Carta de Irmã Lúcia sobre a terceira parte do segredo de Fátima exposta pela primeira vez.

Documento foi escrito em 1944 e enviado para o Vaticano em 1957. O conteúdo só foi revelado em 2000 e este ano o Santuário de Fátima teve autorização do Papa Francisco para expor pela primeira vez o manuscrito.

Público – Já fez investigação em arquivos em várias partes do mundo, mas passar a porta do Arquivo Secreto da Congregação para a Doutrina da Fé, no Vaticano, foi diferente. “É imponente, aquelas paredes espessas que nos fazem desejar lá entrar, sabendo nós que há todo um conjunto de reservas muito rigorosas para ter acesso a este arquivo e às suas especialidades”, conta a docente da Universidade de Coimbra (UC), Maria José Azevedo Santos, que terá sido a primeira mulher leiga a ter acesso, com objectivos de investigação científica, ao documento escrito pela irmã Lúcia sobre a terceira parte do segredo de Fátima. É esse manuscrito que está agora exposto pela primeira vez ao público em Fátima, numa mostra intitulada Segredo e Revelação.

Com o aproximar do centenário, em 2017, das chamadas aparições de Fátima (1917), o Santuário decidiu promover uma reflexão em torno da terceira parte do segredo. Para isso, pediu autorização ao Vaticano para trazer até Portugal, e expor publicamente, o documento escrito em Tui a 3 de Janeiro de1944, quando Lúcia ainda era religiosa de Santa Doroteia.

A exposição Segredo e Revelação, que pode ser visitada na zona da Reconciliação da Basílica da Santíssima Trindade, põe em destaque as três partes do chamado segredo de Fátima – A visão do inferno, O imaculado Coração de Maria, A Igreja mártir – e mostra pela primeira vez o manuscrito relativo à terceira parte do segredo, aquele que esteve mais tempo guardado e que demorou mais tempo a ser revelado. O documento foi escrito em 1944, deu entrada no Arquivo Secreto da Congregação para a Doutrina da Fé a 14 de Abril de 1957 e o conteúdo só foi revelado ao microfone em Fátima a 13 de Maio de 2000, na cerimónia de beatificação de Francisco e Jacinta. O fio condutor da exposição é a interpretação teológica do segredo feita pelo cardeal Joseph Ratzinger, agora Papa emérito Bento XVI.

Guardado por muito tempo, o documento terá saído poucas vezes do Vaticano. Uma das vezes foi a pedido do então Papa João Paulo II, quando ainda estava na Policliníca Gemelli, depois do atentado de que foi vítima a 13 de Maio de 1981. Outra das vezes terá sido em 2000 quando o então secretário da Congregação da Doutrina da Fé se encontrou com Lúcia, em Coimbra, levando-lhe a carta e pedindo-lhe que também confirmasse que era autêntica.

Foi a pedido da diocese de Leiria-Fátima que Maria José Azevedo Santos esteve, entre 4 e 8 de Setembro, no Vaticano com a missão de analisar e atestar, do ponto de vista científico, a autenticidade do documento. O Papa Francisco autorizou a ida da docente ao arquivo, a investigadora pegou no manuscrito “com luvas”, analisou-o e emitiu para já um parecer oral favorável: é o documento escrito por Lúcia e muito provavelmente terá sido redigido com uma pena de aparo metálico, a tinta azul, numa folha de papel de carta, de quatro páginas, de cor bege, pautado (16 linhas). Mais tarde, a investigadora nas áreas da História Medieval, Ciências Documentais, História da escrita e Arquivos Históricos, irá fazer um estudo aprofundado sobre a carta.

“Já fiz investigação em muitos arquivos da América, da África, nacionais, e já vi muitos documentos e devo dizer que o que senti ao passar aquela porta do arquivo jamais será apagado da minha memória”, diz a especialista em Paleografia e Diplomática medievais, modernas, latinas e portuguesas. Apesar de garantir que tal não interfere com o trabalho científico que lá foi fazer, a professora admite que o facto de ser católica contribuiu para aumentar “o sentimento e a responsabilidade”.

Carta fez “correr rios de tinta”

“Foi uma emoção singular exactamente porque se trata de um autógrafo [documento escrito na íntegra pelo autor] muito especial. Fala-se tanto em Património da Humanidade, aqui temos um exemplo sem ser declarado. Não é preciso declarar, este documento é património da Humanidade, não é dos católicos, não é dos ortodoxos, é da Humanidade”, defende a docente que pertence também à Comissão Histórica do processo de beatificação e canonização da irmã Lúcia.

