Surpreendente condenação pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Recebemos o pedido de divulgação do artigo — já publicado em veículos de língüas italiana e francesa —  do ilustre Dr. Arnaldo Xavier da Silveira acerca de um recente e polêmico pronunciamento do novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Gerhard Müller. Paulistano nascido em 1929, o autor, antigo colaborador de Dom Antonio de Castro Mayer e um dos membros fundadores da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, é responsável também pelo pioneiro estudo sobre o Novus Ordo Missae de Paulo VI.

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Por Arnaldo Xavier da Silveira

O problema maior não é saber se a assistência absoluta e omnímoda do Espírito Santo seria em princípio possível. É claro que o seria. Na verdade, contudo, Nosso Senhor não quis dotar São Pedro, o Colégio dos bispos com o Papa, a Igreja enfim, de uma assistência em tais termos absolutos. Os caminhos de Deus nem sempre são os nossos. A barca de Pedro está sujeita a tempestades. Em princípio, nada impede que, sobretudo em períodos de crise, documentos pontifícios e conciliares que não preencham as condições da infalibilidade, possam conter erros e mesmo heresias.

Doce Cristo na Terra

1] Não sou sedevacantista. Nunca o fui, embora um ou outro comentarista pouco atento tenha pretendido ver traços de sedevacantismo no estudo sobre a possibilidade teológica de um Papa herege que faz parte de meu livro “La Nouvelle Messe de Paul VI, Qu’en Penser?” (Diffusion de la Pensée Française, Chiré-en-Montreuil, França, 1975). Com base na boa e tradicional teologia dogmática, não vejo que, em relação aos Pontificados dos últimos decênios, tenha sido teologicamente possível, em qualquer momento, declarar vaga a Sede de Pedro (ver Paul Laymann S.J., +1635, “Th. Mor.”, Veneza, 1700, pp. 145-146; e Pietro Ballerini, “De Pot. Eccl.”, Roma, 1850, pp. 104-105). Se a Divina Providência me der forças, publicarei em breve um estudo sobre os erros teológicos das teorias sedevacantistas correntes.

2] Para todo católico cioso de sua fé, o Papa é o “doce Cristo na Terra”, é a coluna e fundamento da verdade. No entanto, grandes santos, doutores e Papas, admitem a possibilidade de queda do Sumo Pontífice em erro, e mesmo em heresia. E não é de se afastar a hipótese teológica de que tal queda se dê em documentos oficiais do Papa, e em Concílios com o Papa (ver “La Nouvelle Messe…”, parte II, caps. IX e X, e meus trabalhos anteriores ali citados).
 

As palavras de Mons. Müller

3] Em 29 de novembro último, L’Osservatore Romano deu a lume um texto de Mons. Gerhard Ludwig Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, ex-Santo Ofício, intitulado “Uma imagem da Igreja de Jesus Cristo que abraça todo o mundo”. Comentando o Discurso à Cúria Romana de 22 de dezembro de 2005, em que Bento XVI declarou que o Vaticano II deve ser objeto de uma “hermenêutica da reforma na continuidade” face a uma “hermenêutica da descontinuidade e da ruptura”, Mons. Müller escreve que a interpretação da reforma na continuidade “é a única possível segundo os princípios da teologia católica”, e prossegue: “fora desta única interpretação ortodoxa infelizmente existe uma interpretação herética, ou seja, a hermenêutica da ruptura, quer na vertente progressista, quer na tradicionalista. Estas duas vertentes têm em comum a rejeição do concílio; os progressistas pretendendo deixá-lo para trás, como se fosse só uma estação que se deve abandonar para alcançar outra Igreja; os tradicionalistas não querendo alcançá-lo, como se fosse o Inverno da Catholica”.

