Um americano em Roma, com destino à cátedra de Pedro.

Talvez o arcebispo de Nova York. Ou quem sabe o de Boston. Seguindo as pegadas de Bento XVI e, além disso, com o chicote contra o mau governo. Mas a cúria resiste e contra-ataca, empurrando adiante um cardeal brasileiro de sua confiança.

Por Sandro Magister | Tradução: Fratres in Unum.com

Cardeal Dolan.

Cardeal Dolan.

Roma, 7 de março de 2013 – A aposta mais fácil é que o próximo Papa não será italiano, nem tampouco europeu, africano, asiático. Pela primeira vez na bimilenar história da Igreja, o sucessor de Pedro poderia vir das Américas. Ou, se preferirem tentar uma previsão mais certeira, da Grande Maçã.

Timothy Michael Dolan, arcebispo de Nova York, 62 anos, é um homenzarrão de Midwest de sorriso radiante e vigor transbordante, precisamente aquele “vigor tanto do corpo como do espírito” que Joseph Ratzinger reconheceu ter perdido e que ele definiu necessário para seu sucessor, a fim de “governar bem a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho”.

No ato de renúncia de Bento XVI já estava o título do programa do futuro Papa. E para muitos cardeais veio à mente rapidamente a vivacidade missionária com a qual Dolan desenvolveu precisamente este tema, com seu italiano “primário”, em suas palavras, mas entusiástico, no consistório do ano passado, quando ele mesmo, arcebispo de Nova York, preparava-se para receber a púrpura:

> A proclamação do Evangelho hoje

Foi um consistório muito criticado, em fevereiro de 2012. Há semanas, documentos candentes vazavam dos escritórios do Vaticano, inclusive do reservado escritório do Papa, lançando ao público ambições, contrastes, pecados de uma cúria à deriva.

No entanto, entre os novos cardeais criados por Bento XVI um bom número era de italianos, pertenciam à cúria e, o que era ainda pior, estavam estreitamente vinculados ao secretário de Estado, Tarcisio Bertone, universalmente considerado o principal culpado pelo mau governo.

O Papa Joseph Ratzinger modificou esta situação alguns meses depois, em novembro, com outras seis indicações cardinalícias, todas elas não européias, inclusive o do astro nascente da Igreja da Ásia, o filipino de mãe chinesa Luis Antonio Gokim Tagle.

Mas a fratura permanecia intacta. De um lado, os senhores da cúria, em sua infatigável defesa dos respectivos centros de poder. De outro, o universo de uma Igreja que já não tolera que o anúncio do Evangelho no mundo e o luminoso magistério do Papa Bento sejam obscurecidos pelos tristes relatos da Babilônia romana.

É a mesma fratura que caracteriza o iminente conclave. Dolan é o candidato símbolo que representa a mudança purificadora. Não é o único, mas certamente é o mais representativo e audaz.

No fronte adverso, todavia, os magnatas da cúria se unem e contra-atacam. Não empurram adiante nenhum deles, sabem que assim a partida estaria perdida de antemão. Observam o ambiente que existe no colégio cardinalício e também eles apostam para longe de Roma, do outro lado do Atlântico, porém, não no norte, mas no sul da América.

Olham para São Paulo, Brasil, onde há um cardeal filho de imigrantes alemães, Odilo Pedro Scherer, 64 anos, muito bem conhecido na cúria, onde esteva durante anos em Roma a serviço do Cardeal Giovani Battista Re quando este era prefeito da congregação para os bispos, e que hoje faz parte do conselho cardinalício que supervisiona o IOR, o “banco” vaticano, posto em que foi confirmado há poucos dias, com Bertone como seu presidente.

Scherer é o candidato perfeito desta manobra, toda ela romana e curial. Não importa que no Brasil ele não seja popular, nem sequer entre os bispos que, chamados a eleger o presidente de sua conferência episcopal há dois anos, rechaçaram-no sem apelação. Nem que tampouco brilhe como arcebispo da grande São Paulo, capital econômica do país.

O importante para os magnatas curiais é que ele seja dócil e insosso. A auréola progressista que cobre a sua candidatura é devida a uma derivação puramente geográfica, mas é útil para inflamar em algum purpurado ingênuo a presunção de eleger o “primeiro Papa latino-americano”.

Assim como no conclave de 2005, os votos dos curiais e dos partidários do cardeal Carlo Maria Martini se destinaram todos eles ao argentino Jorge Bergoglio, na tentativa falida de bloquear a eleição de Ratzinger. Também desta vez poderia ocorrer uma união análoga. Curiais e progressistas unidos no nome de Scherer, com o pouco que resta dos antigos partidários de Martini, de Roger Mahony a Godfried Danneels, hoje ambos na mira por sua frágil conduta nos escândalos dos sacerdotes pedófilos.