Apesar de poder ter havido vigilantes e restauradores com eventual acesso ao documento, Maria José Azevedo Santos terá sido a primeira mulher leiga com a missão de o analisar: “Para os objectivos que me foram atribuídos, com este encargo de carácter científico fui realmente a primeira mulher leiga a ter acesso directo ao documento, isso é verdade”, diz a catedrática da faculdade de letras que já foi directora do arquivo da UC e, até hoje, também a única mulher a ocupar o cargo.

A exposição que pode ser visitada em Fátima inclui fotografias e outros documentos, como aquele que foi escrito também por Lúcia sobre as duas primeiras partes do segredo. Faz ainda alusão aos interrogatórios a que foram sujeitos Francisco, Jacinta e Lúcia, depois das alegadas aparições. Existe ainda referência a relatos e artigos da época sobre o fenómeno solar que terá ocorrido em Fátima a 13 Outubro de 1917.

Apesar de admitir que também é católico e que acredita na mensagem de Fátima, o comissário da exposição, Marco Daniel Duarte, doutorado em História de Arte pela UC e director do Museu do Santuário de Fátima, defende que o documento relativo à terceira parte do segredo “extrapola a dimensão religiosa, porque tudo o que é religioso faz parte da cultura humana e torna-se elemento ligado à cultura”: “É um dos documentos mais ansiados ao longo do século XX, é importante não só para o mundo católico mas culturalmente. Alguns preconceitos ideológicos podem levar à tendência de não dimensionar o valor que esta peça tem. Esta folha de papel fez correr rios de tinta ao longo do século XX”, defende. E acrescenta: “Como cientista social também me interessa perceber o que motiva, o que gera movimentos de massas. O debate ideológico nunca cessará e isso é lícito. O que não me parece lícito é desvalorizar o fenómeno, não o interpretando com as ferramentas que cada tempo tem”.

Mesmo Ratzinger, diz o comissário, com “o coração alemão e o rigor teológico” que lhe são conhecidos, “diz que Fátima tem algo de especial”: “O teólogo mais racional, ao olhar para este tema, converte-se”, nota.

De uma forma geral, a primeira parte do segredo descreve uma visão do inferno e a segunda pede “devoção” ao imaculado coração de Maria e a conversão dos regimes ateus, referindo-se em particular o caso da Rússia. A terceira parte descreve um “bispo vestido de branco” que é morto. Se João Paulo II pediu para ver o documento depois do atentado de que foi vítima e considerou que foi “uma mão materna que guiou a trajectória da bala” – hoje incrustada na coroa da imagem de nossa senhora de Fátima, na Capelinha das Aparições -, Ratzinger não pessoaliza a visão profética, estendendo-a antes a todos os papas. Inaugurada a 30 de Novembro, a exposição tem entrada livre e pode ser visitada até 31 de Outubro, todos os dias, das 9h às 19h. Até agora, já contou com 10.156 visitantes.

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20 Comentários to “Carta de Irmã Lúcia sobre a terceira parte do segredo de Fátima exposta pela primeira vez.”

  1. Até quando o “Estado do Vaticano” irá esconder a segunda parte do 3º Segredo?!?

  2. O texto é lindo, bem escrito e deve ser emocionante simplesmente vê-lo. O triste é o que não está “exposto”, é a parte do “etc” da carta que existe, mas ninguém viu.

  3. Que Deus me puna, se estiver errado, mas não creio que esse seja o total do Terceiro Segredo de Fátima. Acredito que há uma parte por revelar.
    Os senhores acham mesmo que a Virgem Santíssima, ao deixar tantas mensagens de Nosso Senhor, iria deixar de alertar sobre a grande apostasia que vivemos hoje ??
    Esta parte deixada em segredo é justamente a que condena o Concílio Vaticano II e a Missa nova.
    Do jeito em que o Diabo reina no Vaticano Conciliar, não duvido de nada.

  4. Tá. E o que diz a carta? Ninguém a transcreve?

  5. Meu Deus, quanto esforco esforco essa gente faz para esvaziar Fatima de sua catolicidade, e quanto esforco em desviarem-se dos fatos mais obvios. Estou impressionado.

    A proposito, pretendo ir a Fatima quando do centenario das aparicoes, se Deus assim permitir.

  6. Realmente o Vaticano gosta de insultar a inteligência dos Católicos!

  7. Também gostaria de que alguém pudesse fazer a gentileza de transcrever.
    Como gostaria que o Prof. Orlando estivesse aqui neste momento.

