Uma interpretação não pode ter autoridade maior do que o ensinamento interpretado.

Basílica de São Pedro, novembro de 2012: Pe. Barthe lê a mensagem do Papa Bento XVI aos participantes da peregrinação 'Una cum Papa Nostro'.

Basílica de São Pedro: Pe. Barthe lê a mensagem do Papa aos participantes da peregrinação ‘Una cum Papa Nostro’.

Como justificar esta obrigação de receber, sem possibilidade de debate teológico, uma doutrina que não foi sancionada por um ato magisterial definitivo? Ademais, querendo evitar a contestação, tanto “de direita” como “de esquerda”, acaba-se por redobrá-la: ao colocar dogma e não-dogma no mesmo plano a fim de evitar a contestação do não-dogma, não se corre o risco de ver tudo ser contestado, inclusive o dogma? É o que, de fato, acontece. […]

Indo além, chegamos a este paradoxo: um Concílio que se pretendia “libertador” desembocaria nesta conseqüência tirânica de que deveria ser recebido sem possibilidade de crítica teológica aos ensinamentos que não são de fé.

Que nos entendam bem: a interpretação “da continuidade” é, em si, eminentemente respeitável e mais significativa do que qualquer outra, mas não vemos como ela teria maior autoridade do que o ensinamento pastoral que ela aborda”.

Da coluna do Padre Claude Barthe, respeitadíssimo nos meios vaticanos e capelão da bem-sucedida peregrinação Una Cum Papa Nostro, na edição de 5 de janeiro de 2013 de L’homme Nouveau.

3 Comentários to “Uma interpretação não pode ter autoridade maior do que o ensinamento interpretado.”

  1. Foi quase exatamente isso que eu disse num comentário na página do Pe. José Maria Iraburu. Foi uma iluminação repentina que eu tive.

    Eu disse que quando se enxerga doutrinas pastorais como sendo dogmáticas e obrigatórias, acaba-se por enxergar doutrinas dogmáticas e obrigatórias como pastorais.

    Pelo fato do Padre negar uma verdade de fé, a existência do limbo, e junto com a comissão teológica internacional afirmar que criancinhas mortas sem batismo podem entrar na bem-aventurança eterna.

    Além de ser um ensino constante do magistério oral da Igreja, tendo o magistério eclesiástico já se posicionado a favor de tal doutrina, o referido Padre se concedia o direito de recusar tal ensino e sustentar uma doutrina oposta.

    Eu o questionei o por que dele se conceder tal direito e implicar com a Fraternidade porque essa se concede o mesmo direito em relação ao ecumenismo e a liberdade de cultos.

    Ele aprovou uma primeira mensagem, quando ele pensava que eu recusava a autoridade do Santo Padre e fosse um membro formal da FSSPX, repetindo sempre a mesma ladainha, aconselhando-me a abandonar a ideia de que o vaticano tivesse sido tomado pelo anti-cristo, que eu abandonasse as ideias filo-lefebvristas, etc.

    Depois que lhe expliquei minha posição e fiz os questinamentos acima, o referido padre recusou-se a responder e publicar os comentários.

    Assim são, meus caros, os neo-conservadores.

  2. Eis o link da minha postagem questinando o Sacerdote. Já está direcionado diretamente para minha mensagem:

    http://infocatolica.com/blog/reforma.php/1212271153-dios-lleve-al-cielo-a-los-nin#c308378

  3. As palavras do Pe. Claude Barthe parecem vir a propósito do comentário de Arnaldo Xavier da Silveira (publicado nesse site, dias atrás) sobre o pronunciamento de Mons. Müller, que teria qualificado de herejes os que não aceitam a “hermenêutica da continuidade”, em relação às decisões do Concílio Vaticano II. Talvez o texto completo da coluna do Pe. Barthe esclareça melhor o problema.