é indubitavelmente superior, de modo em que o ordinário (daqueles bem fundamentalistas à palavra) tende a se mostrar uma mágoa no seio da Igreja. Já a Missa, em que eu realmente estive presente, parece ser um sonho utópico e distante, pois minha diocese é totalmente pós-conciliar, e uma esperança: os seminaristas, cada vez mais pré-conciliares.

  6. Eu tive a graça de assistir em um mosteiro próximo de minha casa durante meus primeiros anos de vida, mas mudei de cidade e diocese e regiao de cnbb, e anseio ter a missa tradicional por aqui, mas só um milagre divino mesmo para isso acontecer por aqui. pois os padres todos todos são liberais
    olhem o site que achei
    http://www.classicsonline.com

  7. Minha primeira vez foi em agosto deste ano. Ainda tenho muita dificuldade para fazer as orações em latim. Mesmo assim, cada vez que assisto sinto-me como se estivesse no céu.
    Infelizmente pouquíssimos são os locais onde ela é celebrada. Na minha diocese mesmo, que fica na Grande São paulo e é um antro da TL e da RCC, só há um lugar, e mesmo assim poucas são as almas presentes.
    Por causa disso, sou pessimista. Minha geração, que abrange dos 30 aos 50 anos, é filha do CVII, e salvo honrosas exceções, já está perdida. Nossa mente já foi dominada pelo modernismo.
    Acredito nas novas gerações. Vi na missa tradicional muitas crianças (pequeninas e já comungando!) e também jovens. Eles já estão aprendendo a ter uma postura crítica em relação ao CVII, além de um profundo amor pela Tradição. É outra mentalidade!

  8. Prezados,

    Salve Maria!

    Não nos enganemos. A pobreza do rito ordinário foi uma alvo perseguido pelo Papa Paulo VI e revelado por Jean Guitton, seu amigo pessoal. Há um livro extraordinário e chocante ao mesmo tempo escrito por um sacerdote, Padre Luigi Villa, que mostra muitíssimo bem o que pretendia o Papa Paulo VI. Vejam: http://www.chiesaviva.com/441%20mensile%20port.pdf

  9. Já freqüentava há muito tempo a Missa em rito ordinário do Mosteiro de São Bento em São Paulo. Uma Missa em rito ordinário que com certeza tira o melhor dele e é extremamente bem celebrada. No entanto, não era a Santa Missa Tridentina. Além disso, grande parte das pessoas que vão a essa celebração apenas estão interessadas em ver um ponto turístico de São Paulo. Assim, gritaria, falação, fotos e pessoas em trajes inadequados abundavam nessa Missa. Incrível, mas hoje, canto gregoriano e uma igreja “com cara de igreja” são tão raros que viram pontos turísticos. Dessa forma, passei a estudar o rito tridentino em profundidade. Sejam os textos que a história. Aprofundei a oração, estudei gregoriano, vi vários vídeos no YouTube e, finalmente, fui à Missa Tridentina das 18 horas no Mosteiro. Já havia ido há alguns anos, mas na época não estava preparado. Desta vez, fiquei absolutamente extasiado. A fé das pessoas emana pelo lugar, o coro é muito bom, o sacerdote faz homilias preparadas, excelentes! Tudo na celebração faz sentido, nada é piegas, nada é forçado. Sente-se que se está na presença de Deus.

    Fico triste em ler os depoimentos acima e ver que em muitas cidades não há uma única Missa Tridentina. Hoje eu não saberia mais viver sem ela (vou inclusive me casar em Rito Tridentino). Mas falta catequese. Sei que é difícil, mas as pessoas precisam (i) ser informadas da existência do Rito Tridentino; e (ii) ser catequizadas, aprender rudimentos de gregoriano, saber o que se reza e como, em resumo, as pessoas precisam perder o medo da “missa em latim”. Obviamente, isso tudo em cidades como São Paulo onde há uma oferta relativamente grande de Missas Tridentinas. Já onde elas não existem, o problema é muito maior… Oremos!

  10. Tenho 38 anos, n aceito que me digam que sou filha do CVII. Quero exame de DNA já!
    Tenho certeza que a paternidade é 100% de Trento!

