Belo Horizonte – Voto Católico | 27 de janeiro de 2014 | Aproximadamente uma centena de pessoas interrompeu de forma violenta a celebração de uma missa no último domingo, 26 de janeiro, na igreja Nossa Senhora do Carmo, zona sul de Belo Horizonte. Segundo os manifestantes, a confusão foi provocada para evitar a suposta ‘remoção’ do religioso carmelita Cláudio Van Balen.
Frei Evaldo Xavier Gomes, pároco de Igreja em questão, iria celebrar a Santa Missa em ação de graças por sua recente eleição como prior da Província Carmelitana de Santo Elias (que abrange os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília, Bahia e Tocantins) às 11:00 da manhã, horário em que normalmente celebra Van Balen.
As pessoas inconformadas, que fazem parte do grupo que apoia incondicionalmente os trabalhos do frei holandês, estavam previamente organizadas para impedir a celebração, convocaram a mídia, especialmente a alguns jornais locais onde tem contatos, e mantiveram contato direto com ele via telefone celular, informando-o de como os acontecimentos se desenvolviam.
Vídeo da confusão:
Frei Cláudio Van Balen, de 80 anos, foi pároco de Nossa Senhora do Carmo por mais de 40 anos, há cinco foi aposentado em função da idade, e é conhecido em Belo Horizonte por suas ideias contrárias aos ensinamentos da Igreja Católica, entre outras coisas seu apoio aos diversos ‘modelos’ de família, o divorcio, a homossexualidade, o aborto, a eutanásia, a luta de classes como fator decisivo nas reivindicações sociais.
Os atos litúrgicos presididos por ele são celebrados ‘a modo próprio’, os textos da Sagrada Escritura e as formulas da consagração eucarística e do batismo são modificados ao gosto do frei, divorciados em segunda união recebem a comunhão, durante o tempo em que foi pároco a confissão foi erradicada e a maior parte das imagens religiosas retiradas.
Para seus seguidores, estes aspectos e seu engajamento em lutas políticas e sociais, geralmente sob bandeiras da esquerda, lhe caracterizam como um padre moderno, capaz de adaptar o discurso religioso ao mundo contemporâneo.
Antes da missa, os seguidores de Van Balen começaram a falar com as pessoas que se preparavam para participar da celebração – ao todo entre 350 e 400 – que a missa seria presidida por outro padre o que sinalizaria uma possível retirada de Frei Claudio da Paróquia.
Um homem de aproximadamente 50 anos conclamou em alta voz a que todos se levantassem antes do início da celebração, gritando o nome de frei Cláudio, pois, segundo ele, seus superiores estariam tentando expulsá-lo. Assim que as intenções da missa começaram a ser mencionadas, a leitora foi interrompida por vaias e gritos que mencionavam insistentemente o nome do frade holandês.
Várias tentativas de iniciar a celebração foram feitas, todas sem sucesso. Cerca de dez minutos depois, o pároco, Frei Evaldo Xavier, se dirigiu da sacristia para o altar junto com os concelebrantes, Frei Tinus Van Balen – irmão do Frei Claudio-, Frei Wilson Fernandes e Padre Luís Henrique Eloy. Tentou iniciar a celebração, mas foi impedido pelos seguidores que tomaram também o presbitério.
Alguns fiéis da paróquia que desejavam participar da missa tentaram dialogar, pedindo que tudo fosse resolvido com calma, mas os manifestantes lhes responderam com agressividade, aos gritos, xingando-os, empurrando-os e afirmando que ‘a igreja do Carmo é de Frei Claudio’.
Dois soldados da Polícia Militar estiveram presentes no templo, mas o pároco pediu que eles fossem embora, pois a situação seria resolvida sem a necessidade de intervenção externa.
Frei Evaldo começou a rezar o terço de joelhos diante da imagem de Nossa Senhora do Carmo e muitos fiéis o acompanharam, mas os seguidores do frade holandês tentavam a todo custo impedir a oração e, xingando palavrões e batendo na mesa do altar, aumentavam as vaias. As crianças que estavam na Igreja ficaram assustadas e choravam.
Depois de mais de 40 minutos de tensão, Frei Evaldo se retirou com os paroquianos para a sacristia e anunciou que a missa seria celebrada no salão paroquial. Quase uma centena de pessoas participou da celebração, que começou por volta de meio-dia.
Os que protestavam, em sua grande maioria idosos, chegaram a ameaçar de agressão física os fiéis, alguns jovens fieis presentes afirmaram ter levado tapas no rosto e cusparadas, mas não se defenderam por causa da idade do agressores.
Os seguidores de Van Balen asseguraram ter recebido um e-mail do frade informando-os que seus superiores tinham decidido se ‘desfazer dele’ pedindo a saída da paróquia e enviando-o a Lagoa Santa. Segundo vários dos manifestantes, aquele correio eletrônico foi decisivo para organizar o boicote da missa.
Frei Evaldo Xavier Gomes, pároco há mais de dois anos de Nossa Senhora do Carmo, informou que é pratica comum na Igreja que haja rotatividade de padres nas paróquias, de tempo em tempo párocos e vigários são mudados de local, e padres com mais de 75 anos se aposentem.
Disse que inclusive Frei Cláudio foi convidado para participar da celebração da missa de ação de graças, mas se negou a comparecer. Para o pároco, que também é prior de uma província da ordem e assessor canônico da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a atitude dos manifestantes foi desproporcionada, agressiva e sectária, quebrando a comunhão que deve ser vivida na Igreja.
Depois de impedir a celebração eucarística o grupo dos ‘claudianos’(como se autodenominam) discutiu na igreja quais seriam as próximas atitudes a serem tomadas quanto aos protestos. Cogitaram até em ir à casa do Arcebispo, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, e arromba-la – caso não fossem recebidos – para obrigar o prelado a deixar ao frade na ‘Igreja que é dele e de ninguém mais’.
Já existe no Facebook, uma página de fiéis solidários à Arquidiocese de BH e à Província Carmelitana de Santo Elias. O endereço é: http://www.facebook.com/euapoiofreievaldo .
* * *
Comunicado – Paróquia Nossa Senhora do Carmo
Por Arquidiocese de Belo Horizonte – A Arquidiocese de Belo Horizonte e a Província Carmelitana de Santo Elias – responsável pela Paróquia Nossa Senhora do Carmo, no Sion – lamentam os incidentes ocorridos no último domingo, que gravemente prejudicaram a Celebração da Santa Missa às 11h, configurando desacato à Igreja de Belo Horizonte e ao novo provincial carmelita.
Diante dos acontecimentos, define-se pela suspensão por tempo indeterminado da Missa celebrada aos domingos, às 11h, na igreja Nossa Senhora do Carmo.
As igrejas devem ser sempre local de paz e fraternidade, de respeito e de fé, ambiente que favorece o encontro com Deus.
* * *
Há 40 anos…
Este infeliz senhor vem pregando heresias com toda desfaçatez sob o olhar cúmplice da Arquidiocese de Belo Horizonte e de seus superiores religiosos. O nível pode ser visto abaixo:
* * *