O Papa que agrada aos curiais e progressistas é, por natureza, débil. Agrada aos primeiros porque lhes deixa livres para atuar, e aos segudos porque deixa espaço para o seu sonho de uma Igreja “democrática”, governada “da base”.

Não surpreende que o historiador Alberto Melloni, expoente principal do catolicismo progressita mundial, tenha prognosticado no “Corriere della Sera”, de 25 de fevereiro,  que do próximo conclave sairá um “Papa pastor” e não “um papa xerife”, e também ridicularizado o Cardeal Dolan, indicando precisamente quatro magnatas da cúria como os cardeais que são, a seu ver, os mais “capazes de compreender a realidade” e determinar “o resultado efetivo do conclave”: os italianos Giovani Battista Re, Giuseppe Bertello, Ferdinando Filoni “e, obviamente, Tarcisio Bertone”.

Isto é, exatamente os que estão orquestrando a operação Scherer. A estes quatro seria necessário acrescentar o argentino da cúria, Leonardo Sandri, de quem se fala que será o futuro secretário de Estado.

Para uma cúria desse tipo, a mera hipótese da eleição de Dolan é um presságio de terror. Mas Dolan Papa sacudiria também esta Igreja feita de bispos, de sacerdotes e de fiéis que nunca aceitaram o magistério de Bento XVI, seu enérgico retorno aos artigos do “Credo”, aos fundamentos da fé cristã, ao sentido do mistério na liturgia.

Dolan é, na doutrina, um ratzingeriano total que possui, ademais, o dom de ser um grande comunicador. Mas o é também na visão do homem e do mundo, assim como do papel público que a Igreja está chamada a exercer na sociedade.

Nos Estados Unidos, Dolan está à frente daquele time de bispos “afirmativos” que marcaram o renascimento da Igreja Católica após décadas de temor de culturas dominantes e de naufrágios em face da propagação dos escândalos.

Na Europa e na América do Norte, isto é, nas regiões em que o cristianismo é mais antigo, porém está em declínio, não há hoje uma Igreja mais viva e reflorescida do que a dos Estados Unidos. E também mais livre e crítica em relação aos poderes mundanos. Desapareceu o tabu de uma Igreja Católica americana que se identifica com a primeira super potência mundial e que, portanto, não poderá nunca gerar um Papa.

Pelo contrário, o que assombra este conclave é que os Estados Unidos oferece não um, mas inclusive dois “papáveis” verdadeiros porque, além de Dolan, há o arcebispo de Boston, Sean Patrick O’Malley, 69 anos, com barba e hábito de bravo frei capuchinho.

Sua pertença à humilde ordem de São Francisco não é um obstáculo para o papado e tem precedentes ilustres, porque também o grande Julio II, o Papa de Michelangelo e Rafael, era franciscano.

Mas o que mais pesa é que Dolan e O’Malley não são dois candidatos contrapostos entre si. Os votos de um podem convergir para o outro, se necessário, porque ambos são portadores de um único projeto.

Comparado com Dolan, O’Malley tem um perfil menos decidido no que diz respeito à capacidade de governo. E isso poderia fazê-lo mais aceito por alguns cardeais, o que lhe permitiria cruzar o umbral decisivo dos dois terços dos votos, 77 em 115, o que, por sua vez, poderia estar excluído para o mais enérgico e, portanto, mais temido, arcebispo de Nova York.

O mesmo raciocínio poderia ser aplicado a um terceiro candidato, o cardeal canadense Marc Ouellet, também ele de sólida matriz ratzingeriana e cheio de talentos similares aos de Dolan e O’Malley, mas ainda mais incerto e tímido que este último nas decisões operacionais. Em um conclave que tem muitas de suas expectativas lançadas na reorganização do governo da Igreja, a candidatura de Ouellet, embora considerada pelos cardeais eleitores, parece a mais débil das três norte-americanas.

Com o seu olhar voltado de Roma para o outro lado do Atlântico, o iminente conclave leva em consideração a nova geografia da Igreja.

O cardeal Ouellet, em sua juventude, foi missionário na Colômbia. O cardeal O’Malley fala perfeitamente espanhol e português e teve sempre como atividade proeminente o cuidado pastoral dos imigrantes hispânicos. O cardeal Dolan é a cabeça dos bispos de um país que alcançou as Filipinas no terceiro lugar no número de católicos no mundo, depois do Brasil e México. E são “latinos” um terço dos fiéis dos Estados Unidos; mais, a metade dos que têm menos de 40 anos o são.

Não surpreende que os cardeais da América Latina estejam dispostos a votar em seus irmãos do norte. E com eles, outros purpurados de peso, como o italiano Angelo Scola, o arcebispo de Paris, André Vingt-Trois, e o australiano George Pell.

