Um mar de gente em Paris para dizer não ao “casamento gay”.

Por Fratres in Unum.com – Um domingo histórico para o ocidente, cujas raízes cristãs são cada vez mais renegadas pelos filhos da Igreja e cruelmente atacadas pelo laicismo maçônico.

Reeditando as manifestações da metade de novembro passado, então minimizadas pelo governo socialista de François Hollande, cidadãos de bem se reuniram na capital francesa para dizer um rotundo não ao projeto intitulado “Mariage pour tous” [“Casamento para todos”], que pretende instituir o “casamento” entre duplas homossexuais, sancionando a elas a faculdade de adotar crianças.

Paris, 13 de janeiro de 2013: um mar de gente diz não ao casamento gay.

Paris, 13 de janeiro de 2013: um mar de gente diz não ao casamento gay.

“Manif pour tous” [“Manifestação para todos”, um trocadilho com o nome do projeto de lei], a maior das mobilizações, partiu de três pontos da cidade sob a liderança da humorista Frigide Barjot. Declarando-se apolítica e independente, congregou pessoas das mais variadas correntes e afiliações, com o apoio da hierarquia da Igreja francesa — o Cardeal Arcebispo de Paris, Dom André Vingt Trois, manifestou seu apoio às lideranças, enquanto o Cardeal Primaz, Philippe Barbarin, caminhou com o povo.

Os manifestantes exigiam do governo Hollande a realização de um referendo sobre o tema, antes de sua discussão no congresso. O apoio ao casamento gay na França caiu cerca de 10 pontos percentuais desde que opositores começaram a se mobilizar, chegando aos 55%. E, de acordo com pesquisas, menos da metade dos entrevistados aprovavam a adoção de crianças por homossexuais.

A declaração final do “Manif pour tous” solicitou ao presidente francês que recebesse os líderes do movimento nesta segunda-feira, lançando um questionamento ao mandatário do país da igualdade: “O « mariage pour tous » é a inserção em nosso direito de uma discriminação fundamental entre os seres humanos: aqueles que nascerão de um pai e de uma mãe, aqueles que serão legalmente “nascidos” de dois pais e aqueles que serão legalmente “nascidos” de duas mães. Será o senhor, Presidente da República, quem abolirá a igualdade de nascimento entre as crianças?”

Exclusivamente católico.

Instituto Civitas: mulher reza o terço antes do início da manifestação. No chão, o cartaz: "A família é sagrada!".

Instituto Civitas: mulher reza o terço antes da manifestação. No chão, o cartaz: “A família é sagrada!”.

Um quarto cortejo foi formado pelo Instituto Civitas, que preferiu organizar uma mobilização especificamente católica partindo de outro ponto da cidade, distanciando-se, assim, do que o superior distrital da Fraternidade São Pio X, Pe. Regis de Cacqueray, qualificou de “ateísmo de fato em nome do consenso e da busca pelo número” da manifestação liderada por Barjot.

“Esta neutralidade que coloca Nosso Senhor Jesus Cristo de lado sempre foi condenada pelos Papas”, afirmou o superior, acrescentando ser necessário dizer abertamente: “a pederastia é um pecado grave, uma transgressão à lei natural, condenada nos termos mais severos pelo livro do Levítico, assim como por São Paulo. Consequentemente, a celebração da união de duas pessoas do mesmo sexo pelo casamento constitui um verdadeiro contra-senso e uma abjeção”, que tornaria a sociedade um “verdadeiro inferno”.

Governo não voltará atrás, apesar de manifestação ‘consistente’.

Todos os grupos se encontraram, no meio da tarde, na esplanada do  Champ-de-Mars, uma das maiores áreas verdes de Paris localizada nos arredores da Torre Eiffel.

A Ministra da Justiça francesa, Christiane Taubira, idealizadora do projeto, veta o referendo.

A Ministra da Justiça francesa, Christiane Taubira, idealizadora do projeto, veta o referendo.