    *****Assisti a Missa primeira vez no priorado da FSSPX em SP em 2009. Chorei a Missa inteira e fiquei indignada com a audácia de fabricarem a missa nova.

  11. Achei a foto do post linda!

  12. “[…] as pessoas precisam (i) ser informadas da existência do Rito Tridentino; e (ii) ser catequizadas, aprender rudimentos de gregoriano, saber o que se reza e como, em resumo, as pessoas precisam perder o medo da “missa em latim”. […] onde elas não existem, o problema é muito maior […]”

    Não é tão fácil, uma vez que em locais onde não há o Rito Extraordinário, os padres geralmente são perseguidores da “contra-reforma”; e isso é muito mais difícil que se imagina! Não há como ensinar gregoriano ou o “modo de responder” à Missa em latim se o pároco não deixa! São poucos os fieis que desafiam a autoridade sacerdotal… O que é tentado é contornar o caso, e deixar que percebam por si que a nova forma é desajeitada; sem que possa ser ‘excomungado’ da pastoral pelo sacerdote; venho tentando fazer isso, e aos poucos, os efeitos vão surgindo, e aos poucos, tendemos a retornar à margem.

  13. Quem assiste a uma Missa Tridentina percebe que ela é a Missa de verdade e o rito ordinário fica parecendo um culto protestante insosso (e de fato praticamente o é).

    Os jovens e os homens são a maioria (claro, os idosos ficam muito acomodados em suas paróquias e as mulheres não querem abrir mão do “direito” de andarem semi-nuas atraindo todas as atenções, nem de Missas infantilizadas com musiquinhas doces e meigas, palminhas, padres modernistas que citam poetas e filósofos de botequim ao invés de santos e grandes teólogos, etc).

  14. Alex, concordo com você e acho que o que você faz é extremamente valioso. Nós que temos acesso a bons padres, boas liturgias e vivemos com fartura de meios e informação não imaginamos o calvário que é onde impera a ignorância eclesiástica… Você tem razão, as pessoas precisam chegar sozinhas à conclusão de que a Missa de sempre é melhor e nós podemos apenas dar uma mãozinha.

  15. Caríssimos,

    Primeiramente, peço desculpas pelo tom “propagandista”, bem como eventual repetição do meu comentário em outro artigo, mas é que estou com dificuldades para tornar o link abaixo conhecido por mais pessoas.

    Ao ler e comentar um artigo há exatos 2 meses sobre a transferência de D. Pedro Luiz Stringhini, deparei-me com alguns diocesanos de Mogi das Cruzes-SP visitando este blog.

    Após refletir por um tempo, criei esta página no Facebook para tentar agregar os interessados pela Missa Tridentina em nossa diocese, a fim de trocar ideias para sua promoção. Vocês são convidados a contribuir. O endereço é:

    https://www.facebook.com/MissaTridentinaEmMogiDasCruzes

  16. A primeira vez que assisti ao Santo Sacrifício da Missa segundo o Missal de 62 foi em abril de 2008 em uma capela da FSSPX, foi como se eu estivesse realmente encontrado a Igreja Católica em toda sua verdade e esplendor, essa Missa marcou profundamente a minha vida… Oxalá essa graça se estenda a todas as paróquias do mundo…

  17. A primeira vez que assisti à Santa Missa (de sempre), foi no ano de 2002, numa paróquia cujas missas eram celebradas num local muito precário devido a um incêndio que destruiu o “templo”.
    A primeira imprenssão que tive foi a noção do mistério, do sobrenatural pela reverência com que ela é celebrada, e também a necessidade que todo fiel tem de estudar a doutrina da Santa Igreja de Cristo.

  18. A minha primeira participação na Missa no Rito Tradicional foi em Fátima (Portugal) na Capela da FSSPX.

    Depois de muita insistência de minha mãe, lá fui eu. E mesmo antes de começar a Missa já algo estava a mudar na minha mente. A disposição do altar, a quantidade de velas, o Sacrário colocado no ponto mais central. Chegada a hora de começar a Missa o Sacerdote ainda não estava na Sacristia. O que se passa? (Soube depois que o Sacerdote tinha estado a Confessar).