4] Não quero aqui aprofundar certos pontos dessa declaração, como a questão, já tão comentada e desenvolvida nos últimos tempos, da “hermenêutica da reforma na continuidade” e da “hermenêutica da descontinuidade e da ruptura”. Também não analisarei a frase em que Sua Excelência declara que progressistas e tradicionalistas “têm em comum a rejeição do Concílio”.  Nada direi, igualmente, sobre o título dado ao texto de Mons. Müller, onde se lê a expressão, hoje ambígua e suspeita nesse contexto, de “uma Igreja de Jesus Cristo que abraça todo o mundo”. E, ainda, não glosarei o fato histórico de que, afinal, depois de décadas, adveio uma condenação do progressismo, condenação essa que, se tivesse força canônica, ou pelo menos se doutrinariamente passasse a vigorar de fato na vida católica, no ensino dos seminários, como critério para as promoções eclesiásticas etc., seria alvissareira e prenúncio de tempos melhores, pois que o progressismo estaria sendo violentamente proscrito, como herético, pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

5] Neste momento, quero apenas comentar a passagem onde Mons. Müller declara que os tradicionalistas dão ao Vaticano II uma “interpretação herética”. Sei que não se trata de um decreto da Congregação para a Doutrina da Fé. Sei que ele não especifica quais as correntes ditas “tradicionalistas” que condena, deixando assim expresso que são todas as que não aceitam incondicional e integralmente o Vaticano II. Sei, por fim, que a orientação ora adotada por Mons. Müller em relação a tradicionalistas e progressistas não é a dominante em muitos círculos vaticanos, e sobretudo não é a de Bento XVI. Tudo isso, contudo, não tira de suas palavras a enorme importância que têm.

Da gravidade extrema dessa condenação

6] Não se minimize, com efeito, a força dessa condenação. A lógica se impõe: quem interpreta hereticamente um Concílio Ecumênico é herege. Também não se diga que o fato não tem relevo por não se tratar de condenação canonicamente formal. É grave que o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé haja dito o que disse. É grave que, para ensaiar um primeiro anátema contra os tradicionalistas, ele se haja resguardado atrás do biombo de “doctor privatus”, pois, se o mal é tamanho, como seria interpretar um Concílio Ecumênico em sentido herético, não haveria a Santa Igreja de pronunciar-se oficialmente? Não seria esse um dever de todo “custos fidei” para com o povo fiel? Ademais, é de recear que doravante tais maneiras de pensar e agir marcarão os procedimentos da Congregação para a Doutrina da Fé.

7] Como ensina Santo Tomás de Aquino, “a heresia por si se opõe à Fé” (S.Th., II-II, 39, 1, ad 3), e “hereges são aqueles que professam a Fé de Cristo mas corrompem os seus dogmas” (S.Th., II-II, 11, 2, c). “A fé é a primeira entre todas as virtudes” (S.Th., II-II, q. 4, a.7, c.), “é muito mais grave corromper a fé, pela qual a alma vive, do que falsificar a moeda, pela qual se atende à vida temporal” (S.Th., II-II, q.11, a. 3, c.).

8] Do alcance da condenação. – O mundo moderno perdeu a noção da fé, como perdeu a noção da gravidade da heresia. A integridade da fé é o ponto de partida da vida católica. O herege formal não tem a virtude teologal da fé, e, de si, está excluído da Igreja. A condenação de Mons. Müller fez-se em termos genéricos e sintéticos. Dada a importância da matéria, os atingidos pelo ato têm o direito de pedir sejam explicitados o alcance e as consequências teológicas, canônicas e práticas que o anátema teria, ainda que apenas “in sede theoretica”, caso fosse válido.

O desvio teológico fundamental de Mons. Müller

9] Texto de Mons. Müller sobre o Magistério. – Na mesma declaração citada, Mons. Müller afirma que é princípio da teologia católica “o conjunto indissolúvel entre Sagrada Escritura, a Tradição completa e integral e o Magistério, cuja expressão mais alta é o concílio presidido pelo sucessor de são Pedro como cabeça da Igreja visível”.