De acordo com Le Monde, “independente da amplitude da manifestação, o presidente François Hollande teria deixado claro que o projeto irá ‘a seu termo’. O texto que introduz esta reforma foi apresentado em 7 de novembro ao conselho dos ministros. Ele deve ser submetido à Assembléia Nacional no fim de janeiro. ‘A manifestação, se acreditarmos nas imagens e nas cifras que devem ser confirmadas, é consistente e exprime uma sensibilidade que deve ser respeitada, mas não modifica a vontade do governo de lançar um debate no Parlamento para permitir a votação da lei’, declarou [em nota] o Palácio de Elysée antes da divulgação do número de participantes”. 

Debate a ser lançado apenas na Assembléia, onde a vitória é mais provável. Para a ministra da justiça, Christiane Taubira, toda idéia de consulta à população está descartada e seria “inconstitucional”. A meta do governo é aprovar o projeto até junho deste ano.

Um mar — tranquilo — de gente.

Um ambiente ordeiro e familiar, de jovens a idosos, residentes na capital francesa ou provenientes do interior — foram cinco trens de alta velocidade, 900 ônibus e inúmeros comboios de carros. Segundo as autoridades policiais, 340 mil pessoas, das quais 8 mil no cortejo organizado pelo Instituto Civitas, estiveram presentes na manifestação.

A organização, todavia, que inicialmente declarou haver 500 mil pessoas, refez as contas no início da noite e confirmou a presença de 1 milhão de pessoas. De sua parte, o Instituto Civitas contabilizou em suas fileiras cerca de 50 mil pessoasO Padre Phillippe Laguerie, do Instituto do Bom Pastor, fala em 1 milhão e meio de pessoas ao todo. Alguns policiais afirmaram ao sacerdote: “Mesmo no Ano Novo, nos Champs Elysée, nunca vimos isso”. Ao padre, a conclusão é evidente: “Taubira, fora. Ela e seu projeto do diabo”.

Inquestionavelmente, a maior manifestação ocorrida na França nos últimos 30 anos, como definiu o Le Figaro. Em dezembro, os partidários do casamento gay também marcharam pelas ruas de Paris: 60 mil pessoas, segundo a polícia, e 150 mil, segundo os organizadores.

Lição aos católicos.

O evento de hoje é uma clara lição à hierarquia católica de como suas palavras podem mobilizar as pessoas. Se o empenho de nossos pastores em participar de comissões, organizar planos pastorais e outras burocracias eclesiásticas, fosse canalizado à defesa dos valores morais e da Fé, as coisas seriam muito, muito diferentes.

21 Responses to “Um mar de gente em Paris para dizer não ao “casamento gay”.”

  1. E no Brasil só vemos um STF legislador, que quer impor a aberração da equivalência matrimonial das uniões homosexuais (meramente civis), apoiado num senso politicamente correto da mídia e num falso humanismo.

  2. Justo na França? Que grata surpresa!

  3. E o que sai na mídia brasileira são QUATRO loucas que tiraram a blusa durante o Angelus do Papa no Vaticano para protestar a favor dos gays

  4. Enquanto isso no Brasil as principais lideranças católicas repesentadas na Canção Nova com o Padre Fabio de Melo, Gabriel Chalita e edinho Silva defendem o casamento civil de homossexuais.

    E pensar que começou com um punhadinho de católicos tradicionalistas e virou um mar de gente contra o pecado da sodomia.

    Por isso que as forças secretas não querem um plebiscito pois perderiam a iniciativa de lei. Mas desgraçados dos franceses que elegeram democraticamente um françois Hollande ao invés de um São Luis Rei de França. Vão pagar muito caro pela sua omissão.

    Agora dá dó de comparar os franceses com os católicos no Brasil, tal atitude seria impensável na mentalidade dos católicos no Brasil, seja do clero, seja dos leigos.

    No Brasil o casamento homosexual e a adoção de crianças por homossexuais passou sem que os brasileiros dessem uma só manifestação contrária.