Uma vez fechadas as portas do conclave, já no primeiro escrutínio poderiam cair sobre Dolan muitos votos, talvez não os 47 de Ratzinger na primeira votação de 2005, mas ainda muitos.

O que seguirá é uma incógnita.

46 Responses to “Um americano em Roma, com destino à cátedra de Pedro.”

  1. Se Dom Odilo for papa n acho que será dócil aos interesses bertonienses, por exemplo. Se ele for papa que seja como foi quando calou o herege anglicano em entrevista.

  2. Pelo amor de Deus!!! Parem de encher a bola do Dolan!! De ratzingeriano ele não tem nada!! Quando Obama praticamente obrigou as Instituições Católicas no USA a cobrir anticoncepcionais para suas funcionárias e até pilula do dia seguinte, ele ladrou, ladrou e logo em seguida estava abanando o rabinho pra Obama sentando-se com ele pra jantar e até rindo de suas piadinhas sem graça para escândalo dos Católicos que lutam contra o aborto.
    Quando perguntado porque recusou atender a petição de milhares de Católicos contra tal ato, ele simplesmente respondeu:”if I only sat down with people who agreed with me, and I with them, or with those who were saints, I’d be taking all my meals alone.”
    Relativista, lingua dupla, mais amigo dos homens do que de Deus. Um Papa com esse perfil seria o ultimo castigo para essa Cristandade que apostatou completamente da Fé.

  3. Matéria muito boa.

  4. Nossa, foram lembrar logo de Julio II (1503-1513) sucessor de Alexandre VI que só era preocupado em conquistar terras ……

  5. Sou carioca, mas resido nos EUA. O autor esta querendo enganar alguem…o arcebispo de Boston celebrou a missa de setimo dia de Ted Kennedy, lider dos Democratasna regiao e defensor do aborto. Dolan, antes da ultima eleicao presidencial, apareceu em um evento aos risos junto de Obama. Parece ser um bom politico, alias so pode ser Ja que esta em Nova York.

  6. Espero que todos cardeais leiam esse texto e reflitam….

  7. Do blog Rorate Caeli, repercutindo matéria da Folha de São Paulo:

    “Escândalo no conclave: conluio mídia-Cardeal. Cardeais brasileiros em campanha papal aberta. Conselheiro do Cardeal Scherer pede à midia que publique artigos favoráveis”.

    http://rorate-caeli.blogspot.com/2013/03/conclave-scandal-media-cardinal.html

    Apenas para registro, não fui eu o leitor brasileiro que mandou para o Rorate Caeli a cópia do artigo da Folha de S. Paulo “Comitiva Brasileira adota tom de campanha para alavancar D. Odilo”, mas achei muito boa a iniciativa do leitor anônimo.

  8. Este mesmo D. Odilo foi o tema de um debate muito interessante de que participei um tempo atrás, por conta deste vídeo
    http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM1137442-7822-JO+SURPREENDE+DOM+ODILO+COM+PERGUNTA,00.html
    O Jô deu uma boa lavada neste Principe da Igreja; o que não é grandes coisas já que o nível eclesial tá na maré baixa ultimamente…
    É esse sujeito um papável?!…
    S. Pio V e S. Pio X, rogai por nós!!!

  9. Só o próprio Senhor e a Virgem Maria podem nos proteger nesse próximo conclave. Oremos meus irmãos, imploremos a Deus um Papa santo para estes tempos terríveis. Ele nos agraciou com Bento XVI, mas a obra deste Papa tem que continuar. “Quem entra no conclave como Papa sai como cardeal”.

  10. Por vezes, a facilidade com que alguns tradicionalistas metralham moralmente os príncipess da Igreja me assusta.

    Ranjith mantém boa relações com os budistas de seu país? Eis aí um prócere do diálogo interreligioso que encherá a Cúris de monges tibetanos!

    Barbarin foi fotografado sem as vestes episcopais? Eis aí alguém que não dignifica sua condição de bispo e que não tem noção do sagrado.

    Scola tem um brasão que lunáticos entendem repleto de símbolos esotéricos? Eis o próprio Anticristo que quer se sentar na Cátedra de Pedro.

    Dolan aceitou a participação de Obama no Al Smith Dinner? Eis um fariseu que se banqueteia com abortistas e que adula os inimigos da Igreja.

    E por aí vai!

    Não importa o quanto Ranjith já fez (e com certeza ainda fará) pelo bem da Tradição. Não importa que Barbarin tenha transformado seu seminário diocesano em bi-ritualista e que seja uma das vozes mais fortes do episcopado europeu em defesa dos valores cristãos. Não importa que Scola seja tido (por quem realmente o conhece) como um dos papáveis mais amigos da Tradição. Não importa que Dolan cotidianamente se bata contra Barack Obama por causa das políticas deste.