  8. Em Portugal o Dogma da Fé será preservado etc… E o resto? A Maçonaria Eclesiástica escondeu! De qualquer maneira quem quiser ler na íntegra a mensagem de La Salette já terá uma ideia da parte escondida. “Roma perderá a fé e se tornará a sede do anticristo…” Também vale lembrar que o próprio Papa João Paulo II chamou a profecia de La Salette como a Mãe de todas as profecias. E também a Beata Ana Emerich profetizou sobre “homens com colheres de pedreiro destruindo os muros da Igreja” e sobre a adulteração da Santa Missa Sagrada. Valei-nos São Miguel Arcanjo! Mas não se preocupem tudo será resolvido pela CheNBBoff e pelas ChEB’s. Corrijo tudo será resolvido pela CNBB e pelas CEB’s….

    Afinal os membros da Maçonaria Eclesiástica que chegaram nas altas posições em seus bispados, corrijo em suas lojas, já aprenderam que “Lúcifer, o portador da Luz. Não Duvide” (Albert Pike, Livro Moral e Dogma da Maçonaria).

  9. E o seu conteúdo? O que está escrito pela irmã Lúcia?

    Se os arquivos de La Salete foram divulgados recentemente creio que ainda demorará mais uns cem anos para ser divulgada esta terceira parte.

    Quanto ao atentado sofrido por JPII, realmente não tem nada a ver com as profecias de Fátima, muito embora o clero modernista insista enganando muitos fiéis desavisados.

