De volta à Colômbia, de volta às polêmicas.

Depois de ser instado a se retratar às vésperas de receber a púrpura cardinalícia, o neo-Cardeal de Bogotá volta à cena com outra polêmica.

O cardeal Salazar aprova as uniões civis entre homossexuais sempre que elas não sejam equiparadas ao matrimônio

Dom Rubén Salazar Gómez, arcebispo de Bogotá.

Dom Rubén Salazar Gómez, arcebispo de Bogotá.

Por InfoCatólica | Tradução: Fratres in Unum.com – O cardeal Salazar, presidente da Conferência Episcopal Colombiana, disse ontem que se pode falar de uniões homossexuais e que o Estado tem o dever de dar a essas pessoas todos os direitos que considere, mas que “quando se quer equiparar a união homossexual ao matrimônio e ao que este significa do ponto de vista social, indubitavelmente se está criando uma falácia e uma má interpretação do termo. Se está desvirtuando o sentido das palavras, mas, este não é simplesmente um problema de terminologia, mas sim de realidade».

“Em nenhum momento são pessoas menos dignas de respeito, nem tampouco devemos excluí-las da vida social”, disse o prelado. Sem dúvida, ele explicou que não se pode colocar a união homossexual na mesma linha de importância social que tem o matrimônio heterossexual, o qual ele qualificou como «o único matrimônio».

«Não nos parece conveniente que se equipare o matrimônio entre o homem e a mulher, que é a célula fundamental da família, à união entre homossexuais, que não é em sentido algum da mesma natureza, não encontramos razão alguma que justifique que se fale de matrimônio homossexual», afirmou o alto prelado.

Magistério Católico

No documento “Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais”, promulgado pela Congregação para a Doutrina da Fé em junho de 2003, a Igreja rechaça não somente o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, mas qualquer tipo de reconhecimento legal das uniões homossexuais. No referido texto, o magistério católico ensina que:

Ante o reconhecimento legal das uniões homossexuais ou a equiparação legal destas ao matrimônio com acesso aos direitos próprios do mesmo, é necessário opor-se de forma clara e incisiva.

Dado que os casais cumprem o papel de garantir a ordem da procriação e são, portanto, de eminente interesse público, o direito civil lhes confere um reconhecimento institucional. As uniões homossexuais, pelo contrário, não exigem uma atenção específica por parte do ordenamento jurídico, porque não cumprem o referido papel para o bem comum.

Quando uma Assembleia legislativa se propõe pela primeira vez um projeto de lei a favor da legalização das uniões homossexuais, o parlamentar católico tem o dever moral de expressar clara e publicamente seu desacordo e votar contra o projeto de lei. Conceder o sufrágio do próprio voto a um texto legislativo tão nocivo ao bem comum da sociedade é um ato gravemente imoral.

O texto, firmado pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, conclui com um parágrafo em que ratifica a oposição da Igreja a qualquer tipo de reconhecimento legal das uniões homossexuais:

A Igreja ensina que o respeito às pessoas homossexuais não pode de modo algum levar à aprovação do comportamento homossexual nem à legalização das uniões homossexuais. O bem comum exige que as leis reconheçam, favoreçam e protejam a união matrimonial como base da família, célula primária da sociedade. Reconhecer legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao matrimônio significaria não somente aprovar um comportamento desviado e convertê-lo em um modelo para a sociedade atual, mas também ofuscar valores fundamentais que pertencem ao patrimônio comum da humanidade. A Igreja não pode deixar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade.

4 Comentários to “De volta à Colômbia, de volta às polêmicas.”

  1. A opinião desse cardeal não é algo isolado. Infelizmente ela reflete um “pensamento médio” presente no clero e leigos sobre o tema, que é a praga do politicamente correto.
    Mesmo assim, choca vindo da boca de alguém que tem o encargo de ensinar, e que para agradar o mundo diz o que a sociedade gosta de ouvir.

  2. Deve ser mais um dos belos frutos do CVII. O pregador do papa (Cantalamessa) não disse que o Concílio foi um novo “Pentecostes”? Vejam só em que direção está soprando… Se esta é a “primavera”, eu quero mesmo é ficar com o “inverno” medieval!!

  3. O que a Igreja acha ou deixa de achar perdeu a importância. O mundo apostatou e trata os santos ensinamentos como um zero à esquerda. Tristes tempos.

  4. Com a beatificação de paulo VI a gente n vai ter mais moral para comentar…