Anotações – Conferência de Dom Fellay sobre as relações com a Santa Sé.

Apresentamos algumas notas tomadas da conferência de Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, proferida em Ontário, Canadá, no dia 28 de dezembro de 2012. Não se trata de uma transcrição ipsis litteris — exceto, evidentemente, do que está entre aspas –, mas de anotações que buscam resumir o que há de mais importante nas quase duas horas de gravação. Caso nossos amigos encontrem algo relevante que não tenha sido relatado abaixo, poderão nos informar na caixa de comentários.

No último sábado, o distrito norte-americano da Fraternidade divulgou uma nota, que publicamos a seguir, acerca da referência feita por Dom Fellay aos “inimigos da Igreja” nesta mesma conferência.

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Dom Bernard Fellay.

Dom Bernard Fellay.

  • A FSSPX enfrentou provações. Como a provação recente, que afetou quase toda a FSSPX, houve apenas 2 ou 3. O problema maior consistiu na perda de confiança na autoridade. Quando se perde confiança na autoridade, corre-se o risco de ficarmos por conta própria.
  • A FSSPX sofre ataques do demônio ocasionalmente.
  • O Cardeal Darío Castrillon Hoyos disse a Dom Fellay que ele e o Papa eram a seu favor, mas que se ele dissesse isso em público, ele (Cardeal Castrillon) desmentiria.
  • Há pessoas que desviam documentos que deveriam ser entregues ao Papa e que impedem que o Santo Padre tome conhecimento de algumas correspondências. Essas pessoas sabotam o Santo Padre. Se você escreve uma carta ao Papa, ela passa pelo Secretário de Estado. Dentro do Vaticano há pessoas que sequestram decisões do Papa.
  • Muitas coisas publicadas na Internet sobre a Fraternidade são falsas.
  • “Vejo que aqueles que estão realmente se apegando ao Concílio são aqueles que o fizeram e os que o implementaram — a geração antiga, aqueles que estão no poder atualmente. Vejo também que eles não são seguidos pelas gerações mais novas, que não pensam assim. Isso é muito interessante. Eu posso entender isso, porque eles não têm uma relação afetiva com ele [Vaticano II]. O Concílio não é o bebê das gerações mais jovens. O Concílio para eles é algo que tem a ver com o último milênio. Eles veem e experimentam uma situação desastrosa na Igreja, uma ruína. E não estão contentes com isso. Então, eles buscam algo e quando ouvem sobre a Tradição, eles ficam muito interessados”.
  • Os bispos de língua alemã são grandes inimigos da FSSPX. Eles já preparam algo [um documento] dizendo que não querem ter nada a ver com a FSSPX, inclusive tramando o fechamento de capelas e expulsão da FSSPX.
  • Na França, 10% das ordenações provém da FSSPX. Mais da metade dos padres na França tem idade superior a 75 anos de idade.
  • Na diocese de Roma houve apenas 1 ordenação no ano de 2012.
  • Estamos começando a ver bispos que pensam que estamos certos. Um desses bispos me contou que gostaria de celebrar a missa tradicional todos os dias, mas tem dúvidas se deve fazê-lo ou continuar fazendo o melhor que pode em sua diocese, pois sabe que se começar a celebrar a missa será removido da diocese.
  • Há um número pequeno, mas crescente, de bispos e padres que querem celebrar a missa Tradicional, mas não falam sobre isso publicamente, pois a situação é muito difícil e eles temem. Se comparados há cinco anos, houve um aumento considerável. Temos que promover esse movimento. A Tradição é o futuro da Igreja.

A agência Catholic News Agency apresenta ainda duas afirmações de Dom Fellay:

  • “Quem, durante este tempo, mais se opôs a um reconhecimento da FSSPX pela Igreja? Os inimigos da Igreja. Os judeus, os maçons, os modernistas”.
  • “A situação não é desesperadora, não. Ela não é pior do que antes… existe alguma esperança. Não creio que seja para agora, mas para nós, apenas continuamos”.