  10. Com o aproximar do centenário, em 2017, das chamadas aparições de Fátima (1917) nós é que deveríamos promover uma reflexão em torno da terceira parte do segredo e o motivo pelo qua os pedidos de Nossa Senhora à Hierarquia não foram atendidos.
    A exposição “Segredo e Revelação” que pode ser visitada na zona da Reconciliação da Basílica da Santíssima Trindade, põe em destaque as três partes do chamado segredo de Fátima – A visão do inferno, O imaculado Coração de Maria, e A Igreja mártir – por incrível que pareça, três realidades que vem sendo continuamente negadas pelo clero modernista.
    Para a maioria deles, o inferno não existe e se existe nunca se ouviu falar que alguém tenha ido parar lá. Há padres e Bispos pregando abertamente essa heresia.
    A devoção ao Imaculado Coração de Maria é outra coisa que sacrificaram no altar do Ecumenismo, pois a devoção mariana seria um sério entrave no diálogo com protestantes, muçulmanos, judeus etc.
    E por fim a Igreja Mártir, que na opinião de Bergoglio e seus seguidores e nunca esteve tão bem como agora!
    Eu sempre me perguntei por que até mesmo os Papas pré- Vaticano II fizeram questão de esconder a Terceira Parte da Mensagem de Fátima ou por que nenhum deles atendeu ao pedido de Nossa Senhora no tocante à Consagração da Russia.
    Teríamos que ser muito ingênuos pra achar que um segredo guardado a sete chaves por quase um século diz respeito apenas a “um “bispo vestido de branco” que é morto sem que ao menos se mencione que Bispo seria esse.
    Qualquer um que se dispuser a estudar todos os Pontificados que vieram depois da Aparição de Fátima encontrarão facilmente os motivos pelos quais todos eles, sem excessão, não só não atenderam os pedidos de Nossa Senhora como também esconderam a sete chaves tudo o que foi predito no tocante à crise e apostasia generalizada na Igreja.
    O grande timoneiro da Igreja no século passado foi sem dúvida São Pio X. Ele foi o dique que segurou as águas turvas do Modernismo. Mas logo após sua morte, subiu ao Trono de São Pedro, o Arcebispo de Bolonha, Giacomo della Chiesa ou Bento XV que era um dos herdeiros e amigos do maçom Cardeal Rampolla.
    Foi um Papado de curta duração. Durou menos de 8 anos e coincidentemente na mesma época que Nossa Senhora apareceu em Fátima. Preocupado com os horrores da Primeira Guerra Mundial, ( 1914-1918) esse Papa estava mais concentrado na reconstrução do pós-guerra ao mesmo tempo que com a assistência do seu Secretário de Estado Cardeal Pietro Gasparri dedicou todos seus esforços em desmantelar as estruturas anti-modernistas instaladas por São Pio X, incluindo aí os escritórios do Sodalitium Pianum que reportavam diretamente ao Papa atividades dos modernistas.
    Não foi à toa que Nossa Senhora avisou em uma de suas mensagens: “A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior.” E dito e feito!
    Quando Papa Bento XV morreu subitamente de influenza no dia 22 de Janeiro de 1922, elementos modernistas dentro da Cúria, liderados por Cardeal Gasparri, Bispo Eugenio Pacelli e o recém-chegado Monsenhor Giovanni Montini concentraram todos seus esforços na candidatura de Ambrogio Achille Ratti, Cardeal Arcebispo de Milão que veio se tornar Papa Pio XI.
    Esse foi um Pontificado bastante peculiar porque ao tomar o nome Pio XI pra homenagear Pio X, de cara, isso significou nuvens escuras no horizonte daqueles que apostavam numa rápida modernização da Igreja.
    Durante seus 17 anos de Pontificado ele teve sucessivos conflitos com ambos seus Secretários de Estado, Gasparri e Pacelli.
    As suas memoráveis encíclicas nos dão uma idéia de que conflitos eram esses que ele enfrentava com os modernistas da Cúria: MORTALIUM ANIMUS ( 1929) que é uma cacetada no Ecumenismo, DIVINI ILLIUS MAGISTRI (1931) a respeito da Educação Cristã que tendia pelos caminhos do Liberalismo. CASTI CONNUBBI (1930) sobre o Casamento Cristão e as consequências que vemos hoje diante dos nossos olhos, DIVINI REDEMPTORIS (1937) sobre o Comunismo que agora se infiltrou até no vértice da Igreja.
    Apesar de todas essas encíclicas maravilhosas, Papa Pio XI acabou por entrar numa série complexa de concordatas com os Estados Fascistas e Nazistas que envolviam territórios Papais.
    Como compensação pela perda desses territórios o Vaticano recebeu fundos que inauguraram a entrada da Igreja no mundo financeiro. Um mundo marcado por corrupção financeira, ganância, crime organizado, ligações com a Máfia e Maçonaria. E de lá pra cá, essa associação entre Igreja de Cristo e Banco do Vaticano só tem dado errado. Só tem culminado em escândalos e até assassinatos.
    Por outro lado, ele destruiu os Partidos Católicos e a Ação Católica que lutava por princípios Católicos em todas as classes da sociedade. Seu Pontificado foi marcado pelo fracasso em defender os Católicos Mexicanos ( Cristeros) contra os governos Maçonicos-Comunistas que subiram ao poder no Mexico depois de 1917. E isso se deve em grande parte às intrigas de Gasparri & cia.
    Como podemos ver, Papa Pio XI sabia do que estava por vir, mas certamente achava que seria capaz de segurar a locomotiva sozinho ou que tudo que Nossa Senhora havia dito, dizia respeito a um futuro longínquo.
    Com a subida de Eugenio Pacelli ao Trono de São Pedro em 12 de Março de 1939 como Papa Pio XII os revolucionários ganharam poder dentro da Igreja. O próprio Arcebispo Annibale Bugnini declarou que Pio XII abriu a Igreja para o Progressismo tanto politicamente como teologicamente.
    Foi no Pontificado de Pio XII que a base para a nova Igreja Conciliar foi estabelecida. Quem diz isso é o próprio Bugnini no livro “A Reforma da Liturgia 1948-1975. Um outro livro sobre a História do Vaticano II do editor Joseph Komonchak declara que Pio XII liderou a revolução sob a bandeira da “reforma”. Sem Pio XII não seria possivel João XXIII e nem Paulo VI, os grandes artífices do Vaticano II.
    Enfim, seria esperar demais que os artífices da crise preconizada por Nossa Senhora aplicariam o antídoto na própria revolução que eles tanto trabalharam pra por em curso.
    Não posso julgar as intenções de nenhum deles, talvez cegos pelos estratagemas do Maligno acreditavam estar melhorando a Igreja, mas o resultado como nós podemos ver hoje confirmam tudo que Nossa Senhora havia advertido.

  11. Prezada Gercione,

    Você pergunta por que até mesmo os Papas ‘pré-conciliares’ fizeram
    questão de esconder a Terceira Parte da Mensagem de Fátima.

    No momento, não tenho possibilidade de confirmar junto à fonte dessa informação,
    mas Nossa Senhora não pediu que a última parte do Segredo fosse revelada somente
    a partir de 1958, quando então ele “seria mais compreensível”? Ou seja, pouco antes da
    terrível década 60?

    O ano de 1958 foi precisamente o da morte de Pio XII, o último Papa propriamente
    “Pré-conciliar”. Esse grande Papa teve um pontificado todo atribulado,
    creio que um dos mais atribulados em toda a História da Igreja.
    Aparentemente, ele chegou mesmo a ápices de estresse mental,
    (o que pode ser visto em vídeos disponíveis no Youtube),
    bem como era desprezado pela grande mídia .
    Nesse contexto, ele decidiu deixar que seu sucessor
    publicasse o Terceiro Segredo.