    Para muitos, tudo o que importa é que nenhum deles seja São Pio X. Nenhum deles é perfeito; portanto, são todos farinha do mesmo saco com Ravasi, Kasper, Daneels, etc..

    E, o mais importante, nenhum deles está à altura do tradicionalista que o critica.

    E ainda há alguns que se queixam que a hierarquia de Igreja nos veja com profunda desconfiança…

    Perdoem-me pele desabafo.

  11. Apesar de achar interessante o Sandro Magister desmascarar a ‘manobra’ por parte da Cúria para alavancar a candidatura de Dom Odilo Scherer, que de fato não tem muita expressão no Brasil, seja entre seus colegas ou fiéis, tendo uma personalidade mais contemporizadora e suave em relação aos conflitos que se apresentam, achei bastante estranho ele querer incitar a candidatura do Cardeal Dolan, sempre tido como diplomata. Pelo pouco que sei os dois estariam no mesmo patamar de neo-conservadorismo, sem traços marcantes de coragem em defesa da fé católica.

    Ambos são relativamente jovens, mas juventude não é tudo. Bento XVI pediu que o novo papa fosse jovem, santo e CORAJOSO.

    Outra coisa estranhíssima é que ele mencionou três norte americanos mas omitiu o Cardeal Burke, que sempre teve uma excelente postura em seu governo.

    Qualé a sua, Sandro Magister?

  12. Ninguém fala do Cardeal Burke na mídia!

  13. Sabendo que, nos encontros preliminares entre os cardeais,os mesmos estão em dificuldades por aparecerem vários nomes que poderiam vir a ser o novo Papa. Como podem, se o Papa deve ser um a escolha de Deus? Oração e escuta e menos campanhas polítca!!

  14. Um norte-americano no trono de São Pedro iria atiçar a já inflamadíssima ira dos radicais islâmicos contra os cristãos e todos o Ocidente. Acredite, com um norte-americano na Sé de Roma, o Oriente Médio poderia entrar em ebulição. Irã, Afeganistão, Iraque, Talibã, Israel, tudo isto poderia virar uma verdadeira “bomba-relógio”. Além é claro de aliar o anticatolicismo com o antiamericanismo, no próprio Ocidente. Um Papa Norte-americano iria se alvo de uma verdadeira aversão e rejeição por uma boa parte do mundo.

  15. Alexandre, infelizmente você está certo. O que é uma pena. Qualquer um, com um mínimo de inteligência, acaba percebendo isso e começa a querer distância. Não é só a hierarquia da Igreja, não.
    Ser um tradicionalista não é, definitivamente, decorar meia dúzia de chavões e sair por aí disparando em todo mundo.O próprio termo “tradicionalista” está muito corrompido. A impressão é que muitos o usam, ou se escondem atrás dele, para propósitos nada edificantes. Que Deus proteja a todos.

    Em Cristo

  16. Eu sinceramente espero que Deus nos surpreenda com um perfeito desconhecido para os homens, mas com um coração agradável a Deus. Não precisa ser “tradicionalista” pra metralhar certos membros do Colégio Cardinalício por suas condutas pra lá de controversas.
    Tem que ser muito cego pra não perceber a gravidade do momento pelo qual a Igreja está passando. Como se a renúncia de um Papa não fosse pouca coisa, ainda vemos a reputação da Igreja arrastada na lama do mundo devido à conduta de muitos desses príncipes da Igreja. Quando não é por omissão é cumplicidade direta com escândalos e crimes.
    Sinceramente me choca a desfaçatez, o cinismo, o atrevimento de alguns como Mahoney que ainda insistem em participar do Conclave!
    Se é verdade mesmo que a renúncia de Bento XVI está ligada à sua incapacidade de governar uma Igreja abalada por crimes sexuais e financeiros, o Cardeal Dolan é um dos menos indicados para sucedê-lo, já que enquanto Arcebispo Arquidiocese de Milwaukee sua conduta em relação aos padres acusados de pedofilia foi indenizá-los ( com dinheiro dos fiéis) pra que deixassem voluntariamente o sacerdócio ao invés de puni-los ou entregá-los à Justiça.
    Imagine um Dolan Papa!! No dia seguinte toda a roupa suja de suas ligações indevidas com políticos aborteiros e como acobertador de padres sodomitas estará na mídia mundial É desse modo que vocês esperam que um novo Papa irá sarar a ferida aberta da renúncia de Bento XVI?

  17. Lendo algumas coisas por aqui, fico com a impressão de que, se Cristo voltasse e se sentasse à mesa com coletores de impostos e pecadores, seria apedrejado.