10] O pressuposto da condenação dos tradicionalistas está portanto em que, segundo Mons. Müller, não pode haver erro ou heresia em documento magisterial, quer pontifício quer conciliar, mesmo naqueles que não preenchem as condições da infalibilidade. Com efeito, ao proclamar o caráter indissolúvel da união entre Sagrada Escritura, Tradição e Magistério, ele revela que concebe este último como garantido contra todo e qualquer erro ou heresia. Ademais, ao não falar simplesmente em Tradição, mas ao qualificá-la como “completa e integral”, Sua Excelência subentende que a Tradição inclui os ensinamentos conciliares ainda que não garantidos pelo carisma da infalibilidade; e que inclui, portanto, as “novidades de tipo doutrinal” (ver item 13, adiante) do Vaticano II, que teriam assim força de dogma, só podendo ser postas em dúvida ou negadas por hereges.

O Vaticano II e a infalibilidade da Igreja

11] Magistério extraordinário?  Segundo o Vaticano I, o Papa é infalível quando, ensinando para a Igreja Universal, em matéria revelada de dogma ou moral, define solenemente determinada verdade como devendo ser crida pelos fiéis. Conforme a doutrina sedimentada pelos doutores, essas condições da infalibilidade papal aplicam-se, mutatis mutandis, aos Concílios Ecumênicos, cujas definições infalíveis devem, portanto, impor aos fiéis a obrigação estrita de professar as doutrinas assim propostas. Ora, Paulo VI declarou repetidas vezes que no Vaticano II não foi proclamado nenhum novo dogma do Magistério extraordinário. É o que os teólogos de boa doutrina têm também afirmado à exaustão. Dessa forma, é absolutamente perturbador para o fiel comum, e inaceitável por um pensador católico, o fato de que Mons. Müller pretenda que no Vaticano II não pode haver nenhum desvio doutrinário. Onde estará, nessa matéria, o fundo do pensamento de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé?

12] Magistério ordinário infalível?  Segundo o Vaticano I, é também infalível o “Magistério ordinário e universal”. Para tal, a Igreja, em seu ensinamento quotidiano, há de impor uma verdade como devendo ser crida, e deve fazê-lo não apenas por todo o orbe, mas também com continuidade no tempo, de tal forma que se torne patente a todo fiel que aquela verdade foi revelada e deve ser professada sob pena de abandono da fé. O conceito de “universal” nesse contexto nem sempre é bem interpretado, pois há quem o entenda como se indicasse apenas a universalidade no espaço, isto é, em todo o mundo. Segundo esse modo de ver, todos os ensinamentos do Vaticano II seriam infalíveis, uma vez que foram solenemente aprovados pelo Papa, com a unanimidade moral dos bispos de todo o orbe. Na verdade, atos magisteriais singulares do Papa e do Concílio, como ocorreram no Vaticano II, não podem definir dogmas do Magistério ordinário, por lhes faltar a continuidade no tempo e a consequente impositividade que vinculariam de modo absoluto a consciência dos fiéis.