Dois fatos relatados por Dom Fellay:

  • O túmulo da mãe de Paulo VI tem símbolos maçônicos. Alguém foi enviado para verificar e esta pessoa confirmou e tirou fotos. “Como um Papa pode permitir que sua mãe tenha um túmulo maçônico?”
  • Alguém procurou o Papa Pio XII e lhe disse: “você tem um traidor na sua casa, no Vaticano, que está tratando com os comunistas contra você.” Pio XII não quis acreditar. O bispo luterano de Helsinki levou as provas a XII através de um agente secreto. O Papa recebeu as provas de que o traidor era o Arcebispo Montini, futuro Papa Paulo VI. Assim, Pio XII o afastou do Vaticano e o fez arcebispo de Milão. E de lá ele saiu como Papa. “Agora eles querem fazê-lo beato! Isso é inacreditável! Eles tentam beatificar todos esses papas que trouxeram essas novidades. Essa é a minha impressão. Eles alteram o sentido de santidade”.
  • “Nosso Senhor é o chefe. Ele está no controle. Às vezes nos esquecemos disso. Nada acontece de ruim na Terra sem a permissão de Deus. Deus é o mestre”.

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Comunicado de Imprensa do Distrito dos Estados Unidos da FSSPX

Durante uma conferência de duas horas proferida em Ontário, Canadá, no dia 28 de dezembro de 2012, Dom Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, comentou sobre as relações entre a Santa Sé e a FSSPX durante os dois últimos anos.

Durante a conferência, Mons. Fellay declarou: “Quem, durante esse tempo, foi mais contrário a que a Igreja reconheça a Fraternidade? Os inimigos da Igreja. Os judeus, os mações, os modernistas… ”.

A palavra “inimigos” usada aqui pelo bispo Fellay e, portanto, um conceito religioso refere-se a qualquer grupo ou seita religiosa que se oponha à missão da Igreja Católica e a seus esforços por cumpri-la: a salvação das almas.

Este contexto religioso se baseia nas palavras de nosso Senhor Jesus Cristo segundo consta nos Santos Evangelhos: “Quem não está comigo está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha.” (Mateus 12: 30)

Ao referir-se aos judeus, comentário de Mons. Fellay referia-se aos líderes das organizações judias, e não ao povo judeu, como inferido pelos periodistas.

Consequentemente, a Fraternidade de São Pio X denuncia as falsas acusações reiteradas de antissemitismo ou de discurso de ódio feitas com a finalidade de silenciar a sua mensagem.

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5 Comentários to “Anotações – Conferência de Dom Fellay sobre as relações com a Santa Sé.”

  1. Estimados amigos,

    Tive a oportunidade de ouvir por duas vezes na integra a importante exposição de D. Fellay e creio que na súmula por vós feita falta algo que considero relevante, ainda que segundo o próprio se trate de uma reflexão estritamente pessoal, isto é, quando projecta o futuro e antevê que a primavera está próxima, aliás, usando uma belíssima alegoria com o final do inverno.

    Com amizade e votos de um Bom Ano cheio de graças do Senhor por intercessão da Virgem Santíssima e de São José, a quem D. Fellay anunciou ireis consagrar a Fraternidade no próximo dia 19 de março.

  2. Não vejo problema algum nas declarações de Mons. Fellay, tampouco, motivos para um comunicado de Imprensa do Distrito dos Estados Unidos da FSSPX, com explicativas.
    Aliás, acredito que Mons. Fellay tenha sido modesto em listar os inimigos da Igreja que, aliás, são inumeráveis!

    OMNIA INSTAURARE IN CHRISTO

  3. Muito interessante essa enumeração de inimigos e revelações sobre ligações de Paulo VI com a maçonaria.

    Não precisamos demonizar os judeus (coisa que claramente Dom Fellay não fez), mas é necessário olharmos para os líderes judeus em sua maioria (ou talvez, a minoria barulhenta) que são verdadeiramente inimigos da Igreja como o que realmente são. Há judeus traidores do próprio judaísmo, que entregam até hoje seu próprio povo nas mãos dos muçulmanos e dos comunistas. Não podemos também cair no extremo oposto que seria santificar os judeus, lhes liberando de quaisquer críticas, até porque volta e meia eles provocam a Igreja Católica.

    Sobre o fato do bispo Luterano haver enviado provas ao Papa Pio XII sobre a traição do futuro papa Paulo VI, vejo nisso um exemplo espetacular da verdadeira relação que deve haver entre católicos e cristãos não católicos. É a simples relação de amizade sincera entre os homens de bem, sem tender para o ridículo ecumenismo midiático que vemos hoje.

