Suíça: calvinistas sim, lefebvristas não.
Por Padre Guillaume de Tanouarn | Tradução: Fratres in Unum.com – Charles Morerod é dominicano, participou das discussões doutrinais entre a FSSPX e Roma. Posteriormente, foi nomeado bispo de Lausana, Genebra e Friburgo.
Dom Charles Morerod
Ele acaba de publicar normas para admissão aos locais de culto, em nome dos “bispos e abades territoriais da Suíça”. Após ter recordado o direito da Igreja (ponto n° 1), ele declara que “outras Igrejas cristãs e comunidades eclesiais” poderão ter acesso aos locais de culto católicos “por razões de necessidade pastoral” (ponto nº 2). No entanto, “religiões não-cristãs” receberiam “uma resposta negativa” — este é o ponto n° 4.
Entre os pontos n° 2 e n° 4, há o ponto n°3 e é aí que mora o problema. Ele trata da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, da qual recorda a ausência de “posição canônica”, bem como de “ministérios legítimos” para seus membros. Logo, poderíamos imaginar que esta Fraternidade seria tratada como outra comunidade eclesial, ou como outra Igreja Cristã — e que seus sacerdotes se beneficiariam do ponto n° 2. Mas não é caso, eles são proibidos de « qualquer serviço sacerdotal » nas igrejas e capelas suíças.
Em termos gerais, Dom Morerod efetua uma hierarquia entre aqueles que não estão em comunhão com Roma. Os tradicionalistas da FSSPX vêm depois de outras comunidades (luteranos, ortodoxos, anglicanos, velhos católicos, calvinistas) e não têm o direito à mesma delicadeza. É o caso de tratá-los não como os irmãos separados, mas como os não-cristãos.
A mão estendida por Bento XVI é uma coisa. Mas na prática, esse desejo de acolher se mostra, de tempos em tempos, menos claro.