13] As “novidades de tipo doutrinal” do Vaticano II. – Em 2 de dezembro de 2011, Mons. Fernando Ocáriz, Vigário-Geral do Opus Dei e professor de teologia, publicou no L’Osservatore Romano um artigo intitulado: “Sobre a adesão ao concílio Vaticano II.”  Ali se lê: “Houve no Concílio Vaticano II diversas novidades de tipo doutrinal (…). Algumas delas foram e ainda são objeto de controvérsias acerca de sua continuidade com o Magistério precedente, ou seja, acerca da sua compatibilidade com a Tradição. A seguir, Mons. Ocáriz reconhece “as dificuldades que podem encontrar-se para compreender a continuidade de alguns ensinamentos conciliares com a Tradição. […] Permanecem legítimos espaços de liberdade teológica para explicar de uma forma ou de outra a não contradição com a Tradição de algumas formulações presentes nos textos conciliares e, por isso, para explicar o próprio significado de algumas expressões contidas naqueles trechos.” Veja-se a diversidade de tom entre esse texto e a condenação lançada por Mons. Müller, embora Mons. Ocáriz diga, logo a seguir, que “uma característica essencial do Magistério é a sua continuidade e homogeneidade no tempo.” Em 28 de dezembro daquele ano publiquei em meu site um artigo intitulado “Grave Lapso Teológico de Mons. Ocáriz”, no qual defendi, como em trabalhos anteriores, que “Jesus Cristo poderia, evidentemente, ter dado a São Pedro e seus sucessores o carisma da infalibilidade absoluta. […] O problema não consiste em saber se a assistência do Espírito Santo, com tal alcance absoluto e geral, seria em princípio possível. É claro que o seria. Na verdade, contudo, Nosso Senhor não quis dotar São Pedro, o Colégio dos bispos com o Papa, a Igreja enfim, de uma assistência em tais termos absolutos. Os caminhos de Deus nem sempre são os nossos. A barca de Pedro está sujeita a tempestades. Em resumo: a teologia tradicional afirma que consta da Revelação que a assistência do divino Espírito Santo não foi prometida, e portanto não foi assegurada, de forma assim irrestrita, em todos os casos e circunstâncias. Essa assistência garantida por Nosso Senhor cobre de modo irrestrito as definições extraordinárias, tanto papais quanto conciliares. Mas as monumentais obras teológicas, especialmente da idade de prata da escolástica, revelam que é possível haver erros e mesmo heresias em pronunciamentos papais e conciliares não garantidos pela infalibilidade”. É o que ora reafirmo.

Três respeitosos pedidos a Mons. Müller

14] Profissão de fé católica. – Em vista do referido texto do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, peço aqui que ele receba a profissão de fé, que ora faço, em tudo quanto autenticamente ensina a Santa Igreja, nos seus dogmas do Magistério extraordinário papal ou conciliar, e nos dogmas do Magistério ordinário e universal. Afirmo minha plena aceitação das demais verdades da doutrina católica, cada qual com a qualificação teológica que os doutores tradicionais lhe atribuem. E repudio como teologicamente sem propósito e facciosa a acusação de que incidi em heresia por apego à Tradição.

15] Do sentido e do alcance da condenação. – Tendo em vista a necessidade de precisão num ato desse porte teológico, como é a condenação, ainda que unicamente em sede doutrinária, de uma corrente de pensamento de grande expressão em todo o orbe católico, peço a Mons. Müller que indique melhor o alcance teórico e prático de seu anátema, segundo as observações do item 8 retro. Ao formular este pedido, tenho também em vista a salvação das almas simples, que abraçam com fé plena os dogmas da transubstanciação, da virgindade de Maria antes, durante e depois do parto, e todos os demais, mas que não têm acesso a distinções teológicas subtis, podendo ter a fé abalada com a notícia de que o Prefeito do antigo Santo Ofício declarou que os tradicionalistas, indistintamente, são hereges.

16] Da possibilidade de erro em documentos do Magistério. – Como católico fiel, conhecedor da autoridade dos Dicastérios vaticanos, e também como autor de escritos que têm não poucos leitores, pelos quais me sinto de algum modo responsável perante Nosso Senhor, julgo-me no direito estrito de pedir filialmente ao Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé que declare, de modo formal, claro e específico, se é falsa a tese que defendi em meus trabalhos retro citados, e que ora defendo, de que é teologicamente possível a existência de erros e mesmo heresias em documentos pontifícios e conciliares que não preencham as condições necessárias para a infalibilidade.

17] Nestas vésperas do Santo Natal, invocando o Divino Infante, Sua Mãe Santíssima e São José, patrono da Igreja universal, formulo de público estas considerações e estes pedidos, em legítima defesa e cum moderamine inculpatae tutelae, dado que pública foi a agressão.

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10 Comentários to “Surpreendente condenação pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.”