  18. Eduardo Gregoriano,

    isso é o que me impressiona. E o Burke é, de todos os americanos, um dos que mais destaque têm na própria cúria. Ao que li hoje, não sei se no Vatican Insider, ele teve fala numa das reuniões da congregação hoje de manhã. De todo modo, acho que o padre Anderson tem certa razão no que diz.

    Alexandre, lendo sobre a vida de S. Pio X e sobre seu modo de conduzir a Igreja, é bem possível que nem ele agradasse muitos “tradicionalistas” de hoje.

  19. Muita gente sensivel por aqui. Em relacao aos cardeais americanos mencionados, os dois estao na regiao mais liberal do pais e mantem relacoes amigaveis com o poder. Nenhum cardeal e tradicionalista, mas, entre os americanos, Burke tem uma postura muito mais independente e conservadora.
    Curioso que alguem se ofenda as criticas a membros do clero que se preocupam constantemente em agradar o poder, seja ele nos EUA, Brasil, etc…

  20. Cara Gercione,

    O teu e-mail é um exemplo rematado de tudo o que havia dito.

    Sei que não precisa ser “tradicionalista” (mesmo porque amante da tradição também eu o sou) para metralhar a hierarquia católica. Todo mundo o faz com uma facilidade enorme. Nisto, os “metralhadores” tradicionalistas se põem confortavelmente ao lado de todos os inimogos da Igreja.

    Para você, um Papa Dolan é algo inimaginável. Para tantos outros, um Papa Barbarin, ou um Papa Scola também o são. Para os inimigos, um Papa Burke ou um Papa Ranjith também seria difícil de engolir.

    O fato é que tantos os inimigos quanto os “tradicionalistas” (sempre entre aspas) se colocam como supremos juízes dos princípes da Igreja e não apresentam o menor pudor de julgá-los e condená-los pelos critérios que cada um julga adequados.

    No fundo, põem-se a si mesmos como padrão de todo bem e de toda verdade…

    E, apenas para constar, não estou cego à gravidade da situação. Conheço-a muito bem. Na minha diocese, estou na linha de frente (não por ser importante, mas por dar minha cara a tapa) na luta pela tradição. Sei que o próximo Papa pode alavancar nossa luta ou pode destruir tudo o que já foi feito.

    Contudo, não me coloco como árbitro do bem e do mal. Não me dou o direito de achincalhar moralmente os senhores cardeais que se reunirão em conclave.

    Como eu disse, os inimigos da Igreja já o fazem.

    Deus que me livre juntar-me a eles neste momento.

  21. Marcelo, Jesus se sentou à mesa de coletores de impostos como Zaqueu e pecadores para convertê-los e não pra rir de suas piadinhas sem graça, implicitamente dando seu selo de aprovação a suas condutas pecaminosas.
    Ser politico ou cobrador de impostos não é pecado. São Mateus um dos doze apóstolos, também foi originariamente cobrador de impostos, e narra, com detalhes, os hábitos e os costumes da Palestina, citando repetidas vezes o Antigo Testamento para demonstrar que Jesus era realmente o Messias.
    O fato é que quando as ovelhas vêem o pastor de amizade com os lobos, elas pressentem que algo de ruim irá acontecer.
    É muito preocupante esse Conclave e as circunstâncias em que foi convocado. Que será feita a vontade de Deus não resta dúvida! Só nos resta saber se será a vontade permissiva ou positiva.

  22. Marcelo, a única diferença é que Cristo queria convertê-los e não aprovava a conduta de nenhum deles. É misericordioso, pois veio buscar as ovelhas perdidas.

  23. Prefiro qualquer americano – exceto Mahony, obviamente – do que qualquer brasileiro. Todos eles, por mais que critiquem, são muito, mas muito mais conservadores e mais bem preparados do que os cardeais brasileiros. Francamente, que situação lamentável o arcebispo de São Paulo está se prestando. Como purpurado, ele pode perfeitamente almejar a Cátedra de Pedro, não há de essencialmente ruim nisto. Pelo contrário, é natural que alguns cardeais entendam-se preparados para servir a Deus como papa. O que é lamentável é se sujeitar ao joguete da Cúria, para manter a Igreja tíbia e submissa aos interesses mundanos de certos cardeais que parecem não ter o Espírito Santo como guia eficaz de suas ações na vida.

    O cardeal Dolan é muito histriônico, algo pouco bem visto entre os cardeais. Não sei se ele arregimentaria tanta simpatia, até por ter, vamos dizer assim, jeito muito “norte-americano”. Sem contar que pende sobre a sombra da omissão com relação a casos de pedofilia enquanto ele era arcebispo de Milwaukee. Isto seria trágico para a Igreja, um papa cúmplice de casos de pedofilia. Para mim, é carta fora do baralho, dificilmente convencerá os cardeais de que pode ser papa para tempos tão difíceis e complexos.