    Dito isso, o grande responsável por não publicar o Terceiro Segredo de Fátima foi
    João XXIII, o que torna bem mais fácil a resposta a essa pergunta, certo?

  12. Gercione, a concordata com o Estado Italiano foi uma necessidade e mostrou-se válida pela proteção que isso representou à Igreja quando da ocupação alemã da Itália.

    Antes de todos, Pio XI teve a coragem de condenar o fascismo ( encíclica Non Abbiamo Bisogno), o nacional-socialismo (encíclica Mit brennender Sorge) e reiterar a condenação do internacional-socialismo (Divinis Redemptoris), enquanto a Liga das Nações fazia vista-grossa para as barbaridades desses regimes socialistas (o fascismo é uma variação do socialismo criada pelo ex-socialista Benito Mussolini).

  13. Duarte, eu não subscrevo a teoria sede-vacantista de que o último Papa “válido” da Igreja foi Pio XII. Eles demonstram uma ignorancia abismal a respeito da Revolução que se armava já no início do século XX e conseguiu ser barrada por algum tempo pelo grande São Pio X.
    Nossa Senhora apareceu em Fátima em 1917 e na segunda parte de sua revelação, ela diz aos pastorzinhos:

    “Quando virdes uma noite, alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo pelos seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a Comunhão Reparadora nos Primeiros Sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz, se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.”

    Portanto nenhum deles atendeu ao pedido da Consagração da Rússia com todos os Bispos do Mundo como foi requerido por ela. Se tivessem feito, a Russia não teria espalhado os erros da revolução comunista como estamos vivenciando hoje: aborto, homossexualismo, perseguição à Igreja, o martírio de tantos cristãos como os Cristeros no México, nações aniquiladas como várias das Balcãs que se tornaram antro de terroristas muçulmanos e até mudaram de nome.
    É preciso que fique claro que tanto os advogados como críticos da Revolução do Concílio Vaticano II são unânimes em afirmar que o papel de Pio XII foi fundamental pra assegurar o acesso dos revolucionários ao Papado.
    Durante os seus 19 anos de Pontificado as fundações para a revolução foram firmemente estabelecidas.
    A começar pela destruição da Liturgia. O maçônico Annibale Bugnini no seu capítulo de abertura do livro “A Reforma da Liturgia 1948-1975”, revela que o movimento pela reforma da liturgia ja havia começado em meados de 1942 e com menos de 3 anos de Pontificado Pio XII entregou o projeto nas mãos do beneditino Padre Pio Alfonzo que era Conselheiro da Congregação dos Ritos. As novas normas do Padre Afonso no entanto, não foram aceitas naquela época.
    Quatro anos mais tarde, no dia 10 de maio de 1946 numa audiência com Cardeal Carlo Salotti, Prefeito da mesma Congregação para os Ritos, Pio XII pediu a Salotti que começasse um estudo para a reforma geral da Liturgia. Em Julho de 1946, Pio XII aprovou os membros da Comissão encarregada dessa tarefa, a saber: Padre Ferdinando Antonelli que mais tarde se tornou Cardeal e Padre Annibale Bugnini que mais tarde se tornou Arcebispo. Ambos se tornaram respectivamente diretor e secretário da Comissão pra reforma da Liturgia.
    Não preciso dizer que quando a Comissão foi dissolvida pra dar lugar à Comissão Pontificial Preparatória da Liturgia estabelecida pelo Vaticano II, novamente Bugnini foi apontado pra servir como Secretário.
    Em seu livro Bugnini faz a surpreendente revelação/confissão:

    “Em seus doze anos de existência ( 28 de junho, 1948 a 8 de julho de 1960) a Comissão manteve oitenta e dois encontros e trabalhou em absoluto segredo. Tão secretos eram esses trabalhos que quando foi publicado o Ordo Sabbati Sancti Instaurati no início de março de 1951, até os oficiais da Congregação para os Ritos foram pegos de surpresa. A Comissão gozava da total confiança do Papa Pio XII… Os primeiros frutos do trabalho da Comissão foram a restauração da Vigília da Pásqua. Era um sinal de que a liturgia havia começado um decisivo curso pastoral. Os mesmos princípios foram aplicados pra toda a liturgia da Semana Santa e em 1960, com o Código das Rúbricas, que era o que permaneceu da antiga liturgia.”