  1. Mons. M�ller escreve que a interpreta��o da reforma na continuidade �� a �nica poss�vel segundo os princ�pios da teologia cat�lica�, e prossegue: �fora desta �nica interpreta��o ortodoxa infelizmente existe uma interpreta��o her�tica, ou seja, a hermen�utica da ruptura, quer na vertente progressista, quer na tradicionalista. Estas duas vertentes t�m em comum a rejei��o do conc�lio; os progressistas pretendendo deix�-lo para tr�s, como se fosse s� uma esta��o que se deve abandonar para alcan�ar outra Igreja; os tradicionalistas n�o querendo alcan��-lo, como se fosse o Inverno da Catholica�.

    L�Osservatore Romano deu a lume um texto de Mons. Gerhard Ludwig M�ller, Prefeito da Congrega��o para a Doutrina da F�, ex-Santo Of�cio, intitulado �Uma imagem da Igreja de Jesus Cristo que abra�a todo o mundo�.

    Perfeito!

  2. Ele têm problemas com a Mãe de Deus e a herege sou eu?

    Que Viva Cristo Rei!

  3. Ora, Paulo VI declarou repetidas vezes que no Vaticano II não foi proclamado nenhum novo dogma do Magistério extraordinário. Agora vem o prefeito da CDF afirmar que os que negam o Vaticano II são anátemas…. E os que estão destruindo a liturgia e desrespeitam descaradamente o Papa e negam artigos inteiros do credo ?? estes estão em comunhão né ? beleza , eu sou maldito então pois não aceito definitivamente as ambiguidades e erros do concilio vaticano II !!!

  4. Sempre logicamente irrepreensível e de clareza modelar, os textos de Arnaldo Xavier da Silveira expressam o tradicionalismo que nada mais é do que “completo e integral” catolicismo.

    A seguinte sua afirmação demonstra obediência às palavras do Salvador ” estote ergo prudentes sicut serpentes et simplices sicut columbae” (Mt X, 16):

    “Ao formular este pedido, tenho também em vista a salvação das almas simples, que abraçam com fé plena os dogmas da transubstanciação, da virgindade de Maria antes, durante e depois do parto, e todos os demais, mas que não têm acesso a distinções teológicas subtis, podendo ter a fé abalada com a notícia de que o Prefeito do antigo Santo Ofício declarou que os tradicionalistas, indistintamente, são hereges.”

    Por que enunciar logo esses dogmas? O passado do Novo Inquisidor-Mor o explica.

  5. A meu ver o Vaticano II foi tão válido quanto os outros concílios da Igreja.
    Em primeiro lugar, por detrás de tudo a conspirar contra a Igreja está o Príncipe desse mundo, Satanás e o séquito de demonios, usando de pessoas e instituições as mais variadas para dar cabo à sua missão de perda das almas.
    Temos ainda a observar que a Igreja desde o ditador Stálin sob o influxo acima, sob forte e contínua pressão de infiltração de seitas secretas, em evidencia da maçonaria e subsidiarios comunistas; os protestantes, dentre mais, conforme seguidas denuncias.
    As suspeitas e anti cristãs participações de altos dignitarios da Igreja que teriam favorecido a eclosão de movimentos rebeldes pós conciliares, seriam o indicativo da situação, como os “progressistas”, esforçando-se por uma Igreja católica, ora dos pobres, ora das multis facilitações a atendimento das correntes pagãs atuais, como das ideologias niilistas socialistas, confrontando a doutrina tradicional da Igreja, como a Teologia da Libertação e outros similares, por sinal se espalham-se com vigor mundo afora se creditaria às centenas de sacerdotes e até bispos engajados no esquema de verdadeira subversão de valores da fé.
    Segundo a visão dos “progressistas”, a Igreja deveria adaptar-se ao modernismo; estaria parada no tempo e espaço, não se justificando certas práticas à atualidade; para eles, sutilmente deveria ser doravante Jesus se adaptando às conveniencias grupais e (ou) pessoais…
    Ou se preferir: entrando perfeitamente nos criterios independenticionistas de Lutero…
    Porém, já dentro do “tudo muito pelo contrario” estariam os tradicionalistas em relação aos progressistas, com razão, mas em relação ao V II deveriam repensar o posicionamento e tentar equacionar a questão; seria o ideal.
    O caso do Brasil: se o comunista PT está no poder e o país se encontra em plena decadencia atual ético-moral, educacional e financeira inclusive, teria sido híper patrocinado e sua ascensão deveria ser creditada especialmente aos membros da esquerdo-comunista Teologia da Libertação, os mesmos provenientes de grupos rebeldes ao Vaticano II, senão mesmo à Igreja…
    Confiram denuncias a alguns cardeais e bispos a serviço de certas “potestades”; seriam eles os pivots de todos os desacertos…