    Sean O’Malley tem, por outro lado, a imagem oposta: é visto como um combatente duro contra pedofilia, tem uma carreira eclesiástica tida como impecável, é bastante culto (coisa que Dolan não é) e tem o maior mérito de ter reerguido a Arquidiocese de Boston, arrasada pelos casos de pedofilia sob a administração trágica do cardeal Law. Além do mais, é franciscano capuchinho, o que provavelmente lhe conferiria uma imagem de asceticismo que agrada não só o mundo católico em geral, mas como o mundo secular também. Agora, perdoe-me o cronista, mas papas franciscanos de louvável memória são Pio X e Leão XIII. Julio II é bem controverso, vamos e venhamos… Aliás, interessante notar que na história recente da Igreja tivemos seis papas franciscanos, sendo que entre Pio IX e Pio XI, todos eram pertencentes à ordem de São Francisco.

    Que Deus ilumine as mentes e os espíritos dos cardeais da Igreja para que eles façam, por favor, a escolha certa. Que tenham o bem da Igreja acima de qualquer disputa fratricida, pois é o bem da Igreja e tão somente que satisfaz a Deus.

  24. Thiago e Gercione, e de onde vcs tiram que o Cardeal Dolan não gostaria que Obamis fosse convertido? Será que vocês acham que, por aceitar um convite do Obamis, o Cardeal Dolan seria um defensor disfarçado do aborto? Só porque ele participou de um jantar e riu de uma piada? Entendo… Se dependesse de alguns, a Igreja se isolaria do mundo. E não estou defendendo uma mudança progressista na Igreja, não. Apenas acho que é preciso saber lidar com a política, com o modo utilizado para se falar a diferentes pessoas. Isso não significa abrir mão dos valores católicos. Apenas significa não fechar as possibilidades de diálogo.

  25. Scherer é de família judia “convertida”, e a experiência nos mostra que as “conversões” dos judeus geralmente não são muito confiáveis. Vide o exemplo perfeito disso, o Cardeal judeu “convertido” Augustin “Behein” Bea, todo o dano que causou durante o Concílio Vaticano II.

  26. Burke, para mim é o melhor nome!

  27. A. Carlos, preconceito sem fundamento. Existe alguma dúvida, por exemplo, sobre as virtudes de Edith Stein, que inscreveu seu nome no Céu por Santa Tereza Benedita da Cruz? Creio que não. Então não misturemos as coisas. A conversão é um ato de entrega pessoal a Deus. O fato de ser judeu, muçulmano, protestante, ateu pouco importa caso Deus e o homem tenham se reconciliado sob Cristo.

  28. Dom Odilo agora que ser tornar Papa, só se for papaléguas, pois este purpurado sempre flertou com comunismo e o o PT. Aquela cena que ocorreu na PUC de São Paulo foi pura ensenação, pois deixeu aquela instituição na mão dos docentes e dicentes comunistas por muito tempo. Bastou uma palavra de ordem para que se acalmassem os animos, isso por que ele tem influencia e pode dar ordens para com os seus(momento oportuno, quiz ganhar notoriaedade e simpatia dos que defedem a verdadeira doutrina cristã). Acobertou e foi negligente nos programas de sexualismo para crianças nos colegios catolicos. Coisa da Marta Suplicio. Era só o que faltava um Papa Petista.

  29. Caro Alexandre, como um tradicionalista que já não teve problemas em metralhar Deus e o mundo, faço minhas as suas palavras.

  30. Quem pode prever os resultados… os homens não são números. O mocinho e o bandido só existem nos romances anacrônicos, a vida é mais rica. De todos os modos, todas as vezes em que os especuladores, que sempre existiram em volta da colina Vaticana, anunciaram “papas fracos”, “papas de transição”, etc. Deus sempre nos surpreendeu com sua providência.

  31. Em tempo…Santa Teresa de Avila também era filha de judeus conversos, portanto a origem étnica do futuro Papa ou dos Bispos da Igreja é fator irrelevante.
    Como eu disse antes, espero e torço pra que o futuro Papa não seja Timothy Dolan. Pesa sobre ele o fato de ter acobertado os padres pedófilos enquanto era arcebispo de Milwaukee pagando-lhes “incentivos” com o dinheiro dos fiéis para que esses decidissem voluntariamente se retirar. Recusou tb a receber lideranças de luta contra o aborto no USA, mas se sentou pra compartilhar piadinhas com um presidente cuja agenda não apenas é anti-cristã, mas abertamente persegue a Igreja no USA.
    Em suma, recebe com abraços e sorrisos os inimigos da Igreja enquanto ignora as súplicas dos fiéis. Deus nos livre do Dolan!
    E eu não estou julgando esse Cardeal. Estou relatando fatos públicos que desabonam sua conduta.