    Pio XII tentou acomodar as duas correntes em curso na Igreja, a conservadora e a liberal naquilo que foi chamado “escola sintética”. E foi nessa linha que ele lançou a encíclica Mystici Corporis. Na verdade o rascunho dessa encíclica foi feito pelo Jesuita holandês Padre Sebastian Trump. Comentando sobre a natureza revolucionária da Mystici Corporis, Padre Avery Dulles disse que a tentativa de introduzir esse mesmo conceito da Igreja como Corpo Místico de Cristo já havia sido rejeitada em 1870 pelo Concílio Vaticano I por ser “confuso, ambíguo, vago, inapropriado e inadequadamente biológico”.

    Bugnini também revela em seu livro que Pio XII colocou o selo de sua suprema autoridade no Movimento Litúrgico através da enciclica Mediator Dei em 11 de novembro de 1947. Mas houve também declínio na disciplina dos Seminários e um processo de “de-romanização” da Cúria sob o Governo de Pio XII que levou à promoção das chamadas Conferencias Episcopais. Não podemos esquecer do fato de que Montini era protegido de Pio XII e apesar de todas suas intrigas na Curia e traições, Pio XII o apontou pra ser Arcebispo de Milão no dia 1 de novembro de 1953. Em Milão Montini ficou livre pra se associar a todo tipo de celebridade liberal, comunistas, socialistas, mafiosos e a elite do mundo artistico.
    A revolução já havia começado sob Pio XII, mas os Católicos só foram se dar por conta dela quando ela foi completada por João XXIII e Paulo VI.
    Nossa Senhora apareceu em 1917 para nos advertir de que precisaríamos de ajuda sobrenatural pra conter a revolução que havia sido deflagrada na Igreja durante a primeira metade do Século 20.
    Nessa enorme tarefa os visionários dessa nova Igreja foram assistidos tanto pelos inimigos de dentro como os tradicionais inimigos de fora: o Comunismo Internacional, a Internacional Franco Maçonaria e o Sionismo / Judaísmo.

    • Prezada Gercione,

      Não sou nenhuma autoridade no assunto,
      mas quis apenas deixar uma observação pontual
      quanto à (não) Revelação do Terceiro Segredo por Pio XII.
      Já quanto à Consagração da Rússia, nutro a mesma dúvida
      que você: nem mesmo as complicações no Papado de Pio XII seriam
      uma justificativa para não fazer a Consagração, visto que esta
      seria precisamente a cura dos piores males..
      No entanto, Pedro também erra…

      Não obstante, ainda sou obrigado a discordar de algo do que diz…

      Há de concordar comigo que só podemos cogitar
      uma narração histórica como verdadeira quando percebemos um
      “cruzamento” das informações obtidas por meio de outras fontes.
      Geralmente essas “provas” precisam vir de fontes primárias.

      Bugnini pode ter revelado algumas verdades e feito confissões
      em seu livro, mas seu maior objetivo não seria provavelmente o de
      fazer uma desesperada apologia a si mesmo e ao seu próprio
      (desprezível) trabalho de “deformação litúrgica”,
      dado que escreveu esse livro durante aquele que era (a seu ver)
      um “injustificado exílio” no Irã?

      Seguindo esse raciocínio, colocarei abaixo algo do que,
      a princípio, parece “não bater” com algumas das informações que citou
      quanto a Pio XII:

      . Pio XII jamais tomou parte no movimento litúrgico concebido
      como o queria o desvairado Bugnini. Isso se comprova nas próprias
      palavras do Papa, e mesmo na própria “Mediator Dei”, onde
      ele fez uma verdadeira “pré-condenação” do que viria a ser
      o “movimento litúrgico”, p.e. nos ns. 56 e 57 daquele documento.
      (para não citar aquelas outras frases dele, bem mais catastróficas,
      as quais ele teria proferido precisamente em referência ao 3º Segredo
      de Fátima…)

      . Pio XII queria um saudável desenvolvimento litúrgico (MD IV; V).
      E o trabalho feito durante seu pontificado, não obstante
      tenha tido a participação de Bugnini,
      foi visto pelos (fiéis) Sacerdotes como algo bastante positivo, não foi?
      Ao contrário, a “deforma” litúrgica do CVII causaria imediatamente
      estranheza aos Sacerdotes que a presenciaram
      (vejamos, por exemplo, as impressões do então Pe. Antonelli,
      que presenciou tanto os trabalhos sob o reinado de Pio XII,
      como as catástrofes promovidas pelo grupo “Consilium”, sob Paulo VI).