  5. No Brasil os católicos (sobretudo os tradicionalistas) não se uniriam em tamanho número, uma vez que o grupo M ataca o grupo T, que por sua vez sempre foi contra-revolucionário. De outro lado, o grupo X se opõe, pois gosta de ser do contra.
    E os mornos não iriam, pois preferem ficar na internet criticando do que nas ruas agindo.

  6. as pessoas homossexuais são chamadas á castidade ,pelas vertudes de autodominio,educadoras da liberdade interior ás vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada ,pela oração e pela graça sacramental ,podem e devem se aproximar ,gradual e resolutamente ,da perfeiçaõ cristã.

  7. Cadê o Cleir? Machado? Emerson? Renato?

    E aí comentaristas em geral, e NÓS, vamos fazer alguma QUANDO????????????????????

    Quem tiver dinheiro e n tiver tempo, vamos nos unir, eu tenho tempo e n tenho dinheiro. Há vários casos assim!!

    Ainda estamos em Janeiro. E aí, vamos a campo ou n?

  8. De fato, Ana Maria, cada qual pode contribuir com alguma coisa! Presente!

  9. Isso mostra o poder que a Igreja Católica tem , nós somos um gigante adormecido aqui no Brasil . Se fizéssemos isso, e precisamos fazer , poderíamos mudar completamente a realidade do nosso país , enquanto nós católicos tradicionalistas não saírmos pra rua e protestar as coisas não vão mudar pra melhor no Brasil porque nosso governo é ateu e quer é destruir todos os valores os quais nossa sociedade foi construída aprovando essas leis que favorecem casamentos gays e adoção de crianças por pais homossexuais.. sirva-nos o excelente exemplo dos católicos da frança !!!!!

  10. E olhem que isso é na França hein. No mínimo é surpreendente. Aliás, antes de surgir essa pauta depois da eleição do socialista, eu imaginava que isso já estivesse aprovado na França desde muitos anos, dadas as características políticas do país.

  11. É, aqui no Brasil eu tenho que admitir que as forças do mal agiram como mestres. O STF aprovou no “tapetão” o casamento gay. Eles retorceram a Constituição de uma forma absurda e com isso, de um dia pro outro, sem necessidade de debate no Congresso e desgaste político, aprovaram a “conversão” em união estável para “casais” do mesmo sexo. O TJ de São Paulo inclusive já deu autorização para os cartórios procederem com esses registros quando forem demandados.

    Passou na calada da noite por uma canetada e ninguém deu muita bola… agora o trem passou e é difícil mudar pois de decisão do STF não há outras instâncias de recurso. A não ser que eles mudem no futuro (duvido) ou o Congresso aprove uma lei claramente contrária a isso (vejam a que ponto chegamos!!! Sem termos NUNCA debatido o assunto no Congresso e nossa Constituição sendo CLARAMENTE CONTRA, com o golpe do STF, agora precisaremos de uma LEI ESPECÍFICA para proibir o casamento gay) o que é impossível no cenário atual…

    Na verdade, não acredito que a CNBB tenha “comido bola”. Eles sabem o que houve, mas ficaram quietos pois no fundo eles aprovam, aqueles apóstatas comunistas…

  12. Uma marcha dessa pre-organizada seria excelente em Brasília, ta na hora de ir para campo, as forças do mau se organizam e causam os danos e nós católicos do Brasil?? vamos começar a pensar em algo desse tipo e estudar uma viabilização.

  13. Matrimonio – proteger a Mater. Onde existe uma Mater – Mae, pode haver um matrimonio.
    Entre duas pessoas do mesmo sexo, nao existe necessidade de proteçao a Mater, pois nao há fecundaçao. Portanto, Matrimonio entre pessoas do mesmo sexo é totalmente desnecessário, além de anti-natural.
    Mais do que um erro de compreensao da etmologia da palavra, é uma falta de percepçao da realidade da criaçao.