  6. Nota-se imediatamente que o Seminário do Exmo. Sr. Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé já não era da qualidade do Seminário de Viamão, onde Arnaldo Xavier da Silveira começou seus estudos teológicos.
    Urge na Igreja uma varredura completa em todos os seminários do urbe para conhecer, analisar e corrigir os erros que circulam no meio do clero e dos bispos. Só indo `a fonte é que descobriremos a razão da contaminação das rios.
    Parabéns ao Dr. Arnaldo Xavier da Silveira em cujas linhas percebe-se também o grande jurista.

  7. Inquisidor-mor da linhagem do bispo Pierre Cauchon e de Jean le Maistre.

    Santa Joana D’arc, rogai por nós!

  8. Parabens ao Professor Arnaldo Xavier da Silveira por mais um texto brilhante. Infelizmente, a onda colocada em movimento por Dom Müller tende a se espalhar, amparada pela grande autoridade do seu cargo de Prefeito da Fe´. Parece que vai ficar cada vez mais facil acusar os catolicos tradicionalistas de hereges e cismaticos, inclusive acusa-los de fundar uma outra Igreja. E isso pelo fato de não aceitarem as novidades do Concilio Vaticano II, ja condenadas pelo Magisterio dos Papas anteriores a esse Concilio. Que ironia ser chamado de herege por querer manter aquilo em que a Igreja sempre acreditou e mandou acreditar! Que ironia ser chamado de herege por manter o que a Igreja sempre praticou e mandou praticar, e por não aceitar o que a Igreja em tempos passados condenou e mandou rejeitar.
    Enfim, que ironia ser chamado de herege por uma alta autoridade da Igreja que jamais se retratou de afirmações escandalosas ditas por ela mesma contra os dogmas da Transubstanciação e da Virgindade Perpetua de Maria Santissima!
    Crise espantosa esta que vivemos!
    A primeira vitima disso tudo, pra variar, e´ a Fraternidade São Pio X. No ultimo programa “Escola da Fe´”, por exemplo, (de 27/12/2012), o Professor Felipe Aquino disse que o grupo liderado por Dom Lefebvre rompeu com a Igreja Catolica e fundou uma Igreja dissidente. Quem conhece a historia toda, sabe que isso não e´ verdade. Dom Lefebvre nunca rompeu com a Igreja Catolica e sempre considerou os Papas do Concilio como Papas autênticos. Ele rompeu com as novidades, que não são dogmas de Fe´, mas que agora Dom Müller, campeão da “ortodoxia pos-conciliar”, quer fazer passar como tais.
    Aguardemos os proximos capitulos dessa historia, que não tem data para terminar.

  9. Caro Dr. Arnaldo, Monsenhor Muller está certo e o senhor está errado. Sedevacantistas caracterizam-se por corroerem a autoridade dos sucessores de Pedro com rara habilidade, potencialmente capaz de causar inveja a Lutero e outros irmãos que se perderam no erro. Fique tranquilo: o Espírito de Deus paira sobre a Santa Igreja e a protege dos inimigos e das ciladas urdidas pelo demônio, ainda que travestidas de pretenso zelo e pretenso amor pela tradição. Mais respeito pelo Santo Padre e pelos seus colaboradores diretos, eis o mínimo que se exige.