      . Se Bugnini afirma que as ações de Pio XII eram vistas
      como uma gradual regressão à “liturgia primitiva”, o próprio Pio XII,
      por outro lado, condena o Arqueologismo (n. 57, MD). Pelo que,
      se Bugnini tinha em mente um retorno a uma sua própria concepção
      de liturgia primitiva pela arqueologia, Pio XII tinha em mente
      a adoção de apenas algumas práticas litúrgicas que aproximariam mais
      as belas Liturgias Católicas do Ocidente e do Oriente (ns 4 e 9, MD).
      Assim, a reforma legítima vislumbrada por Pio XII parece muito mais
      ter sido usada por Bugnini e afins como uma oportunidade de instaurar
      as bases de sua anarquia. Mas parece claro que tudo isso foi feito
      dissimuladamente. Note que, sob Pio XII, a única reforma que
      Bugnini promoveu foi justamente o retorno das Missas de Vigília e
      algo do que era realmente almejado pelo Papa.
      a catástrofe posterior fica por conta dele e, lamentavelmente,
      de Paulo VI (que já desde então o acompanhava).

      . Não sei “por que cargas d’água” Pio XII faria nomeações de Bugnini
      e outros revolucionários, mas com certeza não era visando
      o catastrófico movimento litúrgico
      conciliar… (seria desinformação? Teriam eles fingido
      tomar parte, junto a Pacelli, contra a turba da inovação, adquirindo
      dissimuladamente a confiança do futuro Papa?)

      . Chamam Montini
      e Bugnini de protegidos do Papa e etc.
      Mas o Papa tinha toda a Igreja do Ocidente para “apascentar”,
      além da Segunda Guerra Mundial “nas costas”. Isso sem mencionar
      as aflições vindas da grande mídia para contornar…etc etc..
      Não creio que seja ingenuidade pensar que ele
      se enganou favorecendo alguns revolucionários.. e você?
      Mesmo porque, esses revolucionários já haviam chegado (dissimulada-
      mente) bem alto na hierarquia, antes mesmo de Pio XII ser Papa, não é?
      O próprio (então) Cardeal Pacelli lamentaria:
      “Ouço em torno de mim inovadores que querem desmantelar a Sagrada Capela,
      destruir a flâmula universal da Igreja, rejeitar seus ornamentos,
      dar-lhe remorsos de seu passado histórico”.

      A não ser que este tivesse sido um exímio dissimulador:
      o que se revela de todo impossível, pois
      isso destoaria de praticamente todo o universo de informações
      relativas a Pio XII que estão disponíveis em fontes confiáveis…

      Ademais, não nos esqueçamos que hoje nós sabemos quais eram
      as reais (e perniciosas) intenções de Bugnini,
      mas o que se sabia sobre ele em 1948 (ano de sua nomeação por Pio XII)?

      Assim, respeitando suas considerações,
      penso (e muitos fatos confirmam)
      que o grande Pio XII foi, antes, um verdadeiro defensor
      da Ortodoxia e opositor da futura catástrofe conciliar,
      ainda que esta tenha tomado força
      (para contrariedade dele) sob seu Pontificado;
      ainda que, por conta das circunstâncias, algumas
      coisas lhe tenham “escapado”;
      ou ainda que ele tenha sido involuntariamente
      desastrado, até certo ponto, em algumas decisões
      (ao que todos estamos sujeitos, em qualquer âmbito)…

      Por fim,
      se o Vaticano I não aceitou logo a Doutrina
      do Corpo Místico, ele também não a condenou… certo?
      Existem definições Doutrinárias ainda mais importantes
      e decisivas na História da Igreja que foram primeiramente
      desacreditadas, e, no entanto, se revelaram sólidas e foram
      acolhidas mais tarde pelo Magistério…

      Cordialmente,

  14. Uma pessoa conhecida, que entende bem de MÍSTICA, disse-me que o TERCEIRO SEGREDO DE FATIMA, tem uma parte, em que nos é revelado, exatamente o que ocorre em nossos dias: uma confusão generalizada…..e,….dois (2) Papas sentados no TRONO DE PEDRO, com as devidas consequencias espirituais , que isso nos acarreta…..!!! e, que o Papa da ocasião , em que foi entregue a Carta, até desmaiou em ler, tais coisas,……. e outras mais……!!!!!!

    Aguardemos, para ver se Papa Francisco tem a ….”coragem” também de revelar-nos o total da tão famosa Carta da Irmã LUCIA DE FATIMA!