  14. Mas é claro que não querem referendo… Iriam sofrer uma lavada…
    O que acredito que seria o caso no Brasil também, embora concorde com comentários acima, é bem difícil fazer uma amrcha católica nessas proporções…
    Bonito ler no texto, um Cardeal caminhando com o povo… Já aqui, o Pe. Fábio de Melo (sem batina é claro) defende a união civil….
    Embora eu não seja nada fã do Padre Marcelo Rossi, esse sim teria alguma força para realizar uma passeata assim a curto prazo, pois para o bem ou para o mal, é o único sacerdote no país que consegue juntar muitos (que se dizem) católicos.
    Mas ele, e o seu Bispo, se proporem a fazer algo assim…. Bom, seria beeeemm difícil, é mais conveniente seguirem o politicamente correto..

  15. Enquanto isso, no Brasil, as paradas gays são um fenômeno popular. Trocaram a Santa Cruz pelo arco-íris.

  16. “La ferveur des 650 000 manifestants – plus celle des 50 000 qui ont préféré rejoindre la marche plus militante organisée par Civitas – démontre que la mobilisation est puissante et que la base n’est pas prête à déposer les armes.

    Déléguée générale d’Avenir de la Culture, Catherine Goyard a déclaré que ce message doit être entendu au sein de la Conférence épiscopale dont la plupart des membres ne mesurent pas encore la profondeur de la réaction des catholiques contre un ultime bouleversement de civilisation : une révolution, en somme.

    Elle a réitéré l’appel respectueux d’Avenir de la Culture aux évêques de France en décembre dernier : « N’ayez pas peur ! – La proposition d’un ‘Pacs amélioré’ comme alternative au ‘mariage pour tous’ divise les catholiques et affaiblit la réaction ».

    Comentário retirado do site da Associação Católica Avenir de la Culture (http://www.avenirdelaculture.fr/) que há 13 anos faz campanhas seguidas contra o casamento homossexual na França. Essa manifestação não foi o grito de cólera do episcopado francês, mas o grito dos católicos franceses contra esse episcopado. A tal ponto que um ministro de François Holande se perguntava no Le Monde se esse desfile era “très catho ou très à droite?”.

    No Brasil, qualquer manifestação não terá também o apoio do episcopado e do clero. Será preciso mobilizar com os sacerdotes que ousam defender a boa doutrina sem medo e com os leigos que farão o pelotão de frente da marcha.

    A menos que apareça um bispo querendo recuperar prestígio e comandar a oposição, “antes que alguém o faça”.

  17. Ô gente, a questão do Brasil n é apresentar número de gente em manifestação. N.
    É mudar a mentalidade dos virtuais e começar um trabalho para que um dia, tenhamos um número de gente consciente na manifestação.

    Mais vale vinte pessoas conscientes a meio milhão de catogélicos na rua!

  18. De fato a questão não é número, mas a intensidade e a força da verdade. Infelizmente aqui no Brasil, os tradicionalistas parecem um balaio de gatos: um arranha o outro querendo ter a razão da razão. É triste mas é assim. E não temos líderes, somos nós com nós mesmos.

    Haverá a JMJ 2013 no Rio. Será uma palhaçada, sob certo ponto de vista.Mas, eu tenho esperança de que haverá sim, grupos e pessoas com cartazes e faixas, dizendo coisas que essa mesma passeata em Paris também disse.

  19. Heitor, muitos da tradição são tão arrogantes quanto os líderes do rccismo. Tem muito cacique e pouco cocar, fora isso o que pega muito tb é a perfeição virtual e na vida real até batedora de calçada é mais digna!

  20. Infelizmente Ana Maria, o quadro é esse mesmo! Sou Católica Tradicional mas reconheço que os tradicionalistas só gritam FOGO, FOGO!!! Mas ninguém se prontifica a pegar um balde. Todos esperam pelo milagre de Nossa Senhora e a proclamação do Reino Social de Jesus Cristo, mas arregaçar as mangas pra que isso aconteça, nem pensar!! Agora mesmo em que se falou num acordo prático com Roma pra tentar unir forças pra controlar um pouco o estrago, só se viu gente rasgando vestes e por tabela a túnica inconsutil de Nosso Senhor. Lamentável.

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