    E por final vemos que a verdade realmente é filha do tempo. Há pouco tempo lemos e discutimos sobre as “beatificações” dos papas promotores do Vaticano II, e desconfiados, quantas vezes dissemos que isso era pura e simplesmente a mão de ferro dos inimigos internos da Igreja para manter o status quo atual – o modernismo, liberalismo e as ações escandalosas do Vaticano desde o início da derrocada que vemos nos dias atuais! Agora vem Dom Fellay e diz o mesmo. Ou seja, um dia a casa cai, e já está caindo, pois não somos os únicos a perceber, esta piada satânica já está ridiculamente exposta.

    Rezemos e lutemos para que a Tradição seja restaurada e os inimigos sejam derrubados por terra,

    Viva a FSSPX, Dom Marcel Lefebvre, Dom Fellay, Viva a Tradição!

  4. “O Papa recebeu as provas de que o traidor era o Arcebispo Montini, futuro Papa Paulo VI. Assim, Pio XII o afastou do Vaticano e o fez arcebispo de Milão.”
    Então Pio XII teve provas concretas que Montini era um traidor e o mandou para a diocese de maior prestígio no mundo????? Isso não tem lógica!!!

  5. Tem logica, sim. Pio XII retirou de Monsenhor Montini o alto cargo que ele exercia no Vaticano (Pro-Secretario de Estado) e mandou-o para longe, o que nao e’ pouca coisa.
    Deu-lhe, e’ verdade, uma Se’ de prestigio (Milao) mas negou-lhe o chapeu cardinalicio. Quando isso acontece, normalmente e’ interpretado como uma especie de rebaixamento. Um alto Prelado vai exercer um cargo que normalmente traz consigo o Cardinalato, mas o Papa nao o nomeia Cardeal. O que significa tal coisa? Significa que aquele prelado caiu no desagrado do Papa.
    Pio XII com isso estava dizendo nao somente que desejava afastar Dom Montini para longe, como tambem que nao o queria como seu sucessor na Se’ Apostolica. Na epoca, muita gente estranhou o “exilio” do ex-Pro-Secretario, e e’ claro que a Santa Se’ nunca revelou o fato que causou a remocao.
    Quem conta a historia a que Dom Bernard Fellay se refere e’ Dom Luigi Villa, no seu excelente livro “Paulo VI Beato” (recomenda-se vivamente sua leitura). Segundo Dom Villa, depois da remocao o Arcebispo Montini nunca mais teve entrada no Vaticano enquanto Pio XII viveu.
    Mas, vem a pergunta: por que, entao, Pio XII nomeou Monsenhor Montini Arcebispo? Por que simplesmente nao o exilou? Por que nao o mandou para longe sem cargo importante para exercer? Essa resposta fica para os especialistas em politica eclesiastica, da qual nada entendo e, pelo que me disseram, e’ algo muito complicado. Porem, e’ facil perceber que pressoes modernistas sobre o Papa nao acontecem somente nos dias de hoje. Nao nos esquecamos que, embora Pio XII tivesse forca para tampar a boca do vulcao, a lava estava ficando cada vez mais quente, mais volumosa e fazendo pressao para explodir. O Papa Pacelli condenou o neo-modernismo, a nova teologia, as inovacoes liturgicas na Missa… Mas, o fato e’ que nos subterraneos da Igreja (nos seminarios, nas sacristias, nas salas de aula, nos conventos) o clero era cada vez mais contaminado por essas heresias e pelo desejo de “desmantelar a capela sagrada”. E o mesmo acontecia com o alto clero, Bispos, Cardeais, altas autoridades da Igreja… Ora, e’ possivel que o Papa tenha cedido ‘a enorme pressao destes e aceitado nomear Montini como Arcebispo antes de afasta-lo para Milao. Dom Luigi Villa, por outro lado, diz que essa nomeacao foi praticamente ignorada por Pio XII. Mas, nao da’ mais detalhes.
    Dom Montini so’ seria nomeado Cardeal em 1959, pelo Papa Joao XXIII, o qual, segundo se conta, disse a ele: “estou esquentando a cadeira pra voce”. Pelo visto, ja sabiam o que tinha de ser feito.