  10. Prezado Sr. Villar,
    Por favor, onde foi que o Professor Arnaldo Xavier da Silveira faltou com o respeito para com o Santo Padre e seus colaboradores?
    Nas perguntas que dirigiu a Dom Müller e na tese que apresenta em seu trabalho sobre a Missa Nova?
    Ora, se fosse por isso, o Apóstolo São Paulo teria sido sedevacantista e inimigo encarniçado da Igreja ao se opor a São Pedro na questão da circuncisão. E olhe que São Paulo não fez pergunta respeitosa, nem apresentou uma tese por escrito, mas resistiu “na cara”, repreendendo publicamente, não um sucessor de Pedro, mas o próprio São Pedro, o homem a quem Cristo Nosso Senhor prometera as chaves. São Paulo conta o episódio na Carta aos Gálatas.
    E o motivo da repreensão era que São Pedro, o primeiro Papa, não tinha infalibilidade absoluta. O Professor Arnaldo apenas concorda com isso e diz certo. Cristo poderia ter dado a Pedro e a seus sucessores a infalibilidade em tudo o que fizessem e disessem. Seria maravilhoso, sensacional, magnífico! Mas, Nosso Senhor não quis assim. Tanto que São Pedro, em determinado momento, estava vacilando, estava dando mau exemplo, ao andar e fazer refeição com os cristãos vindos do judaísmo, e evitando andar com os outros cristãos. Com isso, dava a entender uma doutrina errada: a de que a circuncisão ainda era necessária para se alcançar a salvação eterna.
    Diremos que São Paulo, ao repreender São Pedro, era inimigo da Igreja? Que era um sedevacantista armando ciladas para o Príncipe dos Apóstolos, “ainda que travestidas de pretenso zelo e pretenso amor pela tradição”?
    Claro que nenhum leigo irá se dirigir ao Santo Padre da forma enérgica com que São Paulo se dirigiu a São Pedro. Até porque São Paulo era também um Apóstolo, cuja autoridade estava abaixo apenas do próprio São Pedro. Para os leigos, há uma maneira própria de se dirigir ao Papa e aos seus colaboradores, mas o objetivo de questionar uma opinião ou uma decisão do Santo Padre que pareça estar ou esteja evidentemente em desacordo com a Tradição bi-milenar da Igreja é inteiramente válido.
    Que pode infelizmente acontecer de um Papa ter uma doutrina pessoal em discordância com a doutrina da Igreja, inclusive manifestada (essa doutrina pessoal) em atos e discursos, sabe-se muito bem, como se conta a respeito do Papa João XXII, de Avignon, cuja opinião sobre a bem-aventurança eterna dos eleitos era contrária à Revelação Divina (ele se retratou no leito de morte). É claro que nesse caso não estava presente nenhuma condição para a infalibilidade papal.
    A tese segundo a qual pode acontecer de um Papa errar doutrinariamente enquanto doutor privado (repito, “enquanto doutor privado”) não é nova. Os teólogos do passado a discutiram. A novidade, expressa no trabalho do Professor Xavier da Silveira, é a tese (ao que se sabe, nunca considerada no passado) de que o erro doutrinário pessoal de um Pontífice, (portanto – novamente – enquanto teólogo particular) possa ser transmitido para documentos pontifícios nos quais faltem as condições requeridas para a infalibilidade. E a partir daí esse erro acabar sendo imposto aos fiéis como se fosse doutrina da Igreja.
    Como no caso de um Concílio pastoral, que não quis proclamar nenhum dogma e impôs novidades em contraste com a Tradição que o precedeu.
    As discussões estão abertas dentro desse fascinante e vasto universo.