  32. Amigos, vamos nos ater ao assunto do post. Divirjam, refutem os modernistas, lamentem o mal exemplo dos tradicionalistas, façam tudo isso à vontade. Mas não se esqueçam que o assunto do post é a sucessão papal, Dolan, O’Malley, Scherer…

    Ou seja, façam tudo aquilo, mas dentro da discussão sobre o post e tendo-o como base para o debate.

    Por gentileza, evitem vir aqui só para atacar e cutucar uns aos outros ou para lamentar apenas por lamentar, sem acrescentar nada ou refutar o que é dito.

    Obrigado!

  33. O Papa que agrada aos curiais e progressistas é, por natureza, débil. Agrada aos primeiros porque lhes deixa livres para atuar, e aos segudos porque deixa espaço para o seu sonho de uma Igreja “democrática”, governada “da base”.

    Rezemos pelo Papa que agrada a Deus e mantem a barca da Igreja na direção certa, nestes tempos incertos….

  34. Não me comprazem especulações como a que o articulista faz. Será que está tão a par assim, do que realmente se passa nos meandros do Vaticano? Duvido.
    Alguém, de dentro do Vaticano, lhe exporia as coisas de uma maneira tão clara e precisa? Também duvido.
    Faz uma análise, a partir de observações que julga serem corretas, como qualquer colunista político do mundo faz. Que aliás, costumam errar, quase sempre . Imaginem então, isso transposto para um Concílio. Que não segue, ou ao menos esperamos que não siga, critérios do mundo secular. Todos, é claro, tem direito de fazer as suas suposições, análises ,ter preferências, torcer por alguém , por que não? Isso não é pecado.
    Há casos mesmo, como alguns aqui apontados por leitores, em que é preciso dizer certas verdades. São coisas escancaradas, que não dá para fingir que não se vê.
    Mas, eu não gostaria que , caso o “meu candidato” não vença, ter que passar – sabe lá quanto tempo – tentando limpar a imagem das coisas horrorosas que falaram ou escreveram a respeito daquele que foi eleito. Gostaria de poder recebê-lo piedosamente .

  35. Marcelo, desculpe-me, mas acho que há uma série de mau entendidos, de ambos os lados. Primeiramente, os nossos pastores devem sim buscar as ovelhas perdidas e atuarem politicamente com os governos locais. Mas existe um problema quando os políticos ou qualquer pessoa praticam determinado mal mas não são e repreendidos pelos legítimos pastores e também não há uma luta contra a ação deles. O Pe. Michael Rodriguez nos dá vários exemplos de clérigos assim lá nos EUA. Uma coisa é você tratar bem, ser cordial, afável, outra é saber de todas as ações ruins de alguém e sentar à mesa com ela e contar várias “piadas”. Eu não sei você, mas eu não tenho estômago para isso. Ademais, leia no catecismo, dar escândalo é também um pecado grave. Os santos mandavam que os maus fossem atacados publicamente, principalmente os lobos. Nosso Senhor, igualmente, expulsou os vendedores do Templo a chibatadas. Não conheço nenhum relato de Cristo pedindo para jantar no palácio do Rei Herodes. Pelo contrário, quando o Senhor foi levado até ele, silenciou. Existem corações tão maus e tão fechados a Deus que Ele simplesmente não age.

  36. Custa-me acreditar ser dom Odilo o candidato apoiado pela cúria, ainda mais como contraponto com Dom Dolan. Os principais nomes serão sempre os italianos, e como alternativa outro europeu.
    Na verdade os americanos, latinos inclusos, e os africanos estão sendo queimados, entrando já enfraquecidos no conclave.
    Há muita especulação e poucas certezas….

  37. Interessante, como alguns “espertos” argumentam sobre a Igreja, como se ela fosse meramente uma instituição humana.E não conseguem perceber a ação de DEUS, que conduz a história desta instituição que trasncende a barreira das limitações humanas.Mas como vemos os assim chamados “vaticanistas” são os senhores aos quais o Espirito Santo lhes revelam acontecimentos privadamente, pelo jeito são os escolhidos de Jesus para apontar e indicar este ou aquele.
    Mas a verdade é que as portas do inferno nunca prevaleceram sobre a Igreja de Jesus Cristo.

  38. “Agradeço a saudação de Páscoa e quero retribuir-lhe pessoalmente, com votos de feliz celebração da Páscoa extensivos a toda a sua Comunidade.

    Nestes dias, em que celebramos também a nossa Páscoa, sinto-me profundamente unido à Comunidade Judaica, recordando as raízes comuns de nossa fé e tantos motivos que temos para estarmos juntos no diálogo e na ação por um mundo conforme Deus quer, para o bem de toda a comunidade humana.

