“Vocês agora aplaudem, fazem festa, porque é o tempo das núpcias… Mas quando acaba a lua de mel, o que acontece?”

“… Dom Fisichella me disse uma palavra e eu não sei se é verdade, mas eu a retomo: ele disse que todos vocês querem dar a vida para sempre a Cristo! Vocês agora aplaudem, fazem festa, porque é o tempo das núpcias… Mas quando acaba a lua de mel, o que acontece? Eu escutei um valoroso seminarista que dizia que ele queria servir à Cristo, mas por dez anos e depois pensará em recomeçar uma outra vida….Isto é perigoso! Mas escutem bem, todos nós, também nós mais velhos, estamos sob pressão desta cultura do provisório e isto é perigoso, porque não se compromete a vida para sempre. Eu me caso até que dure o amor; eu me torno irmã, mas por um ‘tempinho’, depois vejo o que vai acontecer; eu me torno seminarista para ser padre, mas não sei como a história vai acabar. Isto não tem nada a ver com Jesus!

Eu não vos repreendo, repreendo sim esta cultura do provisório, que nos atinge a todos, porque não nos faz bem: porque uma escolha definitiva hoje é muito difícil. Nos meus tempos era mais fácil, porque a cultura favorecia uma escolha definitiva quer para a vida matrimonial, quer para a vida consagrada ou vida sacerdotal. Mas nesta época não é fácil uma escolha definitiva. Nós somos vítimas desta cultura do provisório. Eu gostaria que vocês pensassem nisto: como eu posso ser livre desta cultura do provisório? Nós devemos aprender a fechar a porta da nossa cela interior, por dentro”.

Papa Francisco – Encontro com Seminaristas, noviços, noviças – 07.06.2013

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9 Comentários to ““Vocês agora aplaudem, fazem festa, porque é o tempo das núpcias… Mas quando acaba a lua de mel, o que acontece?””

  1. Não foi a toa que o “Novus Ordo” começou como “provisório”…

  2. Isso é verdade. “Aprender a fechar a cela por dentro”. Se Deus quiser, me ensinará a fechar a minha “cela” para o mundo. Amém.

  3. Cada pessoa tem suas características únicas, consequentemente isso também é aplicado ao Papa.
    Tenho entendido o Papa Francisco e compreendido seu estilo, ou seja, sua maneira de falar aberta, clara e prática sobre as coisas. Talvez na história recente do papado, esse modelo seja algo inédito.
    Se com o brilhante Bento XVI tivemos verdadeiras aulas de teologia em seus discursos e homilias, agora com Francisco, ele nos fala de maneira direta e prática.
    Vejo em tudo isso a ação do Espírito Santo. O teórico e o prático andam juntos.
    Neste último final de semana, o Papa não poupou palavras ao falar aos religiosos, consagrados, padres e freiras. Ressalto a advertência clara e direta que ele falou aos padres que querem andar com os “carros do ano”.
    Aliás, ultimamente o que tem atraído esses seminaristas e novos padres são 5 (cinco) “C”s: Carro, Computador, Comida, Celular e Casa. Ou um único “C”: Comodidade.

  4. Muito boa reflexão. A cultura do provisório é a cultura fraturada, do pós-moderno. Daí o sentido e o valor da “cultura da vida”, da vida vida verdadeira anunciada por Jesus Cristo, sempre como a “boa nova”!

  5. Em resposta à questão do Santo Padre, só podemos ser livres nesta cultura do provisório através do nosso esforço pessoal em cooperação com a graça de Deus. Com a secularização da sociedade e laicização do estado, acabamos com o reinado social de Cristo Rei e colocamos no seu lugar um rei mais liberal, que age comandado pela voz do povo. E quando atiramos Deus pela janela, o diabo entra pela porta principal.
    Este autêntico golpe no reinado de Nosso Senhor começou na revolução Francesa, mas acelerou-se durante o século XX. Neste momento, estamos de mãos e pés atados perante este monstro que o Homem criou com a sede de liberalismo. Não existe um esforço conjunto do estado/religião para combater esta cultura do provisório porque estas entidades se separaram completamente. A Igreja que devia ser o pilar de toda a sociedade, também foi engolida por esta cultura quando abriu as portas ao mundo no CVII. Logo, só nos podemos confiar a nós mesmos e à graça de Deus que opera em cada um quando cooperamos com ela, estudando o catecismo e história da Igreja (para aqueles que podem). Os menos instruídos que não possuem estas armas, são como ovelhas sem pastor que o Monstro devora e contamina com as suas heresias como um cancro que toma conta do corpo e se espalha de forma lenta e discreta.
    Gostava de dar outra resposta, mas infelizmente esta é a triste realidade em que vivemos…

  6. A eternidade pede escolhas eternas, amor eterno, fidelidade eterna, respeito eterno, obediência eterna, paciência eterna, sacrifício eterno, etc. Algo que inaceitável para a mentalidade passageira e revolucionária, sempre mutante e inimiga da estabilidade.

  7. Santidade, as crianças costumam imitar os adultos em seu comportamento, gestos e palavras, pois são referência de autoridade. Quando os pais não educam com seriedade seus filhos, consequentemente desprezarão essa autoridade ao atingirem a idade da razão. Se a casa dos pais são uma bagunça, uma verdadeira “casa da mãe Joana”, quer que os filhos aprendam o que?

    Por que será que no seu tempo era mais fácil fazer escolhas sobre o estado de vida? Será por que a sociedade era mais católica? Santidade, parece que quer voltar a aqueles tempos pelagianos e restauricionistas? Acabou, Santidade, aqueles tempos acabaram, por que a tristeza? Não entendo, deveria ser motivo de felicidade. Se os jovens são tão festivos ao extremo ao ponto de descuidar-se da vida espiritual e não saberem mais fazer a escolha correta na sua vocação é por que ensinaram a esses católicos que Igreja deve de alguma maneira fundir-se com o mundo, seguir seus príncipios, modas, ideologias, comportamentos e etc, etc, etc. Eles foram aquelas crianças abandonadas, mal-educadas pelos seus pais relaxados, que tinha amizades com gente que não prestava. Diziam a essas pobres crianças que podiam manter contatos amigáveis, ou seja ,dialogar e rezar com os sectários. Gente que serve o mundo. O que se passa? Não dá para entender…

  8. N sei como uma pessoa pode fazer uma escolha definitiva, se n tem pais que fazem escolhas definitivas.

  9. Depois da “lua de mel” acontece sempre a “gravidez” e como conseqüência disso “as dores do parto”. Espero em Deus que “as alegrias das festas “nupciais”, o peso da “gravidez” e as “dores do parto” não nos traga um “natimorto” ou um “doente” que nos deixe sem “os pés no cão antes do tempo”. Que esse “parto seja normal” e sem complicações e não tem que ser “gêmeos fracos” mas um único forte, saudável e corajoso; que cresça na defesa da “Fé dos antigos”; de preferência dos “mais antigos”, e, mesmo quando envelhecer o seu espirito seja forte e inspire-nos a Vida… A Vida sem alegrias e realizações provisórias… A vida que a Vossa e Nossa Mãe e Mestra sempre ensinou. E se assim for “que vivas muito ou mais que o primeiro Príncipe que vos antecedeu.