    Entretanto o meu coração batia forte e eu ainda sem compreender porquê.
    Ouvi um ruído abafado da porta do confessionário a abrir e a fechar.
    Ouvi depois os passos apressados de alguém em direcção à Sacristia.
    Juntamente com os passos, outro barulho chamou a minha atenção (chlack…chlack…).
    E só quando esse alguém passou pelo banco onde eu estava, comecei a compreender as coisas da Tradição.

    O barulho dos passos vinha de umas sandálias.
    O outro barulho vinha da batina ao ser empurrada pelas pernas.
    Olhei para o lado e vi passar por mim, pela primeira vez, um Sacerdote da FSSPX.
    O meu coração bateu mais forte e a minha pele ficou toda arrepiada.
    Era o Digníssimo Padre Daniel Maret, que hoje está em S. Paulo (Brasil).

    O Rito da Missa era completa novidade para mim. O Latim, o silêncio, o respeito das pessoas, enfim tudo era novo.

    E quanto mais se aproximava o ponto mais alto da Missa, mais vontade tinha eu de me esconder. Sim de me esconder, tal era a indignidade que eu sentia em estar ali presente.

    O Sacerdote falava da valor da Alma e não do mundo.
    O Sacerdote falava para Deus e não para os homens.

    Quanta diferença do “Rito Novo” a que eu estava habituado.

    Nas semanas seguinte voltei para a minha terra e para a Missa Nova.

    Mas a minha Alma não estava em paz.

    A recordação daquela Missa, o latim etc. preenchia parte dos meus dias. Sentia que a minha Alma estava em desassossego e à procura de “alimento”.

    A Missa Nova passou a ser então um obstáculo para “subir em santidade”. Todo aquele ambiente me desinteressava. O barulho, os cânticos, a vaidade nos gestos e nos trajes daquela gente.

    Já passaram quase cinco anos desde esse dia em que conheci o Sr. Padre Daniel Maret da FSSPX e que passei a participar regularmente na Missa Tridentina (ou Tradicional).

    Bendito seja Deus por esse dia.
    E muitas Graças sejam dadas ao Sr. Padre Daniel Maret que me deu a conhecer a SANTA MISSA.

    Este Rito é realmente EXTRAORDINÁRIO.

  19. Eu acho bom sempre se tomar cuidado ao se comparar o rito pós-concílo e o rito tridentino, pois querendo ou não, gostando ou não é o mesmo rito. Mas honestamente eu prefiro o santo rito Tridentino e graças a Deus posso assistí-lo quase que regularmente. A pobreza que existe no rito pós-conciliar é muito mais fruto do relaxo dos sacerdotes e bispos do que culpa do CVII em si e da Sacrossanctum Concilium, se alguma alma tiver boa vontade verá que o CVII não autorizou o fim do ´´versus Deum“, nem a comunhão na mão, nem a exclusão do latim, ou o uso de músicas estranhas embaladas ao som de guitarra, baixo e bateria na hora da missa.
    Minha primeira impressão ao assistir a forma Extraordinária foi a de que eu estava vivendo algo bem mais católico, ratificado pelos santos e coerente com aquilo que é a verdadeira Igreja de Cristo, quando a pude assistir em sua forma mais solene saí de lá me sentindo mais católico do que quando entrei.

  20. A primeira vez que assisti a Missa Tridentina foi no Mosteiro de São Bento de São Paulo, convidado por um Amigo companheiro na luta contra o modernismo e embora não sei se é certo falar assim cheguei numa conclusão:

    A Missa Tradicional é o “céu no chão” !

  21. Ah e concordo com o Sr. Alex ! Eu acabei sendo “excomungado” da Pastoral da Catequese por criticar o Padre publicamente quando ele celebrou uma “Missa Sertaneja” e ainda pediu para as pessoas virem de trajes “à caráter” …..

  22. A primeira Missa Tridentina que participei foi no dia 13 de outubro de 2012 . as tres horas da tarde, no Santuário do Rosário em Mococa – SP. Foi algo que me marcou profundamente e que me fez perceber qie se eu fosse padre eu jamais rezaria a Missa num outro rito que não fosse o tridentino. Confesso que ainda não entendi o porque o rito foi mudado. Nada se compara a Missa de Sempre!