    Saudação e votos de todo o bem”!

    (Dom Odilo Scherer, em mensagem de Pessach ao Rabino Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista, e a toda a comunidade judaica brasileira.)

    FONTE: Federação Israelita do Paraná (http://www.feipr.org.br/noticias.aspx?id=322)
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    Então tá…

  39. Quem disse que o principal papel da Igreja é a salvação das almas?

    “O PAPEL DA RELIGIÃO É O CUIDADO COM O HUMANO”
    “A promoção da tzedaká, justiça social, é nosso caminho comum” (Dom Odilo Scherer)

    CHOCANTE!!

    No rico debate de ontem, que abordou o diálogo entre católicos e judeus, Odilo Scherer afirmou que há muito mais concordâncias que divergências entre as duas religiões. “A promoção da tzedaká, justiça social, é nosso caminho comum, a partir de nossa base comum. O papel da religião é o cuidado com o humano”.
    (…)
    Odilo Scherer ressaltou a importância da Declaração Nostra Aetate para a aproximação entre as duas comunidades. Ela foi publicada em 1965 pelo Papa Paulo VI, durante o Concílio Vaticano II, convocado ainda no papado de João XXIII, e afirma, em seu parágrafo quarto: “Sendo assim tão grande o patrimônio espiritual comum aos cristãos e aos judeus, este sagrado Concílio quer fomentar e recomendar entre eles o mútuo conhecimento e estima, os quais se alcançarão, sobretudo por meio dos estudos bíblicos e teológicos e com os diálogos fraternos”.

    O cardeal revelou sua afinidade pessoal com o judaísmo: “Desenvolvi grande afeição pelo povo judeu, por meio do estudo da Sagrada Escritura. Somos herdeiros da sabedoria do povo de Israel”.

    http://www.conib.org.br/sala-de-imprensa-descricao.asp?cod_conteudo=256

  40. Quem sabe ocorre o caso de ser eleito um Papa “modernista” e quando assumir o sólio de São Pedro o mesmo mude totalmente de postura como aconteceu com o Papa Beato Pio IX ? Rezemos e fazemos penitência Irmãos na Fé, pois o Divino Espírito Santo não abandonou e jamais abandonará a Igreja Santa e Santificadora

  41. Dom Odilo disse certa feita que o papel da Universidade Católica é a promoção da liberdade de pensamento- ou seja para ela , ela deve estar a serviço de um postulado maçônico.

    Dolan é moderado demais e semiliberal.

    Scola é pro diálogo interreligioso e participou de congresso da ONU sobre união das religiões.

    Estamos a deriva.Deus nos salve!

  42. A Criação do Homem, segundo Dom Odilo Scherer.

    “A Igreja Católica entende a homossexualidade como um fato. Mas, entende que a NATUREZA não errou ao fazer dois sexos e é sábio quem respeita o feito DELA”.

    http://www.santuariodemaria.com.br/dom-odilo-debate-temas-polemicos-que-envolvem-a-igreja
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    Como pode um príncipe da Igreja afirmar num debate que a Criação é obra tal tal “mãe-natureza” (ainda que concedêssemos que ‘quisesse dizer outra coisa’) ?

  43. Fatos dolorosos, mas que não devem ser esquecidos, acontecidos após os brutais assassinatos de dezenas de policiais e agentes penitenciários pelo PCC em SP (2007).
    Os acontecimentos não são nada edificantes, mas Nosso Senhor nos disse que não podemos esconder a verdade, pois só ” a Verdade vos fará livres”.

    http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/?s=dom+odilo+cansei

  44. O jantar Al Smith é um jantar organizado pela diocese de Nova York em honra do primeiro candidato católico as presidenciais americanas. O seu objectivo é recolher fundos para as obras sociais católicas. É tradição que os candidato presidenciais assistam a este jantar e façam um discurso tendencialmente mais descontraido.

    O Cardeal Dolan não “convidou” Obama para um jantar porque lhe apeteceu. Convidou-o a ele e a Mitt Romney, tal como é tradição.

    Não discuto se devia ou não quebrar a tradição, mas é ridiculo falar do assunto como se o Cardeal Dolan tivesse convidado “do nada” Obama para uma festa!

    Quanto ao Conclave: sigamos o exemplo do nosso Papa Emérito Bento XVI: silêncio e oração.

    Tanto me faz que seja Dolan, Scola, Burke, Bertone ou Ravasi. Será aquele que o Espirito Santo escolher e isso chega-me para, como Bento XVI, prometer desde já total reverência e obediência ao próximo Papa.

    Discutir sobre quem será o novo Papa é estao ao nivel de Boff e Hans Kung: submeter a Igreja ao nosso critério e não submetermo-nos nós ao critério do Espirito Santo!

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