  15. Alguém tem imagens grandes da carta?

  16. Sinto dizer: é falso. Pelas contradições entre declarações das autoridades conciliares (a mentira tem pernas curtas) e pelos testemunhos de autoriades e assistentes pré-conciliares que disseram que eram poucas linhas, as quais não preenchiam nem meia página, sabemos que o documento mostrado é falso. Outra coisa que o comprova é a reviravolta na direção do Santuário, quando até um templo nada católico, ultramodernista e iluminista foi construído. É lamentável… mas fichinha para Nossa Senhora. Aguardem 2017. Fátima já não é a Casa da Mãe. Ela está noutro fronte com seu general, São Miguel e com o nosso guia São José. Ainda seremos reunidos por ela. A neoigreja vive de propaganda e já mostra desespero.

    • Leonardo, o texto não é falso, mas é apenas a DESCRIÇÃO da visão. A EXPLICAÇÃO da visão vem em um texto separado, esse sim de 25 linhas, como explicado no livro “O derradeiro combate do demônio” (acessado livremente na internet ou consultado em artigos no site fatima.org ou fatima.org/port). Além de inúmeros testemunhos e fatos probantes, veja, por exemplo: Por que Nossa Senhora diz a Lúcia que aquela parte do terceiro segredo, que não podia ser contada a ninguém antes de 1960, já podia ser contada ao Francisco? Porque Francisco via Nossa Senhora e via tudo que ela mostrava, mas não a ouvia. Ora, Francisco viu o “bispo de branco” subindo a colina e sendo assassinado. Então, o que o Francisco não tinha conseguido captar? Não foi a descrição da cena, mas a explicação de Nossa Senhora sobre a cena mostrada. É essa explicação que está faltando ser revelada. A cena ele viu e está no texto agora apresentado em Fátima. Atualmente, nós estamos numa situação semelhante à do Beato Francisco: imaginamos a cena, mas precisamos que alguém também nos conte a explicação de Nossa Senhora, que obviamente foi falada e não mostrada na visão. É em tal explicação que se insere o contexto de “Em Portugal, se conservará o dogma da fé, etc.” Tal explicação está na carta de 25 linhas, como se conclui das investigações e provas apresentadas no livro.

      Veja que mais recentemente Solideo Paolini (veja em https://fratresinunum.com/2013/06/03/o-texto-do-quarto-segredo-de-fatima-diria-que-nao-mesmo-todavia/ e nos links aí disponibilizados) acrescenta fatos não presentes no livro, sobre a confirmação que ele havia obtido de viva voz do Cardeal Capovilla acerca da existência de dois textos escritos pela Irmã Lùcia: um com a descrição da cena vista pelos três pastorinhos, outro com a explicação da cena (que só tinha sido ouvida por Irmã Lúcia e pela Beata Jacinta e que precisou ser repassada para Francisco).

      Aos que perguntaram sobre o conteúdo inteiro da carta, ele não é novidade. Já foi apresentado em 2000 pelo Vaticano com a esfarrapada explicação de que se referia ao atentado (fracassado) contra o Papa João Paulo II, contrariando as palavras de vários cardeais (Oddi, Ciappi, o então cardeal Ratzinger, e mesmo do Pio XII) que leram o segredo e confidenciaram que Nossa Senhora havia mencionado a apostasia na Igreja como o motor daquelas desgraças apresentadas na visão.
      http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20000626_message-fatima_po.html

      Sugiro a leitura dos inúmeros artigos de fatima.org (versão em inglês, muito mais completa) ou fatima.org/port (versão em português, muito mais sucinta)

  17. Por quê não estão expostas TODAS as folhas?
    Será que tem algo a ver com o cãocílio das maravilhas?
    Hummm…Como dizia Dona Milú:
    mistéééééééééério…

  18. Ignorante que sou da História da Igreja, me surpreendi com a informação de que o então Bispo Eugênio Pacelli (modernista) manteve conflitos com o Papa Pio XI e que, como Papa Pio XII, abriu as portas da Igreja para o Progressismo, tanto politicamente quanto teologicamente, segundo declaração do Arcebispo Annibale Bugnini (mas Bugnini merece crédito?). Os comunistas sempre acusaram ferrenhamente Pio XII de ser aliado dos nazistas (e merecem crédito?). Não foi o Cardeal Eugênio Pacelli quem declarou que “seria um suicídio da Igreja alterar a Fé na sua Liturgia, na sua Teologia e na sua Alma”? E não foram proféticas as suas preocupações, tal como hoje testemunhamos na geral degradação, principalmente a partir do Concílio Vaticano II? Com certeza, porém, a verdade acabará sendo revelada, conforme Jesus prometeu.